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domingo, 22 de novembro de 2015

Cavaleiro de Espadas (Snapchat TAROTEADO)


Rapidez mental e capacidade argumentativa, além de coragem, são características muito marcantes do Cavaleiro de Espadas.

Esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou seguida, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, de comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

Se você também gosta de Tarot, de cartomancia, sinta-se convidado a conhecer minhas páginas nas diversas mídias:

Snapchat: TAROTEANDO
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domingo, 26 de outubro de 2014

A Justiça: sendo juiz, defensor, acusador e carrasco ao mesmo tempo.

 

Arcano VIII, a Justiça: sendo juíz, defensor, acusador e carrasco ao mesmo tempo.

sábado, 5 de junho de 2010

Carta do Dia: 10 DE OUROS

Minor-Discs-10Vaudeville      Levantou-se de um salto. Enquanto ia para o chuveiro, repassou, mentalmente, a agenda do dia. Como sempre, haveria gravação pela manhã, depois uma reunião com um empresário que desejava organizar uma turnê dela pelas mais importantes cidades japonesas, ministrando aulas de culinária típica brasileira. O editor estava esperando o envio do seu 2º livro para revisão e não parava de ligar, pois queria aproveitar para lança-lo na comemoração de 3 anos de seu programa de TV. Havia combinado com a tia e as primas que mandaria o motorista para apanha-las no comecinho da noite, para um jantar especialíssimo que iria fazer, só para a família. A irmã estava dormindo no quarto de hóspedes, recém chegada do interior e ainda entorpecida com as dimensões e a velocidade de tudo que havia visto no trajeto do aeroporto até o seu novo apartamento.

     Tornou a enumerar, enquanto se aprontava, quantas pessoas jantariam. De fora, só a jornalista, ex-patroa e mentora de tudo o que ela havia conseguido na vida. Estava excitadíssima, muito mais do que jamais estivera.  O compromisso marcado na cidade, para o meio da tarde era o mais importante de toda a sua vida.  Nada se igualava à expectativa e à ansiedade que sentia naquele momento. Antes de sair, passou pelo quarto anexo ao seu e olhou o trabalho feito pelo decorador. Estava realmente uma beleza. Parecia um sonho, coisa de revista de decoração, de conto de fadas…

     Nos últimos meses viveu intensamente todo o processo de concretização de seu maior sonho. Foram inúmeras entrevistas com psicólogos, assistentes sociais, juiz, advogado. Dezenas de documentos foram preenchidos e arquivados. Exames médicos solicitados foram feitos. Referências pessoais coletadas e fornecidas. Audiências. Encontros. Reuniões. Mas finalmente o grande dia chegara e nessa tarde, ela iria, finalmente, finalizar o processo de adoção da mais encantadora criança que a escolheu no orfanato. Sim, pois foi aquela menininha, pequenina, franzina, quase raquítica, com olhos enormes a tudo e a todos observando, que apontou-a e sorriu assim que ela entrou no berçário. Foi amor à primeira vista. Ela sabia que a filha que tanto desejava ali estava, esperando por ela. Única sobrevivente entre todos de uma mesma família que pereceu no deslizamento e queda de sua precária moradia na encosta de um morro, na estação da chuva, a criança não tinha ninguém, nem nome, nada. Mas agora, tinha a ela e ambas tinham uma à outra.

     Quando chegou ao estúdio para a gravação, esperavam por ela buquês e mais buquês de flores de todas as cores e espécies. Presentinhos para a “recém chegada” foram entregues às dúzias e uma das secretárias chegou a imprimir e encadernar os milhares de e-mails recebidos das telespectadoras. Ela fez o programa absolutamente emocionada. Agradeceu publicamente a todos e continuou seguindo para os outros compromissos que a aguardavam. À tarde, numa brevíssima cerimônia na Vara da Família, com a presença emocionadíssima de sua irmã mais velha e das testemunhas de praxe, o Juiz conferiu-lhe o Termo de Adoção da pequena Anna Luísa, nome de sua falecida mãe, que também falecera quando ela era criança.

     Já era tarde da noite quando a tia, as primas e a amiga jornalista, e agora comadre pois ira ser a madrinha da sua filha, se retiraram. A irmã, acostumada com a vida no sítio, havia ido deitar mais cedo. Ela apagou as luzes da sala e dos corredores e entrou, na penumbra do quarto, para uma vez mais olhar sua filha. Debruçou-se sobre o bercinho e ajeitou melhor os lindos lençóis bordados com rendas e fitas. Mais uma vez a emoção tomava conta dela e deixou que as lágrimas corressem livremente pelo seu rosto. Era feliz. Era feliz por ter realizado todos os seus sonhos. Era feliz por sempre ter feito o que sabia e amava fazer. Era feliz por saber-se uma excelente profissional. E agora, mais do que nunca, essa felicidade se completava ao ver, dormindo, aquela criancinha a quem ela iria amar com toda a intensidade, retribuindo o amor que havia recebido de todos, sem distinção, em todos os momentos da sua vida. Iria estender, àquela criaturinha, todas as oportunidades que tivera na vida para crescer, conhecer-se como ser humano, sentir-se útil, saber que havia colaborado para que os seus semelhantes vivessem melhor. Claro que Anna Luísa teria a sua própria vida, suas prioridades, suas necessidades, sua personalidade, mas ela estaria sempre ao seu lado para ensina-la, caso precisasse, a ouvir a voz do seu coração e seguir os seus sonhos.

     Deitou-se, apagou o abajur e agradeceu por aquele dia e por todos os outros da sua vida. Adormeceu agradecendo pela filha que o Universo a ajudara a encontrar. Começou a sonhar com a mãe, que lhe sorria e lhe entregava Anna Luísa, que carregava nos braços. Ela abraçava a mãe e a menina, num abraço longo, suave, carinhoso… e… acordara imediatamente ao ouvir o choro da sua filhinha reclamando atenção. Sentiu-se mãe, feliz em poder estar ali, presente às necessidades da sua cria. Levantou-se e num segundo estava ao lado do bercinho.

     A vida não poderia ser melhor!

     Quando um 10 de Ouros surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua localização entre as demais cartas do tabuleiro e da questão proposta pelo Consultante, pode significar que a riqueza de possuir família, amigos e os entes queridos próximos a si, fazem o Consultante sentir-se feliz e pleno. Uma celebração de volta ao lar. Sentir-se rei no castelo que construiu com suas próprias mãos. Uma possível herança pode estar a caminho. Amar e proteger a família. Ter construído em bases sólidas. Conscientizar-se de que a sua vida é cheia de riquezas e tesouros vários. Aceitar e retribuir a bondade e o amor. No fato do Consultante mostrar-se para os outros como ele realmente é, ele acrescenta riquezas e sucesso à sua pessoa. Uma boa vida, com saúde e segurança. Solidez nos negócios. A materialização das esperanças e desejos do Consultante.

     Numa posição menos favorecida, de obstáculo, o 10 de Ouros pode significar que o potencial merecido de coisas boas ainda não se revelou para o Consultante. Um outro significado dessa carta é que a fortuna, o conforto, o bem estar, a saúde, a riqueza material e a segurança estão lá, à disposição, mas o Consultante não se apercebe desse fato ou não lhes aprecia ou reconhece o valor. Muita atenção ou expectativa foram direcionadas aos aspectos exteriores das coisas, dos fatos ou das situações, sem uma dimensão interior, uma consciência da Fonte que nos abastece, aquilo que dá sentido e significado à palavra “Abundância”.

     Neste sábado, dia da semana sob a regência do sábio, disciplinador e consolidador Saturno, com a Lua Minguante em Peixes e o representante astrológico da nossa Carta do Dia, Mercúrio transitando em Virgem, devemos evitar sermos muito críticos ou excessivamente exigentes e cooperar mais, ajudar mais, nos envolvermos mais, enfim, com as nossas relações, desde que isso não interfira de forma alguma nas escolhas individuais de ninguém. Use seus dons pessoais para contribuir com que toda pessoa que cruzar seu caminho possa seguir o dela, de forma individual, com alegria e realização. Assim procedendo, uma verdadeira benção, em forma de boas intenções compartilhadas, irá se estabelecer e desenvolver-se entre todos nós.

     Tenham todos um excelente e renovador final de semana!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F.J. Campos

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carta do Dia: 2 DE COPAS

Cups02      Eles se conheceram numa festa. Ela, a melhor amiga da aniversariante. Ele, colega de trabalho do namorado da aniversariante.

     Desde os primeiros momentos de conversa, em meio à multidão que se comprimia no pequeno apartamento, sentiram-se completamente à vontade um com o  outro. Nem mesmo o barulho dos convidados, a música no último volume, o transitar de gente equilibrando copos e pratos nas mãos, conseguiu desviar a atenção de ambos. Sabiam que, de alguma maneira estranha, haviam finalmente se encontrado. Ela, que sempre implicara com homens com barba, cavanhaque, bigode, achou muito charmoso a sua “barba de três dias” super-bem aparada. Ele, que nunca sentira-se atraído por mulheres tão altas quanto ele, viu nela o protótipo, muito mais atraente, das modelos e manequins que ilustram os catálogos de moda.

     Começaram conversando sobre as banalidades e informalidades que se diz no meio do caos de uma festa onde há mais convidados do que o conforto e a segurança permitiriam. Sem nada em comum, a não ser a súbita atração física, ela começou contando de quanto a aniversariante era sua amiga, de onde estudaram juntas desde o “prézinho”, de como aprenderam a surfar com a galera do Arpoador e… “Espera aí”, ele interrompeu. “Quer dizer que vocês frequentavam o Arpoador juntas? Eu também! Como foi que a gente nunca se viu?” Pronto. Havia algo em comum e que levou-os a passarem a noite cruzando informações sobre amigos, sobre gostos, sobre atividades, viagens, sobre formação, carreira, perspectivas de vida, sonhos, desejos e, é claro, sobre alguns (bem poucos…) romances passados.

     Não dava para dançar pois não havia espaço para mais um único corpo na pista de dança. Aproveitaram, então para, num canto da sacada, ficarem olhando as luzes da cidade, as estrelas no céu e o enorme disco da lua. Ela contou-lhe da sua família, do seu trabalho como estilista de uma grande loja de moda feminina, de sua paixão pelo mar, de sua turma de “pegadores de onda”, de sua única e louca aventura ao Havaí para participar de um campeonato de surf, de um ex-namoradinho que, como ela, começou a surfar ainda criança e hoje era um famoso campeão nesse esporte e que morava no exterior, vivendo dos patrocínios.

     Ele contou-lhe das férias de infância na casa que a família ainda tinha na serra, sempre cercado de livros. Falou-lhe também do seu trabalho como advogado da área de Direito Internacional num dos mais respeitados escritórios do Brasil. Contou-lhe de suas constantes viagens pelo mundo na defesa dos interesses dos clientes. Dos países e das culturas que conhecia. Falou sobre experiências divertidas, e às vezes assustadoras, que havia vivido, nessas viagens com seu amigo, o namorado da aniversariante. Contou-lhe também de sua ex-noiva, hoje uma das sócias desse escritório e reconhecida profissional da sua área, tendo recebido, inclusive, convites para trabalhar junto aos escritórios das Nações Unidas.

     Ficaram surpresos quando viram a aniversariante começar a dar ordens para os garçons e empregadas retirarem o buffet, arrumarem a sala. Nem haviam percebido que o DJ contratado já havia desligado o som e se retirado. Foram os últimos a se despedirem e desceram o elevador olhando-se nos olhos, como se não quisessem perder nenhuma oportunidade de estarem juntos. Na rua, ele, sempre cavalheiro, acompanhou-a enquanto ela abria o carro. Trocaram telefones e e-mails. Combinaram verem-se ainda naquele dia que logo amanheceria. Pela primeira vez, beijaram-se, abençoados pela lua cheia que começava a dar sinais que logo desapareceria na claridade do alvorecer. Cada um com o coração batendo forte, dirigiram seus carros pelas ruas da cidade, felizes, realizados, encantados com a imagem e as palavras ouvidas do outro. Dirigindo para suas respectivas casas, começaram naquele momento a sonharem com a possibilidade de, quem sabe um dia, viverem juntos. Estavam apaixonados. Profundamente apaixonados. Ele ligou o rádio do carro e sorriu sozinho quando as vozes daquela dupla de cantores sertanejos que ele sempre fez questão de ignorar e chamar de bregas, fez-se ouvir pelos autofalantes cantando:

“É o Amor
Que mexe com minha cabeça
E me deixa assim
Que faz eu pensar em você
E esquecer de mim
Que faz eu esquecer
Que a vida é feita pra viver
É o Amor
Que veio como um tiro certo
No meu coração
Que derrubou a base forte
Da minha paixão
E fez eu entender que a vida
É nada sem você”

     Não mudou de estação e, sem nem mesmo acreditar no que estava fazendo, fez coro com a dupla, sem se importar com o olhar divertido das pessoas nos outros carros, que ao cruzarem pelo dele, olhavam aquele homem cantando a plenos pulmões na manhã que apenas nascia. Lá fora, os primeiros raios do sol romperam, finalmente, as últimas sombras da noite, anunciando um novo dia.

     Quando o 2 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e entre as demais cartas, assim como o tema de interesse do Consultante, ele pode significar o início de um relacionamento ou uma reconciliação entre esposos, namorados, amigos, sócios. Se o Consultante estiver envolvido emocionalmente com alguém mas ainda não tem certeza sobre as possibilidades dessa relação, o aparecimento dessa carta pode ser a garantia de que tudo irá evoluir para uma situação sentimentalmente esperançosa e estável, entretanto necessita que ele tenha um grau de comprometimento com ela. Pode indicar promissoras parecerias nos negócios, com a associação entre pessoas que irão trabalhar muito bem juntas. É indicativo de magnetismo pessoal, de amizades verdadeiras, afinidades, de muita simpatia e espontaneidade. Pode ser um aviso de noivado ou casamento em breve. É sintoma de um bom relacionamento sexual. É o encontro da “cara metade” no grande oceano da vida. É estar receptivo e comprometido com a idéia de dar e receber amor. Representa, também, além de amor, bondade e prosperidade.

     Apesar de ser uma carta extremamente bem vinda e, por que não dizer, aguardada num jogo de tarot, ela também tem seus aspectos menos favoráveis quando está mal dignificada, ou próxima a cartas mais negativas, numa leitura. Então ela pode ser um aviso de rompimento de uma amizade ou afastamento de um grupo social. Rivalidade, teimosia, conflito, oposição, brigas, ciúme, tirania ou prepotência também são alguns dos aspectos menos favoráveis do 2 de Copas. Se essa carta surgir no começo de um relacionamento, pode indicar um futuro incerto para o mesmo, quando as pessoas envolvidas não são as mais certas para continuarem juntas, ou então que esse relacionamento não é tão sério quanto pretendia ser. Essa carta, mal dignificada, pode indicar uma falta de comprometimento de uma, ou ambas as partes.

     Nesta sexta-feira, dia dedicado a Vênus, rainha do amor, da beleza, do encantamento, da atração, da sensualidade, das ligações amorosas é uma boa ocasião para refletirmos o quanto nos amamos e estamos dispostos e capazes para amarmos aos outros. Sabemos que conflitos e desavenças sempre existiram e continuarão a existir, mas podemos refletir o quanto a nossa participação é efetiva para que eles não aconteçam ou, pelo menos, que se esclareçam. A Lua Cheia está na sua fase mais expansiva e portanto nossas emoções, as situações que vivemos estão em seu momento culminante. É um momento para evitarmos qualquer possibilidade de discórdia e investirmos todos os nossos esforços de maneira tal que colaboremos com o bem estar geral. E, sobretudo, com uma carta como o 2 de Copas como Carta do Dia, podemos fazer uma “fezinha” na loteria do amor, com grandes chances de apostarmos exatamente no bilhete premiado.

     Um ótimo e surpreendentemente romântica sexta-feira para todos!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan
Letra da Música “É o Amor”, de Zezé Di Camargo e Luciano

domingo, 14 de março de 2010

Carta do Dia: 5 DE OUROS

5ofPentacles      Andrew Beckett, de 26 anos de idade, é um jovem advogado trabalhando para um conceituadíssimo escritório de advocacia na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos. Homossexual e portador do vírus do HIV, quando seu estado de saúde piora e os sintomas das doenças oportunistas começam a se manifestar, é sabotado e peremptoriamente despedido por seus chefes. Andrew busca então, na pessoa de um advogado de pequenas causas, a defesa de seus direitos.

     Começa, então, uma verdadeira peregrinação por audiências e tribunais, quando a vida de Andrew é exposta em seus mais particulares detalhes, atraindo a atenção da mídia e fazendo com que o seu caso se torne nacionalmente conhecido. Nesse processo, surgem os aspectos ambientais e sociológicos, apresentando, de um lado, o preconceito à doença, a recusa aos direitos e cuidados de pacientes terminais, a homofobia da sociedade. Em compensação, a presença e dedicação amorosa dos parentes, do namorado e do próprio advogado são fatores decisivos para que Andrew não esmoreça na luta pelos seus direitos. 

     “Filadélfia” (1993), estrelado por Tom Hanks e Denzel Washington e dirigido por Jonathan Demme, é um excelente exemplo de como, mesmo em situações que nos parecem desesperadoras, podemos e devemos nos valer de toda a assistência que dispusermos e também do nosso esforço e determinação, ainda que estes pareçam serem muito frágeis. E é isso que o 5 de Ouros (Pentáculos, Moedas, Discos, Pedras) simboliza: que se não exagerarmos fantasiosamente as nossas necessidades, e se buscarmos soluções racionais, poderemos ultrapassar obstáculos e vencer as necessidades que se apresentarem.

     Mais do que nos alertar sobre perdas no plano material (saúde, posses, dinheiro, bens, etc), quando o 5 de Ouros aparece numa leitura de tarot, pode ser um sinal de que de alguma maneira nós estamos vivendo um período de sombras, de angústia, de medo antes de despertarmos para o nosso próprio alvorecer. Essa carta nos adverte a nos apegarmos com todas as forças à nossa coragem (ou ao que ainda resta dela) e persistir em nossa caminhada ao encontro do que acreditamos, daquilo que temos como meta, do que nos é importante. É um estímulo para que nos superemos no meio daquilo que parece ser uma catástrofe.

     As condições em que essa carta costuma aparecer são, geralmente, muito ruins e deprimentes. Falta de saúde e de dinheiro certamente são motivos suficiente para nos abalar. Mas o golpe fatal pode ser a rejeição que sofremos daqueles que normalmente seriam compassivos com os nossos problemas ou causas (família, amigos, associações, etc). Entretanto, o 5 de Ouros nos faz refletir que não devemos aceitar, passivamente, a situação de “coitadinhos” ou de párias que alguns segmentos da sociedade possa querer nos impingir. Ao contrário, sugere que existem, ao nosso alcance, sob os mais diversos aspectos, recursos que deverão ser utilizados para que possamos enfrentar dignamente esses percalços. É chegada a hora de deixar de se sentir à parte, de não estar à altura, de não ser merecedor, de não valer a pena lutar pela sua dignidade. Aceitar a exclusão é uma atitude de baixíssima auto-estima e profundamente negativa, além de alimentar o preconceito de quem a impõe.

     O advogado, jovem e doente, do filme, reage exatamente a isso. Mostra que o seu valor, talento e dignidade são tão importantes quanto os de qualquer outro cidadão, independente de raça, cor, credo, sexualidade ou condição de saúde. Ele sabe que irá morrer (na época em que o roteiro do filme foi escrito, a AIDS ainda era uma doença com pouquíssimos recursos de tratamento e, quase sempre, mortal) mas mesmo assim recusa-se a ser “excluído” por estar doente ou pela maneira que dispõe da sua sexualidade. Ainda que algumas vezes, no filme, ele se desespere, sinta-se abatido moral e fisicamente, conta com o apoio e estímulo de seu advogado, de seu amante e de sua família. Pode parecer pouco para quem luta contra uma grande corporação, um grande escritório, uma grande empresa cujos recursos parecem ser infindáveis. Mas o personagem luta com o que dispõe, luta pela sua verdade, por aquilo que acredita e que sabe que é justo.

     Portanto, se houver necessidade, peça por ajuda qualificada: da família, de um profissional responsável, de um amigo sensato, de um mestre. E, se lhe estenderem a mão solicitando pela sua ajuda, não se recuse. Ofereça a sua assistência sempre que lhe pedirem e puder.

“As pessoas são como vitrais. Elas brilham em sua glória quando o sol está nos céus, mas é quando a escuridão cai que a sua verdadeira beleza se revela, tão somente se houver luz dentro delas”. _ Elisabeth Kübler-Ross (1926-2004), psiquiatra suíça

     Permitam que o Sol, regente do dia de hoje, brilhe nos céus e dentro de cada um de nós, e tenham todos um excelente domingo!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: PAJEM DE ESPADAS

   pageswords_rosicrux Adolescência, aquela idade chata. Nem criança, nem adulto, sentimentos confusos de não se saber exatamente quem se é e que lugar se ocupa na estrutura familiar. Já não se é mais tratado como “o filhinho, a filhinha”, não é mais o “bebezinho da mamãe”, nem o mundo se limita às paredes da casa dos pais, ou das tias, ou das avós. Os primos não são mais os únicos amigos. Finalmente já não é mais criança. Mas também ainda não é respeitado como adulto. Os deveres e as obrigações, bem como as expectativas depositadas pela família aumentaram, mas os plenos direitos que os adultos gozam ainda é um aceno do futuro.

     Uma coisa extraordinária começa a acontecer que é a defesa de suas idéias. Já tem argumentos mais plausíveis. Já não é mais “quero porque quero”. Agora já enfrenta o mundo adulto com seus os valores que vai descobrindo, que sua mente aguçada vai analisando e adotando, ou não. É claro que é aquele tempo de conflitos, de “ninguém me entende”, “não sei porque vocês me puseram no mundo”, e, é claro, da contrapartida dos mais velhos com “quem é você para querer saber mais do que eu o que é bom para você?”, “nós só queremos o seu próprio bem”, “enquanto você viver nesta casa, com o meu dinheiro, tem que me dar satisfações de tudo”. Discussão é o que não falta, nem choro, lágrimas, gritos, portas que batem, ameaças de todos os tipos.

     É um tempo meio de crisálida: transformação silenciosa, trancado no quarto, ouvindo um som, curtindo os amigos através dos MSN, Orkuts, Facebooks da vida, descobrindo o ainda proibido nas páginas dos  sites na internet. Tempo de rebeldia. Contra o que? Sem causa. Só rebeldia. Ou melhor, contra tudo e todos e, sobretudo, conscientemente ou não, contra si mesmo, por não se encontrar, não se situar, ainda não ter metas definidas e, o mais importante, ainda não ter adquirido nenhum tipo de experiência que lhe possibilite fazer comparações e escolhas.

     O Pajem de Espadas é esse jovem (e isso, para o tarot, independe de idade cronológica ou de sexo), que tem uma mente fervilhante, completamente apta e carente de informações de todos os tipos, um verdadeiro computador esperando por informações e dados a serem inseridos para que, depois de decodificados e armazenados, possam ser usados na solução de necessidades do momento. É o arquétipo do estudante, sempre havido em aprender e isso não significa exatamente ser o melhor aluno da escola, mas ser um grande pesquisador, um verdadeiro investigador da vida, de como ela se processa, de seus significados, decodificando seus signos, seus alertas, seus perigos, seus prazeres e querendo absolutamente tudo, ao mesmo tempo.

     Costuma surpreender a todos com sua eloquência (quando lhe é dada a oportunidade); com lances espirituosos e de agilidade mental; defendendo idéias e conceitos filosóficos recém aprendidos através de livros, revistas, TV e conversas com seus amigos. É um bom negociador, sabendo trocar horas de estudo e melhores notas escolares por aquele novo telefone celular, ou por um par de tênis de marca, ou uma viagem com a turma. Vaidoso, quer andar na moda, impressionar, conquistar pela aparência, pela energia e está se descobrindo como sedutor. Quando as coisas vão mal, o lado “sombra” fica mais evidente e então temos uma pessoa teimosa, briguenta, relaxada, que se auto-deprecia, indisciplinado, dono da verdade, hiperativo, desconfiado, mentiroso, mau aluno, inconsequente, inseguro, perdulário, impaciente, fofoqueiro e intrigante, bastante hostil e que chega a abusar física e psicologicamente dos outros. Costuma ser o que as pessoas costumam chamar, quando a eles se referem, de “aborrescente”. É, na verdade, o início do verdadeiro pensamento independente.

     Mas o Pajem de Espadas não é apenas um personagem vivido por jovens em idade de formação. Ele, quando consideramos seus melhores aspectos, pode ser encontrado nas figuras, por exemplo, do advogado, do diplomata, do soldado, do policial, do detetive, do investigador, do cientista e programador de computador, entre tantas mais. Por ser bastante habilidoso com as mãos, poderá ser um desenhista industrial, mecânico, bombeiro, carpinteiro, construtor, quiropata, paramédico, instrumentista de sala de cirurgia, piloto, caçador, jogador de vôlei, de tênis, de baseball, etc. Infelizmente também o encontramos, com suas piores qualidades, no soldado que é disciplinado, porém com a índole de um assassino; nos impostores, nos espiões, nos traidores; nos “alpinistas sociais”, aqueles que se valem de seus contatos com pessoas importantes para escalarem melhores posições na vida, normalmente em prejuízo de quem lhes ajudou; são pessoas paranóicas, sempre na defensiva, sempre se sentindo ameaçadas;nos conspiradores; nos vingativos, maldosos, intrigantes, maliciosos, criadores de inverdades, que se regozijam em magoar e ferir os outros.

     Quando, numa leitura de tarot, o Pajem de Espadas aparece, poderá, dependendo sempre da sua colocação na jogada, das cartas que o acompanham e da questão formulada, significar também que é chegado o tempo de experimentar novas idéias ou tecnologias; estar mais alerta e defensivo para quando precisar e estar preparado para agir rapidamente frente a novas situações ou obstáculos; defender suas posições, tanto a nível de conquistas materiais, intelectuais quanto as filosóficas; estar com um turbilhão de novas e brilhantes idéias percorrendo sua mente a cada segundo; a necessidade de ser receptivo e atencioso com a curiosidade infantil, fornecendo-lhes respostas e conselhos justos e corretos; evitar falar e agir sem estar devidamente preparado; falta de confiança em si mesmo; estar sendo teimoso e insistindo em não ver ou aceitar alternativas; não querer instruir-se; evitar confrontos inúteis; notícias e novidades, normalmente de plano legal ou sobre trabalho; revelação de segredos; importantes documentos ou contratos que deverão ser assinados; abrir os olhos, estar vigilante e encarar a verdade; e, às vezes, doença.

     Vemos o Pajem de Espadas naquelas pessoas que adoram jogos mentais, que são fanáticos por palavras cruzadas, charadas, sudoku, quebra-cabeças de não sei quantas mil peças; gostam de solucionar mistérios, de esclarecer dúvidas, de saber como as coisas funcionam. São pessoas sempre prontas a enfrentarem novos desafios, embasados na teoria e na lógica e nos recursos que lhes são acessíveis. Sabem exatamente o que e como fazer mas, subitamente, sentem-se temerosas. Isso é perfeitamente normal pois não há substituto para a experiência e o Pajem ainda não dispõe da prática. Mas isso também não é motivo para interromper tudo e deixar-se paralisar, estagnando idéias que poderiam ser brilhantemente vividas ou aplicadas.

     Portanto, aproveite o dia de hoje para enfrentar os desafios que surgirem, agindo sempre com discernimento

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Carta do Dia: O HIEROFANTE


É, não há como escapar: as tradicionais festas de fim de ano, com todos os seus rituais, seus costumes, suas tradições estão batendo à porta e não acredito que a mais impedernida das criaturas não se surpreenda assoviando um "Jingle Bells" no meio do dia.
O Natal é um excelente exemplo de tradição, de rituais familiares e coletivos que conservamos e repetimos, acrescentando ou modificando algo (Afinal somos modernos! Os tempos são outros!) mas, à nossa maneira, eternizando e reverenciando a sua importância em nossas vidas.
Mesmo aqueles que criticam o "desaparecimento do verdadeiro espírito natalino", exorcisando o consumismo que abarrota lojas e calçadas, devem reconhecer que há um determinado momento, seja ele no instante em que se clica "enviar" naquele e-mail de saudações natalinas (tradição!), quando nos reunimos com os colegas de trabalho num restaurante para o anual "amigo secreto"(tradição!), quando enfeitamos a casa (tradição) seja com uma magnífica árvore com aveludados laços, espelhadas bolas e outros balangandãs ou com uma coroa natalina de R$1,99, antes da troca dos presentes (tradição!), durante ou após a farta ceia (tradição!), há pelo menos um instante de profunda interioridade em cada um de nós. Nesse instante parece-nos estarmos conectados com algo maior, uma força que nos une e nos dá significado. Uma ponte (Ponte = Pontífice = Hierofante = Sacerdote) que nos liga a um plano superior, espiritual.
Quando o Hierofante (também chamado de Papa) saiu na tiragem da Carta Diária na manhã de hoje, ri sozinho pensando o quanto essas energias estão ativas.
Esse respeitável senhor retratado na carta é o símbolo daquela nossa voz interior que sabe perfeitamente diferenciar o certo do errado, o divino do terreno, o espiritual do material, e que está sempre ali, dentro de nós, para estabelecer uma ligação entre a nossa consciência terrena e o conhecimento intuitivo que temos do código de ética de Deus. É a nossa consciência que se apercebe de que em toda a experiência vivida há uma lição de crescimento pessoal a ser aprendida. É o nosso conselheiro moral interior.
Essa nossa consciência, essa nossa voz interior nos auxilia, e muito, a formularmos e expressarmos uma filosofia pessoal e, com isso, ela nos revela a necessidade de encontramos um sentido espiritual em nossas vidas e, até mesmo, uma maior compreensão dessa nossa espiritualidade.
O Hierofante é também aquele analista que tanto nos ajudou a superar problemas tão difíceis, aquele professor que se empenhou para que nos tornássemos mais curiosos e questionadores, não aceitando tudo aleatóriamente; o guru que encontramos ao acaso (?) e que nos descortinou a possibilidade de harmonizarmos as partes animal e divina das quais somos feitos. É o advogado que nos orienta dentro do sistema de ordem e normas legais em que vivemos; o sacerdote que realiza o nosso casamento, com direito a véu, grinalda, corte de bolo e foto com as taças de champagne entrelaçadas. Sem esquecer dos assistentes sociais, sempre a postos para introduzir adequadamente o indivíduo na sociedade coscientizando-o de seus deveres e obrigações.
Por essa figura representar ortodoxia, ritos, tradições, o seu lado "sombra" muitas vezes nos deixa paralizados num emaranhado de leis, de normas e de comportamento apropriados a serem seguidos, a vestimentas corretas para essa ou aquela ocasião, a como e o que devemos celebrar, a como nos relacionarmos com nossos pais, nossos filhos, os mais velhos, nossos esposos, parceiros, amigos. Pode significar o conformismo, um modo de agir conforme a sociedade (leia-se: nossos pais, parentes, amigos próximos, empregadores, colegas de trabalho) esperam que o façamos. Portanto, cuide-se com os extremos.
Vivencie essa energia no dia de hoje, escrevendo as etiquetas para os presentes, como sua mãe fazia, colocando um novo enfeite feito pelas crianças sobre o aparador, ouvindo e cantando junto (é claro!) aquele CD com músicas natalinas "de hoje e sempre". Faça umas rabanadas, junte todos à volta da mesa e conte-lhes dos seus Natais. Seja, principalmente hoje, o Hierofante para alguém, ajudando-o a descobrir a Estrela Guia que brilha dentro dele e de cada um de nós.
Bom dia!