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sábado, 26 de dezembro de 2015

6 de Espadas (comentário AO VIVO no Periscope: ALEXTAROLOGO)


Buscar informações, renovar conhecimentos, questionar ideias e opiniões que parece terem se desatualizado, descartar conteúdos e posicionamentos que já não mais nos representam, trocar informações, intercambiar ideias e soluções, realizar viagens de pesquisa e de aquisição de conhecimentos, buscar novas propostas e metodologias, manter um olhar investigativo e atento sobre o seu entorno e, em especial, sobre as questões que lhe interessam no momento são algumas das muitas possibilidades interpretativas da carta do 6 DE ESPADAS do Tarot.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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domingo, 4 de julho de 2010

Formatura no final do ano… mas será que eu nasci para isso?

     Escolher uma profissão aos 16 ou 17 anos é uma tarefa bastante difícil para alguém que ainda está vivendo os últimos anos da adolescência. Aliás, escolher uma profissão costuma ser complicado em qualquer idade, haja vista o número de pessoas que conhecemos que mudaram de carreira, de trabalho, de objetivos, sempre em busca de algo que as realizasse e lhes desse condições dignas de sobrevivência.

     Decidir, entre tantas possibilidades de cursos, aquele que, teoricamente ser a base da sua vida econômica, seu lugar como um prestador de serviços na sociedade e, sobretudo, algo que vá lhe dar prazer em realizar ou executar nas várias décadas seguintes, pode ser motivo de muito estresse e, consequentemente, dúvidas, angústia e tristeza.

     O jovem (22 anos) desta leitura de tarot vive esse conflito às vésperas (no final deste ano) de sua formatura. A profissão escolhida, ao ver-se na iminência de fazer o vestibular, parecia ser tudo o que melhor condensava em termos de seus talentos e objetivos. Hoje, 4 anos depois, mas experiente em relação à vida, mais consciente das dificuldades do mercado de trabalho, bastante envolvido num relacionamento do qual se sente na obrigação de dar a esperada conclusão (casamento), sem emprego, sem nenhuma experiência prática, sabendo que, em pouquíssimos meses irá abandonar a condição de “filho-estudante-que-não-trabalha”, buscou nas cartas do tarot um mecanismo auxiliar para refletir melhor sobre a sua atual condição e entrever a potencialidade de algumas opções viáveis para a sua situação.

     O esquema de jogo escolhido foi a tradicional CRUZ CELTA, que utiliza 10 cartas cuja  nomenclatura e disposição variam entre autores, manuais, livros , profissionais e neófitos. Todas, entretanto, desde que abranjam de alguma forma os temas, propostas e situações que conduzam a uma leitura final satisfatória, estão corretas.

  1.      O que define a situação ou o problema. O que é o motivo do jogo e da leitura.
  2.      O que complementa a situação ou problema representado pela carta 1. Pode ser algo que auxilie ou um obstáculo.
  3.      A base, o fundamento da questão. O que possivelmente provocou (e ainda pode estar influindo) no desenvolvimento da situação ou do problema. Baseia-se, quase sempre, nas experiências passadas do Consultante.
  4.      Motivos recentes (passado próximo) que tenham desencadeado o conflito proposto pelas cartas 1 e 2.
  5.      Um possível desdobrar dos acontecimentos, levando a um resultado que pode, ou não, assemelhar-se ao resultado definitivo.
  6.      Influências que irão, em breve (futuro próximo) afetar o desenvolvimento da situação.
  7.      A influência do próprio Consultante na situação ou problema, através de atitudes ou ações.
  8.      Como o ambiente (pessoas, situações, localização, tempo, etc) pode estar interferindo, positivamente ou não, sobre o estado físico, mental, emocional e espiritual do Consultante e, mesmo, sobre a própria situação.
  9. O que o Consultante realmente espera da situação: qual é o resultado que ele, em seu subconsciente, deseja ou teme. A carta nesta posição não deve ser analisada dentro do que ele conscientemente expressa como desejo ou repulsa, mas ela sinaliza o que verdadeiramente o assusta ou realiza sua vontade.
  10. Essa carta, que deve ser lida e compreendida em contexto com as demais, não significa o “resultado” fixo e imutável, até mesmo cármico da situação, mas é um indicativo de para onde as coisas estão se encaminhando. Cabe ao Consultante utiliza-se dessa informação para alterar, se for o caso, os métodos que está empregando, visando buscar o resultado que melhor lhe convém.

 

image

 

Carta 1: RAINHA DE PAUSimage

     A pedra fundamental da situação é a questão da vocacional, do acerto com a escolha da profissão a ser exercida.  A sucessão de obstáculos, os questionamentos advindos da insegurança de estar realizando a sua verdadeira vocação é que motivam o Consultante a procurar uma resposta em si mesmo, ajudado pela reflexão proposta pelo tarot.

     A Rainha de Paus, na Posição 1, é quem dá um “rosto”, uma personalidade ao questionamento do Consultante e, como tal, nesta jogada ela evidencia não só  qualidades criativas, apaixonadamente originais, até mesmo audaciosas, determinadas e seguras do Consultante, como também expressa uma dose de ceticismo que ele nutre em relação à sua real capacidade e assertividade na escolha profissional.

     Se parássemos a leitura dessa jogada nessa carta, ocupando essa posição, e dentro da situação descrita, poderíamos dizer que o conselho que ela dá é: busque exercer e assuma os riscos daquilo que realmente o apaixona.

     A Carta 2, aquela que “cruza”, ou se sobrepões à Carta 1, complementa o estado de ânimo que o Consultante vive no presente.

 

 Carta 2: 3 DE ESPADAS

image Essa carta, com sua simbologia associada à angústia, à tristeza  e à decepção pode estar representando, nesse esquema, o medo do Consultante em ter que enfrentar a sua verdade. De ter de encarar os fatos e, agora, ao final de seu curso universitário, analisar fria e corajosamente se a profissão escolhida há 4 anos, ao ingressar na Universidade, é realmente a que  melhor expressa sua vocação, utiliza seus talentos e lhe traz prazer e satisfação no trabalho.

     Fazer uma análise criteriosa de seus desejos, de seus verdadeiros objetivos, do que ele espera ou projeta para o seu futuro pode ser doloroso, mas é necessário e, a proximidade da conclusão do curso parece trazer essa questão à tona.

     Importante é analisar o que está na “base” da questão, quais as experiências prévias que fazem o Consultante agir e pensar dessa maneira.

 

     Carta 3: RAINHA DE OUROSimage

     Essa Rainha tem como características os fato de representar pessoas bastante práticas, decididas, carinhosas, mantenedoras, trabalhadoras, que buscam conforto e segurança e que se dedicam, maternalmente, aos seus e aos outros.

     Pelo fato do Consultante ser uma pessoa jovem, que ainda não trabalha e é sustentado pelos pais,  pode temer frustrar ou decepcionar a mãe.

     Por estar namorando, desde o primeiro ano da faculdade, pode sentir-se na obrigação de vir a se casar em breve, o que não é de seu interesse neste momento visto que gostaria de aproveitar a juventude e esses primeiros anos de carreira profissional, para se dedicar à prática da profissão, viajar, conhecer pessoas e lugares. Um casamento seria, neste momento da sua vida, bastante limitador, e,  talvez por isso mesmo, acabe projetando essa frustração sobre o curso e a carreira escolhida e, até mesmo, sobre a sua capacidade de produção.

     Uma experiência ou situação recente pode, também, ter contribuído, e ainda estar contribuindo, para  que essas dúvidas venham a sequestrar a sua harmonia interior.

 

     Carta 4: A LUA

image Há uma certa desproporcionalidade entre o número de Arcanos Maiores e Menores neste jogo e talvez isso represente que as questões sejam mais de ordem prática do que, propriamente, espirituais. Aliás, se observarmos as cartas no esquema de jogo, veremos que existe um maior número das que pertencem ao naipe de Ouros, ou seja, a vida material, o plano físico da existência, os frutos do trabalho, o corpo, a saúde, etc.

     O Arcano Maior XVIII, a Lua, na situação dessa leitura, nos remete à idéia do medo que o Consultante sente, há algum tempo e que, com a proximidade do fim do curso e do possível início da atividade profissional escolhida, venha a “descobrir” não ser a profissão escolhida e aprendida nos bancos universitários aquela que irá lhe realizar como pessoa, como profissional, como cidadão e, também, a nível espiritual.

     Há que se considerar um medo que costuma acontecer em situações chamadas “de pressão”, quando iremos ultrapassar uma determinada “fronteira” em nossas vidas e nos lançarmos em novas aventuras, vivenciando outras estruturas e experiências. Deixar a escola, o protecionismo familiar e enfrentar o mundo , assumindo seu papel social e lutando pelos seus direitos, pela sua melhor classificação, por melhores salários, por condições de trabalho mais razoáveis, e, até mesmo, por uma vaga no mercado de trabalho existente, pode causar um estresse e, com isso, uma certa recusa de abraçar as novas oportunidades e desafios que também estão embutidas nesse “rito de passagem”.

     Creio que o surgimento da Lua nessa posição possa ser de grande valia para o Consultante indagar-se se ele não está vivendo, de alguma forma, um “complexo de Peter Pan”, ou seja, a recusa de encarar a necessidade de assumir responsabilidades, de abandonar maneiras escapistas de lidar com as situações e posicionar-se como dono e senhor de sua vida. Crescer, enfim.

     Carta 5: 7 DE OUROSimage

     Esta posição significa, tradicionalmente, um possível resultado, o que não significa que será o resultado final, prenunciado na Carta 10. Entretanto ele é uma “possibilidade” que o Consultante pode, ou não considerar valiosa como resultado a ser obtido. Se, entretanto ele não se identificar com a sugestão proposta pela carta, ele saberá, de antemão, o que evitar.

     O 7 de Ouros simboliza, com muita frequência, a necessidade de ter-se paciência e aproveitar o tempo para melhor reavaliar uma situação e/ou, preparar-se para as consequências da mesma.

    Se o Consultante está angustiado por ainda não ter conseguido um emprego, ou mesmo um estágio na sua área de estudos e, por isso mesmo, estar se sentindo culpado de possivelmente feito uma escolha profissional errônea, deve procurar acalmar-se e, com a mente mais tranquila, trabalhando de forma lógica sem os obstáculos provocados pelo medo e pelo sentimento de culpa,  analisar friamente a situação.

     “Dar um tempo” pode ser um bom conselho quando estamos desnorteados, sem conseguirmos ver todas as possibilidades (ou até mesmo a real falta delas) de que dispomos. A sugestão de um 7 de Ouros seria a de aguardar com calma, com tranquilidade, que as coisas se resolverão no momento certo. Isso não significa uma atitude passiva, de abandono, de descaso, de indolência ou de preguiça, mas de contínua atenção, de estar aberto a possibilidades, de estar “antenado” com a evolução natural das coisas, de manter-se, em fim, preparado para quando a ocasião correta de agir chegar.

     É interessante observar o que a próxima carta mostra como possibilidades futuras (próximas) que irão influenciar nesse processo que o Consultante está vivenciando.

 

     Carta 6: 10 DE COPAS        

image Essa é uma carta cujo surgimento numa posição benéfica ou positiva quase sempre sugere sucesso e satisfação.

     Neste esquema de jogo e dentro dos parâmetros em que ele se desenvolve, creio que o 10 de Copas esteja prenunciando uma tomada de consciência satisfatória do Consulente com a consequente sensação de alívio e bem estar. Em investigando as causas reais que o levam a duvidar estar  no caminho certo em relação à sua vida profissional, permitindo-se o tempo necessário para analisar todos os fatos, todas as propostas, todas as possibilidades e opções, ele certamente irá se esclarecer mais a respeito e se concederá a chance de olhar a situação aob outra perspectiva. Essa carta volta a confirmar a dose de coragem e otimismo que o Consultante deve manter em relação às suas expectativas.

     A família pode ser uma grande aliada nesse processo e talvez fosse conveniente o Consultante manter, principalmente com eles, um diálogo franco a respeito de seus questionamentos.

 

     Carta 7: 10 DE PAUSimage

     Essa posição, no esquema, simboliza o “self” do Consulente. O seu verdadeiro “eu”. Como ele se vê e como ele acaba colaborando para que a situação se desenvolva como tal.

     Conversar a respeito da sua situação, manter um diálogo honesto com a família e mesmo com a namorada, repartir a “carga” das dúvidas e inseguranças que carrega é uma boa justificativa para que o 10 de Paus ocupe esse lugar no esquema do jogo.

     É necessário não deixar que o peso das nossas preocupações obscureçam o nosso campo de visão dificultando nosso caminhar. Recobrar a autoconfiança, não se deixar abater e manter uma atitude racional e amorosa em relação à situação se faz necessário.  O simples exercício de desabafar, de conversar séria, lógica, franca e tranquilamente a respeito com alguém a quem admira e respeita, é um bom começo de um melhor esclarecimento e de uma mudança de atitudes.

 

     Carta 8: O IMPERADOR

image Essa é o segundo Arcano Maior a surgir no jogo. Como a oitava posição refere-se ao ambiente ou mesmo a uma pessoa que possa contribuir no desenvolvimento e resolução da situação, é provável que esteja na casa paterna, na figura do próprio pai do Consultante, ou até mesmo na de um de seus professores, a pessoa ou o ambiente propício para ele buscar auxílio.

     Talvez o ambiente que o Consultante frequente ou as pessoas com que ele mais conviva alimentem nele sonhos utópicos bastante fora da realidade e que acabem por desconcentrá-lo daquilo que é real e viável. Pode acontecer que o Consultante esteja querendo evitar qualquer coisa que o force a abandonar a cômoda situação de ser sustentado pela família e não ter que se preocupar com nada de mais sério. Assumir responsabilidades e o controle da sua própria vida é um desafio ao qual ele não deveria furtar-se, e nem mesmo abandonar a conquista de seus objetivos e a realização de seus sonhos.  

 

     Carta 9: 6 DE OUROSimage

     Esta é a posição, no esquema denominado Cruz Celta, das Esperanças e Medos e revela ao Consultante o que ele inconscientemente teme ou deseja.

     Na situação presente o 6 de Ouros o Consultante está potencialmente desejando obter todo o apoio que puder conseguir para ajudá-lo a resolver suas dúvidas. Nesse apoio também deve-se considerar, além daquele dado pela família e os mais próximos, a oferta de um trabalho ou mesmo de uma boa oportunidade de estágio dentro da sua área de escolha profissional.

     Estar às vésperas da formatura e sem ainda ter conseguido um lugar no mercado onde possa demonstrar sua competência e disposição e, também, onde possa avaliar, de forma concreta, a sua integração e talento para a profissão escolhida, provoca dúvidas recorrentes e uma sensação de estar sendo excluído. Uma oportunidade de trabalho, neste momento, está entre os desejos do Consultante.

 

     Carta 10: 9 DE COPAS

image Chegamos, finalmente, à carta que revela a possível evolução ou conclusão da situação, e que deve ser considerada não isoladamente, mas levando-se em conta todas as demais.

     O 9 de Copas é uma promessa de reencontro com a alegria de viver, desde que a pessoa se permita viver essa alegria, não criando obstáculos para que ela flua. Nada adianta o aparecimento dessa carta se o Consultante não tomar as medidas indicadas durante a análise das demais cartas da jogada e buscar as alternativas e atitudes propostas.

     Se, neste caso, o Consultante decidir por tranquilizar-se (meditação é altamente recomendada para a busca de uma harmonia integral), olhar a situação corajosamente, de forma pacífica mas interessada, sem acreditar estar vivendo algo “cármico”, imutável, tomando a iniciativa de encontrar alternativas e soluções concretas  que visem seus objetivos, e mantiver um diálogo sincero e claro com seus pais e professores, além, é claro, da sua namorada, ele certamente estará dando um grande passo em direção à solução mais benéfica dessa situação.

     Creio que é importante que o Consultante compreenda, com essa tiragem, que há algo bastante importante que ele deve conscientizar-se. As crises surgem como provocações para que nos modifiquemos, revendo conceitos, reavaliando fatos e atitudes, eliminando excessos e tudo o mais que não tem mais eficácia mas que continuando ocupando espaço e provocando um acúmulo inútil que acabamos por carregar. Poder reverter uma situação, alterar o seu curso, mudar a forma de pensar, substituir valores antigos por outros mais eficazes, alterar o que foi planejado, encontrar novas alternativas, deixar-se surpreender por novas descobertas, permitir-se evoluir espiritualmente, tudo isso é o conselho que obtemos através da meditação com o Arcano Maior XII, O Pendurado. É conveniente que o Consultante preste atenção à sua intuição. Essa voz interior é sábia e contém toda a orientação da qual podemos fazer uso, basta permitir-se ouví-la e acreditar nela.

     Se, depois de muito bem analisado e discutido for necessário começar tudo novamente, preparando-se para uma outra carreira, por que não fazê-lo? Por que não investir mais alguns anos de estudo para que os benefícios, ao longo de toda uma vida, sejam os melhores? Por que sacrificar-se por uma escolha que pode ter sido feita de maneira inconsequente, mesmo inocentemente, sem a necessária experiência? Por que “adaptar-se” a algo insatisfatório, quando, com esforço e investimento, podemos obter prazer e bons lucros?  O Pendurado (carta obtida por redução teosófica) pode indicar uma situação incômoda que irá, mais cedo ou mais tarde, sofrer uma grande mudança (Arcano XIII) e que impede, no momento presente, que o Consulente viva de maneira fértil e apaixonada a sua vida.

Imagens: ARCUS ARCANUM TAROT, por Hansrudi Wascher

 

CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES

com Alex Tarólogo

Início: 06 de Julho

Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
(R. Barão de Ipanema, 94   Galeria Estoril   Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Escolhi a profissão certa para mim?

Profissão

     Acredito que grande número de pessoas, em determinadas ocasiões de suas vidas, questionam se a sua escolha profissional foi certa. Mesmo entre aqueles que acreditamos plenamente realizados profissionalmente existem momentos de dúvida, que podem ocorrer sob diversas circunstâncias: quando não estão obtendo o retorno da pretendida satisfação emocional ou financeira que depositaram em suas carreiras. Ou então, quando confrontados com outras formas de realização ou outras fontes de renda, sentem-se inclinados a abandonarem tudo e se lançarem numa nova atividade. Outros, ainda, sentem-se culpados por terem optado por profissões, digamos, menos rentáveis, apenas porque sentiram-se curiosos ou atraídos a elas. Algumas pessoas, se não se sentirem muito bem compensadas monetariamente, acabam assumindo-se “traidoras” do investimento, muitas vezes feito à duras penas, pelos pais.

     Talvez porque, na maior parte dos casos, temos que optar por uma carreira quando ainda estamos vivendo o fim da nossa adolescência, ou seja, sem grandes experiências pessoais com as quais contar e sem estarmos amadurecidos o suficiente, baseando-nos na aparência de sucesso ou de fracasso que as outras pessoas ostentam, muitas vezes acabamos por decidir de maneira irrefletida, precipitada e até inconsequente. E nesse caso, se não abandonarmos o curso ainda na faculdade, ou se não “engavetarmos” o diploma e partirmos para outra carreira, podemos passar o resto da vida frustrados, sentindo-nos inaptos para o que fazemos, sem prazer no trabalho, considerando-nos medíocres ou frustrados por não termos nos dado a oportunidade de reconhecermos e desenvolvermos nossos reais talentos e potenciais.

     Recentemente uma jovem amiga, preparando-se para investir anos de estudos no exterior fazendo um curso de Cinema, de onde pretende voltar qualificada para a profissão de Diretora, pediu-me uma leitura que, com a devida autorização, transcrevo aqui no Blog:

“Será essa a profissão que eu realmente quero exercer?”

Posição 1: A JUSTIÇA

     justiça O uso da razão, de um raciocínio claro, livre de interferências das opiniões alheias ou de preconceitos próprios é o primeiro passo no caminho da decisão definitiva e, ao que o surgimento dessa carta indica, é como a Consultante está vendo a questão. Pesquisar profundamente todos os aspectos da carreira escolhida, bem como o mercado de trabalho que lhe aguarda no futuro, além das ações necessárias a nível de documentação legal para estudar no estrangeiro, pesando todos os prós e contras, sem deixar-se iludir é o que a jovem estudante está fazendo, simbolizado pelo surgimento do Arcano VIII, a Justiça.

 

“Quais os passos que eu devo dar para fazer uma escolha correta?”

Posição 2:  8 DE OUROS

    8 ouros Obviamente, a dedicação integral aos estudos, a busca do aperfeiçoamento do idioma em que irá viver, estudar e relacionar-se nos próximos anos, além da possibilidade de fazer um estágio não remunerado com uma equipe de produção cinematográfica, enquanto espera pela mudança e o início das aulas, é a sugestão do 8 de Ouros. Essa é uma carta que, nessa posição, prenuncia sucesso, desde que a Consulente comprometa-se com o aprendizado de todos os aspectos da profissão escolhida e mantenha os pés no chão.

 

“O que há na minha escolha profissional que não pode ser alterado? Com o que deveria me preocupar agora para evitar futuras decepções?”

Posição 3: 9 DE ESPADAS

   9 espadas Creio que o maior “pesadelo” que exista numa escolha, inclusive na da própria profissão, é o medo do fracasso. As oscilações político-econômicas pelas quais o mundo passa, as incertezas da receptividade do mercado de trabalho, a possível necessidade de ter que, para sobreviver depois de formada, abdicar da carreira pretendida, o medo de vir a arrepender-se da escolha tomada nesse momento da vida, formam um quadro angustiante que exige da Consultante uma reflexão. É recomendável que ela assuma esses medos, essas aflições e os discuta com seus pais, seus professores e outras pessoas que atuem na área de sua escolha. Difícil é o “fantasma” que resista a um esclarecimento, a uma explicação racional, a uma conversa franca ou a uma busca de paz interior.

 

“Será que eu estou apta para essa profissão? Será que sou talentosa o bastante e segura emocionalmente, para bem exerce-la?”

Posição 4:  8 DE PAUS

     8 paus Parece-me que a Consultante ainda não está totalmente confiante na sua decisão e, sobretudo nos seus talentos e dons. É hora dela reavaliar, friamente, tudo aquilo que a impulsionou a essa escolha. e, inclusive, analisar as possíveis alternativas ou opções (se houverem, é claro). Porém, deve ser considerado o fato de que o aparecimento do 8 de Paus nessa posição pode estar simbolizando a descoberta dessas respostas, seja através da racional verificação de seus potenciais e objetivos, seja pela própria intuição ou, até mesmo, por “mensagens” ou “recados” embutidos em simples conversas com amigos, professores e família.

 

“Quais as mudanças pessoais que eu poderia fazer para melhor aproveitar os meus talentos e tornar-me uma profissional capacitada?”

Posição 5:  A SACERDOTISA

    sacerdotisa Acreditar em seu potencial, ouvir e confiar na sua intuição, dedicar-se ao aprendizado, deixar aflorar idéias criativas e coloca-las em prática são conselhos tradicionais quando do aparecimento do Arcano II, a Sacerdotisa. Também aconselharia a Consultante a conversar a respeito com a mãe, ou uma outra mulher com quem conviva, prestando muita atenção às opiniões e observações que elas venham fazer. Outra coisa que a Consultante deve levar em consideração, no momento presente, é que suas capacidades estão em desenvolvimento e que as respostas e mudanças serão percebidas com sua evolução natural.

 

“Quais os obstáculos que podem estar afetando ou interferindo no sucesso da minha escolha profissional?”

Posição 6:  10 DE COPAS

     10 copas É possível que a Consultante esteja triste ou temerosa de deixar a família e ir morar sozinha no exterior. É provável que tema não adaptar-se, não ser ou sentir-se aceita pelos colegas estudantes, não adaptar-se ao modo de vida e, até mesmo, não estar disposta a abandonar o conforto que hoje desfruta em sua casa. O 10 de Copas alerta, também, quando em posição de obstáculo, o medo de comprometer-se de que tudo dará certo, de que todos serão “felizes para sempre”, desconsiderando os percalços naturais e o contínuo girar da Roda da Vida. Seria tolo considerar a realidade como um filme com um eterno final feliz. Nem sempre os nossos mais acalentados sonhos se realizam, mas certamente saímos dessas experiências mais fortes, mais seguros de nós, mais conscientes dos nossos limites.

 

“Qual é o resultado provável em relação ao tema da leitura: Escolhi a profissão certa para mim?”

Posição 7:  3 DE PAUS

   3 paus O 3 de Paus é uma carta que simboliza a promessa de um futuro promissor. O investimento feito provavelmente retornará trazendo satisfação e alegria. A Consultante deve confiar no seu conhecimento acadêmico como suporte para o sucesso universitário, além de acreditar em si mesma e nas suas escolhas, além do fato de ser otimista em relação ao futuro. Ela deve estar consciente e preparada para enfrentar os possíveis obstáculos que surgirão, sabendo que esses “tropeços”, desde que analisados e assumidos, a impulsionarão em direção ao seu objetivo final. A profissão pode ser muito apropriada para os seus talentos, bastando que ela tenha a coragem de vive-los em seu potencial máximo, com dedicação amorosa e sem nunca abandonar o olhar atento à sua volta e à sua própria evolução.

     Como uma orientação extra para minha jovem Consultante, poderia ser dito que esse tipo de crise íntima, essas dúvidas que nos assaltam quando temos que fazer algum tipo de escolha ou nos sentimos coagidos, de alguma forma, a tomarmos uma decisão, tem a função de provocar alguma mudança necessária em nós mesmos. É, quase sempre, um ponto de virada, onde seremos muitas vezes forçados a abdicar de algo que é, ou que sempre nos pareceu, importante e procurar olhar a vida sob outros ângulos. A chamada Redução Teosófica, ou seja, a soma numérica dos valores das cartas cujo resultado deverá ser reduzido a um valor entre 1 e 22 (no caso desta jogada: 8+8+9+8+2+10+3=48=4+8=12) remete ao Arcano 12, o Pendurado, que é um símbolo de paciência (os anos de estudo, o tempo natural de amadurecimento), de sacrifício (o abandono do conforto e segurança da casa paterna), de necessidade de mudanças conceituais (deixar de ver a profissão escolhida como algo unicamente idílico, de sonho infantil) e procurar desenvolver-se de dentro para fora. O progresso espiritual deve acompanhar harmoniosamente o material. A escolha profissional será correta e bem sucedida na medida em que a Consultante permita-se explorar os seus talentos natos, esteja motivada para dedicar-se ao seu projeto e não se deixe prender ou estagnar num único ponto de vista, limitando seu campo de escolhas e de possibilidades. Cinema, por exemplo, é uma área bastante ampla em termos de técnicos atuantes. Durante seus estudos, durante o tempo da faculdade, com a convivência com os colegas e contato com os profissionais dessa indústria ela poderá optar por um leque muito maior de oportunidades. Ser diretor, fazer a câmera, tornar-se roteirista, cuidar da edição, ser um mago dos efeitos especiais ou um atento criador de cenários e figurinos são algumas das muitas possibilidades que ela poderá experimentar e, no momento certo, decidir-se.

Imagens: DIVINE TAROT, por Ciro Marchetti

sábado, 8 de maio de 2010

Carta do Dia: 10 DE COPAS

  Cups10    Chegaram ao aeroporto com a devida antecedência. Ele, o ex-namorado surfista e a sua melhor amiga fizeram questão de acompanha-la para o embarque. Como sempre, filas se formavam em frente aos balcões das companhias aéreas e a confusão de gente com passaporte e passagem nas mãos, carrinhos abarrotados de malas, parentes e amigos cercando o viajante de atenções e pedidos deixava o saguão internacional com um jeito meio de festa.

     A amiga, chorosa, fazia-lhe mil recomendações abraçando-a e combinando ir encontra-la até o final do ano em Paris.

     “Promete que você vai me escrever todos os dias, promete? Quero saber tudo o que você anda fazendo, tim-tim por tim-tim. Vê lá se vai me deixar na mão e não me contar tudooo! Me escreve, tá? Todos os dias vou ficar aguardando o seu e-mail. Ah! Quero fotos! Muitas fotos! Muiiiiiitas! Quero ver como você está. Olha, você tem o meu Skype, não tem? Então, vamos conversar com câmera ligada. Nada de se esconder de mim, tá sabendo! Ah, amiga, te adoro. Queria tanto poder estar com você… ainda mais agora!…”

     Ela sorria e concordava com tudo. Claro que ela iria escrever contando sobre o seu estágio de um ano. Claro, sem dúvidas. Ela mesma não via a hora de chegar até a escola onde deveria se apresentar para começar as aulas. Realmente, essa era uma grande oportunidade de a vida, e seus patrões, estavam lhe oferendo. E logo agora, num momento tão importante da sua vida. Ha oferta, que havia sido feita antes mesmo dela casar-se, havia finalmente amadurecido e era a hora de aproveita-la. Quem pareceu meio chateado foi o ex-marido, questionando se seria mesmo esse o momento exato para ausentar-se do país, ainda mais nas condições que ela estava. “Por favor, mantenha-me a par de tudo o que estiver acontecendo, de como você está se sentindo, como está evoluindo. Quero estar presente quando chegar a hora.” Mas nada a demovera, nem mesmo as preocupações lavadas de lágrimas de sua mãe. Ela sabia, ou melhor, sentia que este era o seu momento e queria aproveita-lo exatamente como se apresentava: como um imenso presente há muito aguardado.

     “Vai acontecer uma feira náutica e esportiva em Mônaco dentro daqui a 4 meses e, se tudo sair como eu estou planejando, dou uma parada de uma semana em Paris para nos vermos”, disse o ex-namorado. “Vai ser muito bom rever você. Vou sentir saudades…”

     Ela sabia que sim. Desde que haviam se reencontrado naquela ensolarada manhã, há menos de um mês, não deixaram de se ver um só dia. Cada um tinha suas histórias particulares, seu passado, suas expectativas pessoais, mas ambos concordavam que eram grandes companheiros, excelentes amigos, daqueles que, mesmo quando estavam em silêncio, seus corações continuavam a ouvir a voz, um do outro. Sentiam que o fogo da velha paixão voltara a se ascender, agora em labaredas mais controladas, mas não menos poderosas. Não queriam se precipitar em nada e nem havia razão para que o fizessem. Que tudo acontecesse naturalmente, como fora o seu encontro naquela tarde na praia.

     A chamada para o vôo se fez ouvir e ela abraçou a amiga, que já estava chorando com a despedida. “Você está levando seus remédios? Olha lá, não vai me deixar de tomar as vitaminas que o médico mandou, hein? Pelo amor de Deus! Olha a responsabilidade! Cuidado! Não exagere em nada e nem engorde demais com todos aqueles croissants e queijos maravilhosos! Tome bem conta de vocês!”  Em seguida foi a vez dele abraça-la e, antes de beija-la, cochichou em seu ouvido: “Cuide-se. Não! Cuidem-se!” Ela caminhou na fila e, até entrar para a sala de embarque, olhava e acenava para os dois, sentindo-se dividida entre a euforia da partida e as saudades antecipadas que já sentia deles.

     Logo estava sentada numa das poltronas do avião que a levaria para uma nova etapa da sua vida. Era um recomeço, em todos os sentidos. Sabia que um ciclo da sua vida estava se completando e que um novo, cheio de outras oportunidades e desafios começava. Sentia-se feliz, realizada, preparada, querida, radiante.

     “Senhora, por gentileza”, ouviu a voz da aeromoça. “Estamos com uma poltrona vaga na primeira classe e gostaríamos de convida-la para transferir-se para lá. Será mais confortável para a senhora, nesse estado. Por favor, me acompanhe.”

     Ela, sentiu-se uma verdadeira super-star, com aquele tratamento vip. Riu sozinha. Acomodou-se na confortabilíssima poltrona e aceitou a taça de champanhe que o comissário lhe ofereceu. Sentiu o avião taxiando na pista e as turbinas começando a acelerar. A voz do comandante soou pelos autofalantes informado as instruções de praxe, falando do tempo de vôo e desejando a todos uma ótima viagem.

     Ela olhou pela janela a noite escura a as pequenas luzes do aeroporto e da pista. Os sinais soaram e a aeronave começou a deslizar, acelerando em seu procedimento de subida. Fechou os olhos e acariciou o ventre que se avolumava dia a dia, com o milagre de uma nova vida que se formava e crescia abrigado pelo seu corpo e pensou, absolutamente feliz:

     “Aqui vamos nós, meu bebezinho querido. Você verá que Paris é só uma escala que faremos nessa viagem fantástica que se chama Vida. A mamãe está feliz em ter você como companhia. Boa viagem, para nós!”

     Quando um 10 de Copas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição no esquema de jogo escolhido e das demais cartas que o acompanham, pode simbolizar que o Consulente sente-se conectado, ou reconectado com o seu verdadeiro eu. Paz e harmonia. Aquela sensação de ter chegado em casa e de estar cercado das pessoas a quem ama. Honra, respeito, honestidade e virtude. Relacionamentos duradouros. Uma vida familiar bastante intensa e construída em bases sólidas. Sucesso naquilo que realmente importa. As recompensas de uma relação afetiva. A reunião com os membros de uma família bastante unida. Amor correspondido. Uma amizade que se transforma em amor. A consciência de saber que se tem tudo de que se precisa para ser feliz, inclusive do amor das pessoas que nos cercam. Felicidade, tranquilidade, união.

     Quando o 10 de Copas sai numa posição menos vantajosa, e dependendo da questão formulada pelo Consultante e das outras cartas da jogada, pode significar brigas e disputas familiares. Amigos que desaparecem abruptamente do nosso convívio. Opiniões completamente opostas. Ruptura na união familiar. Fechar os olhos para as boas coisas que possui. Desarmonia, combate e caos. Dar ou levar o fora. Amor não correspondido. Mesquinhez. Sentir-se desconectado do passado.

     Neste sábado, dia regido pelo disciplinador Saturno, com a Lua em Peixes e tendo como Carta do Dia o 10 de Copas que, astrologicamente equivale a Marte em Peixes, é um bom momento para agradecermos ao Universo pelas nossas intuições que nos trazem benefícios inesperados e pela maneira com que cuidamos das relações com as pessoas a quem dedicamos amor. É sempre bom darmos uma revisada como estamos conduzindo nossas relações familiares e o quanto estamos contribuindo para a harmonia entre todos os seus membros.

     Tenham todos um um final de semana cheio de satisfação e não se esqueçam de serem muito agradecidos por isso!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan