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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

"Majestic Earth Tarot": unboxing e comentário

           


Esse é mais deck de cartas oraculares baseado em movimentos artísticos, em escolas de pintura, no trabalho de artistas plásticos e, neste caso em especial, aos mestres pintores que tão bem souberam retratar, no século XIX, a Natureza em todo o seu esplendor.
J. D. Hildegard Hinkel presta nessas 83 lâminas, um merecido tributo à Terra, ao planeta Terra, com suas formações rochosas, com seus rios, mares e oceanos, com suas nuvens e suas florestas, com sua amedrontadora escala onde o ser humano se maravilha com suas formas, cores e texturas.
Talvez a mais notável etapa do trabalho dessa criadora foi criar conexões entre a imensa coleção de imagens das mais diversas escolas (simbolismo, classicismo, academicismo, naturismo, etc) e os possíveis significados dos 78 arcanos do Tarot. Mas, sejamos francos: ela cumpriu ao que se propôs:  o deck é de enorme beleza, e em cada carta podemos nos demorar apreciando os menores detalhes das paisagens retratadas, onde a Natureza, com todos os seus elementos, tem o papel principal.
Esse conjunto de cartas é luxuoso em todos os seus detalhes, começando por uma excelente, sólida e discreta embalagem de armazenamento, passando pela gramatura e qualidade de impressão que é agradável ao toque e facilita o embaralhar, até as anotações, em cada carta, com símbolos astrológicos e 4 palavras-chave referentes ao arcano em questão. O livreto é simples, mas eficiente, e traz uma lista completa de todos os artistas cujas obras serviram de ilustração.
Cinco cartas extras, com imagens retratando os 4 elementos (Terra, Fogo, Água e Ar) e uma com a junção de todos podem ser utilizadas, à vontade do Cartomante, para completar ou permitir aprofundar a leitura das imagens.
Como comento no vídeo, não recomendaria a aquisição deste deck para que está ensaiando seus primeiros passos no conhecimento e estudo do Tarot, visto faltarem às cartas elementos mais arquetípicos ou simbólicos auxiliares na aprendizagem e compreensão das cartas. Mas é, na minha opinião, um dos mais belos e inspiradores decks para fins de contemplação e/ou meditação com as cartas.

Deck: MAGESTIC EARTH TAROT
Autora: J.D. Hildegard Hinkel
Editora: www.aelopublishing.com

sábado, 21 de janeiro de 2017

Carta do Dia do Tarot: Cavaleiro de Ouros (Snapchat: Taroteando)


Entre as muitas possibilidades de interpretação do Cavaleiro de Ouros, podemos incluir o fato dele representar pessoas que planejam, se organizam (Virgem) e evitam precipitar-se (a imobilidade do elemento Terra) antes de tomarem qualquer decisão. Representa pessoas trabalhadoras, pacientes, perseverantes, afeitas ao trabalho físico, tradicionais e, muitas vezes, teimosas.
Como Carta do Dia pode sugerir que nos organizemos melhor antes de agir. Por exemplo: antes de sair para aquela "sessão de compras nos shoppings da vida" deveríamos sempre consultar nosso saldo, nossas dívidas já assumidas, nossa real capacidade de ganhos, onde o produto é vendido pelo melhor preço e condições e, só então, decidirmos se devemos comprar, se realmente o produto terá utilidade, se devemos pagar à vista ou a prazo, etc.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

5 de Ouros (Snapchat: TAROTEANDO)


Nossas carências, necessidades, prejuízos, dificuldades, especialmente as materiais, além de uma situação de dependência de terceiros, um período de viver da caridade alheia,  sentir-se excluído, rejeitado, a falta de coragem e, sobretudo, falta de Fé e de autoconfiança são representadas pela carta do 5 DE OUROS do Tarot.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento  da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Rei de Ouros (comentário AO VIVO no Periscope: ALEXTAROLOGO)


Bom esposo e pai, amigo fiel, protetor abnegado dos que dele dependem, trabalhador exemplar, bem sucedido financeiramente, amante incansável, apaixonado pela boa mesa, desportista consagrado, sábio e responsável, o REI DE OUROS, no Tarot, é a representação dos aspectos materiais e práticos da figura do Imperador, Arcano IV.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

3 de Ouros (comentário AO VIVO no PERISCOPE: @ALEXTAROLOGO)


O 3 de Ouros é uma carta que nos fala da possibilidade de alcançarmos o sucesso, o reconhecimento, logo no início da longa estrada do desenvolvimento profissional.
Representa o trabalho em equipe, a união do talento com a experiência e sabedoria. Fala dos cuidados que devemos ter com a qualidade do produto que nosso talento nos permite desenvolver e do merecido reconhecimento, econômico e através do aplauso, que poderemos obter.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

2 de Ouros (Periscope: alextarologo)



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quinta-feira, 5 de junho de 2014

A IMPERATRIZ: Dia Mundial do Meio Ambiente



A IMPERATRIZ: Dia Mundial do Meio Ambiente

http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br/2014/06/dia-mundial-do-meio-ambiente-um-simples.html

domingo, 1 de junho de 2014

9 DE OUROS: Permita-se ser feliz!


http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-da-semana-permita-se/
 Confira no site da jornalista Maya Santana, WWW.50EMAIS.COM.BR, a minha postagem semanal sobre tarot.

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-da-semana-permita-se/

E acesse mais postagens sobre tarot e outros oráculos em POLAROIDES DA ALMA (http://blogspot.polaroidesdaalma.com.br)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Carta do Dia: 9 DE OUROS

 Minor-Discs-09Vaudeville      Havia tantos meses que acontecera, mas ela ainda parecia ouvir os aplausos dos técnicos, da diretora do programa e até da atriz-apresentadora quando a gravação terminou. Era a primeira vez na sua vida em que ela era filmada e, ainda por cima, com uma personalidade a entrevistando e o programa sendo distribuído por todo o país. Era uma consagração do seu talento, do seu esforço, da sua fé em si mesma, nas pessoas que acreditaram nela. Sua patroa, a jornalista especializada em gastronomia, sorria e abraçou-a, cumprimentando-a e dizendo que aquele era apenas um começo. Na verdade, era.

     Depois que o programa de culinária foi exibido em rede nacional, choveram convites para demonstrações, aulas, workshops, seminários em todo o país e, até mesmo, na Argentina. A própria empresa que produzira aquela gravação ofereceu-lhe um excelente contrato para um programa só dela, onde cozinharia, receberia outros culinaristas, faria gravações externas mostrando o melhor da culinária em cada estado. Sua patroa, sempre ao seu lado, ajudou-a a selecionar o que havia de mais interessante a ser aceito e feito, inclusive colaborando, com sua expertise a negociar os contratos. Em breve ela não estava mais trabalhando como cozinheira “em casa de família”, como sua tia e primas costumavam dizer, mas era autônoma, dona de seu próprio programa de TV, sendo convidada para uma dezena de outros, terminando de compilar suas melhores receitas para um aguardado livro e ministrando cursos pelo país.

     Devido à facilidade de ir ao estúdio de gravação e à necessidade de se locomover mais rapidamente entre um compromisso e outro, havia alugado um apartamento, enquanto escolhia algum outro para comprar. Sentia, entretanto, falta da casa da tia, da simples, mas farta, mesa posta para o café da manhã, das conversas e risadas com as primas, da simpatia dos vizinhos, da tranquilidade do subúrbio. Sabia, entretanto, que era mais prático e necessário que ela morasse próximo dos locais onde trabalhava e de onde poderia estar a minutos do aeroporto, que agora lhe parecia sua segunda casa, tal a frequencia que o utilizava em suas viagens profissionais pelo país.

     Estivera visitando a irmã e os demais parentes lá no interior, numa rara folga que tivera. Apesar deles nunca terem assistido a um de seus programas, sabiam do seu sucesso através das revistas que lhes chegavam às mãos. A casa onde havia nascido e crescido continuava exatamente igual ao momento em que partira. Até mesmo sua cama e alguns objetos sobre a mesinha que servia de apoio em seu antigo quarto, continuavam absolutamente iguais. Nem parecia que quase 3 anos haviam se passado desde que entrara naquele ônibus em direção à metrópole tão distante e aos seus sonhos. Achou engraçado quando o presidente do partido político que predominava na região, sabendo da sua presença, veio rapidamente solicitar uma “entrevista” e, entre café e bolinhos que a irmã preparara para esperá-la, convidou-a para lançar-se como candidata na próxima campanha eleitoral. Agradeceu e delicadamente declinou o convite dizendo-se não preparada para nenhum cargo, além do fato de que seus interesses profissionais e de realização pessoal já estavam acontecendo. Ela era uma cozinheira, e estava feliz com isso. Mas aproveitou para cobrar dele, eminente político profissional, melhorias para a vila e para as estradas vicinais que atendiam a tantos sitiantes, como o fora seu pai e, agora, era sua irmã. Postos de saúde equipados e em funcionamento, bem como escola em condições de oferecer o melhor ensino possível, era isso o que ela estaria atenta, mesmo distante fisicamente, para ver se seriam criados na região. Ele, encantado com a sua desenvoltura, concordava com tudo, entre goles de café quente. Ao final, antes de sair, pediu-lhe que se deixasse fotografar com ele, pois, afinal, ela era uma personalidade e uma foto ao lado dela iria ajudar, e muito, em sua companha à reeleição. Ela riu e piscou para a irmã.

     Voltou para a grande cidade carregada de sacolas e pacotes com frutas, sementes, temperos, ervas, farinhas, polvilhos e muitas idéias. Arrumou tudo antes de tomar um longo e reconfortante banho e sentou-se na sala olhando, pela janela, os últimos raios de sol do dia desenhando os contornos das montanhas mais próximas. Deixou os olhos correrem pelo bem decorado, porém impessoal, apartamento e sentiu-o frio, sem graça, vazio de vida. Ela podia ter praticamente tudo o que sonhar um dia possuir. Tinha um excelente salário, dinheiro no banco e aplicado, estava negociando um apartamento para morar. Era reconhecida quando saía à rua e a editora avisara que ela teria um grande esquema de viagens para a divulgação de seu livro de receitas, inclusive seria a grande atração de uma feira de livros na Europa. O canal a cabo, que transmitia o seu programa, comunicara-lhe que estavam em negociação para vende-lo para os países de língua latina e que isso representava um considerável aumento no seu prestígio, bem como nos seus rendimentos mensais. Uma grande empresa queria que ela assinasse uma linha de utensílios para a cozinha e ofereciam-lhe uma porcentagem grande sobre os lucros, que prometiam serem astronômicos. O melhor, o que mais lhe agradava era saber que tudo isso ela conquistara fazendo, com prazer, o melhor sabia fazer. Ela era o exemplo de que o talento, quando identificado, assumido, aperfeiçoado e vivido, era um verdadeiro tesouro a ser desfrutado. Ela, definitivamente, não tinha do que reclamar. Por que, então, ultimamente sentia um certo vazio dentro de si?

     Levantou-se da confortável poltrona e caminhou pelo apartamento, até a sacada do mesmo. Já estava quase escuro e as estrelas brilhavam no céu. Sentiu-se sozinha. Dona do mundo, mas sozinha. Tinha tudo o que queria, mas ninguém com quem dividir a si mesma, o seu amor, o seu afeto, sua atenção. Pensou em quantos homens e mulheres viviam situações semelhantes à sua, economicamente estáveis, porém sem viverem as emoções que as pessoas normalmente vivem. Sua vida, até aquele momento, fora unicamente de trabalho. Tinha amigos e conhecidos, sim, nas patroas em cujas casas trabalhara, nos câmeras e técnicos de seu programa de TV, em alguns jornalistas e editores de revistas especializadas, mas, quando voltava para casa, estava sempre só.

     Tinha tudo o que materialmente desejava, mas isso não era mais o bastante, apesar de representar o sucesso de seu trabalho e dedicação. Era chegado o momento em que sentia que poderia dedicar-se a outra pessoa. O que ela havia construído já caminhava praticamente sozinho. Ela agora tinha tempo de pensar nos outros, no amor que poderia oferecer, com o mesmo cuidado, carinho e intenção que sempre tivera em suas criações profissionais. Ela desejava compartilhar. Uma vez mais, tinha certeza de que era chegada a hora e esse era o caminho a ser seguido.

     Olhou, mais uma vez, a noite lá fora. A lua cheia, enorme sobre a cidade, parecia querer segredar-lhe algo, um segredo entre elas, entre duas mulheres. Ficou parada por alguns minutos, encantada com a luz prateada que a envolvia. Voltou para dentro do apartamento e olhou-se no grande espelho que havia no quarto. Sorriu para si mesma. Sabia o que faltava em sua vida e estava disposta, novamente, a ir ao seu alcance. A felicidade estava, novamente, aguardando por ela. Deitou-se e dormiu tranquila. Sonhou com a mãe, que a segurava, ainda bebê, no colo e beijava-a levemente o rostinho.

     Quando o 9 de Ouros aparece numa leitura de taro, dependendo sempre da sua posição no esquema de jogada escolhido e das demais cartas que o acompanham, além, evidentemente, da questão que motiva a própria leitura, pode significar recompensas que chegam à vida do Consultante. Realizações passadas que retornam e trazem consigo surpreendentes resultados. Melhora no estado geral da saúde. O Consultante começa a viver de forma mais extravagante ou luxuosa. Uma forte sensação de segurança. Excelente mira para negócios. Uma conexão contínua, não interrompida com a terra, a natureza, as raízes. O Consultante, sentindo-se realizado e orgulhosos daquilo que criou para si e para os outros, atinge suas metas, realizando seus objetivos. Boa sorte, com mais dinheiro, segurança, saúde e conforto. Esse tempo é simbolizado por uma volta na Roda da Fortuna. Há que reconhecer os presentes que a vida oferece, evitando-se a ganância, a presunção, a vaidade, a condescendência consigo próprio.

     Quando mal dignificada, o 9 de Ouros, significa mais o perigo da pessoa usar mal os seus ganhos materiais do que, propriamente, má sorte ou perdas (econômicas, de saúde, de objetos, etc). O que a carta pode estar indicando é a possibilidade do Consultante estar ávido por mais dinheiro, por mais bens materiais, por mais sucesso, muito mais do que ele necessita. Não importa o que e quanto se possua, o foco das atenções do Consultante está direcionado para aquilo que ele ainda não tem. É difícil, senão impossível, compartilhar sua boa sorte com os demais. Quando o Consultante compara o que ele tem com o das demais pessoas, é inevitável que ele sempre acabe achando que precisa de mais do que já tem. Uma compulsão em comprar. Talvez seja um bom conselho, nessas situações, que a pessoa recue um pouco e faça uma avaliação mais criteriosa de seus objetivos.

     Quando estamos confusos, angustiados, infelizes, ainda que vivendo uma situação altamente confortável, é interessante que busquemos encontrar a nossa paz interior através da dedicação amorosa a tudo o quanto realizamos e em alegremente acatarmos os resultados que obtemos. É hora de parar de querer imitar as idéias, estilos, atitudes, comportamentos ou modismos alheios e encontrarmos a dimensão correta para os nossos planos, nossos talentos emergentes e ama-los, reconhecendo-os como nossos. Devemos, sempre, vivenciar a satisfação e o excitamento de um trabalho bem realizado.

     Nesta sexta-feira, sob a amorosa e gratificante proteção de Vênus, e com a Lua Minguante em Peixes, é possível experimentarmos uma atitude mais contemplativa, de menor atividade, em que nos deixamos levar mais pelo fluxo da própria vida, sem reagirmos. O lado bastante positivo é uma energia que estimula a nossa imaginação, permitindo-nos pensar em forma de melhor vivermos, de reconhecermos a beleza dos nossos feitos, de nos alegrarmos com os resultados dos nossos esforços. Talvez seja indicado deixar de lado as planilhas, as calculadoras, e entregar-se às energias, sempre atuantes, sempre benéficas, do Universo. Não nos esqueçamos, nunca, de agradecer por tudo o que nos foi e é concedido.

     Tenham todos um proveitoso, pacífico e recompensador dia!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F. J. Campos

sábado, 29 de maio de 2010

Carta do Dia: 3 DE OUROS

Minor-Discs-03Vaudeville      A tia a esperava na porta da casa. Foram, novamente, muitos beijos e lágrimas, entre parentes que eram praticamente estranhos pois ela era muito pequena quando a tia deixou a vila no sertão e veio “tentar a vida” no sul-maravilha. Mas era uma doce senhora, muito afetuosa e que lhe recordava, vagamente, a falecida mãe. Levou-a, mancando pois estava com uma perna engessada devido a um tombo no trabalho, para conhecer toda a casa, apresentou-a a uma das primas, pouco mais nova do que ela mesma, e conduziu-a ao quarto que iria repartir com uma outra filha dos 3 que a tia tivera. Enquanto ela entregava os presentes que os parentes enviaram e contava da morte do pai, da irmã que ficara sozinha no sítio, ia se acostumando ao quarto, à presença da tia e da prima que a olhavam com curiosidade e ternura.

     No início da noite chegou sua companheira de quarto, a prima da sua idade que trabalhava com a tia para uma família muito rica que morava no melhor bairro da cidade. A tia há muitos anos era a cozinheira da família e a filha começara a trabalhar como arrumadeira. Com o problema da queda e consequente fratura da perna da tia, as outras empregadas estavam “quebrando um galho”, cozinhando da maneira que sabiam e cumprindo suas outras tarefas. Foi então que ela ofereceu-se para substituir a tia, enquanto essa estivesse de licença, pois cozinhava muito bem e era uma exímia doceira, coisa que todos concordaram depois de comerem uma caixa de seus bombocados, queijadinhas, pingos-de-ovos, e outras guloseimas mais que havia trazido como presente.

     A tia ficou encantada com a generosidade da sobrinha e foi para a sala telefonar para a patroa falando dessa possibilidade de substituição, enquanto as moças ficaram no quarto trocando informações e confidências. Falaram, é claro, do que faziam, do trabalho, com o que sonhavam, de rapazes, de festas, de passeios e shopping centers. Ela a tudo ouvia curiosa e com o coração aos pulos. A tia voltou da sala toda sorridente dizendo que a patroa concordara dela ir, no dia seguinte, fazer uma experiência, pois estava desesperada, não aguentando mais as reclamações do marido e dos filhos em relação à comida que as outras empregadas estavam se esforçando em preparar. Todas ficaram felicíssimas e, minutos depois, enquanto assistiam a mais um capítulo da novela, ela só conseguia pensar em como estava feliz. As coisas estavam indo muito melhor do que ela mesma poderia supor. No mesmo dia em que chegara a possibilidade de um emprego caiu-lhe nas mãos. E, o que era o melhor: para fazer aquilo que mais gostava, cozinhar.

     Naquela noite as 3 primas demoraram a dormir, pois não conseguiam parar de trocarem informações, combinarem mil passeios juntas, ela querendo saber tudo sobre a grande cidade, e as primas, mais do que dispostas a lhe contarem e mostrarem tudo. Finalmente o cansaço da longa viagem se fez sentir e ela acomodou-se melhor na cama enquanto o silêncio se instalava no quarto e os sons vindos da rua calma de subúrbio iam ficando cada vez mais distantes. Fechou os olhos e pensou na irmã, naquele momento, sozinha no interior da velha casa do sítio. Sentiu saudades. Rememorou a chegada, o encontro com a tia e a família que tão bem a acolheram e sentiu-se feliz, protegida, querida. Sabia que tinha feito o que era certo, seguindo o que lhe mandava o coração. No dia seguinte iria para o seu primeiro emprego, em toda a vida e isso a deixava estranhamente ansiosa, da mesma maneira que ficava, quando era pequena, esperando pelo Natal ou pelo seu aniversário. Tinha novamente uma família onde todos se ajudavam e isso a deixava muito feliz.

     Sentiu o sono, como ondas cada vez maiores, avançando. O dia seguinte seria de muitas novidades. Dormiu. Sonhou com as primas rindo, a tia cozinhando, ela ainda criança no colo da mãe, com a irmã e ela em torno dos tachos de cobre, mexendo os doces de frutas. Sonhou com a estrada poeirenta e com a cidade grande que surgia banhada de sol, imenso, dourado. Sonhou com uma cozinha enorme, toda branca, ela vestida de branco na lide com panelas de metal cintilante. Sonhou com pessoas que nunca vira e que lhe sorriam. Sonhou com um rapaz de terno que lhe estendia a mão…

      Acordaram com o despertador anunciando que era hora delas se arrumarem e irem para o trabalho.

     Quando um 3 de Ouros aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e com quais cartas se faz acompanhar, além da questão proposta pelo Consultante, ele pode simbolizar que ele está disposto a assumir alegre e confiantemente um serviço, um trabalho, um desafio, e que, também, está em harmonia com seu lado criativo, espiritual e prático. É uma carta que nos fala de esforço realizado em equipe, ou seja, compartilhado. Existe a possibilidade de que o trabalho venha a ser intenso e árduo, mas o Consulente está disposto a perseverar e a combinar seus esforços com outros. A equipe à qual o Consulente lidera ou participa como membro trabalha em uníssono e não há ciúme, inveja ou competição entre seus pares. A satisfação pelo dever cumprido e pelos frutos colhidos compensam toda a dedicação e empenho que o Consulente investiu para a realização da tarefa. É hora de aceitar as recompensas que o simples ato prazeroso de executar a tarefa propicia. Também simboliza o fato do Consulente conhecer bem o seu ofício e executá-lo com maestria. É sinal de um espírito determinado, que se sente motivado e que está muito satisfeito com sua carreira. O consulente é um verdadeiro dínamo na sua produção e acredita no que está fazendo.

     O aspecto negativo que podemos entrever quando o 3 de Ouros aparece mal posicionado ou dignificado é  o fato do trabalho não estar sendo realizado da maneira prevista ou necessária, com risco do Consulente ser despedido ou rebaixado de posto, e ele mesmo está insatisfeito e aborrecido com o seu desempenho. Pode significar falta de talento ou habilidade para o cumprimento da função ou da tarefa, ou não estar preocupado com a qualidade do produto final. Dificuldades de arranjar um emprego. O grupo de trabalho não se entende ou então existe muita rivalidade, competição, desavenças entre seus membros. O Consultante pode estar querendo realizar sozinho todo o trabalho e acabar falhando pela sobrecarga de esforços.

     Se há um conselho que essa carta pode nos dar creio que é o de buscarmos sempre um trabalho ou um serviço que requeira o melhor de nós. Não peçamos apenas aquilo que queremos, mas sim o que o Universo e as demais pessoas querem de nós. Só assim nossas vidas serão mais intensas, alegres e recompensadoras.

     Neste sábado, sob a regência de Saturno, que simboliza os limites que devemos impor a estrutura que desejamos construir para que não nos percamos num turbilhão de idéias disformes, e com a Lua Cheia na casa de Capricórnio, é um convite para que assumamos posturas sólidas e realistas. Não há porque ficar divagando e nada realizar. Aproveitemos, também, para comemorarmos com nossos companheiros de trabalho o  progresso, qualquer que seja, que tenhamos obtido juntos e é também uma boa ocasião para perdoarmos aqueles do grupo que não tiveram a capacidade de desempenharem suas funções com o mesmo entusiasmo que tivemos.

     Tenham todos um final de semana de muito companheirismo e celebração!

Imagem: VAUDEVILLE TAROT, F. J. Campos

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta do Dia: PAJEM DE PAUS

Título Trono do Ás de Paus
Elemento Terra do Fogo
Tetragramaton He, final (a energia materializada de Yod)
Nome Divino  Adonai Ha-Aretz
Mundo Cabalístico Assiah (mundo dos elementos, da matéria e da ação)
Sephirah Malkuth (reinado; universo físico)
Correspondência Astrológica Câncer e Leão
Planeta  / Pedra Terra / Cristal de Rocha
 
    Wands11 (2) Todos os dias cruzamos com essas moças e rapazes que trabalham nos escritórios, nas empresas, num cargo chamado de “office-boy”. É uma americanização da antiquíssima profissão de mensageiro. São aquelas pessoas encarregadas de levarem ou entregarem documentos, pacotes, realizarem pequenas compras, se encarregarem de pagamentos diversos, irem a bancos, a cartórios, ficarem horas intermináveis em filas ou vencendo distâncias em ônibus ou metros lotados. Distribuem filipetas nas ruas e fazem as vezes de recepcionistas, entregando folders em eventos. Quase todos eles jovens, em seu primeiro emprego.
     São ativos, ligeiros, espertos, muito comunicativos. Sabem a melhor hora para chegarem aos caixas bancários; conhecem os nomes dos funcionários, o que lhes possibilita alguns pequenos privilégios. Estão sempre muito bem apresentáveis, vestidos nas tendências do que o modismo divulgado pelos programas de TV, pelos video-clipes dita para pessoas da idade deles. Quase todos exibem um par de óculos e um relógio de “marca” comprados no camelô da esquina, bem como um vistoso par de tênis, numa versão alternativa, importado de algum país fronteiriço. Nos ouvidos, o indefectível MP3 Player, com os hits do momento. Não importa. O que vale é que procuram, através das roupas e dos acessórios, destacarem-se e imitarem aquilo que eles acham importante, interessante ou atraente nas pessoas que admiram. De forma sadia e bem direcionada, isso também é uma forma de aprendizagem, muito comum no processo de amadurecimento, da individualização. Imita-se e depois seleciona-se.
     Podemos ver nesses jovens as qualidades que encontramos ao tentarmos descrever os Pajens: pessoas muito jovens ou inexperientes para assumirem grandes responsabilidades. Normalmente, no tarot, são interpretados como crianças (ou pelo menos com as características destas), com os lados positivos e negativos da infância. Uma criança ainda não conhece bem seus limites e pode conseguir entrar onde quer que deseje, onde seu interesse estiver. Por isso mesmo costumamos creditar os Pajens, de maneira geral, como novas oportunidades e, sobretudo, com a disponibilidade ou a necessidade de estar-se aberto a elas. Agindo como uma criança absorta numa brincadeira, num jogo, ele não está observando e, portanto, totalmente alheio às tensões e problemas que possam estar à sua volta. Por ser uma personalidade que inconscientemente se envolve em coisas alegres, agradáveis, divertidas, e por ser portador de uma aguçada curiosidade infantil, é desinibido em suas emoções e frequentemente inconsciente de que existem obrigações a serem cumpridas. Essa é uma atitude considerada yin, de polaridade negativa, feminina.
     Como os nossos citados “office-boys”, o Pajem de Paus é um caráter jovem e inocente que tenta agarrar-se às oportunidades com ambas as mãos. Como uma carta de ação (Paus = Fogo) ela produz bastante movimento, é muito energética e bastante dinâmica. Essa carta tem muito a ver com novas iniciativas, que podem surgir interna (necessidade criativa) ou externamente (através de oportunidades), que são tomadas com uma alegria e vivacidade bastante infantis, com voa vontade,  total envolvimento e sem se preocupar muito com as consequências.
     Quando bem situados entre as demais cartas de uma leitura de tarot, mas sempre levando-se em consideração a questão levantada pelo Consulente e como essa figura de Corte será interpretada (como o Consulente ou como outra pessoa em sua vida), o Pajem de Paus pode simbolizar algo inesperado que está acontecendo ou irá acontecer; novas idéias e sentimentos; possibilidade de surgirem, ou serem criadas, novas oportunidades; a chegada de mensagens ou de notícias, quase sempre excitantes e boas. Possibilidades que requerem ação imediata. Como é uma carta que pode estar se referindo a alguém bem jovem, assuntos educacionais ou escolares também podem e devem serem considerados, numa leitura.
     Os valores pessoais dessa carta, numa tiragem, podem ser compreendidas como os de uma personalidade ardente, fervilhante, energética, entusiástica, alegre, brincalhona, curiosa, novidadeira. Pode, também, representar alguém ambicioso, que não teme correr riscos, que “pega o toura a unha”, não deixando passarem as oportunidades. Costuma admirar muito e idealizar algumas pessoas, adotando-as como modelos ou ídolos.
     Como obstáculo, o Pajem de Paus numa jogada de tarot pode alertar para atitudes ou pessoas tolas, crédulas, ingênuas, mimadas, egoístas, que demonstram indiferença, com atitudes delinquentes, não confiáveis. Podem ser seres humanos que se frustram ou enervam fácil e rapidamente. Também aquelas que são caprichosas ou muito exibidas e, é claro, as hiperativas.
     Na carta do Tarot de Dali que usei para ilustrar esta postagem, o nome dado a esse Arcano Menor é Sota, que, entre diversos significados em espanhol, pode ser traduzido como “ladino”, ou como “mulher insolente e desinibida”. Se avaliarmos o fato de que os Pajens eram menores adolescentes,ainda sem grandes características ou definições sexuais, figuras quase andróginas que viviam nas cortes, distribuindo notícias, fazendo fofocas, levando recados, tendo que se esquivar de adultos muito mais espertos, e quase sempre mais ferozes, do que eles, a palavra “ladino” cai bem como “esperteza”, agir com uma certa intuição e instintivamente no sentido de preservação. Alguns tarots apresentam estas cartas sob o nome de Princesas, Filhas, Damas, numa tentativa de equilibrar a quantidade de cartas masculinas (Rei e Cavaleiro = yang) com femininas (Rainha e Princesa = yin).
     Mercúrio, o deus da comunicação, o regente das quartas-feiras, com seus pés alados, locomovendo-se rapidamente pelos ares, levando mensagens e favorecendo o aprendizado e o conhecimento, era também astuto, perceptivo, inteligente, eloquente, organizado e… fofoqueiro. Ele nos faz refletir se estamos neste momento, preparados para avançarmos. Se desejamos, sinceramente, progredir. Se não criamos barreiras, deixando de ouvir a conselhos, de nos valermos também da experiência alheia, de buscarmos as informações corretas, de nos movimentarmos com presteza e atitude em direção àquilo que ambicionamos conquistar.
     É sempre recomendável que reservemos algum tempo do nosso dia a dia para meditarmos ao quanto estamos verdadeiramente abertos aos potenciais e às possibilidades que a Vida nos oferece. A palavra Cabala significa “receber”. O Criador (substitua pelo nome, expressão ou imagem que melhor traduz o seus sentimento sobre o Divino) enche nossas taças, nossos corpos, nossas almas, nosso espírito, continuamente. Compete a nós estarmos receptivos a esses benefícios.
     Aproveite este dia de outono para pensar em começar um novo projeto baseando-se naquilo que realmente lhe inspira. Aventure-se, sem perder o controle da situação. Deixe aflorar a sua voz interior. Preste atenção ao que as crianças (isso mesmo: as crianças) lhe dizem. Eles podem estar exercendo, naquele momento, o papel de Pajens de Paus, trazendo-lhe boas novas! E, falando em boas-novas, basta lembrarmos que, de acordo com o Novo Testamento, o Arcanjo Gabriel veio como mensageiro (pajem, valete) divino anunciar à Maria que ela seria a mãe do Salvador.
     Tenham todos uma ótima e inspirada quarta-feira!
    
Ilustração: TAROT DE DALI

domingo, 11 de abril de 2010

ARCANOS MENORES: 56 retratos da vida

     Terminada a série das 22 lâminas correspondentes aos Arcanos Maiores, que são os passos evolucionários de um processo de transformação que vivemos ao longo da nossa jornada, começo hoje a fazer uma leitura pessoal sobre as 56 cartas chamadas de Arcanos Menores.

     Os Arcanos Menores correspondem às peças que constituem os nossos mundos, tanto interiores como exteriores. Como tal eles poderiam serem comparados a átomos ou moléculas, algo universal, abstrato e bastante impessoal. Para interpretá-los e aplicarmos as suas qualidades à condição humana, iremos necessitar usar nossa intuição além dos significados tradicionais das cartas, suas associações com astrologia, numerologia, cabala e demais símbolos como um ponto de partida. Eles representam a maneira pela qual os Arcanos Maiores, com suas figuras arquetípicas, atual em nossa vida.

     São divididos em 4 grupos, Fogo, Água, Ar e Terra, retratando as qualidades atribuídas a esses elementos: a Intuição, os Sentimentos, o Intelecto e as Sensações, respectivamente.  Além disso, as 56 cartas são separadas entre as 16 Cartas da Corte, que simbolizam o caráter ou tipos diversos de personalidade de pessoas reais (inclusive o Consulente) que possam estar envolvidas no assunto da leitura de uma jogada de tarot. As restantes 40 cartas, numeradas de 1 (Ás) a 10, representam acontecimentos e experiências, atos e consequências de decisões das quais o Consulente tem alguma forma de participação e podem ser associadas às 10 esferas (Sephirot) da Árvore da Vida .

     Os naipes, representando os 4 Elementos, são os instrumentos que transformam possibilidades em realidade.

4 PAUS: O naipe de Paus (Bastões, Varas, Cetros) expressa o elemento Fogo e os conceitos derivados tais como espírito, energia, assertividade. As características desse elemento, em sua forma ígnea e iluminadora, estão concentrados na 2ª Esfera (Sephira) da Árvore da Vida, chamada Chokmah e considerada masculina: energia dinâmica, origem da força vital e da polaridade. É a paixão, o nosso poder de realização, o nosso interesse, nossa individualidade, aquilo que nos motiva e colabora para que tenhamos ou não sucesso. É nossa autoconfiança, nosso entusiasmo, nossa criatividade, o que nos faz ter vontade de viver. Fogo é expansão. Paus refere-se à nossa necessidade de crescermos, evoluirmos e assumirmos um papel ativo em nossos destinos. Um certo “jeitinho”, um pouco de “jogo de cintura” podem nos ajudar muito no caminho.

1 COPAS: Esse naipe (Taças, Conchas, Corações, Cálice) corresponde ao elemento Água e estabelece uma relação de como compreendemos a água como algo fluido, que se espalha, vazando e penetrando sem oferecer resistência mas também sem conhecer obstáculos, assumindo a forma do recipiente que a contém. Portanto é muito facilmente comparada às forma como vivemos nossas emoções, como sentimos, como amamos. São os nossos relacionamentos, nossos envolvimentos românticos, nossa capacidade de sermos receptivos e nos moldarmos às situações. Binah, a 3ª Sephira (Esfera) na Árvore da Vida, representa essa água primal, onde as forças do inconsciente se agitam. É considerada fonte de uma energia receptiva, portanto feminina, origem das formas e das estruturas. Normalmente o naipe de Copas nos favorece com alegrias e felicidade e nos ensina a deixarmos nossos problemas escorrerem pelo ralo.

3 AR: Este é o elemento representado pelo naipe de Espadas (Lanças, Pássaros, Punhais, Vento, Nuvens) e diz respeito aos nossos pensamentos. Como os dois elementos simbolizados nos naipes anteriores, o Ar está sempre em movimento, assim como estão constantemente se movendo, muitas vezes de maneira inconstante e imprevisível, as nossas idéias, os mecanismos que acionam o nosso raciocínio lógico. Com o Ar nós rompemos a neblina que recobre as verdades, descobrimos que podemos incursionar na escuridão do desconhecido, da ignorância, e dercortiná-la, trazendo-a à luz da razão, da lógica, da clareza mental. São as nossas intenções, ideologias, a nossa percepção, a capacidade de diferenciar, selecionar, catalogar e criticar. Ocupando a esfera (sephira) de Tiphareth, no centro da Árvore da Vida, é o núcleo do processo de criação. Aqui as energias se harmonizam, iluminando as ilimitadas e indefinidas possibilidades de Kether. Como uma espada que perfura e corta, o naipe de Espadas também estampa as lutas, as questões, as discussões, os conflitos e a agressividade. As cartas desse naipe tanto podem representar a construção de elaborados projetos mentais, como colapsos nervosos.

2 OUROS: (Discos, Moedas, Pedras, Pentáculos) Chegamos ao Elemento Terra e à lei de causa e efeito que rege o mundo material. O naipe de Ouros é pura energia em movimento e incorpora a estrutura atômica de toda a matéria. Malkuth, a 10ª sephira (esfera) da Árvore da Vida, é o quartel-general desse elemento e simboliza o mundo físico, o mundo da ação, da realidade exterior. É da terra que retiramos os alimentos que nos nutrem e é nela que nos sentimos assentados, enraizados. Nela concentramos e consolidamos os nossos valores materiais, nossas posses, nossas aquisições. A Terra, representando nosso corpo físico, fornece sustentabilidade para que a alma experimente a realidade. As cartas desse naipe se relacionam com dinheiro, carreira, posses. Podemos nos surpreender admirando tudo o que conseguimos amealhar através de muito trabalho, ou então, horrorizados, vermos tudo escapar-nos por entre os dedos e espatifar-se no chão.

     Se os Arcanos Maiores significavam os “grandes segredos”, esta viagem que iniciamos hoje nos levará a descobrirmos juntos os “pequenos segredos”.

     De uma maneira bastante simplista e generalizada, podemos dizer que quando numa leitura de tarot temos uma maioria de cartas dos Arcanos Menores, a resposta a ser encontrada junto com o Consulente está baseada em assuntos e energias bastante terrenos. Esse tipo de resposta é, frequentemente, muito fácil de ser percebida, intuída, mas apresenta muito mais desafios. Os Arcanos Menores tendem a explicarem as coisas em termos bastante humanos, pois a estória que essas cartas contam é a respeito de estarmos vivos e vivendo neste plano, neste planeta, nesta época. Elas não pretendem atingirem conceitos muito abstratos ou filosóficos mas, ao contrário, vão fundo naquilo que significa ser humano. Nós comemos, bebemos, amamos, trabalhamos, lutamos, rimos e choramos. É com isso que os Arcanos Menores se ocupam. Eles são a base, o apoio, o alicerce das leituras de tarot, fornecendo respostas práticas sobre o que, quando e como fazer, quando se trata de assuntos terrenos, da vida cotidiana. Assim como necessitamos de substantivos, adjetivos e verbos para podermos construir sentenças com algum significado, também precisamos dessas importantes 56 lâminas para usá-las para detalhar e complementar os assuntos e temas abordados pelos Arcanos Maiores.

     Sejam todos bem vindos a mais esta viagem!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Carta do Dia: A IMPERATRIZ

       Imperatriz Não é difícil compreender como a figura da mulher, como um dos aspectos integrantes da Divindade, teve subtraída essa posição através da história da civilização. Esses seres que devem ter causado uma impressão profunda no homem primitivo, primeiro com o sangue menstrual, depois com o seu ventre se dilatando para, após determinado período, sofrendo dores e esvaindo-se em líquidos ainda sem nomes, colocarem um novo ser vivo na superfície da terra. Tudo exatamente igual, em termos de mistério, aos frutos que a cada estação se apresentavam nas árvores, o surgimento de espécies vegetais vindas, sem aparente razão, do solo ou aos animais que se multiplicavam nas estepes.

     Além disso, como verdadeiras primeiras alquimistas, eram elas que preparavam a caça abatida, descobrindo maiores utilidades para o fogo e inventando os utensílios que lhes permitiam o preparo dos alimentos. Também a elas cabia o exercício de, com ervas, raízes e folhas diversas, cuidarem dos ferimentos e prepararem beberagens e infusões diversas para a cura de doenças.

     Com a compreensão de que havia uma participação efetiva do elemento masculino no ato da concepção, e que portanto ele também era parte daquele misterioso evento, o homem começa a perder grande parte da reverência que lhes dedicava e inicia-se, então, a transição do matriarcado para um patriarcado baseado em ação, conquistas, lutas, apagando, com o passar do tempo, grande parte das referências ao poder do feminino. Isso acabou sendo especialmente na Idade Média quando os religiosos, que supostamente muito pouco conheciam das mulheres passaram a vê-las como descendentes diretas de Eva, seres feitos unicamente de carne e sentidos, sendo portanto a causa da Grande Queda, da perda do Paraíso, pois nada mais eram do que a própria Tentação materializada. Por ter sido criada da costela de Adão, conforme os ensinamentos bíblicos, era vista como um ser exclusivamente material, criada exclusivamente para a procriação, e que deveria ser mantida virgem até casar-se, quando passaria a ser posse exclusiva de seu marido, a ele devendo fidelidade e submissão.

     O cristianismo deu às mulheres alguma esperança de salvação e de construção de uma nova imagem, pois afinal, Maria, a mãe virgem de Jesus, era também considerada a mãe de todos aqueles que abraçavam a nova fé, liberando-os da maldição que Eva tinha lhes angariado. A castidade deveria ser mantida, sob qualquer custo, caso desejassem casar. Se preferissem adotar uma vida de reclusão, uma vida religiosa, isoladas nas abadias e “casadas” com Cristo, então a idéia da virgindade era considerada fundamental. Maria passa a ser um ideal de santidade que se contrapõe à materialidade, à realidade representada por Eva.

     Mas, o que fazer com aquelas, que não resistindo aos seus impulsos naturais, abriam mão da tão preciosa virgindade para depois se arrependerem? Para essas um novo modelo a ser imitado foi criado com a figura de Maria Madalena, a pecadora arrependida, que apesar de seus erros, encontrou a salvação ao abandonar a vida pregressa e submeter-se unicamente à paixão e os êxtases  da fé.

     Assim a Igreja, durante os séculos, nos apresentou três modelos de mulher: Eva, a que representava os instintos mais baixos e que por eles pactuara com o Demônio tramando enganar o Homem; A Virgem Maria, a mãe do Salvador e de todos nós, cuja adoração baseava-se na aceitação do fato da sua concepção ter sido divina, sem intercurso carnal, de ter gerado o Redentor e ter ascendido aos céus, nas mesmas condições do Filho; e, finalmente, Maria Madalena, o exemplo de que a mortificação da carne através de exercícios espirituais e da recusa e desprezo pelo físico, além da submissão aos homens da Igreja, eram o caminho da salvação perdida por aquelas que haviam pecado, tais como Eva, usando o corpo para o prazer.

    Quando nós pensamos em maternidade e sexo nos parece que são coisas opostas, como se para uma mulher engravidar não tivesse que haver sexo, existir uma relação carnal. Ainda assim nos recusamos a pensar nas mães, e em especial na nossa, como puras, assexuadas. Essa atitude pode ser encarada como uma forma de ciúme possessivo da criança que não quer admitir que sua mãe divida seu corpo com outro. Mas também é fruto de quase dois mil anos de uma cultura cristã, que divide as mulheres em dois tipos: a santa, representada pela Virgem Maria, e a prostituta, representada por Maria Madalena. Essa mesma tradição nos ensinou que as mulheres que praticam sexo, que obtém prazer dele e gostam de si e de seu corpo, são fiéis representantes da demoníaca Eva, que na falta de qualquer virtude, coleciona todos os chamados vícios femininos, tais como a gula, a luxúria e a sexualidade.

      E por falar em luxúria, sensualidade e sexualidade, há quem goste da Madonna (a cantora, por favor). Eu, nem tanto. Mas isso não impede que eu reconheça o seu trabalho como importante especialmente no que se refere à estética dos shows, dos vídeo-clipes, na maneira de se auto-promover e na sua capacidade, quase ilimitada, de renovar-se (ou melhor, “repaginar-se” ), sem necessariamente alterar o seu estilo musical. Madonna, hoje uma senhora, vendendo menos discos e excursionando muito menos pelo mundo do que fazia há, digamos, dez anos, ainda consegue manipular a atenção da mídia, evidentemente a seu favor, seja adotando a cabala como foco de interesse espiritual, ou adotando, além de crianças de raças e nacionalidades diferentes,  um jovem consorte com idade para ser mais um de seus filhos e também  utilizando-se da sua fama para ajudar algumas organizações assistenciais. Madonna finalmente tornou-se uma matriarca.

    Versace4 Da exuberante, transgressora e sexualmente liberada  figura que usou para imprimir sua marca no mundo competitivo das celebridades, evoluiu para uma persona pública que assume um caráter muito mais humanitário e bem menos hedonista do que a sua imagem, meticulosamente construída, vendia. É a mãe de muitos filhos que necessariamente não precisa ter gerado; emprega muita gente, criando  condições de sobrevivência para um grupo enorme de assessores, estilistas, maquiadores, cabelereiros, personal trainers, coreógrafos, bailarinos, videomakers, músicos, produtores musicais, iluminadores, cenógrafos, fotógrafos, ilustradores, divulgadores, assessores de imprensa, guarda-costas, etc. Nutre, enfim, com o seu trabalho toda uma indústria de entretenimento, toda uma indústria cultural, que é, também, uma importante característica da arquetípica figura da Imperatriz, afilhada direta de Vênus/Afrodite, em sua incansável busca pelo belo.

     Madonna vendeu cultura e sexo na mesma medida. Utilizou-se de ambos para construir uma carreira extremamente bem sucedida, cuidadosamente planejada e bastante longa. Sempre atual com as tendências da moda, de estilo e da cultura, evoluiu através dos anos como uma verdadeira camaleoa, criando uma nova identidade para cada novo ciclo, para cada nova estação ou temporada de concertos e shows. Chocou propositadamente  alguns segmentos da sociedade com as sequências altamente erotizadas de seus vídeos, das coreografias de seus shows, das letras de suas músicas, das fotos das centenas de editoriais e capas de revistas, tendo-se valido dos mais diversos aspectos fetichistas para estimular a imaginação de seus milhões de fãs, falando uma linguagem que não necessita de tradução: o sexo. Finalmente, mais madura, encarnou a personagem da mulher que é dona de si mesma, que sabe o que quer, que não depende de ninguém, que sabe como, onde e com quem encontrar seu prazer. Dona de seu corpo e de seu destino, Madonna é uma assumida Imperatriz

     Quando a carta da Imperatriz aparece numa jogada de tarot, dependendo da sua posição entre as demais cartas e do assunto abordado pelo consulente, ela pode significar, também, que é chegado um tempo na vida da pessoa em que ela está experimentando o mundo com bastante prazer, satisfação sensorial e de uma maneira maternal; pode ser a chegada de uma época de riqueza, de abundância, de saúde e de muita criatividade. Pode ser também o prenúncio de casamento ou de gravidez, de amor, de romance e de grande e satisfatória atividade sexual. Pode também significar uma grande paixão pela Natureza, pela vida ao ar livre, pelo campo, pelas plantas; uma consciência ecológica e uma tomada de atitudes que possam favorecer as condições de vida do planeta. É a gestação e o dar a luz a novas idéias e projetos, coisas que enriqueçam e tragam mais beleza para o mundo. É um aviso que o processo de maturação está se completando e que o momento da colheita está próximo.´Pode representar uma tomada de consciência do próprio feminino, do seu poder de sedução e da sua capacidade de realização.

     Pode, quando mal dignificada numa leitura, a carta desse Arcano representar desperdício de potencial, falta de criatividade; vaidade excessiva e gastos desnecessários. Pode estar alertando para problemas em relação à própria sexualidade, tais como frigidez, ninfomania, promiscuidade, esterilidade. Simboliza, negativamente, o bloqueio da paixão, seja emocional ou sexual, dificultando-lhe a auto-expressão. Pode também estar indicando problemas com a mãe do consulente, seja na forma de ressentimentos passados ou de carência afetiva; ou então o problema diz respeito à sua relação maternal com seus próprios filhos (se os tiver), por sentir-se distante deles naquele momento da vida.  Se, por exemplo, uma carta como o Eremita ou a Sacerdotisa (Papisa) aparecer próximo, pode estar sugerindo que este não é o momento adequado para o consulente envolver-se numa paixão, recomendando-lhe que talvez devesse retirar-se e concentrar-se em si mesmo.

     03-Major-Empress Nesta segunda-feira, a Lua está em Gêmeos e isso é indicação que haverá um possível aumento na nossa produção de idéias, de sugestões para novos projetos e atividades, ou seja, nossa criatividade estará em alta. Além disso, atividades como cinema, teatro, shows, exposições, visitas a museus e galerias são altamente recomendadas e provocarão um estímulo extra no nosso potencial criador. Não nos esqueçamos que estamos vivendo um ano que numerologicamente nos remete à Imperatriz, portanto suas energias deverão serem sentidas através de uma busca pela criação de algo belo, pela dedicação à uma causa humanitária, pelo trato amoroso dedicado à família e aos amigos, pelo cuidado e carinho com que administramos nossos relacionamentos. Além disso, cabalisticamente, a Imperatriz ocupa o 14º Caminho na Árvore da Vida, unindo Binah (Compreensão, Oceano da Inconsciência) a Chokmah (Sabedoria que domina o Zodíaco e todos os Mundos), que é chamado o Caminho da Inteligência Luminosa. A Imperatriz é, então, uma grande porta de entrada do Sol, um grande e fértil delta, o útero cósmico

     Tenham todos um excelente início de semana e lembrem-se que o Amor é o grande poder da Imperatriz. Nada resiste a ele. Tudo a ele se submete.

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)