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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Carta do Dia: 9 DE OUROS

 Minor-Discs-09Vaudeville      Havia tantos meses que acontecera, mas ela ainda parecia ouvir os aplausos dos técnicos, da diretora do programa e até da atriz-apresentadora quando a gravação terminou. Era a primeira vez na sua vida em que ela era filmada e, ainda por cima, com uma personalidade a entrevistando e o programa sendo distribuído por todo o país. Era uma consagração do seu talento, do seu esforço, da sua fé em si mesma, nas pessoas que acreditaram nela. Sua patroa, a jornalista especializada em gastronomia, sorria e abraçou-a, cumprimentando-a e dizendo que aquele era apenas um começo. Na verdade, era.

     Depois que o programa de culinária foi exibido em rede nacional, choveram convites para demonstrações, aulas, workshops, seminários em todo o país e, até mesmo, na Argentina. A própria empresa que produzira aquela gravação ofereceu-lhe um excelente contrato para um programa só dela, onde cozinharia, receberia outros culinaristas, faria gravações externas mostrando o melhor da culinária em cada estado. Sua patroa, sempre ao seu lado, ajudou-a a selecionar o que havia de mais interessante a ser aceito e feito, inclusive colaborando, com sua expertise a negociar os contratos. Em breve ela não estava mais trabalhando como cozinheira “em casa de família”, como sua tia e primas costumavam dizer, mas era autônoma, dona de seu próprio programa de TV, sendo convidada para uma dezena de outros, terminando de compilar suas melhores receitas para um aguardado livro e ministrando cursos pelo país.

     Devido à facilidade de ir ao estúdio de gravação e à necessidade de se locomover mais rapidamente entre um compromisso e outro, havia alugado um apartamento, enquanto escolhia algum outro para comprar. Sentia, entretanto, falta da casa da tia, da simples, mas farta, mesa posta para o café da manhã, das conversas e risadas com as primas, da simpatia dos vizinhos, da tranquilidade do subúrbio. Sabia, entretanto, que era mais prático e necessário que ela morasse próximo dos locais onde trabalhava e de onde poderia estar a minutos do aeroporto, que agora lhe parecia sua segunda casa, tal a frequencia que o utilizava em suas viagens profissionais pelo país.

     Estivera visitando a irmã e os demais parentes lá no interior, numa rara folga que tivera. Apesar deles nunca terem assistido a um de seus programas, sabiam do seu sucesso através das revistas que lhes chegavam às mãos. A casa onde havia nascido e crescido continuava exatamente igual ao momento em que partira. Até mesmo sua cama e alguns objetos sobre a mesinha que servia de apoio em seu antigo quarto, continuavam absolutamente iguais. Nem parecia que quase 3 anos haviam se passado desde que entrara naquele ônibus em direção à metrópole tão distante e aos seus sonhos. Achou engraçado quando o presidente do partido político que predominava na região, sabendo da sua presença, veio rapidamente solicitar uma “entrevista” e, entre café e bolinhos que a irmã preparara para esperá-la, convidou-a para lançar-se como candidata na próxima campanha eleitoral. Agradeceu e delicadamente declinou o convite dizendo-se não preparada para nenhum cargo, além do fato de que seus interesses profissionais e de realização pessoal já estavam acontecendo. Ela era uma cozinheira, e estava feliz com isso. Mas aproveitou para cobrar dele, eminente político profissional, melhorias para a vila e para as estradas vicinais que atendiam a tantos sitiantes, como o fora seu pai e, agora, era sua irmã. Postos de saúde equipados e em funcionamento, bem como escola em condições de oferecer o melhor ensino possível, era isso o que ela estaria atenta, mesmo distante fisicamente, para ver se seriam criados na região. Ele, encantado com a sua desenvoltura, concordava com tudo, entre goles de café quente. Ao final, antes de sair, pediu-lhe que se deixasse fotografar com ele, pois, afinal, ela era uma personalidade e uma foto ao lado dela iria ajudar, e muito, em sua companha à reeleição. Ela riu e piscou para a irmã.

     Voltou para a grande cidade carregada de sacolas e pacotes com frutas, sementes, temperos, ervas, farinhas, polvilhos e muitas idéias. Arrumou tudo antes de tomar um longo e reconfortante banho e sentou-se na sala olhando, pela janela, os últimos raios de sol do dia desenhando os contornos das montanhas mais próximas. Deixou os olhos correrem pelo bem decorado, porém impessoal, apartamento e sentiu-o frio, sem graça, vazio de vida. Ela podia ter praticamente tudo o que sonhar um dia possuir. Tinha um excelente salário, dinheiro no banco e aplicado, estava negociando um apartamento para morar. Era reconhecida quando saía à rua e a editora avisara que ela teria um grande esquema de viagens para a divulgação de seu livro de receitas, inclusive seria a grande atração de uma feira de livros na Europa. O canal a cabo, que transmitia o seu programa, comunicara-lhe que estavam em negociação para vende-lo para os países de língua latina e que isso representava um considerável aumento no seu prestígio, bem como nos seus rendimentos mensais. Uma grande empresa queria que ela assinasse uma linha de utensílios para a cozinha e ofereciam-lhe uma porcentagem grande sobre os lucros, que prometiam serem astronômicos. O melhor, o que mais lhe agradava era saber que tudo isso ela conquistara fazendo, com prazer, o melhor sabia fazer. Ela era o exemplo de que o talento, quando identificado, assumido, aperfeiçoado e vivido, era um verdadeiro tesouro a ser desfrutado. Ela, definitivamente, não tinha do que reclamar. Por que, então, ultimamente sentia um certo vazio dentro de si?

     Levantou-se da confortável poltrona e caminhou pelo apartamento, até a sacada do mesmo. Já estava quase escuro e as estrelas brilhavam no céu. Sentiu-se sozinha. Dona do mundo, mas sozinha. Tinha tudo o que queria, mas ninguém com quem dividir a si mesma, o seu amor, o seu afeto, sua atenção. Pensou em quantos homens e mulheres viviam situações semelhantes à sua, economicamente estáveis, porém sem viverem as emoções que as pessoas normalmente vivem. Sua vida, até aquele momento, fora unicamente de trabalho. Tinha amigos e conhecidos, sim, nas patroas em cujas casas trabalhara, nos câmeras e técnicos de seu programa de TV, em alguns jornalistas e editores de revistas especializadas, mas, quando voltava para casa, estava sempre só.

     Tinha tudo o que materialmente desejava, mas isso não era mais o bastante, apesar de representar o sucesso de seu trabalho e dedicação. Era chegado o momento em que sentia que poderia dedicar-se a outra pessoa. O que ela havia construído já caminhava praticamente sozinho. Ela agora tinha tempo de pensar nos outros, no amor que poderia oferecer, com o mesmo cuidado, carinho e intenção que sempre tivera em suas criações profissionais. Ela desejava compartilhar. Uma vez mais, tinha certeza de que era chegada a hora e esse era o caminho a ser seguido.

     Olhou, mais uma vez, a noite lá fora. A lua cheia, enorme sobre a cidade, parecia querer segredar-lhe algo, um segredo entre elas, entre duas mulheres. Ficou parada por alguns minutos, encantada com a luz prateada que a envolvia. Voltou para dentro do apartamento e olhou-se no grande espelho que havia no quarto. Sorriu para si mesma. Sabia o que faltava em sua vida e estava disposta, novamente, a ir ao seu alcance. A felicidade estava, novamente, aguardando por ela. Deitou-se e dormiu tranquila. Sonhou com a mãe, que a segurava, ainda bebê, no colo e beijava-a levemente o rostinho.

     Quando o 9 de Ouros aparece numa leitura de taro, dependendo sempre da sua posição no esquema de jogada escolhido e das demais cartas que o acompanham, além, evidentemente, da questão que motiva a própria leitura, pode significar recompensas que chegam à vida do Consultante. Realizações passadas que retornam e trazem consigo surpreendentes resultados. Melhora no estado geral da saúde. O Consultante começa a viver de forma mais extravagante ou luxuosa. Uma forte sensação de segurança. Excelente mira para negócios. Uma conexão contínua, não interrompida com a terra, a natureza, as raízes. O Consultante, sentindo-se realizado e orgulhosos daquilo que criou para si e para os outros, atinge suas metas, realizando seus objetivos. Boa sorte, com mais dinheiro, segurança, saúde e conforto. Esse tempo é simbolizado por uma volta na Roda da Fortuna. Há que reconhecer os presentes que a vida oferece, evitando-se a ganância, a presunção, a vaidade, a condescendência consigo próprio.

     Quando mal dignificada, o 9 de Ouros, significa mais o perigo da pessoa usar mal os seus ganhos materiais do que, propriamente, má sorte ou perdas (econômicas, de saúde, de objetos, etc). O que a carta pode estar indicando é a possibilidade do Consultante estar ávido por mais dinheiro, por mais bens materiais, por mais sucesso, muito mais do que ele necessita. Não importa o que e quanto se possua, o foco das atenções do Consultante está direcionado para aquilo que ele ainda não tem. É difícil, senão impossível, compartilhar sua boa sorte com os demais. Quando o Consultante compara o que ele tem com o das demais pessoas, é inevitável que ele sempre acabe achando que precisa de mais do que já tem. Uma compulsão em comprar. Talvez seja um bom conselho, nessas situações, que a pessoa recue um pouco e faça uma avaliação mais criteriosa de seus objetivos.

     Quando estamos confusos, angustiados, infelizes, ainda que vivendo uma situação altamente confortável, é interessante que busquemos encontrar a nossa paz interior através da dedicação amorosa a tudo o quanto realizamos e em alegremente acatarmos os resultados que obtemos. É hora de parar de querer imitar as idéias, estilos, atitudes, comportamentos ou modismos alheios e encontrarmos a dimensão correta para os nossos planos, nossos talentos emergentes e ama-los, reconhecendo-os como nossos. Devemos, sempre, vivenciar a satisfação e o excitamento de um trabalho bem realizado.

     Nesta sexta-feira, sob a amorosa e gratificante proteção de Vênus, e com a Lua Minguante em Peixes, é possível experimentarmos uma atitude mais contemplativa, de menor atividade, em que nos deixamos levar mais pelo fluxo da própria vida, sem reagirmos. O lado bastante positivo é uma energia que estimula a nossa imaginação, permitindo-nos pensar em forma de melhor vivermos, de reconhecermos a beleza dos nossos feitos, de nos alegrarmos com os resultados dos nossos esforços. Talvez seja indicado deixar de lado as planilhas, as calculadoras, e entregar-se às energias, sempre atuantes, sempre benéficas, do Universo. Não nos esqueçamos, nunca, de agradecer por tudo o que nos foi e é concedido.

     Tenham todos um proveitoso, pacífico e recompensador dia!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F. J. Campos

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Carta do Dia: 8 DE OUROS

Minor-Discs-08Vaudeville      Ela nunca pensara que o simples ato de cozinhar, aquele prazer de combinar  as verduras da horta do sítio, as frutas do pomar, os ovos caipiras que vinham do galinheiro próximo à casa, os recipientes com leite, nata e manteiga fresquinhos que o gado, que ela ouvia mugir ao longe, dava, o acender o fogo do velho e grande fogão à lenha, tudo aquilo que sempre parecera tão simples e casual, pudesse ser um verdadeiro processo alquímico. Sua nova patroa, a jornalista especializada na crítica gastronômica, e, ela mesma, uma excelente cozinheira, explicava-lhe, passo a passo, o como e o porque de cada ação realizada na cozinha, que, com tantos apetrechos e vidros de condimentos os mais diversos, parecia um laboratório.

     Havia se passado mais de 8 meses desde que ela chegara à metrópole. Continuava morando com a tia e as primas, na simpática casa do subúrbio, mas sua vida era inteiramente dedicada ao trabalho. Como a grande maioria das pessoas, saía de casa mal raiava o dia para estar, logo cedo, no bonito apartamento de cobertura, onde era, a um só tempo, aprendiz e braço-direito da dona da casa. Voltava, muitas vezes, tarde da noite, quando as primas já estavam dormindo. A tia, independente do horário, a esperava com uma xicara de chá e alguma coisa para comer. Conversavam um pouco. Contava-lhe o que havia aprendido, como era a maneira da sua patroa fazer determinados pratos, os lugares onde iam juntas em busca de produtos bem frescos ou que não eram vendidos nos supermercados. Contava-lhe que, às vezes, a patroa a levava para almoçarem juntas num restaurante e que a incentivava a ir descrevendo sabores, texturas, cores dos pratos que pediam. Além disso, fazia com que ela “descobrisse” a receita do mesmo, apenas utilizando-se do paladar, do olfato e do bom senso. Era divertido, estimulante, e ela, quase sempre, acertava, para deleite da sua mestra e patroa.

     Uma tarde, enquanto testavam uma receita na cozinha, a jornalista disse-lhe que uma rede de TV a cabo estava começando a fazer uma série sobre culinaristas e que ela, como uma das consultoras do programa, havia indicado seu nome para um dos programas. Ela teve a sensação de que iria desmaiar. Não conseguia sentir o chão sob seus pés é por instantes as luzes que refletiam sobre os azulejos, as panelas, os vidros, a bancada da pia, pareciam rodar, num nebuloso turbilhão. Sentou-se enquanto a patroa, sorrindo, servia-lhe um copo d’água gelada e continuava a falar que não havia nenhuma razão para ficar nervosa, que tudo era muito simples, que uma famosa atriz e apresentadora faria uma “visita surpresa” à sua cozinha e elas conversariam sobre uma receita qualquer. Que tudo era gravado e que se houvessem erros, desacertos, descontinuidade, tudo poderia ser feito numa segunda ou terceira tomada. Que ela, a patroa-jornalista, lá estaria, fora de cena, para garantir-lhe total tranquilidade. Que isso seria muito bom para ela. Que ela merecia esse destaque, sem nenhum favoritismo, pois, mulher experiente e crítica que era, havia conhecido poucas e famosas culinarista com o mesmo talento que ela, moça vinda da roça.

     A tia e as primas ficaram eufóricas e, num segundo, a vizinhança toda estava sabendo que ela iria aparecer na televisão ao lado daquela famosa atriz. A antiga patroa telefonou-lhe, emocionada, desejando-lhe sorte na gravação do programa e reafirmando que ela era, sim, merecedora desse destaque. Que apesar de gostarem demais das refeições preparadas pela tia, não passava dia em que não comentassem, também, as suas habilidades culinárias, a sua criatividade e bom gosto. Que isso era um dom divino do qual ela deveria ser sempre grata. E uma das maneiras dela demonstrar essa gratidão era contribuir, com a sua história, para que outras mulheres e homens, onde quer que estivessem, tivessem a mesma coragem de viverem os seus sonhos e explorarem ao máximo os talentos que o Universo lhes agraciara. Desligaram o telefone emocionadas.

     Nunca imaginara que a gravação da execução de uma receita tão simples, tão “cabocla” quanto o seu famoso bolo de fubá com pedacinhos de goiabada cascão e lâminas de queijo coalho, coisa que ela fazia, do começo ao fim, em 1 hora, levasse o dia inteiro e necessitasse de uma equipe de quase 10 pessoas dentro da cozinha. A escolha da receita foi feita pela patroa, que a considerava, além de excepcional em sua requintadíssima aparente simplicidade, o seu “carro-chefe”, o seu amuleto, o seu “pé-de-coelho”. Afinal, foi devido a esse bolo que as duas se conheceram e ela queria estender esse fato para que milhares de outras pessoas a conhecessem através da mesma receita. Diversos bolos foram feitos para que fosse escolhido aquele que ficasse com a melhor aparência. Diversas etapas do processo foram produzidas em separado para, na edição, serem “costuradas” como algo contínuo. A cozinha resplandecia de tão limpa e impecavelmente arrumada. Sua roupa nova a deixara parecida com os famosos culinaristas que ela assistia, ao lado da patroa, na TV, em vídeos especializados e nas fotos dos livros importados que abarrotavam as estantes do apartamento. Fora penteada e maquiada. Apesar de usar as luvas de látex, passou pela manicure que a produção trouxe. Suas posições foram literalmente coreografadas e os produtos a serem utilizados na receita, foram medidos, pesados e acondicionados em bonitos recipientes transparentes. Luzes especiais foram instaladas em alguns pontos da cozinha enquanto uma assessora colocava flores em um vaso e polia as vasilhas, talheres e formas a serem utilizadas.

     Enquanto tripés e câmeras eram instaladas, a famosa atriz e apresentadora, conversava com ela, com a diretora do programa, com o chefe de produção e com a jornalista, dona da casa. A profissional simpatia da moça, a atenção que recebia de todos, tudo colaborou para que ela sentisse, novamente, mais segura, o nervosismo diminuindo, a certeza de que iria fazer aquilo que gostava… não, amava fazer: cozinhar. E, é claro, havia uma sensação de vitória, de reconhecimento, de uma certa vaidade no fato dela, a garota simples do interior, a migrante pobre sem uma grande instrução formal, estar ali, estrela de um show, tendo a sua arte reconhecida e certificada perante milhares e milhares de espectadores. Pensou, com carinho e muita saudade na irmã que ficara morando no sítio e que tanto se preocupara com ela quando decidiu mudar-se para o sul do país, em busca de uma vida que lhe permitisse expandir seus conhecimentos, ganhar seu sustendo fazendo o que melhor sabia fazer e, com isso, realizar todos os seus demais sonhos.

     Sentiu a mão amiga da patroa, e grande incentivadora, em seu ombro. Ouviu a voz da diretora do programa chamando-a para o ponto mais iluminado da grande cozinha. Sentiu o perfume da atriz que a aguardava no local marcado, com um sorriso. Enquanto ajeitavam e escondiam o microfone sem-fio em suas roupas impecavelmente brancas e engomadas, ouvia as últimas instruções da diretora que lhe apontava as câmeras que iriam grava-la. Olhou à sua frente a bancada com todos os ingredientes artisticamente dispostos. Mais adiante, nas sombras ao fundo da cozinha, sua patroa, mentora, incentivadora e amiga sorria-lhe confiante e com um leve brilho de lágrimas no olhar.

     As câmeras acenderam suas luzes de funcionamento, a diretora pediu silêncio, a apresentadora sorriu com o seu melhor ângulo. Uma voz se fez ouvir, ressoando pela cozinha, que naquele momento parecia com uma ilha de luz viajando pelo espaço: “Cinco… quatro… três… dois… um. Gravando!”  Ela sentiu-se, naquele momento, recebendo o seu tão ansiado diploma.

     Quando um 8 de Ouros surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua localização entre as demais cartas que o acompanham e da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar que o Consultante está se especializando em algo, ou desenvolvendo ao máximo algum dos seus talentos. Ser perito em algo. Ter uma mente erudita. Pode sinalizar que a situação requer determinadas informações que o Consultante já possui mas que necessita fornecer ou exercitar. Fazer escolhas inteligentes. Uma espécie de conhecimento antigo vêm à tona. Incorporar os aspectos espirituais aos materiais. Saber qual é a resposta correta. O 8 de Ouros pode, também, representar aquelas pessoas chamadas de “gênios criativos”. Humildade. Ajudar os outros. Agir de maneira pensada, estudada, premeditada, passo a passo, evitando excessos nas suas ações.

     Numa posição mal dignificada a carta do 8 de Ouros mostra falta de moderação. O Consultante está impaciente e disposto a se arriscar muito. Uma certa ignorância, o desconhecimento de um determinado assunto ou situação que pode colocar o Consultante em perigo. A pessoa pode estar-se recusando a ver a situação de maneira mais ampla, considerando todos os seus aspectos. É necessário que o Consultante obtenha mais informações antes de fazer uma escolha definitiva. É necessário pesquisar muito a fim de se obter a resposta correta. Tempo para aprender sobre o assunto, projeto ou trabalho que está desenvolvendo. Ignorância. A verdade está à frente do Consultante, mas ele não consegue apreende-la e dela se utilizar. Estudar bem a situação antes de tentar altera-la.

     Neste feriado, quando o expansivo, otimista e liberal Júpiter, regente das quintas-feiras, está conduzindo as energias, e a Lua Cheia encontra-se em Peixes é uma boa ocasião para deixarmos de “tapar o sol com a peneira”, deixarmos de ser escapistas e observarmos que, quanto mais claramente vemos e vivenciamos nossas habilidades e dificuldades, mais facilmente encontramos o nosso verdadeiro propósito neste plano de existência. Se focarmos nos nossos dons, nos nossos talentos, e nos restringirmos e dedicarmos a investir pesadamente neles, essa poderá ser a base da nossa mestria, do nosso domínio, da superioridade de conhecimento na nossa atividade ou área de atuação.

     Tenham todos um excelente, harmonioso e bastante elucidativo dia!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, de F.J. Campos