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terça-feira, 20 de maio de 2014

4 DE ESPADAS: Trégua


Leiam em POLAROIDES DA ALMA:

4 DE ESPADAS: TEMPO DE RECARREGAR AS ENERGIAS

http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br/2014/05/4-de-espadas-tregua-ou-pausa-que.html

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Assista, ao vivo, Videos, Slideshows, Filmes: Tarot & Espiritualidade



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Naipe de Paus

 

Silvia foi uma das primeiras a matricular-se e no dia marcado para Wands01iniciarmos o curso, lá estava ela: caderno, canetas coloridas e uns 2 ou 3 baralhos dentro da bolsa. Escolheu seu lugar, bem à frente, sentou-se e, antes mesmo da aula começar, já estava tomando notas.

Silvia sempre sentiu-se atraída por tudo que envolvesse espiritualidade e já colecionava um bom número de cursos na área. Contou-nos que já havia estudado radiestesia, feng-chuei, baralho cigano, reiki, aromaterapia e há anos praticava ioga e meditação transcendental. Até mesmo um curso básico de Arcanos Maiores já tinha freqüentado. Mas Sílvia queria mais, queria ir além.

 

 

Seu interesse por aquilo que ela chamava Wands02de “desenvolvimento pessoal” era uma busca constante por uma reconexão, que ela sabia existir, com seu Eu superior, com algo maior e quase sempre inominável, inexplicável. Considerava o momento ideal para seu retorno aos estudos e, em especial ao tarot. Havia ficado viúva recentemente e, ainda que recebesse uma pensão deixada pelo marido, cuja doença terminal fora longa e bastante dispendiosa, muito pouco lhe restara além do pequeno apartamento em que morava. Via no aprendizado do tarot uma oportunidade a mais para vivenciar a sua eterna busca por si mesma, através de um instrumento com uma linguagem bastante lúdica.

 

Wands03

Foi franca em nos dizer, naquele primeiro encontro, que era acreditando nessa possibilidade de encontrar resposta, ou pelo menos, encontrar caminhos que pudessem levá-la ao cerne de questões existenciais bastante importantes, é que estava fazendo o curso, um investimento que lhe era considerável. Estava disposta a investir em si mesma. Acreditava que agora, mais amadurecida e sem tantos compromissos sociais, iria poder dedicar-se mais e melhor em aprender a “linguagem sagrada” (como ela dizia) do tarot. Curiosidade, perspicácia e facilidade de comunicação eram atributos que todos pudemos constatar que não lhe faltavam, naquela nossa primeira aula. Sua simpatia, interesse e naturalidade cativaram os demais alunos.

 

 Wands04Não foi nenhuma surpresa o fato dela, durante os seis meses de duração do curso, ter-se revelado uma aluna altamente dedicada, muito estudiosa, sempre pesquisando e buscando informações a respeito das possibilidades que o tarot oferecia, em sites, blogs, livros, conversas com outros alunos. Silvia revelava-se uma verdadeira “futura taróloga” e demonstrava ser uma lider nata, alguém que estimulava a vontade e o interesse em todo o grupo. Sensível, altamente intuitiva, com uma grande experiência da vida, centrada e, especialmente, de “bem com a vida”, ela revelava-se, semana após semana, uma aluna ideal e as leituras que praticava com seus parentes e amigas, rigorosamente anotadas, eram motivo para um acréscimo, um “extra”, bastante bem vindo e criativo às aulas. 

 

Era um grupo de alunos extremamente dedicados. Alguns deles apresentavam sinais de evidente Wands05mediunidade e buscavam no tarot um meio de expressá-la. Outros, encontravam na iconografia das cartas a pesquisa simbólica à qual queriam se lançar. Havia até quem utilizava as cartas em consultórios de psicologia, como um suporte extra para estabelecer um contato com o subconsciente de seus clientes. Portanto, Silvia estava muito bem acompanhada. Mas isso não significa que não houvessem grandes embates, numa espécie de “saudável competição” entre os alunos. No fundo, todos queriam, mais do que exibir o valor de seus conhecimentos e talento, aprofundar cada vez mais as possibilidades de cada lâmina, de cada esquema de jogo.

O espaço onde se realizava o curso de tarot resolvera organizar o que chamaram de “feira mística”, a exemplo de tantas que existem e os professores foram convidados a indicarem alguns bons alunos para que delas participassem, numa forma de proporcionar-lhes uma experiência prática mais efetiva. Era uma atividade prática com responsabilidade e bastante bem vinda a qualquer estudante. Tínhamos em nosso grupo de tarot uns 3 candidatos em potencial para esse “exercício” e, naturalmente, Silvia liderava a lista.

Os visitantes da “feira” foram previamente avisados Wands06que alunos de diversos cursos ali oferecidos estariam atendendo, como uma espécie de “estágio”. A participação de Silvia foi altamente elogiada por todos os que se  propuseram a serem atendidos por uma aluna e no segundo dia da feira, havia uma pequena fila de pessoas esperando para terem suas leituras realizadas exclusivamente por ela. Uma verdadeira recompensa à sua extremada dedicação.

Quando, terminado o evento, fizemos uma avaliação baseado nas suas anotações precisas de cada leitura realizada, pudemos constatar que, de fato, ali estava uma pessoa com um enorme potencial para a leitura oracular. O curso terminara e Silvia tinha brilhado, indiscutivelmente.

 

Passados alguns meses, a direção do espaço decidiu que necessitava de um tarólogo que tivesse disponibilidade de horário para dar aulas a um novo grupo de alunos e nenhum de nós, que lá trabalhávamos, poderíamos assumir a tarefa devido a outros compromissos assumidos no mesmo período. Depois de muita deliberação, Silvia foi finalmente convidada a iniciar essa nova turma. Conhecimento não lhe faltava, nem determinação, segurança, interesse ou coragem. Além disso, a sua própria experiência com o tarot servia de motivação para os alunos. Wands07

Claro que sua primeira reação foi a de surpresa e alegria, pois afinal isso era o reconhecimento ao seu esforço e capacidade. Era um começo, o possível início de uma nova etapa em sua vida e, de alguma maneira, havia uma recompensa financeira nisso que poderia compensar investimentos feitos e proporcionar outros mais. Entretanto, nos dias seguintes, Silvia procurou-nos cheia de dúvidas, temerosa que o trabalho como mestra de tarot fosse algo além da sua possibilidade e não queria frustrar à escola, aos alunos e nem a si mesma. Não foi difícil resgatar sua auto-confiança. Bastou-nos relembrá-la de seus méritos pessoais e assegurá-la de que ela tinha capacidade para o que lhe estava sendo oferecido.

 

O curso foi anunciado e um pequeno número de alunos confirmou suas presenças. Outra vez mais, lá estava Silvia, chegando bem antes da hora, preparando seu material e posicionando-se numa sala de aulas onde a professora era, agora, ela mesma.

 

Wands08Apresentou-se à turma contando sua própria trajetória como pesquisadora de sistemas oraculares. Estendeu-se sobre sua longa jornada em busca de um crescimento espiritual, de um desenvolvimento de sua consciência. Falou também da sua inexperiência como professora, avisou-os que eram a sua primeira turma, pediu-lhes que tivessem paciência caso ela, em algum momento, não ter a melhor resposta às suas questões, mas que estava junto a eles, em pé de igualdade, nessa jornada que iniciavam pelo mundo dos arcanos do tarot e, por conseguinte, nos escaninhos de suas mentes, racionais ou não. Ganhou-os incondicionalmente com sua sinceridade e empatia.

 

 

Foram 24 semanas de animadas aulas, de onde os alunos emergiam excitados com o que haviam aprendido e não poupando elogios à mestra.Wands09 Aula após aula Silvia revelava ter grande conhecimento do assunto e uma enorme facilidade em transmiti-lo. Houveram, também, alguns pouquíssimos momentos em que a vimos sair da sala de aula frustrada por não ter conseguido expressar-se da melhor maneira, ou de não ter sentido que sua explicação a respeito de algum arcano tivesse sido a mais satisfatória. Mas Silvia era, antes de mais nada, uma “mãezona”, daquelas dão colo, pegam na mão, conduzem e possuem uma inesgotável paciência, além de muita animação e de um eterno bom humor. Ela própria, através dos anos, no papel de aprendiz, sabia que o processo iniciático não é simples e nem fácil. Que exige muito de quem busca a sua própria verdade e ela estava ali disposta a ajudar os demais “peregrinos” a percorrerem as mesmas trilhas que ela tinha experimentado.

 

O curso ainda não havia terminado e ela já começara a trabalhar, no mesmo espaço, fazendo leituras de tarot. Wands10Rapidamente formou uma clientela que ia se expandindo aos poucos, mas seguramente. Além disso fora convidada a ministrar um novo curso e fazer leituras também em outro local, onde novos consulentes disputavam a sua, agora, lotada agenda. Se o objetivo de Silvia era o de encontrar um veículo que a ajudasse a conhecer-se melhor, a compreender ao semelhante em toda a sua complexidade e a decodificar e transmitir informações oraculares, ela podia considerar-se realizada pois não lhe faltavam clientes e nem alunos. Aos poucos ela foi aprendendo a exigir menos de si mesma, a equilibrar o seu ritmo de trabalho com o de seus estudos pessoais;  reduziu o número de horas semanais dedicadas ao atendimento, bem como optou por ministrar apenas dois cursos por ano. Sobrava-lhe, novamente, tempo para estudar, ler, escrever, encontrar-se com as amigas e visitar os netos que moravam longe.

Mais do que um trabalho, Silvia havia encontrado um sentido, um direcionamento, um novo passo em  sua jornada  pessoal pelas respostas das questões que lhe eram vitalmente significativas.

Imagens: Tarot of the Old Path

terça-feira, 15 de junho de 2010

“ARCANOS MENORES: A VIDA EM 56 CAPÍTULOS


Curso de Tarot
ARCANOS MENORES
A VIDA EM 56 CAPÍTULO


TURMA  A:

  • Início: 6 de Julho, terça-feira

  • Horário: das 16:00 às 17:30h

  • Duração: 16 aulas (4 meses, 1 vez por semana)

 
TURMA  B:

  • Início: 10 de Julho, sábado

  • Horário: das 10:00 às 11:30h
  • Duração: 16 aulas (4 meses, 1 vez por semana)


Local: JARDIM DOS SENTIDOS
R. Barão de Ipanema, 94 Loja 103 (Copacabana) Rio de Janeiro

 
Informações e Matrículas: (21) 2547-8939 

Conteúdo Programático:

Os 4 Elementos: Terra, Água, Ar e Fogo e sua relação com os 4 Naipes (Ouros, Copas, Espadas e Paus)

Numerologia: simbolismo dos números de 1 a 10

Noções sobre a Árvore da Vida cabalista: os Mundos, as Esferas, os Caminhos

As Cartas Numeradas: estudo sistematizado da simbologia, iconografia e associações com numerologia, astrologia e cabala de cada uma das Cartas Numeradas (Ás a Dez), em cada naipe (Paus, Copas, Espadas e Ouros)

As Cartas da Corte: aspectos históricos, sociais, físicos e psicológicos

Análise e Estudo de cada grupo de Cartas da Corte (Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei)  para cada um dos naipes (Paus, Copas, Espadas e Ouros)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Carta do Dia: O HIEROFANTE

Papa      A Rússia do final do Século XIX e início do Século XX conheceu na dinastia Romanov a mais alta concentração de poder e domínio de seu tempo, e também a mais rica, ofuscando com suas jóias, palácios, iates, catedrais e obras de arte todas as outras casas reais européias. Reinavam sobre uma extensão de aproximadamente 15% da superfície do globo terrestre e o Czar era o representante de Deus na terra, o que caracterizava o regime autocrático. Sua vontade era lei e tinha poder de vida e morte sobre todos o povo russo, dono que era, por herança divina,  dos destinos de cada cidadão. A opulência que desfrutavam desconhecia precedentes, vivendo isolados numa bolha de luxo e hedonismo que lhes embaçou a percepção de que novos tempos estavam despontando, onde esse tipo de comportamento e de uso dos recursos públicos não seria mais aceitável.

     Grigori Yefimovich Novykhn, que ainda na juventude ganhou o óbvio apelido de “Rasputinik” (Rasputin = pervertido) devido à sua predileção pelas mulheres, pela vodca e pelas brigas com os vizinhos, cresceu na Sibéria, filho de humilde família de agricultores. Talvez influenciado pelo misticismo e alta religiosidade de sua terra natal, desde jovem manifestou sinais de uma capacidade premonitória, alertando para fatos futuros. Com o tempo, e decidindo-se a abandonar família e filhos para visitar locais considerados de peregrinação religiosa, tornou-se adepto de uma seita chamada Khlysty (Flagelantes), que pregava a salvação da alma através do ato sexual. Apesar de nunca ter sido ordenado monge ou sacerdote, sua fama como “homem de Deus”, curador e vidente espalhou-se consideravelmente, tendo o povo aparentemente se esquecido de seu passado devasso e decidido considerá-lo um sábio religioso. Ele mesmo afirmava que havia recebido de um anjo uma revelação, enquanto arava a terra em sua Sibéria natal, de que sua missão seria a de curar e ajudar o seu semelhante.

  rasputinBBC1711_468x556    Rasputin chega a São Petersburgo numa época em que a dinastia Romanov não mais gozava de popularidade entre os russos. As altas autoridades clericais, desejosas de encontrarem alguém que pudesse assumir as funções de líder e transitasse com desenvoltura e empatia entre todas as classes sociais unindo-as no seio da Igreja, encontrou na estranha, porém carismática figura desse místico a pessoa ideal. Através de uma nobre, amiga da Czarina que a ele foi atribuída a sua miraculosa cura, Rasputin chega ao palácio real onde o Czar Nicolas II e a Czarina Alexandra viviam em função da saúde de seu filho hemofílico. Não só ele passa a cuidar e recuperar o jovem herdeiro através de mantras e orações incompreensíveis, repetidas por horas a fio, como conquista a amizade e a confiança da Czarina, de quem se faz conselheiro. Em pouco tempo estende sua influência nas decisões do Czar e passa a ocupar o papel de um primeiro-ministro ou um chefe de estado. Enfim, torna-se a “eminência parda” do governo, aquela figura que é quem realmente manipula os cordéis da vida política e palaciana, mandando e desmandando e usando o real chefe de estado como seu porta-voz.

     O Czar Nicolau II, voltando da I Guerra Mundial, em 1916, encontrou a Rússia numa situação calamitosa, onde a fome, a doença e o descontentamento grassavam. Outros integrantes da casa real decidiram então que era chegada a hora de dar um basta à inefável presença daquele místico no convívio com a Czarina e seus filhos e sua nefasta influência no seio do governo. Decidiram, então, assassiná-lo, tarefa essa que foi de dificílima execução pois, apesar de envenenado e baleado, Rasputin teimava em sobreviver. Finalmente foi abatido e seu corpo jogado num rio nas proximidades. Seus algozes foram beneficiados com penas como desterro benigno e sua certidão de óbito atestava morte acidental.

     Mas o estrago causado pelos seus anos de influência estavam feitos. Quinze meses depois de sua morte, toda a família real foi morta pelos revolucionários bolcheviques, declarando assim o fim da dinastia Romanov e o nascimento de uma nova Rússia.

     1984-1 A figura do Hierofante pode representar uma pessoa _ um guru, um conselheiro, um mestre, um professor, um mediador_ alguém que poderá nos dar bons conselhos e ser de confiança. Rasputin é um exemplo do lado “sombra” desse Arcano. Vemos, através da história e em todos os países e continentes, figuras como essa, que subreptíciamente comandam a vida e o destino de milhões utilizando-se de poderes e ligações, utilizando como porta-vozes de suas discutíveis, senão abjetas orientações, os poderes legalmente constituídos. Vemos isso, na atualidade, por exemplo, na figura de líderes religiosos que comandam execuções em massa, incentivando ataques terroristas, prometendo o Paraíso para quem assassina em nome da fé. Na manipulação da opinião pública feita pelos meios de comunicação quando não conseguem serem verdadeiramente autônomos dos poderes governamentais ou instituições a quem prestam serviços. Quem se interessar em ler “1984”, o fantástico  e bastante premonitório livro de Georges Orwell, irá encontrar essa figura na pessoa do “Big Brother”, o Grande Irmão”, verdadeiro arauto de verdades, de presença quase que imaterial, e que manipula a história e a forma de pensar dos cidadãos para melhor atender aos interesses do Partido. Leitura obrigatória!

    dead-poets-society-1 Felizmente, entretanto,  muitos são os exemplos positivos desse arquétipo e, entre eles, podemos citar, para ficarmos na área das artes, a daquele professor simpático, entusiasta, pronto para se doar inteiramente na condução de seus alunos à descobertas que lhes sejam importantes. Estou falando de John Keating (interpretado por Rob Willians), o não-convencional professor do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Esse verdadeiro e iluminado mestre insiste que os alunos encontrem e discutam novas possibilidades acerca do mundo em que vivem e dos parâmetros de disciplina e comportamento que lhes são impostas.  A quebra de barreiras impostas pela sociedade, família e instituição, é incentivada por John Keating no intuito de despertar nas jovens mentes novos sentimentos, inclusive o de valorização da própria vida, o que justifica a expressão “carpe diem” através do filme. Ser conformista, aceitar verdades sem discutí-las ou averiguar sua validade, legalidade, função e procedência, não deve ser uma atitude a ser adotada.

     Quando o Hierofante (ou Papa) aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição no esquema de jogo e das demais cartas que o acompanham, além da questão formulada pelo consulente, pode significar um tempo em que os padrões tradicionais estão exercendo grande influência. Frequentemente simboliza, conformismo, agir de acordo com o que a sociedade espera e não conforme a sua vontade, tipo quando a gente escolhe uma profissão ou casa-se com alguém que não seria a nossa escolha, mas que acaba agradando à família. Pode também significar uma forte influência religiosa, levando o consulente a modificar seu estilo de vida e suas escolhas para seguir preceitos religiosos tais como não usar preservativos ou outros métodos anticoncepcionais,  não se divorciar. Submeter-se a regras impostas por grupos, organizações, clubes, escolas, universidades e até mesmo à burocracia governamental e a determinadas instituições sociais como o casamento. O Hierofante é a própria instituição do casamento, com todos os seus rituais, leis e votos de fidelidade. Isso pode funcionar muito bem para muitos, representando um ato solene de compromisso. Para outros que vivem juntos, porém sem terem se submetido às formalidades, o Hierofante, numa leitura, pode simbolizar que eles criaram uma vida com o mesmo suporte emocional, material e espiritual daqueles que se uniram seguindo os padrões mais convencionais. Vemos essa dicotomia também se o assunto for ensinamentos ou estudo pois essa carta significa o valor do conhecimento e da educação. Pode estar se referindo, por exemplo, a um tipo específico de ensinamento religioso, ou espiritual, talvez de uma ordem ou seita mais esotérica. Se estiver se referindo a doutrinas e não temos a presença da Alta Sacerdotisa acompanhando-o, pode significar que essas doutrinas perderam o seu significado e valor intrínseco. O Hierofante também simboliza que ensinar é também aprender.

     Quando mal dignificado numa disposição de leitura, esse Arcano pode estar se referindo a um casamento ou um relacionamento de longa data onde a paixão que o inspirava, motivava ou justificava se extinguiu. Ou estar indicando um estado de vulnerabilidade, de fragilidade, de dificuldade de adaptação do consulente. Pode estar também indicando doutrinas, dogmas ou idéias que perderam o seu significado. Muito frequentemente o Hierofante pode estar indicando alguém que não é ortodoxo, que é bastante original. Isso pode representar uma situação em que a pessoa aceita novas idéias apenas porque são… novas! Simplesmente atraída pelo frescor e excitamento da novidade. Conhece alguém que já percorreu todo o repertório de doutrinas, religiões, seitas e manifestações espirituais e que “ainda não se encontrou”? Pois é…

     Uma coisa que é importante quando meditamos sobre o Hierofante e percebermos que por mais que acreditemos em determinados princípios e tenhamos fé em algo, os outros também possuem suas convicções. Respeitar essa liberdade de pensar é condição básica da própria idéia de liberdade.

     Nesta quarta-feira, tendo Mercúrio como patrono do dia, o aprendizado, o conhecimento, novas maneiras de pensar, o uso da razão e da lógica, além da facilidade de comunicação estarão exaltados e altamente propícios. É tempo de ensinar, e consequentemente de aprender algo! Aproveite todas as chances que lhe forem oferecidas para desenvolver um novo conhecimento, uma nova forma de ver a vida, de compreender os seres humanos e as suas necessidades. Distribua generosamente o seu conhecimento, sem pretender que ele seja aceito como uma verdade absoluta. A Lua, em seu quarto crescente em Cancer nos faz mais vulneráveis a nos abrirmos a novas experiências, tornando-carpe-diem nos vulneráveis e, de certo modo, inflexíveis. Ainda assim podemos contar com a coragem, a paixão e a impetuosidade de Áries para ultrapassarmos essas dificuldades.

     Aproveitem as oportunidades que a vida lhes oferece, no momento em que essas oportunidades lhes são oferecidas. Todos os dias. Isso era o que Homero quis ensinar com o seu “carpe diem” (colham o dia), e é um sábio conselho que sobrevive há 2.000 anos.

     Muita luz para todos!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)