sexta-feira, 17 de novembro de 2017

5 de Ouros (Periscope/Snapchat)


Sentir-se excluído, descriminado, banido, repudiado, desvalorizado, severamente criticado ou inadequado no aspecto físico; desvalorizado, desprestigiado, desmoralizado, desprezado; deficiente; empobrecido, depauperado, desacreditado, carente (materialmente), sem condições. Fazer-se de vítima para angariar benefícios e lucros.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

"Stella Tarot": unboxing e comentário


Os japoneses são, reconhecida e merecidamente, grandes ilustradores. Não poderia, então, deixar de haver entre os produtores de decks de Tarot, no Japão, excelentes profissionais atuando com ótimos resultados. o "Stella Tarot" é um excelente exemplo da qualidade criativa e gráfica dos orientais. Um deck clássico de Tarot com imagens de grande delicadeza e profundamente inspiradoras. Criado pela taróloga Stella Kaoruko, foi ilustrado por Takako Hoei de maneira graciosa, em cores que vão dos mais suaves pastéis até os tons mais terrosos, numa demonstração de talento e sensibilidade.
A qualidade é a que se espera da editora AGM-AGMüller: excelente. Papel de alta gramatura, brilho acetinado na medida certa, tamanho regular de cartas de tarot e uma impressão primorosa. Acompanha um pequeno livreto, escrito em inglês apenas, com os tradicionais significados das cartas. Caixa de papelão tradicional para guarda do deck. Enfim, o básico e necessário.
Não é um deck que eu indicaria para alguém que prefira aqueles mais exuberantes, onde o artista usa o seu talento, energia e conhecimento de digitalização para criar verdadeiros decks que mais se parecem com modelos para figurinos de carnaval. Este, ao contrário, é "silencioso", gentil, discreto, até mesmo um pouco tímido com suas figuras delicadas e sutis. Mas a sua força como inspiração para boas leituras e interpretações vem exatamente disso: ele deixa muito à imaginação; ele não distrai o cartomante com inúmeras e inúteis firulas de habilidades tecnológicas.
Acredito que seja essa a verdadeira função de um deck de cartas oraculares: colaborar com o cartomante a mergulhar em si mesmo, no seu inconsciente, despertar sua intuição, renovar sua maneira de ver e permitir que ele possa decodificar, de forma simples, franca, o mais objetivamente possível a resposta dada pelas cartas à pergunta do seu Consulente.

Nome: STELLA TAROT
Autora: Stella Kaoruko
Ilustradora: Takao Hoei
Editora: AGM-AGMüller
www.thebookdepository.co.uk

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

"Fate. Destiny, Fortune Tarot":unboxing e comentário


Madam Clara é o nome da criadora deste deck de tarot que traz, como um complemento interessante, algumas frases em cada uma de suas lâminas que ajudam o neófito interessado nos significados mais costumeiros das cartas, o estudante de cartomancia que ainda necessita de uma "ajuda", de um "apoio", de uma "dica" para lembrar-se das possibilidades interpretativas das lâminas. Penso que oráculos que trazem palavras-chaves ou alguma outra forma de "explicação" de como as cartas podem ser "traduzidas" ou interpretadas podem ser de alguma ajuda para quem ainda não está completamente seguro no seu uso em tiragens ou, mesmo, para quem tem alguma dificuldade em decorar palavras ou expressões que ajudem a decodificar suas lâminas. Penso, também, que pode acontecer do estudante de cartomancia ficar "viciado", dependente mesmo dessas "dicas" escritas sobre as lâminas. É claro que nem todos nós temos facilidade em decorar, e gravar significados, em memorizar possibilidades interpretativas das 78 lâminas do Tarot, por exemplo, e que isso leva, sem dúvida, um tempo maior ou menor dependendo de quem está estudando, de como estuda e do quanto pratica. Independente disso, reputo esse Tarot como um das mais bonitas reinterpretações do Rider-Waite-Smith existentes, atualmente, no mercado. As cartas são do tamanho comum às da maioria de decks de Tarot, impressas em papel de ótima qualidade e com um excelente acabamento acetinado, com mínimo brilho. Fáceis de embaralhar, se ajustam bem à mãos de qualquer tamanho. As imagens são colagens de gravuras ou estátuas clássicas, sobre um fundo de desenho geométrico, privilegiando os tons de vermelho e azul. O deck vem acondicionado numa caixa-envelope de papelão e dentro de uma bolsa em veludo de nylon estampado com seu nome. Duas cartas extras acompanham o deck.

Nome: FATE, DESTINY, FORTUNE
Autora: MADAM CLARA
Site: madamclara.com

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

"The Distant Past Tarot": unboxing e comentário


Eu devo começar dizendo que eu gosto de decks de cartas que se utilizam de elementos retirados de pinturas clássicas. Tenho diversos nessa técnica, hoje em dia tão facilitada com os recursos gráficos disponíveis no mercado. Assim mesmo tenho que acrescentar que foi uma muito agradável surpresa, ao fazer esse unboxing, constatar o excelente resultado obtido por Jeri Totten, a criadora deste deck que ora vocês também podem apreciar neste vídeo. O "The Distant Past Tarot" foi inspirado pelo trabalho de diversos artistas de diferentes períodos da História. Cada carta é uma colagem que combina dezenas de elementos retirados de diversas fontes, acrescidas de outras camadas, inclusive as pintadas a mão pela própria artista, tudo isso no intuito de criar um deck de cartas que fosse a um só tempo colorido e inspirador. O simbolismo usado deriva do sistema Rider-Waite-Smith (com a troca das cartas 8 e 11, respectivamente a Justiça e a Força. Também alguns títulos foram trocados, ou suavizados: o Pendurado passou a chamar-se o Despertar, enquanto que a Morte transformou-se em Transição e o Diabo assumiu o nome de Materialismo. A autora também diz, na apresentação do deck, que ela o criou para a sua filha e que, portanto, algumas imagens tiveram de ser retocadas a fim de que este Tarot pudesse ser usado e lido por pessoas de todas as idades. Comprei o meu na loja virtual da autora, no site da Etsy.com e não acompanha nenhum tipo de caixa, vindo simplesmente envolto no tradicional filme plástico, o que me obriga a dar uma nota "menos" à autora. Creio ser inadmissível que um deck de cartas que custe (sem os custos de envio, naturalmente) US$31.00 não venha acondicionado, ao menos, numa simples caixa-envelope. Uma série de cartas extras trazem os significados básicos tanto dos Arcanos Maiores, quanto dos Menores, além de alguns exemplos de esquemas de jogos. As lâminas são bastante coloridas, excepcionalmente bem uniformes no quesito composição e cor, e podem ser facilmente lidas e interpretadas pelo neófito, pelo estudante que se inicia no aprendizado do Tarot, como pelo cartomante mais experiente. Deck: THE DISTANT PAST TAROT Autora: Jeri Totten Adquirido em: https://www.etsy.com/shop/JeriTottenD...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

"Classic Lenormand - Mesmerizing Edition": unboxing e comentário


O cartomante Alexandre Musruck, como eu costumo dizer, colocou as Ilhas Reunião (um departamento francês ultramarino) no mapa.
Distante dos grandes centros internacionais, vivendo numa pequena, e muito bonita, ilha no Oceano Índico, nada o impediu de, não apenas praticar a Cartomancia, mas em divulga-la através de vídeos, cursos, postagens diversas e... produzindo ótimos livros a respeito do sistema Lenormand e Kipper, além de uma grande quantidade de baralhos de diversos sistemas oraculares.

Este seu "Classic Lenormand - Mesmerizing Edition" é exatamente o que o próprio nome diz: clássico... com um toque de novidade. Tanto no número de cartas (36) como na escolha das imagens que o ilustram, Alexandre Musruck criou um deck de fácil uso e entendimento por todos que se dedicam ao aprendizado e à prática do Petit Lenormand.
A única concessão feita por ele, neste deck em particular, foi o uso de um material holográfico que, no lado onde as figuras são impressas, reflete a luz e a decompõe criando um efeito iridescente muito agradável e bonito.
Em nada esse brilho "tipo arco-íris" dificulta a leitura da imagem: apenas acrescenta um tipo de "fundo" para as cartas. É um recurso bastante interessante e, na minha opinião, com um resultado bastante interessante do ponto de vista gráfico.

As cartas vêm com a identificação numérica e a correspondente carta de naipe na parte superior das mesmas, mas não tem o nome de cada carta estampado.
Não sei se a promoção continua, mas quando comprei fiz uma escolha para que o deck viesse dentro de uma latinha, dessas que estão e uso ultimamente para a guarda nas cartas. A tampa dela é muito bem decorada com uma imagem do conjunto das cartas e tem meu impresso.

Nome: CLASSIC LENORMAND - MESMERIZING EDITION
Autor: Alexandre Musruck
Site: https://www.facebook.com/oraclesbyLou...
www.angelcartomancy.com


terça-feira, 10 de outubro de 2017

"ViceVersa Tarot": unboxing e comentário


ATENÇÂO: Por um problema técnico os primeiros 5 minutos do vídeo não foram gravados. Peço desculpas a todos e vou procurar compensar essa omissão com a explicação que está faltando no início do vídeo, aqui, neste texto.

O VICE VERSA TAROT é, de certa forma, um deck pioneiro por trazer, nos dois lados de cada carta, uma imagem que pode ser, também, usada na interpretação da mesma.
Explicando melhor: estamos acostumados com cartas oraculares que possuem uma imagem para "leitura oracular" em um dos seus lados e, no verso da carta (nas "costas" da carta) ela traz uma imagem neutra, comum a todas as demais cartas daquele oráculo.
Também já vimos, mais recentemente, decks como o "After Tarot" e "Tarot of the New Vision" que trazem os Arcanos Maiores e Menores retratados em "momentos" ou "ações" posteriores àquelas criadas para o tarot chamado Rider-Waite-Smith. Nesses decks, às vezes esses arcanos são mostrados numa posição contrária (de costas para o observador) ou em situações ou movimentos posteriores às das ações previamente usadas pelos ilustradores que seguem (clonam) as imagens do Rider-Waite-Smith.
O VICE VERSA TAROT traz um outro elemento à esses seus antecessores: a ilustração do que seria o verso (a parte posterior da imagem) das cartas. Ou seja, a carta é estampada frente e verso com a imagem da carta que ela representa. Vemos então, por exemplo, a Sacerdotisa de frente (como estamos acostumados a ver) e, no verso da carta, existe uma segunda imagem da mesma Sacerdotisa só que desta vez do ponto de vista de alguém que estivesse atrás dela olhando em direção ao observador (o Cartomante). Ou seja: não temos apenas as 78 imagens que um deck completo de Tarot possui, mas 156!!!
Minha primeira pergunta ao ler sobre o futuro lançamento desse deck foi a seguinte: como o Cartomante irá proceder depois de embaralhar e dispor sobre sua mesa de trabalho para que o Consulente "escolha intuitivamente" as cartas a serem utilizadas no esquema da jogada se eles, Consulente e Cartomante, estarão sempre vendo a imagem (não importa se de frente ou "de costas") das cartas?
O livro (por sinal excelente!) que acompanha o deck sugere que a) não se olhe diretamente para as cartas a serem escolhidas mas que se eleve o olhar para acima da linha do horizonte ou b) que se mantenha os olhos fechados enquanto se seleciona as cartas. Convenhamos, vocês acham que isso é exatamente prático? E, se durante a leitura de um determinado esquema o Cartomante sentir que se deve acrescentar mais uma ou mais cartas, tanto ele quanto o Consulente já teriam tido tempo mais que suficiente para ver quais cartas permaneceram na mesa...
Bom, eu não estou aqui para "detonar" esse deck até mesmo porque eu fiquei tão curioso por ele que o comprei meses antes de ser colocado à venda, no seu pré-lançamento e estou muito bem impressionado com a sua qualidade e, sobretudo, possibilidades.

Costumo repetir, e com muita frequência, que ninguém necessita ter mais do que um deck do seu oráculo predileto e, se estiver se iniciando no aprendizado da cartomancia, que procure ficar com os "clássicos" Marseille, Rider-Waite. Mas isso, também, é apenas mais uma opinião, no caso a minha.
Entretanto, acredito que decks como esse e outros mais que "fogem" àquilo a que estamos acostumados (às vezes, até mesmo, viciados) são boas oportunidades de voltarmos a prestar atenção às imagens, de reestudarmos o simbolismo constante nas cartas, de ampliarmos nosso próprio vocabulário no momento da leitura oracular e de repensarmos novas possibilidades interpretativas das imagens e, consequentemente, suas combinações ou interações dentro de uma tiragem.
Se o mercado para o comércio de novos decks existe e está saudável, crescente e bastante ativo seria por consequência do aumento considerável de pessoas interessadas no aprendizado das chamadas "artes divinatórias". É, então, natural que autores e artistas se esforcem a proporcionar a todos novos "equipamentos" que possibilitem o aprendizado e o melhor desempenho oracular de cada um. Há estilos, tamanhos, materiais, procedência, propostas e aparência â disposição e que, muito provavelmente, irão cobrir os mais particulares interesses dos consumidores.

O VICE VERSA TAROT é publicado pela Lo Scarabeo e é um fiel exemplo da qualidade que essa editora representa. A embalagem é grande, em forma de caixa com fecho imantado, contendo um livro de 160 páginas impresso em excelente papel e inteiramente colorido. As cartas são da melhor qualidade possível: agradáveis ao tato, fáceis de embaralhar, duráveis, muitíssimo bem impressas, no tamanho 6,5 x 12 cm.

Nome: VICE VERSA TAROT
Autor: Lunaea Weatherstone
Editora: Lo Scarabeo
Adquirido no site da Amazon. com (USA)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

The Midcenturian Tarot": unboxing e comentário


Conheci os decks de Madam Clara em seu site (http://madamclara.com) e logo me identifiquei com 2 deles.
O " The Midcenturian Tarot" é uma releitura das imagens criadas por Pamela Smith, no início do século passado, para o Tarot que ficou conhecido como Rider-Waite-Smith. Madam Clara se utiliza das imagens de uma forma bastante moderna, muito mais próxima à linguagem da ilustração, à linguagem vetorial proporcionada pelas imagens criadas em computadores mas mantém as mesmas importantes características das originais.
As cartas têm excelente impressão e se utilizam de papel de ótima gramatura e finalização (fosco, acetinado). São cartas no tamanho normal, costumeiramente usado pela grande maioria dos decks de Tarot disponíveis no mercado. A leitura das mesmas é fácil e elas parecem irradiar uma certa alegria, um certo bom humor, o que por vezes pode nos ajudar a, mesmo nas cartas consideradas "difíceis" ou "pesadas", perceber e/ou intuir possibilidades de leitura menos dramáticas, ou mesmo, "negativas".
Acompanha o deck 2 outras cartas que podem ser, ou não, utilizadas a critério do Cartomante. As cartas vêm dentro de uma caixa-envelope de papelão impresso e o conjunto todo dentro de uma bolsinha de tecido rústico.
Nome: THE MIDCENTURIAN TAROT"
Autora: Madam Clara

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"Tarot del Fuego": unboxing e comentário


Se você pensa que já viu praticamente todas as versões (clones) de Tarots baseados no tradicionalíssimo Marseille, prepare-se para conhecer mais um.
O "Tarot del Fuego" é uma verdadeira explosão de energia em cada uma de suas 78 cartas. Criado pelo espanhol Ricardo Cavolo, suas imagens são surpreendentes e até, algumas vezes, agressivas, na sua delirante combinação de formas, sinais, símbolos e cores... muitas cores!
É o que eu chamaria de um "tarot desinibido". Nada nele remete àquela costumeira calma, estabilidade e previsibilidade de muitos outros oráculos. Nem usa imagens plácidas de pictóricas paisagens, vestutos e dignos personagens e alguma fantasia reinterpretada do folclore ou da mitologia.
Ao contrário, o "Tarot del Fuego" abusa, de forma muito criativa, de imagens saídas diretamente da imaginação do seu autor, sem o filtro do compromisso com a maioria das coisas que todos já vimos e usamos como referências. É um Tarot que pede que o conheçamos aos poucos, com interesse, destemidamente, de forma curiosa.
Não é, definitivamente, um deck para quem esteja se iniciando no aprendizado da cartomancia. Para estes, há caminhos menos "flamejantes" a serem percorridos antes de maiores aventuras. Nem é para quem observas as cartas apressadamente, para quem tem medo de imagens que remetem a sonhos mais assustadores,  ou para quem prefere ver graciosas fadinhas, simpáticos gatinhos  e bonequinhas de enormes olhos carentes como ilustração.
O pequeno manual que acompanha o deck é mudo a respeito da iconografia adotada pelo autor. Não há nenhuma referência ou explicação para os elementos por ele utilizados nos desenhos das cartas. Aliás, as cartas não são exatamente adequadas para serem utilizadas por quem as lê no sentido original e inverso, visto que o verso (a parte de trás da carta) tem uma figura que não favorece o embaralhar com cartas invertidas.
O material, como um todo, é de excelente qualidade, como é de se esperar da editora Fournier. Como detalhe posso dizer que as cartas me pareceram um pouco menores que as normalmente usadas nos decks de Tarot. Parecem ser mais estreitas, mas é algo bastante sutil e que em nada atrapalha a leitura ou o manuseio.
Esse deck foi adquirido por mim na loja (nacional) virtual Simbólika.

Nome: TAROT DEL FUEGO
Autor: Ricardo Cavolo
Editora: Fournier
Loja: www.simbolika.com.br

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

"Viona's Lenormand": unboxing e comentário


Viona ielegems é uma fotógrafa e diretora de arte holandesa (no vídeo eu comento que não sei se ela é alemã, ou não, visto que os títulos das cartas não estão escritos em alemão. Enfim, estão escritos em holandês) e criadora desse VIONA'S LENORMAND. Fotografias bastante simples, muito nítidas, com pouca alteração digital (que não compromete a leitura das mesmas) é a base desse seu deck de cartas do sistema Lenormand. As cartas, de tamanho poker, são de excelente qualidade material e muito bem impressas. Apresentam, além da figura referente a cada carta (de 1 a 36), a pequena inserção da carta de naipe correspondente, o numeral, o título e uma pequena frase (em holandês!). Vem acondicionado numa caixa, tipo envelope, de papelão estampado e acompanha um pequeno manual de uso escrito, também, em holandês. É um baralho bastante tradicional em sua concepção e, exatamente por isso, será muito apreciado por estudantes de cartomancia e até o cartomante mais experiente.

Nome: VIONA'S LENORMAND
Autora: Viona ielegems (com "i" minúsculo mesmo)
Loja: VionaArt (no site www.etsy.com)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

"Schimid Lenormand": unboxing e comentário


Basicamente, o conteúdo do site www.gameofhopelenormand.com é formado por réplicas de originais adquiridos por Lauren Forestell, sua proprietária, em leilões e de coleções particulares. O que a empresa virtual dessa senhora faz é recuperar, digitalmente, os decks antigos, fora de circulação e de catálogo dar-lhes vida nova através de um bastante minucioso trabalho gráfico. Como neste "Schmid Lenormand" (impresso em 1950 aprox.), quase a maioria dos decks desse site não trazem a figura de naipe como um "insert" nas cartas, o que pode ajudar bastante a entender como, na Europa, os cartomantes que usavam o Lenormand adotavam ou não, a leitura secundária ou complementar fornecida pelos naipes. Como qualidade de papel e de impressão, o deck é muito bom, praticamente nada deixando a dever às grandes casas editoras como a A.G.Müller, Lo Scarabeo ou U.S.Games. As imagens são réplicas fotográficas, digitalmente corrigidas e/ou recuperadas (quando necessário) de cartas originais, nem sempre em seu melhor estado de conservação ou, mesmo, de impressão. Portanto há de se esperar manchas, cores saturadas, contrastes acentuados e uma estética que muitos de nós pode não apreciar. Mas, para o colecionador e, mesmo, para um designer, tudo isso adquire uma importância muito grande pois é através desse olhar para o passado "real" (não aquele "maquiado" por novas tecnologias de impressão e criados recentemente para atender a um gosto particular e passarem-se por "antigos") que podemos encontrar novas referências e perceber detalhes muitas vezes faltantes ou obscuros em decks mais atuais. A maioria dos decks vendidos no site mencionado têm inscrições em alemão, o que pode ser um empecilho para quem, como eu, não lê ou escreve nesse idioma, superável, porém, com muita paciência e o uso de dicionário. As cartas vêm embaladas em uma pequena bolsa de veludo e não acompanha nenhum tipo de informação extra. Apenas as cartas 28 e 29 têm seus "duplos" e uma carta "de topo" foi acrescida reproduzindo o frontispício da embalagem original.

Deck: SCHMID LENORMAND (c. 1950)
Impresso: Editora Schmid
Site: www.gameofhopelenormand.com

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

"The Timeless Tarot": unboxing e comentário



Pessoalmente gosto de cartas oraculares que se utilizam de pinturas ou ilustrações famosas, antigas ou não. O "The Timeless Tarot", criado por Tara Winstanley é um desses decks que busca associar as imagens criadas por Pamela Coleman Smith, no início do Século XX, a trabalhos artísticos desenvolvidos em épocas e locais diversos. Essa maneira de criação de tarots ou demais oráculos não é nova, nem pioneira: o mercado tem um grande número de decks com essa mesma solução gráfica. O que o "The Timeless Tarot" tem a seu favor é a excelente qualidade de impressão e de papel, numa gramatura que o torna a um só tempo agradável de ser pego, embaralhado e usado com frequência. A edição usada por mim neste unboxing é chamada de "especial" ou "de luxo" pois vem acondicionada numa embalagem em forma de caixa metálica, traz um livreto com as mais tradicionais palavras-chave para cada carta (além de associações numerológicas e astrológicas e esquemas de tiragem), e uma bolsa em tecido acetinado para guarda das cartas. Existe uma versão mais barata que vem numa embalagem em tecido somente.

Nome: THE TIMELESS TAROT
Autora: Tara Winstanley
Site: https://www.etsy.com/pt/shop/TaraWins...

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Pastel Kipper Cards": unboxing e comentário


Alexandre Musruck é cartomante e o autor de diversos decks oraculares, inclusive deste "Pastel Kipper Cards". O que mais chama a atenção neste deck é a leveza absoluta do desenho das lâminas, totalmente oposta ao rigor e sobriedade imposta pelo período Biedemeier às cartas originais deste sistema oracular.
Neste deck, especificamente, as imagens assumem a qualidade das ilustrações das revistas, dos catálogos de museus, teatro e ópera do final do século XIX e começo do século XX. Traço leve, que levemente nos remete à arte de Aubrey Beardsley e outros ilustradores ingleses e franceses do mesmo período.
As cartas, em tamanho "poker", têm a qualidade de impressão gráfica das demais produzidas na China, porém a gramatura do papel parece ser menos consistente do que estou acostumado a ver. Não é um deck que eu recomendaria ao iniciante no sistema Kipper, visto se afastar, e muito, do estilo do "original" em forma, cores, e figuras, mas também não deixa de ser facilmente compreendido e lido por um cartomante com mais experiência e prática com esse tipo de oráculo.
Nome: PASTEL KIPPER CARDS
Autor: Alexandre Musruck

terça-feira, 29 de agosto de 2017

"Rana George Lenormand": unboxing e comentário



Rana George, de origem libanesa (desculpem, mas no vídeo eu digo que ela é egípcia. Não é.), é famosa por sua personalidade "flamboyant" e por seu livro, "The Essential Lenormand", publicado em 2014 e considerado um dos melhores livros sobre o método Lenormand.
Agora, em 2017, Rana George surpreende o mercado, para a alegria dos seus admiradores, colecionadores e cartomantes, com seu "Rana George Lenormand", um deck com 42 cartas (36 regulares, 2 para casais do mesmo gênero, e 4 cartas adicionais que têm a finalidade de ampliar a experiência da leitura, caso o Cartomante deseje. São elas: o Espírito, o Queimador de Incenso, a Cama e o Mercado.
Um livro com mais de 140 páginas acompanha o deck, que é acondicionado numa pequena caixa com fechamento a imã.
As cartas têm o tamanho considerado comum ou normal para o Lenormand (Poker) e possuem belíssimas ilustrações com características, locações, cenários e objetos de origem libanesa.
O dourado metálico é usado profusamente, tanto na frente quanto no verso das cartas, em delicados arabescos e o colorido, ainda que intenso, é bastante elegante e agradável aos olhos do observador.
Acredito que será um sucesso de vendas pois tem tudo para satisfazer o Cartomante: qualidade de papel, de impressão, de imagem (fácil leitura), detalhes atraentes e enriquecedores (filigranas douradas), uma excelente embalagem e, sobretudo, a grife de uma das Cartomantes mais conhecidas, especialmente pelo seu uso constante das mídias sociais.
"Rana George Lenormand" é, na minha opinião, um lindo baralho!
Nome: RANA GEORGE LENORMAND
Autora: Rana George
Artista: Callie L. French
Editora: U.S. Games
Adquirido por mim no site da Amazon (www.amazon.com)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"Leiding Wahrsagenkarten" (Kipper): unboxing e comentário



O oráculo chamado de Kipper é bastante conhecido e usado, especialmente, por cartomantes alemães e austríacos. Apesar de ter aproximadamente a mesma idade do Petit Lenormand e ter a mesma estrutura física (36 cartas), ele não alcançou a mesma popularidade, tendo ficado mais limitado à região da Baviera.
Nos últimos meses, com o aparecimento no mercado de uma versão norte americana desse oráculo criada pelo famoso Ciro Marchetti, o Kipper parece ter vencido as primeiras barreiras e passa a despertar a curiosidade e o início de uma "explosão" de versões.
Assim como muitos cartomantes só aceitam o Tarot de Marseille como "verdadeiro", outros atribuem às versões X ou Y do Lenormand como "originais", também o Kipper tem uma versão "primeira" e, no caso dele, tem-se as provas de que é mesmo a mais antiga. Todo cartomante que se dedica ao estudo do Kipper refere-se a ela como a melhor, a que apresenta os resultados mais precisos, a que possui diversas informações, digamos, "escondidas" e necessárias para a sua leitura.
Conheci, estudei e aprendi (continuo aprendendo) a jogar com a versão original, mas isso nunca me impediu de usar outros "clones" dessa que é atribuída a uma tal de Frau Kipper e o Leiding Wahrsagekarten (que traz o subtítulo de: "na tradição das cartas ciganas) é uma dessas versões.
Criado por Hildegard Leiding num estilo mais contemporâneo, onde as figuras humanas e os ambientes procuram retratar o estilo de vida e demais características do nosso século, apresenta uma muito maior "leveza" no tratamento das imagens que parece serem realizadas em aquarela.
Os posicionamentos, os indicativos de direção, as sinalizações feitas por detalhes decorativos ou mesmo o direcionamento do olhar dos personagens não são parecidos com o original, mas, devo dizer, nenhum outro deck criado nos últimos 50 anos segue fielmente o "Kipper Original".
Arrisco a dizer que com a proliferação de novos decks desse oráculo nos últimos 6 meses, podemos esperar que muito em breve ele também comece a ser mais e melhor conhecido entre nós brasileiros. Logo irão surgir os livros, os manuais de uso, os cursos, os sites, os grupos na internet, e as versões criadas por designers nacionais.
O tamanho das lâminas é o "poker", tradicional dos decks Lenormand e Kipper, e a qualidade do papel e impressão é muito boa. Vem num estojo plástico e não acompanha nenhum manual de instruções.

Nome: LEIDING WAHRSAGEKARTEN
Autora: Hildegard Leiding

Adquirido através do site da Amazon.com (USA)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Arcanos Menores do Tarot: Rainha de Espadas

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

"After Tarot": unboxing e comentário


Imagine um deck de cartas de Tarot que, baseado nas imagens do tradicionalíssimo Rider-Waite-Smith, exibe em suas lâminas o que aconteceu (ou teria acontecido) com os personagens e elementos das cartas originalmente criadas por Pamela C. Smith.
A ideia, interessante, visa levar o leitor, o cartomante, a pensar na questão do Tempo. Ao deparar com um personagem numa situação alguns segundos ou minutos posterior à imagem tradicional, o Cartomante poderia utilizar-se desse recurso gráfico para estender, ou recuar, a sua percepção sobre o tema, o assunto, as possibilidades e direcionamentos que as cartas de uma jogada sugerem.
Concebido por Pietro Alligo e com o trabalho artístico de Giulia El Massaglia, a editora Lo Scarabeo coloca no mercado dos oráculos mais um deck com sua inconfundível qualidade: papel de excelente gramatura, impressão impecável, caixa em formato envelope e o "pequeno livro branco" com informações básicas sobre cada uma das 78 cartas em 5 línguas.
É um trabalho bastante curioso, dentro de um mercado cada vez mais sedento de novidades e saturado por uma produção desenfreada. Acredito que esse deck seja interessante para resgatar a atenção do Cartomante, fazendo-o, através das modificações feitas nas imagens originais, repensar os símbolos contidos nas cartas e renovar a linguagem das mesmas.
Deck: AFTER TAROT
Autor: Pietro Alligo
Arte: Giulia E. Massaglia
Editora: Lo Scarabeo
Adquirido no site www.simbolika.com.br

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Imagens e palavras-chaves juntas: decks de cartas para estudantes


Existe, no mercado, uma pequena, mas expressiva, quantidade de decks de oráculos diversos que trazem palavras-chaves, pequenos poemas ou frases curtas que incluem alguns dos significados das imagens constantes em suas lâminas.
Esses decks são criados pensando-se nos estudantes, nos neófitos, naquelas pessoas que desejam conhecer um pouco mais sobre determinado oráculo mas não têm interesse em se aprofundar.
Mas isso não significa que o cartomante com maior experiência e conhecimento não possa tê-los, usá-los e deles fazer bom proveito.
Penso que, quando bem utilizados, eles podem ser um excelente recurso àquelas pessoas que têm mais dificuldade em memorizar as palavras-chaves mais comuns, populares, associadas às imagens das cartas. Claro que o importante é compreendermos o sentido da figura, a noção do símbolo, a razão histórica e, muitas vezes, étnica, da escolha daquela figura, daquele arquétipo para representar uma (ou muitas) ideias, personalidades, atitudes, situações, tempo, etc. Porém, todos os recursos de aprendizagem são válidos quando são apropriados, corretos dentro do sistema a quem se propõem e usados com moderação.
Ficar limitado à essas informações constantes nas cartas de um oráculo nunca será aconselhável, pois elas são limitantes, reduzidas e podem acabar inibindo o Cartomante a manifestar o que ele pensa e/ou intui sobre aquela carta, dentro de um contexto, numa leitura.
A célebre cartomante e escritora Rachel Pollack nunca escondeu que iniciou, já adulta, seus atendimentos com o Tarot interpretando as cartas com o auxílio de livros e manuais (o pequeno LWB) na frente das suas clientes.
Eu mesmo conheci uma cartomante que tinha pequenas anotações (uma palavra, um ou dois símbolos) desenhados ou escritos por ela mesma em suas cartas.
É interessante lembrarmos que há 20 anos, ou mais, não tínhamos quase nenhum material de estudo publicado e divulgado (a não ser os chamados "clássicos esotéricos", de difícil compreensão) e, muito menos, decks diferenciados com os quais pudéssemos nos identificar mais ou melhor. Durante quase 20 anos eu me sentia a pessoa mais rica do mundo porque possuía um deck do Tarot de Marseille e outro do Rider-Waite. Hoje existem milhares dos mais diferentes decks oraculares, além de livros e manuais especializados, à disposição nas prateleiras físicas ou virtuais. Penso que isso é uma grande conquista e que em muito colaborou para que os atuais estudantes tenham ótimas opções de recursos no seu aprendizado e prática.
Espero que este vídeo possa auxiliar a quem está começando agora a encontrar um baralho voltado para a prática dos seus exercícios de aprendizado.

Decks mostrados no vídeo: (basta uma simples pesquisa no Google para encontrar onde e/ou de quem comprar)

Quick and Easy Tarot (U.S. Games)
Fate, Destiny, Fortune (Madam Clara)
Esmeralda Lenormand (Karla Souza)
Estudante Lenormand (Karla Souza)
Alternates Realities Lenormand (Jeri Totten)
Willows East Lenormand (Gretchin Gifford)
Le Newbie Lenormand (Rootweaver)
Jeu Lenormand-Cartes de Bonne Aventure (Carta Mundi)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"Steampunk Kipper": unboxing e comentário


Lynn Boyle é uma conhecida cartomante australiana e, também, criadora de uma grande coleção de cartas oraculares, especialmente do sistema Lenormand.
Atualmente, com o crescimento no interesse pelo sistema Kipper, de origem bávara, Lynn Boyle lançou alguns decks para serem utilizados pelo crescente número de cartomantes e estudiosos desse sistema.
"Steampunk Kipper" segue uma vertente artística nas suas imagens que em muito se parece com as ilustrações de ficção científica, especialmente aquelas do final do Séc. XIX e início do Séc. XX. Naquelas imagens, "pensava-se" no futuro com os recursos da época, exemplificando: Jules Verne escreve "Viagem ao Fundo do Mar" numa época em que os submarinos eram apenas um conceito, não uma realidade, mas o escritor os "cria" dentro dos materiais e tecnologias da sua época.
Ainda há poucas décadas nós imaginávamos que no ano 2.000 estaríamos usando roupas metálicas, dirigindo veículos aéreos populares para nos deslocarmos de casa ao supermercado e passando as férias em Marte. Nada disso é impossível, mas certamente quando tivermos a tecnologia e os recursos necessários para tornarmos tudo isso possível e accessível realidade, não será exatamente com o design, o material, as formas e, até mesmo, as intenções que hoje temos.
"Steampunk Kipper" traz uma série de personagens, de situações e de locações correspondentes às 36 cartas do sistema Kipper original, porém com uma "roupagem" que remete `a invenção da máquina à vapor, do início da industrialização, do final da era vitoriana e o começo do "moderno" em todo o mundo.
Cartas extras para representarem casais de todos os gêneros, trabalhadores, estados de espírito, podem ser escolhidas pelo cartomante que "constrói" o seu próprio deck de acordo com as suas preferências ou, então, de acordo com o propósito da leitura que irá fazer.
As cartas são em tamanho "poker", em excelente material, com uma qualidade gráfica muito boa, e vêm acondicionadas numa bolsinha de tecido acetinado. Acompanham algumas folhas impressas (A4) com os significados básicos de cada carta.

Deck: "STEAMPUNK KIPPER"
Criadora: Lynn Boyle
Site: www.aquariuswellbeing.com

quarta-feira, 12 de julho de 2017

"Estudante Lenormand": unboxing e comentário



Deixe-me deixar claro, desde o início, que sou "fã de carteirinha" do trabalho desenvolvido pela cartomante Karla Souza, tanto na criação de decks, métodos de aprendizagem, quanto dos seus cursos on-line.
É dela um dos decks de Lenormand que mais frequentemente uso, recomendo e me orgulho em possuir: o Esmeralda Lenormand.
Tive grande prazer em realizar este unboxing, até mesmo porque já havia programado fazer um vídeo com os meus (poucos) decks de Tarot e Lenormand que possuem "palavras-chaves" em combinação com as ilustrações, ora fazendo parte delas, ora como um acréscimo ou detalhe a elas.
O "Estudante Lenormand" é uma grande "sacada" da Karla Souza pois, em princípio, direciona-se a um público sempre crescente que é o dos que se iniciam no estudo do Petit Lenormand.
Mas, é claro, que o deck não serve apenas para o neófito, para o aprendiz, mas pode ser um grande auxiliar para o mais experiente dos cartomantes quando, numa leitura, nos "falta", ou "foge", aquela palavra, aquela expressão. Ele funciona, como se diz em TV e Cinema, uma "margarida", ou seja, aquele papel onde é escrito o texto a ser interpretado pelo autor e que fica, evidentemente, escondido no cenário, fora do campo de visão das câmeras.
Ele também é excelente para quem está se iniciando, ou mesmo estudando continuamente (meu caso), a combinação de cartas pois nos lembra ou sugere algumas palavras que podem, muito bem, fazer sentido quando lidas em sequência, formando frases.
Para quem (como eu) tem dificuldade em memorizar, esse tipo de deck pode ser um grande auxiliar pois nos livra da necessidade de voltarmos aos livretos, livros ou manuais para procurar palavras e expressões mais comumente utilizadas na interpretação das cartas de um oráculo qualquer: as cartas estão ali, à nossa frente e, o que é melhor, com as principais dicas de significados escritas nelas.
Tudo é maravilha nesse tipo de deck? Penso que existe um problema que deve ser levado em consideração pelo estudante: o ficar "viciado" em ler as palavras-chaves fornecidas pela autora do deck e não aprender e apreender os seus significados.
O estudante, pela prática, pelos exercícios, pelo aprofundamento do seu conhecimento técnico, vai, não só reconhecendo as cartas, mas sabendo e entendendo o significado e o porquê das suas palavras-chaves mais comuns. Entretanto é necessário que ele vá desenvolvendo, através do tempo e da sua própria experiência, o "vocabulário" que melhor se aplica às cartas de qualquer oráculo.
O "Estudante Lenormand" pode ser um recurso didático de grande valia, mas é também um deck feito com grande capricho estético, como tudo da Karla Souza. Desde a embalagem até a qualidade do papel utilizado, passando, naturalmente, pelo desenho das cartas, tudo é de muito bom gosto, facilidade de comunicação visual e conforto no usar.
Nome: ESTUDANTE LENORMAND
Autora: Karla Souza
Site: http://www.falandolenormandes.com.br/
Facebook (contato): https://www.facebook.com/Kakah.Souza

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Arcanos Menores do Tarot: 6 de Espadas


O 6 de Espadas é uma carta que pode simbolizar desde uma viagem até o fato de que é chegado o tempo de levar suas ideias e/ou conhecimentos para onde eles possam ser melhor aproveitados.

Carta do "Infinite Visions Tarot", por Gloria Jean

quinta-feira, 29 de junho de 2017

"The Prophetic Tarot of the Bible": unboxing e comentário



Creio que nada descreveria melhor esse deck de cartas criado pelo historiador, pesquisador e professor de arte Giordano Berti e ilustrado por Severino Baraldi, que as próprias palavras do Sr. Berti num muito simpático bilhete manuscrito que acompanhava as cartas:

"Caro Alex,
Parabéns por ter sido um dos primeiros a comprar o Prophetic Tarot of the Bible, um deck moderno inspirado no Livro Sagrado dos Hebreus e Cristãos, mas muito próximo à Filosofia Universalista dos Rosacruzes.
Eu espero que essas imagens sejam um valioso instrumento de meditação, inclusive para os céticos.
Eu gostaria muito que você, usando o The Prophetic Tarot of the Bible, pudesse acessar o seu "Templo Interior" e descobrir a sua verdadeira essência.
Com os meus melhores votos,
Giordano Berti"

O que eu posso acrescentar é que as cartas são de grande formato, um pouco maiores que as que estamos acostumados, mas que se acomodam bem nas mãos e não oferecem dificuldade no momento de embaralhar.
A qualidade do papel é muito boa, com um muito suave brilho acetinado, cores firmes, e uma embalagem excelente, com fechamento por imã.
As imagens são extremamente detalhadas, usando uma simbólica paleta de cores e muito apropriadas à meditação, ao estudo, à contemplação.
Como o próprio nome do deck afirma, é um deck de cartas que tem a Bíblia como inspiração. Entretanto usa figuras facilmente reconhecíveis do meio político, cultural, religioso, científico e filosófico dos séculos XX e XXI como personagens das ilustrações. Fica, muitas vezes, mais fácil entender os possíveis significados de uma carta quando conhecemos as qualidades e defeitos, as características biográficas, profissionais ou de impacto histórico dos personagens que atuam como os arquétipos nas ilustrações.
Considero, esse, um dos mais interessantes e inspiradores decks de Tarot a que tive oportunidade de conhecer. Pessoalmente (vejam bem: essa é a minha opinião, a minha maneira de perceber, sentir, vivenciar, estudar o oráculo) aprecio muito decks de carta que, ainda que usem o Rider-Waite-Smith como uma base, conseguem estimular o leitor (o neófito, o estudante, o profissional de cartomancia) a pensar "fora da caixa", ou seja, a ampliar as possibilidade de significação que as cartas possuem.
Recomendo, a quem se interessar a adquirir este deck, que o faça rapidamente, pois, de acordo com o autor, apenas 100 cópias serão comercializadas.
Nome: THE PROPHETIC TAROT OF THE BIBLE
Autor: GIORDANO BERTI
Ilustrador: SEVERINO BARALDI
Facebook do Autor: https://www.facebook.com/giordano.ber...
E-mail do autor: giordano.berti@gmail.com
Site da Editora: https://rinascimentoitalianartportugu...

Obs: Adquiri o meu deck através de uma campanha de pré-lançamento da Indiegogo que não sei se ainda está funcionando ou não. Recomendo que entrem em contato com o Prof. Giordano Berti através da sua página no Facebook ou pelo e-mail giordano.berti@gmail.com

sexta-feira, 16 de junho de 2017

"Lucky Lenormand Oracle Deck": unboxing e comentário


Monica Bodirsky, além de cartomante, é designer e este seu "Lucky Lenormand Oracle Deck" é um bom exemplo do seu trabalho.
Deck de Petit Lenormand bastante tradicional, tem as 36 cartas regulares e cada carta traz, além da imagem, o respectivo número, nome e naipe associado e o tamanho é o "poker", que parece ser a medida adotada para esse tipo de oráculo.
As cartas são feitas em técnica mista, envolvendo colagem, pintura aquarelada e lápis de cor. O papel é de bastante boa e alta gramatura, entretanto, pelo menos no deck que recebi, o verniz aplicado sobre as cartas estava causando o incômodo delas grudarem.
A embalagem é uma caixa tipo envelope em papelão estampado e acompanha uma folha com um histórico do Lenormand, algumas sugestões de jogadas e o significado básico de cada carta.
A autora mora no Canadá e, conforme ela mesma se desculpou em um cartão postal anexo ao deck, ela demorou muito a envia-lo. Na verdade, passaram-se 70 dias entre a encomenda (feita no site da autora) e a entrega pelos Correios.
É um deck Lenormand de muito fácil leitura, com imagens bastante sugestivas e tradicionais. Portanto, creio ser ele perfeitamente adequado a quem está começando seus estudos ou, até mesmo, o cartomante com muita experiência.

Deck: LUCKY LENORMAND ORACLE DECK
Autora: Monica Bodirsky
Site: www.bodirsky.com

quinta-feira, 1 de junho de 2017

"Agni Roerich Tarot": unboxing e comentário


Em primeiro lugar devo me desculpar por dizer, no vídeo, que este deck de cartas é russo. Não é. É ucraniano.
Isto posto, há que ser dito que suas imagens são muito bonitas, bastante inspiradoras e revelam uma alta dose de espiritualidade nas pinturas criadas pelos seus autores  Nicholas e Svetoslav Roerich.
O que  me incomoda, neste deck, é a qualidade das ilustrações, que parecem ter sido mal impressas, ligeiramente desfocadas, granuladas, e com cores desbotadas. Devemos levar em conta que são reproduções de telas originais, pintadas pelo artista mas, exatamente por isso e pelos recursos técnicos, em termos de fotografia, de gráfica e de qualidade de reprodução que atualmente possuímos, as imagens parecem não fazer jus ao nível de excelência das obras originais.
Estou certo que isso, que para mim parece um inconveniente, não afeta em absoluto a qualidade da leitura feita com esse deck, até mesmo porque as imagens são, em sua totalidade, muito inspiradores, com um elevado grau de espiritualidade embutida em suas figuras.
Adquiri o meu de um fornecedor búlgaro, entretanto pode ser encontrado no site da Amazon. com (o site norte-americano da Amazon).
Deck: Agni Roerich Tarot
Autores:  Nicholas e Svetoslav Roerich
Site Amazon norte-americana: https://www.amazon.com/Spiritual-Paintings-Nicholas-Roerich-Symbolism/dp/B01LNY7BEE
Site ucraniano: http://ezoterra.com.ua/runy-taro/taro/karty-taro-agni-rerihov.html

quinta-feira, 18 de maio de 2017

"Kipper Roaring 20's Fortune Telling Cards": unboxing e comentário


Nos últimos 6 meses estamos presenciando um notável e rápido surgimento de decks do sistema oracular Kipper, sistema alemão, criado há aproximadamente 160 anos na Baviera por uma tal de Frau Kipper. Isso me lembra que também o Lenormand teve um vertiginoso crescimento de adeptos, estudiosos, colecionadores a partir de 15 anos atrás quando os cartomantes (especialmente os norte-americanos) passaram a conhece-lo e, consequentemente, o mercado de criadores de cartas oraculares passou a investir intensamente para suprir a demanda.
Sem investigar mais profundamente os fatos históricos referentes ao aparecimento do Kipper, podemos lembrar que esse período (final do século 19) foi uma época de valorização do militarismo na Alemanha e Áustria (seu berço de origem), e um bom número das suas cartas refletem isso (Soldado/Oficial, Juiz, Prisão, Fórum).
Diferente do baralho Lenormand, que tem apenas 3 cartas representando diretamente figuras humanas (pessoas, personagens, gênero, etc), o Kipper traz 11 (Homem, Mulher, Senhor, Senhora, Senhorita, Rapaz, Criança, Soldado, Juiz, Pessoa Falsa e Ladrão).
Além disso, também diferente do Petit Lenormand, o Kipper possui uma carta específica para o Trabalho.
No conjunto, ambos os sistemas compartilham algumas similaridades tais como 36 cartas e os esquemas de jogo e maneiras de realizar as tiragens.
Este deck, "Kipper Roaring 20's Fortune Telling Cards" da autora e cartomante australiana Lynn Boyle, traz ainda mais 8 cartas dedicadas às possíveis questões de gênero envolvidas na leitura de uma Mesa Real (GT: Grand Tableau), uma quadra de 9, uma linha de 3 ou de 5, etc.
As cartas são no tamanho tradicional dos decks de Kipper e Lenormand, ou seja, "poker" e o papel utilizado, assim como a arte-final, são de 1ª qualidade.

Deck: KIPPER ROARING 20'S FORTUNE TELLING CARDS
Autora: Lynn Boyle
Site: www.etsy.com (Loja Virtual: AQUARIUS WELLBEING)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

VINTAGE PHOTOGRAPHIC LENORMAND - PASTEL EDITION: unboxing e comentário



Lynn Boyle é uma conhecida cartomante e criadora de decks de cartas oraculares. Seus baralhos Lenormand e Kipper, além de outros sistemas que ela também trabalha, são mundialmente reconhecidos pela qualidade do material usado (gramatura de papel, brilho acetinado, etc) como pela beleza das imagens que ela cria ou utiliza.
"Este Vintage Photographic Lenormand" traz como subtítulo, "Pastel Edition", ou seja: foi criado para ser um deck de cartas em Preto e Branco mas, com o passar do tempo e da demanda do mercado, Lynn decidiu "colorizá-lo". O resultado ficou muito bom, bastante atraente e deu-lhe um aspecto "vintage", bastante em moda entre os criadores de decks.
Como é comum nos dias de hoje, fomos contemplados com mais algumas cartas extras a fim de possibilitar a leitura para casais de todos os gêneros e orientação sexual. Também a carta da Criança (#13) traz uma alternativa e agora temos um menino e uma menina.
O tamanho é o "poker", tradicional nas cartas Lenormand e acompanha 3 folhas impressas com os significados (excelentes!) de cada carta, além de uma bolsa em tecido sintético para abrigar o deck quando não em uso.
Deck: VINTAGE PHOTOGRAPHIC LENORMAND - PASTEL EDITION
Autora: Lynn Boyle
Site: Etsy.com, loja virtual: AquariusFortunes

quarta-feira, 12 de abril de 2017

"Langustl Tarot": unboxing e comentário


Esse é, antes de mais nada, um deck de cartas de Tarot que eu não recomendaria a alguém que está dando os primeiros passos na cartomancia.
Apesar da sua arte der figurativa e expressionista, não se vê nelas, com facilidade, as imagens e símbolos aos quais estamos mais acostumados encontrar em decks desse sistema oracular. Neste conjunto de 78 cartas, as imagens são fortes, coloridas, poderosas, com uma carga emocional que transparece nas visíveis pinceladas de tinta transformadas nos arcanos do Tarot. Talvez essa ousadia em termos de cor e forma e essa "potência" imagética sejam resultado da formação do seu criador: o exército alemão, a profissão de carpinteiro e, finalmente, terapeuta numa clínica de reabilitação neurológica.
Como um deck de Tarot, o "Langustl Tarot" é perfeitamente utilizável para leituras. Entretanto, na minha opinião, ele é muito apropriado à meditação ou à contemplação das cartas além, naturalmente, para estudo. Suas imagens são agradáveis, de colorido primário e de traços marcantes, mas é o olhar treinado do cartomante com alguma sólida experiência que irá "desvendar" as muitas possibilidades interpretativas ou simbólicas que parecem, à primeira vista, estarem ocultas num labirinto de cores e linhas.

Deck: LANGUSTL TAROT
Autor: Langustl
Site: http://www.langustl.de/index.php/en/l...

sábado, 8 de abril de 2017

"Fortuna Lenormand": unboxing e comentário



Fortuna era o nome que os antigos romanos davam à deusa da sorte, do acaso, do destino e, muito apropriadamente, foi o nome escolhido para este deck do sistema Lenormand: "Fortuna Lenormand".
São 36 cartas ilustradas e diagramadas pelo cartomante José Fernando Martins de Oliveira que, além de sensível e tecnicamente impecável artista gráfico, faz um excepcional trabalho na divulgação de Cartomantes e de produtos oraculares em suas mídias (Facebook, YouTube): SORTE LENORMAND.
Com imagens que ocupam toda a extensão das cartas (tamanho Poker), contendo um mínimo de grafismos mas incluindo o número e o naipe embutido, o "Fortuna Lenormand" é um deck de cartas ideal para todos que deles se utilizarem, tanto pela clareza e objetividade das imagens quanto pela facilidade de leitura das mesmas, portanto, perfeito para quem está adquirindo o seu primeiro deck Lenormand quanto pelo cartomante mais experiente.
O mercado da Cartomancia cresce em todo o mundo de maneira acelerada. Todos os dias temos dezenas de novos decks, dos mais variados sistemas oraculares, sendo oferecidos a um público sempre ávido por novidades. Nem tudo, naturalmente, possui qualidades que justifiquem terem sido criados. Muitas vezes o papel utilizado, a embalagem, o nível da impressão, as imagens e ilustrações mal resolvidas tecnicamente tornam esses equipamentos inúteis ao estudante dedicado e ao cartomante sério.
Há que se estar atento, ao adquirir um deck, a diversos fatores, entre eles observar atentamente se ele está de acordo com o sistema oracular que pretende representar. Às vezes, decks auto editados, auto produzidos, fogem de regras básicas e são, nada mais nada menos, que verdadeiras "viagens", delírios de quem os criou.
Se estar de acordo com o sistema pretendido é uma condição básica, também o é o nível de empatia, de reconhecimento, de atração que temos pelas suas imagens. Vamos lembrar que 36 pedaços pequenos de papel estampado não são mágicos e que a magia ocorre dentro de nós, a observarmos essas imagens, ao nos deixarmos invadir pelas suas formas, cores, símbolos, arquétipos, sinais gráficos e tudo o mais que o artista (que na maioria das vezes nem é cartomante e sim uma pessoa contratada para criar um produto direcionado ao mercado dos oráculos) utilizou para nos fornecer elementos para "criamos a mágica" dentro de nós (intuição).
Além disso, um bom deck de cartas deve resistir, íntegro, ao manuseio constante, e durar alguns anos em perfeitas condições de uso. Ninguém quer, ou gosta, de pagar por algo que é perecível, em que não foram utilizados os melhores papéis, tintas, vernizes, equipamento gráfico, de recorte e, também, de embalagem. Uma boa embalagem ajuda, e muito, a proteger o baralho quando está numa gaveta, sobre uma mesa, numa prateleira, ou em movimento, dentro de uma bolsa, um bolso, sendo levado para um atendimento qualquer.
Nesse ponto, além de cumprir os demais requisitos qualitativos, o FORTUNA LENORMAND se destaca da grande maioria, inclusive os de origem estrangeira, vindo acondicionado não apenas numa, mas duas bolsas protetoras e que muito o enfeitam: a primeira, numa organza sintética iridescente e, dentro desta, uma segunda em lamé dourado. Esteticamente delicado e muito bonito.
O "Fortuna Lenormand" é resultado de uma bem sucedida parceria entre a cartomante GISELE LEIZER  e o CANAL SORTE LENORMAND (leia-se José Fernando Martins de Oliveira) e traz ainda como um brinde a quem o adquirir a possibilidade de conhecer e utilizar um "Oráculo das Pedras" (que deverá ser "baixado" em formato PDF mediante solicitação através de e-mail).
Deck: FORTUNA LENORMAND
Cartomante: Gisele Leizer
Artista Gráfico: José Fernando Martins de Oliveira
Site: https://www.facebook.com/jfernandomartinsoliveira

quinta-feira, 6 de abril de 2017

"THE SOVEREIGN KIPPER CARDS": unboxing e comentário


Dia a dia cresce a oferta de decks de baralhos do sistema Kipper e, para a nossa satisfação, o cartomante ALEXANDRE MUSRUCK criou um dos mais bonitos que ora temos no mercado.
THE SOVEREIGN KIPPER CARDS é inteiramente construído sobre imagens de pinturas dos períodos romântico e simbolista das artes europeias. O cartomante-artista teve o trabalho de selecionar imagens que traduzissem muito aproximadamente o significado principal de cada carta deste sistema, o que, por si só, apresenta uma grande dificuldade: há que se obedecer a direcionalidade (a posição das figuras) propostas pelo deck original.
Ou seja: lê-se as cartas Kipper baseando-se na direção dos personagens ou objetos que elas retratam e, para tanto, e para ser fiel ao sistema, é preciso que os artistas criem novos decks seguindo sempre o que o baralho original (alemão) mostra.
O que se pode apreciar, de imediato, é que é um deck de cartas feito com ótimo papel, em tamanho Poker, com uma excelente qualidade de impressão e com as bordas em douração. Vem acondicionado numa sólida e muito prática caixa de material plástico e se faz acompanhar de um pequeno folder com os significados principais de cada carta.
Como este sistema, apesar de ter praticamente a mesma idade do Lenormand, ser ainda pouco conhecido e utilizado, ainda é muito difícil encontrar manuais ou qualquer outro tipo de literatura a respeito, que não seja em alemão. Para ajudar quem deseja conhecer mais o sistema Kipper ou está se iniciando nele, Alexandre Musruck escreveu um excelente livro, "THE ART OF KIPPER CARDS READING", com 350 páginas, sobre o assunto. Trata dos significados de cada carta e de combinações das mesmas, além do histórico do sistema e de alguns exemplos de jogadas bem como técnicas de leitura e interpretação. É, até o momento (março/2017), na minha opinião, o melhor material disponível além dos muito livros escritos, como já mencionei, em língua alemã.
Deck: THE SOVEREIGN KIPPER CARDS
Autor: Alexandre Musruck
Site: www.angelcartomancy.com

quinta-feira, 30 de março de 2017

Arcanos Menores do Tarot: 8 de Ouros


O 8 de Ouros, entre outras possibilidades de interpretação, pode, também, ser compreendido como o tempo e esforço dedicados no aprendizado de qualquer assunto ou profissão, treino; produtividade, produção e linha de produção; fabricação em série; especialidade, especialista; isolamento e dedicação ao trabalho, ao treino, à uma atividade; prêmios, diplomas, medalhas conquistadas; dedicação e exclusividade a uma atividade; ser previdente, acumular para o futuro (a fábula da Formiga e da Cigarra é um bom exemplo); colecionar, etc, etc.

segunda-feira, 20 de março de 2017

"Kippers - Vintage Photo's": unboxing e comentários


O oráculo (método ou sistema, como queiram) Kipper é a "pedra da vez", o novo "queridinho", o "assunto do momento" entre os cartomantes, especialmente nos Estados Unidos da América. Esse oráculo que teve a sua primeira edição publicada aproximadamente na mesma época do Lenormand, parece-me que só começa a ganhar visibilidade e a consequente popularidade na atualidade a partir da publicação de um "clone" reinterpretado pelo famoso criador de cartas oraculares, o ítalo-americano Ciro Marchetti, no final de 2015.
A partir do início de 2016 o mercado começou com uma verdadeira avalanche de decks de cartas do sistema Kipper, algumas mais´, outras menos, fiéis a ele (ao deck original). Isso é natural quando existe procura, quando mais pessoas se interessam em aprender e conhecer. Vi isso, poucas décadas atrás, com o Lenormand, que começou a se popularizar nos USA e acabou gerando uma infinidade de novos decks para atender a todos os tipos de gosto, todos os tipos de estética entre os cartomantes e os colecionadores de cartas.
Agora, pelo que vejo, é a vez do Kipper: muita gente criando seus próprios baralhos e vendendo autonomamente através da internet. Esse é também o caso da artista e cartomante australiana Raylene, da RKDuffyArt (uma loja virtual no site da Etsy.com) que criou esse Kipper com fotos em preto e branco numa, imagino, homenagem a artistas do cinema, especialmente dos anos50, 60 e 70.
A qualidade do papel e impressão são boas, o tamanho das cartas é o tradicional "poker", acompanha o conjunto um link para "baixar" uma apostila (muito boa) sobre os significados das cartas e as mesmas vieram dentro de uma pequena bolsa de tecido transparente.
O que me agrada nesse deck é o fato de que grande parte das cartas acompanham a mesma direção (olhar, posição do corpo, sentido da rua, etc) do baralho original alemão e isso é fundamental para uma leitura própria e assertiva desse método. Muita gente acredita que a maneira de leitura e interpretação do Kipper e do Lenormand são semelhantes, pois ambos tem as mesmas 36 cartas, o mesmo tamanho e a mesma procedência europeia, mas é aí que terminam as semelhanças, Kipper não é para ser lido de uma maneira combinatória, mas sequencialmente e sempre seguindo o sentido de direção indicado pelas figuras nas cartas. Portanto, a posição da cabeça, a direção do olhar, se a estrada vai da esquerda para a direita, se a figura feminina segura a carta no lado direito ou esquerdo da lâmina, etc, tudo isso é parte integrante do método de leitura Kipper.
O que não me agrada, nesse deck, é que a maioria das cartas estão limitadas a rostos (fotos promocionais feitas pelos estúdios onde esses atores trabalhavam), com o olhar ou a posição do rosto, quase sempre, voltadas para a frente, encarando o espectador, não deixando claro qual a carta (da esquerda, da direita, superior ou inferior) para a qual ele "indica" ou "aponta".
Também considero um possível fator de distração a associação de figuras conhecidas (ainda conhecidas por muitos e, naturalmente, pelos cinéfilos-cartomantes) que, mesmo sem querer, podem acabar alterando o significado das cartas por motivo de maior ou menor simpatia pelo ator ou atriz, ou por associá-lo, inclusive inconscientemente, a um personagem mais marcante. Acredito que, sempre que possível, as cartas de um oráculo deveriam manter uma certa neutralidade, não correndo o risco de privilegiarem umas em relação à outras.
Acredito, sim, que dentro de algum tempo, passada a euforia e a demanda de um mercado ainda curioso, quando apenas os mais dotados de talentos artísticos e do necessário conhecimento da origem, evolução histórica, da técnica de leitura e das possibilidades intepretativas das cartas Kipper continuarem criando os decks desse sistema, teremos baralhos mais completos em termos qualitativos de imagem.
De qualquer maneira, apesar de não ser um deck que eu indicaria a uma pessoa que esteja se iniciando nesse sistema, eu acredito que possa ser perfeitamente usado pelo cartomante mais experiente,

Deck: "KIPPER - VINTAGE PHOTO'S"
Autora: Rylene K. Duffy
Adquirido na loja virtual RKDuffyArt, no site da Etsy.com

quinta-feira, 9 de março de 2017

"PARIS PRIMITIVE LENORMAND" (c.1890): unboxing e comentário



Basicamente, o conteúdo do site www.gameofhopelenormand.com é formado por réplicas de originais adquiridos por Lauren Forestell, sua proprietária, em leilões e de coleções particulares.
O que a empresa virtual dessa senhora faz é recuperar, digitalmente, os decks antigos, fora de circulação e de catálogo dar-lhes vida nova através de um bastante minucioso trabalho gráfico.
Como neste "Paris Primitive" (impresso em 1890 por Didot), os decks desse site não trazem a figura de naipe como um "insert" nas cartas, o que pode ajudar bastante a entender como, na Europa, os cartomantes que usavam o Lenormand adotavam ou não, a leitura secundária ou complementar fornecida pelos naipes.
Como qualidade de papel e de impressão, o deck é muito bom, praticamente nada deixando a dever às grandes casas editoras como a A.G.Müller, Lo Scarabeo ou U.S.Games.
As imagens são réplicas fotográficas, digitalmente corrigidas e/ou recuperadas (quando necessário) de cartas originais, nem sempre em seu melhor estado de conservação ou, mesmo, de impressão.
Portanto há de se esperar manchas, cores saturadas, contrastes acentuados e uma estética que muitos de nós pode não apreciar. Mas, para o colecionador e, mesmo, para um designer, tudo isso adquire uma importância muito grande pois é através desse olhar para o passado "real" (não aquele "maquiado" por novas tecnologias de impressão e criados recentemente para atender a um gosto particular e passarem-se por "antigos") que podemos encontrar novas referências e perceber detalhes muitas vezes faltantes ou obscuros em decks mais atuais.
A maioria dos decks vendidos no site mencionado têm inscrições em alemão, o que pode ser um empecilho para quem, como eu, não lê ou escreve nesse idioma, superável, porém, com muita paciência e o uso de dicionário.
As cartas vêm embaladas em uma pequena bolsa de veludo e não acompanha nenhum tipo de informação extra. Apenas as cartas 28 e 29 têm seus "duplos" e uma carta "de topo" foi acrescida reproduzindo o frontispício da embalagem original.
Deck: PARIS PRIMITIVE  / DIDOT (1890)
Impresso: Didot, em 1890
Site: www.gameofhopelenormand.com

quarta-feira, 1 de março de 2017

4 de Ouros: entre o amor pelo dinheiro e o amor a Deus


Os que acompanham minhas postagens neste blog ou nos vídeos que faço sabem que evito misturar Cartomancia e Religião. Não vejo nada de errado em quem o faça, entretanto optei, há muitas décadas, em usar o Tarot e outros sistemas oraculares, desvinculados de preferências religiosas e/ou experiências místicas. Decisão pessoal que mantenho.
Entretanto, como um "estudante constante" da Cartomancia, muito me apraz quando um artigo, um livro, um filme, um espetáculo teatral, uma pintura, escultura, etc, me remete de imediato a um Arcano ou imagem cartomântica qualquer.
Ao ler o texto abaixo, de imediato me veio à memória o naipe de Ouros do Tarot e, em especial, o 4 de Ouros. Ainda que todos saibamos que todas as cartas representam aspectos positivos e negativos, o 4 de Ouros é a carta dos Arcanos Menores do Tarot que provavelmente melhor represente o nosso apego.
O apego (também compreendido como: avareza, fissura, miséria, pão-durismo, mesquinhez, fidelidade, insistência, agarramento, fixação) ao dinheiro, aos bens e demais aspectos materiais da existência (que vão desde o nosso aparelho telefônico, passando pelos imóveis que possuímos até os nossos cuidados com a beleza física) de maneira geral, pode ser fruto de uma série de fatores mas, sem dúvida, representa um desequilíbrio que necessita ser moderado, comedido, harmonizado.
Numa sociedade capitalista, onde as reais virtudes nem sempre são reconhecidas e recompensadas e nem os valores  são atribuídos de maneira lúcida, equilibrada, igualitária, a importância dada ao "ter" ultrapassa, frequentemente, os princípios, os padrões, a relevância e a significação do que "somos".
No texto abaixo, escrito por Mauro Lopes, transcrito inteiramente do seu blog "Caminho pra Casa", o autor comenta as observações que filosofia e a psicanálise fazem a respeito desse culto ao aspecto mais material da existência e o quanto o "vazio existencial" abre brechas para que busquemos nos mais variados objetos de consumo a nossa necessidade de nos "preencher" e "reter" para que possamos nos ver inteiros... hipnotizados pelo reflexo de falsa abundância da nossa própria carência.


"Como Giorgio Agamben e Walter Benjamin releram as observações cristãs sobre o dinheiro. Por que a psicanálise o associa à matéria fecal, à “insuficiência de mim” e à guerra de todos contra todos"

Por Mauro Lopes, editor do blog Caminho pra Casa |

O filósofo italiano Giorgio Agamben, um dos relevantes protagonistas do pensamento crítico na virada do século XX para o XXI disse numa entrevista em 2012 que “Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro” (aqui). A afirmação de Agamben inspirou-se em outro filósofo, este um protagonista da primeira metade do século XX, um pensador fora da curva, Walter Benjamin. Em seu curto e denso “O Capitalismo como Religião”, de 1921 (aqui), Benjamin escreveu que o capitalismo é em si mesmo a religião mais implacável que já existiu, e promove um culto ininterrupto ao Dinheiro, “sem trégua nem piedade”, uma religião que não visa a reforma da pessoa, “mas seu o seu esfacelamento”.[1]
O filósofo alemão sugeriu uma comparação entre as imagens dos santos das religiões e as cédulas de dinheiro de diversos países –ele não imaginava, à época, que este Deus-dinheiro estaria diretamente louvado nas cédulas nos EUA (In God we Trust, em Deus Confiamos) e, desde 1980, no Brasil, onde lê-se em todas as notas a frase de adoração à moeda corrente: Deus seja louvado.
Ambos foram influenciados por um dito de Jesus, que está no centro da liturgia católica do 8º Domingo do Tempo Comum (26), às portas do período quaresmal que antecede a Semana Santa e a Páscoa: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” O texto proclamado é do Evangelho de Mateus (Mt 6,24-34). A oposição entre Deus e o dinheiro é um tema central ao longo da história e, para Jesus, a relação de cada qual com o dinheiro é definidora de sua relação com as outras pessoas e a vida.

Como essa questão aparece na vida das pessoas? A psicanálise procurou investigar a relação entre o ser humano e o dinheiro e chegou a conclusões que podem soar surpreendentes e inacreditáveis num primeiro momento. Como apontou o sacerdote jesuíta e teólogo espanhol Carlos Domingues Morano, dinheiro é um assunto crucial, apesar de muitas vezes escamoteado -como o sexo. Na verdade, o tema nunca é “só dinheiro”. As relações entre os homens/mulheres com o dinheiro comportam dimensões nem sempre lógicas, que extrapolam o discurso racional mais ou menos organizado –é sempre “algo mais” que dinheiro.[2] Na relação das pessoas com o dinheiro, revelou-nos a psicanálise, “está também implicada uma ‘questão de amor’; dito em termos mais freudianos, uma questão de ordem libidinal, inconsciente e com raízes na infância. Isso nos permite compreender, entre outras coisas, porque, assim como ocorre com a sexualidade, o dinheiro provoca tantas reações de dissimulação, falso pudor e hipocrisia.”[3]

Há uma questão oculta que Freud trouxe à tona –e causou enorme mal-estar: a intimidade entre nossa relação o dinheiro e a fase da libido anal, relacionando-o com os excrementos.
O valor nodal do dinheiro para os adultos é, descobriu Freud, análogo ao altíssimo valor que os excrementos possuem para as crianças. Outro psicanalista, Sandor Ferenczi, do grupo de Freud, demonstrou o caminho passo a passo pelo qual a criança efetua a sublimação do conteúdo anal até chegar, finalmente, à transmutação simbólica em dinheiro. “A matéria fecal vai passando por uma série de substituições, nas quais vai progressivamente distorcendo a  primitiva satisfação auto erótica relacionada com a defecação: o barro, a areia, a pedra, o jogo com bolinhas de gude e botões todos objetos que proporcionam tanta satisfação à criança que facilitam a substituição do fétido, duro, mole pelo inodoro, seco duro.”[4] O dinheiro ingressa nessa cadeia de sublimações por um caminho complexo até desvincular-se de toda a aparência com sua “fonte original” e permitir o surgimento da máxima de que o dinheiro não fede (pecunia non olet).
A relação entre as fezes e o dinheiro pode parecer um absurdo num primeiro momento. Mas, se observamos com mente aberta, veremos que são abundantes e recorrentes as imagens e símbolos que desnudaram ao longo da história relação que os homens estabelecem entre as fezes e o ouro ou o dinheiro. Uma delas é a figura do “cagador de ducados” que está representada nos portais de bancos alemães. São inúmeras as expressões populares que  consagram esta associação sem que nos demos conta disso. Quando uma pessoa tem muito dinheiro dizemos que está “podre de rica”; se o dinheiro tem origem suspeita, falamos em “dinheiro sujo” e, ao contrário, se a pessoa está sem dinheiro, dizemos que está “limpa”; ou que está “apertada”.



Esta relação foi capturada mais de mil anos antes de Freud numa intuição genial do bispo Basílio de Cesareia, em meados do século IV. São Basílio decretou: o dinheiro é o cocô do diabo. A expressão foi deixada de lado pelos cristãos séculos a fio até que São Francisco, no século XII, mencionou Basílio; agora, ela foi novamente posta á luz pelo Papa Francisco em fevereiro de 2015, apesar de ele preferir a palavra “esterco”, talvez menos crua. Clique e veja o vídeo em que o Papa menciona a expressão de Basílio (Francisco trata do assunto entre 1min50 e 2min30).
Como se dá esta articulação dinheiro-fezes? A psicanálise explorou as relações entre as dinâmicas de possessão, características da fase anal, e de propriedade, fundante da civilização ocidental e especialmente do capitalismo.
Quando uma criança perde suas fezes sente a dor de ter deixado escapar algo que lhe era tão essencial que estava dentro  de si, era parte de seu corpo, mas que não mais consegue por de volta; isto é a possessão. A propriedade refere-se a objetos externos, mas que deveriam me pertencer, “coisas que de fato estão fora, mas simbolicamente estão dentro”. São objetos revestidos de “qualidade do eu”. Para muitas pessoas, talvez a imensa maioria no capitalismo, o dinheiro reveste-se desta qualidade do eu. Isso origina processos intensos de defesa e projeção. Perder  dinheiro para essas pessoas é muito mais que perda de algo externo, exterior, “mas sim de algo que foi previamente in-corporado”, ou seja, algo que se tornou parte de mim. A posse e controle do dinheiro têm o mesmo papel que o controle da atividade defecatória para a  criança diante do mundo exterior. Uma “relação regressiva com o dinheiro ou com a propriedade de objetos” fica impregnada pela dimensão possessiva (retentiva) da fase anal.[5]

O resultado é avassalador: o amor ao dinheiro, quando extravasa suas funções de adaptação à realidade, acaba expressando uma dimensão infantil da afetividade, o que implica uma dominância do narcisismo, um desenvolvimento truncado da afetividade (da relação com o outro, da capacidade de amar e/ou odiar) e do autorrespeito e respeito pelo outro.[6] Esta infantilização narcísica dos ricos ou, dos “novos ricos”, numa expressão recorrentes de Basílio, é facilmente verificável na convivência com eles e espalha-se em ondas pela indústria do entretenimento, especialmente o cinema feito para o grande público.



Imagem: Coleção de Cartas de Tarot 4 de Ouros

Ter e reter dinheiro são tentativas continuadas de encobrir as carências internas e conquistar segurança. Lembro-me de uma conversa com um consultor de  investimentos sobre um casal, cliente do banco em que ele trabalhava. Eles haviam feito uma série de contas em planilhas (como se a vida pudesse ser contida em planilhas Excel) e concluído que quando tivessem R$ 20 milhões em aplicações financeiras (excluídos bens como casa e carros) poderiam finalmente “desestressar” e olhar com tranquilidade para a vida. Esta posição remetia-os a frequentes crises de insegurança e angústia extrema, pois como escreveu Erich Fromm, “se sou o que tenho e o que tenho se perde, então quem sou?”[7]
Ou, expressando Fromm de maneira complementar: se sou o que tenho e nunca tenho o que considero suficiente, sempre haverá uma “insuficiência de mim” que precisa ser coberta e recoberta com necessidade de acúmulo cada vez maior enquanto o fosso da insegurança aprofunda-se, na medida em que a possibilidade apavorante da perda de dinheiro para outro é um fantasma permanente. É uma vida em estado de guerra permanente para defender o que é “meu” contra aquele que deseja apropriar-se, podendo ser desde um competidor, políticas públicas de um governo que deixam de favorecer o crescimento de minha fortuna, os pobres que se mobilizam para tomar dinheiro do governo que a mim pertence “de direito”. Pois o capitalismo garante: tenho direito a possuir tudo e tudo reter para mim, sem limites.
Sim, o capitalismo é, numa linguagem popular, o encontro da fome com a vontade de comer. Nele, esta condição pulsional presente na vida de cada ser humano é organizada como um sistema social que alcançou, na expressão de Benjamin, a dimensão suprema de um culto organizado e sistemático.  O psicanalista austríaco Otto Fenichel demonstrou como, antes de tudo, a função real do dinheiro numa sociedade determina o alcance e a intensidade das tendências pulsionais de retenção.  Tais processos acontecem em sociedades determinadas com estruturas econômicas, sociais e culturais determinadas, com uma Igreja determinada e, portanto, alcançam dimensões que, levando em conta as escolhas e histórias individuais, situam-nas num contexto geográfico-temporal preciso.
Portanto, a “mobilização para a guerra” que garanta a cada indivíduo o seu “direito supremo à retenção” é o mantra do capitalismo e “mobiliza a hostilidade como tendência a despojar o outro, de modo a fazer com que o desejo de fraudar, explorar e frustrar os outros acabe se convertendo numa autêntica norma cultural.”[8] Essa hostilidade torna-se a base relacional que se reproduz em todas as relações, mesmo as mais íntimas: assim, por exemplo, o encontro com o outro ou a outra para a vida amorosa e o casamento converte-se numa série de cálculos e contratos e precauções para a possibilidade futura de separação e rompimento.
A dissonância absoluta entre o amor pelo dinheiro e o amor a Deus proclamada por Jesus e como ela atinge dimensões dramáticas no interior de um sistema que no qual o dinheiro ocupa o lugar de Deus. Trata-se de uma incompatibilidade radical, apesar de todos os esforços dos rigoristas e integristas católicos, dos neopentecostais e outros cristãos para amenizar as palavras de Jesus e relativizá-las: “Não é possível amar a Deus, isto é, amar a generosidade, a entrega, a solidariedade, a compaixão e a misericórdia e ao mesmo tempo amar o dinheiro, isto é, amar o tomar tudo para si, a acumulação que é a base de toda a injustiça e de todo o desamor: fome, guerra, exploração, morte etc.”[9]
É o que tem feito seguidamente o Papa Francisco. Uma das marcas de seu pontificado é a denúncia da submissão ao Deus-dinheiro.  A primeira vez em que explicitou sua postura foi dois meses depois de sua posse. Em maio de 2013, ele afirmou, num discurso que indicou a revolução nascente no Vaticano, que no capitalismo “criamos novos ídolos; a adoração do antigo bezerro de ouro encontrou uma nova e impiedosa imagem no fetichismo do dinheiro e na ditadura da economia sem rosto nem propósito verdadeiramente humanos” e que a base deste culto ao Deus-dinheiro está “na relação que temos com o dinheiro, em aceitar o seu domínio sobre nós e sobre as nossas sociedades”. Três anos depois, numa entrevista, em agosto de 2016, o Papa acentuou: “No centro da economia mundial está o deus Dinheiro, e não a pessoa, o homem e a mulher”. Na mensagem para a Quaresma de 2017, período que se abre com a Quarta-feira de Cinzas Francisco foi taxativo: “A ganância do dinheiro é a raiz de todos os males”.
Se para os cristãos, o amor não é apenas um preceito, mas é o conteúdo sobre o qual o cristianismo está edificado, se é a “pedra angular”, o apego ao dinheiro, fonte de desamor, não se restringe a um problema ético, mas é um ataque direto à fé. A fidelidade a Deus fica interditada para aquele que não realiza a escolha por Ele e, por caminhos explícitos ou cheios de sombras e ilusões e autoengano, opta pela  adoração à coisa: o dinheiro.
Por isso as religiões estão profundamente abaladas em seu fundamento na contemporaneidade e, muitas delas, ou tendências poderosas em seu interior, como no caso da Igreja Católica, realizam explicita ou implicitamente operações de substituição de um culto pelo outro, colocando o dinheiro no lugar de Deus. Tornam-se promotoras da tendência pulsional identificada por Jesus e estudada à profundidade pela psicanálise e igrejas-sucursais da “religião oficial”: o capitalismo.
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[1] Benjamin, Walter. O capitalismo como religião. São Paulo, Boitempo Editorial, 2013, p. 22
[2] Morano, Carlos Dominguez. Crer depois de Freud. 3ª edição, São Paulo, Edições Loyola, 2003, p.233
[3] Ibid. Morano, 2003, p. 234
[4] Ibid. Morano, 2003, p. 236
[5] Ibid. Morano, 2003, p. 239
[6] Ibid. Morano, 2003, p. 240
[7] In Morano, 2003, op cit., p. 240
[8] Ibid. Morano, 2003, p. 243
[9] Ibid. Morano, 2003, p. 246