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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Diabo (comentário AO VIVO no Periscope: ALEXTAROLOGO)


Tentação, desejo, sedução, ilusão, cobiça, ambição, luxúria, astucia, obsessão, sadismo, cólera, cinismo, perversão, negatividade, manipulação, mentira, vicio, fraude, falsidade, traição, ingratidão, injúria e exploração são alguns termos muito usados quando queremos encontrar o significado do Arcano XV, o DIABO, numa leitura de Tarot.
Temido, esse Arcano nada mais representa do que o "lado sombra" das pessoas e das situações onde possam estar envolvidas. O reconhecimento das nossas fraquezas, do nosso "calcanhar de Aquiles", das nossas deficiências, dificuldades, dos nossos erros são maneiras de começarmos o processo de transformarmos essas experiências negativas em recursos que, por já serem conhecidos, vamos conseguir dominar, evitar ou eliminar muito mais facilmente.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento  da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

Se você também gosta de Tarot, de cartomancia, sinta-se convidado a conhecer minhas páginas nas diversas mídias:

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sábado, 21 de junho de 2014

5 DE PAUS: COMPETIR X COLABORAR

 

5 DE PAUS:  COMPETIR X COLABORAR

 
 
Acesse o meu novo blog POLAROIDES DA ALMA para ler esta postagem.
 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O Mago: Querer é Poder



Habilidades todos temos. Talentos, também. Mas às vezes, por circunstâncias as mais diversas, temos uma grande dificuldade em "descobri-los" ou mesmo acreditar que os temos, que são características nossas e que podemos desenvolvê-los, se quisermos.
Viver bem, plenamente, é um ato de, se me permitem, malabarismo. Temos que saber dosar e equilibrar desejos, ambições, angústias, dores, vontades, medos, interesses, etc. Há, também, os limites físicos, aqueles mais visíveis a olho nu, com os quais temos que aprender a conviver ou então encontrar soluções para modificá-los. Tornar-se economicamente estável, ter um corpo bonito e saudável, morar bem, tudo isso demanda muito foco, trabalho e sacrifícios vários. Estudar, aprender, adquirir conhecimentos, evoluir na carreira ou numa área específica também é um processo lento, gradual, que demanda investimentos de toda ordem. A tão ansiada e proclamada evolução espiritual, então, consiste no trilhar de um caminho escolhido e nele perseverar, apesar das inúmeras e constantes tentações, das seríssimas crises de desânimo e descrença.
Estar vivo é estar exposto a condições nem sempre totalmente controláveis mas que podem ter seus piores efeitos amenizados a partir do momento em que vamos tomando consciência das nossas aptidões.

O MAGO é o símbolo da individualidade, da força criativa, da inteligência, da vontade, do desejo de dominar que todos possuímos. A própria postura do MAGO na ilustração das mais conhecidas cartas de tarot apela para esse fato estabelecendo a seguinte comparação: "Assim como Deus nos céus, o homem na terra". Seu braço erguido apontando para o alto enquanto o outro aponta para o chão é a imagem desse axioma. O ser humano é o ponto de união entre o Criador e o mundo natural, ou seja, aquilo que Ele criou.
Sobre a mesa, em frente ao MAGO, repousam símbolos do seu domínio: copo, punhal, moeda, , ou seja, os elementos Água (naipe de Copas = emoções), Ar (naipe de Espadas = razão), Terra (naipe de Ouros = matéria). Em sua mão, estendida para o infinito, uma varinha (mágica?), representando o Fogo (naipe de Paus = espírito). É no domínio desses 4 elementos que o MAGO produz suas "mágicas", ou seja, tudo aquilo que ele precisa saber e fazer para viver integralmente.
É a primeira carta numerada (nº 1) do tarot porque ele simboliza o Criador ( Aquele que vem antes de tudo) que existe em cada um de nós. Se Deus nos criou à sua imagem e semelhança, de acordo com o Gênesis, então podemos dizer que somos "miniaturas" dEle, seus legítimos representantes neste planeta.

Quando essa carta surge num jogo taromântico, entre as inúmeras possibilidades interpretativas podemos também dizer que necessitamos usar nossos recursos próprios, nativos, interiores para lidar com as situações no momento presente. É necessário que façamos uso das nossas habilidades naturais e as demais, desenvolvidas, para conduzirmos a situação, resolvermos o problema, conseguirmos os resultados que desejamos. Somos "mágicos", capazes de produzir efeitos surpreendentes no mundo exterior com a nossa capacidade, com nossas habilidades, com nossa voluntariosidade.

A carta do MAGO, quando numa posição positiva dentro da jogada oracular, ou mesmo como objeto de meditação, é a lembrança de que tudo aquilo que realmente almejamos, podemos conseguir. Tudo o que nos propomos a fazer, investindo nisso nossas melhores intenções, nossas habilidades, conhecimento e ação, pode ser conseguido. Ação é uma das palavras que definem esse Arcano. De nada adianta querermos algo se não nos movimentarmos objetivamente em direção à meta pretendida.

Se eu quiser fazer um bom curso, tenho de ter disciplina, estudar, pesquisar, obter conhecimentos de diversas fonte, submeter-me a horas de estudos e a provas de capacitação. Se eu quiser ser um bom motorista, além das aulas teóricas, do aprendizado de leis, normas e símbolos gráficos referentes ao trânsito e tráfego de veículos, tenho que praticar muito, dentro de um carro, na vida real. Se eu quiser ter um corpo saudável e bem proporcionado, não será preguiçosamente sentado, comendo sanduíches e ingerindo refrigerantes que eu irei consegui-lo, mas na constância da prática do exercício físico e numa dieta alimentar balanceada (sempre supervisionadas por um profissional da área e seu médico). Se eu quiser fazer a tão sonhada viagem de férias para aquela praia paradisíaca, devo, desde já, ir economizando, estudando roteiros, consultando tarifas, fazendo reservas, programando tudo o que se fizer necessário para suprir a minha ausência durante o período que estarei ausente. Se eu quiser que meu relacionamento seja pleno, tenho que aprender a lidar com as minhas emoções, a desenvolver meu conceito de companheirismo, de cumplicidade, a melhor controlar minha impaciência, meu mau-humor, a aprender a balancear os defeitos e as qualidades do outro, a perseverar no meu intento face às muitas possibilidades de desistência.

A frase que definiria o MAGO, Arcano nº1 do tarot é "Querer é Poder". Portanto, o grande truque de mágica que essa carta nos ensina é que cada um de nós é o autor, o criador da vida que leva. Capacidade, recursos interiores e oportunidades todos tem, mas assumir esses potenciais e ter vontade de utilizá-los, bem... isso é uma questão de livre arbítrio.
 
FONTE: http//polaroidesdaalma.blogspot.com.br
 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Naipe de Paus

 

Silvia foi uma das primeiras a matricular-se e no dia marcado para Wands01iniciarmos o curso, lá estava ela: caderno, canetas coloridas e uns 2 ou 3 baralhos dentro da bolsa. Escolheu seu lugar, bem à frente, sentou-se e, antes mesmo da aula começar, já estava tomando notas.

Silvia sempre sentiu-se atraída por tudo que envolvesse espiritualidade e já colecionava um bom número de cursos na área. Contou-nos que já havia estudado radiestesia, feng-chuei, baralho cigano, reiki, aromaterapia e há anos praticava ioga e meditação transcendental. Até mesmo um curso básico de Arcanos Maiores já tinha freqüentado. Mas Sílvia queria mais, queria ir além.

 

 

Seu interesse por aquilo que ela chamava Wands02de “desenvolvimento pessoal” era uma busca constante por uma reconexão, que ela sabia existir, com seu Eu superior, com algo maior e quase sempre inominável, inexplicável. Considerava o momento ideal para seu retorno aos estudos e, em especial ao tarot. Havia ficado viúva recentemente e, ainda que recebesse uma pensão deixada pelo marido, cuja doença terminal fora longa e bastante dispendiosa, muito pouco lhe restara além do pequeno apartamento em que morava. Via no aprendizado do tarot uma oportunidade a mais para vivenciar a sua eterna busca por si mesma, através de um instrumento com uma linguagem bastante lúdica.

 

Wands03

Foi franca em nos dizer, naquele primeiro encontro, que era acreditando nessa possibilidade de encontrar resposta, ou pelo menos, encontrar caminhos que pudessem levá-la ao cerne de questões existenciais bastante importantes, é que estava fazendo o curso, um investimento que lhe era considerável. Estava disposta a investir em si mesma. Acreditava que agora, mais amadurecida e sem tantos compromissos sociais, iria poder dedicar-se mais e melhor em aprender a “linguagem sagrada” (como ela dizia) do tarot. Curiosidade, perspicácia e facilidade de comunicação eram atributos que todos pudemos constatar que não lhe faltavam, naquela nossa primeira aula. Sua simpatia, interesse e naturalidade cativaram os demais alunos.

 

 Wands04Não foi nenhuma surpresa o fato dela, durante os seis meses de duração do curso, ter-se revelado uma aluna altamente dedicada, muito estudiosa, sempre pesquisando e buscando informações a respeito das possibilidades que o tarot oferecia, em sites, blogs, livros, conversas com outros alunos. Silvia revelava-se uma verdadeira “futura taróloga” e demonstrava ser uma lider nata, alguém que estimulava a vontade e o interesse em todo o grupo. Sensível, altamente intuitiva, com uma grande experiência da vida, centrada e, especialmente, de “bem com a vida”, ela revelava-se, semana após semana, uma aluna ideal e as leituras que praticava com seus parentes e amigas, rigorosamente anotadas, eram motivo para um acréscimo, um “extra”, bastante bem vindo e criativo às aulas. 

 

Era um grupo de alunos extremamente dedicados. Alguns deles apresentavam sinais de evidente Wands05mediunidade e buscavam no tarot um meio de expressá-la. Outros, encontravam na iconografia das cartas a pesquisa simbólica à qual queriam se lançar. Havia até quem utilizava as cartas em consultórios de psicologia, como um suporte extra para estabelecer um contato com o subconsciente de seus clientes. Portanto, Silvia estava muito bem acompanhada. Mas isso não significa que não houvessem grandes embates, numa espécie de “saudável competição” entre os alunos. No fundo, todos queriam, mais do que exibir o valor de seus conhecimentos e talento, aprofundar cada vez mais as possibilidades de cada lâmina, de cada esquema de jogo.

O espaço onde se realizava o curso de tarot resolvera organizar o que chamaram de “feira mística”, a exemplo de tantas que existem e os professores foram convidados a indicarem alguns bons alunos para que delas participassem, numa forma de proporcionar-lhes uma experiência prática mais efetiva. Era uma atividade prática com responsabilidade e bastante bem vinda a qualquer estudante. Tínhamos em nosso grupo de tarot uns 3 candidatos em potencial para esse “exercício” e, naturalmente, Silvia liderava a lista.

Os visitantes da “feira” foram previamente avisados Wands06que alunos de diversos cursos ali oferecidos estariam atendendo, como uma espécie de “estágio”. A participação de Silvia foi altamente elogiada por todos os que se  propuseram a serem atendidos por uma aluna e no segundo dia da feira, havia uma pequena fila de pessoas esperando para terem suas leituras realizadas exclusivamente por ela. Uma verdadeira recompensa à sua extremada dedicação.

Quando, terminado o evento, fizemos uma avaliação baseado nas suas anotações precisas de cada leitura realizada, pudemos constatar que, de fato, ali estava uma pessoa com um enorme potencial para a leitura oracular. O curso terminara e Silvia tinha brilhado, indiscutivelmente.

 

Passados alguns meses, a direção do espaço decidiu que necessitava de um tarólogo que tivesse disponibilidade de horário para dar aulas a um novo grupo de alunos e nenhum de nós, que lá trabalhávamos, poderíamos assumir a tarefa devido a outros compromissos assumidos no mesmo período. Depois de muita deliberação, Silvia foi finalmente convidada a iniciar essa nova turma. Conhecimento não lhe faltava, nem determinação, segurança, interesse ou coragem. Além disso, a sua própria experiência com o tarot servia de motivação para os alunos. Wands07

Claro que sua primeira reação foi a de surpresa e alegria, pois afinal isso era o reconhecimento ao seu esforço e capacidade. Era um começo, o possível início de uma nova etapa em sua vida e, de alguma maneira, havia uma recompensa financeira nisso que poderia compensar investimentos feitos e proporcionar outros mais. Entretanto, nos dias seguintes, Silvia procurou-nos cheia de dúvidas, temerosa que o trabalho como mestra de tarot fosse algo além da sua possibilidade e não queria frustrar à escola, aos alunos e nem a si mesma. Não foi difícil resgatar sua auto-confiança. Bastou-nos relembrá-la de seus méritos pessoais e assegurá-la de que ela tinha capacidade para o que lhe estava sendo oferecido.

 

O curso foi anunciado e um pequeno número de alunos confirmou suas presenças. Outra vez mais, lá estava Silvia, chegando bem antes da hora, preparando seu material e posicionando-se numa sala de aulas onde a professora era, agora, ela mesma.

 

Wands08Apresentou-se à turma contando sua própria trajetória como pesquisadora de sistemas oraculares. Estendeu-se sobre sua longa jornada em busca de um crescimento espiritual, de um desenvolvimento de sua consciência. Falou também da sua inexperiência como professora, avisou-os que eram a sua primeira turma, pediu-lhes que tivessem paciência caso ela, em algum momento, não ter a melhor resposta às suas questões, mas que estava junto a eles, em pé de igualdade, nessa jornada que iniciavam pelo mundo dos arcanos do tarot e, por conseguinte, nos escaninhos de suas mentes, racionais ou não. Ganhou-os incondicionalmente com sua sinceridade e empatia.

 

 

Foram 24 semanas de animadas aulas, de onde os alunos emergiam excitados com o que haviam aprendido e não poupando elogios à mestra.Wands09 Aula após aula Silvia revelava ter grande conhecimento do assunto e uma enorme facilidade em transmiti-lo. Houveram, também, alguns pouquíssimos momentos em que a vimos sair da sala de aula frustrada por não ter conseguido expressar-se da melhor maneira, ou de não ter sentido que sua explicação a respeito de algum arcano tivesse sido a mais satisfatória. Mas Silvia era, antes de mais nada, uma “mãezona”, daquelas dão colo, pegam na mão, conduzem e possuem uma inesgotável paciência, além de muita animação e de um eterno bom humor. Ela própria, através dos anos, no papel de aprendiz, sabia que o processo iniciático não é simples e nem fácil. Que exige muito de quem busca a sua própria verdade e ela estava ali disposta a ajudar os demais “peregrinos” a percorrerem as mesmas trilhas que ela tinha experimentado.

 

O curso ainda não havia terminado e ela já começara a trabalhar, no mesmo espaço, fazendo leituras de tarot. Wands10Rapidamente formou uma clientela que ia se expandindo aos poucos, mas seguramente. Além disso fora convidada a ministrar um novo curso e fazer leituras também em outro local, onde novos consulentes disputavam a sua, agora, lotada agenda. Se o objetivo de Silvia era o de encontrar um veículo que a ajudasse a conhecer-se melhor, a compreender ao semelhante em toda a sua complexidade e a decodificar e transmitir informações oraculares, ela podia considerar-se realizada pois não lhe faltavam clientes e nem alunos. Aos poucos ela foi aprendendo a exigir menos de si mesma, a equilibrar o seu ritmo de trabalho com o de seus estudos pessoais;  reduziu o número de horas semanais dedicadas ao atendimento, bem como optou por ministrar apenas dois cursos por ano. Sobrava-lhe, novamente, tempo para estudar, ler, escrever, encontrar-se com as amigas e visitar os netos que moravam longe.

Mais do que um trabalho, Silvia havia encontrado um sentido, um direcionamento, um novo passo em  sua jornada  pessoal pelas respostas das questões que lhe eram vitalmente significativas.

Imagens: Tarot of the Old Path

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O MAGO


primeiro, um PENSAMENTO01
daí, a organização daquela imagem em IDÉIAS e PLANOS
então, a TRANSFORMAÇÃO desses planos em REALIDADE.

o princípio, como você bem pode observar,
está no fantástico ato de IMAGINAR

Napoleon Hill

Imagens d’O Mago encontradas em diversos tarots.

Imagem: “Tarot of Dreams”, Ciro Marchetti

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Carta do Dia: 7 DE COPAS

Cups07      Ela saiu do almoço com sua mãe e caminhou o pouco que a distanciava da orla da praia. O sol brilhava forte e o céu da tarde estava de um azul cristalino. Decidiu sentar-se num quiosque e tomar uma água de coco enquanto tentava dar um sentido ao turbilhão de pensamentos e emoções que tomavam conta dela.

     Pensou no que a mãe lhe dissera a respeito do problema vivido com o pai, antes dela nascer. Seriam seus ciúmes irreais? Estaria ela, também, vendo “fantasmas” onde nada havia? E se, na verdade, o marido e a ex-noiva estivessem mantendo um “caso” e usando a desculpa do trabalho e das constantes viagens como disfarce? E se ela voltasse ao apartamento dos pais deles e, chorando, contasse o que estava acontecendo e pedisse que eles intercedessem por ela? E se eles se recusassem e ela finalmente descobrisse que eles preferiam a ex-noiva a ela? E se ela procurasse o antigo namorado, o surfista que havia retornado depois de anos no Havaí e que estava abrindo uma fábrica de pranchas? Como será que ele estava? Será que ainda pensava nela com o mesmo carinho e desejo de antes? A amiga havia sugerido que sim, quando falou sobre ele… E se ela aceitasse o convite da empresa que trabalhara para fazer aquele estágio em Paris? Quem não sonha ir estudar por um ou dois anos na Cidade Luz? E se na Europa ela viesse a conhecer um outro alguém que a amasse como ela sempre pretendera? Mas, e depois, quando o curso acabasse e ela tivesse, por uma questão de compromisso com a empresa, de voltar ao Brasil? Como ficaria a situação dela com esse novo homem? E se ela simplesmente voltasse a trabalhar, interrompendo a licença, preenchendo novamente seus dias com as reuniões de grupo e com fornecedores, voltasse a estudar planilhas de vendas, dedicasse seu tempo à criação de novas estampas e ficasse “antenada” com tudo o que se estava fazendo em moda? E se ela ligasse para ele, agora mesmo, e pedisse desculpas, se humilha-se, reconhecesse que estava completamente errada, morta de ciúme e inveja da outra? E se ele desligasse o telefone sem lhe dizer nada? E se ele atendesse da forma amorosa de sempre e dissesse que ela fosse encontra-lo imediatamente onde quer que estivesse? E se ele confessasse que sim, que estava apaixonado mesmo pela ex-noiva e que iria entrar com o pedido de divórcio assim que voltasse? E o que seria da vida dela sem ele? E o que…

     _”Mais uma água de coco, madame?”

     Saiu daquele turbilhão de fantasiosas idéias com a voz do  vendedor de coco. Agradeceu, pagou e saiu caminhando pelo calçadão. Estava confusa. Ela, que sempre se considerou uma mulher altamente criativa, pronta sempre para enfrentar todos os desafios da forma mais racional possível, analisando-os por partes, estudando seus detalhes e suas implicações, não se deixando iludir pelas aparências e procurando encontrar sempre a melhor saída para os problemas… quando foi que ela se tornara essa mulher indecisa de agora? Em que recanto dela mesma estivera escondida essa criatura insegura, amarga, dependente, presa à idéias confusas, mal estabelecidas, vivendo de pedaços de pesadelos? Ela mesma não mais se reconhecia.

     Resolveu que deveria ir para casa e, novamente, ligar para ele. Conversariam novamente e ela mais calma, mais controlada, lhe contaria das suas desconfianças, dos motivos que a levaram a desesperar-se, do medo profundo de perder o seu amor, da enorme saudade que sentia dele e se desculparia pelo vexame do telefonema anterior. Ele, que sempre fora compreensivo, educado, carinhosíssimo com ela, iria ouvi-la e com certeza diria algumas palavras sábias e amorosas que poriam fim a todo esse episódio. E então ele iria dizer, pela zilhonésima vez que a amava, que não poderia nunca pensar em viver sem ela, que ela era única, que era a mulher que ele sempre sonhara, que…

     _“Ooooooo, tia! Qual é? Quer que eu atropele você? Não sabe que não pode ficar andando na pista das bikes! Pow!… Cuidado, aí, viu?”

     Nem havia percebido que quase fora atropelada por um ciclista. Refez-se do susto e desculpou-se com um sorriso sem graça. O sol estava começando a descer no horizonte e a maré desmanchava as marcas deixadas na areia. Olhou para o céu, que começava a mudar de cor, tingindo-se dos laranjas e dourados do poente. Resolveu que era hora de voltar. Havia um longo telefonema internacional a ser dado.

     Quando um 7 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que lhe são próximas, além da questão que importa ao Consultante, pode simbolizar estar vivendo de sonhos e ilusões, de desejos tolos. Erros de julgamento. Iludir-se. As coisas podem parecerem boas por fora, mas na verdade não têm nenhuma consistência. Dar importância a assuntos, desejos, situações que não têm nenhuma importância. Querer símbolos de sucesso e não qualidade, como por exemplo, comprar roupas e acessórios de “marcas famosas” na banquinha do camelô… Ou achar que a “marca famosa”, mesmo sendo verdadeira, vai acrescentar algo de importante à vida. Aparentar que tem tudo, quando na verdade nada tem. Querer causar inveja ou ciúme nos outros. Materialismo. Algo estragado, corrupto, podre sob uma aparência atraente. Egoísmo.

     Dependendo sempre do contexto da leitura e das demais cartas, o 7 de Copas também pode estar significando o fato do Consultante abandonar os desejos e vontades tolas e enfrentar a realidade. Fazer escolhas apropriadamente solidas baseadas em fatos concretos. Regenerar a sua força de vontade para que ela lhe auxilie a atingir melhores propósitos. Erguer-se sobre as próprias pernas e assumir a responsabilidade de descobrir a verdade. Desanuviar a mente sonhadora. Ver as coisas como elas realmente são. Saber o que importa e não interessa. Encontrar a verdade dentro de si mesmo.

     Nesta quarta-feira, tendo como regente Mercúrio, representado por aquela figura com os pés alados que, célere, voa longas distâncias entregando notícias, não é de se surpreender que seja o Dia Nacional das Comunicações. Com uma Carta do Dia como o 7 de Copas podemos interpreta-la de tal forma que se expressarmos  nossos sonhos, nossas fantasias, nossos medos e nossas angústias, comentando-os com nossos melhores amigos ou profissionais adequados, estaremos contribuindo para evitar que eles se transformem em verdadeiras neuroses. Que procurar a verdade, através do diálogo franco, amistoso, sensato e racional é um dos melhores caminhos que podemos escolher para acabarmos com dúvidas e incertezas. Que interagir com os outros significa ouvir e ser ouvido, comentar, discutir e partilhar sentimentos e emoções.  O 7 de Copas é astrologicamente equivalente a Vênus em Escorpião, que, a grosso modo, simboliza um desejo de intensificar o drama, fazer com que as coisas pareçam piores, ou melhores, do que realmente o são. Portanto o uso do conhecimento (a verdade), a capacidade de raciocínio lógico, a percepção apurada e a astúcia de Mercúrio, o mensageiro, podem perfeitamente nos ajudar a esclarecer as situações através do diálogo honesto, refreando vôos de pura fantasia.

     Que as notícias desta quarta-feira tragam alegria, paz e harmonia para todos!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carta do Dia: 2 DE COPAS

Cups02      Eles se conheceram numa festa. Ela, a melhor amiga da aniversariante. Ele, colega de trabalho do namorado da aniversariante.

     Desde os primeiros momentos de conversa, em meio à multidão que se comprimia no pequeno apartamento, sentiram-se completamente à vontade um com o  outro. Nem mesmo o barulho dos convidados, a música no último volume, o transitar de gente equilibrando copos e pratos nas mãos, conseguiu desviar a atenção de ambos. Sabiam que, de alguma maneira estranha, haviam finalmente se encontrado. Ela, que sempre implicara com homens com barba, cavanhaque, bigode, achou muito charmoso a sua “barba de três dias” super-bem aparada. Ele, que nunca sentira-se atraído por mulheres tão altas quanto ele, viu nela o protótipo, muito mais atraente, das modelos e manequins que ilustram os catálogos de moda.

     Começaram conversando sobre as banalidades e informalidades que se diz no meio do caos de uma festa onde há mais convidados do que o conforto e a segurança permitiriam. Sem nada em comum, a não ser a súbita atração física, ela começou contando de quanto a aniversariante era sua amiga, de onde estudaram juntas desde o “prézinho”, de como aprenderam a surfar com a galera do Arpoador e… “Espera aí”, ele interrompeu. “Quer dizer que vocês frequentavam o Arpoador juntas? Eu também! Como foi que a gente nunca se viu?” Pronto. Havia algo em comum e que levou-os a passarem a noite cruzando informações sobre amigos, sobre gostos, sobre atividades, viagens, sobre formação, carreira, perspectivas de vida, sonhos, desejos e, é claro, sobre alguns (bem poucos…) romances passados.

     Não dava para dançar pois não havia espaço para mais um único corpo na pista de dança. Aproveitaram, então para, num canto da sacada, ficarem olhando as luzes da cidade, as estrelas no céu e o enorme disco da lua. Ela contou-lhe da sua família, do seu trabalho como estilista de uma grande loja de moda feminina, de sua paixão pelo mar, de sua turma de “pegadores de onda”, de sua única e louca aventura ao Havaí para participar de um campeonato de surf, de um ex-namoradinho que, como ela, começou a surfar ainda criança e hoje era um famoso campeão nesse esporte e que morava no exterior, vivendo dos patrocínios.

     Ele contou-lhe das férias de infância na casa que a família ainda tinha na serra, sempre cercado de livros. Falou-lhe também do seu trabalho como advogado da área de Direito Internacional num dos mais respeitados escritórios do Brasil. Contou-lhe de suas constantes viagens pelo mundo na defesa dos interesses dos clientes. Dos países e das culturas que conhecia. Falou sobre experiências divertidas, e às vezes assustadoras, que havia vivido, nessas viagens com seu amigo, o namorado da aniversariante. Contou-lhe também de sua ex-noiva, hoje uma das sócias desse escritório e reconhecida profissional da sua área, tendo recebido, inclusive, convites para trabalhar junto aos escritórios das Nações Unidas.

     Ficaram surpresos quando viram a aniversariante começar a dar ordens para os garçons e empregadas retirarem o buffet, arrumarem a sala. Nem haviam percebido que o DJ contratado já havia desligado o som e se retirado. Foram os últimos a se despedirem e desceram o elevador olhando-se nos olhos, como se não quisessem perder nenhuma oportunidade de estarem juntos. Na rua, ele, sempre cavalheiro, acompanhou-a enquanto ela abria o carro. Trocaram telefones e e-mails. Combinaram verem-se ainda naquele dia que logo amanheceria. Pela primeira vez, beijaram-se, abençoados pela lua cheia que começava a dar sinais que logo desapareceria na claridade do alvorecer. Cada um com o coração batendo forte, dirigiram seus carros pelas ruas da cidade, felizes, realizados, encantados com a imagem e as palavras ouvidas do outro. Dirigindo para suas respectivas casas, começaram naquele momento a sonharem com a possibilidade de, quem sabe um dia, viverem juntos. Estavam apaixonados. Profundamente apaixonados. Ele ligou o rádio do carro e sorriu sozinho quando as vozes daquela dupla de cantores sertanejos que ele sempre fez questão de ignorar e chamar de bregas, fez-se ouvir pelos autofalantes cantando:

“É o Amor
Que mexe com minha cabeça
E me deixa assim
Que faz eu pensar em você
E esquecer de mim
Que faz eu esquecer
Que a vida é feita pra viver
É o Amor
Que veio como um tiro certo
No meu coração
Que derrubou a base forte
Da minha paixão
E fez eu entender que a vida
É nada sem você”

     Não mudou de estação e, sem nem mesmo acreditar no que estava fazendo, fez coro com a dupla, sem se importar com o olhar divertido das pessoas nos outros carros, que ao cruzarem pelo dele, olhavam aquele homem cantando a plenos pulmões na manhã que apenas nascia. Lá fora, os primeiros raios do sol romperam, finalmente, as últimas sombras da noite, anunciando um novo dia.

     Quando o 2 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e entre as demais cartas, assim como o tema de interesse do Consultante, ele pode significar o início de um relacionamento ou uma reconciliação entre esposos, namorados, amigos, sócios. Se o Consultante estiver envolvido emocionalmente com alguém mas ainda não tem certeza sobre as possibilidades dessa relação, o aparecimento dessa carta pode ser a garantia de que tudo irá evoluir para uma situação sentimentalmente esperançosa e estável, entretanto necessita que ele tenha um grau de comprometimento com ela. Pode indicar promissoras parecerias nos negócios, com a associação entre pessoas que irão trabalhar muito bem juntas. É indicativo de magnetismo pessoal, de amizades verdadeiras, afinidades, de muita simpatia e espontaneidade. Pode ser um aviso de noivado ou casamento em breve. É sintoma de um bom relacionamento sexual. É o encontro da “cara metade” no grande oceano da vida. É estar receptivo e comprometido com a idéia de dar e receber amor. Representa, também, além de amor, bondade e prosperidade.

     Apesar de ser uma carta extremamente bem vinda e, por que não dizer, aguardada num jogo de tarot, ela também tem seus aspectos menos favoráveis quando está mal dignificada, ou próxima a cartas mais negativas, numa leitura. Então ela pode ser um aviso de rompimento de uma amizade ou afastamento de um grupo social. Rivalidade, teimosia, conflito, oposição, brigas, ciúme, tirania ou prepotência também são alguns dos aspectos menos favoráveis do 2 de Copas. Se essa carta surgir no começo de um relacionamento, pode indicar um futuro incerto para o mesmo, quando as pessoas envolvidas não são as mais certas para continuarem juntas, ou então que esse relacionamento não é tão sério quanto pretendia ser. Essa carta, mal dignificada, pode indicar uma falta de comprometimento de uma, ou ambas as partes.

     Nesta sexta-feira, dia dedicado a Vênus, rainha do amor, da beleza, do encantamento, da atração, da sensualidade, das ligações amorosas é uma boa ocasião para refletirmos o quanto nos amamos e estamos dispostos e capazes para amarmos aos outros. Sabemos que conflitos e desavenças sempre existiram e continuarão a existir, mas podemos refletir o quanto a nossa participação é efetiva para que eles não aconteçam ou, pelo menos, que se esclareçam. A Lua Cheia está na sua fase mais expansiva e portanto nossas emoções, as situações que vivemos estão em seu momento culminante. É um momento para evitarmos qualquer possibilidade de discórdia e investirmos todos os nossos esforços de maneira tal que colaboremos com o bem estar geral. E, sobretudo, com uma carta como o 2 de Copas como Carta do Dia, podemos fazer uma “fezinha” na loteria do amor, com grandes chances de apostarmos exatamente no bilhete premiado.

     Um ótimo e surpreendentemente romântica sexta-feira para todos!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan
Letra da Música “É o Amor”, de Zezé Di Camargo e Luciano

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Carta do Dia: 3 de Paus

   66-Minor-Wands-03ramsestarotofeternety   Ontem a carta tema do dia foi o 3 de Copas e hoje, o 3 de Paus. Há nessa presumível “coincidência” um recado importante: estamos passando por um estágio em que tudo aparenta estar dando certo, que vai acabar tudo muito bem, da maneira exata como planejamos e que já podemos ter a vitória como garantida. Mas lembrem-se: o 3 é uma das primeiras cartas da sequencia de 10 (Ás, dois, tres,….,nove, dez) dos Arcanos Menores.

     Ela ainda nos fala de começos, de estágios iniciais, de potenciais que ainda estão em desenvolvimento. É um momento, no transcorrer de um longo percurso em que experimentamos uma primeira manifestação de satisfação, de que estamos no caminho certo e de que tudo nos parece fácil demais. As pessoas, sejam clientes, amigos, amores, contatos importantes, aparecem “caídas do céu”; o projeto dá um salto à frente e a idéia original parece abençoada por todas as forças do Universo. OK, tudo certo e é por aí mesmo. Mas temos que ter em mente que estamos vivendo uma amostra, um aperitivo do que poderemos vir, no futuro, vir a experimentar na totalidade e com maior permanência se continuarmos a nos esforçar, investindo na idéia e nos meios de realizá-la.

     O naipe de Paus faz referência, entre outras possibilidades, à intuição, meditação, compreensão, criatividade, espiritualidade, produção, continuidade, transformação, evolução, obtenção de resultados. Estar em harmonia consigo mesmo e com o mundo, ou seja, estar centrado, é uma das condições para saber-se o que se quer fazer, realizar verdadeiramente e o quanto isso poderá, também, beneficiar uma ordem cósmica pré-estabelecida. O 3 de Paus nos alerta de que possivelmente tenhamos, finalmente, encontrado o nosso objetivo de vida, estando conscientes da nossa potencialidade, envoltos numa sabedoria interior que elimina quaisquer dúvidas, confiantes no futuro e capazes de visualizar, realisticamente, novas metas e empreendimentos, preparados e prontos, enfim, para partirmos em busca da concretização dos nossos propósitos e ideais.

     Numa consulta de tarot, quando o 3 de Paus surge (evidentemente dependendo de sua posição no esquema do jogo), ele pode também significar o dar ou receber apoio de amigos, parentes, conhecidos; intensa vontade de viver a vida com voluptuosidade; melhoria sensível no trabalho e nos negócios; necessidade de explorar algo novo, desconhecido; um tempo de gestação, onde a paciência é necessária para aguardar os resultados de investimentos ou escolhas feitas anteriormente; viagens de negócios; necessidade de ter, ou manter o autocontrole; investir na busca de um novo amor, de um novo trabalho, de um novo grupo de amigos, de um novo interesse enquanto se mantém, ainda, relacionamentos e compromissos anteriores; boa sorte; ter espírito empreendedor; sentir uma necessidade interna de fazer as coisas à sua maneira, que lhe dêem sentido à vida e que permitam o seu total exercício da criatividade.

     Muitas vezes essa carta nos alerta, também, de que devemos ter mais compaixão, ou seja: aceitarmos e compreendermos as outras pessoas com total tolerância por todos os seus aspectos, carregando-os, fornecendo-lhes o necessário suporte e apoio. Isso pode nos causar um desgaste razoável de energia, especialmente em situações que se prolongam, e é preciso, então, nos fortalecermos física e espiritualmente para melhor servirmos e sobrevivermos. Esse estado de elevação espiritual, de sabedoria interior, de paz e harmonia física, mental e espiritual pode ser atingida de diversas maneiras e cada um deve procurar a que melhor lhe atenda. A meditação é uma delas, favorecendo a concentração e o encontro com o nosso verdadeiro “centro”.

     Aproveite o dia de hoje para fazer algo que lhe dê muito prazer, como uma recompensa pelos esforços que vem empenhando na conquista de seus planos de realização. Curta-se e curta a vida com bastante intensidade. Reconcilie-se com o seu passado e siga em frente, com fé, com muita autoconfiança, crente de que os resultados dos seus verdadeiros desejos estão lhe aguardando mais adiante. Otimismo e disposição são palavras-chave.

     E, evidentemente, tenha um excelente dia!

Imagem: RAMSES TAROT OF ETERNITY

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Carta do Dia: O MAGO

     01-Major-Magician2   Pensando em como abordar alguns aspectos, um pouco da “personalidade” da Carta do Dia, tomei meu café olhando esse céu absolutamente azul e que promete mais um dia de calor absurdo. Na livre associação de idéias e imagens, entre um gole e outro de café, lembrei-me de uma grande e querida amiga que hoje mora na Europa. Foi o que bastou para que o Mago, dentro de mim, aflorasse com um texto pronto para este Blog.
     Maria Luiza (vamos chamá-la assim) sempre foi batalhadora. Filha de boa família, era meio ovelha negra pois seus interesses sempre conflitaram com os sonhos que seus pais alimentavam para ela: colégio de freiras, curso de piano, debutar no Country Club, apaixonar-se pelo filho de algum bem estabilizado amigo, casar-se, ter filhos e fechar o livro crente de ter vivido feliz, sempre, e para sempre.
     Coitados…
     Maria Luiza era a mais rebelde do colégio, aluna brilhante sem nunca ter dado a impressão de estudar. Copiava dos amigos, com algumas alterações, os trabalhos escolares e… voilà! Ela tirava a nota máxima enquanto aquele que havia emprestado o seu material para cópia, na melhor das hipóteses, ganhava um 6, e olhe lá que ainda era possível que ficasse com a fama de ter copiado da criativa colega...
     Minha amiga nunca debutou, nunca se interessou pelos promissores pretendentes que a família insistia em lhe apresentar, nunca casou-se de véu, grinalda e vestido assinado mas aprendeu um pouco de música, sim, só o suficiente para tocar guitarra numa banda maluquíssima que ela formou com a “tchurma”.
     Como a vida é cheia de caminhos, desvios, abismos, perdi contato com ela por muitos anos até que um dia, no saguão do teatro, vejo aquela figura de cabelos revoltos, repicados e descoloridos, bronzeadíssima a me acenar. Maria Luiza, vivíssima e coloridíssima. Beijos, abraços, afagos e lá vou eu, sequestrado para fora do teatro, da peça que eu queria assistir, pelas mãos que me prometiam estórias mil, muito mais vívidas, hilárias e, provavelmente, edificantes da que eu havia programado ver.
     Maria Luiza cansou-se da rotina e há uns 10 anos alugou seu apartamento, vendeu o ponto do brechó que tinha, pediu ao pai um “adiantamento” da herança e foi-se banhar nas águas e na cultura espanhola. Não foi preciso muito tempo para que aquele “dolce far niente”, sustentado pelo dinheirinho guardado na mala, começasse a ficar com cara de pesadelo em gravura de Goya. Hora de procurar emprego. E lá vai minha amiga oferecer o que sabe e pode fazer, frustrando-se a cada tentativa pelas óbvias razões de ser estrangeira, sem visto de permanência, sem possibilidade legal de requerer trabalho. Até que, decidida a “descer do salto”, aceitou uma vaga de faxineira numa boutique transadíssima de Ibiza, frequentada pelo jet set internacional que ainda doura seus corpos naquele arquipélago.
     Trabalho árduo, sem charme, desestimulante, mal remunerado e com nenhuma probabilidade de progredir. Mas não, para Maria Luiza, é claro! Aproveitando que o trabalho era noturno e solitário, antes de ir embora, re-arranjava as vitrines da loja, trocando as roupas das manequins, reposicionando-as, acrescentados detalhes e acessórios, mudando peças de cenário e reposicionando as luzes. Não custou muito para que a gerente da loja ficasse enciumada e a proprietária felicíssima com o talento, a criatividade, a ousadia e a habilidade daquela brasileira. Em pouco tempo, Malú era a vitrinista oficial e, abusada que só ela, sugeriu a organização de um desfile na rua em frente à loja, o que atraiu não só a atenção dos turistas, mas da mídia local e o olho muito bem treinado de um famoso costureiro que ali passava férias.
     Bem, antes que este texto vire uma biografia não autorizada da minha amiga, hoje ela mora muitíssimo bem em Paris onde é personal assistant de uma das mais famosas casas de alta costura européia (dessas que os nossos camelôs vendem as cópias dos óculos, das bolsas, dos cintos, dos echarpes, dos perfumes, etc), ganhando “rios de dinheiro”, viajando o mundo para absorver tendências e desenvolver idéias para novos produtos, íntima amiga de manequins que a imprensa imortaliza em suas páginas, frequentando as casas, os barcos e os aviões dos clientes, inclusive daqueles da boutique insular onde ela um dia foi faxineira.
     Bom, pessoal, acho que mais nada é preciso acrescentar sobre o Mago, a Carta do Dia que saiu na tiragem desta manhã. Qual é a mensagem que ela traz (afinal Mercúrio, o planeta, é o regente desta carta e o patrono das comunicações), o que podemos aprender meditando nela? Tentem: muito trabalho, idéias variadíssimas, inspiração, determinação, disciplina, astúcia, desinibição, vitalidade, ter jogo de cintura, ser flexível frente aos desafios, saber o momento de agarrar as oportunidades, ouvir a própria intuição, ter total controle sobre a própria vida mas sem ficar presa a nada, saber a mágica de transformar velhas situações em algo surpreendentemente novo, saber expressar-se e gostar de comunicar-se, saber negociar e, sobretudo, persuadir.
     Há aspectos negativos a serem considerados? Claro que sim: malandragem, mentira, futilidade, manipulação, imaturidade, amoralidade, falsidade, desonestidade, charlatanice, superficialidade,  irresponsabilidade, hiperatividade e paranóia. Cuidado, muito cuidado com isso tudo.
     Aproveite, então, o dia de hoje para vivenciar o Mago que vive em você, começando a elaborar um novo projeto, pesquisando muito a respeito, sonhando com possibilidades, esperando pelo melhor.  Procure ler as mensagens, os sinais enviados pelo Universo em todos os acontecimentos deste dia, especialmente nos mais banais. Esteja atento aos seus pressentimentos, à sua intuição e use o poder da sua vontade, concentrando-se nos seus desejos e contemplando-os, em sua mente, já realizados. 
     Tenha um excelente, criativo e produtivo dia!

Ilustração: LUNATIC TAROT

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Carta do Dia: A TORRE

16-Major-Towerp      A Carta do Dia de hoje é daquelas que quando sai numa tiragem, a gente tem vontade de embaralhar tudo novamente e tentar mais uma vez. Mas não é por aí e, aliás, ela alerta para isso mesmo: não enfrentarmos as situações e nem aceitarmos ou permitimos que elas se apresentem e nos transformem, ainda que isso venha contrariar nossos planos, nossos desejos, nossa vontade, nossas esperanças.

     A Torre nos fala daqueles eventos absolutamente indesejados, inesperados, aquelas peças que o Destino (Carma) nos prega e nos pega, geralmente, de surpresa, fazendo uma verdadeira revolução em nossas vidas. Normalmente, tudo vem abaixo, tudo se rompe, se quebra, se desmancha obrigando-nos a cair do alto das nossas ambições, do nosso orgulho, da nossa vaidade, do nosso bem nutrido ego, das nossas ilusões e fantasias e, nessa queda, permitindo que coloquemos novamente os pés no chão, aterremos e comecemos do zero.

     Situações anunciadas ou simbolizadas pela Torre são muito comuns, tais como o fim de um casamento que há muito já havia estagnado, a perda do emprego ou de um cargo importante, a falência de um negócio, a sempre indesejada e evitada notícia de uma doença grave, um acidente com sérias consequências, etc. Enfim, tudo aquilo que a gente tem muito medo que aconteça ou, mesmo, nem tem conhecimento de que pode ou está para acontecer.

     O que é necessário compreender é que muitas vezes a única maneira de evoluirmos é através de um acontecimento radical, normalmente externo, que nos obrigue a abandonar definitivamente velhos conceitos, estruturas de defesa, argumentos ultrapassados, o total comodismo, uma vida de pura fantasia, a falta de conexão com a realidade e a Torre é a representação desse doloroso evento.

     A Carta da Semana (verifique a postagem de Domingo, dia 03/01/2010) alertava para um encontro com as nossas mais profundas verdades, o nosso eu mais escondido, aquele ser que realmente somos quando não estamos usando nossas múltiplas máscaras sociais: o Diabo. O Arcano de hoje, de nº 16 no tarot, é a carta seguinte àquele diabólico senhor, o que significa que, ao nos defrontarmos com tudo aquilo que passamos a vida tentando “maquiar”, disfarçar, esconder, subtrair, ao enfrentarmos a verdade dos fatos, desse confronto nunca mais sairemos os mesmos. Nossa tendência, a partir de então, será rompermos com velhas construções psicológicas, o abandono de formas reativas de agirmos, o desprezo ao fato de nos escondermos atrás de personas sociais que criamos na vã esperança de sermos melhor aceitos, amados, desejados, reverenciados.

     Existe dor nessa queda para a realidade? Nesse implodir de velhas construções interiores? Claro que sim. É o fim de ilusões e sonhos longamente alimentados. É o ter que assumir novas responsabilidades, novos pontos de vista, novos comportamentos: assumir o seu eu verdadeiro. Mas o que não podemos perder de vista é que o nada no Universo conspira contra nós e que, mesmo dentro de uma situação caótica, confusa, assustadora, ele está nos oferecendo uma possibilidade de aprendizagem e, através dessa experiência, o nosso desenvolvimentos como seres físicos e espirituais.

     Num aspecto mais prático, numa maneira mais divinatória, quando a Torre aparece numa leitura (e, não se esqueça, sempre dependendo do local onde ela se encontra e relacionada a quais outras cartas) ela também pode significar o seguinte: doença grave; aborto; queda física; dor de cabeça, doenças mentais; fratura de ossos; problemas de coluna; mudança de casa; reforma em imóvel; fim de uma relação (namoro, casamento, sociedade, etc); acidente (carro, moto, avião); problemas com explosivos, tipo fogos de artifício, explosões de gás; falência, concordata, dívidas. Enfim, nesses poucos exemplos nós vemos que o que pode advir, a fim de que se provoque uma grande mudança, é qualquer coisa de indesejado ou inesperado, uma verdadeira e imprevista catástrofe.

     Mas tenha sempre em mente que a Esperança é a carta subsequente à Torre e, que todas as experiências, quando vividas (ainda que dolorosa, mas conscientementes) só trazem benefícios, fazendo com que o nosso carma se realize e que novas e melhores oportunidades se apresentem à nossa frente.

     Hajam com bastante cautela no dia de hoje, mantendo o espírito elevando, fazendo suas orações pedindo a proteção de seus anjos da guarda, seus guias ou mentores espirituais, as entidades e santos a que devotam fé. Não há nada que o cultivar uma conexão estreita com o Divino não nos ajude a evitar, enfrentar, superar e aprender daquilo que temos de viver.

     Com muita fé, tenham todos um ótimo dia!

Ilustração: FULL MOON DREAMS TAROT, de Lunea Weatherstone

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Carta do Dia: 9 DE PAUS


Esta manhã, depois de ter feito a tiragem da Carta do Dia, e antes de começar a escrever este texto, resolvi que seria o melhor momento para fazer minha caminhada diária. A temperatura está mais amena e o sol ainda não brilha com tanta intensidade.
Na volta, enquanto aguardava o sinal para poder atravessar a avenida, olhando para o chão observei, surgindo num canto entre a calçada e o asfalto, umas três folhinhas verdes presas a um débil, porém atrevido e bastante arrogante, galhinho. Provavelmente uma amendoeira dessas muitas que enfeitam as nossas avenidas.
Nesse minuto em que continuei aguardando o sinal para os pedestres, fiquei completamente absorto e encantado por aquela imagem de força de vontade e resistência. No meio do caos urbano, enfrentando milhares de pessoas que por ali passam, varredores de rua, carros, animais, essa plantinha decidiu desafiar tudo e a todo. Usando de todos os seus recursos naturais, da força germinal contida em sua semente, nutrindo-se muito mais da sua própria seiva do que do ambiente inóspito que resolveu enfrentar, ela rompeu, com aquele projeto de tronco e algumas brilhantes folhinhas o concreto e o asfalto, estabelecendo-se dona de um lugar no corpo da cidade.
Fico pensando quantas vezes essa amendoeirazinha contorceu-se, estirou-se e retrocedeu em sua busca de sol, de ar, de água, de vida. E, nesta manhã, guerreira como ela só, lá estava, uma vez mais lutando pelo seu direito de vever plenamente, indiferente aos pisões que deve levar, à poluição e à sujeira que a cercam, ao notório fato de que não pode mover-se, não tendo alternativa a não ser adaptar-se e crescer, rumo ao céu, ali mesmo, tendo uma caótica avenida como canteiro e paisagem.
A coragem, a força de vontade, o pureza do seu instinto natural, sua energia e seu vegetal, se assim posso dizer, entusiasmo, foi um presente que recebi do Universo, nesta penúltima manhã do ano, ao fazer-me parar naquele lugar, esquecer-me por uns instantes de toda a tensão que me cercava na cidade que amanhecia, e poder ver, magnificamente transposta para a realidade, a mensagem do 9 de Paus, a carta que eu havia tirado mais cedo.
Nestes dias, em que fazemos listas de projetos, revemos os dias passados, nos arrependemos de algumas situações que crriamos, rimos de outras e nos cumprimentamos pelos acertos obtidos, o 9 de Paus surge para nos lembrar que quando acreditamos ter chegado ao limite das nossas forças, que continuar está fora de cogitação, que o medo de revivermos situações infelizes nos impede de continuar, nosso guia interior, nossa intuição parece abrir uma reserva de energia extra e, lá vamos nós, novamente batalhar pelos nossos interesses e ideais.
Essa é uma carta que nos fala de força, resistência, vontade e determinação, de nossos poderes insconscientes que vêm nos resgatar, manifestados das mais criativas maneiras, quando deles mais necessitamos. Nos lembra a aproveitar nossa energia inspiradora e, confiando em nossa intuição, com muito entusiasmo, disciplina, bastante cautela e a sempre bem vinda prudência ao agir, nos arriscarmos mais uma vez em busca de atingirmos os nossos objetivos.
Pode ser que tenhamos que tolerar alguma espera, diversos obstáculos, contrariedades, e, até mesmo, momentos de confessa perda das nossas convicções. É então que devemos nos retrair, mas nunca fugir. Nos recolher para alguns instantes (lembre-se que estamos na semana da Sacerdotisa... leia o meu texto de domingo passado, dia 27) de contemplação da própria situação e das nossas metas, resgatarmos o que aprendemos da nossa experiência prévia e, tratadas essas nossas feridas de batalha, e só então voltarmos à carga total, usando nossa poupança energética, parece ser uma alternativa bastante promissora.
Quando essa carta aparece numa leitura de Tarot ela significa tudo o que escrevi até agora, e ainda o seguinte: começo de novos projetos com expectativas muito favoráveis; fortalecer-se fisica, moral, sentimental e espiritualmente através de batalhas vivenciadas; termos o cuidade de não vermos a cada dificuldade um monstro que nos ameaça, mesmo até demoois de vencido; do fato de necessitarmos reforçar nossas defesas por estarmos convivendo com alguém, ou mais pessoas, sugadoras das nossas energias; paciência, pois é uma carta que indica alguma demora; uma grande energia sexual; a possibilidade de sermos pegos de surpresa; que a hora da "volta por cima" chegou.
Vi naquela plantinha a lição de despedida que 2009 ainda insistiu em me dar: que a vontade e a imaginação ao agirem juntas, podem transformar sonhos em realidade.
Obrigado amendoeira. Obrigado 2009.

Bom dia para todos!