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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

8 de Espadas (Snapchat: TAROTEANDO)


Autocensura, auto restrição, auto boicote é o que costuma acontecer quando ficamos paralisados mentalmente, quando nosso raciocínio bloqueia e não conseguimos encontrar uma solução que nos satisfaça para algum problema ou dúvida que naquele momento enfrentamos.
Entre diversas outras possibilidades, é assim que o 8 DE ESPADAS do Tarot costuma representar essas funestas ameaças de auto aprisionamento.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Carta do Dia: 8 DE ESPADAS

                                              MENSAGEIRO
     “Eis aqui, meu amigo, aquele que era então um menino pequenino!”
                                                  O SERVO
     “Desgraçado! Por que não te calas?”

                     ……………………………………………………….

                                                   ÉDIPO
     “A criança de quem se trata, tu lhe entregaste?”
                                                 O SERVO
     “Sim! Melhor fora que nesse dia eu morresse!”
                                                   ÉDIPO
     “Pois é o que te acontecerá hoje, se não confessares a verdade!”
                                                O SERVO
     “Mas... com mais certeza ainda, se eu disser a verdade, estou perdido!”

                   ………………………………………………………….

                                                O SERVO
     “Pois bem! Aquele menino nasceu no palácio de Laio!”
                                                  ÉDIPO
     “Era um escravo? Era um descendente dele, ou de sua família?”
                                                O SERVO
     “Ai de mim! Isso é que me será horrível dizer!”
                                                  ÉDIPO
     ”E para mim será horrível ouvir! Fala, pois! Assim é preciso!”
                                                O SERVO
”     Diziam que era filho dele próprio. Mas aquela que está no interior de tua casa, tua esposa, é quem melhor poderá dizer a verdade.”
                                                  ÉDIPO
     “Foi ela que te entregou a criança?”
                                                O SERVO
     “Sim, rei.”
                                                  ÉDIPO
     “E para quê?”

                                                O SERVO
     “Para que eu a deixasse morrer.”
                                                  ÉDIPO
     “Uma mãe tez isso! Que desgraçada!”
                                                O SERVO
     “Assim fez, temendo a realização de oráculos terríveis...”
                                                  ÉDIPO
     “Que oráculos?”
                                                O SERVO
     “Aquele menino deveria matar seu pai, assim diziam...”
                                                  ÉDIPO
     “E por que motivo resolveste entregá-lo a este velho?”
                                               O SERVO
     “De pena dele, senhor! Pensei que este homem o levasse para sua terra, para um país distante... Mas ele o salvou da morte para
maior desgraça! Porque, se és tu quem ele diz, sabe que tu és o
mais infeliz dos homens!”
                                                  ÉDIPO
     “Oh! Ai de mim! Tudo está claro! Ó luz, que eu te veja pela
derradeira vez! Todos sabem: tudo me era interdito: ser filho de
quem sou, casar-me com quem me caseie e eu matei aquele a
quem eu não poderia matar!”
     (Desatinado, ÉDIPO corre para o interior do palácio.)

Édipo e o Servo, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

   Swords08 (5)   O 8 de Espadas é uma carta que se refere a um aprisionamento de algum tipo, a um bloqueio de energias, inclusive as psíquicas. Um famoso humorista, referindo-se a essa carta, disse uma vez, parodiando a famosa frase de René Descartes (1596-1650): “Penso, logo eu… fico confuso!”.

     Na Árvore da Vida cabalística, todos os 8 correspondem a Hod, a Sephirah que simboliza a inteligência ativa, o intelecto. Hod está relacionado ao pensamento objetivo, analítico e de extrema rapidez, visto que o planeta Mercúrio também é associado à essa esfera situada quase na base do esquema da Árvore da Vida. Visto que o naipe de Espadas, em sua essência, simboliza as atividades mentais, podemos deduzir então que o 8 de Espadas, por situar-se na Sephirah Hod (Glória, Esplendor), soma os seus potenciais, exaltando-os, tornando a linha de pensamento muitas vezes confusa, dúbia, sem saber qual caminho seguir, qual decisão tomar.

     A maior virtude de Hod é a Veracidade e nós muito bem sabemos o quanto essa virtude é difícil de ser atingida, e o quão dolorosa ela pode ser! Não é apenas sermos verdadeiros com os outros, mas também com nós mesmos, e essa é a mais difícil, a mais agoniante verdade a ser aceita. A busca pelo conhecimento pode nos colocar em perigo, especialmente no aspecto psicológico, e é por isso mesmo que os cabalistas creditavam o Arcanjo Miguel, o chefe das milícias celestes, a Hod, junto com o Arcanjo Rafael, o curador, que deveria ser invocado em caso de grandes “ferimentos” psíquicos.

     A força e o poder dessa obra-prima de Sófocles, “Oedipus Rex”, com suas emoções, sua beleza, sua coragem, sua tensão, continua, 25 séculos depois de ter sido escrita, a impressionar e emocionar platéias, a provocar debates, a ser usada como assunto para teses, a simbolizar um dos maiores “complexos” que a psicanálise identificou. Isso tudo deve-se a um homem, uma mente mortal que foi capaz de juntar palavras de tal forma que, ainda hoje, elas repercutem no mais fundo da alma humana. Isso é o que em cabala se chama de A Visão do Esplendor, que não por acaso, é o nome que se dá à experiência espiritual que obtemos nessa Sephirath.

     O trecho grifado acima, extraído de passagens da peça “Oedipus Rex”, nos mostram o momento em que, finalmente, Édipo encontra a verdade que tanto procurava. Sim, ele era filho de Laio e Jocasta. Sim, ele era tebano e não coríntio, como pensava. Sim, o oráculo se cumprira e ele matara seu pai e casara-se com sua mãe. Sim, sua própria mãe o entregara ao seu Servo de confiança para que o matasse, mal acabara de nascer. Sim, seu nome, Édipo (oedipus = pés inchados), e o defeito que tinha em seus pés, devia-se ao fato de ter sido amarrado pelos pés a uma árvore e abandonado à mercê da própria sorte, para ser devorado pelos animais. Sim, ganhara o título de rei e a mão de Jocasta derrotando o enigma da Esfinge (“Qual é o animal que pela manhã tem 4 pernas, à tarde, 2 e à noite tem 3?”) mas não fora capaz de decifrar seu próprio enigma. Talvez a Esfinge fosse uma cilada dos deuses para que a profecia finalmente se cumprisse integralmente. O quebra-cabeças está formado e Édipo sente-se só, perdido, vítima de um destino cruel. Sabe (ou pelo menos presume) que será abandonado por todos, que todos se horrorizarão de estarem à sua presença. Ele, o parricida e o filho incestuoso.

     Quando um 8 de Espadas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, bem como do assunto de interesse do Consultante, pode significar bloqueios, obstáculos, aprisionamento, restrições, isolamento. Censura e auto-censura. Temer a liberdade pessoal. Pode simbolizar o fato do Consultante ter erguido um muro que o separa dos seus sonhos. Um momento de crise. Obsessão. Desespero. Não conseguir livrar-se do confuso emaranhado de fatos em que a situação parece ter-se tornado. O Consultante pode estar permitindo que outras pessoas interfiram, seja por inveja ou por trivialidades, no seu equilíbrio psíquico. Doença. Estar impossibilitado de deixar o leito ou locomover-se. Imobilidade. Preguiça. Insatisfação, muitas vezes injustificada, com conquistas obtidas no passado. Sentir-se abandonado pelos outros.

     É muito comum, pessoas que são alcoólatras, ou que tenham algum tipo de vício ou dependência, inclusive sexual, se considerarem banidas, párias sociais, indignas do convívio com o grupo. É exatamente esse o alerta que o 8 de Espadas faz: não se isole, nas se restrinja, não crie limitações, amarras, obstáculos, impedimentos ou desculpas. Peça ajuda. Estenda a mão e peça o auxílio de seu semelhante. Inúmeras são as associações, os grupos de terapia, os profissionais qualificados que podem remover essas falsas amarras que nos impomos. O grande problema enunciado por essa carta é a idéia de “pré-conceber” algo, ou seja, presumir que não conseguirá livrar-se, presumir que ninguém lhe dá atenção, presumir que todos lhe virarão as costas, presumir que está perdido sem um guia que possa ajudar. Companhia e contato humano são essenciais pois necessitamos de outras pessoas que possam nos apontar uma nova perspectiva para aquilo que chamamos de “meu problema”.

     Quando, numa jogada, o 8 de Espadas sai bem localizado, ou bem dignificado, como se usa dizer, podemos perceber que o Consultante está apto para viver a sua própria liberdade. Que o caminho à sua frente está menos acidentado. Que a sua forma de pensar está mais clara. Que há um súbito desaparecimento dos problemas que pareciam persistirem. Pode, sob determinadas circunstâncias, significar que o Consultante apercebeu-se que estava se dedicando em demasia a algo ou a alguém que não valia o esforço, e está com um novo projeto de vida. Alegria, felicidade. Retorno ao convívio social. Comportamento mais liberal. As coisas se movem, caminham, ainda que muito trabalho e empenho pessoal sejam necessários. Significa, também, a solução de um problema pois o Consultante encontrou “a chave” do mistério. As recompensas ainda estão bastante distantes e ainda resta muito a caminhar, mas há uma sensação de que alguns obstáculos já foram ultrapassados e as pessoas, que poderiam estar impedindo o caminhar, afastam-se, abrindo passagem. O Consultante começa a olhar a vida sem ter “areia” para lhe embaçar a visão. Depois de muito quebrar a cabeça, de muito raciocinar, de muito pensar em busca de soluções, a mente parece clarear-se, iluminar-se. A verdade triunfa.

     Édipo, finalmente, tem à sua frente um quadro da sua tragédia pessoal. Todos os elementos que ele necessitava para conhecer a sua verdade foram expostos. Cabe a ele decidir como utilizar essa verdade que tanto buscou. Como esse conhecimento irá, ou não, libertá-lo da cegueira, da escuridão mental em que viveu toda a sua vida adulta, dependerá exclusivamente dele e do quanto os que lhe são próximos estarão dispostos a ajudá-lo nessa crise. Ele, o herói que libertara toda uma nação das garras impiedosas da Esfinge, usando o seu brilhante raciocínio, uma vez mais desvendou um mistério: o seu próprio.

     Hoje a Lua Crescente está em Virgem, o que pode significar ser um ótimo período para nos organizarmos, inclusive mentalmente, abandonando medos, tensões e permitindo um novo fluxo de idéias. É um convite para que sejamos mais realistas, que não desviemos os nossos olhos e os nossos pensamentos da verdade que se nos apresenta, mas que procuremos, inclusive com a ajuda alheia, a superar nossa possível falta de confiança pessoal, nossos receios, e nos abramos, confiantes, para tempos melhores.

     Tenham todos uma ótima quinta-feira, livre das falsas ilusões!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carta do Dia: 8 de Espadas

    

Elemento Ar   (quente, úmido)
Temperamento Colérico
Cabala Hod (mente concreta) em Yetzirah (formação)
I Ching Shih Bo   image
Numerologia 8:  abundância e poder
Planeta Júpiter (expansão) em Gêmeos (dualidade)
Título Esotérico Senhor da Força Diminuída
Lua Cheia,  em Escorpião
Dia da Semana quarta-feira,  regente Mercúrio
Zodíaco Peixes,  regente Netuno
Ano 2010 (=3),  regente Vênus

    8-of-swords Sou fã dos filmes do David Cronemberg. Quando, há alguns anos,  assisti ao seu psicodrama “Spider”, saí da sessão com a impressão de dejá vu. Sabia que tinha visto, de alguma forma, aquelas imagens, ou aquela estória, em algum outro lugar. Claro que sim! Elas estão todas condensadas na carta do 8 de Espadas.

     No filme, um homem recém saído de uma instituição mental onde viveu desde a infância, pára, por conta própria de tomar a sua medicação e volta, assim, a reviver as lembranças de um terrível passado. A frase que define o enredo é a seguinte: “A pior coisa que pode haver além de perder a sua mente (enlouquecer) é voltar a encontrá-la.”

     Nosso cérebro é onde processamos a realidade que vivemos, as sensações que temos, as emoções que experimentamos. Nossa mente trabalha continuamente colhendo, analisando, classificando informações de todos os tipos, vindas de todos os lugares, absorvidas pelos nossos sentidos. É um verdadeiro super-computador e, como tal, também pode “travar”. Assim como alguns programas são “pesados” demais para determinadas máquinas, algumas estruturas mentais que criamos são muito difíceis de serem assimiladas ou vividas e acabam por se transformarem num “vírus”, num “cavalo de tróia” que se instala e dificulta a execução de todos os outros processos mentais.

     Como qualquer outro vírus instalado num computador, esse também modifica a estrutura do nosso processador mental, alterando-lhe a capacidade de reconhecer a realidade, de exercer plenamente suas funções. Acabamos, vítimas de seus efeitos, tecendo, pensamento a pensamento, um véu que nos encobre, nublando nosso raciocínio lógico e a nossa capacidade de nos perceber e perceber, também o nosso ambiente, colorindo nossa existência com outros tons, muitas vezes mais sombrios.

     Ficamos prisioneiros de uma idéia. Temos delírios de uma falsa realidade. Ficamos obcecados com uma única maneira de encarar os fatos; perdemos o controle nossos pensamentos, que acabam servindo unicamente aos nefandos propósitos desse “virus”: nos atormentar, nos aprisionar em seus invisíveis e possantes fios. Ficamos, literalmente, imobilizados, com os “pés e mãos atados”, como dizemos popularmente. Além disso, um verdadeiro muro ergue-se rapidamente, impedindo que enxerguemos nada além que suas frias e soturnas paredes. Estamos ilhados, isolados, perdidos, presos dentro da pior das prisões que existe: nós mesmos.

     Quando um 8 de Espadas aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua localização no jogo e das outras cartas à sua volta, ele pode estar sugerindo que reavaliemos nossas verdades, nossos conceitos e pré-conceitos; pode estar a nos indicar que nos tornamos dependentes da opinião alheia, inábeis de tomarmos nossas próprias decisões, preferindo ser conduzidos a nos conduzir. Pode, eventualmente, indicar um estado de doença que demanda repouso, quietude, isolamento. Em muitos casos, pode ser interpretado como arrogante teimosia, quando não queremos alterar nossa maneira de pensar ou agir, mesmo que ela não sejam racionalmente corretas. Pessoas que se deixam dominar pelo ciúme, ou se deixam fazer prisioneiras dos ciúmes de alguém, também são representadas pelo 8 de Espadas. A censura que infligimos ou sofremos, estão simbolizadas por essa carta.

     Enfim, o 8 de Espadas, numa leitura, é um sinal vermelho de que alguma coisa dentro de nós está querendo “travar”. É hora, então, de passar um “anti-virus”, ou seja, refletir com calma, analisando cada aspecto isolado da situação e, depois, todo o conjunto de fatos. Ser claro e verdadeiro consigo mesmo. Não se deixar tapear, iludir, por si próprio. Tirar a venda dos olhos e encarar a realidade à luz da razão. Como no arcano VIII, a Justiça, usar de frieza e lógicas absolutas para avaliar os fatos, sem cair na armadilha de ser tendencioso, esconder provas ou não querer ouvir testemunhas (opiniões de especialistas ou pessoas de confiança). Enfrentar os fatos pode ser muito doloroso, mas sempre será menos do que viver com medo, angustiado, escondendo-se do mundo ou de nós mesmos. A mente deveria ser utilizada sempre para a solução de problemas e não a construção de dificuldades maiores.

     No dia de hoje, esta carta aparece para nos lembrar que todos podemos ter manifestar abundância e e poder (número 8), desde que trabalhemos os nossos medos e os impedimentos inconscientes, ou não, que nos travam a realização e o acesso ao êxito material. Essa idéia de superação através de uma vigorosa ação contra o que nos separa da lógica, da justiça e da harmonia é reforçada pelo hexagrama Shih Bo, do I Ching, que representa uma boca com algo obstruindo-a. Mercúrio, favorece a mente consciente, sendo portanto um grande auxiliar em termos de negócios, pois colabora que mantenhamos a clareza mental. A Lua Cheia, que é uma fase excessiva, entrando hoje em Escorpião, nos alerta para o fato de que talvez estejamos muito dependentes dos outros, ou das suas opiniões. É hora de aproveitar para corrigir isso, sem temer ser rejeitado por ter as suas próprias!

     Tenham todos uma excelente quarta-feira, com muita liberdade, alegria, buscando sempre a harmonia interior.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 8 DE ESPADAS

    db_NS-8 de espadas Às vezes nossa vida parece ser uma extensão local de Guantánamo. Tudo complicado demais, enorme demais, pesado demais. Arrasador demais. Vivemos um desespero semelhante àquele dos pesadelos, quando queremos correr do perigo e parece que nossos pés estão grudados ao chão. Nessas ocasiões estamos vivendo aquilo que no tarot chamamos de um 8 de Espadas.

     Há determinadas ocasiões em que precisamos tomar importantes decisões que irão ter um impacto muito grande em nosso futuro. Pode ser ter-se que decidir por qual carreira seguir, por qual profissão optar. Seja autorizar a cirurgia de um parente nosso que pode não resistir à mesma. Às vezes vem na forma de uma gravidez que surge no momento errado, quando estamos com outros planos de vida, quando estamos construindo uma carreira que pode exigir mudanças, viagens, etc. Pode ser, também, que venha como o assinar ou não uma escritura de venda de um imóvel que pode representar nossa única segurança patrimonial no futuro. Enfim, são situações que podem surgir do nada ou então serem construídas lentamente, por nós mesmos, através do tempo e que, num determinado momento, eclodem exigindo uma solução. E rápida!

     A imagem que primeiro me ocorre sempre que o 8 de Espadas surge numa leitura de tarot é a de uma teia de aranha: fina, delicada, quase invisível, mas muito bem fixada, bem trançada, muito aderente, na qual a vítima se prende por si própria e, quanto mais se debate na busca de uma possível fuga, mais enrodilhada, mais presa fica. Assim somos nós, vítimas das nossas próprias construções mentais, prisioneiros de uma verdadeira tessitura de detalhes, de opções, de experiências bem ou mal aprendidas, de tantas opiniões alheias, de medos implausíveis, de sentimentos mal resolvidos que qualquer chance de libertação parece-nos tão impossível ou desesperadora quanto o próprio mal que nos aflige.

     Quando temos que optar, a idéia de fazermos a escolha errada nos apavora a tal ponto que, muitas vezes, perdemos o foco principal e ficamos derivando entre detalhes de menor importância, engessados em preconceitos, em pensamentos negativos, em auto-piedade, dando ouvidos a qualquer coisa que nos digam a tal ponto que isso pode acabar mal e todas aquelas fantasias mórbidas que tivemos acabam se realizando. Parece que nos recusamos a pensar. Nosso cérebro parece não corresponder à nossa necessidade de sermos lógicos, claros, criativos e encontrarmos em nós mesmos as melhores saídas para os problemas que se apresentam. Sim, em nós mesmos, já que cada um de nós constrói o seu próprio labirinto é de se esperar que então saibamos onde se encontra a saída do mesmo.

     As espadas, que poderiam representar, neste caso, opções de libertação, de ruptura, de corte de situações, de armas de fuga, estão, ao invés, nos cercando, nos isolando, nos impedindo de prosseguir e de nos desvencilharmos das nossas barreiras e amarras. Essas espadas representam pensamentos não conclusivos, idéias esparsas, fantasias pessimistas, medos, angústias e ansiedades que envolvem num manto de obscuridade cada escolha que precisamos fazer. Confusão acaba gerando mais confusão à medida que acabamos tendo idéias estapafúrdias a fim de nos livrarmos dos problema, nublando ainda mais as nossas perspectivas.  Isso acaba fazendo que, muitas vezes, nos fechemos em nós mesmos e nos retiremos. E, essa retirada pode ser fisicamente mesmo, pois quantas histórias conhecemos de pessoas que acabaram fugindo, desaparecendo, mudando-se de cidade, de país e até de identidade, apenas para não ter que enfrentar situações que demandavam decisões transformadoras?

     Nesses momentos, em que nos sentidos com os pés e as mão atadas, vendados e cercados de perigos iminentes, o melhor a fazer é dar um tempo. Parece impossível, não é mesmo? Difícil parar, relaxar, deixar a mente clarear, respirar fundo, dar uma trégua no campo de batalha da sua mente e descansar. É difícil, sim. Complicado. Mas fundamental. Tudo o que precisamos neste momento já encontra dentro de nós. Não adianta esperar, com os ouvidos externos atentos,  escutar o som da corneta e do tropel da cavalaria que, no último momento vem nos salvar. Esse grupo de resgate vem de dentro de nós. Do mesmo local onde os pensamentos confusos, as idéias assustadoras e nebulosas tomaram formas assustadoras. É do nosso interior, agindo através da nossa intuição, do nosso bom senso, da lógica e da razão tão cortante quanto as espadas retratadas na carta, que virá nossa salvação, nossa redenção.

     É nesse momento que percebemos que os ventos da mudança já começaram soprar, desviando as negras nuvens e deixando a luminosidade do sol brilhar novamente. Tudo fica claro, nítido, evidente, permitindo que foquemos a nossa atenção e  analisemos de forma honesta e imparcial as nossas reais opções. É chegada a hora de parar de pensar em termos de limitações para pensarmos em termos de possibilidades. Lembre-se que a aranha tem 8 patas e caminha lépida sobre a mesma teia que aprisiona suas vítimas, porque ela mesma a construiu e, portanto, sabe onde pisar, qual caminho fazer.

     As importantes decisões que você tenha que tomar, no dia de hoje, viva-as de maneira tranquila, aberta a soluções que possam parecer, à primeira vista, descartáveis, mas que podem ser exatamente aquilo que você precisa aprender a respeito de como solucionar seu problema. Distraia-se. Mude o foco. Passeie. Cante. Vá ao cinema. Distraia sua mente para que ela possa descansar da sobrecarga que você está lhe impondo. E depois, mais leve, com mais jogo de cintura, volte a elaborar um plano concreto de ação, lembrando-se que paciência e persistência derrotam qualquer obstáculo, sobrepujam qualquer situação.

     Tenha um excelente dia!