É, normalmente, uma figura masculina acima dos 40 anos de idade, experiente, emocionalmente equilibrado, atencioso e carinhoso com as pessoas, que já passou por desilusões e outros "ferimentos" sentimentais, mas que atingiu um ponto de harmonia, tendo "curado" suas próprias "feridas".
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Rei de Copas ( Periscope: Alextarologo)
É, normalmente, uma figura masculina acima dos 40 anos de idade, experiente, emocionalmente equilibrado, atencioso e carinhoso com as pessoas, que já passou por desilusões e outros "ferimentos" sentimentais, mas que atingiu um ponto de harmonia, tendo "curado" suas próprias "feridas".
sexta-feira, 7 de março de 2014
Rei de Copas: Protetor, Romântico e Compassivo
Copas é o naipe do Elemento Água que, por sua vez, é uma substância amorfa, maleável, mutável, podendo perfeitamente bem representar nossos sentimentos, que não são nem rígidos nem sólidos, mas se apresentam em constante mutação. Em instantes podemos passar por diversos estados emocionais, com nosso humor variando tão rápida quanto inesperadamente, que muitas vezes nem nos apercebemos dessas mudanças. Enquanto que a Água simboliza nossas emoções, o naipe de Copas enfatiza seus aspectos mais otimistas: amor, sonhos, desejos, esperanças, fantasias, sensibilidade, felicidade
Entretanto esse naipe não é privilegiado, ou seja, não retrata a felicidade apenas em seu estado mais puro, sem problemas, idealizado. Em seus aspectos mais negativos, temos no naipe de Copas as ilusões, as superstições, os rancores, os ressentimentos, a instabilidade, a fraqueza, a preguiça e a falsidade, entre outros mais.
O REI DE COPAS, como todos os demais Reis das cartas de Corte do tarot, representa a expressão máxima das características do seu naipe. Podemos reconhece-lo na figura do terapeuta, no conselheiro matrimonial, no sacerdote, no parapsicólogo, no shaman,no místico, nos artistas de todas as formas de expressão criativa, nos cientistas e nas diversas situações onde a sua capacidade em ser prestativo, paternal, amoroso, sábio, carismático, intuitivo, religioso, protetor, emocionalmente amadurecido, bom negociador, apoiador e promotor das artes, possam ser de fundamental importância.
Quando o REI DE COPAS aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua localização entre as demais cartas, normalmente representa alguém que é um bom pai, um bom provedor, mestre, conselheiro, orientador, confiável, generoso, respeitado, diplomático, protetor e bastante caseiro. Representa o bom samaritano. É, sobretudo, uma pessoa gentil, sensível, intuitivo, imaginativo, criativo, inteligente, romântico, emotivo, compassivo, amável, e temperamental.
Em seu aspecto mais negativo, afinal, todas os Arcanos tem um lado positivo e outro negativo, ou "sombra", o REI DE COPAS revela-se uma pessoa falsa, instável, influenciável, que desconhece limites, corrupta, sentimentalóide, piegas, invejosa, egoísta, podendo ser alguém intimidador e bastante dominador.
Ao nos utilizarmos dessa carta para meditação, resgatamos nossas emoções mais fraternais, de amor incondicional, aquelas que sentimos pelo coletivo, pela humanidade em geral. Poderíamos, inclusive, dizer que a frase que muito bem se aplica ao simbolismo contido esta carta é a citada no Evangelho:
"Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado".
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
ENAMORADA
Hoje o oráculo nos traz uma mensagem de amor e isso é sempre bom! Amar a si próprio, amar aos familiares, aos amigos, à humanidade, ao planeta e `a tudo que nele existe. Mas é, também, uma carta que nos avisa que estamos prontos para estabelecer um relacionamento afetivo muito recompensador.
Para podermos amar ao outro, temos que estar em harmonia. É necessário amar-se para poder ter reservas de amor para doar. E é também preciso saber receber o afeto, o carinho, a dedicação do sentimento alheio. É, portanto, que nos reconheçamos merecedores das atenções e dos sentimentos que estamos prontos a receber. Notícias, contatos, recados, telefonemas, e-mails, encontros casuais podem trazer surpresas no campo afetivo, portanto, esteja preparada!
Mas não somente flerte, paqueras e namoros é o que essa carta pressupõe. Confiar no instinto, na intuição, nos sentimentos é a grande recomendação do oráculo quando, num dia como hoje, surge a Namorada.
Alex Tarólogo
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Naipe de Copas
Raul ajeitou melhor as flores sobre o caixão. Gestos mecânicos, seu olhar que parecia ver através da madeira do esquife e atravessar as paredes da sala onde o velório, era o olhar de um cego que nada enxerga à sua frente, que, à mercê da própria sorte, procura nas trevas uma única referência para continuar.
A sala ia se enchendo com os vizinhos, os colegas de escola da filha, os parentes, os companheiros do trabalho, todos murmurando palavras, as mesmas que ele próprio tantas vezes dissera e que agora pareciam incompreensíveis.
A respiração lhe era difícil e dolorosa. O cheiro da cera derretida das velas, das flores arranjadas em coroas e buquês, o cheiro da morte daquele lugar, tudo lhe entorpecia os sentidos, confundindo o seu pensar.
A esposa, debruçada em seu ombro, chorava um choro mudo, sentido, sem movimento outro que não o das lágrimas.
Sua mulher, sua amiga, sua companheira, sua namorada, a mãe de Camila sua filhinha, agora presa naquela caixa de madeira. Havia naquele toque uma cumplicidade desesperada, como se a dor de um penetrasse no outro em busca de eco, numa cavernosa e compartilhada solidão.
A mulher que escolhera como sua parceira para a vida, agora ali, um vulto descolorido, convulso, de olhos injetados de sangue e de dor.
Essa mesma dor opressora que ele sentia e que parecia retroceder nas ondas que a memória, nos flashes de lembranças que lhe traziam de volta Camila no berçário do hospital. O primeiro banho, em casa. A maneira engraçada de articular as primeiras palavras. A festinha do aniversário. A foto com a vovó. Os presentes de Natal espalhados pela sala. A primeira ida à escola. Cantando com as coleguinhas de classe. Aprendendo a andar de bicicleta. A apresentação na escolinha de balé. A excursão da turma toda até a cachoeira. Recebendo um diploma qualquer por ter completado o curso de computação. Com as primas, fantasiada de egípcia no bloco de carnaval. A risada contagiante. O sorriso de sempre.
Alguém, talvez seu chefe no trabalho, talvez o amigo de futebol, o abraçou e murmurou um esperançoso e consolador: “Ela está num lugar melhor, esteja certo. Está melhor do que nós. Não vai passar por tudo que nós ainda teremos de sofrer. A vida continua, você vai ver.” Ele ouvia como se escutasse o som de um velho disco, riscado, repetindo uma frase à exaustão, tirando-lhe todo o significado. “Vocês são jovens, tem um filho lindo para criar e que precisa muito de vocês. Terão outros filhos…”. Não, ele não queria “outros” filhos. Queria Mariana, sua filha, aquela que estava ali no caixão. Outros filhos são outros filhos, nunca sua filha. O caçula, ali alheio a tudo, era seu filho querido, é claro. Mas ele não era Camila. Ele queria os dois.
Alguém se aproximou e, colocando-lhe a mão no ombro, disse gravemente: “Está na hora”. Sentiu que as pernas perderam a força de sustentação. o sangue parecia desaparecer de dentro de si e uma tontura turvou-lhe a visão. Um gosto amargo instalou-se em sua boca e mais e mais difícil ficava o respirar.
Pela primeira vez desde que a polícia e a diretora da escola veio avisar-lhes do “acidente fatal” que Mariana sofrera, voltou a ouvir a voz da mulher, uma voz que, baixinho, misturava lamúria e o nome da filha, num único e angustiado som.
Olhou para trás e viu a sogra segurando no colo o caçula que brincava, indiferente a tudo, desenhando o ar com os dedinhos.
Por um instante acreditou já ter vivido aquele momento, numa outra época, numa outra situação e procurou com o olhar sua velha mãe. Observou que ela também, através do lacrimoso olhar, parecia rememorar algo, como o momento em que levaram para enterrar o falecido marido. Parecia fazer tanto tempo! Ele, criança, calças curtas, assustado, a sala cheia de velas e o cheiro das flores morrendo, vendo os parentes abraçarem seus irmãos, um a um, e quando chegavam até ele repetiam: “Agora você é o chefe da família. Precisa ser forte. Precisa ter coragem e ajudar sua mãe a criar seus irmãos”. O caixão do pai sendo lacrado. Os tios carregando-o. As velas sendo apagadas. As coroas de flores amontoadas num canto. Meu Deus, há quanto tempo?
Tocou a alça do caixão sentindo-lhe a metálica frieza. Respirou fundo como que buscando uma coragem que parecia ter-se perdido para sempre. A esposa agarrou-lhe o braço. Não era mais a namorada que nele se apoiava com um olhar de paixão e de promessas, mas sua contraparte, sua sócia naquela desventura. Não havia o fogo do carinho naquele toque, mas um desesperado pedido de socorro. Olhou para a frente, enquanto caminhavam, e a vida parecia um filme remendado por um louco montador: imagens dele menino, do pai, da mãe chorando, do primeiro beijo na primeira namorada, nas noites mal dormidas cuidando da filha com febre, no nascimento do filho, Camila rindo quando ele caía, tentando ensinar-lhe a patinar, a voz neutra, profissional do policial dizendo-lhe da bala perdida que atingira sua filhinha, o desespero da mulher caindo, em câmera lenta, ao chão, o choro do caçula no quarto, a mulher… a mãe viúva… o filho…a filha…
Olhava a cidade, da janela do carro que os levava de volta para casa. As ruas, as pessoas, as árvores, as luzes dos semáforos, tudo parecia tão igual e tão diferente ao mesmo tempo. Não conseguia entender direito o que lhe parecia estranho. Ainda sentia-se como que anestesiado, onde todas as sensações se reduzem a nada, menos a dor. Olhou para trás e viu a mulher calada com o filho no colo. Seu olhar também vagava como que numa cegueira branca enquanto as mãos mecanicamente acariciavam o filho. Sabiam que agora, em casa, teriam que lidar com a ausência da menina. Camila não mais estaria lá, estudando na mesa de jantar, dançando em frente à TV, conversando com as amigas ao telefone, vindo beijá-los antes de ir dormir.
Semanas viraram meses e meses, anos.
O filho caçula já começara a ir para a escola e desenhava as primeiras letras. Quando voltava da fábrica encontrava a esposa contando-lhe das peripécias do menino e riam juntos. Às vezes comparavam alguma atitude dele com Camila. Lembravam então de algum episódio engraçado e riam um pouco, um riso saudoso e resignado. A vida demorara para parecer ter valor de continuar a ser vivida, mas o tempo, a esposa e o filho fizeram com que o vazio fosse sendo preenchido com outras emoções, com outras perspectivas e esperanças.
Olhava para a esposa enquanto ela arrumava a mesa do jantar e revia a beleza da namorada. Haviam atravessado a dor juntos. Amadureceram seu amor através da perda vivida em comunhão. Conheceram-se melhor no sofrimento. Choraram pela dor do outro. Cuidaram das suas próprias feridas medicando as do outro. O filho caçula estava ali, presente, precisando deles. Não era um substituto à filha morta. Era uma parte deles, com vida própria e que acenava com a mesma promessa de continuidade que os filhos dão.
Eram três e eram um só.
Eram uma família.
O Naipe de Copas representa, psicologicamente, os sentimentos e o elemento água. Suas cartas, no tarot, costumam representar, beleza, alegria, realização emocional e criativa, contentamento. Entretanto, como todas as cartas do tarot, elas, quando mal aspectadas (invertidas, em “casas” que representam obstáculos, problemas, dificuldades, aspectos negativos, etc, o lado “sombra” do símbolo) representam as desilusões, tristezas, decepções, frustrações, indulgências, vícios, frequentes oscilações de humor.
Imagem: Tarot, Ciro Marchetti
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A LUA
Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais;
somos também, o que lembramos
e aquilo de que nos esquecemos;
somos as palavras que trocamos,
os enganos que cometemos,
os impulsos a que cedemos...“sem querer”.
Sigmund Freud
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Carta do Dia: ÁS DE ESPADAS
“… Hoje, de novo aqui estamos, Édipo; a ti, cujas virtudes admiramos, nós vimos suplicar que, valendo-te dos conselhos humanos, ou do patrocínio dos deuses, dês remédios aos nossos males; certamente os que possuem mais longa experiência é que podem dar os conselhos mais eficazes!
Eia, Édipo! Tu, que és o mais sábio dos homens, reanima esta infeliz cidade, e confirma tua glória!…”
O Sacerdote, em “Oedipus Rex” _Sófocles, séc.V a.C.
O Ás de Espadas é um presente do Elemento Ar, a mente como intelecto e força criativa. O Cristianismo chama a isso de Logos, a Palavra de Deus, o Verbo que cria o universo.
O intelecto, sozinho, é inútil e até perigoso. Enquanto alguma Água não se misturar a ele, em forma de vapor, o Ar permanece árido, vazio. Se os seres humanos agirem unicamente guiados pela lógica, sem estarem conectados aos seus sentimentos, intuição ou de uma consciência das verdades sagradas, ele se tornam destrutivos, utilizando as suas espadas como armas. O tarot não menospreza o valor do intelecto, mas reconhece que a mente necessita de equilíbrio. Necessita de uma base interior que a vincule ao espírito. A inteligência humana não consegue agir sozinha, precisando receber uma centelha divina e, só então ela poderá processar a verdade para ser compreendida em termos humanos. Podemos, então, organizar o que antes era caótico e dar-lhe alguma forma ou ordem.
O tarot utiliza-se da figura da Espada como uma representação simbólica das armas que a mente elabora e possui. Esse simbolismo remonta à Justitia, a deusa romana que representava uma das 4 Virtudes Cardeais e cujo equipamento era uma balança e uma espada. A espada não era apenas um artefato de uso do carrasco, mas um instrumento para formar-se um julgamento. A balança pesa, enquanto que a espada examina e identifica. A lâmina da espada pode ser usada para traçar uma linha delimitadora entre aquilo que é certo, do que é errado, entre o que é devido, do que não pertence.
A fecundidade da mente é medida pela maneira refinada e satisfatória com que resolvemos nossas necessidades práticas. O Ás de Espadas simboliza a oportunidade de obter-se um melhor entendimento daqueles nossos desejos e medos que não são expressos. É também uma metáfora, pois uma espada necessita ser forjada e polida, de um processo de purificação interior onde acontece um processo semelhante de se polir o coração para que ele se transforme num espelho onde a realidade divina possa refletir-se. O polimento intenso da lâmina da espada até que ela brilhe é um símbolo da purificação progressiva da nossa consciência, para que possamos brilhar com a luz do Divino, livres das nódoas das paixões desprezíveis e do egoísmo.
O surgimento do Ás de Espadas numa leitura de tarot pode simbolizar que é chegado o momento do Consultante elevar-se, ascender, obter a necessária força de seu próprio conhecimento. Momento de explorar o que desconhece. Inteligência. Uma fase em que a pessoa está apta a pensar com clareza, analisando os diferentes aspectos da situação. Talvez seja o momento de buscar um equilíbrio, favorecendo a razão, se o Consulente reage muito emocionalmente.
Negativamente essa carta sugere uma falta de harmonia entre emoção e razão. Pode alertar ao Consulente o fato dele considerar ser possuidor de um raciocínio frio, porém lógico, mas que na verdade é apenas uma mente que distorce a realidade na sua ânsia de dominar os outros ou controlar uma situação. Há necessidade de um reequilibrar de forças e é sempre bom lembrar que podemos contar com os outros Elementos: o Fogo transforma idéias em ação; a Água traz consigo a necessária sensibilidade e emoção e a Terra fixa tudo na realidade exterior.
“Édipo Rei” a tragédia criada pela genialidade de Sófocles (Séc. V a.C.), primeira novela policial que se tem notícia e base de incontáveis estudos e teses, inclusive esteio de algumas das mais importantes teorias de Sigmund Freud, narra a seguinte história, aqui completamente resumida ao seu essencial:
Laio, casado com Jocasta, é avisado pelo oráculo de Delfos que seu filho, recém nascido, irá matá-lo. Para impedir que isso aconteça, entrega a criança a um pastor para que a mate, mas este, apiedando-se da criancinha, deixa-o entregue à própria sorte, amarrando-o pelos pés junto a uma rocha, fora dos muros da cidade.
Um outro pastor, ouvindo o choro do bebê, desamarra-o (Oedipus significa “pés inchados”) e o leva para Corinto onde o entrega ao Rei Polibus e à Rainha Mérope, que não tinham filhos e que o adotam com alegria. Quando jovem, pronto para explorar o mundo, Édipo vai, como era de costume nessas ocasiões, consultar o oráculo, em Delfos, que lhe diz, para seu horror, que ele matará o pai e desposará a mãe. Desesperado, e para evitar essa tragédia, ele não retorna a Corinto, mas segue numa estrada que o leva em direção a Tebas.
Pela mesma estrada, em direção a Delfos, Laio vai em busca de uma resposta em como exterminar a Esfinge, monstro alado que, na entrada de Tebas, propõe a mesma questão aos viajantes, e não obtendo resposta, mata-os. Quando a caravana real cruza com Édipo surge um desentendimento e o jovem mata Laio (seu verdadeiro pai), cumprindo assim parte da profecia.
Ao chegar aos muros de Tebas, confronta-se com a esfinge, respondendo acertadamente o enigma e fazendo com que o animal morra. É recebido na cidade como herói e lhe é oferecido o reino e, consequentemente, Jocasta (sua mão biológica), viúva do falecido rei. Édipo casa-se e com ela tem 3 filhos, cumprindo-se assim totalmente a profecia.
A peça começa quando Creonte, irmão de Jocasta, volta de uma consulta feita ao oráculo e diz que Tebas só irá se livrar dos seus males quando o assassino de Laio for expulso dela. Édipo convoca, então o sábio e vidente Tirésias, que lamenta não poder ajudar pois, apesar da sua cegueira permitir-lhe saber dos fatos, a verdade só causará dor. Édipo o acusa, e ao cunhado Creonte, de um complô e exige que ambos falem, sob pena de serem mortos. Jocasta conta-lhe os detalhes da morte do ex-marido e diz que há um sobrevivente que poderá identificar o assassino. Mandam buscar esse homem que, ao ver Édipo, fica temeroso em dizer que ele, o Rei, é o assassino. Trazem, também à sua presença o pastor que o recebeu, recém-nascido, das mãos da própria Jocasta para que fosse morto. Conta o que sabe da história e a chegada de um mensageiro de Corinto dizendo que Polibus, o Rei que Édipo acredita ser seu verdadeiro pai, morreu e que ele pode voltar ao reino, sem temores.
A situação vai-se agravando com os depoimentos de Creonte, de Tirésias, do pastor que o levou a Corinto e às suplicas insistentes de Jocasta que, já percebendo a extensão do drama, tenta demover Édipo dessa busca aterradora pela verdade. O quebra-cabeça acaba se montando e Jocasta mata-se enquanto Édipo cega-se e exige que o expulsem, com seus filhos, da cidade, o que é feito.
Tirésias, o adivinho cego, define a falta de clareza mental daquele homem que conseguiu decifrar o enigma da monstruosa esfinge mas não conseguia resolver o seu próprio:
“Você se recusa a ver o mal que há dentro de você!”
Nesta quinta-feira, com o próspero, abundante, confiante e expansivo Júpiter como regente, temos a possibilidade de aproveitarmos como experiências construtivas até mesmo as situações chamadas “ruins” que vivemos, pois esse planeta é um verdadeiro “mago”. Hoje a fase de Lua Nova inicia em Touro, e colabora para que possamos nos organizar melhor, planejando com segurança e bastante realismo as nossas ações. Não devemos nos precipitar, pois tudo tem o seu tempo e segue um curso natural de ação. Basta que ouçamos a voz e o ritmo do nosso coração.
Tenham todos um ótimo dia!
Ilustração: BOSCH TAROT, por A. Anatassov
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Carta do Dia: ÁS DE COPAS
“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” – Salmo 23
O Ás de Copas simboliza a nossa capacidade de sentirmos Amor e vivenciarmos emoções . Nós experimentamos nossa conexão com tudo e com todos através desse oceano a que chamamos sentimentos. Quando conseguimos harmonizar a nossa individualidade com os ritmos e correntezas da vida, nós vivenciamos um batismo muito especial que nos permite sorver diretamente da Fonte da Vida. Não há melhor método para preservarmos a nossa juventude do que nos banharmos nessa inesgotável fonte que é o Amor. O grande segredo do Ás de Copas está no fato de que suas águas purificam a nossa psique. Se conseguirmos aprender a mergulhar profundamente no grande mar dos nossos sentimentos, através da reconciliação e do desapego, assegurando que o pessimismo, os pensamentos negativos não embacem o refletivo espelho da nossa alma, daí então permaneceremos jovens, independente da nossa idade.
O Ás de Copas pode, também, ser visto como o alcançar da iluminação interior através de orações e meditação é provar do arrebatamento, do êxtase da Divina Presença e do amor que a taça contém. Beber dela é dissolver o ego no “vinho do Amado” que inunda o coração devotado. A taça (Copas) é, esotericamente, sinônimo de coração. O Ás de Copas é, portanto a representação do coração transbordante com o inebriante vinho de luz que Deus derrama sobre as criaturas. A taça, cálice, jarro ou vaso é também uma representação do ventre feminino.
O seu aparecimento numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, bem como da questão proposta pelo Consultante, o Ás de Copas pode significar um novo amor; felicidade e alegria. Novas amizades. A benfazeja união do corpo, mente e espírito. O ato de receber. Fertilidade, propensão à engravidar. Um sentimento altamente satisfatório de completude e abundância. Estar disposto a apaixonar-se e a sentir prazer físico, mental e espiritual. Estar vivendo um momento muito criativo, inspirado, de intensa atividade artística. O início de um projeto na área das artes ou da criação. Novas oportunidades que surgem trazendo grande alegria e satisfação. Estar-se sentindo emocionalmente completo e recompensado. Conseguir sentir-se feliz no “aqui e agora” deixando as preocupações do futuro para… o futuro! É um verdadeiro estado de graça para a alma. Paz.
Em seu aspecto negativo o Ás de Copas pode simbolizar que não é o momento certo para começar um relacionamento. Sentir-se estéril de sentimentos profundos. Perder a fé. Sentir-se infeliz. Um amor que não é recíproco. Estar desconectado de suas emoções. Sentir-se desesperaçoso. Frustrações e arrependimentos. Sentir-se deixado de lado. Melancolia e futilidade. Instabilidade emocional e distúrbios de comportamento social. Vingança, ciúme e depressão.
Nesta quinta-feira regida por Júpiter, o mais expansivo dos planetas, com a Lua Cheia em Sagitário, que é garantia de muito otimismo, quando tudo nos parece possível, e com o Ás de Copas como nossa Carta do Dia, estamos vivendo um momento de aumento da nossa fé, de maior generosidade (cuidado com os gastos supérfluos!), de uma troca de correspondências e mensagens mais intensa, de maior autoconfiança e espontaneidade. É tempo de nos declararmos e de recebermos declarações muito afetuosas. Bom momento para extravasarmos os nossos sentimentos e as nossas emoções através de manifestações artísticas as mais diversas. Considere dançar, escrever um poema, ler um bom livro, desenhar algo, nem que seja na toalha de papel de um restaurante onde você vai para, também, namorar. Seja agradecido ao Universo pela vida que tem e abra-se cada vez mais para a felicidade.
Que o dia de hoje lhes traga muita alegria e satisfação!
Ilustração: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan
domingo, 25 de abril de 2010
Carta do Dia: REI DE COPAS
Título | Senhor das Ondas e das Águas |
Elemento | Fogo na Água |
Tetragramaton | Yod |
Arcanjo | Ratzkiel |
Nome Divino | Yahveh |
Mundo Cabalístico | Briah (mundo da Criação ) |
Sephirah | Chokmah (Sabedoria) |
Virtude | Devoção |
Vício | nenhum |
Obrigações em cada Sephirah | nenhuma |
Divindade na Árvore | Pai, Sabedoria Priápica |
Atividade Social | Governo |
Arquétipo Social | Pai, Esposo |
Correspondência Astrológica | Lua em Aquário, Saturno em Peixes, Júpiter em Peixes |
Planeta | Zodíaco |
Signos | Câncer, Escorpião, Peixes |
Pedra | Turquesa |
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria…”
Tanto Copas como o Elemento Água pertencem ao pólo negativo (refiro-me aqui somente à polaridade), o aspecto feminino, o ying, até mesmo porque, por uma tradição cultural, a civilização ocidental considera que tudo o que se refere ao amor e à felicidade como preocupações eminentemente femininas. Quando falamos dessas características estamos nos referindo aos indivíduos, de ambos os sexos, que são profundamente românticos, sonhadores e cheios de fantasias, como os artistas que produzem suas obras a partir dos seus devaneios. Também aqueles que conseguem colocar-se no papel do outro, imaginar-se vivendo as situações que o outro vive, e aí temos os grandes ouvintes, os confessores, os terapeutas
A taça (Copas) e a Água não são a mesma coisa, sendo que a taça contém a água, proporcionando-lhe uma idéia de forma e de compreensão a um sentimento que é disforme. Uma taça, uma xícara, um copo cumprem a sua função apenas por receberem e conterem a água. Podemos então estender essa observação dizendo que o naipe de Copas é receptivo, pacífico, calmo. Entretanto nós sabemos que se uma taça cheia de água mover-se de maneira abrupta, a água esparrama-se para fora do recipiente. A água pode esconder, em sua plácida superfície, profundidades e segredos inimagináveis, que nos fascinam, assustam e atraem. Por outro lado, pode levantar-se, do nada, em devastadores tsunamis, devastando tudo em sua fúria. Notadamente sensível às forças dos ciclos lunares, ela representa tudo o que não se pode controlar racionalmente, tudo o que não podemos dominar simplesmente porque queremos, usando da nossa vontade, e tudo aquilo que não conseguimos conter, limitar.
Esse naipe não é privilegiado, ou seja, não retrata a felicidade em seu estado mais puro, sem problemas. Temos que lutar para compreender e aceitar a dor e o sofrimento como aceitamos a alegria e a felicidade. Muita gente acha essa uma idéia bastante pessimista e praticamente impossível de ser levada à prática. Porém precisamos entender que a felicidade é ainda mais preciosa quando nós também conhecemos o que é sofrer. Em seus aspectos mais negativos, temos no naipe de Copas as ilusões, as superstições, os rancores, os ressentimentos, a instabilidade, a fraqueza, a preguiça e a falsidade, entre outros mais.
O Rei de Copas, como todos os demais Reis das cartas de Corte do tarot, representa a expressão máxima das características do seu naipe. Podemos reconhece-lo na figura do terapeuta, no conselheiro matrimonial, no sacerdote, no parapsicólogo, no shaman,no místico, nos artistas de todas as formas de expressão artística, nos cientistas e nas diversas situações onde a sua capacidade em ser prestativo, paternal, amoroso, sábio, carismático, intuitivo, religioso, protetor, emocionalmente amadurecido, bom negociador, apoiador e promotor das artes, possam ser de fundamental importância.
Quando o Rei de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua localização entre as demais cartas e da “casa” que ocupa na disposição escolhida, além, é claro, da questão de interesse do Consultante, pode significar estar-se tratando de alguém com uma personalidade que governa os mais profundos e secretos sentimentos e situações e cujo trabalho é, normalmente, feito solitariamente. Seus mais sutis sentidos são bastante afinados e muito desenvolvidos e ele está sempre muito atento a tudo o que se passa em seu subconsciente. Uma das funções desse “personalidade real” é ajudar aos outros desapegarem-se de algo. Normalmente representa alguém que é um bom pai, um bom provedor, mestre, conselheiro, orientador, confiável, generoso, respeitado, diplomático, protetor e bastante caseiro. Representa o bom samaritano. É, sobretudo, uma pessoa gentil, sensível, intuitiva, imaginativo, criativo, inteligente, romântica, emotiva, compassivo, amável, e temperamental. Seu grau de mediunidade pode ser bastante elevado. O surgimento dessa carta simboliza que o Consultante, ou alguém que essa figura represente, é bastante perceptivo e que confia em seus sentimentos, não temendo demonstrá-los. Sua compreensão e sua intuição são notáveis e o tornam uma pessoa reconhecidamente sábia.
Em seu aspecto mais negativo, o Rei de Copas revela-se uma pessoa falsa, instável, influenciável, que desconhece limites, corrupta, sentimentalmente “melosa”, piegas, invejosa, egoísta, que esconde seus sentimentos, excêntrica, irritadiça, raivosa, brigona, iludida, enganosa, emocionalmente dependente. Pode ser alguém intimidador, bastante dominador. Também pode significar alguém que sofra de alcoolismo.
Neste domingo, dia regido pelo Sol, que a tudo ilumina, esclarece, nutre e fortalece com sua energia, aproveite para viver os seus sonhos. Divague, imagine, medite, contemple, deixe-se levar pela imaginação. Não tenha medo de ousar sonhar. E acredite na sua intuição. Ouça-a todas as vezes em que ela se manifestar ou quando surgir a oportunidade. E manifeste os seus melhores sentimentos. Expresse o seu amor.
Tenham todos um excelente e amoroso domingo!
Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan
domingo, 11 de abril de 2010
ARCANOS MENORES: 56 retratos da vida
Terminada a série das 22 lâminas correspondentes aos Arcanos Maiores, que são os passos evolucionários de um processo de transformação que vivemos ao longo da nossa jornada, começo hoje a fazer uma leitura pessoal sobre as 56 cartas chamadas de Arcanos Menores.
Os Arcanos Menores correspondem às peças que constituem os nossos mundos, tanto interiores como exteriores. Como tal eles poderiam serem comparados a átomos ou moléculas, algo universal, abstrato e bastante impessoal. Para interpretá-los e aplicarmos as suas qualidades à condição humana, iremos necessitar usar nossa intuição além dos significados tradicionais das cartas, suas associações com astrologia, numerologia, cabala e demais símbolos como um ponto de partida. Eles representam a maneira pela qual os Arcanos Maiores, com suas figuras arquetípicas, atual em nossa vida.
São divididos em 4 grupos, Fogo, Água, Ar e Terra, retratando as qualidades atribuídas a esses elementos: a Intuição, os Sentimentos, o Intelecto e as Sensações, respectivamente. Além disso, as 56 cartas são separadas entre as 16 Cartas da Corte, que simbolizam o caráter ou tipos diversos de personalidade de pessoas reais (inclusive o Consulente) que possam estar envolvidas no assunto da leitura de uma jogada de tarot. As restantes 40 cartas, numeradas de 1 (Ás) a 10, representam acontecimentos e experiências, atos e consequências de decisões das quais o Consulente tem alguma forma de participação e podem ser associadas às 10 esferas (Sephirot) da Árvore da Vida .
Os naipes, representando os 4 Elementos, são os instrumentos que transformam possibilidades em realidade.
PAUS: O naipe de Paus (Bastões, Varas, Cetros) expressa o elemento Fogo e os conceitos derivados tais como espírito, energia, assertividade. As características desse elemento, em sua forma ígnea e iluminadora, estão concentrados na 2ª Esfera (Sephira) da Árvore da Vida, chamada Chokmah e considerada masculina: energia dinâmica, origem da força vital e da polaridade. É a paixão, o nosso poder de realização, o nosso interesse, nossa individualidade, aquilo que nos motiva e colabora para que tenhamos ou não sucesso. É nossa autoconfiança, nosso entusiasmo, nossa criatividade, o que nos faz ter vontade de viver. Fogo é expansão. Paus refere-se à nossa necessidade de crescermos, evoluirmos e assumirmos um papel ativo em nossos destinos. Um certo “jeitinho”, um pouco de “jogo de cintura” podem nos ajudar muito no caminho.
COPAS: Esse naipe (Taças, Conchas, Corações, Cálice) corresponde ao elemento Água e estabelece uma relação de como compreendemos a água como algo fluido, que se espalha, vazando e penetrando sem oferecer resistência mas também sem conhecer obstáculos, assumindo a forma do recipiente que a contém. Portanto é muito facilmente comparada às forma como vivemos nossas emoções, como sentimos, como amamos. São os nossos relacionamentos, nossos envolvimentos românticos, nossa capacidade de sermos receptivos e nos moldarmos às situações. Binah, a 3ª Sephira (Esfera) na Árvore da Vida, representa essa água primal, onde as forças do inconsciente se agitam. É considerada fonte de uma energia receptiva, portanto feminina, origem das formas e das estruturas. Normalmente o naipe de Copas nos favorece com alegrias e felicidade e nos ensina a deixarmos nossos problemas escorrerem pelo ralo.
AR: Este é o elemento representado pelo naipe de Espadas (Lanças, Pássaros, Punhais, Vento, Nuvens) e diz respeito aos nossos pensamentos. Como os dois elementos simbolizados nos naipes anteriores, o Ar está sempre em movimento, assim como estão constantemente se movendo, muitas vezes de maneira inconstante e imprevisível, as nossas idéias, os mecanismos que acionam o nosso raciocínio lógico. Com o Ar nós rompemos a neblina que recobre as verdades, descobrimos que podemos incursionar na escuridão do desconhecido, da ignorância, e dercortiná-la, trazendo-a à luz da razão, da lógica, da clareza mental. São as nossas intenções, ideologias, a nossa percepção, a capacidade de diferenciar, selecionar, catalogar e criticar. Ocupando a esfera (sephira) de Tiphareth, no centro da Árvore da Vida, é o núcleo do processo de criação. Aqui as energias se harmonizam, iluminando as ilimitadas e indefinidas possibilidades de Kether. Como uma espada que perfura e corta, o naipe de Espadas também estampa as lutas, as questões, as discussões, os conflitos e a agressividade. As cartas desse naipe tanto podem representar a construção de elaborados projetos mentais, como colapsos nervosos.
OUROS: (Discos, Moedas, Pedras, Pentáculos) Chegamos ao Elemento Terra e à lei de causa e efeito que rege o mundo material. O naipe de Ouros é pura energia em movimento e incorpora a estrutura atômica de toda a matéria. Malkuth, a 10ª sephira (esfera) da Árvore da Vida, é o quartel-general desse elemento e simboliza o mundo físico, o mundo da ação, da realidade exterior. É da terra que retiramos os alimentos que nos nutrem e é nela que nos sentimos assentados, enraizados. Nela concentramos e consolidamos os nossos valores materiais, nossas posses, nossas aquisições. A Terra, representando nosso corpo físico, fornece sustentabilidade para que a alma experimente a realidade. As cartas desse naipe se relacionam com dinheiro, carreira, posses. Podemos nos surpreender admirando tudo o que conseguimos amealhar através de muito trabalho, ou então, horrorizados, vermos tudo escapar-nos por entre os dedos e espatifar-se no chão.
Se os Arcanos Maiores significavam os “grandes segredos”, esta viagem que iniciamos hoje nos levará a descobrirmos juntos os “pequenos segredos”.
De uma maneira bastante simplista e generalizada, podemos dizer que quando numa leitura de tarot temos uma maioria de cartas dos Arcanos Menores, a resposta a ser encontrada junto com o Consulente está baseada em assuntos e energias bastante terrenos. Esse tipo de resposta é, frequentemente, muito fácil de ser percebida, intuída, mas apresenta muito mais desafios. Os Arcanos Menores tendem a explicarem as coisas em termos bastante humanos, pois a estória que essas cartas contam é a respeito de estarmos vivos e vivendo neste plano, neste planeta, nesta época. Elas não pretendem atingirem conceitos muito abstratos ou filosóficos mas, ao contrário, vão fundo naquilo que significa ser humano. Nós comemos, bebemos, amamos, trabalhamos, lutamos, rimos e choramos. É com isso que os Arcanos Menores se ocupam. Eles são a base, o apoio, o alicerce das leituras de tarot, fornecendo respostas práticas sobre o que, quando e como fazer, quando se trata de assuntos terrenos, da vida cotidiana. Assim como necessitamos de substantivos, adjetivos e verbos para podermos construir sentenças com algum significado, também precisamos dessas importantes 56 lâminas para usá-las para detalhar e complementar os assuntos e temas abordados pelos Arcanos Maiores.
Sejam todos bem vindos a mais esta viagem!
domingo, 21 de março de 2010
Carta do Dia: A SACERDOTISA
Minha tia Alba, falecida aos oitenta e muitos anos, era além de tia, uma grande amiga e conselheira a quem, nós os sobrinhos e muitos dos demais membros da nossa família, recorriam em diversas situações.
Tia Alba saiu da fazenda do interior paulista, onde nasceu, bastante jovem, para estudar em São Paulo. Raras vezes voltou, durante os anos de formação como professora, para a casa dos pais, primeiro por razões econômicas, segundo porque estava sempre envolvida fazendo cursos que complementassem a sua formação. Foi uma aluna séria e exemplar, tendo graduado com os méritos apropriados. Orgulho da família.
Até, que num rompante de rebeldia inapropriado para aqueles tempos e contrariando todas as expectativas da família que continuava a morar no interior, Tia Alba resolveu ficar morando em São Paulo, depois de formada e morando numa pensão para moças, a qual, deixou bem claro desde o início, pagaria com seus salários de professora primária concursada e aprovada pelo Estado. Minha avó chorou todas as lágrimas que tinha e meu avô trancou-se num silêncio magoado e desaprovador, mas as coisas aconteceram como minha tia havia planejado.
Tia Alba nunca casou-se, o que não significa que não tivesse tido, de acordo com suas irmãs, uma grande paixão de quem não se sabe praticamente nada, nem mesmo se realmente aconteceu. Tia Alba nunca teve problemas financeiros, pois seus proventos como professora sempre lhe garantiram uma vida confortável, o que se manteve pelo fato dela ter sempre sido bastante equilibrada com seu dinheiro, só gastando o que podia, parcimoniosa e discreta na aquisição de roupas e acessórios. Seu único luxo eram os livros, que por motivos econômicos comprava nos muitos sebos da capital paulista.
Seu apartamento silencioso e tranquilo, onde viveu a vida toda desde que deixou a pensão, era quase um parque de diversões para nós, seus sobrinhos, pois era um verdadeiro cenário onde se misturavam quadros em largas molduras douradas, inúmeras fotos de família em porta-retratos de prata, um piano com o marfim amarelado pelo tempo e pelo uso, vasos com flores, coleções de xicarazinhas, de colherinhas, de pratinhos estampados com fotos em sépia de lugares onde ela havia estado, de bibelôs os mais diversos, tapetes exóticos e muitas plantas. Toalhas de crochê que ela mesma fazia protegiam os encostos dos sofás de veludo e delicados lenços de seda colorida recobriam as cúpulas dos diversos abajures que iluminavam mortiçamente a sala.
O que mais me fascinava eram as estantes recobertas de livros, onde o dourado esmaecido das encadernações em couro reluziam naquele ambiente onde parecia ser sempre fim de tarde e onde incensos perfumavam o ambiente com cheiros de terras que me pareciam tão distantes e exóticas. Eram prateleiras e prateleiras de madeira escura, cheirando a óleo de copaíba, que ocupavam o corredor de entrada, paredes da sala de visitas e praticamente revestiam o quarto de hóspedes.Tia Alba era uma grande leitora. Lia de tudo. Todas as revistas da época, todos os jornais, e tinha conta-corrente nas melhores livrarias do centro paulistano. Aos nossos olhos ela era uma sábia. Não conhecíamos ninguém, no restante da família, que se parecesse com ela e, para ser sincero, nem mesmo entre as nossas amizades.
Quando a visitávamos, era uma festa para os sentidos, pois não só a sua casa era um verdadeiro tesouro recheado de delícias a serem decifradas, experimentadas, compreendidas, apreciadas, como Tia Alba era uma excelente cozinheira. “Nisso somos todas iguais!”, dizia orgulhosa minha mãe, referindo-se aos predicados domésticos das mulheres da família. Sua casa era impecável e tudo rescendia e lavanda antiga e temperos orientais. A mesa de jantar arrumada para o lanche da tarde era um requinte de toalha de renda (“Eu mesma escolhi em comprei em Veneza”, dizia ela), talheres reluzentes, pratos e xícaras de porcelana fina como uma casca de ovo, estampadas com mini-buques de rosas e frisos dourados. Bolos e bolachas com sabor de Natal pareciam ser uma constante naquela mesa. Tia Alba era uma grande anfitriã e nunca saíamos da sua casa sem um presentinho e, como ela mesma dizia, “Olha aqui um dinheirinho para o seu cofrinho”.
Mas o que mais nos atraía a ela era, além da sua aura de mistério (tão diferente da minha mãe e das outras tias…) a sua capacidade de nos compreender em nossas dúvidas e curiosidades de adolescentes. Com ela podíamos nos abrir, falar francamente, pois sabíamos por intuição e por experiência que nunca seríamos delatados em nossas confissões. Ela nos ouvia, coisa que os demais pareciam não saber fazer. Ela prestava atenção e demonstrava que tudo aquilo que dizíamos era realmente importante e que merecia ser ouvido e analisado. E o que mais nos surpreendia era o fato que ela não vinha com lições de moral ou pretendendo defender com unhas e dentes uma posição diferente da nossa, mas nos fazia compreender que, por menor ou mais estanque que pudesse parecer, toda idéia, todo desejo, todo plano de ação deveria considerar também outras opções, outros desdobramentos e, por que não?, alguma rota de fuga. Tia Alba merecia ter recebido um diploma de psicóloga outorgados por todos nós que nos valemos da sua sabedoria, da sua discrição, de seus conselhos, de sua paciência infindável.
Quando ela faleceu fazia algum tempo que não nos víamos. No seu enterro nós, o que restou dos sobrinhos, mais duas de suas irmãs e muitos de seus ex-alunos, recordávamos momentos daquela mulher incrível, tão cheia de mistério em sua vida particular, tão afetiva conosco, tão inteligente, tão culta. Discretíssima a vida toda na sua forma de vestir, de agir, de se movimentar, era de uma elegância natural, simples e refinada na sua forma quase antiquada de ser.
Reencontrei-me com a família quando o advogado nos convocou para ler o testamento feito por ela, muitos anos antes. Tia Alba nos deixou, além do apartamento que morava e que sempre acreditamos ser alugado, mais dois excelentes imóveis, e uma razoável poupança acumulada com os proventos da aposentadoria que recebia como beneficiária de um militar. Nossos queixos literalmente caíram. Tia Alba teve um amante, um companheiro, um parceiro e nunca soubéramos de fato! Nunca ouve nada, uma insinuação na sua conversa ou um detalhe em sua casa que nos fizesse acreditar que ela tivesse alguém. Tia Alba viveu seu próprio mistério, seu próprio segredo a vida toda, guardando-o somente para si. Não foi somente nossa confidente, nossa orientadora, mas despertou em nós a consciência de que tudo o que precisávamos realmente saber sobre a vida e o viver encontrava-se, desde sempre, dentro de nós mesmos. Que os livros que nos sugeria ou as explicações que nos dava, eram apenas roteiros para que nós mesmos pudéssemos desenterrar esses tesouros que haviam dentro de nós. Tia Alba, a eterna professora, nos ensinava a compreender e a formar as sílabas, palavras e sentenças com um alfabeto que tínhamos guardado em nosso interior e que ela nos ajudou a descobrir, compreender e utilizar como um mapa, um guia, um livro de orientação para todas as horas e ocasiões. Ela era nossa tia, nossa mestra, nossa mentora espiritual e nossa cúmplice. Uma sacerdotisa sabedora dos maiores mistérios.
Quando a Sacerdotisa, também chamada de Papisa, surge numa tiragem de tarot, dependendo sempre da sua colocação e das cartas que a cercam, além da questão abordada pelo consulente, pode significar, entre muitas outras possibilidades, assuntos ou negócios que não podem ser revelados; segredo, enigma; silêncio, reclusão; estudo, memória, observação, reflexão; intuição; perguntar-se o que sente ou invés do que pensa; estar de bem com a vida e consigo próprio; experimentar sentimentos que não se consegue traduzir em palavras, tempo de meditação e reconectar-se com sua verdade interior; auto-suficiência, independência, autonomia; poupança, contenção, economia; gravides desejada; instinto maternal; bissexualidade; moralismo; esoterismo; espiritualidade; mediunidade.
Em termos de saúde, a carta da Sacerdotisa alerta para a possibilidade de problemas ginecológicos, tais como cistos e miomas; problemas de menopausa ou menstruação; problemas de próstata; problemas com garganta, cordas vocais, voz; problemas intestinais; obesidade. Em relação ao amor, a Sacerdotisa pode se apresentar protetora e maternal; carinhosa; inibida, recatada; moralista ou amoral ao extremo; voyeurismo; homo ou bissexualidade; pode ser a amante ou viver uma relação que deve ser mantida em segredo; muito sensível, fica ofendida com qualquer fato que considere uma desconsideração do parceiro; amores platônicos.
Seu lado “sombra” pode ser percebido em atitudes tais como permissividade, intolerância; falta de carinho; puritanismo; falsidade; descaso ou irresponsabilidade em relação aos outros; recusar-se ao auto-conhecimento; fofoqueira; instabilidade; desatenção; vida social intensa; não saber guardar segredos.
Dentro do esquema da Árvore da Vida cabalista, a Sacerdotisa liga Kether a Tiphareth, ou seja, é o que une a sabedoria e a compreensão à compaixão. É o caminho entre o mais alto, o mais espiritual, Divino e o nosso coração. Ela é a que carrega a água (emoção, intuição) através do abismo do deserto (razão, intelecto), fazendo-se acompanhar pelo Livro da Sabedoria (o conhecimento relativo às leis da criação material) até Tiphareth, o lugar da fertilidade e da compaixão, a chave dos mistérios de toda a existência física neste plano material.
Hoje, domingo, regido pelo Sol, poderíamos aproveitar para tomarmos consciência de que tudo o que precisamos, inclusive saber, está dentro de nós, basta que abramos as nossas cortinas, afastemos os nossos véus, e permitamos descobrir esses mistérios. É hora de nos perguntarmos o que precisamos calar, o que precisamos manter reservado. Quais as lembranças que devo guardar e quais posso ou devo me descartar. Fica também a sugestão, dessa Carta do Dia, de nos iniciarmos na meditação, de forma sistemática, aprendendo a nos concentrarmos mais e melhor, nos desligando do exterior e vivenciando o nosso eu, permitindo assim que conheçamos melhor nossos recursos pessoais. E, finalmente, ouvirmos atenciosamente a nossa própria intuição, a voz dos nossos sentimentos e emoções, das nossas percepções, para que possamos, ouvindo os nossos semelhantes, ajudá-los também.
Tenham todos um excelente domingo!


