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sábado, 23 de janeiro de 2016

Baralho Lenormand (Baralho Cigano): o Livro (Snapchat: ALEXCARLOS60)


O LIVRO, carta de número 26 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) simboliza, basicamente, a necessidade de sabermos algo que, até o momento, nos é omitido, mantido em segredo, tornado mistério ou apresentado em forma de enigma.
Pode, é claro, ser desde um segredo sobre as nossas origens até uma decepcionante indiscrição sobre nosso cônjuge. Mas, também pode ser (e o que vai dar o direcionamento da interpretação e a assertividade da resposta é exatamente a pergunta feita às cartas, e as demais encontradas no mesmo jogo) um conselho para que busquemos aprimorar nossa instrução, novos estudos e especializações.

Deck: "As Cartas de Ygor"
Autora: Karla Souza

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Carta do Dia: 9 DE ESPADAS

                                                O CORO
     “… Ilustre e querido Édipo, tu que no leito nupcial de teu pai foste recebido como filho, e como esposo dize: como por tanto tempo esse abrigo paterno te pôde suportar em silêncio?
Só o tempo, que tudo vê, logrou, enfim, ao cabo de tantos anos,
condenar esse himeneu abominável, que fez de ti pai, com aquela de quem eras filho! Filho de Laio, prouvera aos deuses que nunca te houvéramos visto! Condoído, eu choro tua desgraça, com lamentações da mais sincera dor! No entanto, para dizer-te a verdade, foi graças a ti que um dia pudemos respirar tranqüilos e dormir em paz!”
(Entra um EMISSÁRIO, que vem do interior do palácio)
…………………………….
                                           EMISSÁRIO
     “Uma coisa fácil de dizer, como de ouvir: Jocasta, a nossa rainha, já não vive!”
                                            CORIFEU
     “Oh! Que infeliz! Qual foi a causa de sua morte?”
                                          EMISSÁRIO
     “Ela resolveu matar-se... E o mais doloroso vos foi poupado: vós não vistes o quadro horrendo de sua morte. Dir-vos-ei, no entanto, como sofreu a infeliz. Alucinada, depois de transpor o vestíbulo, atirou-se em seu leito nupcial, arrancando os cabelos em desespero. Em seguida, fechou violentamente as portas, e pôs-se a chamar em altos brados por Laio, recordando a imagem do filho que ela teve há tantos anos, o filho sob cujos golpes deveria o pai morrer, para que ela tivesse novos filhos, se é que estes merecem tal nome! Presa da maior angústia, ela se lastimava em seu leito, onde, conforme dizia tivera uma dupla e criminosa geração. Como teria morrido, não sei dizer, pois Édipo, aos gritos, precipitou-se com tal fúria, que não pude ver a morte da rainha.
Todos os nossos olhares voltaram-se para o rei, que, desatinado, corria ao acaso, ora pedindo um punhal, ora reclamando notícias da rainha, não sua esposa, mas sua mãe, a que deu à luz a ele, e a seus filhos. No seu furor invocou um deus, - não sei dizer qual, pois isto foi longe de mim! Então, proferindo imprecações horríveis, como se alguém lhe indicasse um caminho, atirou-se no quarto. Vimos então, ali, a rainha, suspensa ainda pela corda que a estrangulava... Diante dessa visão horrenda, o desgraçado solta novos e lancinantes brados, desprende o laço que a sustinha, e a mísera mulher caiu por terra. A nosso olhar se apresenta, logo em seguida, um quadro ainda mais atroz: Édipo toma seu manto, retira dele os colchetes de ouro com que o prendia, e com a ponta recurva arranca das órbitas os olhos, gritando: "Não quero mais ser testemunha de minhas desgraças, nem de meus crimes! Na treva, agora, não mais verei aqueles a quem nunca deveria ter visto, nem reconhecerei aqueles que não quero mais reconhecer!" Soltando novos gritos, continua a revolver e macerar suas pálpebras sangrentas, de cuja cavidade o sangue rolava até o queixo e não em gotas, apenas, mas num jorro abundante. Assim confundiram, marido e mulher, numa só desgraça, as suas desgraças! Outrora gozaram uma herança de felicidade; mas agora nada mais resta senão a maldição, a morte, a vergonha, não lhes faltando um só dos males que podem ferir os mortais.”

Corifeu e Emissário, “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

     Swords09 (5) Muitos consideram o 9 de Espadas uma das cartas mais cruéis do Tarot e, certamente, do naipe de Espadas. Costuma representar uma grande angústia ou aflição que sentimos por outra pessoa. É, por exemplo, a sensação de impotência que nos abate quando temos um ente querido sofrendo uma doença. Ou a terrível experiência dos pais que tentam resgatar um filho do submundo das drogas. A causa das nossas dores, do nosso pesadelo, no caso do 9 de Espadas, é provocado por algo ou alguém que não nós mesmos.

     Yesod, a 9ª esfera (Sephirah) da Árvore da Vida, é chamada de Fundamento, o lugar onde está a nossa parte inconsciente, dos pesadelos e dos medos, da depressão e dos grandes mistérios que parecem surgir dos recantos mais escuros de nós mesmos. É o local onde guardamos tudo aquilo que, no âmbito racional, nos é difícil de lidar. É de Yesod que os nossos pesadelos surgem, onde, pela influência lunar as nossas percepções são distorcidas e nubladas. A Lua é o planeta (sim, a Lua é um satélite, mas em termos de astrologia básica, a consideramos um planeta) associado a Yesod e, portanto, isso significa que todas as entidades, todas as divindades associadas a ela pertencem a essa Sephirah (esfera): Luna, Hécate, Diana, Hathor, Isis, Lilith, Astarte. As fases da lua (Nova, Crescente, Cheia, Minguante) também refletem aspectos do feminino: a Donzela, a Mãe, a Anciã. Como a Lua reflete a luz emitida pelo Sol, ela tem sombras que a cada dia são mais e mais reveladas. Basta-nos olharmos para uma Lua em seu Quarto-Crescente e veremos que, noite após noite ela revela um pouco mais de si. Ainda que ela fisicamente não se transforme, durante suas fases, e apresente o tempo todo a mesma face, o mesmo lado, os seus ciclos são meramente ilusórios. E Yesod é a esfera (Sephirah) das Ilusões.

     Jocasta e a Esfinge são as únicas figuras femininas de relevância em “Oedipus Rex”, e ambas escondem segredos lunares. Segredos que habitam uma zona de sombras dentro das almas humanas e que, dado o tempo devido do ciclo, eles necessitam vir à tona e, certamente, virão. A Esfinge resume as fases da vida de todo o ser humano, nascimento, vida e morte, em sua questão: “Qual é o animal que de dia tem 4 pernas, à tarde tem 2 e à noite, 3?”. Édipo, o representante solar, racionalmente esclarece, soluciona o enigma dizendo ser o homem, que ao nascer caminha com os 4 membros. Adulto, usa as 2 pernas para se locomover e, velho, necessita da ajuda de uma bengala. Mistério revelado significa o fim do monstro, do pesadelo: a Esfinge suicida-se atirando-se do alto do promontório onde habitava.

     Jocasta, por sua vez, tomando consciência de que o homem que desposara é seu filho e assassino do pai, seu falecido marido, o rei, tenta, inutilmente, evitar que Édipo confronte-se com a realidade. Procura, de alguma forma, iludi-lo, numa maternal, porém vã tentativa de protege-lo. Roga-lhe para que desista, sugestão que é refutada. Ela sabe, por instinto e objetivamente (Yesod + Malkuth) a verdade dos fatos. Tendo Édipo compreendido toda a real situação, toda a verdadeira tragédia que constitui sua vida, tendo, uma vez mais, solucionado o mistério, o que resta a Jocasta a não ser destruir-se, aniquilar-se, perdida em seu próprio desespero e culpa? Sua morte é a representação de mais uma fase lunar, de um ciclo de total escuridão, simbolizado na cegueira de Édipo que se vale das presilhas que prendiam a roupa da rainha morta para arrancar seus próprios olhos.

     Entre o último diálogo de Jocasta com o filho/esposo, e a sua entrada no palácio real, ela vive em profunda intensidade aquilo que o 9 de Espadas simboliza: preocupação, decepção, arrependimento, desespero, sofrimento, traição, medo. Qual será o destino de seus 3 filhos com Édipo? E o que será de Édipo?  Por razões semelhantes a essas, quando um 9 de Espadas aparece numa tiragem de tarot, sempre dependendo da sua localização na jogada e entre as demais cartas, bem como a questão proposta pelo Consultante, o 9 de Espadas pode simbolizar um tempo onde tudo parece voltar-se contra a pessoa. As pessoas agem com tal crueldade que ferem profundamente. O Consultante pode estar-se sentindo desprezado e alquebrado pelas circunstâncias que estão muito além do seu controle. Tristeza provocada por pesadelos e visões. A sensação de alguém irá cravar um punhal em suas costas. Pode, em alguns raríssimos casos, simbolizar um presságio de morte de um ente querido. As pessoas que cercam o Consultante agem com malícia e intrigas referindo-se ao Consultante. Pessoas estranhas e misteriosas parecem se aproximar. Os seus medos têm fundamento. Ações praticadas no passado finalmente apresentam suas terríveis consequências. Recusar-se a encarar o que fez. O Consultante, dependendo de muitas outras circunstâncias, pode sentir que a vida se esvai de si, ou então alimentar tolas idéias suicidas. Achar muito doloroso pensar na situação que está vivendo. Inabilidade de concentrar-se no assunto que deve ser resolvido. Uma grande confusão mental.

     Às vezes, quando questionado sobre os aspectos positivos desta carta, eu devo confessar que os desconheço em número suficiente para fazer contraponto aos seus sintomas negativos, mas, e sempre há um mas, uma possibilidade extra no tarot, e na vida, nós sabemos que “eles, como tudo, passarão”. Assim como os planetas passam pelos diversos signos do zodíaco, queiramos ou não, como as fases da Lua se alternam independente da nossa vontade, que os ciclos da vida acontecem com ou sem a nossa participação, nós podemos ter certeza de que esse momento também terá o seu fim. O Universo certamente não nos deixará presos em nosso desespero. Podemos contar como certo alternâncias e mudanças. O que está escondido em Yesod pode ser trazido à consciência a fim de ser trabalhado e solucionado.

     Nesta sexta-feira, com a Lua Crescente a nos estimular a resolvermos pendências, a trabalharmos assuntos que estão “engavetados” esperando por uma solução, é um ótimo momento para refletirmos sobre a palavra “responsabilidade”. Devemos aceitar as nossas responsabilidades e não nos deixarmos abater por obstáculos, empecilhos, impedimentos ou dificuldades temporárias. É hora de firmar bem os pés no chão, mas deixar que a cabeça esteja elevada, em busca das estrelas.

     Tenham todos um dia com novas possibilidades e horizontes se descortinando à sua frente!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Carta do Dia: 8 DE ESPADAS

                                              MENSAGEIRO
     “Eis aqui, meu amigo, aquele que era então um menino pequenino!”
                                                  O SERVO
     “Desgraçado! Por que não te calas?”

                     ……………………………………………………….

                                                   ÉDIPO
     “A criança de quem se trata, tu lhe entregaste?”
                                                 O SERVO
     “Sim! Melhor fora que nesse dia eu morresse!”
                                                   ÉDIPO
     “Pois é o que te acontecerá hoje, se não confessares a verdade!”
                                                O SERVO
     “Mas... com mais certeza ainda, se eu disser a verdade, estou perdido!”

                   ………………………………………………………….

                                                O SERVO
     “Pois bem! Aquele menino nasceu no palácio de Laio!”
                                                  ÉDIPO
     “Era um escravo? Era um descendente dele, ou de sua família?”
                                                O SERVO
     “Ai de mim! Isso é que me será horrível dizer!”
                                                  ÉDIPO
     ”E para mim será horrível ouvir! Fala, pois! Assim é preciso!”
                                                O SERVO
”     Diziam que era filho dele próprio. Mas aquela que está no interior de tua casa, tua esposa, é quem melhor poderá dizer a verdade.”
                                                  ÉDIPO
     “Foi ela que te entregou a criança?”
                                                O SERVO
     “Sim, rei.”
                                                  ÉDIPO
     “E para quê?”

                                                O SERVO
     “Para que eu a deixasse morrer.”
                                                  ÉDIPO
     “Uma mãe tez isso! Que desgraçada!”
                                                O SERVO
     “Assim fez, temendo a realização de oráculos terríveis...”
                                                  ÉDIPO
     “Que oráculos?”
                                                O SERVO
     “Aquele menino deveria matar seu pai, assim diziam...”
                                                  ÉDIPO
     “E por que motivo resolveste entregá-lo a este velho?”
                                               O SERVO
     “De pena dele, senhor! Pensei que este homem o levasse para sua terra, para um país distante... Mas ele o salvou da morte para
maior desgraça! Porque, se és tu quem ele diz, sabe que tu és o
mais infeliz dos homens!”
                                                  ÉDIPO
     “Oh! Ai de mim! Tudo está claro! Ó luz, que eu te veja pela
derradeira vez! Todos sabem: tudo me era interdito: ser filho de
quem sou, casar-me com quem me caseie e eu matei aquele a
quem eu não poderia matar!”
     (Desatinado, ÉDIPO corre para o interior do palácio.)

Édipo e o Servo, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

   Swords08 (5)   O 8 de Espadas é uma carta que se refere a um aprisionamento de algum tipo, a um bloqueio de energias, inclusive as psíquicas. Um famoso humorista, referindo-se a essa carta, disse uma vez, parodiando a famosa frase de René Descartes (1596-1650): “Penso, logo eu… fico confuso!”.

     Na Árvore da Vida cabalística, todos os 8 correspondem a Hod, a Sephirah que simboliza a inteligência ativa, o intelecto. Hod está relacionado ao pensamento objetivo, analítico e de extrema rapidez, visto que o planeta Mercúrio também é associado à essa esfera situada quase na base do esquema da Árvore da Vida. Visto que o naipe de Espadas, em sua essência, simboliza as atividades mentais, podemos deduzir então que o 8 de Espadas, por situar-se na Sephirah Hod (Glória, Esplendor), soma os seus potenciais, exaltando-os, tornando a linha de pensamento muitas vezes confusa, dúbia, sem saber qual caminho seguir, qual decisão tomar.

     A maior virtude de Hod é a Veracidade e nós muito bem sabemos o quanto essa virtude é difícil de ser atingida, e o quão dolorosa ela pode ser! Não é apenas sermos verdadeiros com os outros, mas também com nós mesmos, e essa é a mais difícil, a mais agoniante verdade a ser aceita. A busca pelo conhecimento pode nos colocar em perigo, especialmente no aspecto psicológico, e é por isso mesmo que os cabalistas creditavam o Arcanjo Miguel, o chefe das milícias celestes, a Hod, junto com o Arcanjo Rafael, o curador, que deveria ser invocado em caso de grandes “ferimentos” psíquicos.

     A força e o poder dessa obra-prima de Sófocles, “Oedipus Rex”, com suas emoções, sua beleza, sua coragem, sua tensão, continua, 25 séculos depois de ter sido escrita, a impressionar e emocionar platéias, a provocar debates, a ser usada como assunto para teses, a simbolizar um dos maiores “complexos” que a psicanálise identificou. Isso tudo deve-se a um homem, uma mente mortal que foi capaz de juntar palavras de tal forma que, ainda hoje, elas repercutem no mais fundo da alma humana. Isso é o que em cabala se chama de A Visão do Esplendor, que não por acaso, é o nome que se dá à experiência espiritual que obtemos nessa Sephirath.

     O trecho grifado acima, extraído de passagens da peça “Oedipus Rex”, nos mostram o momento em que, finalmente, Édipo encontra a verdade que tanto procurava. Sim, ele era filho de Laio e Jocasta. Sim, ele era tebano e não coríntio, como pensava. Sim, o oráculo se cumprira e ele matara seu pai e casara-se com sua mãe. Sim, sua própria mãe o entregara ao seu Servo de confiança para que o matasse, mal acabara de nascer. Sim, seu nome, Édipo (oedipus = pés inchados), e o defeito que tinha em seus pés, devia-se ao fato de ter sido amarrado pelos pés a uma árvore e abandonado à mercê da própria sorte, para ser devorado pelos animais. Sim, ganhara o título de rei e a mão de Jocasta derrotando o enigma da Esfinge (“Qual é o animal que pela manhã tem 4 pernas, à tarde, 2 e à noite tem 3?”) mas não fora capaz de decifrar seu próprio enigma. Talvez a Esfinge fosse uma cilada dos deuses para que a profecia finalmente se cumprisse integralmente. O quebra-cabeças está formado e Édipo sente-se só, perdido, vítima de um destino cruel. Sabe (ou pelo menos presume) que será abandonado por todos, que todos se horrorizarão de estarem à sua presença. Ele, o parricida e o filho incestuoso.

     Quando um 8 de Espadas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, bem como do assunto de interesse do Consultante, pode significar bloqueios, obstáculos, aprisionamento, restrições, isolamento. Censura e auto-censura. Temer a liberdade pessoal. Pode simbolizar o fato do Consultante ter erguido um muro que o separa dos seus sonhos. Um momento de crise. Obsessão. Desespero. Não conseguir livrar-se do confuso emaranhado de fatos em que a situação parece ter-se tornado. O Consultante pode estar permitindo que outras pessoas interfiram, seja por inveja ou por trivialidades, no seu equilíbrio psíquico. Doença. Estar impossibilitado de deixar o leito ou locomover-se. Imobilidade. Preguiça. Insatisfação, muitas vezes injustificada, com conquistas obtidas no passado. Sentir-se abandonado pelos outros.

     É muito comum, pessoas que são alcoólatras, ou que tenham algum tipo de vício ou dependência, inclusive sexual, se considerarem banidas, párias sociais, indignas do convívio com o grupo. É exatamente esse o alerta que o 8 de Espadas faz: não se isole, nas se restrinja, não crie limitações, amarras, obstáculos, impedimentos ou desculpas. Peça ajuda. Estenda a mão e peça o auxílio de seu semelhante. Inúmeras são as associações, os grupos de terapia, os profissionais qualificados que podem remover essas falsas amarras que nos impomos. O grande problema enunciado por essa carta é a idéia de “pré-conceber” algo, ou seja, presumir que não conseguirá livrar-se, presumir que ninguém lhe dá atenção, presumir que todos lhe virarão as costas, presumir que está perdido sem um guia que possa ajudar. Companhia e contato humano são essenciais pois necessitamos de outras pessoas que possam nos apontar uma nova perspectiva para aquilo que chamamos de “meu problema”.

     Quando, numa jogada, o 8 de Espadas sai bem localizado, ou bem dignificado, como se usa dizer, podemos perceber que o Consultante está apto para viver a sua própria liberdade. Que o caminho à sua frente está menos acidentado. Que a sua forma de pensar está mais clara. Que há um súbito desaparecimento dos problemas que pareciam persistirem. Pode, sob determinadas circunstâncias, significar que o Consultante apercebeu-se que estava se dedicando em demasia a algo ou a alguém que não valia o esforço, e está com um novo projeto de vida. Alegria, felicidade. Retorno ao convívio social. Comportamento mais liberal. As coisas se movem, caminham, ainda que muito trabalho e empenho pessoal sejam necessários. Significa, também, a solução de um problema pois o Consultante encontrou “a chave” do mistério. As recompensas ainda estão bastante distantes e ainda resta muito a caminhar, mas há uma sensação de que alguns obstáculos já foram ultrapassados e as pessoas, que poderiam estar impedindo o caminhar, afastam-se, abrindo passagem. O Consultante começa a olhar a vida sem ter “areia” para lhe embaçar a visão. Depois de muito quebrar a cabeça, de muito raciocinar, de muito pensar em busca de soluções, a mente parece clarear-se, iluminar-se. A verdade triunfa.

     Édipo, finalmente, tem à sua frente um quadro da sua tragédia pessoal. Todos os elementos que ele necessitava para conhecer a sua verdade foram expostos. Cabe a ele decidir como utilizar essa verdade que tanto buscou. Como esse conhecimento irá, ou não, libertá-lo da cegueira, da escuridão mental em que viveu toda a sua vida adulta, dependerá exclusivamente dele e do quanto os que lhe são próximos estarão dispostos a ajudá-lo nessa crise. Ele, o herói que libertara toda uma nação das garras impiedosas da Esfinge, usando o seu brilhante raciocínio, uma vez mais desvendou um mistério: o seu próprio.

     Hoje a Lua Crescente está em Virgem, o que pode significar ser um ótimo período para nos organizarmos, inclusive mentalmente, abandonando medos, tensões e permitindo um novo fluxo de idéias. É um convite para que sejamos mais realistas, que não desviemos os nossos olhos e os nossos pensamentos da verdade que se nos apresenta, mas que procuremos, inclusive com a ajuda alheia, a superar nossa possível falta de confiança pessoal, nossos receios, e nos abramos, confiantes, para tempos melhores.

     Tenham todos uma ótima quinta-feira, livre das falsas ilusões!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov