segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Baralho Lenormand (Baralho Cigano): a Lua (Snapchat: ALEXCARLOS60)
domingo, 21 de setembro de 2014
Quando o medo insiste em nos dominar
domingo, 22 de junho de 2014
7 DE COPAS: a vida em cor-de-rosa
Alexandre Moreira, Tarólogo
Há momentos na vida em que é doloroso enfrentar e aceitar a realidade. Queremos, de alguma forma, fugir a ela, ignorá-la, na vã esperança de que, se não lhe dermos atenção, ela desaparecerá.
Mentimos para nós mesmos, tentando com isso justificar nossos erros e também os dos outros, especialmente daqueles que nos são queridos. Nossas emoções, já confusas, ficam ainda mais, com a quantidade de maquiagem com que procuramos “melhorá-las”. Disfarçamos frustrações, optamos por não vermos e nem ouvirmos os fatos, travestimos desilusões em “tudo vai dar certo, eu sei!”. Não vai, nós sabemos.
O 7 DE COPAS pode ser visto como a carta do tarot que nos fala dessas fantasias, sentimentais ou não, que criamos para suprir o que a realidade não nos oferece. Ao invés de encararmos a verdade como ela é, e assim termos condições reais de lidar com ela, fugimos a isso através de delírios de imaginação. Douramos a pílula. Colocamos lentes cor de rosa sobre nossos olhos. Nos alienamos na inútil tentativa de sobreviver, esquecendo que sobreviver é viver em condições precárias, insatisfatórias, frustrantes, não dignificantes.
Há que se abandonar as fantasias tolas, infantis, embriagantes, totalmente irreais para que possamos ter elementos reais, verdadeiros que nos possibilitem trabalhar em favor da concretização dos nossos sonhos, nossas ambições, nossos ideais, nossos projetos. Devemos desejar sobre possibilidades plausíveis, em bases sólidas ou, pelo menos, coerentes. Basta de “tapar o sol com a peneira” ou de pingar o “colírio alucinógeno” que apenas prolonga a ilusão, destruindo nossa capacidade de raciocinar, de planejar, de concretizar. Aproveite esta nova semana para dedicar-se a por um fim em fantasias que nada mais fazem que embotar a sua capacidade de viver a realidade de forma plena, satisfatória. Ser criativo não significa ser delirante. Não permita que sua imaginação lhe crie obstáculos concretos através de falsas promessas. Viva, intensamente, seus sonhos, mas não se deixe iludir por quimeras.
(Este texto foi extraído do site www.50emais.com.br da jornalista Maya Santana, onde todos os domingos comento uma das 78 cartas do tarot)
quinta-feira, 20 de março de 2014
A Lua: mistério e ilusão no Arcano XVIII
Fonte:
http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br/2014/03/a-lua-misterio-e-ilusao-no-arcano-xviii.htmlPOLAROIDES DA ALMA: A Lua, mistério e ilusão no Arcano XVIII
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A LUA
Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais;
somos também, o que lembramos
e aquilo de que nos esquecemos;
somos as palavras que trocamos,
os enganos que cometemos,
os impulsos a que cedemos...“sem querer”.
Sigmund Freud
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Carta do Dia: 7 DE COPAS
Ela saiu do almoço com sua mãe e caminhou o pouco que a distanciava da orla da praia. O sol brilhava forte e o céu da tarde estava de um azul cristalino. Decidiu sentar-se num quiosque e tomar uma água de coco enquanto tentava dar um sentido ao turbilhão de pensamentos e emoções que tomavam conta dela.
Pensou no que a mãe lhe dissera a respeito do problema vivido com o pai, antes dela nascer. Seriam seus ciúmes irreais? Estaria ela, também, vendo “fantasmas” onde nada havia? E se, na verdade, o marido e a ex-noiva estivessem mantendo um “caso” e usando a desculpa do trabalho e das constantes viagens como disfarce? E se ela voltasse ao apartamento dos pais deles e, chorando, contasse o que estava acontecendo e pedisse que eles intercedessem por ela? E se eles se recusassem e ela finalmente descobrisse que eles preferiam a ex-noiva a ela? E se ela procurasse o antigo namorado, o surfista que havia retornado depois de anos no Havaí e que estava abrindo uma fábrica de pranchas? Como será que ele estava? Será que ainda pensava nela com o mesmo carinho e desejo de antes? A amiga havia sugerido que sim, quando falou sobre ele… E se ela aceitasse o convite da empresa que trabalhara para fazer aquele estágio em Paris? Quem não sonha ir estudar por um ou dois anos na Cidade Luz? E se na Europa ela viesse a conhecer um outro alguém que a amasse como ela sempre pretendera? Mas, e depois, quando o curso acabasse e ela tivesse, por uma questão de compromisso com a empresa, de voltar ao Brasil? Como ficaria a situação dela com esse novo homem? E se ela simplesmente voltasse a trabalhar, interrompendo a licença, preenchendo novamente seus dias com as reuniões de grupo e com fornecedores, voltasse a estudar planilhas de vendas, dedicasse seu tempo à criação de novas estampas e ficasse “antenada” com tudo o que se estava fazendo em moda? E se ela ligasse para ele, agora mesmo, e pedisse desculpas, se humilha-se, reconhecesse que estava completamente errada, morta de ciúme e inveja da outra? E se ele desligasse o telefone sem lhe dizer nada? E se ele atendesse da forma amorosa de sempre e dissesse que ela fosse encontra-lo imediatamente onde quer que estivesse? E se ele confessasse que sim, que estava apaixonado mesmo pela ex-noiva e que iria entrar com o pedido de divórcio assim que voltasse? E o que seria da vida dela sem ele? E o que…
_”Mais uma água de coco, madame?”
Saiu daquele turbilhão de fantasiosas idéias com a voz do vendedor de coco. Agradeceu, pagou e saiu caminhando pelo calçadão. Estava confusa. Ela, que sempre se considerou uma mulher altamente criativa, pronta sempre para enfrentar todos os desafios da forma mais racional possível, analisando-os por partes, estudando seus detalhes e suas implicações, não se deixando iludir pelas aparências e procurando encontrar sempre a melhor saída para os problemas… quando foi que ela se tornara essa mulher indecisa de agora? Em que recanto dela mesma estivera escondida essa criatura insegura, amarga, dependente, presa à idéias confusas, mal estabelecidas, vivendo de pedaços de pesadelos? Ela mesma não mais se reconhecia.
Resolveu que deveria ir para casa e, novamente, ligar para ele. Conversariam novamente e ela mais calma, mais controlada, lhe contaria das suas desconfianças, dos motivos que a levaram a desesperar-se, do medo profundo de perder o seu amor, da enorme saudade que sentia dele e se desculparia pelo vexame do telefonema anterior. Ele, que sempre fora compreensivo, educado, carinhosíssimo com ela, iria ouvi-la e com certeza diria algumas palavras sábias e amorosas que poriam fim a todo esse episódio. E então ele iria dizer, pela zilhonésima vez que a amava, que não poderia nunca pensar em viver sem ela, que ela era única, que era a mulher que ele sempre sonhara, que…
_“Ooooooo, tia! Qual é? Quer que eu atropele você? Não sabe que não pode ficar andando na pista das bikes! Pow!… Cuidado, aí, viu?”
Nem havia percebido que quase fora atropelada por um ciclista. Refez-se do susto e desculpou-se com um sorriso sem graça. O sol estava começando a descer no horizonte e a maré desmanchava as marcas deixadas na areia. Olhou para o céu, que começava a mudar de cor, tingindo-se dos laranjas e dourados do poente. Resolveu que era hora de voltar. Havia um longo telefonema internacional a ser dado.
Quando um 7 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que lhe são próximas, além da questão que importa ao Consultante, pode simbolizar estar vivendo de sonhos e ilusões, de desejos tolos. Erros de julgamento. Iludir-se. As coisas podem parecerem boas por fora, mas na verdade não têm nenhuma consistência. Dar importância a assuntos, desejos, situações que não têm nenhuma importância. Querer símbolos de sucesso e não qualidade, como por exemplo, comprar roupas e acessórios de “marcas famosas” na banquinha do camelô… Ou achar que a “marca famosa”, mesmo sendo verdadeira, vai acrescentar algo de importante à vida. Aparentar que tem tudo, quando na verdade nada tem. Querer causar inveja ou ciúme nos outros. Materialismo. Algo estragado, corrupto, podre sob uma aparência atraente. Egoísmo.
Dependendo sempre do contexto da leitura e das demais cartas, o 7 de Copas também pode estar significando o fato do Consultante abandonar os desejos e vontades tolas e enfrentar a realidade. Fazer escolhas apropriadamente solidas baseadas em fatos concretos. Regenerar a sua força de vontade para que ela lhe auxilie a atingir melhores propósitos. Erguer-se sobre as próprias pernas e assumir a responsabilidade de descobrir a verdade. Desanuviar a mente sonhadora. Ver as coisas como elas realmente são. Saber o que importa e não interessa. Encontrar a verdade dentro de si mesmo.
Nesta quarta-feira, tendo como regente Mercúrio, representado por aquela figura com os pés alados que, célere, voa longas distâncias entregando notícias, não é de se surpreender que seja o Dia Nacional das Comunicações. Com uma Carta do Dia como o 7 de Copas podemos interpreta-la de tal forma que se expressarmos nossos sonhos, nossas fantasias, nossos medos e nossas angústias, comentando-os com nossos melhores amigos ou profissionais adequados, estaremos contribuindo para evitar que eles se transformem em verdadeiras neuroses. Que procurar a verdade, através do diálogo franco, amistoso, sensato e racional é um dos melhores caminhos que podemos escolher para acabarmos com dúvidas e incertezas. Que interagir com os outros significa ouvir e ser ouvido, comentar, discutir e partilhar sentimentos e emoções. O 7 de Copas é astrologicamente equivalente a Vênus em Escorpião, que, a grosso modo, simboliza um desejo de intensificar o drama, fazer com que as coisas pareçam piores, ou melhores, do que realmente o são. Portanto o uso do conhecimento (a verdade), a capacidade de raciocínio lógico, a percepção apurada e a astúcia de Mercúrio, o mensageiro, podem perfeitamente nos ajudar a esclarecer as situações através do diálogo honesto, refreando vôos de pura fantasia.
Que as notícias desta quarta-feira tragam alegria, paz e harmonia para todos!
Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan
domingo, 2 de maio de 2010
Carta do Dia: 4 DE COPAS
Ela sabia, desde que o casamento fora marcado, que algumas transformações iriam acontecer na rotina de ambos. Não iriam ser mais namorados, ou noivos, como sua mãe e tias insistiam em chamar, mas, como marido e mulher, companheiros dividindo um mesmo espaço, com deveres e obrigações comuns, determinados detalhes precisariam ser revistos e concessões haveriam de acontecer.
O pessoal da grande cadeia de lojas para quem ela trabalhava como estilista-chefe procuraram, de todas as formas, demove-la da idéia de pedir demissão do emprego. Ela justificava dizendo que teria que se dedicar à decoração do novo apartamento, cujas obras estavam sendo finalizadas e que, como o futuro marido viajava constantemente, a serviço, para o exterior, ela pretendia acompanha-lo, prolongando assim a sua lua-de-mel. Finalmente, a diretoria da empresa, que tinha por ela um enorme carinho e respeito profissional, ofereceu-lhe um longo período de afastamento não remunerado e, se depois desse tempo ela decidisse voltar ao trabalho, o seu cargo estava garantido. Era uma condição excepcional, ela sabia, e aceitou-a mais em agradecimento pela “massagem” em seu ego do que por considerar, naquele momento, a possibilidade de um dia voltar.
Queria viver uns anos só com ele, criando uma rotina doméstica, arrumando a casa da maneira que ela sempre desejara, viajando muito, fazendo o seu esporte preferido, o surf, em praias pelo mundo afora, “curtindo” um ao outro intensamente e depois, tendo os filhos que sempre planejara ter. E nos primeiros meses foi exatamente assim que aconteceu.
Ele, entretanto, tinha um esquema de trabalho muito intenso, atendendo os clientes do escritório de advocacia em diversas capitais do mundo. Eram horas e mais horas de tédio em aeroportos e dentro de hotéis, aguardando pela volta dele das reuniões e das cortes judiciais onde ele precisava defender quem lhe contratava os serviços. O que poderia ter sido, à primeira vista, um delicioso prolongamento do romantismo dos primeiros dias de casados, passou a ser algo aborrecido, entediante, cansativo. Ele voltava do trabalho extenuado e a encontrava esperançosa de irem ao teatro assistir ao musical da moda e depois jantarem naquele restaurante “bacana” que estava nas colunas sociais das revistas estrangeiras e em todos os guias de restaurantes, mas acabavam mesmo pedindo um jantar na suíte do hotel em que estavam hospedados e ela terminava a noite assistindo aos “late shows” e aos velhos filmes na televisão.
O apartamento também já havia ficado pronto e a decoração completa. Ela esmerou-se nos detalhes, valendo-se do seu grande sentido estético e impressionando a todos com o seu bom gosto. Planejara receberem os amigos para jantares nos finais de semana, mas, quando não estavam viajando, ele desculpava-se com ela dizendo que tinha que aproveitar o tempo para estudar novas ações e causas que o escritório local lhe atribuía. Até as manhãs de praia e surf, com os dois, velozes, rindo sobre as ondas, foram diminuindo em virtude do cansaço ou das obrigações de trabalho dele. Os dias ficaram longos e ela começou a sentir-se, pela primeira vez, só.
Numa manhã, aproveitando que ele viajara sem ela para o exterior e vencendo o fantasma da depressão que parecia querer tomar conta dela, telefonou à melhor amiga, aquela cuja festa de aniversário fora o motivo para os dois se conhecerem, e marcaram um almoço. Entre saladinhas e geladas taças de vinho branco atualizaram as agendas. Ela, que estava afastada da turma, queria saber detalhes de todas e todos: quem está namorando, quem deixou quem, quem está fazendo o que, quem foi para onde, o que aconteceu com Fulana, etc. A amiga ia fornecendo as resposta e acrescentando outras informações tais como: “Sabe quem tem perguntado muito de você todas as vezes que nos encontramos no Baixo?”_ dizia, com uma certa malícia na inflexão _ “O Fulano! Imagina, ele voltou do Havaí e nem sabia que você havia se casado! Ficou com uma cara quando lhe contei… Tadinho!”_ e, rindo, acrescentava_ “Vai ficar aqui de vez. Tá abrindo uma escolinha de surf e ampliando a fábrica de pranchas junto com o irmão.” “É mesmo?”, respondia, ao que a outra complementava: “Me disse que queria muito te ver. Que você foi muito importante para ele e que ele não “pega onda” sem lembrar de vocês dois juntos, surfando por aí…”.
Ela sorria meio encabulada (afinal agora ela era uma mulher casada!) e muito satisfeita (quem não gosta de ser lembrado em momentos felizes?), mas apressadamente explica que anda cheia de compromissos, especialmente agora que o marido deve estar chegando de mais uma viagem e decidiram passar uma semana juntos, só eles, em Buenos Aires. A amiga aproveitou a oportunidade para lembrar da “saia-justa” no casamento, quando o bouquet foi “arrebatado” pela ex-noiva dele. Riem bastante lembrando a situação e a cara dela na ocasião. A amiga aproveita para dizer que acabou descobrindo que ela e a ex-noiva frequentam o mesmo salão de cabelereiros e que dividem a manicure que lhe contou que a ex-noiva também estava viajando a negócios com um pessoal do escritório.
Ela, que nem havia perguntado ao marido com quem ele iria viajar dessa vez, foi pega de surpresa. E mais surpresa ficou ao perceber que esse comentário tinha feito com que a ensolarada tarde escurecesse e o suave gosto do vinho que tomavam azedasse em seus lábios. Continuaram a conversa de forma quase natural, não estivesse ela completamente absorta em outros pensamentos. Despediram-se prometendo verem-se “logo, logo”. No carro, voltando para casa, pensou no “esquecimento” dele em comentar que iria viajar com a ex-noiva, inclusive nem mencionando o fato nos telefonemas e e-mails trocados. Queria chegar logo para ligar para ele e perguntar-lhe. Deu sinal e entrou na avenida beira-mar. O Sol criava faíscas no azul profundo a água do mar e as ondas desmanchavam-se em alvas espumas e estrondos. Alguns surfistas aproveitavam a tarde e pontuavam o azul do oceano com suas pranchas coloridas. Por um instante ela pensou no ex-namorado, recém-chegado do Havaí. Sentiu na pele a sensação do vento e dos respingos enquanto surfava. Lembrou-se claramente no amanhecer chegando a uma praia deserta para “pegar onda” e a profunda noção de liberdade que o mar lhe inspirava. Pensou o quanto era feliz voltando de cabelos molhados, segurando a prancha, para casa, mantendo na memória alguma imagem que a inspirara para a criação de mais uma padronagem, mais um desenho para a empresa em que trabalhara.
Acelerou o carro. Tinha agora pressa para chegar em casa e ligar para ele falando da sua insatisfação.
Quando o 4 de Copas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das demais cartas que lhe são vizinhas, além da questão proposta pelo Consultante, pode significar que ao Consultante está faltando reconhecer o valor de determinados sentimentos, provocados por determinadas situações, provocam , ou então, reconhecer a importância real do papel desempenhado por outros na vida do próprio Consultante. Também pode significar a necessidade de reconhecer suas próprias qualidades. Frequentemente pode ser associado à deixar-se passar oportunidades por uma recusa em nota-las. É um alerta para o Consulente de que permanecendo numa posição de indiferença ou de recusa, ele não está preparado para a convivência social. Talvez por isso mesmo essa carta seja constantemente lembrada como um prenúncio de tédio, imobilidade ou de preocupações imaginárias. Do mesmo modo que o Consulente pode acatar a oportunidade que se lhe oferece como um salto para diante em termos de crescimento emocional, há também o risco dele acomodar-se em um mundo irreal que ele criou, nutrindo alguns rancores e insatisfações injustificados. Acontece quando o Consulente tem novos objetivos em mente mas não sabe por qual optar ou como realiza-los, pois o caminho para algo melhor parece ser muito difícil de ser trilhado. As coisas parecem muito mais difíceis do que realmente são. Muitas vezes representa uma certa amargura que o Consulente nutre em relação ao passado. Desejar encontrar algo que estimule.
Entretanto, dependendo sempre da leitura das demais cartas que o acompanham e da interpretação dada ao jogo como um todo, os 4 de Copas também apresentam seus aspectos mais interessantes e positivos tais como novas e excitantes opções que surgem na vida do Consultante. Há luz no fim do túnel. Encontrar novas soluções, novos relacionamentos e novas oportunidades. Uma nova pessoa surge na vida do Consultante. Saber compartilhar. Vencer a imobilidade e usar a ação para atingir novos patamares de crescimento em todas as áreas.
O Sol, regente dos domingos, que neste momento está no signo de Touro, é o estímulo que pode estar nos faltando para enfrentarmos e terminarmos nossas tarefas, resolvermos nossas situações, esclarecermos nossos pontos de vista, apesar das dificuldades que possam estar nos obstruindo. O 4 de Copas pode ser relacionado com a Lua em Câncer, o que significa estar se sentindo emocionalmente vulnerável, com uma grande necessidade de proteger, presos a uma idéia de segurança através da possessividade. Seria razoável aproveitarmos, então, para meditarmos o quanto estamos dispostos a nos abrirmos e compartilharmos. Será, por outro lado, que não estamos precisando nos isolarmos um pouco e meditarmos a respeito de algo? Abandonar ressentimentos, não ficar alimentando fantasias mórbidas, nem ficar “emburrado” pelos cantos e procurar soluções positivas e criativas parece ser um bom começo para uma agradável mudança.
Tenham todos um reparador e bem-humorado domingo!
Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan
terça-feira, 2 de março de 2010
Carta do Dia: 7 DE ESPADAS
Amanhã, dia 3 de março, estréia no Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, o musical “A Gaiola das Loucas”, baseado na peça homônima do francês Jean Poiret. Não é a primeira vez que essa peça é apresentada no Brasil, tendo feito muito sucesso há mais de 30 anos. Porém, é a primeira montagem do espetáculo em sua versão musical, nos mesmos moldes da Broadway.
Miguel Falabella (Georges) e Diogo Vilela (Zazá/Albin) dão vida ao casal de homossexuais, donos da mais famosa boate gay de St. Tropez, na Riviera Francesa. Ambos vivem juntos há 20 anos numa casa que faz fundos com o prédio do cabaré e Zazá é a estrela principal dos espetaculares shows de transformistas que lá são apresentados.
Um belo dia, Jean-Michel, filho de uma única relação hetero que Georges teve com uma bailarina, e que não quis assumir a criança, que acabou sendo criada pelo casal gay, anuncia à sua pequena família que vai se casar com a filha do presidente do partido político mais conservador da França. Entre as promessas de campanha desse bastião dos valores da Família, Tradição e Moralidade está a de acabar em definitivo com os homossexuais que frequentam as famosas praias francesas.
O momento para esse partido está péssimo, pois um dos mais importantes políticos do partido teve um enfarto enquanto mantinha relações sexuais com uma prostituta. A imprensa persegue incansavelmente o presidente do partido para obter explicações. Ele, por sua vez, vê no casamento da filha, com um rapaz que ele acredita pertencer a uma das mais tradicionais e respeitáveis famílias do sul da França, uma forma de abafar o escândalo instalado com a falta de moral e princípios do falecido companheiro, e assim restabelecer a ordem, o respeito e a integridade dentro do partido e desviar a atenção da imprensa.
Enquanto isso, o caos parece se instalar dentro da casa de Georges e Albin/Zazá, pois o rapaz explica que nunca teve a coragem de dizer aos seus futuros sogros a respeito da real condição de seus “pais”. Apenas a sua noiva, mais jovem e compreensiva, sabe que ambos são gays, donos de um estabelecimento gay e que Zazá/Albin é um transformista famosíssimo. Como os futuros sogros estão vindo de Paris para conhecerem os pais e formalizarem o noivado e agendarem as bodas, é preciso fazer com que eles acreditem que a estória que ele contou de pertencer a uma família solidamente estruturada no convencionalismo, seja crível. Para tanto, Albin precisa desaparecer, levando consigo seu alter ego, Zazá, e, já tendo entrado em contato com sua mãe verdadeira, a quem nunca viu, ficou combinado dela viver seu verdadeiro papel por uma única noite, durante o jantar de apresentação entre as duas famílias.
Albin/Zazá, que criou o rapaz com o carinho de uma verdadeira mãe, sente-se ofendidíssimo(a). O rapaz decide também que toda a decoração da casa precisa ser urgentemente trocada, para que o efeito de monástica austeridade impressionem os futuros sogros e reforcem a idéia de rigorosa moralidade e profunda religiosidade dos seus pais. E, principalmente, que a porta de passagem que dá acesso aos bastidores da boate esteja permanentemente trancada e que nenhuma menção se faça a respeito.
Bom, não vou continuar a contar o restante dessa hilária comédia que certamente irá ter, outra vez, uma longa carreira de sucesso, agora em nova roupagem. Há que se assistir para saber-se como essa trama, tão bem construída e tão pirotecnicamente transportada para o palco, se resolve. Só posso afirmar que a solução é tão surpreendente quanto se pode esperar de um inteligentíssimo jogo de ilusões, de enganos e de mentiras.
A situação que a peça descreve é uma situação tipicamente 7 de Espadas, pois é o uso do raciocínio, a criação de formas mentais, a utilização de recursos mais ou menos amorais para se obter os fins desejados. O florentino Nicolau Machiavelli (1469 – 1527) teve a sua defesa filosófica da relação Estado/Indivíduo definida com a famosa expressão “o fim justifica os meios”, onde o fim último é o Estado, a que tudo deve ser subordinado, tanto os indivíduos como todos os valores, até os morais e religiosos. Contrariando Machiavelli, em condições normais os meios empregados para a obtenção de determinado resultado deveriam ser sempre justos, verdadeiros, claros, transparentes, objetivos, realistas. O 7 de Espadas, porém, nos fala daquelas ocasiões na vida onde nos vemos confrontados com a possibilidade de nos valermos de recursos e agirmos de maneira tal, para fazer valer nossos interesses, que, dadas outras ou melhores circunstâncias, não o faríamos.
Isso não significa que essas atitudes sejam sempre negativas, ou amorais, mesmo desprezíveis. Às vezes é necessário que manipulemos algum conhecimento, façamos uso de algum talento que supúnhamos não ter, e sem prejudicar a ninguém, nem inclusive a nós mesmos, atingirmos os objetivos pretendidos. Fazemos frequentemente quando preenchemos currículos onde exaltamos qualidades não tão evidentes. Ou quando floreamos o nosso amor pelos animais para sermos simpáticos à linda atendente do pet-shop. Até mesmo quando imploramos por um ingresso para aquele show, nos declarando fã de carteirinha da cantora, só para ficarmos ao lado da pessoa em que estamos interessados e que é, realmente, fã da tal cantora. Quer mais uma? Quando preenchemos fichas de planos de saúde e declaramos nunca termos tido uma dor de cabeça na vida.
Mas, as pessoas mais impressionáveis costumam ver nessa carta, quando surge numa leitura de tarot, uma imagem altamente negativa, de traição, de ser ladino, falso, de agir nas sombras, de roubar ou ser roubado, de fugir na calada da noite carregando o que conseguir. Também uma idéia de planos fracassados, de ostracismo, de fuga às responsabilidades e de não querer enfrentar as verdades estão implícitas nessa carta. Portanto, o mais importante a fazer quando ela aparece numa jogada, é estabelecer-se de que lado está o consulente, e isso pode ser definido com a análise das cartas que lhe acompanham. É ele vítima ou vilão? É um aviso para que fique mais atento e preste atenção redobrada às pessoas de suas relações ou situações que estão sendo vivenciadas e que podem, em ambos os casos, virem a lhe causar decepção? Ou será que é um alerta para que não se deixe levar por uma falsa idéia de esperteza, de querer levar vantagem em tudo, e acabar se deixando envolver num redemoinho de mentiras, ansiedade e culpa?
O político frances da peça, percebe que os membros de seu partido não são possuidores de todas as virtudes que apregoam, e tenta burlar a opinião pública, em primeiro lugar evitando confrontar-se com os repórteres e, depois, utilizando-se do casamento da filha para “vender” uma imagem idealizada de pureza (supõe-se a filha ser virgem) e união (entre “iguais”, pessoas de mesma estatura de valores).
O filho, em nome do amor que sente pela moça, e pelo interesse de evoluir na carreira (afinal, uma “mãozinha” do sogro político influente sempre ajuda…), cria uma rede de mentiras, inventando uma família “ideal” aos olhos dos sogros, mas que ele nunca teve. Até a própria “mãe” que o criou (Albin/Zazá) ele repudia em favor da mãe biológica, de quem nunca recebeu a menor dose de amor, desde que ela o ajude nesse momento. Na verdade, ele é o mais manipulador, corrupto e amoral entre todos os personagens da peça. Faz e usa de tudo e de todos para atingir seu objetivo sempre, é claro, usando o amor como desculpa.
A boate, chamada de “Gaiola das Loucas”, seus artistas, seus shows e seu público, são a própria representação da ilusão, da fantasia, da mágica, dos subterfúgios, das trocas de identidades, onde os sexos se dissolvem, não se sabendo quem é quem ou o que. Toda essa fantasia noturna disfarça ou ameniza a realidade, empenhados que estão, todos, em recriá-la diferente, mesmo sabendo que estão enganando a si mesmos.
A jovem noiva concorda em colaborar com o verdadeiro teatro montado pelo rapaz, por interesse próprio, ou seja, na realização de seu casamento com uma pessoa que se seus pais conhecessem de verdade, nunca aceitariam como genro. Com o casamento ela se livra do jugo opressivo e castrador da família.
Georges concorda, por amor ao filho, em participar do jogo, fingindo ser quem não é, negando fazer o que faz, mesmo que isso venha a magoar profundamente o companheiro de tantos anos.
Talvez o único que se mantém íntegro, do começo ao fim, seja mesmo aquele que nada quer para si próprio, além de poder amar, ser amado e ser a grande estrela dos shows dos quais participa. Albin/Zazá, que já é uma perfeita fusão do real com a ilusão é, quem sofre as consequências de toda essa trama, espelho que é de toda essa situação. E também como não poderia deixar de ser, no último momento cabe a ele encontrar uma saída. Ainda que seja mais uma mentira, mais um golpe, mais uma tentativa de desviar os olhares da verdade.
Se quiserem ver, de uma maneira bastante humorística, numa trama inteligentemente desenvolvida, o 7 de Espadas em plena ação, onde nada é o que parece ser, não deixem de assistir a esse grandioso espetáculo.
A todos, um excelente dia e ao competente elenco da “Gaiola das Loucas”, muita M….!
Foto de Miguel Falabella e Diogo Vilela: Jornal O Globo (divulgação)
Ilustração: Tarot de Osho
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Carta do Dia: A LUA
Quantas vezes já ouvimos alguém dizer que fulano ou sicrana vive no mundo da lua? Ou nós mesmos, quando nos pegamos com aquele olhar de devaneio, pretendendo estarmos lendo, mas completamente alienados, olhando para páginas de livros ou revistas enquanto filmes e mais filmes são exibidos no cinema da nossa imaginação… E as vezes, então, no meio daquela festa, no calor da pista de dança, no escuro da boite, acreditamos ter encontrado o grande amor das nossas vidas e que nos fala tudo aquilo que queremos, há muito, ouvir. Tudo isso para, na manhã seguinte, desaparecer junto com as últimas sombras da noite, deixando-nos numa profunda depressão, desiludidos e desencantados com tudo e com todos.
Então podemos falar que estamos vivendo ou falando da Lua, esse misterioso arcano, talvez o mais rico em simbolismo dentro de todo o tarot.
Sabe aquela antiga expressão que diz que à noite todos os gatos são pardos? Pois é. À noite realidade e ilusão se misturam e assumem a mesma aparência. Nada é muito claro. Vemos tudo através do reflexo do sol, mas é apenas um reflexo, não é luz direta. Portanto, as coisas ficam meio que indefinidas, os contornos se esmaecem e tudo acaba parecendo mágico, fascinante, assustador, inebriante, fantástico. Caminhar ao luar é uma experiência inebriante, encantadora, romântica, ainda que muitas vezes tropecemos nas pedras que não conseguimos ver pelo caminho. Viver no mundo da Lua é viver de ilusão, deixando aflorar tudo o que habita o mais profundo do inconsciente, temendo encarar os fatos e apegando-se ao passado, aos sonhos, às lembranças evitando sempre encarar a clara e cortante realidade.
A Lua não é só dos namorados, dos amantes, mas dos artistas, dos criadores. A Lua alimenta a imaginação e possibilita a produção dos livros, dos filmes, das estórias, dos objetos de arte, das peças, das músicas que tanto nos seduzem com suas formas e mensagens. Até mesmo porque acabam mexendo com algo escondido no mais profundo oceano das nossas emoções. A Lua é água, mutável, ora ondas violentas, ora maré mansa. A Lua é Peixes: mística, intuitiva, compassiva. Fonte inesgotável de criatividade, muitas vezes em estado bruto, latente, descontrolado, necessita de um Mago que a organize, que lhe de forma e direcionamento.
Vivenciar este arcano é ir em busca de si mesmo, do autoconhecimento, da resposta ao “quem sou eu?”. É recolher-se para ouvir a sua voz interior, aprender a enxergar, através das sombras da ilusão, da maya, quem realmente somos. Em seu melhor aspecto, é deixar de projetar nos outros aquilo que não queremos ver ou reconhecer como nosso. Aquilo que não aceitamos ser e que, num ato de espelhismo (permitam que assim eu me refira) vejamos no outro o que emanamos, da mesma forma que a Lua apenas reflete a luz que o sol emite.
Conhecer-se e usar da nossa capacidade infinita de criarmos, através das fantásticas e libertas elucubrações da mente, para construir algo que nos fortaleça e que tenha uma consequência positiva no mundo real, é a melhor maneira de viver a Lua. Problema é quando ficamos presos ao “sentir”, imobilizados, sem ação, sem capacidade de “agir”, de trazer à luz as crias da nossa fértil imaginação e reavaliá-las com objetividade.
Numa leitura de tarot, dependendo sempre da localização da carta e das outras que dela se avizinham, pode significar, ciúme, angústia, egoísmo, dependência afetiva e vícios, fanatismo cego, segredos, medos, sevalgeria, insanidade, desilusões, confusão mental, fofocas, calúnia. Em seus aspectos positivos ela simboliza, energia intuitiva, sabedoria, fecundidade, gravidez, maternidade, sedução, perdão, amor incondicional.
Creio que o melhor recado dado por essa carta é a de que devemos prestar muita atenção e ouvir a todos os recados que o nosso subconsciente nos envia. Os nossos sonhos podem conter as respostas que tanto precisamos. Quando a Lua aparece numa leitura, é hora de desacelerarmos para um merecido descanso, um tempo de recuperação e de perdoar a si próprio e aos outros. Tempo de ouvir e confiar nos próprios instintos, evitando deixar-se enganar por si ou pelos outros, lembrando sempre que a Lua situa-se, dentro do tarot, entre a Estrela e o Sol. Portanto há esperança e a luz da verdade, da consciência iluminada está surgindo no horizonte.
Tenha um ótimo e criativo dia!



