terça-feira, 26 de janeiro de 2016
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
10 DE OUROS: TESOUROS DO CORAÇÃO
10 DE OUROS: TESOUROS DO CORAÇÃO
Leia o texto no meu blog POLAROIDES DA ALMA
http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br/2014/06/10-de-ouros-tesouros-do-coracao.html
quarta-feira, 24 de março de 2010
Carta do Dia: O HIEROFANTE
A Rússia do final do Século XIX e início do Século XX conheceu na dinastia Romanov a mais alta concentração de poder e domínio de seu tempo, e também a mais rica, ofuscando com suas jóias, palácios, iates, catedrais e obras de arte todas as outras casas reais européias. Reinavam sobre uma extensão de aproximadamente 15% da superfície do globo terrestre e o Czar era o representante de Deus na terra, o que caracterizava o regime autocrático. Sua vontade era lei e tinha poder de vida e morte sobre todos o povo russo, dono que era, por herança divina, dos destinos de cada cidadão. A opulência que desfrutavam desconhecia precedentes, vivendo isolados numa bolha de luxo e hedonismo que lhes embaçou a percepção de que novos tempos estavam despontando, onde esse tipo de comportamento e de uso dos recursos públicos não seria mais aceitável.
Grigori Yefimovich Novykhn, que ainda na juventude ganhou o óbvio apelido de “Rasputinik” (Rasputin = pervertido) devido à sua predileção pelas mulheres, pela vodca e pelas brigas com os vizinhos, cresceu na Sibéria, filho de humilde família de agricultores. Talvez influenciado pelo misticismo e alta religiosidade de sua terra natal, desde jovem manifestou sinais de uma capacidade premonitória, alertando para fatos futuros. Com o tempo, e decidindo-se a abandonar família e filhos para visitar locais considerados de peregrinação religiosa, tornou-se adepto de uma seita chamada Khlysty (Flagelantes), que pregava a salvação da alma através do ato sexual. Apesar de nunca ter sido ordenado monge ou sacerdote, sua fama como “homem de Deus”, curador e vidente espalhou-se consideravelmente, tendo o povo aparentemente se esquecido de seu passado devasso e decidido considerá-lo um sábio religioso. Ele mesmo afirmava que havia recebido de um anjo uma revelação, enquanto arava a terra em sua Sibéria natal, de que sua missão seria a de curar e ajudar o seu semelhante.
Rasputin chega a São Petersburgo numa época em que a dinastia Romanov não mais gozava de popularidade entre os russos. As altas autoridades clericais, desejosas de encontrarem alguém que pudesse assumir as funções de líder e transitasse com desenvoltura e empatia entre todas as classes sociais unindo-as no seio da Igreja, encontrou na estranha, porém carismática figura desse místico a pessoa ideal. Através de uma nobre, amiga da Czarina que a ele foi atribuída a sua miraculosa cura, Rasputin chega ao palácio real onde o Czar Nicolas II e a Czarina Alexandra viviam em função da saúde de seu filho hemofílico. Não só ele passa a cuidar e recuperar o jovem herdeiro através de mantras e orações incompreensíveis, repetidas por horas a fio, como conquista a amizade e a confiança da Czarina, de quem se faz conselheiro. Em pouco tempo estende sua influência nas decisões do Czar e passa a ocupar o papel de um primeiro-ministro ou um chefe de estado. Enfim, torna-se a “eminência parda” do governo, aquela figura que é quem realmente manipula os cordéis da vida política e palaciana, mandando e desmandando e usando o real chefe de estado como seu porta-voz.
O Czar Nicolau II, voltando da I Guerra Mundial, em 1916, encontrou a Rússia numa situação calamitosa, onde a fome, a doença e o descontentamento grassavam. Outros integrantes da casa real decidiram então que era chegada a hora de dar um basta à inefável presença daquele místico no convívio com a Czarina e seus filhos e sua nefasta influência no seio do governo. Decidiram, então, assassiná-lo, tarefa essa que foi de dificílima execução pois, apesar de envenenado e baleado, Rasputin teimava em sobreviver. Finalmente foi abatido e seu corpo jogado num rio nas proximidades. Seus algozes foram beneficiados com penas como desterro benigno e sua certidão de óbito atestava morte acidental.
Mas o estrago causado pelos seus anos de influência estavam feitos. Quinze meses depois de sua morte, toda a família real foi morta pelos revolucionários bolcheviques, declarando assim o fim da dinastia Romanov e o nascimento de uma nova Rússia.
A figura do Hierofante pode representar uma pessoa _ um guru, um conselheiro, um mestre, um professor, um mediador_ alguém que poderá nos dar bons conselhos e ser de confiança. Rasputin é um exemplo do lado “sombra” desse Arcano. Vemos, através da história e em todos os países e continentes, figuras como essa, que subreptíciamente comandam a vida e o destino de milhões utilizando-se de poderes e ligações, utilizando como porta-vozes de suas discutíveis, senão abjetas orientações, os poderes legalmente constituídos. Vemos isso, na atualidade, por exemplo, na figura de líderes religiosos que comandam execuções em massa, incentivando ataques terroristas, prometendo o Paraíso para quem assassina em nome da fé. Na manipulação da opinião pública feita pelos meios de comunicação quando não conseguem serem verdadeiramente autônomos dos poderes governamentais ou instituições a quem prestam serviços. Quem se interessar em ler “1984”, o fantástico e bastante premonitório livro de Georges Orwell, irá encontrar essa figura na pessoa do “Big Brother”, o Grande Irmão”, verdadeiro arauto de verdades, de presença quase que imaterial, e que manipula a história e a forma de pensar dos cidadãos para melhor atender aos interesses do Partido. Leitura obrigatória!
Felizmente, entretanto, muitos são os exemplos positivos desse arquétipo e, entre eles, podemos citar, para ficarmos na área das artes, a daquele professor simpático, entusiasta, pronto para se doar inteiramente na condução de seus alunos à descobertas que lhes sejam importantes. Estou falando de John Keating (interpretado por Rob Willians), o não-convencional professor do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Esse verdadeiro e iluminado mestre insiste que os alunos encontrem e discutam novas possibilidades acerca do mundo em que vivem e dos parâmetros de disciplina e comportamento que lhes são impostas. A quebra de barreiras impostas pela sociedade, família e instituição, é incentivada por John Keating no intuito de despertar nas jovens mentes novos sentimentos, inclusive o de valorização da própria vida, o que justifica a expressão “carpe diem” através do filme. Ser conformista, aceitar verdades sem discutí-las ou averiguar sua validade, legalidade, função e procedência, não deve ser uma atitude a ser adotada.
Quando o Hierofante (ou Papa) aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição no esquema de jogo e das demais cartas que o acompanham, além da questão formulada pelo consulente, pode significar um tempo em que os padrões tradicionais estão exercendo grande influência. Frequentemente simboliza, conformismo, agir de acordo com o que a sociedade espera e não conforme a sua vontade, tipo quando a gente escolhe uma profissão ou casa-se com alguém que não seria a nossa escolha, mas que acaba agradando à família. Pode também significar uma forte influência religiosa, levando o consulente a modificar seu estilo de vida e suas escolhas para seguir preceitos religiosos tais como não usar preservativos ou outros métodos anticoncepcionais, não se divorciar. Submeter-se a regras impostas por grupos, organizações, clubes, escolas, universidades e até mesmo à burocracia governamental e a determinadas instituições sociais como o casamento. O Hierofante é a própria instituição do casamento, com todos os seus rituais, leis e votos de fidelidade. Isso pode funcionar muito bem para muitos, representando um ato solene de compromisso. Para outros que vivem juntos, porém sem terem se submetido às formalidades, o Hierofante, numa leitura, pode simbolizar que eles criaram uma vida com o mesmo suporte emocional, material e espiritual daqueles que se uniram seguindo os padrões mais convencionais. Vemos essa dicotomia também se o assunto for ensinamentos ou estudo pois essa carta significa o valor do conhecimento e da educação. Pode estar se referindo, por exemplo, a um tipo específico de ensinamento religioso, ou espiritual, talvez de uma ordem ou seita mais esotérica. Se estiver se referindo a doutrinas e não temos a presença da Alta Sacerdotisa acompanhando-o, pode significar que essas doutrinas perderam o seu significado e valor intrínseco. O Hierofante também simboliza que ensinar é também aprender.
Quando mal dignificado numa disposição de leitura, esse Arcano pode estar se referindo a um casamento ou um relacionamento de longa data onde a paixão que o inspirava, motivava ou justificava se extinguiu. Ou estar indicando um estado de vulnerabilidade, de fragilidade, de dificuldade de adaptação do consulente. Pode estar também indicando doutrinas, dogmas ou idéias que perderam o seu significado. Muito frequentemente o Hierofante pode estar indicando alguém que não é ortodoxo, que é bastante original. Isso pode representar uma situação em que a pessoa aceita novas idéias apenas porque são… novas! Simplesmente atraída pelo frescor e excitamento da novidade. Conhece alguém que já percorreu todo o repertório de doutrinas, religiões, seitas e manifestações espirituais e que “ainda não se encontrou”? Pois é…
Uma coisa que é importante quando meditamos sobre o Hierofante e percebermos que por mais que acreditemos em determinados princípios e tenhamos fé em algo, os outros também possuem suas convicções. Respeitar essa liberdade de pensar é condição básica da própria idéia de liberdade.
Nesta quarta-feira, tendo Mercúrio como patrono do dia, o aprendizado, o conhecimento, novas maneiras de pensar, o uso da razão e da lógica, além da facilidade de comunicação estarão exaltados e altamente propícios. É tempo de ensinar, e consequentemente de aprender algo! Aproveite todas as chances que lhe forem oferecidas para desenvolver um novo conhecimento, uma nova forma de ver a vida, de compreender os seres humanos e as suas necessidades. Distribua generosamente o seu conhecimento, sem pretender que ele seja aceito como uma verdade absoluta. A Lua, em seu quarto crescente em Cancer nos faz mais vulneráveis a nos abrirmos a novas experiências, tornando-
nos vulneráveis e, de certo modo, inflexíveis. Ainda assim podemos contar com a coragem, a paixão e a impetuosidade de Áries para ultrapassarmos essas dificuldades.
Aproveitem as oportunidades que a vida lhes oferece, no momento em que essas oportunidades lhes são oferecidas. Todos os dias. Isso era o que Homero quis ensinar com o seu “carpe diem” (colham o dia), e é um sábio conselho que sobrevive há 2.000 anos.
Muita luz para todos!
Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)
domingo, 17 de janeiro de 2010
Carta do Dia: O HIEROFANTE
“Nada posso lhe dar que não exista em você. Não posso lhe abrir um mundo além daquele que existe na sua própria alma. Nada posso lhe dar senão a oportunidade, o impulso, a chave. Eu ajudarei você a tornar visível seu próprio mundo, e isso é tudo”. Hermann Hesse
A semana passada foi ocupada com a organização de um calendário de cursos, palestras e seminários, para o primeiro semestre, num espaço holístico onde presto assistência. Meu trabalho baseia-se em conversar com os profissionais de diversas áreas, para saber do conteúdo programático que irá ser a base de suas aulas, além de outros detalhes como duração, horário, fornecimento de material de apoio e complementar, custos, valores, etc Enfim, foi uma semana muito rica, para mim, pois conheci novos profissionais, ouvi deles um pouco de suas histórias, seus trajetos, suas buscas e, como não poderia deixar de ser, suas dificuldades. O ser humano ali à minha frente e o mestre (professor, facilitador, orientador _ usem a expressão que preferirem) parecia, por vezes, revelar uma distância enorme entre a pessoa e o orientador, numa total dicotomia entre a sua vivência, a sua própria experiência, suas reações e expectativas e aquilo que demonstrava saber e estava ali para transmitir.
Quando o Hierofante surgiu como Carta do Dia nesta bela manhã de domingo (aliás, essa mesma carta havia saído há uma semana, no sábado dia 9) eu a tomei como uma mensagem bastante direcionada do Universo para mim no sentido em que eu também estive, durante toda a semana que findou, projetando minhas próprias ansiedades, expectativas, lacunas, dúvidas e dificuldades naquelas pessoas com quem tive o experiência de conhecer, conviver e trabalhar junto.
Conservo, ainda, algo de muito infantil quanto à figura de professores, conselheiros, gurus, mestres espirituais, representantes de religiões ou seitas. Algo como uma reverência por um conhecimento que eu imagino que possuam e do qual nunca me conseguirei absorver integramente a sua verdade. É um sentimento de respeito, de curiosidade, de um certo fascínio e, algumas vezes, até de temor. De uma maneira extremamente primária, parece-me às vezes acreditar que eles sejam serem distantes deste mundo, com um contato direto com uma divindade exterior que os utiliza como embaixadores de suas cortes celestiais. Evidentemente, estou racionalmente consciente de que não é absolutamente nada disso.
A busca de um caminho espiritual é algo comum a todas as pessoas e presente em todas as épocas da nossa vida, inclusive transcendendo a todas as formas de religião através das quais efetuamos a nossa busca. Essa procura por um sentido de existirmos, uma resposta que satisfaça os nossos questionamentos pode ocorrer em intensidades e épocas diversas e, não podemos descartar o fato de que muitas vezes nos lançamos nessa busca quando nos sentimos mais fragilizados emocional ou economicamente. Nesse caminho o encontro com pessoas que surgem como gurus, mestres, orientadores, sacerdotes, pastores, pais de santo, presidentes e conselheiros de ordens e seitas, acaba sendo inevitável e o que me parece mais difícil e mantermos a consciência de que eles nada ensinam, pois tudo o que precisamos saber sempre esteve presente dentro de nós. Não há uma verdade que possa ser transmitida por eles que já não viva no mais profundo de nossos seres. Nós somos nossa própria fonte e suprimento de conhecimento e a função do bom instrutor, mestre, professor, guru, é a de estimular-nos a atingir essa essência, esse ponto que poderíamos chamar de espaço sagrado, dentro de nós. Nesse sentido, sim, eles são embaixadores da divindade que existe em cada um de nós e a nossa mente desperta. Como iremos realizar esse encontro, através de quais caminhos, usando de que instrumentos e rituais, vai depender do nosso estágio evolutivo e das pessoas que escolhermos, através dos diversos ciclos de nossa existência, para nos auxiliar nesse reconhecimento.
Acredito que só nos aproximamos da nossa paz interior, do nosso “centro”, quando recuperamos algo que nos foi, através dos séculos, tirado: a certeza de que somos seres divinos e que a nossa verdadeira essência é divina. O homem sempre encontrou formas de manipular o semelhante fazendo-o acreditar que Deus (ou a idéia que cada um faz da divindade) habita fora de nós, seja no céu, seja nos templos e que portanto devemos realizar essa peregrinação em busca do nosso Criador através das instituições, normas, regras e recursos que se institucionalizaram durante a evolução da nossa espécie e que, em determinadas épocas, serviram como únicos códigos éticos, morais e legais disponíveis.
Quando o Hierofante aparece numa tiragem de tarot, entre as muitas possibilidades, e sempre dependendo das cartas que lhe são próximas, da questão formulada e da sua posição no esquema de disposição escolhido, ele pode representar ensinamento, explicação, conselho, organizações estabelecidas, grupos e associações, sistema de crenças, religiões, devoção, tradição, revelação, intermediação. Pode também estar a lhe dizer que você está se recusando a desapegar-se do passado e seguir em frente, ou lutando contra restrições que pessoas ou instituições que estão impondo e até mesmo que poderá haver um encontro com um mentor espiritual.
Se a Carta do Dia lida no primeiro dia da semana estiver a indicar a energia que regerá os próximos 7 dias, podemos pensar que este arcano nos avisa que intensificaremos o nosso devotamento ao crescimento espiritual, tendo fé no divino, no espírito e no processo usado para nossa busca interior. Que nessa nossa devoção iremos nos aperceber que a revelação (hier phaine, em hebraico) do que é sagrado, é o elo entre a nossa experiência exterior e nossa iluminação interior.
O Hierofante sabe que ensinar é, antes de mais nada, aprender.
Tenha uma ótima semana!
sábado, 9 de janeiro de 2010
Carta do Dia: O HIEROFANTE
Todo mundo fazia análise, todo mundo queria ir para a Índia, todos tinham lido tudo do Castañeda, alguns já frequentavam grupos místicos, outros iam para a região de Brasília fazer contato com seres de outros planetas e, sem dizer, de todos os artistas que estavam, naquela época, na mídia, e que saíam entortando garfos, facas, tampas de leite Ninho ao mero gritar de um “Rá”!
Deixei a reunião com uma certa nostalgia por uma época que pretendíamos estar “por dentro” de tudo, absolutamente conectados com o nosso eu mais profundo, analisadíssimos, resolvidíssimos, conhecedores de todas as filosofias e praticantes da modalidade espiritual em destaque naquela semana. Um gosto de “TV Mofo” na boca.
Passei as semanas seguintes rememorando o encontro com aqueles velhos amigos e pensando em como todos nós, a todo o momento, buscamos orientação. Pensando na nossa infindável curiosidade, na nossa angústia por nos conhecermos melhor e obtermos algum sentido para nossas vidas. Às vezes vamos a extremos, e muitos nunca voltaram dessa “viagem”. Noutras épocas parecemos meio sedados pelos acontecimentos práticos do dia a dia e nem prestamos muita atenção sobre a forma que vivenciamos o espiritual em nossas ações mais corriqueiras.
O Hierofante, nossa Carta do Dia, nos fala dessa nossa ligação ente o divino (e inclua aqui a sua própria noção de divino, por favor) e a maneira como conduzimos nossos afazeres, agimos em sociedade, relacionamos com nosso grupo, estabelecemos vínculos, formalizamos compromissos, mantemos nossas tradições, nos comportamos nas mais diversas situações.
O Hierofante é o nosso mestre interior. Aquele professor, ou melhor dizendo, aquele doutor em todas as ciências, que habita dentro de cada um de nós. É a voz da nossa consciência, a nos lembrar o que é certo ou errado, mesmo que nunca tenhamos tido algum tipo de educação filosófica formal. Ele existe dentro de nós, e basta. O seu nome significa “o portador dos objetos sagrados, dos objetos de culto”. Em alguns tarots é chamado de Papa, Sacerdote, Alto Sacerdote, sempre buscando relacionar o seu simbolismo com a nossa necessidade de conectarmos nosso ser terreno com o divino, com a força da nossa fé, com nossa conduta ética, com nossos aspectos de religiosidade, com nossa incessante busca pelo que é, de verdade, importante. É o procurar saber o que Deus (e aqui, também, coloque o nome ou visualize a forma que melhor traduza o seu conceito do que as pessoas chamam por Deus) quer e espera de nós.
Claro que nessa busca de compreensão, muitos se tornam pragmáticos, se expressando através de dogmas, completamente “cimentados” dentro de preceitos exclusivos de uma única filosofia, doutrina, religião, seita, etc. Inflexíveis, vendam-se para as possibilidades de discussão com absoluto pavor de perderem o pouco de conhecimento (ou de iluminação) que obtiveram. Tornam-se duros consigo próprios e verdadeiros juízes e carrascos com todos os demais. Mas esse é o lado “sombra” do Hierofante, o seu lado negativo, o seu oposto que, afinal de contas, acaba evidenciando suas reais qualidades: a ética, a bondade, a sabedoria associada à emoção, o conselheiro moral, o professor, o analista.
Creio que como a maioria dos meus amigos reencontrados naquela reunião, eu ainda continuo em minha busca e sei que ela não tem fim, pois não há uma verdade única, estabelecida e imutável. Como todos sabem, “quando o aluno está pronto, o Mestre aparece”. A cada etapa da minha vida senti necessidade de esclarecer, experimentar e meditar sobre esse Deus que eu sei morar dentro de mim e de cada um de nós, e a melhor forma de reconhece-lo e a ele permanecer conectado. Vive grandes crises espirituais, senti-me perdido, sem razão de ser, mas a cada vez algo de extraordinário surgia na forma de um novo conhecido com um outro olhar, uma outra maneira de ver; uma nova leitura, um novo filme, uma palestra assistida assim, por acaso, mas que reacendia minhas fé.
No cotidiano, esse arcano aparece, muitas vezes na figura daquele médico que nos resgata perdidas esperanças e a vontade de viver e lutar; no professor que nos amplia as possibilidades de conhecimento através de discussão e de recursos adequados; no advogado que transformar nossas justas causas em justas causas em favor de todos, onde a Justiça é obtida através de seus mais éticos preceitos e julgamento; no cartorário, que através de contratos, carimbos, selos e assinaturas formaliza no plano legal e material o primeiro documento da nossa existência terrena como cidadão, os nossos contratos, as nossas sociedades, as nossas uniões, os nossas últimas vontades, o registro do fim de nossa vida neste plano; no sacerdote, pastor, orientador espiritual, mestre, guru que pacientemente nos ouve e nos ajuda na obtenção do mais difícil dos perdões, o do nosso próprio tribunal, para que possamos prosseguir; do psicanalista que além de nos ouvir contar inúmeras vezes nossa própria história e nossas angústias, nos persuade a descobrirmos dentro delas nossa própria essência e verdades a serem enfrentadas e aceitas por nós mesmos; daqueles avós carinhosos que, através da manutenção de rituais e tradições que, algumas vezes, nos parecem tão antiquados, tão fora de moda, nos reconectam com nossas raízes estabelecendo vínculos com os aspectos culturais da sociedade em que vivemos.
Portanto, no dia de hoje, procure estar atento às oportunidades de aprender uma nova lição, viver uma nova experiência e dela retirar algo para a sua evolução pessoal. E, por sua feita,procure transmitir algo de sua própria vivência para alguém, sem ser impositivo ou arrogante na sua possível sabedoria, mas com amor, com benevolência e paciência. Lembre-se que o Hierofante, em seu aspecto mais positivo, é aquele que nos governa pelo coração e não pela força.
Tenham todos um ótimo final de semana!
