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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Carta do Dia: 5 DE ESPADAS

                                          CREONTE
     “Cidadãos! Acabo de saber que Édipo formulou contra mim gravíssimas acusações, que eu não posso admitir! Aqui estou para me defender!
Se, no meio da desgraça que nos aflige, ele supõe que eu o tenha
atacado, por palavras ou atos, não quero permanecer sob o vexame de semelhante suspeita, pois para mim isso não seria ofensa de somenos valor, mas sim uma profunda injúria, qual a de ser por vós, e por meus amigos, considerado um traidor!”
                                           CORIFEU
     “Talvez essa acusação injuriosa lhe tenha sido ditada pela cólera momentânea, e não pela reflexão.”

Creonte e Corifeu em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

    Swords05 (5) O 5 de Espadas é considerada por muitos uma das cartas mais cruéis do tarot, senão a mais difícil de ser interpretada. Ela indica derrota, incapacidade, perda, abatimento, ser vencido. Quando ela surge numa leitura, sempre dependendo, logicamente, do assunto proposto pelo Consultante e pelas demais cartas e suas disposições, pode indicar que o Consultante acredita que será derrotado em algum de seus projetos ou expectativas. É sintoma de pensamentos negativos, de ser dominado, de covardia. Simboliza a perda de um concurso, prova, teste, competição, jogo, Pode, também, indicar atitudes problemáticas e bastante auto-destrutivas. É o retrato da perda da fé, da esperança, de sentir-se desprotegido. Espiritualmente o Consultante acredita que o diabo (ou o nome que preferir dar para as forças maléfica, para o que é negativo, aditivo, desorientador) encontrou uma brecha em suas defesas psíquicas e se aproveitou disso para “instalar-se”. É também sinal de conflitos, batalhas, guerras sangrentas. Pode, em alguns casos, indicar uma piora no estado de saúde do Consultante devido ao seu estado mental (somatização). É, enfim, perder a batalha (mentalmente) antes de começar a lutar.

     O 5 de Espadas, em algumas leituras, sempre dependendo de uma série de fatores como o tema da própria, a sua localização no esquema escolhido e as outras cartas que lhe são próximas, pode indicar fraqueza, sentir-se de ponta-cabeça, inábil para defender-se. Necessidade de alterar-se planos. Estar em desvantagem e energeticamente deficiente. Entrar em combate com adversários muito melhor preparados. Não estar fisicamente bem. Procurar auxílio de alguém e a pessoa recusá-lo de maneira bruta. Pode ser prenúncio de problemas que ocorrerão com alguém amigo do Consulente. Fazer um apê-lo e não ser atendido. Sentir que as pessoas o acham inadequado para uma determinada função ou para lidar com uma situação.

     Ainda que as desgraças que algumas vezes se abatem sobre nós possam nos fazer querer dibrá-las, enganando o destino, tornando-nos frios e calculistas com a experiência, o ideal seria aceitá-las e compreendê-las como eventos e consequências naturais dentro do grande esquema da vida. É preciso então render-se. Como diz o ditado: “Se não há solução, solucionado está.”, ou seja, se não temos reais condições de vencer esse obstáculo, ou o custo para o fazermos será elevado demais, o melhor e nos rendermos, olharmos para o futuro e nos lembrarmos que “isso também passará”. Devemos evitar acusarmos os outros ou querermos nos vingar pela nossa derrota, pois é evidente que essa atitude só agrava ainda mais qualquer situação. Se não é possível vencer, o melhor que se tem a fazer é afastar-se.

     Em “Édipo Rei”, seu autor, Sófocles, coloca isso muito claramente em diversos pontos do texto. A irritação de Creonte, cunhado (e tio, sem que ele saiba) de Édipo contra as acusações do Rei são respostas às acusações sofridas por ele, anteriormente. Édipo, em seu desespero de conseguir solucionar o problema que consome a vida em seu reino, e não obtendo respostas objetivas, começa a disparar incriminações contra Tirésias, o sábio vidente e contra Creonte, insinuando que eles armam um complô para roubar-lhe a coroa.

     O Corifeu, que nas tragédias gregas era a figura (o ator) que representava o chefe do coro, acrescenta um comentário, com o intuito de aplacar a ira de Creonte, de que Édipo teria dito o que disse numa explosão de cólera, num momento de desiquilíbrio, sem pretender realmente dizer a insensatez que dizia. Essas palavras não são apenas de consolo ou de pacificação, mas são, como subtexto, uma crítica à conduta do Rei que, agindo de forma compulsiva, motivado por um Ego exaltado, acaba por auto-desmoralizar-se. É um comentário de que não se deve ceder ao ódio, à raiva, ou ao demais estados emocionais negativos, pois esses ataques e energias ruins acabam se voltando contra que as elaborou e proferiu. Em situações como o 5 de Espadas, devemos fazer o esforço de continuarmos a cultivar nossos corações e espíritos para que eles espelhem a beleza do divino que nos abita, ao invés do caos que nos rodeia.

     Nesta segunda-feira, com a Lua Nova em Cancer, e sob os auspícios das energias dessa carta cujo equivalente astrológico é Vênus em Aquários, poderemos nos dedicar à solução de problemas que há muito estão esperando para um esclarecimento. Mas tudo isso feito de maneira muito bem equilibrada e firme, sem querer encontrar um culpado para as situações, pois nossa função não é exatamente a de Juiz.

     No antigo Império Romano, na data de hoje, e nos próximos 2 dias, era celebrado um culto especial a Dea Dia, uma deusa muito semelhante a Ceres, até mesmo porque estava ligada à idéia de renascimento, crescimento, abundância, a agricultura, a primavera. Nessas ocasiões eram sacrificados, em homenagem à Dea Dia, um boi, uma leitoa e um carneiro, que antes eram levados em procissão ao redor dos campos cultivados.

     Acredito que possamos transladar essa figura, e seu culto, das páginas da mitologia para a nossa experiência diária, encarando o trabalho (o campo) de onde tiramos o nosso sustento, a nossa sobrevivência) com um olhar benevolente, e merecedor de determinadas ações (sacrifícios) para que possam produzir o melhor e o mais abundantemente: dedicação, respeito, agradecimento.

     Tenham todos um excelente início de semana!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Carta do Dia: 2 DE ESPADAS

                                                      ÉDIPO
     “Ó meus filhos, tão dignos de piedade! Eu sei, sei muito bem o que viestes pedir-me. Não desconheço vossos sofrimentos; mas na verdade, de todos nós, quem mais se aflige sou eu. Cada um de vós tem a sua queixa; mas eu padeço as dores de toda a cidade, e as minhas próprias.Vossa súplica não me encontra descuidado; sabei que tenho já derramado abundantes lágrimas, e que meu espírito inquieto já tem procurado remédio que nos salve. E a única providência que consegui encontrar, ao cabo de longo esforço, eu a executei imediatamente. Creonte, meu cunhado, filho de Meneceu, foi por mim enviado ao templo de Apolo, para consultar o oráculo sobre o que nos cumpre fazer para salvar a cidade.”…

                                         ………………………………….

                                                    CREONTE
     “Tendo sido morto o rei Laio, o deus agora exige que seja punido 0 seu assassino, seja quem for.”
                                                        ÉDIPO
     “Mas onde se encontra ele? Como descobrir o culpado de um crime tão antigo?”
                                                    CREONTE
     “Aqui mesmo, na cidade, afirmou o oráculo. Tudo o que se procura, será descoberto; e aquilo de que descuramos, nos escapa.”

                      ÉDIPO fica pensativo por um momento
                                                       ÉDIPO
     “Foi na cidade, no campo, ou em terra estranha que se cometeu o homicídio de Laio?”


“Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

  Swords02 (5)    Tebas perece assolada por uma praga que mata os animais, não permite que as mulheres engravidem, e deixa o solo estéril. A cidade definha. Enquanto aguarda o retorno de Creonte, trazendo uma mensagem da pitonisa do Templo de Apolo, Édipo recebe, nas escadarias de seu palácio, a população que, através do sumo-sacerdote, implora-lhe uma solução para o mal que os aflige. A chegada de Creonte, com a resposta do oráculo dizendo que a causa dos infortúnios é o fato de Tebas abrigar entre seus muros a presença do assassino de Laio, ex-Rei, traz um fator de agravamento da angústia vivida por Édipo. Quem é esse assassino que se esconde entre eles? Como encontra-lo e, eliminando-o, erradicar a maldição que sacrifica o seu reino?

     O 2 de Espadas é uma carta que nos mostra que estamos lidando com o isolamento. O intelecto, sozinho, pode nos conduzir a uma forma obsessiva de pensar. Nós analisamos e analisamos, uma, duas, três, muitas vezes, e não chegamos a lugar algum. Nada concluímos. Isso implica pensar que deveríamos descartar  nosso lado racional? Não. Isso significa que devemos equilibrar e integrar esse nosso lado lógico, intelectual com outras funções da consciência. Assim como precisamos de emoções para vitalizar os nossos pensamentos, nós precisamos da razão para controlar o nosso mergulho nessas mesmas emoções.

     O significado primário do 2 de Espadas é de que há algo que não desejamos ver, não desejamos nos conscientizar. E por que isso? Porque não queremos agir. Não queremos tomar uma atitude. Se não vemos o motivo do problema, nos consideramos isentos de nos responsabilizarmos por ele.  Ao saber do descontentamento e das dificuldades que seus súditos estão sofrendo, Édipo envia Creonte, seu cunhado, ao oráculo de Delfos em busca de respostas. Ele, que havia destruído com sua arguta inteligência a Esfinge, o terrível monstro que assolava com a sua presença a cidade-estado de Tebas, sente-se inapto para solucionar a crise pela qual o seu povo está passando, com a peste que agora os dizima e recorre às profecias dos deuses. 

     Essa carta nos fala de uma decisão, de uma escolha que necessitamos tomar e que, possivelmente, não estamos aptos a fazer. Isso frequentemente acaba nos paralisando, deixando-nos sem ação, imobilizados num rosário de dúvidas. É quando a mente nos falha, nos impedindo de fazer uma opção, escolher um caminho ou de imaginar uma solução que seja viável para uma determinada situação. Édipo, enquanto busca uma solução para o problema, começa a perceber que há algo mais profundo, algo mais tenebroso ligado a ele. O esclarecimento das razões que motivaram a ira dos deuses, castigando Tebas, seu reino, com a peste, vai revelar-se um convite para que ele retire as “vendas da ignorância” de seus próprios olhos e tome uma atitude ativa, participativa na ação. Ao invés de valer-se de emissários para obter respostas, ele mesmo conduzirá o processo, sendo o inquisidor implacável, o acusador irascível, o juiz, o carrasco e… o próprio culpado.

     Quando o 2 de Espadas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição no esquema escolhido e das cartas que o acompanham, além da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar que ele não deve se entrincheirar em incertezas e nem fingir-se de cego ou de desentendido. Deve procurar expandir sua visão, seus horizontes. É chegado o momento de questionar-se o quanto participa ativamente da sua própria vida. Será que o Consultante vê as coisas como elas realmente o são? O quanto ele está experimentando uma dicotomia, vítima de seu pensamento dualista? Representa uma ruptura na harmonia. O Consultante pode estar se sentindo em meio a dois fogos cruzados, no meio de uma batalha, pressionado por lados opostos.

     Já mais positivamente essa carta pode representar um período de tranquilidade, de serenidade para enfrentar as situações mais difíceis. Essa trégua em meio à batalha, esse tempo de paz e de harmonia pode possibilitar novas oportunidades de prosperar ou, então, do Consultante poder vivenciar um período muito propício ao crescimento pessoal. A paz é mais poderosa que a batalha, pelo menos nesse momento da sua vida, e o que é importante é que ele tome as atitudes corretas para que esse desenvolvimento continue. Talvez o Consulente não tenha todas as peças do quebra-cabeças mas, por enquanto, é preferível que ele deixe as coisas como estão.

     Nesta sexta-feira, dia regido por Vênus e com a Lua Nova em Gêmeos, é aconselhável que evitemos racionalizar os nossos sentimentos e com isso contenhamos uma certa agressividade. Há que buscar-se o equilíbrio, harmonizando os elementos em nós, ou seja, balancear a razão com a emoção, a intuição com a praticidade, a lógica com a espiritualidade. A meditação, a prática esportiva, o convívio revigorante com a família e os amigos, tudo pode contribuir para que estejamos alertas e aterrados,  e ao mesmo tempo vivenciando nossos sentimentos e nos reconectando com o Divino que nos habita.

     Tenham todos um dia bastante gratificante em termos de soluções práticas e de paz interior!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Carta do Dia: 7 DE COPAS

Cups07      Ela saiu do almoço com sua mãe e caminhou o pouco que a distanciava da orla da praia. O sol brilhava forte e o céu da tarde estava de um azul cristalino. Decidiu sentar-se num quiosque e tomar uma água de coco enquanto tentava dar um sentido ao turbilhão de pensamentos e emoções que tomavam conta dela.

     Pensou no que a mãe lhe dissera a respeito do problema vivido com o pai, antes dela nascer. Seriam seus ciúmes irreais? Estaria ela, também, vendo “fantasmas” onde nada havia? E se, na verdade, o marido e a ex-noiva estivessem mantendo um “caso” e usando a desculpa do trabalho e das constantes viagens como disfarce? E se ela voltasse ao apartamento dos pais deles e, chorando, contasse o que estava acontecendo e pedisse que eles intercedessem por ela? E se eles se recusassem e ela finalmente descobrisse que eles preferiam a ex-noiva a ela? E se ela procurasse o antigo namorado, o surfista que havia retornado depois de anos no Havaí e que estava abrindo uma fábrica de pranchas? Como será que ele estava? Será que ainda pensava nela com o mesmo carinho e desejo de antes? A amiga havia sugerido que sim, quando falou sobre ele… E se ela aceitasse o convite da empresa que trabalhara para fazer aquele estágio em Paris? Quem não sonha ir estudar por um ou dois anos na Cidade Luz? E se na Europa ela viesse a conhecer um outro alguém que a amasse como ela sempre pretendera? Mas, e depois, quando o curso acabasse e ela tivesse, por uma questão de compromisso com a empresa, de voltar ao Brasil? Como ficaria a situação dela com esse novo homem? E se ela simplesmente voltasse a trabalhar, interrompendo a licença, preenchendo novamente seus dias com as reuniões de grupo e com fornecedores, voltasse a estudar planilhas de vendas, dedicasse seu tempo à criação de novas estampas e ficasse “antenada” com tudo o que se estava fazendo em moda? E se ela ligasse para ele, agora mesmo, e pedisse desculpas, se humilha-se, reconhecesse que estava completamente errada, morta de ciúme e inveja da outra? E se ele desligasse o telefone sem lhe dizer nada? E se ele atendesse da forma amorosa de sempre e dissesse que ela fosse encontra-lo imediatamente onde quer que estivesse? E se ele confessasse que sim, que estava apaixonado mesmo pela ex-noiva e que iria entrar com o pedido de divórcio assim que voltasse? E o que seria da vida dela sem ele? E o que…

     _”Mais uma água de coco, madame?”

     Saiu daquele turbilhão de fantasiosas idéias com a voz do  vendedor de coco. Agradeceu, pagou e saiu caminhando pelo calçadão. Estava confusa. Ela, que sempre se considerou uma mulher altamente criativa, pronta sempre para enfrentar todos os desafios da forma mais racional possível, analisando-os por partes, estudando seus detalhes e suas implicações, não se deixando iludir pelas aparências e procurando encontrar sempre a melhor saída para os problemas… quando foi que ela se tornara essa mulher indecisa de agora? Em que recanto dela mesma estivera escondida essa criatura insegura, amarga, dependente, presa à idéias confusas, mal estabelecidas, vivendo de pedaços de pesadelos? Ela mesma não mais se reconhecia.

     Resolveu que deveria ir para casa e, novamente, ligar para ele. Conversariam novamente e ela mais calma, mais controlada, lhe contaria das suas desconfianças, dos motivos que a levaram a desesperar-se, do medo profundo de perder o seu amor, da enorme saudade que sentia dele e se desculparia pelo vexame do telefonema anterior. Ele, que sempre fora compreensivo, educado, carinhosíssimo com ela, iria ouvi-la e com certeza diria algumas palavras sábias e amorosas que poriam fim a todo esse episódio. E então ele iria dizer, pela zilhonésima vez que a amava, que não poderia nunca pensar em viver sem ela, que ela era única, que era a mulher que ele sempre sonhara, que…

     _“Ooooooo, tia! Qual é? Quer que eu atropele você? Não sabe que não pode ficar andando na pista das bikes! Pow!… Cuidado, aí, viu?”

     Nem havia percebido que quase fora atropelada por um ciclista. Refez-se do susto e desculpou-se com um sorriso sem graça. O sol estava começando a descer no horizonte e a maré desmanchava as marcas deixadas na areia. Olhou para o céu, que começava a mudar de cor, tingindo-se dos laranjas e dourados do poente. Resolveu que era hora de voltar. Havia um longo telefonema internacional a ser dado.

     Quando um 7 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que lhe são próximas, além da questão que importa ao Consultante, pode simbolizar estar vivendo de sonhos e ilusões, de desejos tolos. Erros de julgamento. Iludir-se. As coisas podem parecerem boas por fora, mas na verdade não têm nenhuma consistência. Dar importância a assuntos, desejos, situações que não têm nenhuma importância. Querer símbolos de sucesso e não qualidade, como por exemplo, comprar roupas e acessórios de “marcas famosas” na banquinha do camelô… Ou achar que a “marca famosa”, mesmo sendo verdadeira, vai acrescentar algo de importante à vida. Aparentar que tem tudo, quando na verdade nada tem. Querer causar inveja ou ciúme nos outros. Materialismo. Algo estragado, corrupto, podre sob uma aparência atraente. Egoísmo.

     Dependendo sempre do contexto da leitura e das demais cartas, o 7 de Copas também pode estar significando o fato do Consultante abandonar os desejos e vontades tolas e enfrentar a realidade. Fazer escolhas apropriadamente solidas baseadas em fatos concretos. Regenerar a sua força de vontade para que ela lhe auxilie a atingir melhores propósitos. Erguer-se sobre as próprias pernas e assumir a responsabilidade de descobrir a verdade. Desanuviar a mente sonhadora. Ver as coisas como elas realmente são. Saber o que importa e não interessa. Encontrar a verdade dentro de si mesmo.

     Nesta quarta-feira, tendo como regente Mercúrio, representado por aquela figura com os pés alados que, célere, voa longas distâncias entregando notícias, não é de se surpreender que seja o Dia Nacional das Comunicações. Com uma Carta do Dia como o 7 de Copas podemos interpreta-la de tal forma que se expressarmos  nossos sonhos, nossas fantasias, nossos medos e nossas angústias, comentando-os com nossos melhores amigos ou profissionais adequados, estaremos contribuindo para evitar que eles se transformem em verdadeiras neuroses. Que procurar a verdade, através do diálogo franco, amistoso, sensato e racional é um dos melhores caminhos que podemos escolher para acabarmos com dúvidas e incertezas. Que interagir com os outros significa ouvir e ser ouvido, comentar, discutir e partilhar sentimentos e emoções.  O 7 de Copas é astrologicamente equivalente a Vênus em Escorpião, que, a grosso modo, simboliza um desejo de intensificar o drama, fazer com que as coisas pareçam piores, ou melhores, do que realmente o são. Portanto o uso do conhecimento (a verdade), a capacidade de raciocínio lógico, a percepção apurada e a astúcia de Mercúrio, o mensageiro, podem perfeitamente nos ajudar a esclarecer as situações através do diálogo honesto, refreando vôos de pura fantasia.

     Que as notícias desta quarta-feira tragam alegria, paz e harmonia para todos!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Carta do Dia: 9 DE PAUS

Título

Senhor da Grande Força

Elemento

Fogo

Arcanjo

Gabriel

Nome Divino 

Shaddai El Chai

Mundo Cabalístico

Atziluth (mundo da emanação)

Sephirah

Yesod (Alicerce)

Correspondência Astrológica

Lua em Sagitário

Planeta 

Lua (fertilidade)

Pedra

Quartzo

   Wands09 (2)   Conforme nos aproximamos do fim (ou começo?) das cartas numeradas do tarot, mais próximos estamos da realização daquilo que pretendemos. O 9 (nove) é o último dos números de um único dígito e representa um final de ciclo. O número que o segue, o 10 (dez) é um fim e um começo ao mesmo tempo pois pode ser decodificado como a unidade (1) e o potencial (0). Numericamente, se reduzirmos o 10 (1+0=1) obteremos, novamente, a unidade. Portanto o 9 simboliza o clímax, o ponto mais elevado de um ciclo. O número 9 liga-se à Marte, cujas características podem ser descritas como sucesso, batalha, intransigência.

     E é nesse momento que encontramos o nosso amigo empresário, de quem venho contando o percurso da expansão de sua rede de restaurantes além-fronteiras. Como homem experiente que é, e profissional altamente qualificado, ele sabe reconhecer todas as etapas do processo de desenvolvimento de um projeto e, neste caso, baseando-se em fatos concretos, visto o sucesso obtido pelas primeiras unidades de suas churrascarias no exterior, ele está cônscio de que tudo saiu conforme o esperado. As filiais norte-americanas estão em pleno funcionamento, obtendo os lucros previstos, implantando sua marca no mercado estrangeiro, agradando a clientela que cresce cada vez mais e obtendo as melhores críticas dos órgãos de divulgação especializados. Assim como a sua extensa rede de churrascarias brasileiras, essa conquista do mercado norte-americano revela-se altamente promissor e novas unidades já começam a serem criadas em outras cidades e estados, consolidando a rede em todo o país.

     As dúvidas iniciais, o questionamento sobre a viabilidade do projeto, a resistência à abertura de uma sociedade, os impasses quanto o seu interesse particular em, nesse momento de sua vida, já realizado, arriscar num projeto que ultrapassasse as fronteiras, tudo isso, que já vimos nos dias anteriores ao comentarmos as demais cartas do naipe de Paus, já é passado. Agora ele tem os olhos voltados para o futuro e, como a pessoa sábia que é, tem a exata noção de que a manutenção desse sucesso é tão trabalhoso, tão excitante e pode vir a ser tão recompensador quanto as etapas primeiras, que o originaram.

     Novos produtos devem ser criados para cativarem outras fatias de consumidores e atraí-los para os seus estabelecimentos. Adaptações e modificações são esperadas, para atualizar o produto que oferece ao padrão de qualidade e ao interesse da clientela. Novas campanhas publicitárias serão pensadas para fazer com que sua marca seja cada vez mais divulgada e venha a se tornar um símbolo de desejo, uma grife de moda, algo cuja menção signifique prazer, satisfação, exclusividade. Certamente discussões acontecerão entre os sócios visando sempre o ajuste entre diversos pontos de vista. Muita diplomacia ainda será usada. Tudo isso, nosso amigo empresário tem consciência, entretanto ele está perfeitamente preparado para esses embates. Ele não só está atento para a competição, que tende a aumentar, mas às tendências do mercado na área em que atua. Desde o valor do gado que fornece a carne, das possibilidades de doenças, das oscilações do mercado internacional, passando pelo controle dos produtos adquiridos de terceiros e de novos fornecedores que certamente surgirão oferecendo novas variedades, ao interesse sobre as oscilações econômicas e, portanto, a possibilidade de uma retração ou aumento da sua clientela, a tudo isso ele, experiente negociador e incansável trabalhador, está atento. Podemos, então, dizer que ele vive um momento de 9 de Paus.

     Quando o 9 de Paus aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de como está situado na jogada e por quais cartas se faz acompanhar, além, evidentemente, da questão que interessa ao Consultante, ele pode simbolizar estar suficientemente maduro para encarar os desafios, sabendo lidar com a pressão, a oposição, os obstáculos e demais desafios que possam surgir pelo caminho. É estar harmonizado, equilibrado, sentindo-se forte e, portanto, atento, disposto, energizado, seguro de si, pronto para, se necessário, defender suas opiniões e seu território. É não ter pressa, saber que a demora pode ser benéfica se ela evitar ações estapafúrdias, impensadas, impetuosas sem estarem suficientemente embasadas. É adiar para poder ganhar tempo para melhor avaliar a situação. É ter coragem para enfrentar os desafios que possam surgir. Pode, também, significar estar atento à saúde, fazendo exames que assegurem o perfeito funcionamento físico ou mental.

     Mal posicionada, essa carta nos remete à idéia de distração, de negligência. Pode também significar que o Consultante esteja sendo vítima, ou causador, de calúnia, maledicência, atitudes ou comentários irrefletidos e imprudentes. Pode, em determinadas circunstâncias, representar uma forma de sacrifício ou martírio que o Consulente está sofrendo. Delegar poderes a outros, sentir-se despreparado, doente, incapaz de levar a termo uma situação, sentir-se sobrecarregado ou ter um caráter fraco, por demais submisso, também fazem parte do repertório de características “sombra” do 9 de Paus.

     Nesta sexta-feira, dia consagrado a Vênus, planeta que representa também harmonia e gratificação, é interessante que meditemos o quanto de reserva de resistência temos acumulado para defendermos nossos projetos, nossos ideais, nossas posições frente às possíveis adversidades. Talvez seja interessante pensarmos se não seria interessante aguardarmos, tranquila, porém disciplinadamente, o momento propício para expormos nossas idéias ou mesmo avançarmos em nossos projetos. A Lua em Sagitário, que é a correspondência astrológica da nossa Carta do Dia, nos faz recordar que todo sucesso é acompanhado de alguma apreensão e da possibilidade de discórdia. Isso é até natural, se pensarmos que é uma questão de equilíbrio e um estímulo para que continuemos em busca de melhorarmos sempre, em todos os aspectos da nossa vida.

Tenham todos um ótimo e bastante estimulante dia!

Imagem: TAROT DE DALI

sábado, 6 de março de 2010

Carta do Dia: REI DE OUROS

Elemento Terra  (fogo, terra)
Signo Touro
Planeta Vênus em Touro
Temperamento Bilioso-Melancólico  (bile preta)
Nome Esotérico Senhor das Terras Férteis e Incultas
Alquimia Sal,  o Sal da Terra, o princípio materno
Tetragramaton YOD,  energia instigante
Cabala Chokmah (sabedoria) em Atziluth (emanação)
I Ching Ken,   quietude, silêncio interior, imobilidade
Arquétipo Afro Oxum: divindade da terra
Fase da Vida Velhice
Dia da Semana Sábado,  regente Saturno
Fase da Lua Cheia,  em Sagitário
Casa Zodiacal Peixes,  regente Netuno
Ano 2010 (=3),  regente Vênus

    rei de ouros Inicio, neste sábado, a série de Ouros (pentáculos, discos, pedras, moedas, diamante), cujo elemento é a Terra e portanto representam recursos pessoais e a própria essência do nosso ser. Fala-nos das nossas capacidades (ou da ausência delas), do mundo visível e concreto, daquilo que nos faz sentir seguros e em que confiamos e, também, da maneira que podemos ser úteis para os outros e para nós mesmos.
     Esse naipe representa tudo o que nos define da forma e maneira que somos. Pode ser no trabalho, nossos talentos criativos, nossa competência em produzir, nosso propósito de vida, nosso grau de segurança, nossa saúde. Além da pele, dos ossos, da massa corporal que constituem nosso corpo físico, Ouros também relaciona como vemos o mundo exterior a partir do nosso mundo interior, ou seja, se temos ou não uma perspectiva realista de vida. Somos ambiciosos? Estamos conectados com a Natureza? Enfim, as 14 cartas do naipe de Ouros do tarot se referem à maneira como percebemos a realidade que nos cerca.
     Comecemos, então, pelo Rei de Ouros, que como todos os Reis no tarot, eles são relacionados com o elemento Fogo, que é a força motivadora, a paixão, o desejo exaltado em construir e conquistar. Eles, devido à sua posição hierárquica, estão relacionados à carta do Imperador, Arcano Maior IV, e tal e qual ele, são grandes planejadores, motivadores, comandantes e criadores. São aqueles que desafiam a todos a formarem o reino. Por isso mesmo eles, numa leitura, podem indicar uma motivação, um desejo ou o início de um novo projeto, o estruturar de novos negócios, novas idéias em como ganhar dinheiro ou produzir algo.
     Se há uma coisa que devemos nos lembrar quando trabalhamos com os Reis é que, apesar de serem grandes forças impulsionadoras, eles atuam no âmbito da “coroa”, ou seja, da cabeça, no plano mental. Eles podem mover montanhas com seu entusiasmo e energia, mas não conseguem realizar sozinhos. Todos aspiram conquistar situações privilegiadas e poderem contar sempre com a lealdade da família e dos amigos, especialmente.
     Representam, normalmente, pessoas influentes, líderes, pessoas às quais as demais recorrem por conselhos e outras formas de ajuda. Frequentemente são teimosos e absolutamente conscientes de que são donos da verdade.
     Não é diferente com o nosso Rei de Ouros. Pense nele como um velho fazendeiro e que o seu reino seja a sua fazenda, o seu negócio. Orgulhoso e autoconfiante, esse respeitado indivíduo poderá ser um funcionário do governo, um arquiteto, engenheiro, construtor, agricultor e, surpreendentemente, um artista. O que quer que ele seja, estejam certos de que ele trabalhou muito, “suou a camisa” para chegar lá, e, podem apostar: ele não vai abandonar seu cargo, sua posição, tão facilmente.
     Ainda que, por vezes, ele pareça ser frio ou distante, ele também pode ser absolutamente charmosos e engraçado, contando estórias, fazendo piadas, quando com a família e amigos. E, sobretudo, ele é fiel e confiável, gentil e atencioso, sempre pronto para ajudar, sem nunca esperar retribuição. Mas, se em algum momento ele for ajudado por alguém, estejam certos de que ele encontrará, o mais rápido possível, uma forma de retribuir, pois detesta depender dos outros ou, mesmo, ficar devendo. Excelente pai e esposo, vai providenciar para que nada falte para a sua família, sendo-lhes sempre presente, fazendo seu melhor pelo seu conforto e necessidades. Entretanto espera deles o mesmo comportamento responsável, trabalhador e altamente disciplinado. Que ninguém espere dele expansivas demonstrações de afeto. O máximo que pode conseguir é um “bom trabalho!”, “estou muito orgulhoso de você”, “ótimo desempenho, parabéns!”. Afinal, partindo do Rei de Ouros isso é o mais alto elogio que ele pode oferecer.
     Quando essa carta aparece numa jogada de tarot, sempre dependendo da sua posição no esquema e das demais cartas que a cercam, além, evidentemente, da pergunta feita pelo consulente, ela pode indicar, entre outras coisas, que é chegado o tempo de uma notável elevação de status; que é chegada a hora da colheita e que ela será proporcional àquilo que foi plantado; que há grandes possibilidades de evolução na carreira e de aumentos salariais; que uma pessoa influente, provavelmente do sexo oposto, irá ajudá-lo a crescer profissionalmente; que deve manter um senso de praticidade ao lidar com os negócios, ou outras atividades;  tempo de compartilhar sua boa sorte com os demais, pois você pode ser generoso agora; ficar atento para evitar extravagâncias, pois pois poderão representar grandes perdas; cuidado com especulação, com dinheiro aplicado de forma pouco segura. Quando o consulente é casado, esta carta é sinal de que ambos parceiros atravessam uma fase de ótima vibração. Uma outra questão importante a ser considerada é a seguinte: está o consulente disposto a aceitar a prosperidade em sua vida?
     Este arcano, quando representa uma pessoa real não significa que seja homem ou mulher, mas sempre predominará uma atitude masculina na maneira de agir ou se comportar dessa pessoa. E, como não poderia deixar de ser, também um lado “sombra”, negativo, menos otimista que o acima descrito, se revela, quando mal dignificado numa leitura. Ele pode, então estar simbolizando crueldade, rudeza, usura, alguém desafiador, insensível, possessivo, ciumento, intolerante, dogmático, gozador, voluptuoso em excesso. Alguém que não confia nos outros, que é perverso, perigoso, um rancoroso rival, um amante insensível e decepcionante.
     Muitas vezes o mitológico Rei Midass, cuja ambição desmedida o levou a pedir aos deuses o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse, é usado como exemplo nas descrições do Rei de Ouros. Na verdade ele é o exemplo do lado “sombra”  desse arquétipo, do conceito errôneo de que dinheiro é bom ou mal, que nos traz, ou não, a felicidade. Ele é mais do que isso, como símbolo: fala do poder que a ganância (que é a ambição fora de controle, exaltada) tem de congelar sentimentos, enrijecer formas de pensar e agir, embrutecer tudo aquilo que vivenciamos como belo e digno.
     Podemos aproveitar, no dia de hoje, para refletirmos como estamos conduzindo os nossos negócios, como estamos tratando o nosso corpo, como estamos nos relacionando com o dinheiro. Vênus e Oxum estão atuando para que tenhamos idéias criativas, voltadas para o belo, para um alto sentido estético. Saturno, nos poda os excessos, nos obrigando a focar em nossas necessidades e favorecendo que façamos investimentos controlados e em aplicações bastante tradicionais. O Sal, como substância alquímica, é um catalisador e portanto favorece as reuniões de trabalho, as formações de grupos de estudo, a seleção de pessoal para execução de um projeto que tenhamos pensado e necessitemos de ajuda para executar.  A Lua está em seu último dia da fase Cheia, excessiva, portanto, aproveite o dia para por em andamento aquilo que deseja realmente concretizar, sempre, naturalmente, usando o bom senso, a razão, a intuição e o entusiasmo em doses equilibradas muito harmoniosamente.
     Tenham todos um excelente, saudável e criativo final de semana!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: PAJEM DE ESPADAS

Elemento Ar    image, (Terra do Ar)
Signo do Arcano Libra
Temperamento Colérico (bílis amarela)
Cabala Malkuth (reino) em Assiah (ação)
Tetragramaton HE (final), energia materializada
Lua Crescente (expansivo)
I Ching Sun:  image , o ar, o vento, dissolução
Elemento Alquímico Mercúrio, image a matéria mental
Sentidos Audição e Olfato
Fase da Vida Humana Juventude
Dia da Semana terça-feira, regência de Marte
Ano 2010 (=3), regência de Vênus
Período Peixes
Era Aquário, regência de Urano

 swordspageoriginal       O arcano de hoje nos fala de novas idéias, e, aproveitando esse conselho, a minha postagem será diferente das demais, sendo um convite que faço a você, que a lê, a meditar nas energias que o Pajem de Espadas representa. Portanto, se estiver disposto a esse pequeno exercício de meditação, basta que se sente confortavelmente em qualquer lugar silencioso por 10 minutos e procure visualizar as imagens que sua mente criar para o texto abaixo. Boa viagem!

     Feche os olhos. Respire profunda, rítmica e pausadamente, sem esforço, inalando pelo nariz e liberando o ar pelos lábios entreabertos. Inspire contando até 4. Prenda o ar, contando até 4. Solte o ar, contando novamente até 4. Tranquilo. Silencioso. Prestando atenção unicamente à sua respiração. Faça isso umas 10 vezes, procurando a cada inspiração acalmar mais e mais a sua mente. Deixe os pensamentos fluirem, mas não se detenha em nenhum deles. Deixe-os passar, como se fosse um filme no qual você não prestasse nenhuma atenção. Nada mais importa, a não ser o silêncio e o seu respirar. Profundo, calmante, tranquilizador.

     Imagine-se agora numa estação de trens. Visualize a estação, os trens, os vagões, o barulho distante das locomotivas, dos passos das pessoas. Ouça os sons, sinta os cheiros, veja as cores. Perceba o tamanho, o espaço ao seu redor. Olhe para o alto e veja o grande relógio que marca a hora das partidas. Repare que ele não tem ponteiros. O tempo está parado e é todo seu. Você está calmo e tranquilo, simplesmente olhando a passagem lenta dos vagões que vão abandonando a estação. Num deles, uma pessoa jovem lhe sorri e estende a mão. Lentamente o vagão passa à sua frente e a voz lhe diz:

     “Suba! Meu trem irá viajar por lugares maravilhosos. Venha!”

     Essa jovem criatura é o Pajem de Espadas, um mensageiro, um entregador de novas oportunidades oferecidas a você pelo Destino. O convite pode ser pequeno (um comentário, um encontro casual, um notícia lida ao acaso) ou grande (uma virada do destino) mas, independente de como chegue a você, sempre exige que se faça uma escolha. Você vai ou fica? Aceita ou recusa?  Sempre lhe traz um novo questionamento, uma nova chance. O que devo aprender? O que preciso estudar mais? Tenho ouvido o que as pessoas falam? Tenho ouvido à minha voz interior? Estou prestando atenção em tudo à minha volta e selecionando ao que devo dedicar ainda mais a minha atenção?

     Enquanto isso, já dentro do vagão vazio, onde apenas a figura jovial, alegre, de olhar esperto do Pajem de Espadas está sentada aguardando para lhe fazer companhia. Sente-se ao seu lado. Olhe pela janela e veja a paisagem. O dia está amanhecendo e os trilhos cortam uma paisagem ainda recoberta pela neblina.  Ainda que você esteja confortavelmente instalado dentro do vagão, você começa a perceber os sons do alvorecer, com os pássaros cantando, o barulho que o vento provoca nas folhas, os sons do campo e da floresta. Você está calmo, tranquilo, perfeitamente consciente de quem é e de onde está. Cada vez mais, a cada respiração profunda, sua visão parece se amplificar, e você consegue enxergar mais e melhor através da névoa e da distância. Os sons ficam cada vez mais claros, mais nítidos. Preste cada vez mais atenção, tentando ouvir o que normalmente você não ouviria. Ouça o silêncio. Ouça o seu silêncio interior.             

     Você também é um jovem atento, alerta, disposto, observador como o Pajem de Espadas. Sua visão é clara porque a sua audição é aguda. Você consegue separar vibrações distantes e profundas dos sons do dia a dia. E, como um mensageiro atento, sempre curioso e perspicaz, você sabe que não é o burburinho diário que deve exigir a nossa atenção mas, ao invés, é o silêncio, onde os verdadeiros e expressivos sons existem.

     Olhe mais uma vez a paisagem sendo iluminada pelo sol. Deixe-se penetrar por essa nascente claridade da manhã e sinta-se renascido, recuperado, curado, calmo, consciente, disposto. Volte a prestar atenção à sua respiração, harmonizando-a com o ritmo de seu coração, com a paisagem brilhante que está em sua mente. Tome consciência do espaço que o rodeia neste momento, ouvindo os seus sons. Respire profundamente. Tranquilamente e vá lentamente abrindo os olhos. Lentamente. Sem pressa. Mantendo um estado de tranquilidade e disposição. Olhe à sua volta e saiba que você pode, sempre que quiser, conectar-se com esse arquétipo, através de uma breve meditação. Ele poderá sempre ajudá-lo a perceber que quando a sua mente se inquieta não é motivo para temores. Simplesmente novas idéias estão surgindo e procurando maneiras de se concretizarem. Que podemos criar maravilhas com o nosso pensamento. Vivenciar esse Pajem é ser curioso, investigador, astuto, interessado e criativo. Viva-o com bastante energia!

     Aproveite este dia para planejar novas estratégias para o seu desenvolvimento pessoal, para os seus negócios, prestando atenção às notícias veiculadas, às conversas ouvidas, às mensagens recebidas. Faça uma mudança ou algo novo. Escolha um novo caminho para ir ao supermercado, por exemplo. Seus sonhos são um importante canal de comunicação, portanto fique atento ao que eles lhe dizem. Marte pede que você seja mais agressivo nos seus empreendimentos, portanto vá à luta, mas sempre sem perder o sentido de amor e beleza (Vênus)! Ofereça seus serviços, apresente seu trabalho, divulgue-se! Escreva, comunique-se, não fique parado (Mercúrio).Voe com o vento!

     Tenha um excelente e produtivo dia!