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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Baralho Lenormand: o Cão (Snapchat: ALEXCARLOS60)


Amizade, fidelidade, honestidade, sinceridade, confiança, franqueza e proteção são alguns dos termos que definem a carta do CÃO, no Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho Cigano).

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

Se você também gosta de Tarot, de cartomancia, sinta-se convidado a conhecer minhas páginas nas diversas mídias:
Esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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domingo, 21 de dezembro de 2014

9 de Copas: A Liturgia do Amor

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-desta-semana-de-natal-a-liturgia-do-amor/ 

Confira no www.50emais:  A Liturgia do Amor / uma interpretação do 9 de Copas do tarot

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-desta-semana-de-natal-a-liturgia-do-amor/

sábado, 8 de maio de 2010

Carta do Dia: 10 DE COPAS

  Cups10    Chegaram ao aeroporto com a devida antecedência. Ele, o ex-namorado surfista e a sua melhor amiga fizeram questão de acompanha-la para o embarque. Como sempre, filas se formavam em frente aos balcões das companhias aéreas e a confusão de gente com passaporte e passagem nas mãos, carrinhos abarrotados de malas, parentes e amigos cercando o viajante de atenções e pedidos deixava o saguão internacional com um jeito meio de festa.

     A amiga, chorosa, fazia-lhe mil recomendações abraçando-a e combinando ir encontra-la até o final do ano em Paris.

     “Promete que você vai me escrever todos os dias, promete? Quero saber tudo o que você anda fazendo, tim-tim por tim-tim. Vê lá se vai me deixar na mão e não me contar tudooo! Me escreve, tá? Todos os dias vou ficar aguardando o seu e-mail. Ah! Quero fotos! Muitas fotos! Muiiiiiitas! Quero ver como você está. Olha, você tem o meu Skype, não tem? Então, vamos conversar com câmera ligada. Nada de se esconder de mim, tá sabendo! Ah, amiga, te adoro. Queria tanto poder estar com você… ainda mais agora!…”

     Ela sorria e concordava com tudo. Claro que ela iria escrever contando sobre o seu estágio de um ano. Claro, sem dúvidas. Ela mesma não via a hora de chegar até a escola onde deveria se apresentar para começar as aulas. Realmente, essa era uma grande oportunidade de a vida, e seus patrões, estavam lhe oferendo. E logo agora, num momento tão importante da sua vida. Ha oferta, que havia sido feita antes mesmo dela casar-se, havia finalmente amadurecido e era a hora de aproveita-la. Quem pareceu meio chateado foi o ex-marido, questionando se seria mesmo esse o momento exato para ausentar-se do país, ainda mais nas condições que ela estava. “Por favor, mantenha-me a par de tudo o que estiver acontecendo, de como você está se sentindo, como está evoluindo. Quero estar presente quando chegar a hora.” Mas nada a demovera, nem mesmo as preocupações lavadas de lágrimas de sua mãe. Ela sabia, ou melhor, sentia que este era o seu momento e queria aproveita-lo exatamente como se apresentava: como um imenso presente há muito aguardado.

     “Vai acontecer uma feira náutica e esportiva em Mônaco dentro daqui a 4 meses e, se tudo sair como eu estou planejando, dou uma parada de uma semana em Paris para nos vermos”, disse o ex-namorado. “Vai ser muito bom rever você. Vou sentir saudades…”

     Ela sabia que sim. Desde que haviam se reencontrado naquela ensolarada manhã, há menos de um mês, não deixaram de se ver um só dia. Cada um tinha suas histórias particulares, seu passado, suas expectativas pessoais, mas ambos concordavam que eram grandes companheiros, excelentes amigos, daqueles que, mesmo quando estavam em silêncio, seus corações continuavam a ouvir a voz, um do outro. Sentiam que o fogo da velha paixão voltara a se ascender, agora em labaredas mais controladas, mas não menos poderosas. Não queriam se precipitar em nada e nem havia razão para que o fizessem. Que tudo acontecesse naturalmente, como fora o seu encontro naquela tarde na praia.

     A chamada para o vôo se fez ouvir e ela abraçou a amiga, que já estava chorando com a despedida. “Você está levando seus remédios? Olha lá, não vai me deixar de tomar as vitaminas que o médico mandou, hein? Pelo amor de Deus! Olha a responsabilidade! Cuidado! Não exagere em nada e nem engorde demais com todos aqueles croissants e queijos maravilhosos! Tome bem conta de vocês!”  Em seguida foi a vez dele abraça-la e, antes de beija-la, cochichou em seu ouvido: “Cuide-se. Não! Cuidem-se!” Ela caminhou na fila e, até entrar para a sala de embarque, olhava e acenava para os dois, sentindo-se dividida entre a euforia da partida e as saudades antecipadas que já sentia deles.

     Logo estava sentada numa das poltronas do avião que a levaria para uma nova etapa da sua vida. Era um recomeço, em todos os sentidos. Sabia que um ciclo da sua vida estava se completando e que um novo, cheio de outras oportunidades e desafios começava. Sentia-se feliz, realizada, preparada, querida, radiante.

     “Senhora, por gentileza”, ouviu a voz da aeromoça. “Estamos com uma poltrona vaga na primeira classe e gostaríamos de convida-la para transferir-se para lá. Será mais confortável para a senhora, nesse estado. Por favor, me acompanhe.”

     Ela, sentiu-se uma verdadeira super-star, com aquele tratamento vip. Riu sozinha. Acomodou-se na confortabilíssima poltrona e aceitou a taça de champanhe que o comissário lhe ofereceu. Sentiu o avião taxiando na pista e as turbinas começando a acelerar. A voz do comandante soou pelos autofalantes informado as instruções de praxe, falando do tempo de vôo e desejando a todos uma ótima viagem.

     Ela olhou pela janela a noite escura a as pequenas luzes do aeroporto e da pista. Os sinais soaram e a aeronave começou a deslizar, acelerando em seu procedimento de subida. Fechou os olhos e acariciou o ventre que se avolumava dia a dia, com o milagre de uma nova vida que se formava e crescia abrigado pelo seu corpo e pensou, absolutamente feliz:

     “Aqui vamos nós, meu bebezinho querido. Você verá que Paris é só uma escala que faremos nessa viagem fantástica que se chama Vida. A mamãe está feliz em ter você como companhia. Boa viagem, para nós!”

     Quando um 10 de Copas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição no esquema de jogo escolhido e das demais cartas que o acompanham, pode simbolizar que o Consulente sente-se conectado, ou reconectado com o seu verdadeiro eu. Paz e harmonia. Aquela sensação de ter chegado em casa e de estar cercado das pessoas a quem ama. Honra, respeito, honestidade e virtude. Relacionamentos duradouros. Uma vida familiar bastante intensa e construída em bases sólidas. Sucesso naquilo que realmente importa. As recompensas de uma relação afetiva. A reunião com os membros de uma família bastante unida. Amor correspondido. Uma amizade que se transforma em amor. A consciência de saber que se tem tudo de que se precisa para ser feliz, inclusive do amor das pessoas que nos cercam. Felicidade, tranquilidade, união.

     Quando o 10 de Copas sai numa posição menos vantajosa, e dependendo da questão formulada pelo Consultante e das outras cartas da jogada, pode significar brigas e disputas familiares. Amigos que desaparecem abruptamente do nosso convívio. Opiniões completamente opostas. Ruptura na união familiar. Fechar os olhos para as boas coisas que possui. Desarmonia, combate e caos. Dar ou levar o fora. Amor não correspondido. Mesquinhez. Sentir-se desconectado do passado.

     Neste sábado, dia regido pelo disciplinador Saturno, com a Lua em Peixes e tendo como Carta do Dia o 10 de Copas que, astrologicamente equivale a Marte em Peixes, é um bom momento para agradecermos ao Universo pelas nossas intuições que nos trazem benefícios inesperados e pela maneira com que cuidamos das relações com as pessoas a quem dedicamos amor. É sempre bom darmos uma revisada como estamos conduzindo nossas relações familiares e o quanto estamos contribuindo para a harmonia entre todos os seus membros.

     Tenham todos um um final de semana cheio de satisfação e não se esqueçam de serem muito agradecidos por isso!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Carta do Dia: 9 DE COPAS

Cups09      Ela nem bem acordara e já arrumava-se frente ao espelho. Duas semanas haviam se passado desde a noite em que ele saiu de casa. Foram dias difíceis em que ela, deprimida, procurou consolo com a mãe, com a melhor amiga, que lhe indicou um terapeuta. Chorou muito, culpando-se por tudo, para momentos depois deixar-se possuir pela raiva e culpar o outro. Sentiu pena de si mesma. Sentiu ódio da mulher que ele disse amar. Sentiu saudade dele. Fisicamente estava bem mais magra. Não tinha vontade de comer. Muita tontura e náuseas. A amiga disse que isso era natural, que ela estava somatizando uma experiência ruim e “precisava regurgitar todo o sofrimento, a decepção contida”. A mãe, que não estava nem aí para essa história de somatização, exigira que ela procurasse imediatamente um médico e fizesse exames. Além disso, que parasse com os calmantes, pois já era tempo e não adiantava acalmar-se de algo que precisava ser vivido e, de uma vez por todas, sepultado. Ela finalmente cedeu e marcou a consulta.

     E os dias foram passando e o mar revolto dos seus sentimentos, aquelas águas escuras de emoções mal direcionadas, contrastavam com o brilhante azul do oceano que a fitava, plácido, convidativo, brincando de fazer espumantes ondas ao quebrar na praia. A vida a chamava à razão. E foi assim que, naquela manhã ensolarada, ela decidiu que iria à praia e passaria algumas horas de sol surfando.

     Enquanto equilibrava-se sobre a prancha, recuperando a antiga destreza, entregava-se à força regenerativa do mar, em seu constante movimento. Procurou não pensar no passado e sim entregar-se de corpo e alma àquelas ondas que, não importa quando longe ela fosse busca-las, elas insistiam a conduzi-la novamente à praia. O sol brilhava alto naquela manhã e a sensação de profunda liberdade, de estar em controle do seu corpo, dos seus movimento, conseguindo harmoniza-los com os das águas, davam-lhe um forte sentido de poder, de segurança, de uma autoconfiança que ela pensava ter perdido.

     Perdeu a noção do tempo e decidiu parar, cansada, porém extasiada, feliz depois de muito tempo. Caminhou até o quiosque para comprar uma água de coco antes de voltar para casa. Aguardou sua vez de ser atendida olhando à volta, à praia colorida pelas barracas, pelas cangas e toalhas, pelos vendedores ambulantes. Respirou profundamente aquele ar que cheirava a pura maresia.

     “E abra o seu coco mais bonito pra essa moça linda aqui ao lado, amigo.”

     Saiu do seu devaneio ouvindo aquela voz que lhe soava conhecida e olhou para o rapaz à sua frente. Não sabia se era com ela ou sobre ela que ele falava e ficou confusa por uns segundos até que ele virou-se para ela.

     “Cara!… Não acredito!… Você?!?… Você aqui!?!”

     O sorriso continuava o mesmo, franco, amistoso, generoso. Os eternos cabelos parafinados estavam mais curtos, mas a pele curtida pelos sóis de muitas praias mundo afora continuava no mesmo tom. Começou a rir, espantada, embaraçada, surpresa. Sim, seu ex-namorado, amigo e professor de surf, campeão internacional estava ali, parado à sua frente, oferecendo-lhe um coco gelado e um sorriso de prazer e alegria.

     O sol estava começando a se esconder atrás das montanhas quando eles perceberam que já era tempo de se despedirem. Haviam contado, ou pelo menos tentado contar, o que viveram nesses anos em que estiveram separados. Ele falou-lhe de lugares exóticos, de areias escaldantes e de ondas gigantes. Ela lhe contou da faculdade e das exposições que participara com seus desenhos e pinturas. Contou-lhe também do emprego como estilista e do prazer que tinha na possibilidade de ver o que desenhava tomar forma e vida no corpo das pessoas que os vestiam. Ele lhe disse dos campeonatos, das experiências com os patrocinadores, dos filmes que participara, do documentário que fizeram a seu respeito para uma televisão japonesa. Ela contou-lhe da oferta que recebera da empresa para passar um ano em Paris aperfeiçoando-se na sua área de estamparia e modelagem. Contou-lhe também que se casara. Ele a ouvia atento e silenciosamente.

     “Acho que faço parte daqueles milhares de casamentos que parecem se dissolver com a mesma velocidade da paixão que os iniciou” _ disse sorrindo tristemente. E continuou: “Estou acabando de mudar para um novo apartamento, só meu, sem lembranças embutidas pelos cantos. Quero estar com os meus livros, meus CDs, assistir a uma porção de vídeos que fui comprando nas viagens e que nunca tive tempo ou paciência para vê-los.”

     Ele sorriu e contou-lhe da fábrica de pranchas de surf que tinha em sociedade com o irmão e dos contratos de empresas de material para esporte que lhe garantiam uma vida bastante confortável agora que ele largara o circuito internacional de campeonatos. Ela o ouvia deliciada, feliz pelo reencontro, pois parecia que os anos não haviam mudado absolutamente nada entre eles. Continuavam gostando praticamente das mesmas coisas, rindo das mesmas bobagens, curiosos pelos velhos amigos em comum, felizes na companhia um do outro.

     O sol já havia sumido no horizonte quando ela despediu-se dele prometendo telefonar-lhe e fazer uma visita à fábrica. Ele disse que ficaria esperando enquanto beijava seu rosto. Pegou sua bike e seguiu pela ciclovia que contornava o calçadão. Ela ficou olhando por uns instantes. No caminho de casa decidiu que no dia seguinte iria conversar na empresa da qual ainda estava em licença. Depois passaria pelo laboratório para pegar o resultado dos exames, marcaria um retorno no médico, telefonaria para a melhor amiga contando sobre o encontro que tivera naquele dia, marcariam um almoço para conversarem, depois, se desse, faria uma visita de surpresa à fábrica dele e… “Puxa, vou ter que levantar ainda mais cedo para conseguir fazer tudo isso”, pensou, e acelerou os passos querendo chegar logo no novo apartamento.

     Quando o 9 de Copas aparece numa jogada de taro, dependendo sempre das demais cartas que também surgem no jogo, da posição das mesmas e da questão proposta pelo consultante, pode simbolizar um período de alegria, contentamento e de muita satisfação. Essa é a carta chamada “do desejo”, ou seja, ela parece surgir sempre que aqueles nossos mais profundo desejos estão se realizando ou pronto para serem realizados. Simboliza também, lealdade, liberdade, sucesso naquilo em que nos empenhamos, conforto material e prazer. A idéia de amor incondicional também está embutida nesta carta, além de bem-estar e saúde. Ganhos materiais e um futuro próspero e brilhante. Tudo parece muito esperançoso. Abundância. Vitória obtida apesar das circunstâncias adversas. Prenúncio de bons tempos pela frente e tempo de celebrar.

     Quando mal dignificada, o 9 de Copas pode estar significando que o Consulente está gastando todo o seu dinheiro, ou abusando das pessoas que foram generosas com ele. Estar se aproveitando da hospitalidade dos outros e acreditar que deve ser cuidado pelos outros. Ganância. Fracasso. Gula, Abuso de drogas, bebida, trabalho, comida, diversão, enfim tudo o que é em exagero. Vaidade. Ser apegado e egoísta.

     Nesta sexta-feira, sob a regência de Vênus, o planeta que simboliza as ligações, a harmonia, a gratificação, e com a Lua na casa de Peixes, é um momento propício para colocarmos todos os nossos planos em ação pois podemos ficar sem tempo para fazer tudo o que pretendemos. Ainda que nem sempre percebamos claramente, podemos aceitar ajuda na realização dos nossos objetivos e principalmente na solução de antigos problemas, pois temos pessoas amigas dispostas a isso. Ter fé e pratica-la, independente da forma e do sistema religioso que adotamos, no momento, como melhor. O importante é sentir-se conectado à sua Divindade interior. Isso é que se chama de harmonia.

     Tenham todos uma alegre, confiante e generosa sexta-feira!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

domingo, 2 de maio de 2010

Carta do Dia: 4 DE COPAS

Cups04      Ela sabia, desde que o casamento fora marcado, que algumas transformações iriam acontecer na rotina de ambos. Não iriam ser mais namorados, ou noivos, como sua mãe e tias insistiam em chamar, mas, como marido e mulher, companheiros dividindo um mesmo espaço, com deveres e obrigações comuns, determinados detalhes precisariam ser revistos e concessões haveriam de acontecer.

     O pessoal da grande cadeia de lojas para quem ela trabalhava como estilista-chefe procuraram, de todas as formas, demove-la da idéia de pedir demissão do emprego. Ela justificava dizendo que teria que se dedicar à decoração do novo apartamento, cujas obras estavam sendo finalizadas e que, como o futuro marido viajava constantemente, a serviço, para o exterior, ela pretendia acompanha-lo, prolongando assim a sua lua-de-mel. Finalmente, a diretoria da empresa, que tinha por ela um enorme carinho e respeito profissional, ofereceu-lhe um longo período de afastamento não remunerado e, se depois desse tempo ela decidisse voltar ao trabalho, o seu cargo estava garantido. Era uma condição excepcional, ela sabia, e aceitou-a mais em agradecimento pela “massagem” em seu ego do que por considerar, naquele momento, a possibilidade de um dia voltar.

     Queria viver uns anos só com ele, criando uma rotina doméstica, arrumando a casa da maneira que ela sempre desejara, viajando muito, fazendo o seu esporte preferido, o surf, em praias pelo mundo afora, “curtindo” um ao outro intensamente e depois, tendo os filhos que sempre planejara ter. E nos primeiros meses foi exatamente assim que aconteceu.

     Ele, entretanto, tinha um esquema de trabalho muito intenso, atendendo os clientes do escritório de advocacia em diversas capitais do mundo. Eram horas e mais horas de tédio em aeroportos e dentro de hotéis, aguardando pela volta dele das reuniões e das cortes judiciais onde ele precisava defender quem lhe contratava os serviços. O que poderia ter sido, à primeira vista, um delicioso prolongamento do romantismo dos primeiros dias de casados, passou a ser algo aborrecido, entediante, cansativo. Ele voltava do trabalho extenuado e a encontrava esperançosa de irem ao teatro assistir ao musical da moda e depois jantarem naquele restaurante “bacana” que estava nas colunas sociais das revistas estrangeiras e em todos os guias de restaurantes, mas acabavam mesmo pedindo um jantar na suíte do hotel em que estavam hospedados e ela terminava a noite assistindo aos “late shows” e aos velhos filmes na televisão.

     O apartamento também já havia ficado pronto e a decoração completa. Ela esmerou-se nos detalhes, valendo-se do seu grande sentido estético e impressionando a todos com o seu bom gosto. Planejara receberem os amigos para jantares nos finais de semana, mas, quando não estavam viajando, ele desculpava-se com ela dizendo que tinha que aproveitar o tempo para estudar novas ações e causas que o escritório local lhe atribuía. Até as manhãs de praia e surf, com os dois, velozes, rindo sobre as ondas, foram diminuindo em virtude do cansaço ou das obrigações de trabalho dele. Os dias ficaram longos e ela começou a sentir-se, pela primeira vez, só.

     Numa manhã, aproveitando que ele viajara sem ela para o exterior e vencendo o fantasma da depressão que parecia querer tomar conta dela, telefonou à melhor amiga, aquela cuja festa de aniversário fora o motivo para os dois se conhecerem, e marcaram um almoço. Entre saladinhas e geladas taças de vinho branco atualizaram as agendas. Ela, que estava afastada da turma, queria saber detalhes de todas e todos: quem está namorando, quem deixou quem, quem está fazendo o que, quem foi para onde, o que aconteceu com Fulana, etc. A amiga ia fornecendo as resposta e acrescentando outras informações tais como: “Sabe quem tem perguntado muito de você todas as vezes que nos encontramos no Baixo?”_ dizia, com uma certa malícia na inflexão _ “O Fulano! Imagina, ele voltou do Havaí e nem sabia que você havia se casado! Ficou com uma cara quando lhe contei… Tadinho!”_ e, rindo, acrescentava_ “Vai ficar aqui de vez. Tá abrindo uma escolinha de surf e ampliando a fábrica de pranchas junto com o irmão.” “É mesmo?”, respondia, ao que a outra complementava: “Me disse que queria muito te ver. Que você foi muito importante para ele e que ele não “pega onda” sem lembrar de vocês dois juntos, surfando por aí…”.

     Ela sorria meio encabulada (afinal agora ela era uma mulher casada!) e muito satisfeita (quem não gosta de ser lembrado em momentos felizes?), mas apressadamente explica que anda cheia de compromissos, especialmente agora que o marido deve estar chegando de mais uma viagem e decidiram passar uma semana juntos, só eles, em Buenos Aires. A amiga aproveitou a oportunidade para lembrar da “saia-justa” no casamento, quando o bouquet foi “arrebatado” pela ex-noiva dele. Riem bastante lembrando a situação e a cara dela na ocasião. A amiga aproveita para dizer que acabou descobrindo que ela e a ex-noiva frequentam o mesmo salão de cabelereiros e que dividem a manicure que lhe contou que a ex-noiva também estava viajando a negócios com um pessoal do escritório.

     Ela, que nem havia perguntado ao marido com quem ele iria viajar dessa vez, foi pega de surpresa. E mais surpresa ficou ao perceber que esse comentário tinha feito com que a ensolarada tarde escurecesse e o suave gosto do vinho que tomavam azedasse em seus lábios. Continuaram a conversa de forma quase natural, não estivesse ela completamente absorta em outros pensamentos. Despediram-se prometendo verem-se “logo, logo”. No carro, voltando para casa, pensou no “esquecimento” dele em comentar que iria viajar com a ex-noiva, inclusive nem mencionando o fato nos telefonemas e e-mails trocados. Queria chegar logo para ligar para ele e perguntar-lhe. Deu sinal e entrou na avenida beira-mar. O Sol criava faíscas no azul profundo a água do mar e as ondas desmanchavam-se em alvas espumas e estrondos. Alguns surfistas aproveitavam a tarde e pontuavam o azul do oceano com suas pranchas coloridas. Por um instante ela pensou no ex-namorado, recém-chegado do Havaí. Sentiu na pele a sensação do vento e dos respingos enquanto surfava. Lembrou-se claramente no amanhecer chegando a uma praia deserta para “pegar onda” e a profunda noção de liberdade que o mar lhe inspirava. Pensou o quanto era feliz voltando de cabelos molhados, segurando a prancha, para casa, mantendo na memória alguma imagem que a inspirara para a criação de mais uma padronagem, mais um desenho para a empresa em que trabalhara.

     Acelerou o carro. Tinha agora pressa para chegar em casa e ligar para ele falando da sua insatisfação.

     Quando o 4 de Copas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das demais cartas que lhe são vizinhas, além da questão proposta pelo Consultante, pode significar que ao Consultante está faltando reconhecer o valor de determinados sentimentos, provocados por determinadas situações, provocam , ou então, reconhecer a importância real do papel desempenhado por outros na vida do próprio Consultante. Também pode significar a necessidade de reconhecer suas próprias qualidades. Frequentemente pode ser associado à deixar-se passar oportunidades por uma recusa em nota-las. É um alerta para o Consulente de que permanecendo numa posição de indiferença ou de recusa, ele não está preparado para a convivência social. Talvez por isso mesmo essa carta seja constantemente lembrada como um prenúncio de tédio, imobilidade ou de preocupações imaginárias. Do mesmo modo que o Consulente pode acatar a oportunidade que se lhe oferece como um salto para diante em termos de crescimento emocional, há também o risco dele acomodar-se em um mundo irreal que ele criou, nutrindo alguns rancores e insatisfações injustificados. Acontece quando o Consulente tem novos objetivos em mente mas não sabe por qual optar ou como realiza-los, pois o caminho para algo melhor parece ser muito difícil de ser trilhado. As coisas parecem muito mais difíceis do que realmente são. Muitas vezes representa uma certa amargura que o Consulente nutre em relação ao passado. Desejar encontrar algo que estimule.

     Entretanto, dependendo sempre da leitura das demais cartas que o acompanham e da interpretação dada ao jogo como um todo, os 4 de Copas também apresentam seus aspectos mais interessantes e positivos tais como novas e excitantes opções que surgem na vida do Consultante. Há luz no fim do túnel. Encontrar novas soluções, novos relacionamentos e novas oportunidades. Uma nova pessoa surge na vida do Consultante. Saber compartilhar. Vencer a imobilidade e usar a ação para atingir novos patamares de crescimento em todas as áreas.

     O Sol, regente dos domingos, que neste momento está no signo de Touro, é o estímulo que pode estar nos faltando para enfrentarmos e terminarmos nossas tarefas, resolvermos nossas situações, esclarecermos nossos pontos de vista, apesar das dificuldades que possam estar nos obstruindo. O 4 de Copas pode ser relacionado com a Lua em Câncer, o que significa estar se sentindo emocionalmente vulnerável, com uma grande necessidade de proteger, presos a uma idéia de segurança através da possessividade. Seria razoável aproveitarmos, então, para meditarmos o quanto estamos dispostos a nos abrirmos e compartilharmos. Será, por outro lado, que não estamos precisando nos isolarmos um pouco e meditarmos a respeito de algo? Abandonar ressentimentos, não ficar alimentando fantasias mórbidas, nem ficar “emburrado” pelos cantos e procurar soluções positivas e criativas parece ser um bom começo para uma agradável mudança.

     Tenham todos um reparador e bem-humorado domingo!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 9 DE ESPADAS

    Swords09 (5)   Ontem o mundo da moda, dos fashionistas, dos criadores de beleza, sofreu uma importante baixa em suas fileiras. O estilista escocês, Alexander McQueen foi encontrado morto em seu apartamento londrino. Suicídio.

     Li a notícia na internet e fiquei naturalmente surpreso, especialmente pelo fato de ter sido auto-infligida.  Pouco depois, buscando por algo novo para ler, encontro numa livraria um livro de autor francês com o seguinte título: “A Loja do Suicídio”, uma novela sobre o óbvio que o título promete: uma loja que vende todo o material necessário para que os suicidas possam realizar seus intentos, de cordas, balas de revólver, bombons envenenados, navalhas afiadas, etc. Esbocei um sorriso amarelo pela coincidência e tive pesadelos, dos quais nada me recordo a não ser que foram uns 3 diferentes, durante a noite. Aliás, já os tinha tido na noite anterior.

     Nesta manhã, não foi nenhuma surpresa retirar o 9 de Espadas, aleatoriamente, do maço de cartas. Tudo a ver, pensei eu enquanto decidia qual seria a abordagem que eu daria, desta vez, aos significados dessa carta. Ligando o computador para escrever este texto, leio que a mãe do McQueen havia falecido há poucos dias e que está fazendo 3 anos que sua descobridora, mentora, divulgadora, razão de seu reconhecimento público (lembram-se da carta de ontem? O 6 de Paus?) e musa inspiradora, suicidou-se após ter sido diagnosticada com uma grave doença. Já tenho motivos de sobra para saber sobre que luzes (ou talvez, a falta das mesmas…) descrever o 9 de Espadas nesta postagem.

     Uma das combinações do IChing, a sexta, tem como título a palavra “Conflito”, no sentido que primeiro os desenvolvemos, trabalhando nos seus requintados e cruéis detalhes dentro de nós, fazendo-nos, exatamente por isso, muito vulneráveis às influências que nos cercam. O não verbalizar, o não expressar dessas angústias as tornam ainda maiores, mais significativas e opressivamente poderosas. Uma verdadeira panela de pressão, pronta a explodir da mais desastrosa maneira possível.

     Não é nem uma, nem duas vezes na vida que ficamos sobrecarregados, por motivos os mais diversos, além dos nossos limites, sob constante e crescente estresse. Nessas ocasiões a nossa imaginação assume o seu pior aspecto e, totalmente descontrolada, inebriada de medo, culpa, remorso, sofrimento e dor, dispara descontrolada povoando nossas noites insones com imagens fantasmagóricas, com visões potencialmente adulteradas dos nossos problemas. Exagerados ao extremos e desnecessariamente, eles acabam se transformando no que poderia nos acontecer de pior, pois os adornamos, masoquistamente, com as nossas angústias, aflições, desapontamento, sensações de inutilidade, de fraqueza, de auto-piedade.

     E os pesadelos, então? São como se os demônios da mente estivessem entretidos em tecer uma riquíssima teia de tormentos que obscurecessem o nosso sonhar. Então acordamos, às 3 da manhã, encharcados de suor, com o coração disparado, a impressão de que um grito está preso na garganta. Pânico. A mente, que enquanto dormíamos, vagava pelo plano astral, vivenciando a energia de Marte, com todos os fantasmas, demônios e demais armas desse implacável guerreiro que se aproveita das horas noturnas, quando ninguém está por perto e nada pode ser feito, para usar como instrumentos de tortura os mais dolorosos e cruéis pensamentos. Sim, eles são intensos, mas imateriais como a brisa e não sobrevivem à luz do dia.

     O grande problema que o 9 de Espadas alerta é o isolamento em que nos enclausuramos quando as circunstâncias à nossa volta parecem desesperadoras. É o arquétipo de Eremita (Carta IX dos Arcanos Maiores) numa corrida de trem-fantasma dentro de si mesmo, revolvendo a mais forte e antiga emoção da humanidade, que é o medo e, em especial, a pior forma dele, o medo do desconhecido. É “a noite sombria da alma” quando nos sentimos vítimas, vivendo um período onde tudo e todos parecem conspirarem contra nós, sem esperança alguma, agonizando sobre algo sozinhos com fantasias mórbidas sobre alguém que nos é importante, temerosos por  um malfadado futuro, despedaçados e completamente abatidos por situações que estão além do nosso controle. Acho que nem preciso dizer que é chegada a hora de deixar o orgulho ou a vergonha de lado e estender a mão num pedido de ajuda que, certamente, está lá ao seu alcance.

     Alexander McQueen era um bem sucedido estilista, reconhecidamente criativo, inovador, porém com o embasamento técnico necessário de alfaiataria que exige a sua profissão. Jovem, 40 anos, rico, vivia sob o constante estresse do mercado da moda, que exige 2, 3 ou 4 coleções ao ano, mais uma infinidade de produtos e sub-produtos que são os verdadeiros mantenedores dessas griffes de moda: óculos, malas e bolsas, perfumes, sapatos, acessórios. Grandes companhias, corporações, bancos, fundos de investimentos são os verdadeiros donos dessas marcas onde os seus criadores são apenas uma “fachada” dos negócios, vendendo através de seu marketing pessoal, obtido através de uma vida muitas vezes extravagante, das luzes dos holofotes, dos flashes dos paparazzi, para uma parcela da sociedade ávida em encontrar a sua própria identidade através das roupas que veste, dos perfumes que usa, das imagens que as essas figuras famosas projetam. Essa verdadeira indústria coloca esses desenhistas, costureiros, estilistas, artistas, sob constante pressão, exigindo deles mais e melhores resultados econômicos para as suas empresas. É um mecenato de forma bastante escravagista.

     Talvez McQueen tenha se cansado disso tudo. Talvez estivesse vivendo um bloqueio em sua criatividade. Talvez tenha sucumbido à dor da perda da mãe. Talvez sentisse culpa por continuar vivo enquanto que aquela que o transformou na estrela em que se tornou, tenha decidido por fim à sua própria vida. Talvez.

     O que sabemos por certo é que não há problema que não possa ou deva ser visto, analisado em suas partes, desmantelado sob a luz clara e brilhante da razão. Não há imaginação doentia, depressão, instabilidade da mente ou da alma, perda de fé ou mágoa que não venha a ser redentora, transformadora, como se fora um purgatório pelo qual devessemos fazer nossa passagem em busca da merecida iluminação. Pedir socorro, nessas horas, a um profissional qualificado, dividir com os verdadeiros amigos e a família os problemas que nos angustiam não é um sinal de fraqueza. Ao contrário: é uma forma altamente inteligente de demonstrar um auto-conhecimento já tão evoluído que reconhece as “sombras” da nossa personalidade, os filtros que obscurecem a nossa verdadeira alma e que anseia em elevar-se ainda mais. Verbalizar nossos medos, nossas angústias, nossos sentimentos de culpa, nossos questionamentos, nossas perdas só os fazem perder a intensidade. De tanto repeti-los, de tanto recontarmos a mesma história, ela tende a enfraquecer-se nos seus excessos e perder a estatura e a potência que antes parecia ter.

     Minha mãe nunca admitiu que a palavra cancer fosse pronunciada dentro de casa, sob hipótese alguma. No fundo ela acreditava que a sua simples menção atrairia a própria doença. Meu pai e ela morreram de cancer, e nós nunca dissemos a palavra, em que tanto pensávamos.

     Aproveitem o dia para, sob a luz do sol, abrirem os porões, os armários, os baús da mente e deixarem escapar as traças que nos fragilizam a estabilidade mental, permitindo que com a luz, a alegria invada os seus corações. Ah, e não esqueçam de oferecer ajuda, aquele “ouvido amigo” a quem dela necessitar. Com isso, certamente o dia de vocês será excelente!

Imagem: TAROT DE DURER

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: CAVALEIRO DE ESPADAS

   08out28   Todas as vezes que numa tiragem de tarot eu me deparo com o Cavaleiro de Espadas não posso evitar em associá-lo à figura daquele aparentemente frágil ser humano que em Pequim, no dia 5 de junho de 1989, em meio aos maiores confrontos e massacres na Praça da Paz Celestial (bom nome para um campo de guerra, não é mesmo?) enfrentou desarmado de qualquer coisa a não ser a profunda crença em um ideal , e fez parar, um comboio de tanques de guerra. Seus motivos? Uma questão de ideologia. Sua personalidade? A de um combativo defensor de suas verdades pessoais. Seu caráter? A de defensor dos fracos, corrigindo as injustiças que oprimem e que possam obstruir a causa que ele acredita e lidera.

     Cá estamos, iniciando Fevereiro, com um calor que só pode mesmo agradar aos donos das fábricas de ar-condicionado, com muito sol, ainda imersos numa semi-indolência que mistura o tríduo verão-férias-carnaval e, logo no primeiro dia do mês, ei-lo que surge: o nosso bravo, indômito, corajoso, hábil, esperto, ligeiro, analítico, argumentativo, intempestivo Cavaleiro de Espadas, protegido por sua brilhante armadura, singrando os ares em seu corcel branco, provocando ventanias e furacões em sua passagem. Não seria para menos, pois o elemento deste arcano menor é o Ar (Espadas = Ar =Mental) e, como todos os Cavaleiros do Tarot, ele é a forma mais exaltada do elemento que representa. Numa escala entre sopro, brisa, vento e ventania, ele fica mesmo é com os tornados e os furacões, incontrolável e arrasador em sua passagem.

     Todos nós, se não o somos, temos parentes, amigos, conhecidos, ou mesmo cruzamos diariamente com pessoas que são fiéis representantes de muito do que essa carta simboliza. São sempre pessoas muito analíticas, fiéis às suas crenças, ideais, filosofias e princípios, frias e calculistas em sua forma de pensar, mas de temperamento esquentado, que falam o que pensam e, por isso mesmo podem ser consideradas, por vezes, imprudentes. São excelentes estrategistas, planejando a longo prazo, habilidosos na forma de conduzirem seus interesses e defenderem suas causas. Ótimos amigos, sempre ao nosso lado evitando que soframos qualquer forma de coação e procurando resolver todos os nossos problemas. Mas como inimigos, são inigualáveis: furiosos, julgadores, dominadores, maquiavélicos, verdadeiros guerreiros prontos para derrotar a quem ou ao que se interpor entre eles e suas vontades.

     Em situações bastante cotidianas os encontramos entre os executivos, os administradores, os gerentes, os que trabalham no mercado de ações, os analistas econômicos, advogados, promotores, juízes, delegados, detetives, policiais, soldados, técnicos em computação e até mesmo nos editores, ombudsman e críticos de determinadas seções dos jornais e revistas, bem como nos professores de ciências ou matemática. Enfim, em todas as profissões quando a clareza mental, a capacidade de analisar seguindo regras específicas, baseando-se em padrões básicos onde tudo deve ser “o preto no branco”, intelectualmente capaz de identificar o mal e condicionar-se em destruí-lo, se faz necessário.

     Evidente podemos, aqui, também mencionar aspectos menos louváveis de tão intrépido Cavaleiro: o fanatismo, a hiper-atividade, o fato de, sendo cerebral demais, perder contato com a realidade e, especialmente com as suas emoções. Em seu descontrole, pode tornar-se um carrasco, distribuindo sentenças mortais a torto e a direito, um revolucionário sem causa, crente numa utopia barata do tipo: “ Se hay gobierno, soy contra!”, na verdade comprometido com nada e completamente errático.

    sao-jorge_111 O imaginário popular cultua, especialmente nas religiões afro-brasileiras e na cidade do Rio de Janeiro a figura heróica de São Jorge, um cavaleiro que, de acordo com a “Lenda Dourada”, em sua busca de corrigir injustiças e defender os fracos, acabou matando um dragão que aterrorizava uma província da Líbia. Como prêmio ganhou uma grande recompensa e a mão da princesa em casamento e, por conseguinte, metade do reino. São Jorge, fiel aos seus princípios, deu todo o dinheiro ganho para os pobres e nada mais aceitou, seguindo seu caminho em busca de novos embates com o Mal, o qual ele identifica e destrói.

     Dentro da minha maneira de perceber toda essa simbologia e o fato dela ter surgido hoje, num dia 1º, uma segunda-feira (primeiro dia útil), penso que seja para avaliarmos se a enorme energia que, muitas vezes, despendemos em algo que naquele momento nos parece fundamental, imprescindível e digno de todo o nosso empenho, custe o que custar, realmente vale a pena. Se está bem equacionado, analisado em cada uma de suas partes, avaliadas suas consequências e métodos (não vamos “atropelar” nada ou ninguém para conseguirmos o que queremos, não é mesmo?) que pretendemos empregar. Se não estamos encarando os fatos apenas de maneira racional, calculista, abrindo mão da emoção, da intuição. Se estamos sendo pacientes, prestando atenção a tudo o que se desenrola à nossa volta, ainda que mantendo o foco em nosso objetivo, conscientes do perigo que é ignorar ou desprezar quem nos cerca.

     E, se depois de todos os aspectos terem sido perfeitamente considerados e julgados, se decidirmos por seguir adiante, com força e destemor, mantendo-nos firmes no que acreditamos, pois a verdadeira coragem não é a força brutal dos heróis vulgares, mas a firme opção que fazemos pela virtude e razão.

     Bom dia e ótimo início de semana a todos!