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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A Folia dos Arcanos Maiores: (XXI - MUNDO)




_”Claro! É um prazer enorme falar com você, querido. Aliás, um orgulho! Sabe, quando eu ainda não era famosa, eu ficava lá em casa assistindo seu programa e pensava como deveria ser bom poder ser entrevistada por você. E olha só! Euzinha, aqui, na frente das câmeras, no seu programa! Sabe, vou te contar um segredinho: eu ainda tenho que ficar me cutucando, de vez em quando, para saber que não estou sonhando. Eu nunca esperava sair da minha cidadezinha, vir para cá, participar daquele programa, enfrentar aquele injusto paredão e, por fim, virar celebridade, sair nas capas das revistas, freqüentar festas Vips como esta, saber que sou querida por tanta gente! Isso dá uma força, uma energia!... Quais os meus planos? Bem, estou estudando propostas. Tem aí uma revista masculina que está quase chegando naquilo que eu pedi, mas estamos em negociação e meu agente pediu pra eu não falar muito no assunto, você entende, né? Então, além disso tenho feito muitos desfiles e já fui até chamada para desfilar no exterior. Também pinta muita propaganda, muito comercial e isso dá uma grana legal e acabei de comprar uma casinha pros meus velhos lá no interior. Meu próximo passo é comprar apartamento na praia. A-do-ro o mar! Fui fazer um trabalho em Salvador e lá me disseram que eu era filha de Iemanjá. Imagina que eu nem sabia! Mas também, gostando de mar, de praia como eu gosto... só podia mesmo ser, né? Fui chamada, semana passada, para fazer um teste para uma novela e estou esperando o resultado. Estou pondo muita fé nisso. Sempre gostei muito de representar, de dançar, de desfilar, de viajar ... Espera aí... Será???...Ai! Meu Deus!... Olha ali! Olha ela aliiiiiii! É a Giselle! Minha ídola! Adoro ela! Adoro! Me disseram que ela também ia estar aqui hoje. Ela também saiu lá da cidadezinha dela, lá no Sul e virou celebridade mundial. Me inspiro muito na história dela, viu. Preciso tirar uma foto com ela! ... Quero muito fazer uma carreira internacional como ela, sabe. O bom da gente ser famosa é que a gente é convidada pra esses eventos e acaba esbarrando em gente que também é famosa, e então as oportunidades vão pintando e... quem sabe, né? Então é muito legal. To adorando. Aqui só tem vip, celebridades mesmo. E queria aproveitar para agradecer a todos os que me deram a maior força pra eu chegar aqui, no topo, apesar da intriga de certas pessoas. Amo vocês! Amo seu programa! Amo você!” _ transmitido de um desses camarotes de cervejaria, durante entrevista dada por uma ex-BBB a um duradouro programa de TV que se dedica à promoção de festas e eventos


Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)




A Folia dos Arcanos Maiores: (XX - JULGAMENTO)




_”Deus é grande! São Jorge ouviu nossas preces! Voltamos pro primeiro grupo, graças a Deus. Vocês não imaginam o que isso representa pra moral da nossa comunidade, minha gente! Foi uma injustiça das grandes o que fizeram com a gente três anos atrás. Um crime! Mas Deus é mais! Sangue de Jesus tem poder! Como diz na Bíblia, os últimos serão os primeiros e a gente está de volta no grupo da elite do carnaval! A gente trabalhou muito, dia e noite, o ano todo pra poder fazer esse carnaval e agora vem a recompensa! Obrigado povo brasileiro! Obrigado povo da comunidade! Obrigado aos sábios jurados que reconheceram o nosso valor! Obrigado meu São Jorge guerreiro!” _ declarado por um exaltado presidente de escola de samba ao saber que ela havia voltado para o primeiro grupo

 
Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)





A Folia dos Arcanos Maiores: (XIX - SOL)




_ “Menina você não sabe o peso que é isso aqui! Só o resplendor, aqui atrás, pesa mais de 80 kg!!! Mas tá lindo, não tá? Um luxo! São mais de 6.000 plumas de faisões imperiais e avestruzes criados em cativeiro lá na África. Pode??? Eu não faço por menos, né? Quando decidi que este ano ia desfilar de “Hórus, a Águia Dourada do Alto e Baixo Nilo na Noite dos Tempos Sobrevoando o Vale dos Reis” eu falei pra mim mesmo: é pra ganhar! Imagine que a minha vizinha achou que eu ia me vestir de helicóptero, você acredita? Como tem gente ignorante, credo! Olha, escreve aí que quis também prestar uma homenagem a esse sofrido povo do Egito, tadinhos. Viu meu sapato? Viu? Todo em cristais Swarowsky, minha filha, todinho!!! Milhões de cristais! Luxo total, meu amor, lu-xo to-tal!” _ imodestamente alardeado nos bastidores do desfile de fantasias de um luxuoso hotel


 Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)




terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Folia dos Arcanos Maiores: (XVIII - LUA)




_”Dr. Sig? Desculpe a hora... sou eu, o Ed... ah, reconheceu minha voz?… Não, não, por favor me desculpe estar ligando em pleno carnaval e no meio da noite, mas estou mal, muito mal, doutor... Acho que estou tendo uma crise de ansiedade, acho que vou morrer…não sei... nem sei como explicar pro senhor, doutor. Mas estou muito mal... me desculpe estar incomodando, ligando a essa hora, doutor. O problema? O problema é muito sério, doutor, muito mesmo! Aiiiiiii.... estou muito mal... nem sei dizer o que estou sentindo direito... Minha garganta tá travando, doutor, nem consigo respirar nem enxergar direito... To sufocando... ficando cego... Não, não Dr. Sig, não usei nada disso, doutor. Eu não sou disso, o senhor já sabe. To careta, mas to assim... malzão assim por outro motivo... Nem sei se consigo falar, doutor... estou arrasado.... O que foi que aconteceu? O pior. O pior! O senhor imagina que eu estava aqui no camarote, me divertindo, cercado de amigos, com uma porção de celebridades entrando e saindo, bebida e comida fartas, mulheres lindas, fotógrafos, o pessoal do BigBrother e daí eu vou dar uma olhada no desfile... sabe como é... uma checada, para saber como é que está. E foi aí então que aconteceu, doutor. To olhando o maior carro alegórico e lá encima, bem no alto, cercada por uma porção de marombeiros vestidos de Tarzan, o senhor sabe quem eu vi? Sabe quem estava lá? Sabe quem é que estava lá em cima, nua em pêlo, pintada de dourado, rindo, cantando e sambando feito... feito... feito nem sei o quê, doutor? Minha mãe! Mamãe, doutor. Pode imaginar uma coisa dessas? Como é que isso foi acontecer? Como?... Desculpe, viu, me desculpe estar incomodando o senhor, doutor. Eu sei que não deveria, ainda mais que é carnaval e é muito tarde e o senhor devia estar dormindo, mas eu to mal doutor. Malzão mesmo...” _ entreouvido, sem querer, de um seleto convidado conversando ao telefone, naquele famoso camarote no sambódromo


Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)


A Folia dos Arcanos Maiores: (XVII - ESTRELA)





_”Se Deus quiser, vamos ser campeões este ano! Tenho esperança da gente repetir aquele desfile ma-ra-vi-lho-so de 10 anos atrás, quando subimos pro grupo de especial. Deus há de nos ajudar! Fiz até uma promessa pra S. Judas Tadeu, que é o padroeiro das causas impossíveis. Bom, não é que eu ache que seja impossível a gente ganhar, né, mas não custa nada fazer uma fezinha pro santo, entende? Se Deus quiser, e Ele há de querer, esse ano não tem pra mais ninguém, tá sabendo? Mais nin-guééem!!! Tenho a maior fé! _ profetizado por uma entusiasmada devota, concentrada em dar os últimos retoques num carro alegórico


Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)




A Folia dos Arcanos Maiores: (XVI - TORRE)




_”Quando a gente ouviu na TV que os barracões estavam queimando, a gente nem acreditou. Não podia estar acontecendo aquilo, meu Deus! Minha comadre é que veio me dizer pra ligar a televisão. A gente ficou juntas, assistindo aquilo e sem saber nem o que pensar. A gente só chorava…O senhor pode imaginar o aperto no coração de ver que todo o nosso trabalho, todo o trabalho da comunidade estava perdido? Pode imaginar isso? Um ano inteiro trabalhando para, depois, ver o fogo acabar com tudo em poucas horas. Sabe, eu sou costureira e tenho o maior orgulho de ver as fantasias que eu faço desfilarem no carnaval. Minha vida toda eu trabalhei para a nossa escola e já fomos bi-campeões do carnaval. Tenho o maior orgulho. A gente é uma comunidade unida, de gente trabalhadora e que tem seu dia de glória na hora que pisa a avenida, moço. É tudo o que a gente tem para alegrar a vida… Quando a camera da TV mostrava aqueles rolos de fumaça saindo do barracão eu ficava pensando em toda aquela beleza que estava lá dentro… as fantasias, os adereços… os carros alegóricos quase prontinhos… Tudo virando cinzas, moço…Mas daí a gente foi se encontrar e ver o que dava para salvar. Muito pouco. Quase nada… Nosso presidente pediu nossa colaboração pra gente fazer o que podia para conseguir desfilar ainda este ano. Nós nem pensamos duas vezes, o senhor sabe. No dia seguinte já tava todo mundo junto de novo, trabalhando feito louco para poder dar conta de fazer este carnaval. Foi um tal de juntar um pedaço daqui, outra coisa dali, inventar umas modas, reformar alguma coisa que não tinha queimado tudo e… o senhor viu o resultado, não foi? A gente conseguiu entrar na avenida, mesmo com todas as dificuldades que a gente passou. Não foi mole não, moço… não foi não. Mas a gente conseguiu! Sabe, minha falecida mãe sempre dizia que a gente devia tirar uma lição de tudo que acontecia, mesmo das coisas ruins. Eu acho que, apesar da tristeza, do desgosto que tivemos com tudo o que perdemos naquele incêndio inexplicável, a gente aprendeu que consegue as coisas quando quer. Que a gente quando se une consegue fazer o impossível. O senhor não acha? Sabe, eu chorei muito quando a tragédia aconteceu, mas eu chorei também de muita alegria quando pisei na avenida e vi nossa escola inteira, unida, cantando nosso samba-enredo e a arquibancada se levantando para aplaudir. Foi muita emoção, moço, muita emoção. A gente pode ter perdido quase tudo, mas a gente não perdeu a coragem de começar tudo de novo! A escola estava linda! Não é mesmo, moço? _ entrevista concedida pela integrante de uma das escolas de samba que sofreram com o incêndio em seus barracões, poucas semanas antes do carnaval



Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.


(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Folia dos Arcanos Maiores: (XII - PENDURADO)




_"Minha mãe mesmo me disse: Filha, só pode ser trabalho feito. Só pode ser inveja das grandes! E é verdade, querida, só pode ser isso. Outra coisa não explica o que me aconteceu. Você imagina que na hora de sair para a concentração eu peguei o elevador e o infeliz parou no meio do caminho? Pode uma coisa dessas? Eu, minha mãe e meu maquiador esmurrávamos e gritávamos a plenos pulmões por socorro, mas quem disse que o povo ouvia? Todo mundo naquele prédio é velho e, os que não estavam viajando ou dormindo, estavam com o som da TV alto... Um horror, um verdadeiro horror! Levou o maior tempão até que o porteiro percebeu que o elevador tava lá, entalado, sei lá em que andar. E daí? Carnaval, noite, todo mundo na farra... você acha que alguém da manutenção pode ser encontrado numa ocasião dessas? Imagine! Nem em sonho!... Uma loucura. Eu só não enlouqueci porque não era a minha vez. Quando os bombeiros chegaram já era tarde demais. Até eles conseguirem abrir a porta e nos retirar já não tinha mais jeito... Mas isso só acontece mesmo comigo, sabe? Eu não tenho sorte mesmo, mes-mo! Digo e repito: sou uma azarada! Sou! Minha mãe não gosta que eu fale assim, mas é verdade... eu nasci azarada. Sou vítima desse destino cruel que me deixa chegar tão perto dos meus objetivos e daí, só pra me desmoralizar, puxa o meu tapete. É isso aí. Veja você, logo agora que eu ia ter a minha grande chance, destaque principal do carro alegórico de uma escola tri-campeã, me acontecer isso na hora do desfile? Um carro lindo, deslumbrante... A chance de aparecer em todas as revistas, na TV... de vir a ser chamada para participar do BBB... Agora me diz, querida, é ou não é trabalho feito? É ou não é coisa mandada? Sou ou não sou azarada? Não é pra eu me sentir assim... com essa imensa dó de mim?" _ choramingado, numa coletiva para a imprensa, convocada pela própria ex-futuro-destaque de escola de samba, em que só compareceu uma estagiária do jornal


Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)

A Folia dos Arcanos Maiores: (XIII - MORTE)




_"Fiquei sabendo pela imprensa. Estava em casa quando me telefonaram de uma emissora perguntando se eu tinha ficado magoada em saber que não era mais a rainha da bateria da escola. Eu não entendi direito quando a repórter falou. Pensei que ela tivesse falando de outra coisa. Pensei até que tivessem me confundido com outra pessoa. Levou um tempinho pra cair a ficha. Magoada? Eu? Imagine... Achei mesmo que foi a maior sacanagem o que fizeram comigo! Tremenda sacanagem! Ora vejam só! Isso lá é coisa que se faça com uma pessoa que deu o melhor de si para que a escola brilhasse na avenida? Eu aceitei esse cargo quando ninguém mais queria. Eu emprestei meu nome, minha fama, meu talento para a escola e é esse tipo de agradecimento que a gente recebe. Nem uma palavra. É uma gentinha sem consideração mesmo... Agora, que estão aí famosos, que estão seguros de si, com grandes chances de serem os campeões neste ano, arranjam uma dessas atrizinhas de novela, cheia de estria, celulite e botox, para ser a rainha da bateria. Só porque está na mídia. Só porque dá ibope. Só porque a novela está bombando! E a gente, que deu anos de trabalho, que não perde um ensaio, que freqüenta a comunidade, a gente onde é que fica? A gente vira traste. A gente é descartada. A gente é cortada de vez, de um golpe só e jogada no lixo. Ah, mas isso não fica assim não! De jeito nenhum! Eu volto. Pode escrever aí: eu volto! Vocês vão ver! Vocês acham que não estou recebendo convites de outras escolas? Claro que estou! Eu vou voltar, pode ter certeza. Eu sou que nem aquele bicho que renascia das próprias cinzas, minha querida... vocês me aguardem!" _ desabafo feito por ex-rainha da bateria para uma apresentadora de um programa de rádio comunitário


Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

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domingo, 7 de fevereiro de 2016

A Folia dos Arcanos Maiores: (VIII - JUSTIÇA)

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_”Os telespectadores e o público em geral não imaginam a nossa responsabilidade. Não fazem a menor ideia do estresse que sofremos. Todas essas pessoas que estão desfilando aí embaixo, e as outras milhares que estão nas arquibancadas, esperam que sua escola seja campeã. Todos! E nós sabemos que depois, na apuração, todos, menos os integrantes da escola vencedora, vão nos odiar. Porque, telespectadores, não existe ninguém feliz, ninguém que leve em consideração nosso trabalho e nos considerem justos, a não ser o pessoal da escola vencedora. Só existe um lugar que é representativo, só existe um campeão: o que tira o primeiro lugar, o que recebe mais pontos. Para o pessoal das outras escolas, somos uns energúmeno, uns crápulas, uns cretinos, corruptos da pior espécie. Mas não tem nada disso não. Estamos aqui para julgar com imparcialidade e sem nenhum favoritismo. Vejam, por exemplo, até agora já desfilaram 3 escolas com os seguintes enredos: “De repente, o repente: o improviso de um povo pendurado nas linhas do cordel”, depois veio “Esplendor e força das quedas d’água: as luzes e reflexos de uma nação”. Por último a gente viu passar “Em rios de adrenalina eu pesquei meu samba: a síndrome do pânico alerta o público e pede passagem”. Todos muito...como diria... instigantes... todos bastante..., digamos... originais. É difícil julgar quando se tem tanta..., como podemos dizer...?... criatividade, tanta coisa assim... interessante por aí. É por isso que eu digo, amigo telespectador, é difícil. Muito difícil. Até mesmo para mim, que faço parte de banca examinadora de doutorado em filosofia pura na universidade...” _ confessado por um jurado dos desfiles das escolas de samba que preferiu, por razões óbvias, não ser identificado

 
Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
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Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

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A Folia dos Arcanos Maiores: (VI - ENAMORADO)

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_”Quando a gente se conheceu eu era nova, muito bonita, né. Pelo menos é o que pessoal lá da comunidade falava. Tinha sido escolhida pra ser porta-bandeira da escola e estava feliz da vida. Muito mesmo... E quando eu fui pro ensaio, quem estava lá no terreiro pra ser meu par era ele. Lembra, amor? Lembra? To falando aqui pro moço da revista que a gente se conheceu faz muito tempo... O senhor desculpa, viu, mas ele tá ficando surdo, tem vez que não escuta nadinha! Se foi amor à primeira vista? Hi... da minha parte foi sim, mas não sei dele com certeza não... Todas as moças queriam dançar com ele. Ele era mestre-sala, dançava muito bem. Era bonitão, também. Tinha uma penca de mulheres atrás dele. Mas... eu dei sorte, né... Tamos juntos há mais de 50 anos. Hoje em dia não tem mais disso não, não é mesmo? A gente dançou juntos muitos anos. Era um par muito bonito. Ganhamos muitos prêmios. Todo mundo gostava da gente, de ver a gente dançar. Ele, de mestre-sala, rodopiando em volta de mim, a porta-bandeira. Foi um tempo muito lindo mesmo. Acabamos casando, tendo filhos e agora já estou no meu terceiro bisneto. Bacana, né? Hoje em dia? Bem, agora eu saio só na ala das baianas. É também muito lindo, né... Ele vai na ala da diretoria, mas tá reclamando muito que anda ficando cansado. Disse que este ano é o último, mas eu não acredito. A gente, se Deus quiser, vai continuar dançando enquanto Deus permitir. Eu não quero que ele pare não. Se ele parar eu acho que eu também paro, e eu não queria parar. Não agora. Queria que a gente continuasse sempre juntos, né? Dançando prá sempre e que a avenida não terminasse nunca... “ _ gravado por um repórter enquanto colhia material para uma matéria sobre antigos passistas, mestres-sala e porta-bandeiras de carnaval

 
Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

A Folia dos Arcanos Maiores: (V - HIEROFANTE)

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REGULAMENTO DOS DESFILES DAS ESCOLAS DE SAMBA
DO GRUPO PRINCIPAL


TÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO DOS DESFILES
 
Artigo 1o.

Os Desfiles das Escolas de Samba do Grupo Principal, neste ano, como em todos os anos, obedecerão, sem absolutamente nenhuma exceção, às normas contidas no presente Regulamento e que foi redigido há muito tempo e assim deverá permanecer enquanto houver Carnaval
.

CAPÍTULO I
DO LOCAL, DAS DATAS E DOS HORÁRIOS DOS DESFILES
 
Artigo 1o.
Os Desfiles de que trata este Regulamento serão realizados na Avenida dos Sambistas, estando o início marcado para, impreterivelmente, às ...” _ parte do tradicional e repeitadíssimo regulamento dos desfiles de escolas de samba e demais blocos organizados pela Coordenação e Orientação dos Desfiles de Carnaval de Hoje e Sempre.

 
Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
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Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.

(As imagens utilizadas foram retiradas da internet e tem motivo unicamente ilustrativo, em nada comprometendo ou relacionando o texto com  a conduta ou personalidade da pessoa retratada)







sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Folia dos Arcanos Maiores: (0 - LOUCO)

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_”Olha.. eu to muito zoado... nem sei se vou conseguir falar com vocês... mas amo tudo isso, amo o carnaval brasileiro, amo o carnaval... tá sabendo?...saca?... to assim... um pouco... to assim meio loucasso, tá ligado?... mas isso é carnaval, meu brother, isso é carnaval... Como? Repete... Que que você perguntou?...Quando que eu volto pra casa?... Que casa??? ....to zoando! ... sei lá... volto quando terminar... carnaval termina em... me ajuda aí... quando que o carnaval termina?... quando?... ah? é mesmo?... e quando é isso?...” _ ouvido de um folião vestido só com uma fralda e carregando uma mamadeira cheia de cerveja
 



Este texto foi criado em 2011 para ser postado durante os dias de Carnaval.
É apenas um exercício associativo entre os 22 Arcanos Maiores do Tarot e personagens fictícios, sempre relacionados à festa de Momo.
Na ocasião em que foram publicados pela primeira vez havia um subtítulo: "O que se ouviu durante o Carnaval", pois o exercício compreendia criar um "monólogo" para cada personagem de tal forma que, através da sua fala, pudesse ser identificado não apenas o Arcano Maior que havia inspirado a sua criação, mas algumas das possíveis características, ou interpretações, desse mesmo Arcano.


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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Naipe de Copas

Raul ajeitou melhor as flores sobre o caixão. Gestos mecânicos, seu olhar 41que parecia ver através da madeira do esquife e atravessar as paredes da sala onde o velório, era o olhar de um cego que nada enxerga  à sua frente, que, à mercê da própria sorte, procura nas trevas uma única referência para continuar.

A sala ia se enchendo com os vizinhos, os colegas de escola da filha, os parentes, os companheiros do trabalho, todos murmurando palavras, as mesmas que ele próprio tantas vezes dissera e que agora pareciam incompreensíveis.

A respiração lhe era difícil e dolorosa. O cheiro da cera derretida das velas, das flores arranjadas em coroas e buquês, o cheiro da morte daquele lugar, tudo lhe entorpecia os sentidos, confundindo o seu pensar.

 

37A esposa, debruçada em seu ombro, chorava um choro mudo, sentido, sem movimento outro que não o das lágrimas.

Sua mulher, sua amiga, sua companheira, sua namorada, a mãe de Camila sua filhinha, agora presa naquela caixa de madeira. Havia naquele toque uma cumplicidade desesperada, como se a dor de um penetrasse no outro em busca de eco, numa cavernosa e compartilhada solidão.

A mulher que escolhera como sua parceira para a vida, agora ali, um vulto descolorido, convulso, de olhos injetados de sangue e de dor.

 

 

Essa mesma dor opressora que ele sentia e que parecia retroceder nas38 ondas que a memória, nos flashes de lembranças que lhe traziam de volta Camila no berçário do hospital. O primeiro banho, em casa. A maneira engraçada de articular as primeiras palavras. A festinha do aniversário. A foto com a vovó. Os presentes de Natal espalhados pela sala. A primeira ida à escola. Cantando com as coleguinhas de classe. Aprendendo a andar de bicicleta. A apresentação na escolinha de balé. A excursão da turma toda até a cachoeira. Recebendo um diploma qualquer por ter completado o curso de computação. Com as primas, fantasiada de egípcia no bloco de carnaval. A risada contagiante. O sorriso de sempre.

 

 

Alguém, talvez seu chefe no trabalho, talvez o amigo de futebol, o abraçou e 39murmurou um esperançoso e  consolador: “Ela está num lugar melhor, esteja certo. Está melhor do que nós. Não vai passar por tudo que nós ainda teremos de sofrer. A vida continua, você vai ver.” Ele ouvia como se escutasse o som de um velho disco, riscado, repetindo uma frase à exaustão, tirando-lhe todo o significado. “Vocês são jovens, tem um filho lindo para criar e que precisa muito de vocês. Terão outros filhos…”. Não, ele não queria “outros” filhos. Queria Mariana, sua filha, aquela que estava ali no caixão. Outros filhos são outros filhos, nunca sua filha. O caçula, ali alheio a tudo, era seu filho querido, é claro. Mas ele não era Camila. Ele queria os dois.

 

Alguém se aproximou e, colocando-lhe a mão no ombro, disse gravemente: “Está na hora”. Sentiu40 que as pernas perderam a força de sustentação. o sangue parecia desaparecer de dentro de si e uma tontura turvou-lhe a visão.  Um gosto amargo instalou-se em sua boca e mais e mais difícil ficava o respirar.

Pela primeira vez desde que a polícia e a diretora da escola veio avisar-lhes do “acidente fatal” que Mariana sofrera, voltou a ouvir a voz da mulher, uma voz que, baixinho, misturava lamúria e o nome da filha, num único e angustiado som.

Olhou para trás e viu a sogra segurando no colo o caçula que brincava, indiferente a tudo, desenhando o ar com os dedinhos.

 

Por um instante acreditou já ter vivido aquele 46momento, numa outra época, numa outra situação e procurou com o olhar sua velha mãe. Observou que ela também, através do lacrimoso olhar, parecia rememorar algo, como o momento em que levaram para enterrar o falecido marido. Parecia fazer tanto tempo! Ele, criança, calças curtas, assustado, a sala cheia de velas e o cheiro das flores morrendo, vendo os parentes abraçarem seus irmãos, um a um, e quando chegavam até ele repetiam: “Agora você é o chefe da família. Precisa ser forte. Precisa ter coragem e ajudar sua mãe a criar seus irmãos”. O caixão do pai sendo lacrado. Os tios carregando-o. As velas sendo apagadas. As coroas de flores amontoadas num canto. Meu Deus, há quanto tempo?

 

Tocou a alça do caixão sentindo-lhe a metálica frieza. Respirou fundo como que buscando uma coragem que parecia ter-se 47perdido para sempre. A esposa agarrou-lhe o braço. Não era mais a namorada que nele se apoiava com um olhar de paixão e de promessas, mas sua contraparte, sua sócia naquela desventura. Não havia o fogo do carinho naquele toque, mas um desesperado pedido de socorro. Olhou para a frente, enquanto caminhavam, e a vida parecia um filme remendado por um louco montador: imagens dele menino, do pai, da mãe chorando, do primeiro beijo na primeira namorada, nas noites mal dormidas cuidando da filha com febre, no nascimento do filho, Camila rindo quando ele caía, tentando ensinar-lhe a patinar, a voz neutra, profissional do policial dizendo-lhe da bala perdida que atingira sua filhinha, o desespero da mulher caindo, em câmera lenta, ao chão, o choro do caçula no quarto, a mulher… a mãe viúva… o filho…a filha…

 

Olhava a cidade, da janela do carro que os levava de volta para casa. As 48ruas, as pessoas, as árvores, as luzes dos semáforos, tudo parecia tão igual e tão diferente ao mesmo tempo. Não conseguia entender direito o que lhe parecia estranho. Ainda sentia-se como que anestesiado, onde todas as sensações se reduzem a nada, menos a dor. Olhou para trás e viu a mulher calada com o filho no colo. Seu olhar também vagava como que numa cegueira branca enquanto as mãos mecanicamente acariciavam o filho. Sabiam que agora, em casa, teriam que lidar com a ausência da menina. Camila não mais estaria lá, estudando na mesa de jantar, dançando em frente à TV, conversando com as amigas ao telefone, vindo beijá-los antes de ir dormir.

 

Semanas viraram meses e meses, anos.

 

49

O filho caçula já começara a ir para a escola e desenhava as primeiras letras. Quando voltava da fábrica encontrava a esposa contando-lhe das peripécias do menino e riam juntos. Às vezes comparavam alguma atitude dele com Camila. Lembravam então de algum episódio engraçado e riam um pouco, um riso saudoso e resignado. A vida demorara para parecer ter valor de continuar a ser vivida, mas o tempo, a esposa e o filho fizeram com que o vazio fosse sendo preenchido com outras emoções, com outras perspectivas e esperanças.

 

 

Olhava para a esposa enquanto ela arrumava 50a mesa do jantar e revia a beleza da namorada. Haviam atravessado a dor juntos. Amadureceram seu amor através da perda vivida em comunhão. Conheceram-se melhor no sofrimento. Choraram pela dor do outro. Cuidaram das suas próprias feridas medicando as do outro. O filho caçula estava ali, presente, precisando deles. Não era um substituto à filha morta. Era uma parte deles, com vida própria e que acenava com a mesma promessa de continuidade que os filhos dão.

Eram três e eram um só.

Eram uma família.

 

O Naipe de Copas representa, psicologicamente, os sentimentos e o elemento água. Suas cartas, no tarot, costumam representar, beleza, alegria, realização emocional e criativa, contentamento. Entretanto, como todas as cartas do tarot, elas, quando mal aspectadas (invertidas, em “casas” que representam obstáculos, problemas, dificuldades, aspectos negativos, etc, o lado “sombra” do símbolo) representam as desilusões, tristezas, decepções, frustrações, indulgências, vícios, frequentes oscilações de humor.

Imagem: Tarot, Ciro Marchetti


Curso de Arcanos Menores 2

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O JULGAMENTO

Vilela-20

 

Podemos facilmente

perdoar uma criança

que tem medo do escuro;

 

a real tragédia da vida

é quando os homens

têm medo da luz.

 

Platão

 

 

Reavaliar as ações cometidas no passado, avaliar as atitudes presentes e considerar os desejos futuros, tudo baseado numa nova consciência e espiritualidade: o Julgamento, Arcano XX do Tarot.


Curso Arcanos Menores 2

terça-feira, 29 de junho de 2010

DILEMA

     O tarot oferece inúmeras possibilidades de se abordar um determinado assunto, seja ele de qualquer ordem e em qualquer plano da existência. Esquemas de jogada são criados para responder a determinados aspectos que são parte integrante do processo de análise e compreensão da situação. Este é mais um desses esquemas, ou “mapas” de disposição de cartas, que pode auxiliar numa leitura de tarot.

     A questão trazida pelo Consultante, na leitura, foi a seguinte:

     “Recebi, recentemente, uma proposta de emprego bastante lucrativa, do ponto de vista financeiro. Querem de mim uma decisão imediata. Entretanto não sei se devo aceitá-la visto que a empresa contratante já passou por sérias dificuldades fiscais e legais, há alguns anos. Temo associar-me, como pessoa e como profissional, a algo que no futuro possa vir a representar um grave problema, desestabilizando-me e também à minha família. Mas essas são conjecturas minhas, pois nada de concreto existe, no momento, que os desabone. O que fazer?”

 

transformacional

 

     Posições das cartas no esquema do jogo:

  1. Posição 1: O que é importante e necessário compreender sobre a situação em questão?   9 DE ESPADAS
  2. Posição 2: Qual a característica da minha personalidade (Consultante), frente à presente situação, que deveria ser reavaliada?   RAINHA DE OUROS
  3. Posição 3: Qual é a lição a ser aprendida dessa situação?   A ESTRELA
  4. Posição 4: Em qual esfera da minha vida (Consultante) essa lição deveria ser aplicada?  ÁS DE PAUS
  5. Posição 5: Qual é a decisão que necessita ser tomada?   CAVALEIRO DE ESPADAS
  6. Posição 6: Qual seria o provável resultado dessa decisão?   ÁS DE ESPADAS

 

     É interessante notar, à primeira vista, a ausência de qualquer carta do naipe de Copas (sentimento) e a notável maioria de cartas do naipe de Espadas (mental). Só isso já descreve, de maneira bastante óbvia, que o Consultante encontra-se num dilema ético, onde utiliza-se dos seus conhecimentos a respeito da história pregressa da empresa, analisando-a friamente, valendo-se de um padrão moral e ético que lhe é próprio, para tanto.

   44-Minor-Swords-09   O 9 DE ESPADAS muito bem registra o estado de angústia do Consultante em ter que se decidir por algo que, ao mesmo tempo que lhe atrai como uma possível evolução profissional e na melhoria de seus rendimentos, o medo de estar fazendo uma opção unicamente motivado pela ambição o cobre de culpas. Ele parece ainda não ter uma visão bem clara da atual situação da empresa contratante e nem mesmo do seu corpo de diretores e funcionários. Além disso, pode estar-se sentindo culpado, mal-agradecido, ou tomando uma insensata decisão em trocar o atual emprego.

 

   34-Minor-Discs-Queen   Ao refletir sobre o porque de estar sentindo-se tentado a aceitar a proposta que lhe é feita, pode chegar à conclusão que  a necessidade de proporcionar à sua família uma melhor qualidade de vida, com mais conforto e acesso à benefícios e facilidades materiais, exige dele um grande sacrifício, que essa própria decisão representa. A RAINHA DE OUROS pode, também, simbolizar essa contínua dedicação no bem estar dos que dela dependem, esquecendo-se, até, de si mesma. Como mantenedor da sua família, ele sente-se na obrigação de buscar sempre melhores condições para ela. Entretanto essa atitude pode contrariar aspectos que ele, Consultante, considera importantes, como a sua tranquilidade, o seu código de ética e até mesmo o sacrifício de seu tempo junto aos seus para dedicar-se integralmente ao trabalho.

 

    17-Major-Star Essa situação, que é basicamente de conflito interior, pode ser uma oportunidade do Consultante reavaliar seus objetivos de vida. Uma chance de, através de todo o questionamento que vive, desvencilhar-se do que é supérfluo, daquilo que não é tão necessário, não se deixando iludir pelo falso brilho daquilo que mais dinheiro, mais poder, melhor posição social podem significar. Ambição é necessária na medida em que é a motivação para nos esforçarmos a conseguir, de maneira justa e harmônica, aquilo que necessitamos. Ganância é a ambição quando fica descontrolada, quando perde o contato com a realidade. A ESTRELA, em sua nudez, é um recado de que menos pode ser, em diversas situações, mais.

 

     64-Minor-Wands-Ace O ÁS DE PAUS, representando todo o naipe de Paus, é a resposta que o Consultante necessita para saber em que esfera de sua vida essa lição deve ser aplicada. Paus simboliza a nossa intuição, nossa visão da vida, criatividade, otimismo, a nossa fé que nos motiva a por em execução algo sonhado e planejado. Ele é o fogo que nos ajuda a decidir, a encontrar nosso direcionamento, a energia que necessitamos para manter nossos “motores” em andamento. Portanto, a necessidade de orientação proposta pela ESTRELA encontra na capacidade intuitiva de saber o que fazer, simbolizada pelo ÁS DE PAUS, a sua resposta: o Consultante deveria buscar tranquilizar-se a fim de permitir um contato mais direto com a sua voz interior, com uma sabedoria que existe dentro de si. Confiar em sua intuição a respeito do assunto é um conselho a ser considerado.

 

    47-Minor-Swords-Knight Manter uma mente clara, desperta, atenta, aberta a uma interlocução justa e razoável pode ser a justificativa do surgimento do CAVALEIRO DE ESPADAS nessa tiragem de tarot. Ele representa a necessidade do Consultante preparar-se  e ter coragem para enfrentar a situação de frente, sem  esquivar-se, sem  boicotar-se, analisando, crua e friamente, todos os seus aspectos. A possível decisão proposta por essa carta é a de cuidar-se, proteger-se e não aceitar a referida oferta de emprego sem antes ter esclarecido todas as suas dúvidas a respeito da empresa e das pessoas que a constituem.

 

    36-Minor-Swords-Ace Agindo assim, o Consultante poderá, lucidamente, encontrar a verdade que se esconde por trás de suas suspeitas e dos fatos. Reavaliar pontos de vista e pré-conceitos é um dos aspectos dessa lâmina do tarot que prima pela imparcialidade.

     O ÁS DE ESPADAS  pode simbolizar a tomada de decisões bastante claras, sensatas e inteligentes.

 

 

 

     É interessante notarmos que a idéia de JUSTIÇA está subentendida em toda a extensão dessa leitura. Pode representar um alerta para o Consultante evitar problemas com a própria, ao envolver-se com a referida empresa. Pode entretanto, também, sugerir que ele procure ser justo, lógico e imparcial nas suas suspeitas sobre o possível comportamento moral e ético de seus contratantes. A sugestão que fica é que, neste momento,  antes de tomar qualquer decisão definitiva, ele procure esclarecer todas as suas dúvidas a respeito,  analisando, com objetividade e de maneira bastante racional, investigando documentação e consultando especialistas, munindo-se do maior número possível de informações, a fim de formar um juízo límpido. Somente assim será possível agir sábia e prudentemente (O EREMITA) dentro da situação, fazendo opções harmoniosas (A ESTRELA) que tenham significado para o Consultante.

     A JUSTIÇA pode, também, ser uma convocação para que ele pese os prós e os contras em relação aos seus verdadeiros objetivos na vida (O EREMITA). Não há porque sacrificar-se em excesso pela conquista de um plano material que pouca significância possa ter no contexto da vida (A ESTRELA) que ele, e sua família, realmente desejam para si. 

Ilustração: GOLDEN TAROT OF KLIMT, por A.A.Atanassov

 

 

CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES

com Alex Tarólogo

Início: em Julho

Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
(R. Barão de Ipanema, 94   Galeria Estoril   Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

 

terça-feira, 15 de junho de 2010

“ARCANOS MENORES: A VIDA EM 56 CAPÍTULOS


Curso de Tarot
ARCANOS MENORES
A VIDA EM 56 CAPÍTULO


TURMA  A:

  • Início: 6 de Julho, terça-feira

  • Horário: das 16:00 às 17:30h

  • Duração: 16 aulas (4 meses, 1 vez por semana)

 
TURMA  B:

  • Início: 10 de Julho, sábado

  • Horário: das 10:00 às 11:30h
  • Duração: 16 aulas (4 meses, 1 vez por semana)


Local: JARDIM DOS SENTIDOS
R. Barão de Ipanema, 94 Loja 103 (Copacabana) Rio de Janeiro

 
Informações e Matrículas: (21) 2547-8939 

Conteúdo Programático:

Os 4 Elementos: Terra, Água, Ar e Fogo e sua relação com os 4 Naipes (Ouros, Copas, Espadas e Paus)

Numerologia: simbolismo dos números de 1 a 10

Noções sobre a Árvore da Vida cabalista: os Mundos, as Esferas, os Caminhos

As Cartas Numeradas: estudo sistematizado da simbologia, iconografia e associações com numerologia, astrologia e cabala de cada uma das Cartas Numeradas (Ás a Dez), em cada naipe (Paus, Copas, Espadas e Ouros)

As Cartas da Corte: aspectos históricos, sociais, físicos e psicológicos

Análise e Estudo de cada grupo de Cartas da Corte (Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei)  para cada um dos naipes (Paus, Copas, Espadas e Ouros)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Curso de Tarot: ARCANOS MENORES

CURSO DE TAROT:

 ARCANOS MENORES

com   Alex Tarólogo

www.elementosdotarot.com.br 


TURMA  A:



  • ·         Início: 6 de Julho, terça-feira


  • ·         Horário: das 16:00 às 17:30h


  • ·         Duração: 16 aulas (4 meses, 1 vez por semana)


TURMA  B:



  • ·         Início: 10 de Julho, sábado


  • ·         Horário: das 10:00 às 11:30h


  • ·         Duração: 16 aulas (4 meses, 1 vez por semana) 


    PALESTRA GRATUITA  DE APRESENTAÇÃO  DO CURSO: dia 1º de Julho, às 19:00h
    Lugares Limitados: FAVOR RESERVAR COM ANTECEDÊNCIA  (21) 2547-8939


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JARDIM DOS SENTIDOS

ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA

      R. Barão de Ipanema, 94,  Loja 103  -  Galeria Estoril

                                                                    
Copacabana  - Rio de Janeiro
                                                               
Tel.: (21) 2547-8939