segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Baralho Lenormand (Baralho Cigano): a Lua (Snapchat: ALEXCARLOS60)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Baralho Lenormand (Tarô Cigano): a Lua (Snapchat: @ALEXCARLOS60)
domingo, 21 de setembro de 2014
Quando o medo insiste em nos dominar
domingo, 22 de junho de 2014
7 DE COPAS: a vida em cor-de-rosa
Alexandre Moreira, Tarólogo
Há momentos na vida em que é doloroso enfrentar e aceitar a realidade. Queremos, de alguma forma, fugir a ela, ignorá-la, na vã esperança de que, se não lhe dermos atenção, ela desaparecerá.
Mentimos para nós mesmos, tentando com isso justificar nossos erros e também os dos outros, especialmente daqueles que nos são queridos. Nossas emoções, já confusas, ficam ainda mais, com a quantidade de maquiagem com que procuramos “melhorá-las”. Disfarçamos frustrações, optamos por não vermos e nem ouvirmos os fatos, travestimos desilusões em “tudo vai dar certo, eu sei!”. Não vai, nós sabemos.
O 7 DE COPAS pode ser visto como a carta do tarot que nos fala dessas fantasias, sentimentais ou não, que criamos para suprir o que a realidade não nos oferece. Ao invés de encararmos a verdade como ela é, e assim termos condições reais de lidar com ela, fugimos a isso através de delírios de imaginação. Douramos a pílula. Colocamos lentes cor de rosa sobre nossos olhos. Nos alienamos na inútil tentativa de sobreviver, esquecendo que sobreviver é viver em condições precárias, insatisfatórias, frustrantes, não dignificantes.
Há que se abandonar as fantasias tolas, infantis, embriagantes, totalmente irreais para que possamos ter elementos reais, verdadeiros que nos possibilitem trabalhar em favor da concretização dos nossos sonhos, nossas ambições, nossos ideais, nossos projetos. Devemos desejar sobre possibilidades plausíveis, em bases sólidas ou, pelo menos, coerentes. Basta de “tapar o sol com a peneira” ou de pingar o “colírio alucinógeno” que apenas prolonga a ilusão, destruindo nossa capacidade de raciocinar, de planejar, de concretizar. Aproveite esta nova semana para dedicar-se a por um fim em fantasias que nada mais fazem que embotar a sua capacidade de viver a realidade de forma plena, satisfatória. Ser criativo não significa ser delirante. Não permita que sua imaginação lhe crie obstáculos concretos através de falsas promessas. Viva, intensamente, seus sonhos, mas não se deixe iludir por quimeras.
(Este texto foi extraído do site www.50emais.com.br da jornalista Maya Santana, onde todos os domingos comento uma das 78 cartas do tarot)
quinta-feira, 20 de março de 2014
A Lua: mistério e ilusão no Arcano XVIII
Fonte:
http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br/2014/03/a-lua-misterio-e-ilusao-no-arcano-xviii.htmlPOLAROIDES DA ALMA: A Lua, mistério e ilusão no Arcano XVIII
sábado, 29 de maio de 2010
Carta do Dia: 3 DE OUROS
A tia a esperava na porta da casa. Foram, novamente, muitos beijos e lágrimas, entre parentes que eram praticamente estranhos pois ela era muito pequena quando a tia deixou a vila no sertão e veio “tentar a vida” no sul-maravilha. Mas era uma doce senhora, muito afetuosa e que lhe recordava, vagamente, a falecida mãe. Levou-a, mancando pois estava com uma perna engessada devido a um tombo no trabalho, para conhecer toda a casa, apresentou-a a uma das primas, pouco mais nova do que ela mesma, e conduziu-a ao quarto que iria repartir com uma outra filha dos 3 que a tia tivera. Enquanto ela entregava os presentes que os parentes enviaram e contava da morte do pai, da irmã que ficara sozinha no sítio, ia se acostumando ao quarto, à presença da tia e da prima que a olhavam com curiosidade e ternura.
No início da noite chegou sua companheira de quarto, a prima da sua idade que trabalhava com a tia para uma família muito rica que morava no melhor bairro da cidade. A tia há muitos anos era a cozinheira da família e a filha começara a trabalhar como arrumadeira. Com o problema da queda e consequente fratura da perna da tia, as outras empregadas estavam “quebrando um galho”, cozinhando da maneira que sabiam e cumprindo suas outras tarefas. Foi então que ela ofereceu-se para substituir a tia, enquanto essa estivesse de licença, pois cozinhava muito bem e era uma exímia doceira, coisa que todos concordaram depois de comerem uma caixa de seus bombocados, queijadinhas, pingos-de-ovos, e outras guloseimas mais que havia trazido como presente.
A tia ficou encantada com a generosidade da sobrinha e foi para a sala telefonar para a patroa falando dessa possibilidade de substituição, enquanto as moças ficaram no quarto trocando informações e confidências. Falaram, é claro, do que faziam, do trabalho, com o que sonhavam, de rapazes, de festas, de passeios e shopping centers. Ela a tudo ouvia curiosa e com o coração aos pulos. A tia voltou da sala toda sorridente dizendo que a patroa concordara dela ir, no dia seguinte, fazer uma experiência, pois estava desesperada, não aguentando mais as reclamações do marido e dos filhos em relação à comida que as outras empregadas estavam se esforçando em preparar. Todas ficaram felicíssimas e, minutos depois, enquanto assistiam a mais um capítulo da novela, ela só conseguia pensar em como estava feliz. As coisas estavam indo muito melhor do que ela mesma poderia supor. No mesmo dia em que chegara a possibilidade de um emprego caiu-lhe nas mãos. E, o que era o melhor: para fazer aquilo que mais gostava, cozinhar.
Naquela noite as 3 primas demoraram a dormir, pois não conseguiam parar de trocarem informações, combinarem mil passeios juntas, ela querendo saber tudo sobre a grande cidade, e as primas, mais do que dispostas a lhe contarem e mostrarem tudo. Finalmente o cansaço da longa viagem se fez sentir e ela acomodou-se melhor na cama enquanto o silêncio se instalava no quarto e os sons vindos da rua calma de subúrbio iam ficando cada vez mais distantes. Fechou os olhos e pensou na irmã, naquele momento, sozinha no interior da velha casa do sítio. Sentiu saudades. Rememorou a chegada, o encontro com a tia e a família que tão bem a acolheram e sentiu-se feliz, protegida, querida. Sabia que tinha feito o que era certo, seguindo o que lhe mandava o coração. No dia seguinte iria para o seu primeiro emprego, em toda a vida e isso a deixava estranhamente ansiosa, da mesma maneira que ficava, quando era pequena, esperando pelo Natal ou pelo seu aniversário. Tinha novamente uma família onde todos se ajudavam e isso a deixava muito feliz.
Sentiu o sono, como ondas cada vez maiores, avançando. O dia seguinte seria de muitas novidades. Dormiu. Sonhou com as primas rindo, a tia cozinhando, ela ainda criança no colo da mãe, com a irmã e ela em torno dos tachos de cobre, mexendo os doces de frutas. Sonhou com a estrada poeirenta e com a cidade grande que surgia banhada de sol, imenso, dourado. Sonhou com uma cozinha enorme, toda branca, ela vestida de branco na lide com panelas de metal cintilante. Sonhou com pessoas que nunca vira e que lhe sorriam. Sonhou com um rapaz de terno que lhe estendia a mão…
Acordaram com o despertador anunciando que era hora delas se arrumarem e irem para o trabalho.
Quando um 3 de Ouros aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e com quais cartas se faz acompanhar, além da questão proposta pelo Consultante, ele pode simbolizar que ele está disposto a assumir alegre e confiantemente um serviço, um trabalho, um desafio, e que, também, está em harmonia com seu lado criativo, espiritual e prático. É uma carta que nos fala de esforço realizado em equipe, ou seja, compartilhado. Existe a possibilidade de que o trabalho venha a ser intenso e árduo, mas o Consulente está disposto a perseverar e a combinar seus esforços com outros. A equipe à qual o Consulente lidera ou participa como membro trabalha em uníssono e não há ciúme, inveja ou competição entre seus pares. A satisfação pelo dever cumprido e pelos frutos colhidos compensam toda a dedicação e empenho que o Consulente investiu para a realização da tarefa. É hora de aceitar as recompensas que o simples ato prazeroso de executar a tarefa propicia. Também simboliza o fato do Consulente conhecer bem o seu ofício e executá-lo com maestria. É sinal de um espírito determinado, que se sente motivado e que está muito satisfeito com sua carreira. O consulente é um verdadeiro dínamo na sua produção e acredita no que está fazendo.
O aspecto negativo que podemos entrever quando o 3 de Ouros aparece mal posicionado ou dignificado é o fato do trabalho não estar sendo realizado da maneira prevista ou necessária, com risco do Consulente ser despedido ou rebaixado de posto, e ele mesmo está insatisfeito e aborrecido com o seu desempenho. Pode significar falta de talento ou habilidade para o cumprimento da função ou da tarefa, ou não estar preocupado com a qualidade do produto final. Dificuldades de arranjar um emprego. O grupo de trabalho não se entende ou então existe muita rivalidade, competição, desavenças entre seus membros. O Consultante pode estar querendo realizar sozinho todo o trabalho e acabar falhando pela sobrecarga de esforços.
Se há um conselho que essa carta pode nos dar creio que é o de buscarmos sempre um trabalho ou um serviço que requeira o melhor de nós. Não peçamos apenas aquilo que queremos, mas sim o que o Universo e as demais pessoas querem de nós. Só assim nossas vidas serão mais intensas, alegres e recompensadoras.
Neste sábado, sob a regência de Saturno, que simboliza os limites que devemos impor a estrutura que desejamos construir para que não nos percamos num turbilhão de idéias disformes, e com a Lua Cheia na casa de Capricórnio, é um convite para que assumamos posturas sólidas e realistas. Não há porque ficar divagando e nada realizar. Aproveitemos, também, para comemorarmos com nossos companheiros de trabalho o progresso, qualquer que seja, que tenhamos obtido juntos e é também uma boa ocasião para perdoarmos aqueles do grupo que não tiveram a capacidade de desempenharem suas funções com o mesmo entusiasmo que tivemos.
Tenham todos um final de semana de muito companheirismo e celebração!
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, F. J. Campos
terça-feira, 6 de abril de 2010
Carta do Dia: A LUA
“Escrevo sobre o que me assombra.” – Lya Luft
“Gosto de ouvir o mar me dizer coisas que eu sonhei, sem saber.” - Herbert Vianna
“A obra de arte, fundamentalmente, consiste numa impressão objetiva duma impressão subjetiva.” – Fernando Pessoa
“Antes de um início brilhante é preciso que haja caos. Antes que uma pessoa brilhante inicie algo importante é preciso que pareça tola para os demais.” – I Ching
“O pensamento é apenas um lampejo entre duas longas noites, mas esse lampejo é tudo!”. – Henri Poincaré
“Tenho fases, como a lua. Fases de andar escondida fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha”. – Cecília Meirelles
Reunidos noutra noite, conversávamos sobre os processos de criação. Ou melhor, grupo de amigos curiosos que somos, queríamos saber, de um famoso escritor ali presente e de um outro amigo, talentosíssimo artista plástico, qual era, em termos bem simples e práticos, os seus respectivos processos de criação. Na verdade estávamos curiosos em saber de onde vinham aquelas idéias que, depois de escritas ou pintadas, passavam a ser colecionadas, mencionadas, discutidas e acabavam servindo de inspiração para muitas outras pessoas. Qual é a origem daquele manancial que, a nós, parece inesgotável e que nos fascina por dar vida a formas e imagens mentais que nunca nos ocorreram de forma racional, mas que, em alguns casos e em determinados momentos, parecem ser velhas conhecidas, existindo há muito dentro de nós.
Confesso que acabo sempre bastante frustrado quando esse tipo de questionamento surge pois as respostas costumam ser muito mais evasivas e voláteis que a própria idéia de inspiração que possuo. Sempre anseio por ouvir uma fórmula mágica, alguém que revele “o pulo do gato”, algo que possa ser aprendido e copiado. Algo que fuja às explicações que se equilibram entre o misticismo e a poesia, que respondem sem responder de fato. Que, sendo tão criativos em seus argumentos, fazem de suas respostas algo também… inspirado.”
“Muito simples”, disse o pintor. “Tranco-me sozinho no atelier e, sem pensar especificamente em nada, começo a brincar com as tintas e os pincéis, sem compromisso, sem a obrigação de estar criando uma obra-prima. Aprendi a abrir-me à fantasia, pura e simplesmente. Sem pudores”.
“Quando começo a escrever, não tenho exatamente consciência de onde pretendo chegar. Não tenho um enredo, uma estória, uma trama elaborada. Escrevo quase inconscientemente, sem assumir nenhuma responsabilidade com o assunto ou os personagens”. E, continuando, nosso amigo escritor explicou que muitas vezes a idéia brotava de um simples fragmento de sonho que tivera, ou mesmo da lembrança de algo que ele já nem mais sabia com certeza se tinha vivenciado ou ouvido em algum lugar. “No começo, sou um mero espectador, atento porém silencioso, buscando encontrar algum sentido naquelas palavras que vou digitando na tentativa de delinear flashes de pensamentos. Depois, se sinto que o caminho está correto, os próprios personagens e as situações vão contando suas estórias. Sou um mero escrivinhador, um organizador dessas vidas imaginadas. Fico no controle, mas não os censuro em momento algum. Minha mente racional é a gramática, a estória é um sonho consciente”.
“Eu, às vezes, estou cochilando na frente da TV e, quando desperto assustado, uma impressão de cor, uma forma parece tomar conta da minha mente, como se eu tivesse sonhado, numa fração de segundo, enquanto tento assistir ao futebol. Não faço nada para apreender aquela imagem. Ao contrário, deixo-me dominar inteiramente por ela. Permito que ela me envolva, me instigue, me assuste e me faça querer decifrá-la. No dia seguinte, ou algum tempo depois, ela volta mais forte, mais poderosa, mais definida e eu sei, então, que ali está a resposta ao enigma da minha visão. Tenho em minha mente um quadro pronto,” comunicou-nos com a maior simplicidade, nosso caro pintor, “basta apenas reproduzi-lo na tela”.
Penso nessa nossa conversa todas as vezes que tiro a carta da Lua, numa leitura ou para meditação. Nela está contido todo o mistério , os sonhos, as imagens que nos assombram e os mitos que pelos quais nos guiamos. A Lua é o elo de ligação entre a inspiração e o processo visionário da Estrela e o novo, criativo e brilhante dia prometido pelo Sol. Se somarmos o número dessa carta (18 = 1+8= 9, o Eremita), temos o mergulho do auto-conhecimento, a necessidade de iluminar as trevas interiores, a revelação das verdades. É o mundo da mágica, da ilusão (1 = o Mago) onde precisamos nos utilizar da lógica e da busca da verdade (8 = Justiça) para fazermos a transição desse mundo das sombras (a Lua) para o da luz (o Sol).
O poder da Lua revela partes de nós que normalmente são mantidas escondidas, pelo menos da nossa auto-imagem consciente. A letra hebraica adotada por diversas ordens místicas para esse Arcano e Tzaddi, que significa “anzol”. O próprio desenho da letra lembra um peixe sendo fisgado no mar. Agora, como o mar representa as energias amorfas do inconsciente, o peixe acaba simbolizando essa energia tomando forma. O anzol é a mente entrando nos grandes mistérios guardados pela Sacerdotisa e expondo idéias, conceitos, a beleza dos padrões estéticos. Sendo uma carta mística, ela nos transporta para dentro de uma realidade sagrada que fica muito além dos sentidos e percepções ordinárias.
O signo de Peixes, associado com os sonhos e as experiências psíquicas está associado à Lua, que, astrologicamente rege o signo de Cancer, cujo símbolo é um caranguejo. Na maioria das cartas que representam o Arcano XVIII temos a figura de uma lagosta (animal de sangue frio, cuja carapaça rígida é o seu próprio esqueleto e é um dos animais que menos evoluíram através dos milênios) e que nos remete à idéia de investigarmos o fundo do mar do nosso inconsciente permitindo que, com a força de atração exercida pela lua, emerjam segredos, ansiedades e temores bem guardados. Assim como as garras de uma lagosta podem agarrar e prender firmemente algo, também uma imagem, um sonho, uma ilusão, uma fantasia pode emergir das profundezas e tomar conta de nós com bastante força. Além de ser a carta de sonhos que podem nos aprisionar, a Lua é também a carta dos mitos. Os mitos, como os sonhos, são verdadeiros quando nos tocam de uma maneira que não pode ser explicada de forma racional.
Sócrates, mencionado por Platão, dizia que enquanto acreditamos estarmos vivendo na superfície do mundo, na verdade nós vivemos abaixo dela, incapazes de vivenciar o seu esplendor devido à forma que vivemos o nosso dia a dia. Ficamos, assim, impedidos de experimentar, dentro e fora de nós mesmos, a teia de beleza e significados que une cada partícula que compõe o Universo e que nos conecta a ele. O próprio Platão dizia que vivemos numa caverna acreditando que as sombras que vemos projetadas nas suas paredes seja a realidade, quando o mundo real está fora daquele esconderijo.
A Lua pode simbolizar, portanto, numa leitura de tarot, uma período em que a imaginação do consulente está muito ativa, proporcionando-lhe fantasias, pesadelos, devaneios. Esperanças e medos podem estar exagerados, indo e vindo incessantemente, pois é comum que, sob a influência lunar, as emoções fiquem exaltadas. O consulente pode estar mais preocupado com seus sentimentos e emoções do que com assuntos mais práticos como, por exemplo, trabalho. Essa é uma fase em que a pessoa sente-se inclinada a canalizar essa força imaginativa numa atividade criativa, mas essa energia é caótica, difícil de ser direcionada, distante da disciplina artística ou dos rigores da técnica. A Lua pode estar simbolizando, também, uma necessidade de vivermos algumas fantasias, de nos abrirmos para novos sentimentos e sensações e até ao medo, ainda que devamos compreender que essa carta não representa, necessariamente, experiências assustadoras. Numa tiragem esse Arcano pode ser indicativo de que o consulente está controlando demais suas emoções e que necessita deixá-los manifestarem-se mais livremente. Se a carta do Eremita estiver próxima à da Lua, pode estar enfatizando a necessidade da pessoa ficar sozinha e explorar melhor as suas visões, deixando correr livre a imaginação. É também um carta indicativa de gestação, de gravidez.
Se a carta da Lua sair numa posição de obstáculo, ou noutra em que deva ser interpretada como invertida, ela pode estar alertando o Consulente que está na hora de retornar ao mundo real e dedicar-se a atividades mais “solares”, percebendo o mundo por uma ótica e experiência mais real. Assim como a lua passa por fases distintas, de crescente a cheia e, outra vez, a nova, nós também vivemos a Lua em intensidades diferentes durante a vida. Também deve-se considerar a possibilidade, ao retirar-se esse Arcano, numa jogada, que o Consulente está conscientemente bloqueando o seu inconsciente, impedindo de deixarem vir à tona as visões e emoções que estão se formando, talvez por medo de enfrentá-las. A Lua também representa, e muito apropriadamente, pessoas que exercem trabalhos ou atividades noturnas, bem como aqueles que não abrem mão de uma “balada”, ou que assistem televisão até altas horas até dormirem, numa tentativa de bloquearem sentimentos, pensamentos ou imagens do inconsciente. É evidente que sempre temos que levar em conta a questão formulada pelo Consulente, bem como o lugar que a carta ocupa na disposição escolhida e das demais cartas que a seguem.
A Lua Minguante que começa hoje representa o processo de finalização de um ciclo e, portanto, é um ótimo momento para revermos assuntos que ficaram pendentes. Estamos mais propícios a relevarmos erros cometidos por nós ou contra nós, pois nossa agressividade também fica em baixa. Capricórnio é onde a lua está entrando e não devemos esquecer que esse animal emergiu das águas do inconsciente para atingir uma alta racionalidade. Portanto é um bom momento para darmos ouvidos à nossa voz interior, à nossa intuição e prestarmos muita atenção aos nossos sonhos e às imagens mentais e sentimentos que tivermos. Ficar receptivo e, calma e tranquilamente, buscar um significado que possa ajudar na própria evolução. A escuridão lunar é apenas o prenúncio do Sol que está se preparando para, inevitavelmente, renascer.
Uma ótima e inspirada terça-feira para todos!
Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)
quinta-feira, 4 de março de 2010
Carta do Dia: 9 DE ESPADAS
Janeiro passado, um casal de primos meus mandaram seus filhos para um acampamento de férias promovido pela escola que frequentam. Passaram semanas checando as condições do local, em termos de segurança, higiene e conforto; conversaram com diversos outros pais cujos filhos lá estiveram anteriormente; falaram com professores e conselheiros da própria escola e, finalmente, despacharam a garotada para duas semanas no tal acampamento.
Foram, na verdade, duas semanas de noites insones, com os dois acordados, preocupadíssimos, sentindo as piores intuições sobre o que poderia vir a acontecer às crianças “naquele fim de mundo!”, como não paravam de repetir. Trocaram acusações, se auto-flagelaram ao máximo, sentindo-se culpados por tudo o quanto os jovem pudessem vir a sofre, pelas profundas marcas que aquelas duas semanas causariam em suas vidas como adultos.
As crianças voltaram felizes, alegres, cheias de aventuras para contar. Meus primos estavam em frangalhos. Arrasados, dormindo algumas horas à base de poderosos calmantes, cansados de discutirem e se acusarem reciprocamente.
O marido de uma grande amiga desde os tempos de faculdade é piloto de avião comercial. Passa a maior parte do tempo fazendo as linhas internacionais de uma companhia aérea brasileira. Desde o 11 de Setembro, quando houve aquele “ataque aéreo”, como ela costuma descrever os ataques terroristas às torres gêmeas em Nova Iorque, ela não encontrou mais paz. Não consegue dormir, não relaxa em lugar algum, largou o curso de línguas que fazia devido à ansiedade que não a deixa ficar parada num único lugar por mais de 15 minutos e quintuplicou a conta de telefone, checando o marido onde quer que ele esteja.
O marido sente-se infeliz por ser o causador de tamanho estresse na mulher que ama. Entretanto, seria uma atitude inconsequente, neste momento da sua carreira e dos compromissos de vida de ambos, que ele largasse a aviação comercial. A mulher chora, ora e vigia os telejornais aguardando por notícias de catástrofes. Dia e noite.
Todas essas pessoas viveram, ou vivem, à sua maneira, seus mais terríveis pesadelos convivendo com a idéia de perda, de sofrimento, abandono, culpa, sofrimento e dor o tempo todo.
O 9 de Espadas é uma carta que simboliza, entre outras coisas, a angustiante e opressora sensação de que algo terrível está por acontecer e essa idéia fixa acaba sendo alimentada pela própria mente que a cria. Perde-se a noção da realidade, da plausibilidade, da dimensão exata do problema ou da situação. Tudo cresce a tal ponto que ocupa praticamente toda a mente, garantindo que se instale a confusão, as contradições, o desentendimento, a falta de direcionamento e a recusa em ver os fatos como realmente são. A pessoa, com medo de enfrentar seus terrores face a face, procurando clareá-los à luz da razão e da lógica, torna-se vítima de sua própria mente predadora.
Essa carta tem uma conexão muito grande com a idéia de ciclos que se repetem, voltando sempre à idéia original. Basta que peguemos o seu número, 9 (nove) e o multipliquemos por qualquer outro número (experimente!), reduzindo-o em seguida à unidade. Voltaremos, sempre, a obter o 9 original!
7 x 9 = 63 (6=3=9) = 9
81 x 9 = 729 (7+2+9=18 1+8=9) = 9
258 x 9 = 2322 (2+3+2+2=9) = 9
Interessante, não é mesmo? Esse ciclo energético em conjunto com as chaves simbólicas do naipe de Espadas, jogam uma luz sobre como vivenciamos a natureza repetitiva e cíclica dos nossos mais profundos pensamentos. E por falar em “jogar uma luz” esse também é o número da carta do Eremita, o Arcano que simboliza uma busca interior, um estado de isolamento em busca do auto-conhecimento, de procurar em si mesmo as respostas, da necessidade de saber a verdade a todo o custo. O 9 de Espadas é uma verdadeira distorção da simbologia desse Arcano Maior, na sua ânsia de esconder-se da luz clara da razão e permitir que apenas um torvelinho de imagens, conjecturas, suposições e análises distorcidas sobreponham-se à realidade.
Portanto, quando essa carta surge numa tiragem de tarot, dependendo sempre da sua posição e das demais cartas que a acompanham, além da questão que gerou a consulta, pode, também significar isolar-se com os seus problemas; desiludir-se; não ser flexível na maneira de pensar e agir; preocupações exageradas; sentir-se vulnerável; arrepender-se de algo feito ou dito no passado; discussões com a mãe ou a sogra; insônia; possibilidade de aborto; sofrimento; sofrimento. O aparecimento dessa carta quase sempre é um aviso para estarmos atentos ao fato que as preocupações demasiadas com as pessoas amadas e os sofrimentos da alma são comuns quando o Ego-Mente se investe de tanto controle e dominação que não leva em conta o fator humano. É a carta que nos recorda que é necessário acordarmos desse pesadelo e tratá-lo como tratamos os pernilongos que possam incomodar o nosso sono:
- Localize-os e encare-os,
- Elimine-os de seu sistema e de seu ambiente,
- Previna-se de outro surto substituindo esses pensamentos ou crenças por outros muito mais límpidos e elevados.
Aproveitem a claridade do dia de hoje para se deixarem iluminar pelo sol e fazer uma verdadeira limpeza mental. Todo mundo, inclusive você, tem o direito à felicidade. Construí-la é um trabalho individual. Comece-o agora.
Bom dia!


