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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Instantâneos do Tarot, por Rosa Silva

Rosa Silva é taróloga há mais de 30 anos e uma verdadeira mestra quando se trata de ensinar tarot. Tenho orgulho e prazer em ter sido seu aluno.

Seu conhecimento sobre tarot e outras artes oraculares além de amplo e extremamente rico, é sabiamente transmitido por ela da maneira mais simples e intuitiva possível. Para Rosa não há dogmas a serem seguidos, mas caminhos a serem constantemente experimentados pela singularidade de cada um que os trilha.

O texto abaixo, escrito por ela, descortina (olha a Sacerdotisa aí!) muito da sua maneira de pensar e vivenciar o tarot, de uma maneira poética, carregada de imagens arquetípicas e criando, a cada instante, analogias com aspectos da vida real.

Entrego-lhes, então, um momento, um instante, uma fotografia do tarot, visto através das lentes e filtros do conhecimento e sabedoria de Rosa Silva:

 

Tarot: Fotografias de uma memória

Fotografar é uma técnica de criação com imagens que images1remonta ao ano de 1826 e se propaga aos dias atuais com a moderna tecnologia digital, registrando memórias e criando símbolos de épocas e culturas variadas. Nas fotografias encontramos também ausências e lembranças do que se foi, porém sua representação torna-se um prolongamento do que desapareceu e o faz ressurgir como história visual do que passou.

  

Assim como as fotografias digitais, podemos dizer que estamossrishti-dances_kellystrayhorn_1 vivendo uma era visual, uma era de imagens que nos invadem nas televisões, na internet, nas mídias, nos desenhos dos sites, nas revistas, nos jornais, nas propagandas, nos cinemas e que são desenvolvidas para motivar nossos interesses e desejos, pela estimulação dos nossos sentidos visuais.

Mas imagens são imagens e bem para além dos tempos atuabotticelli-3gracesis estão presentes no mundo, quase que paralelamente ao aparecimento da espécie humana e que por mais rudimentar que seja um grupamento social, por mais isolado que ele esteja da moderna civilização, ainda assim ele produzirá imagens representativas de suas percepções, idéias e pensamentos

Fato é que podemos encontrar registros tanto arqueológicos quanto históricos, de várias civilizações que habitaram e que ainda habitaram o planeta Terra e com as suas múltiplas e facetadas formas representativas de preservação de memória, principalmente visual, incluem-se também obras grandiosas como as registradas nos desenhos rupestre nas cavernas, nas pinturas pictográficas no Egito e nos textos Maia, na iconografia dos indianos, nas esculturas sumérias, gregas, romanas, incas, astecas, nos monumentos megalíticos de Stonehenge, Palenque, Machu Picchu, nas figuras gigantescas dos geoglifos no deserto de Nacza.

Mas, não há dúvidas, de que há um ponto comum com todos eles, mmoa-the-three-graces5que são, na maior parte, representações de essências, como o movimento dos astros no céu, as forças de natureza, os fenômenos geográficos e climáticos assim como as relações sociais humanas de família, progenitura, trabalho, lazer, rituais religiosos, combates e conquistas, quase sempre descritos em mitos, contos e fábulas, que foram transmitidos oralmente e posteriormente por escrito, contando tanto relatos de deuses quanto humanos, de naturais e sobrenaturais. Nesse contexto encontramos também registro de oráculos, adivinhos, magos, bruxos e feiticeiros, com seus instrumentos de predição, onde quase sempre as imagens servem de referência para leituras e interpretações em suas configurações, seja no vôo dos pássaros, nas vísceras de animais e humanos, na observação dos movimentos dos astros no céu, nas linhas das mãos.

Chegamos assim a uma época repleta de informações contidas em imagens sugestivas e evocativas onde sugiram as cartas de Tarot, com uma iconografia que a caracteriza como máquina de associar idéias e ativar a imaginação para conjugar imagens e produzir discursos ordenados e lógicos.

Cartas de Tarot podem ser vistas como fotografias, que exercem um three-of-cupsimpacto imediato com suas formas inspiradoras capazes de expressar idéias complexas e que também são possibilitadoras de ativar o pensar visual. Como vivemos um período histórico pródigo em imagens é natural que nossa inteligência visual seja despertada e o estudo e uso das cartas de Tarot pode produzir oportunidade de se por em prática nosso pensamento visual e desenvolver nossa inteligência de percepção através de imagens.

O que há de novo é que aprimorar a habilidade de pensar visualmente amplia não apenas o nosso campo de percepção, mas também facilita a nossa capacidade de comunicação, já que imagens podem expressar-se com uma velocidade superior ao discurso verbal.

Vejamos o que é pensar visualmente um bosque florido e ter de descrevê-lo discursivamente em sua riqueza de detalhes.

O estudo e a utilização de leituras com cartas de TaroOLYMPUS DIGITAL CAMERA         t tornam-se uma grande ferramenta do desenvolvimento tanto do pensamento quanto da inteligência visual tão necessária nos tempos atuais, da informática e da comunicação visual dos computadores, celulares e vídeos-game. Pois o Tarot é também um grande “game” de memória, criatividade, rapidez de imaginação e prontidão de resolução.

 

Paz e Bem.

Rosa Silva

e-mail: rosamarsp@yahoo.com.br

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: REI DE ESPADAS

 

Arcano REI  DE  ESPADAS
Dia da Semana SÁBADO, regente SATURNO
Lua NOVA
Período PEIXES
Casa 12, regência NETUNO
Ano 3, influência VÊNUS
Era AQUARIO, influência URANO
 
Tarot__King_Of_Swords_by_blood4thine      Entramos hoje no Signo de Peixes, onde a sua natureza fluídica , hesitante, imaginativa, compassiva, maleável e mística será a influência a agir sobre todas as demais energias atuantes durante o seu período (19 de fevereiro a 19 de março). Portanto, alerta a avisos que chegam de forma direta, ou através de intuições, decidi aceitar um desafio que me foi proposto por uma grande amiga, mestra a quem devo a descoberta do verdadeiro significado do tarot. Rosa Silva, antropóloga de formação e dedicada sacerdotisa dos sistemas oraculares, onde o Tarot ocupa o lugar de predileto, apresentou-me ontem com um trabalho que vem desenvolvendo à anos para o aprofundamento da leitura dos Arcanos, utilizando-se de aspectos astrológicos e numerológicos. Essa “matriz”, verdadeira fórmula de imersão no estudo de cada carta, é um sistema por ela desenvolvido e que tive a honra de ser convidado a experimentar.
     Portanto, a partir de hoje, e sempre que possível, estarei me utilizando desse método para a Carta do Dia. Não mais estarei retirando aleatoriamente uma carta do maço, mas seguindo um plano baseado num conceito que envolve mais aspectos e redimensiona a visão do Arcano em questão. Hoje, por exemplo, é a vez do Rei de Espadas, arcano que já saiu na leitura do dia 6 deste mes (confira). Amanhã será a Rainha de Espadas, depois Cavaleiro de Espadas e assim por diante, passando todas as 14 cartas sequenciais de cada naipe, até voltarmos aos Arcanos Maiores, começando pelo Mago e seguindo até o Louco. Interessante, não? Bom, já que estamos na Casa de Netuno, uma casa de mistérios e segredos, quem sabe não é chegada a hora de começar a reconectar as postagens deste Blog com o Todo Cósmico, procurando trazer uma nova luz sobre elas, reparando erros involutariamente cometidos no passado e despertando a intuição para uma mais clara apresentação da maneira que eu compreendo e me utilizo dessas cartas.
    
     Passei as últimas duas semanas trabalhando num projeto novo, no qual tenho depositado muitas esperanças e dedicado grande parte do meu tempo. Acabei praticamente me isolando em casa, estudando, pesquisando, fazendo anotações sem fim, discutindo sozinho comigo mesmo e, às vezes, até em voz alta! Risível, não é mesmo? Pois é, eu também ri de mim ao me aperceber disso, e ao mesmo tempo, já fiquei alerta, achando estar paranóico, esquizofrênico, ou qualquer outra psicopatia da moda. Mas isso é para vocês verem o meu grau de interesse e envolvimento nesse projeto. São pilhas de livros a serem relidos, outros tantos a serem consumidos; é o manuseio nervoso de velhos cadernos, buscando informações que eu tenho certeza ter algum dia ali anotado e que, é claro, agora que eu preciso não as encontro.
   Concomitante a isso, aconteceu o tempo da angústia profunda vivida enquanto me decidia, finalmente, a dar mais essa “virada” na vida, modificar metas anteriormente planejadas, avaliar detalhadamente cada componente da oferta recebida, comparando-os ao que eu tinha como seguro, estável, acomodado, e nisso tudo, acaba-se fazendo mais um daqueles “fechado para balanço” da vida. Mais extenuante foram os encontros profissionais, onde todos os detalhes legais, burocráticos foram levantados, discutidos durante horas a fio. Concessões foram feitas de ambos os lados. Regras, normas, comando foram impostos. Outros detalhes ficaram pendentes, a serem reavaliados dentro de um prazo estabelecido. Advogados trouxeram sua orientação em inúmeras consultas, onde pré-contratos e promessas de compromisso eram redigidos, corrigidos, alterados, sob a imparcial visão da Justiça, ameaçadora com a sua espada em riste a nos lembrar da importância do compromisso que estávamos assumindo e das penalidades de toda a ordem que sofreríamos se os descumprirmos.
     Estabeleceu-se, finalmente, uma série de itens, que acabaram constituindo o corpo de um documento de aparência tão absurdamente séria, fria, distante, rígida, onde cada parágrafo soa como um novo código de leis inscritas, desta vez não em pedra, mas sobre papéis timbrados, selados, carimbados, com firmas reconhecidas, com o aval de todas as necessárias instituições que legislam, julgam e dão fé. Creio que ambos estejamos satisfeitos, assegurados dos nossos direitos e deveres após termos defendido, de maneira bastante diplomática e eloquente, as nossas posições. Cá entre nós, isso tudo é muito chato e só funciona mesmo é no cinema, onde a edição reduz a minutos o que na vida real é uma verdadeira eternidade.
     Agora, aqui estou eu digitando e percebendo claramente que eu mesmo vivi (e ainda estou vivendo) um Rei de Espadas. Isto é, uma situação claramente comparável ao arquétipo do Rei de Espadas, onde o raciocínio claro e lógico para fazer escolhas e tomar decisões, que são fundamentadas em aspectos codificados e embasados na ordem, nos códigos disciplinares, na jurisprudência, assessorado por especialistas e profissionais competentes (advogados), foram vividos intensamente. Houve muita politicagem de ambos os lados, muita diplomacia no trato e na explanação de interesses pessoais, evitando-se atitudes ditatoriais, mas procurando-se manter a necessária autoridade e controle da situação.
     Agora, utilizando a “matriz” tão generosamente fornecida pela Rosa Silva, posso ver mais claramente que o assunto (esoterismo, misticismo, oráculos) está entrando hoje em seu período mais oportuno que favorece o assunto em pauta _ tarot, astrologia, formas oraculares _(Peixes) , acabando uma fase restritiva (hoje é o último dia da Lua Nova), dentro de um ano que favorece a condução de negócios de maneira educada, elegante, com riqueza de sutilezas e bastante apaixonada (Venus) numa era (Aquario) que privilegia o idealismo, a evolução, a rebeldia, as mudanças. Saturno (afinal hoje é Sábado, seu dia) está aí para consolidar e estruturar todos esses planos, planejamentos e documentações legais, estabelecendo limites, regras e deveres, lembrando-nos, enfim, das nossas responsabilidades.
     Esse Rei de Espadas, poderoso e severo, sério e dedicado, disposto a usar a espada de seu intelecto na defesa de seus ideais e convicções, está num momento mais simpático, menos impositivo, mais sensível, disposto a ser mais misericordioso, dando atenção às suas intuições, ouvindo a sua voz interior e harmonizando-as com seu raciocínio naturalmente espartano. Não poderia deixar de ser assim, até mesmo para confirmar o que escreveu o poeta Vinícius de Moraes:

“………..

Hoje é que é o dia do presente

O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade

…………….

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos

Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas

Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo

E para não ficar com as vastas mãos abanando

Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança

Possivelmente, isto é, muito provavelmente

Porque era sábado.”