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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Carta do Dia: 9 DE COPAS

Cups09      Ela nem bem acordara e já arrumava-se frente ao espelho. Duas semanas haviam se passado desde a noite em que ele saiu de casa. Foram dias difíceis em que ela, deprimida, procurou consolo com a mãe, com a melhor amiga, que lhe indicou um terapeuta. Chorou muito, culpando-se por tudo, para momentos depois deixar-se possuir pela raiva e culpar o outro. Sentiu pena de si mesma. Sentiu ódio da mulher que ele disse amar. Sentiu saudade dele. Fisicamente estava bem mais magra. Não tinha vontade de comer. Muita tontura e náuseas. A amiga disse que isso era natural, que ela estava somatizando uma experiência ruim e “precisava regurgitar todo o sofrimento, a decepção contida”. A mãe, que não estava nem aí para essa história de somatização, exigira que ela procurasse imediatamente um médico e fizesse exames. Além disso, que parasse com os calmantes, pois já era tempo e não adiantava acalmar-se de algo que precisava ser vivido e, de uma vez por todas, sepultado. Ela finalmente cedeu e marcou a consulta.

     E os dias foram passando e o mar revolto dos seus sentimentos, aquelas águas escuras de emoções mal direcionadas, contrastavam com o brilhante azul do oceano que a fitava, plácido, convidativo, brincando de fazer espumantes ondas ao quebrar na praia. A vida a chamava à razão. E foi assim que, naquela manhã ensolarada, ela decidiu que iria à praia e passaria algumas horas de sol surfando.

     Enquanto equilibrava-se sobre a prancha, recuperando a antiga destreza, entregava-se à força regenerativa do mar, em seu constante movimento. Procurou não pensar no passado e sim entregar-se de corpo e alma àquelas ondas que, não importa quando longe ela fosse busca-las, elas insistiam a conduzi-la novamente à praia. O sol brilhava alto naquela manhã e a sensação de profunda liberdade, de estar em controle do seu corpo, dos seus movimento, conseguindo harmoniza-los com os das águas, davam-lhe um forte sentido de poder, de segurança, de uma autoconfiança que ela pensava ter perdido.

     Perdeu a noção do tempo e decidiu parar, cansada, porém extasiada, feliz depois de muito tempo. Caminhou até o quiosque para comprar uma água de coco antes de voltar para casa. Aguardou sua vez de ser atendida olhando à volta, à praia colorida pelas barracas, pelas cangas e toalhas, pelos vendedores ambulantes. Respirou profundamente aquele ar que cheirava a pura maresia.

     “E abra o seu coco mais bonito pra essa moça linda aqui ao lado, amigo.”

     Saiu do seu devaneio ouvindo aquela voz que lhe soava conhecida e olhou para o rapaz à sua frente. Não sabia se era com ela ou sobre ela que ele falava e ficou confusa por uns segundos até que ele virou-se para ela.

     “Cara!… Não acredito!… Você?!?… Você aqui!?!”

     O sorriso continuava o mesmo, franco, amistoso, generoso. Os eternos cabelos parafinados estavam mais curtos, mas a pele curtida pelos sóis de muitas praias mundo afora continuava no mesmo tom. Começou a rir, espantada, embaraçada, surpresa. Sim, seu ex-namorado, amigo e professor de surf, campeão internacional estava ali, parado à sua frente, oferecendo-lhe um coco gelado e um sorriso de prazer e alegria.

     O sol estava começando a se esconder atrás das montanhas quando eles perceberam que já era tempo de se despedirem. Haviam contado, ou pelo menos tentado contar, o que viveram nesses anos em que estiveram separados. Ele falou-lhe de lugares exóticos, de areias escaldantes e de ondas gigantes. Ela lhe contou da faculdade e das exposições que participara com seus desenhos e pinturas. Contou-lhe também do emprego como estilista e do prazer que tinha na possibilidade de ver o que desenhava tomar forma e vida no corpo das pessoas que os vestiam. Ele lhe disse dos campeonatos, das experiências com os patrocinadores, dos filmes que participara, do documentário que fizeram a seu respeito para uma televisão japonesa. Ela contou-lhe da oferta que recebera da empresa para passar um ano em Paris aperfeiçoando-se na sua área de estamparia e modelagem. Contou-lhe também que se casara. Ele a ouvia atento e silenciosamente.

     “Acho que faço parte daqueles milhares de casamentos que parecem se dissolver com a mesma velocidade da paixão que os iniciou” _ disse sorrindo tristemente. E continuou: “Estou acabando de mudar para um novo apartamento, só meu, sem lembranças embutidas pelos cantos. Quero estar com os meus livros, meus CDs, assistir a uma porção de vídeos que fui comprando nas viagens e que nunca tive tempo ou paciência para vê-los.”

     Ele sorriu e contou-lhe da fábrica de pranchas de surf que tinha em sociedade com o irmão e dos contratos de empresas de material para esporte que lhe garantiam uma vida bastante confortável agora que ele largara o circuito internacional de campeonatos. Ela o ouvia deliciada, feliz pelo reencontro, pois parecia que os anos não haviam mudado absolutamente nada entre eles. Continuavam gostando praticamente das mesmas coisas, rindo das mesmas bobagens, curiosos pelos velhos amigos em comum, felizes na companhia um do outro.

     O sol já havia sumido no horizonte quando ela despediu-se dele prometendo telefonar-lhe e fazer uma visita à fábrica. Ele disse que ficaria esperando enquanto beijava seu rosto. Pegou sua bike e seguiu pela ciclovia que contornava o calçadão. Ela ficou olhando por uns instantes. No caminho de casa decidiu que no dia seguinte iria conversar na empresa da qual ainda estava em licença. Depois passaria pelo laboratório para pegar o resultado dos exames, marcaria um retorno no médico, telefonaria para a melhor amiga contando sobre o encontro que tivera naquele dia, marcariam um almoço para conversarem, depois, se desse, faria uma visita de surpresa à fábrica dele e… “Puxa, vou ter que levantar ainda mais cedo para conseguir fazer tudo isso”, pensou, e acelerou os passos querendo chegar logo no novo apartamento.

     Quando o 9 de Copas aparece numa jogada de taro, dependendo sempre das demais cartas que também surgem no jogo, da posição das mesmas e da questão proposta pelo consultante, pode simbolizar um período de alegria, contentamento e de muita satisfação. Essa é a carta chamada “do desejo”, ou seja, ela parece surgir sempre que aqueles nossos mais profundo desejos estão se realizando ou pronto para serem realizados. Simboliza também, lealdade, liberdade, sucesso naquilo em que nos empenhamos, conforto material e prazer. A idéia de amor incondicional também está embutida nesta carta, além de bem-estar e saúde. Ganhos materiais e um futuro próspero e brilhante. Tudo parece muito esperançoso. Abundância. Vitória obtida apesar das circunstâncias adversas. Prenúncio de bons tempos pela frente e tempo de celebrar.

     Quando mal dignificada, o 9 de Copas pode estar significando que o Consulente está gastando todo o seu dinheiro, ou abusando das pessoas que foram generosas com ele. Estar se aproveitando da hospitalidade dos outros e acreditar que deve ser cuidado pelos outros. Ganância. Fracasso. Gula, Abuso de drogas, bebida, trabalho, comida, diversão, enfim tudo o que é em exagero. Vaidade. Ser apegado e egoísta.

     Nesta sexta-feira, sob a regência de Vênus, o planeta que simboliza as ligações, a harmonia, a gratificação, e com a Lua na casa de Peixes, é um momento propício para colocarmos todos os nossos planos em ação pois podemos ficar sem tempo para fazer tudo o que pretendemos. Ainda que nem sempre percebamos claramente, podemos aceitar ajuda na realização dos nossos objetivos e principalmente na solução de antigos problemas, pois temos pessoas amigas dispostas a isso. Ter fé e pratica-la, independente da forma e do sistema religioso que adotamos, no momento, como melhor. O importante é sentir-se conectado à sua Divindade interior. Isso é que se chama de harmonia.

     Tenham todos uma alegre, confiante e generosa sexta-feira!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

sábado, 13 de março de 2010

Carta do Dia: 4 DE OUROS

 Druidcraftminor-coins-4     “Tudo meu"!”

     Quem ainda não ouviu de uma criança a expressão acima? Ela pode estar se referindo a qualquer coisa tipo brinquedos, joguinhos, biscoitos, figurinhas, etc.

     O problema está quando essa criatura cresce e continua vivendo em função desse “tudo meu”, acreditando que o acúmulo, a conservação ou o direito de uso é exclusividade dela e daí vem o se reconhecimento social e o direito de exercício de um poder sobre as demais pessoas. Na verdade essa pessoa passou a buscar seus próprios valores fora de si mesma. Ao invés de reconhecer seus “tesouros”, passa a acumular e a cercar-se de bens que, ou são perecíveis, facilmente roubados, ou geram insegurança.

     Não foi uma e nem duas vezes que cruzaram pela minha vida pessoas de grande projeção econômica e que viviam absolutamente angustiadas de perderem o que possuíam ou serem ludibriadas em seus sentimentos por pessoas interessadas unicamente nesses bens materiais. Creio que a literatura e o cinema estão repletos de estórias exemplares a respeito, não é mesmo?

     Não estou falando de pessoas que utilizam os recursos de que dispõem para se ajudarem e ajudarem aos demais. São os geradores de empregos, são os que movimentam a economia fazendo que o dinheiro circule por diversas mão e diversas vertentes tais como a indústria, o comércio, a exploração de recursos naturais, os transportes, e assim por diante. O 4 de Ouros pode, numa leitura, simbolizar exatamente a não circulação do dinheiro, ou de energias similares, provocando a sua estagnação.

     Meu avô contava-me a história de um velho conhecido dele que, por não confiar em bancos e não querer que outras pessoas soubessem quanto dinheiro possuía, guardava-o dentro do colchão (parece piada, não é mesmo? Mas tem gente que ainda o faz…). Como vivia numa zona rural e era semi-alfabetizado, sem acesso a rádio ou à leitura de jornais, não ficou sabendo de uma das muitas mudanças de nomes e tipos de cédulas e moedas que tivemos. Quando, num determinado dia, resolveu que era, finalmente, chagada a hora de comprar um trator para o seu sítio, qual não foi sua surpresa em ter seu dinheiro recusado pela revendedora. O que ele havia acumulado dentro do colchão e que lhe havia servido de suporte para o descanso noturno, garantido-lhe sonhos de segurança e abundância  tinha se transformado exclusivamente em papel colorido.

     Os antigos cabalistas diziam que a grande alegria de Deus está em doar e que para tanto ele criou a espécie humana, como vasos receptores desse constante fluxo de doação. Para que nós (nossas taças) sejam permanentemente completadas com energias novas e vitalizantes, precisamos imitar o Criador esvaziando-as em outras taças, criando assim uma rede de contínuo fluir. Não o fazendo, estamos interrompendo o fluxo natural e deixando que aquelas energias se estagnem, não beneficiando a ninguém e muito menos a nós mesmos.

     Tive uma prima que era obcecada por decoração e seu maior orgulho não eram, definitivamente, as 3 lindas filhas que possuía, mas a casa mais bonita da cidade em que morava. Realmente a casa era lindamente decorada, com objetos escolhidos com extremo bom gosto e pesquisa. Tudo era harmonioso, de uma beleza pictórica que poderíamos descrever como “natureza morta” pois a ninguém, nem mesmo marido, filhas, parentes era concedido o direito de adentrar ao espaços mais nobres da casa. Salas de visita, sala de jantar, biblioteca e sala de jogos era algo que somente ela e as empregadas tinham acesso. Nenhuma visita era recebida pela porta principal da casa, para não macular aquele santuário construído dentro de uma estética apuradíssima. A família limitava-se a viver entre os quartos, a sala de almoço e a cozinha. Só ela, minha prima, passava longas horas naqueles aposentos, apreciando-o de diversos ângulos, vendo-o sob diversas luzes, tocando seus tecidos preciosos, acariciando seus enfeites caríssimos, rearranjando as flores, deixando-se hipnotizar pelos intrincados desenhos dos tapetes de seda orientais.

     Nunca as filhas puderam receber suas amigas ou namorados naquelas salas. Nunca um almoço, um jantar, uma comemoração de aniversário, uma ceia de Natal foi  servida na enorme sala de jantar. Ninguém, nem mesmo o marido, tinha acesso à biblioteca e ao calor aconchegante de sua lareira. Eu, quando concluí meu curso de arquitetura, fui privilegiado com um “tour” por aquelas secretas dependências. Presente especialíssimo de formatura que ela me dava, ao repartir uma visão de seus preciosos tesouros. Voltei a entrar naquele santuário apenas mais uma vez, quando minha prima faleceu. Dias depois, nada mais daquilo existia pois as filhas, a quem nunca foi permitido desfrutar daqueles espaços e objetos, concordaram em leiloar absolutamente tudo, já que nunca tiveram nenhuma relação emocional com nada daquilo.

     Quando o 4 de Ouros aparece numa jogada de tarot, dependendo de sua localização na disposição do jogo e das cartas que o cercam, além da questão avençada pelo consulente, pode significar, bem ou mal dignificado, o seguinte:  incapacidade de compartilhar bens materiais ou sentimentos; ganância, egoísmo, mesquinharia; estar obcecado na obtenção de mais do que poderia necessitar ou usufruir; produtividade interrompida ou estagnada devido à falta de circulação de energias; materialismo exagerado;  ser escravo do dinheiro; independência financeira; dar e receber em troca; competição sadia; perda de dinheiro; resistir às mudanças; querer controlar os outros; ciúme; inveja do sucesso das outras pessoas; oferta de trabalho; apego exagerado; sucesso material e poder temporal conquistados.

     Se há uma lição que podemos extrair do 4 de Ouros é a de que devemos sempre estar atentos a como nos relacionamos com a nossa necessidade de controlar tudo e a todos e aprender a aceitar que a possessividade tem origem no medo da mudança e na nossa segurança emocional.

     Aproveite o final de semana para abrir-se a novas idéias, declarar sua confiança e afeto às pessoas que ama, contribuir com que necessita, e procurar desapegar-se de tudo aquilo que nos escraviza.

     Muita Paz para todos!

Imagem: DRUID CRAFT TAROT

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Carta do Dia: 4 DE PAUS

   67-Minor-Wands-04-druidcraft   O elemento Fogo diz bom dia nesta ensolarada manhã de segunda-feira, reafirmando o propósito do Universo, através das cartas do tarot, nos enviar uma mensagem de tomada de ação que já haviam sido antecipadas na Carta da Semana.

     O 4 de Paus é uma carta que nos fala de muita alegria, de grande satisfação e de sucesso. É uma carta que não significa a completude, a garantia total e absoluta de toda essa felicidade, mas que diz que estamos no caminho certo e que devemos comemorar o fato. Assim como um casamento não acaba na igreja, na festa, nas celebrações, mas marca uma vitória do casal  na conquista de seu parceiro ideal, tendo passado por um período de conhecimento entre si e entre familiares e amigos, avaliado prós e contras, adaptado-se a uma nova rotina em comum, procurado um local para morar, vivenciado todo o processo da organização da celebração dessa união. Essa é apenas uma primeira fase e sabemos que a vida não só continua mas irá apresentar desafios que irão solidificar essa parceria ou fazer ruir castelos construidos no ar…

   A Carta do Dia nos diz que estamos “com a faca e o queijo” nas mãos, prontos para investirmos em nossa felicidade, não nos deixando abater pelas dificuldades que possam surgir, levando a vida com muita autoconfiança, esperança e sempre depositando fé num futuro melhor. O 4 de Paus é como se fosse um presente que o Universo nos dá e, para recebê-lo, devemos estender nossas mãos e apanhá-lo. Se a vida nos dá novas e mais promissoras oportunidades, precisamos agir, no tempo e na medida certa para que possamos aproveitá-las. Quero com isso dizer que é necessária uma boa dose de ação para que os nossos sonhos, nossos empenhos, nossos planos, nossas metas se realizem e essa ação é o que caracteriza a carta de hoje.

     Quando nossos esforços anteriores dão recompensas, quando aquilo que de boa vontade e com entusiasmo semeamos pelo caminho começa a florescer, é o momento que o 4 de Paus se refere e que devemos comemorar com bastante júbilo. É sinal que o nosso trabalho metódico e organizado está dando resultados concretos e que estamos conseguindo harmonizar o nosso racional com o nosso emocional. Não é apenas a obtenção de lucros, mas o prazer e a gratificação encontrada no processo que vale a pena.

     O 4 de Paus, como todas as cartas do elemento Fogo, falam de liberdade, de criatividade, de elevação. Às vezes elas são uma lembrança de que necessitamos nos libertar de qualquer circunstância que não nos complemente, não nos agrade, não nos sirva mais, seja ela um relacionamento afetivo, uma sociedade de negócios, um emprego, uma crença e passar para uma nova fase de crescimento, deixando o passado para trás. Às vezes nos encontramos presos a um círculo vicioso de atividades sociais, de festas e compromissos, vivendo uma “persona” que criamos somente para agradar aos outros e sermos aceitos pelo grupo, e nos acomodamos (mal) à situação por medo de superarmos obstáculos, investirmos em novos rumos e, até mesmo, descobrirmos quem realmente somos. Isso também não quer dizer irresponsabilidade. Libertar-se das expectativas errôneas que os outros em nós depositam não significa libertar-se dos vínculos normais trazidos pela responsabilidade. Sair por aí sentindo-se “leve como um passarinho”, abandonando irrefletidamente uma carreira ou uma relação que, se bem trabalhadas, poderiam ser promissoras e recompensadoras, sem nenhuma outra meta, nenhum outro objetivo, nenhum outro plano concreto, é burrice, quando não, canalhice.

     O 4 de Paus nos fala de harmonia. De estar bem consigo mesmo e relacionando-se perfeitamente com os outros e seu meio ambiente. Fala de felicidade, união, lar, laços familiares, acordo, sociedade, casamento, sucesso, abundância. Também pode significar, numa leitura de tarot, e sempre dependendo de sua localização e das demais cartas que o acompanham, de férias (especialmente no campo), de um tempo de lazer, de festas, de trabalho em grupo muito bem sucedido, ambiente doméstico alegre e otimista.

     Portanto, se especialmente hoje, você sentir um enorme desejo de começar algo novo, de sentir uma forte inspiração para um novo ideal de vida, algo que você saiba significar renovação, é a energia prenunciada no 4 de Paus agindo em sua vida. Viva-a intensamente e celebre sempre as bençãos que o Universo lhe envia ininterruptamente.

     Uma ótima e criativa segunda-feira para você!

Ilustração: DRUID CRAFT TAROT

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Carta do Dia: 3 DE COPAS

  52-Minor-Cups-03alchemical    Hoje promete ser daqueles dias em que o sol de verão não brilha apenas no firmamento, mas também dentro dos corações, fazendo-nos sentir mais vivos, mais felizes, interagindo melhor com todos e com tudo.

   O 3 de Copas é aquela carta que prenuncia que é chegado o dia da colheita. O momento de receber de volta todo o amor que semeamos pelos campos da vida. E, como é natural num momento de premiação por uma etapa concluída, há de ser celebrado.

     O número 3 tem como uma de suas características o fato de representar um momento de conclusão de uma das etapas de um longo processo, como quando recebemos o diploma de conclusão de um curso universitário, mas sabemos que ali deixamos para trás os bancos escolares mas iremos enfrentar os desafios do mercado de trabalho. É quando festejamos o fim das nossas vidas de solteiro com as famosas “despedidas”, celebrando com nossos amigos uma etapa que vivemos intensamente, mas que estamos deixando para traz para assumirmos um novo estilo de vida, novos compromissos e responsabilidades. A alegria da chegada do primeiro filho marca, também, o fim de um outro nível de relacionamento e compromisso.

     E tudo isso deve ser régiamente celebrado. As 3 taças que normalmente estampam esta carta no tarot estão transbordando de amor, alegria, plenitude, paz e prazer. Representam experiências que são compartilhadas, como, por exemplo, o sucesso obtido por uma equipe de trabalho na execução de um projeto; as alegrias e as esperanças divididas pelos noivos, que justificam uma festa de casamento; uma alegre reunião de família para celebrar um aniversário.

     No dia de hoje, com a energia de um 3 de Copas, devemos, em primeiríssimo lugar, ser agradecidos ao Universo por todos os benefícios que nos são concedidos e estender a prática desse estado de gratidão com todas as pessoas que nos cercam e a quem dispensamos alguma forma de amor. Como Copas refere-se às emoções (elemento água), é bem possível que estejamos muito mais sensíveis do que habitualmente, muito mais propensos a nos emocionarmos e reagirmos intensamente às situações que se apresentarem. Aproveite, então, a energia do planeta Mercúrio (comunicação, força de vontade, habilidades) que está regendo o signo de Cancer (receptividade), conforme nos alerta o simbolismo da carta, para vivenciar plenamente a sua capacidade de encontrar alegria, felicidade e realização no dar e receber amor, aproveitando e prolongando o quanto puder essa sensação e esse momento. Sim, porque é um momento na nossa longa jornada. É uma pausa que a vida nos oferece para reconhecermos nosso potencial e celebrarmos o fim de problemas e doenças, o desenvolvimento de projetos e negociações bastante promissoras, o encontro de um novo amor ou o reaquecimento de uma já existente relação.

     Permita-se todos os dias, e hoje em especial, a aproveitar as coisas boas da vida com intensidade e prazer, porém sem apego, valorizando os seus potenciais interiores e perdendo, definitivamente, o medo de ouvir a voz do seu coração.

     Divinatóriamente, o aparecimento de um 3 de Copas numa tiragem de tarot pode significar casamento, início de uma sociedade comercial promissora, o reencontro de grandes amigos e familiares, hospitalidade, o compartilhamento de ideais, uma profunda sensação de paz, o nascimento de um filho (especialmente num ano regido pela Imperatriz), e até mesmo a existência de 3 pessoas muito importantes em sua vida, com quem você tem um profundo e íntimo intercâmbio baseado no amor.

     Tenha um ótimo e alegre dia e não se esqueça de declarar o seu amor!

Imagem: ALCHEMICAL TAROT, por Robert M. Pace

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Carta do Dia: QUATRO DE OUROS


Já ouviu crianças brincando e uma delas dizendo: "Tudo meu!"? Pois é, essa é a essência do 4 de Ouros, a nossa Carta do Dia.
A gente vivencia a energia desse arcano quando nos sentimos poderosos, imbatíveis, os donos do mundo! É quando assumimos o nosso lado Imperador em seu melhor sentido: estável, competente, seguro, estruturado. Mas também podemos estar vivendo a sua "sombra": egoísta, prepotente, fechado em si mesmo, cheio de regras e normas pessoais, inseguro e controlador.
Como em quase todas as situações da vida onde o medo de perder o controle da situação ou de ser subtraído em seus bens materiais e emocionais ocorre, pode estar acontecendo um bloqueio de energia. O apego excessivo a qualquer coisa é o grande causador dos obstáculos que impomos ao fluxo dos benefícios que estamos aptos a receber e compartir (lembram-se da carta de ontem, o Ás de Copas?).
Ter um bom e belo carro, mas que nunca é tirado da garagem por medo de sujá-lo, sofrer algum tipo de acidente, tê-lo roubado não é precaução, mas uma forma de apego da qual, nem mesmo o dono, tira proveito. Vemos isso repetir-se de maneiras bastante corriqueiras em nosso dia a dia, por exemplo quando, mesmo podendo, não nos permitimos ir a um bom restaurante, tomar uma taça de um vinho de boa safra e procedência, nos vestirmos com roupas confortáveis e de qualidade, não convidarmos um amigo, uma amiga para um programa de final de semana, tipo ir ao teatro, pegar um cineminha à tarde. Fazer uma doação de tempo, de atenção e mesmo de algo material para uma entidade assistencial. E, por favor, note bem: eu escrevi acima "mesmo podendo", isto é, quando os custos desses prazeres não irão interferir e muito menos abalar a nossa estabilidade.
O 4 de Ouros pode significar que estamos num momento de reavaliar a nossa relação com nossos bens materiais. Que é chegado o momento de aprendermos que dinheiro é apenas algo abstrato, apenas uma representação das coisas que nos dão subsistência ou que proporcionam mais prazer e beleza às nossas vidas. Não é sujo, pecaminoso, vergonhoso tê-lo ou não. O que importa é a maneira que o manipulamos e o valor que nós própios lhe atribuimos. Essa é a essência desta carta de hoje.
Como sempre, o caminho do meio é a opção mais recomendada: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Adquirí-lo consciente e merecidamente e usá-lo de maneira equilibrada, sem lampejos de prodigalidade ou de sovinice, em benefício próprio e dos outros é uma forma correta de lidar-se com a sua energia. Gente que tem muito medo de perder (dinheiro, status, poder, o amor e a atenção alheia, etc) também não prospera, pois não está trabalhando criativamente essa energia. Também aquele que acha que o Mundo vai-se acabar amanhã e que portanto dilapida patrimônios, não se doa a ninguém e a nenhuma causa, não tem ideais, está fadado a um futuro bastante inóspito, pois como diz o ditado: "dinheiro não aceita desaforo".
Quando o 4 de Ouros sai numa tiragem, dependendo da sua posição, pode significar que uma reestruturação da nossa vida material se faz necessária; que tempos difíceis estão a caminho; que anda sendo, ou convivendo com gente egoísta, miserável, egocêntrica, possessivas, gananciosas, obstinadas.
Também pode estar nos comunicando que precisamos ser mais egoístas pois só assim poderemos nos livrar do caos em que nossa vida possa ter se tornado. Parece um conselho conflitante, diante do que escrevi acima, mas pense bem numa situação real e veja se, em algumas situações esse caos de que falei não foi provocado pela total ausência de limites, planejamento, desatenção, prodigalidade ou habilidade e competência em lidar com os recursos... Aí, uma certa dose de egoísmo, de manutenção de reservas, de estabelecimento de normas criativas  baseadas em princípios íntegros irão ajudar, e muito, na nossa reestruturação.
Aproveite, então, a energia do 4 de Ouros para reavaliar no dia de hoje a importância das suas posses em sua vida e para se o apego exagerado a alguma coisa, pessoa ou situação não seria decorrente de uma baixa-estima longamente cultivada. Aproveite a Alta Sacerdotisa, regente desta nossa semana, como guia, mestra e conselheira e medite a respeito. Tenho absoluta certeza de que encontrará dentro de si riquezas inenarráveis.

Tenha um ótimo dia!