O THE SPACIOUS TAROT é um deck que muito me agrada pelo fato de suas imagens , as ilustrações de suas lâminas, serem inovadoras, de certa maneira ousadas por nos fazerem um convite explícito a "pensarmos" sob outros ângulos e luzes os possíveis significados dos Arcanos (Maiores e menores) do Tarot. As prateleiras das lojas físicas e virtuais estão abarrotadas de milhares de decks de Tarot cujas cartas são verdadeiros clones das imagens criadas, no início do século passado, por Pamela Colman Smith para o deck chamado Rider Waite. Essas imagens são tão icônicas, tão "fortes" e foram tão intensamente reproduzidas, divulgadas, copiadas, ligeiramente alteradas, etc., que, acredito, seja muito difícil para quem se habilita a criar um deck desse sistema não cópia-las, imita-las, reinterpreta-las, ou simplesmente utiliza-las como fonte primária de inspiração. Carrie Mallon e Annie Ruygt, autoras desse THE SAPACIOUS TAROT também não devem ter se furtado a estudar longamente as figuras criadas por Ms. Coleman Smith mas partiram dessa admirada e reverente observação para criarem ilustrações que, em sua grande maioria, fogem da cópia e do óbvio. Como estudante, o que mais me agrada num deck de qualquer sistema oracular, é quando suas imagens me são desafiadoras, quando me obrigam a repensar conhecimentos e conceitos e, inclusive, a rever e ampliar o meu "vocabulário" de possíveis definições/interpretações para as cartas. Este não é, definitivamente, um deck que eu me atreveria a indicar a alguém que se identifica com imagens de fadinhas, bruxinhas, animaizinhos, etc., todos cercados por românticas paisagens ou ambientes. Nem aconselharia como um primeiro, ou segundo deck de Tarot para quem está começando, agora, a navegar por esse sistema. Tarot, em especial, é uma linguagem baseada em imagens, em símbolos, em arquétipos, como queiram. É recomendável que seu aprendizado se utilize de passos, estágios ou, como eu costumo chamar, degraus de sabedoria. Vai-se aprendendo e incorporando esse "alfabeto" visual, descobrindo suas possibilidades, seus significados, encontrando elementos para sua "tradução" com o tempo e, portanto, com a experiência. E esse processo, quando bem sucedido, é o que nos permite admirar a criação de decks como esse do vídeo, e tantos outros mais que, num primeiro momento, nos parecem herméticos, indecifráveis, "difíceis", sem o (quase sempre) falso glamour das pirotecnias digitais, dos dourados utilizados em excesso, das embalagens elaboradíssimas mas que em absolutamente nada contribuem para uma melhor leitura cartomântica. Pessoalmente, reafirmo, sinto uma constante e crescente necessidade de aprender mais, descobrir mais, ir além, ser convidado a repensar, a refletir melhor, a fugir da mesmice, do "engessamento" de posturas e conceitos decorados mas, nem sempre, aprendidos. O THE SPACIOUS TAROT, em seus vazios, nas lacunas a serem preenchidas, nos espaços em aberto das suas imagens é um convite para que eu também me afaste do comodismo, da "anestesia" mental que o lugar comum, a obviedade, o "mais do mesmo" acabam provocando e possa reencontrar novos prazeres e alegrias no manuseio e contemplação das cartas.
Este baralho de Tarot é especialmente indicado para aqueles que apreciam as Artes Plásticas e, mais especificamente, a pintura. As suas 78 cartas são belissimamente ilustradas com imagens retiradas de quadros expostos em grandes coleções e museus do Mundo. Isso não é uma novidade, visto haver um grande número de baralhos que também exploram esse tipo de recurso como ilustração de suas cartas mas, o que faz o THE TIMELESS TAROT se destacar é a qualidade excepcional das obras escolhidas. Todas as imagens contidas nas cartas podem, e representam, os conceitos que conhecemos sobre as mesmas e podem servir para olharmos para os Arcanos com um olhar curioso, renovado, pois são verdadeiramente inspiradoras. O papel é de excelente qualidade e a impressão das imagens é muito boa, apesar de eu não apreciar muito a camada de verniz que recobre as cartas. Pessoalmente não gosto que a luz interfira, em forma de brilho excessivo ou reflexo. A embalagem é uma simpática latinha (que está se tornando bastante comum, apesar de influenciar no preço final do produto), uma bolsinha para guardar as cartas em cetim e acompanha um livreto que contém algumas (poucas) palavras-chave para cada carta. Mas compensa essa, digamos, economia, trazendo dois adendos: Tarot e Numerologia e Tarot e Astrologia, que são bastante interessantes e podem ajudar a quem por eles se interessar a acrescentar maiores subtextos e informações em suas leituras
. Nome: THE TIMELESS TAROT
Autora: Tara Winstanley Adquirido diretamente do site da autora: www.tarawinstanley.com
Desde o início o Tarot foi criado para ser uma linguagem baseada em símbolos, em imagens. Quando lemos, nós acessamos partes do nosso cérebro que convertem os conjuntos de letras (palavras, frases) em imagens. Com o Tarot acontece o inverso: nosso cérebro decodifica as imagens e as transformam em palavras. Essas imagens acabam, assim, por abrirem uma outra "porta" que dá acesso ao nosso subconsciente, uma "porta" que podemos, também, chamar de mística. Quanto mais esotérica a imagem, mais livre fica nossa mente para lidar com possibilidades, pois "possibilidades" é o que percebemos quando conciliamos o mundano (o aspecto racional) com o místico (os mistérios guardados no subconsciente). Este MYSTICAL TAROT se vale de uma série de símbolos, de distorções, de detalhes que lembram a arte bizantina e de paisagens muito próximas à arte surrealista, com camadas de desenhos que propõem sonhos e ilusões, para facilitar o acesso à essa "porta" que conduz ao mais profundo das nossas mentes, àquela região sagrada onde arcanos saberes ficam aguardando serem resgatados. Para o Tarólogo experiente, o MYSTICAL TAROT pode ser um bom exercício, um desafio, um convite a olhar novamente para as cartas já tão conhecidas, agora com uma nova curiosidade, uma redobrada atenção. Para os estudantes, aqueles que estão começando agora a enveredar pelo infindável estudo dos oráculos, o MYSTICAL TAROT é um colorido e festivo convite à imaginação e, certamente, será um agradável companheiro nessa jornada. A qualidade desse deck é excelente, tanto a gramatura do papel utilizado quanto a qualidade fotográfica das imagens criadas. Acompanha um livreto com algumas frases descrevendo os arcanos e inspirando possibilidades de leitura em forma de um conselho (exemplo: 9 de Copas = "Seja cuidadoso com aquilo que deseja, pois você pode conseguir").
Nome: MYSTICAL TAROT Autor: Giuliano Costa Editado por: Lo Scarabeo Adquirido na loja virtual Amazon.com
Talvez algum de vocês já tenha ouvido falar num filme chamado "Anaconda" e o seu autor (do livro que inspirou o filme) é, também, o criador deste deck de Tarot. Tendo ido morar numa comunidade rural texana no interior dos Estados Unidos, ele resolveu criar um deck completo de Tarot utilizando, além do seu talento para a fotografia, a parceria de Laurent Daubas, que é um excelente desenhista gráfico e que "trabalhou", envelhecendo digitalmente as fotos que ilustram as cartas. O deck foi lançado como um projeto no Kikstarter, angariando fundos para a confecção do mesmo. Entretanto apenas os 22 Arcanos Maiores foram impressos, numa edição especial de 500 decks, assinada e numerada pelo autor. É um conjunto de cartas que podemos chamar de clássico, visto que suas imagens são inspiradas naquelas criadas por Pamela C. Smith para o RWS. É de muito fácil leitura e pode ser, perfeitamente, utilizado por quem estiver iniciando seus estudos no Tarot e, também, pelo cartomante mais experiente. O livreto que acompanha, escrito por Carly Fischer, é bastante básico e repete o tipo de informação, sobre as cartas, que encontramos na grande maioria desses pequenos "manuais". O interessante, na história da criação desse deck, é que seu autor, Hans Bauer, usou como inspiração para as fotos uma história (ficcional) criada por ele e que conta as aventuras de um personagem, Willian Bradford, que teria vivido na Idade Média, viajado o mundo na era dos grandes descobrimentos e adquirido, de Leonardo Da Vinci uma câmara fotográfica e com ela registrado os personagens do seu tempo. Antes de morrer, em 1.555, teria enterrado os "negativos" dessas fotos que, enfim, ao serem descobertas deram origem (e justificaram o nome escolhido...) ao "The Lost Tarot". Particularmente gostei muito das imagens contidas nas lâminas. Se tenho alguma restrição é com a gramatura do papel utilizado, que considero de pouco espesso e que não valoriza, como deveria, o trabalho fotográfico e gráfico dos autores. Claro que estou aguardando o lançamento da campanha que irá produzir as demais 56 cartas. Vi algumas fotos das mesmas, sempre em preto e branco, e penso que são muitíssimo bem realizadas e inspiradoras. Recomendo, a quem se interessar por este deck que fique atento às campanhas no Kikstarter pois em breve (assim espero!) irá surgir a possibilidade de adquirir-se o deck completo.
Nome: "THE LOST TAROT" Autor: Hans Bauer Desenho Gráfico: Laurent Daubas Livreto: Carly Fischer