terça-feira, 26 de janeiro de 2016
9 de Espadas (Snapchat: TAROTEANDO)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
9 de Espadas (comentário AO VIVO no Periscope: @ALEXTAROLOGO)
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
9 de Espadas (Snapchat: @TAROTEANDO)
domingo, 21 de setembro de 2014
Quando o medo insiste em nos dominar
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Resistindo ao inevitável
Muitas vezes, e em especial neste Blog, me refiro às cartas de Tarot como um alfabeto de um idioma um pouco esquecido e que as combinações de suas cartas formam sílabas, palavras, frases. Nelas lemos aforismos, avisos, notinhas amorosas, poemas épicos, frases de efeito, alertas preocupantes, propostas instigantes, notícias de tempos distantes, romances minimalistas, etc.
Nada, na configuração das cartas, é gratuito ou está ali por acaso. Ao contrário, tudo foi muito bem pensado para que em cada traço do desenho, em cada mancha de cor, em cada elemento retratado possamos deixar nosso subconsciente completar a imagem e retornar com uma possível resposta, uma legenda para aquela ilustração.
O que me levou a estar escrevendo sobre isso foi o fato de, numa leitura realizada hoje, onde o assunto principal era seu trabalho, seus negócios, terem surgido 2 cartas numa casa que representava um sinal de alerta, de atenção/perigo para o Consulente. Os esquemas dos jogos normalmente possuem casas para situações costumeiras, do tipo: o estado emocional do Consulente no momento da leitura, quais as raízes do assunto que motiva a leitura das cartas, quais as probabilidades de determinado acontecimento vir a ocorrer, etc. Então, no esquema que eu havia sugerido para a jogada de hoje havia uma casa que representava possíveis obstáculos sobre os quais o Consulente deveria estar consciente e atento.
O 9 de Espadas, entre outras possibilidades, representa aquelas nossas preocupações que não nos abandonam, talvez porque as alimentemos e deixamos que cresçam e nos dominem. É quando exageramos nas nossas aflições e passamos a ver prejuízo, sofrimento e dor em tudo. Abandonamos o sentido do real para nos aventurarmos nos meandros dos pesadelos. O pessimismo é a palavra de ordem e acabamos, até inconscientemente, favorecendo que o Mal que imaginamos realmente aconteça. E quando isso vem acompanhado de uma Torre (Arcano Maior XVI)? Motivo para muita gente dar um salto na cadeira e persignar-se, como que antevendo uma enxurrada de desgraças à sua frente.
Menos, por favor. Bem menos.
A Torre, em seus aspectos mais negativos, representa uma retomada de consciência ocasionada por um evento que abala profundamente as estruturas do que já não tinha solidez em seus alicerces. Refere-se, muitas vezes, à necessidade de enfrentarmos a ruptura de determinadas "construções" nas quais nos empenhamos no intuito de nos afastarmos da pura realidade. Se eu "construo" uma relação afetiva baseada unicamente em fantasias e carências, é evidente que estou querendo erguer um monumento sobre areia movediça. Não irá resistir à falta de solidez de intenções, à veracidade dos fatos, à honestidade dos sentimentos.
E daí, como é então que fica a leitura dessa dupla, 9 de Espadas e Torre?
Claro que, como sempre, irei alertar que essa interpretação não é única, não é exclusiva, não se aplica a todas as situações e jogadas. Aliás, nada no Tarot funciona exatamente assim. Nada é absoluto. E é exatamente o exercício de, a cada jogada, a cada Consulente, encontrarmos um novo sentido, uma nova mensagem embutida, um novo viés combinatório, que faz de cada leitura, única.
No caso em questão que motivou esta postagem, o Consulente sofre com a idéia de ter que rever os motivos pelos quais seus negócios parecem não prosperar. Tem medo de confrontar-se com a necessidade de abandonar uma posição que não é nem de longe a ideal, mas que lhe parece cômoda e que vai "quebrando um galho", mas que ele bem sabe ser insustentável. Atormenta-lhe a idéia de ter que reconhecer que cometeu sérios erros e que estes acabaram por comprometer o projeto como um todo. Parece-lhe insuportável ter que assumir perante a família, os amigos, os funcionários e os concorrentes que agiu insensatamente e que o que ele pretendia se transformasse num império tem a mesma resistência de um castelo de areia à beira mar.
Ele sabe que a Torre já está instalada, com a força impiedosa de seus explosivos prontos a implodirem o que um dia foi um sonho mal sonhado, um projeto mal planejado, uma administração mal conduzida. E ao invés de detonar tudo o mais rapidamente possível e permitir-se recomeçar, agora com muito mais conhecimento e bom senso, prolonga o inevitável remoendo culpas, medos, angústias e vergonha.
Nem sempre as leituras de Tarot são aceitas de imediato. Há pessoas que resistem, que se negam a reconhecer ali uma sugestão para uma reflexão maior. Ninguém deveria entender um jogo oracular como uma ordem, um comando inquestionável, enviada de um outro plano, mas como um alerta para que o Consulente reflita e possa tomar suas próprias decisões, baseadas exclusivamente no seu livre-arbítrio.
Torres refletem acontecimentos, situações que em geral desejamos que nunca aconteçam, mas que acontecem mesmo assim. Deve haver, e certamente há, um sentido nisso tudo, mas nem sempre é fácil reconhecê-lo ou aceitar. Mas do que adianta construir uma mentira e passar a vida atormentado pela idéia que um dia ela irá se revelar? Por que prolongar o sofrimento inevitável? Por que não se permitir corrigir, modificar, evoluir, reconstruir?
Está aí, então, o Tarot para ajudar nessa reflexão, para lembrar que temos algo precioso que é a nossa capacidade de decisão e que quando dela nos utilizamos consciente e harmoniosamente, passamos a trilhar os caminhos que melhor irão nos servir para que nos realizemos como seres humanos.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Carta do Dia: 9 DE ESPADAS
O CORO
“… Ilustre e querido Édipo, tu que no leito nupcial de teu pai foste recebido como filho, e como esposo dize: como por tanto tempo esse abrigo paterno te pôde suportar em silêncio?
Só o tempo, que tudo vê, logrou, enfim, ao cabo de tantos anos,
condenar esse himeneu abominável, que fez de ti pai, com aquela de quem eras filho! Filho de Laio, prouvera aos deuses que nunca te houvéramos visto! Condoído, eu choro tua desgraça, com lamentações da mais sincera dor! No entanto, para dizer-te a verdade, foi graças a ti que um dia pudemos respirar tranqüilos e dormir em paz!”
(Entra um EMISSÁRIO, que vem do interior do palácio)
…………………………….
EMISSÁRIO
“Uma coisa fácil de dizer, como de ouvir: Jocasta, a nossa rainha, já não vive!”
CORIFEU
“Oh! Que infeliz! Qual foi a causa de sua morte?”
EMISSÁRIO
“Ela resolveu matar-se... E o mais doloroso vos foi poupado: vós não vistes o quadro horrendo de sua morte. Dir-vos-ei, no entanto, como sofreu a infeliz. Alucinada, depois de transpor o vestíbulo, atirou-se em seu leito nupcial, arrancando os cabelos em desespero. Em seguida, fechou violentamente as portas, e pôs-se a chamar em altos brados por Laio, recordando a imagem do filho que ela teve há tantos anos, o filho sob cujos golpes deveria o pai morrer, para que ela tivesse novos filhos, se é que estes merecem tal nome! Presa da maior angústia, ela se lastimava em seu leito, onde, conforme dizia tivera uma dupla e criminosa geração. Como teria morrido, não sei dizer, pois Édipo, aos gritos, precipitou-se com tal fúria, que não pude ver a morte da rainha.
Todos os nossos olhares voltaram-se para o rei, que, desatinado, corria ao acaso, ora pedindo um punhal, ora reclamando notícias da rainha, não sua esposa, mas sua mãe, a que deu à luz a ele, e a seus filhos. No seu furor invocou um deus, - não sei dizer qual, pois isto foi longe de mim! Então, proferindo imprecações horríveis, como se alguém lhe indicasse um caminho, atirou-se no quarto. Vimos então, ali, a rainha, suspensa ainda pela corda que a estrangulava... Diante dessa visão horrenda, o desgraçado solta novos e lancinantes brados, desprende o laço que a sustinha, e a mísera mulher caiu por terra. A nosso olhar se apresenta, logo em seguida, um quadro ainda mais atroz: Édipo toma seu manto, retira dele os colchetes de ouro com que o prendia, e com a ponta recurva arranca das órbitas os olhos, gritando: "Não quero mais ser testemunha de minhas desgraças, nem de meus crimes! Na treva, agora, não mais verei aqueles a quem nunca deveria ter visto, nem reconhecerei aqueles que não quero mais reconhecer!" Soltando novos gritos, continua a revolver e macerar suas pálpebras sangrentas, de cuja cavidade o sangue rolava até o queixo e não em gotas, apenas, mas num jorro abundante. Assim confundiram, marido e mulher, numa só desgraça, as suas desgraças! Outrora gozaram uma herança de felicidade; mas agora nada mais resta senão a maldição, a morte, a vergonha, não lhes faltando um só dos males que podem ferir os mortais.”
Corifeu e Emissário, “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.
Muitos consideram o 9 de Espadas uma das cartas mais cruéis do Tarot e, certamente, do naipe de Espadas. Costuma representar uma grande angústia ou aflição que sentimos por outra pessoa. É, por exemplo, a sensação de impotência que nos abate quando temos um ente querido sofrendo uma doença. Ou a terrível experiência dos pais que tentam resgatar um filho do submundo das drogas. A causa das nossas dores, do nosso pesadelo, no caso do 9 de Espadas, é provocado por algo ou alguém que não nós mesmos.
Yesod, a 9ª esfera (Sephirah) da Árvore da Vida, é chamada de Fundamento, o lugar onde está a nossa parte inconsciente, dos pesadelos e dos medos, da depressão e dos grandes mistérios que parecem surgir dos recantos mais escuros de nós mesmos. É o local onde guardamos tudo aquilo que, no âmbito racional, nos é difícil de lidar. É de Yesod que os nossos pesadelos surgem, onde, pela influência lunar as nossas percepções são distorcidas e nubladas. A Lua é o planeta (sim, a Lua é um satélite, mas em termos de astrologia básica, a consideramos um planeta) associado a Yesod e, portanto, isso significa que todas as entidades, todas as divindades associadas a ela pertencem a essa Sephirah (esfera): Luna, Hécate, Diana, Hathor, Isis, Lilith, Astarte. As fases da lua (Nova, Crescente, Cheia, Minguante) também refletem aspectos do feminino: a Donzela, a Mãe, a Anciã. Como a Lua reflete a luz emitida pelo Sol, ela tem sombras que a cada dia são mais e mais reveladas. Basta-nos olharmos para uma Lua em seu Quarto-Crescente e veremos que, noite após noite ela revela um pouco mais de si. Ainda que ela fisicamente não se transforme, durante suas fases, e apresente o tempo todo a mesma face, o mesmo lado, os seus ciclos são meramente ilusórios. E Yesod é a esfera (Sephirah) das Ilusões.
Jocasta e a Esfinge são as únicas figuras femininas de relevância em “Oedipus Rex”, e ambas escondem segredos lunares. Segredos que habitam uma zona de sombras dentro das almas humanas e que, dado o tempo devido do ciclo, eles necessitam vir à tona e, certamente, virão. A Esfinge resume as fases da vida de todo o ser humano, nascimento, vida e morte, em sua questão: “Qual é o animal que de dia tem 4 pernas, à tarde tem 2 e à noite, 3?”. Édipo, o representante solar, racionalmente esclarece, soluciona o enigma dizendo ser o homem, que ao nascer caminha com os 4 membros. Adulto, usa as 2 pernas para se locomover e, velho, necessita da ajuda de uma bengala. Mistério revelado significa o fim do monstro, do pesadelo: a Esfinge suicida-se atirando-se do alto do promontório onde habitava.
Jocasta, por sua vez, tomando consciência de que o homem que desposara é seu filho e assassino do pai, seu falecido marido, o rei, tenta, inutilmente, evitar que Édipo confronte-se com a realidade. Procura, de alguma forma, iludi-lo, numa maternal, porém vã tentativa de protege-lo. Roga-lhe para que desista, sugestão que é refutada. Ela sabe, por instinto e objetivamente (Yesod + Malkuth) a verdade dos fatos. Tendo Édipo compreendido toda a real situação, toda a verdadeira tragédia que constitui sua vida, tendo, uma vez mais, solucionado o mistério, o que resta a Jocasta a não ser destruir-se, aniquilar-se, perdida em seu próprio desespero e culpa? Sua morte é a representação de mais uma fase lunar, de um ciclo de total escuridão, simbolizado na cegueira de Édipo que se vale das presilhas que prendiam a roupa da rainha morta para arrancar seus próprios olhos.
Entre o último diálogo de Jocasta com o filho/esposo, e a sua entrada no palácio real, ela vive em profunda intensidade aquilo que o 9 de Espadas simboliza: preocupação, decepção, arrependimento, desespero, sofrimento, traição, medo. Qual será o destino de seus 3 filhos com Édipo? E o que será de Édipo? Por razões semelhantes a essas, quando um 9 de Espadas aparece numa tiragem de tarot, sempre dependendo da sua localização na jogada e entre as demais cartas, bem como a questão proposta pelo Consultante, o 9 de Espadas pode simbolizar um tempo onde tudo parece voltar-se contra a pessoa. As pessoas agem com tal crueldade que ferem profundamente. O Consultante pode estar-se sentindo desprezado e alquebrado pelas circunstâncias que estão muito além do seu controle. Tristeza provocada por pesadelos e visões. A sensação de alguém irá cravar um punhal em suas costas. Pode, em alguns raríssimos casos, simbolizar um presságio de morte de um ente querido. As pessoas que cercam o Consultante agem com malícia e intrigas referindo-se ao Consultante. Pessoas estranhas e misteriosas parecem se aproximar. Os seus medos têm fundamento. Ações praticadas no passado finalmente apresentam suas terríveis consequências. Recusar-se a encarar o que fez. O Consultante, dependendo de muitas outras circunstâncias, pode sentir que a vida se esvai de si, ou então alimentar tolas idéias suicidas. Achar muito doloroso pensar na situação que está vivendo. Inabilidade de concentrar-se no assunto que deve ser resolvido. Uma grande confusão mental.
Às vezes, quando questionado sobre os aspectos positivos desta carta, eu devo confessar que os desconheço em número suficiente para fazer contraponto aos seus sintomas negativos, mas, e sempre há um mas, uma possibilidade extra no tarot, e na vida, nós sabemos que “eles, como tudo, passarão”. Assim como os planetas passam pelos diversos signos do zodíaco, queiramos ou não, como as fases da Lua se alternam independente da nossa vontade, que os ciclos da vida acontecem com ou sem a nossa participação, nós podemos ter certeza de que esse momento também terá o seu fim. O Universo certamente não nos deixará presos em nosso desespero. Podemos contar como certo alternâncias e mudanças. O que está escondido em Yesod pode ser trazido à consciência a fim de ser trabalhado e solucionado.
Nesta sexta-feira, com a Lua Crescente a nos estimular a resolvermos pendências, a trabalharmos assuntos que estão “engavetados” esperando por uma solução, é um ótimo momento para refletirmos sobre a palavra “responsabilidade”. Devemos aceitar as nossas responsabilidades e não nos deixarmos abater por obstáculos, empecilhos, impedimentos ou dificuldades temporárias. É hora de firmar bem os pés no chão, mas deixar que a cabeça esteja elevada, em busca das estrelas.
Tenham todos um dia com novas possibilidades e horizontes se descortinando à sua frente!
Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov
quinta-feira, 4 de março de 2010
Carta do Dia: 9 DE ESPADAS
Janeiro passado, um casal de primos meus mandaram seus filhos para um acampamento de férias promovido pela escola que frequentam. Passaram semanas checando as condições do local, em termos de segurança, higiene e conforto; conversaram com diversos outros pais cujos filhos lá estiveram anteriormente; falaram com professores e conselheiros da própria escola e, finalmente, despacharam a garotada para duas semanas no tal acampamento.
Foram, na verdade, duas semanas de noites insones, com os dois acordados, preocupadíssimos, sentindo as piores intuições sobre o que poderia vir a acontecer às crianças “naquele fim de mundo!”, como não paravam de repetir. Trocaram acusações, se auto-flagelaram ao máximo, sentindo-se culpados por tudo o quanto os jovem pudessem vir a sofre, pelas profundas marcas que aquelas duas semanas causariam em suas vidas como adultos.
As crianças voltaram felizes, alegres, cheias de aventuras para contar. Meus primos estavam em frangalhos. Arrasados, dormindo algumas horas à base de poderosos calmantes, cansados de discutirem e se acusarem reciprocamente.
O marido de uma grande amiga desde os tempos de faculdade é piloto de avião comercial. Passa a maior parte do tempo fazendo as linhas internacionais de uma companhia aérea brasileira. Desde o 11 de Setembro, quando houve aquele “ataque aéreo”, como ela costuma descrever os ataques terroristas às torres gêmeas em Nova Iorque, ela não encontrou mais paz. Não consegue dormir, não relaxa em lugar algum, largou o curso de línguas que fazia devido à ansiedade que não a deixa ficar parada num único lugar por mais de 15 minutos e quintuplicou a conta de telefone, checando o marido onde quer que ele esteja.
O marido sente-se infeliz por ser o causador de tamanho estresse na mulher que ama. Entretanto, seria uma atitude inconsequente, neste momento da sua carreira e dos compromissos de vida de ambos, que ele largasse a aviação comercial. A mulher chora, ora e vigia os telejornais aguardando por notícias de catástrofes. Dia e noite.
Todas essas pessoas viveram, ou vivem, à sua maneira, seus mais terríveis pesadelos convivendo com a idéia de perda, de sofrimento, abandono, culpa, sofrimento e dor o tempo todo.
O 9 de Espadas é uma carta que simboliza, entre outras coisas, a angustiante e opressora sensação de que algo terrível está por acontecer e essa idéia fixa acaba sendo alimentada pela própria mente que a cria. Perde-se a noção da realidade, da plausibilidade, da dimensão exata do problema ou da situação. Tudo cresce a tal ponto que ocupa praticamente toda a mente, garantindo que se instale a confusão, as contradições, o desentendimento, a falta de direcionamento e a recusa em ver os fatos como realmente são. A pessoa, com medo de enfrentar seus terrores face a face, procurando clareá-los à luz da razão e da lógica, torna-se vítima de sua própria mente predadora.
Essa carta tem uma conexão muito grande com a idéia de ciclos que se repetem, voltando sempre à idéia original. Basta que peguemos o seu número, 9 (nove) e o multipliquemos por qualquer outro número (experimente!), reduzindo-o em seguida à unidade. Voltaremos, sempre, a obter o 9 original!
7 x 9 = 63 (6=3=9) = 9
81 x 9 = 729 (7+2+9=18 1+8=9) = 9
258 x 9 = 2322 (2+3+2+2=9) = 9
Interessante, não é mesmo? Esse ciclo energético em conjunto com as chaves simbólicas do naipe de Espadas, jogam uma luz sobre como vivenciamos a natureza repetitiva e cíclica dos nossos mais profundos pensamentos. E por falar em “jogar uma luz” esse também é o número da carta do Eremita, o Arcano que simboliza uma busca interior, um estado de isolamento em busca do auto-conhecimento, de procurar em si mesmo as respostas, da necessidade de saber a verdade a todo o custo. O 9 de Espadas é uma verdadeira distorção da simbologia desse Arcano Maior, na sua ânsia de esconder-se da luz clara da razão e permitir que apenas um torvelinho de imagens, conjecturas, suposições e análises distorcidas sobreponham-se à realidade.
Portanto, quando essa carta surge numa tiragem de tarot, dependendo sempre da sua posição e das demais cartas que a acompanham, além da questão que gerou a consulta, pode, também significar isolar-se com os seus problemas; desiludir-se; não ser flexível na maneira de pensar e agir; preocupações exageradas; sentir-se vulnerável; arrepender-se de algo feito ou dito no passado; discussões com a mãe ou a sogra; insônia; possibilidade de aborto; sofrimento; sofrimento. O aparecimento dessa carta quase sempre é um aviso para estarmos atentos ao fato que as preocupações demasiadas com as pessoas amadas e os sofrimentos da alma são comuns quando o Ego-Mente se investe de tanto controle e dominação que não leva em conta o fator humano. É a carta que nos recorda que é necessário acordarmos desse pesadelo e tratá-lo como tratamos os pernilongos que possam incomodar o nosso sono:
- Localize-os e encare-os,
- Elimine-os de seu sistema e de seu ambiente,
- Previna-se de outro surto substituindo esses pensamentos ou crenças por outros muito mais límpidos e elevados.
Aproveitem a claridade do dia de hoje para se deixarem iluminar pelo sol e fazer uma verdadeira limpeza mental. Todo mundo, inclusive você, tem o direito à felicidade. Construí-la é um trabalho individual. Comece-o agora.
Bom dia!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Carta do Dia: 9 DE ESPADAS
Ontem o mundo da moda, dos fashionistas, dos criadores de beleza, sofreu uma importante baixa em suas fileiras. O estilista escocês, Alexander McQueen foi encontrado morto em seu apartamento londrino. Suicídio.
Li a notícia na internet e fiquei naturalmente surpreso, especialmente pelo fato de ter sido auto-infligida. Pouco depois, buscando por algo novo para ler, encontro numa livraria um livro de autor francês com o seguinte título: “A Loja do Suicídio”, uma novela sobre o óbvio que o título promete: uma loja que vende todo o material necessário para que os suicidas possam realizar seus intentos, de cordas, balas de revólver, bombons envenenados, navalhas afiadas, etc. Esbocei um sorriso amarelo pela coincidência e tive pesadelos, dos quais nada me recordo a não ser que foram uns 3 diferentes, durante a noite. Aliás, já os tinha tido na noite anterior.
Nesta manhã, não foi nenhuma surpresa retirar o 9 de Espadas, aleatoriamente, do maço de cartas. Tudo a ver, pensei eu enquanto decidia qual seria a abordagem que eu daria, desta vez, aos significados dessa carta. Ligando o computador para escrever este texto, leio que a mãe do McQueen havia falecido há poucos dias e que está fazendo 3 anos que sua descobridora, mentora, divulgadora, razão de seu reconhecimento público (lembram-se da carta de ontem? O 6 de Paus?) e musa inspiradora, suicidou-se após ter sido diagnosticada com uma grave doença. Já tenho motivos de sobra para saber sobre que luzes (ou talvez, a falta das mesmas…) descrever o 9 de Espadas nesta postagem.
Uma das combinações do IChing, a sexta, tem como título a palavra “Conflito”, no sentido que primeiro os desenvolvemos, trabalhando nos seus requintados e cruéis detalhes dentro de nós, fazendo-nos, exatamente por isso, muito vulneráveis às influências que nos cercam. O não verbalizar, o não expressar dessas angústias as tornam ainda maiores, mais significativas e opressivamente poderosas. Uma verdadeira panela de pressão, pronta a explodir da mais desastrosa maneira possível.
Não é nem uma, nem duas vezes na vida que ficamos sobrecarregados, por motivos os mais diversos, além dos nossos limites, sob constante e crescente estresse. Nessas ocasiões a nossa imaginação assume o seu pior aspecto e, totalmente descontrolada, inebriada de medo, culpa, remorso, sofrimento e dor, dispara descontrolada povoando nossas noites insones com imagens fantasmagóricas, com visões potencialmente adulteradas dos nossos problemas. Exagerados ao extremos e desnecessariamente, eles acabam se transformando no que poderia nos acontecer de pior, pois os adornamos, masoquistamente, com as nossas angústias, aflições, desapontamento, sensações de inutilidade, de fraqueza, de auto-piedade.
E os pesadelos, então? São como se os demônios da mente estivessem entretidos em tecer uma riquíssima teia de tormentos que obscurecessem o nosso sonhar. Então acordamos, às 3 da manhã, encharcados de suor, com o coração disparado, a impressão de que um grito está preso na garganta. Pânico. A mente, que enquanto dormíamos, vagava pelo plano astral, vivenciando a energia de Marte, com todos os fantasmas, demônios e demais armas desse implacável guerreiro que se aproveita das horas noturnas, quando ninguém está por perto e nada pode ser feito, para usar como instrumentos de tortura os mais dolorosos e cruéis pensamentos. Sim, eles são intensos, mas imateriais como a brisa e não sobrevivem à luz do dia.
O grande problema que o 9 de Espadas alerta é o isolamento em que nos enclausuramos quando as circunstâncias à nossa volta parecem desesperadoras. É o arquétipo de Eremita (Carta IX dos Arcanos Maiores) numa corrida de trem-fantasma dentro de si mesmo, revolvendo a mais forte e antiga emoção da humanidade, que é o medo e, em especial, a pior forma dele, o medo do desconhecido. É “a noite sombria da alma” quando nos sentimos vítimas, vivendo um período onde tudo e todos parecem conspirarem contra nós, sem esperança alguma, agonizando sobre algo sozinhos com fantasias mórbidas sobre alguém que nos é importante, temerosos por um malfadado futuro, despedaçados e completamente abatidos por situações que estão além do nosso controle. Acho que nem preciso dizer que é chegada a hora de deixar o orgulho ou a vergonha de lado e estender a mão num pedido de ajuda que, certamente, está lá ao seu alcance.
Alexander McQueen era um bem sucedido estilista, reconhecidamente criativo, inovador, porém com o embasamento técnico necessário de alfaiataria que exige a sua profissão. Jovem, 40 anos, rico, vivia sob o constante estresse do mercado da moda, que exige 2, 3 ou 4 coleções ao ano, mais uma infinidade de produtos e sub-produtos que são os verdadeiros mantenedores dessas griffes de moda: óculos, malas e bolsas, perfumes, sapatos, acessórios. Grandes companhias, corporações, bancos, fundos de investimentos são os verdadeiros donos dessas marcas onde os seus criadores são apenas uma “fachada” dos negócios, vendendo através de seu marketing pessoal, obtido através de uma vida muitas vezes extravagante, das luzes dos holofotes, dos flashes dos paparazzi, para uma parcela da sociedade ávida em encontrar a sua própria identidade através das roupas que veste, dos perfumes que usa, das imagens que as essas figuras famosas projetam. Essa verdadeira indústria coloca esses desenhistas, costureiros, estilistas, artistas, sob constante pressão, exigindo deles mais e melhores resultados econômicos para as suas empresas. É um mecenato de forma bastante escravagista.
Talvez McQueen tenha se cansado disso tudo. Talvez estivesse vivendo um bloqueio em sua criatividade. Talvez tenha sucumbido à dor da perda da mãe. Talvez sentisse culpa por continuar vivo enquanto que aquela que o transformou na estrela em que se tornou, tenha decidido por fim à sua própria vida. Talvez.
O que sabemos por certo é que não há problema que não possa ou deva ser visto, analisado em suas partes, desmantelado sob a luz clara e brilhante da razão. Não há imaginação doentia, depressão, instabilidade da mente ou da alma, perda de fé ou mágoa que não venha a ser redentora, transformadora, como se fora um purgatório pelo qual devessemos fazer nossa passagem em busca da merecida iluminação. Pedir socorro, nessas horas, a um profissional qualificado, dividir com os verdadeiros amigos e a família os problemas que nos angustiam não é um sinal de fraqueza. Ao contrário: é uma forma altamente inteligente de demonstrar um auto-conhecimento já tão evoluído que reconhece as “sombras” da nossa personalidade, os filtros que obscurecem a nossa verdadeira alma e que anseia em elevar-se ainda mais. Verbalizar nossos medos, nossas angústias, nossos sentimentos de culpa, nossos questionamentos, nossas perdas só os fazem perder a intensidade. De tanto repeti-los, de tanto recontarmos a mesma história, ela tende a enfraquecer-se nos seus excessos e perder a estatura e a potência que antes parecia ter.
Minha mãe nunca admitiu que a palavra cancer fosse pronunciada dentro de casa, sob hipótese alguma. No fundo ela acreditava que a sua simples menção atrairia a própria doença. Meu pai e ela morreram de cancer, e nós nunca dissemos a palavra, em que tanto pensávamos.
Aproveitem o dia para, sob a luz do sol, abrirem os porões, os armários, os baús da mente e deixarem escapar as traças que nos fragilizam a estabilidade mental, permitindo que com a luz, a alegria invada os seus corações. Ah, e não esqueçam de oferecer ajuda, aquele “ouvido amigo” a quem dela necessitar. Com isso, certamente o dia de vocês será excelente!

