quinta-feira, 15 de setembro de 2011
SACERDOTE
Todos, em algum momento, sentimos necessidade de nos aconselharmos sobre algo sério, algo que necessita uma análise profunda, de um parecer especializado, diferente daquilo que até mesmo nossos melhores amigos podem oferecer. Precisamos de um profissional, experiente e sábio, que nos guie em nossa busca pela melhor solução.
O Padre, ou Sacerdote, ou Hierofante, representa essa pessoa que irá nos ajudar a reconhecer os erros cometidos no passado, permitindo que nos penitenciemos e absolvemos, alcançando uma libertação espiritual. Ele é um mediador, promovendo o encontro conosco mesmos e com as fontes que nos conectam com o Universo. Ele nos permite evoluir das sombras do passado em direção a um futuro muito mais brilhante e promissor. Essa carta é sempre um lembrete de que é importante resolver todas as pendências do passado a fim de avançarmos para novas e melhores experiências.
Portanto, aproveite a energia que essa eclesiástica figura irradia, e preste atenção na possibilidade de mudanças e novos direcionamentos em seus projetos. Importantes decisões devem ser tomadas com respeito, com sobriedade, com sabedoria e uma boa visão dos resultados finais. Sempre que necessário, busque ajuda especializada.
Alex Tarólogo
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O HIEROFANTE
Mais do que simples professores,
os mestres são aqueles que nos emancipam,
liberando-nos de uma técnica amadora,
de uma visão embaçada
e das nossas inseguranças pessoais
Paul Soderberg
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Carta do Dia: 2 DE ESPADAS
ÉDIPO
“Ó meus filhos, tão dignos de piedade! Eu sei, sei muito bem o que viestes pedir-me. Não desconheço vossos sofrimentos; mas na verdade, de todos nós, quem mais se aflige sou eu. Cada um de vós tem a sua queixa; mas eu padeço as dores de toda a cidade, e as minhas próprias.Vossa súplica não me encontra descuidado; sabei que tenho já derramado abundantes lágrimas, e que meu espírito inquieto já tem procurado remédio que nos salve. E a única providência que consegui encontrar, ao cabo de longo esforço, eu a executei imediatamente. Creonte, meu cunhado, filho de Meneceu, foi por mim enviado ao templo de Apolo, para consultar o oráculo sobre o que nos cumpre fazer para salvar a cidade.”…
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CREONTE
“Tendo sido morto o rei Laio, o deus agora exige que seja punido 0 seu assassino, seja quem for.”
ÉDIPO
“Mas onde se encontra ele? Como descobrir o culpado de um crime tão antigo?”
CREONTE
“Aqui mesmo, na cidade, afirmou o oráculo. Tudo o que se procura, será descoberto; e aquilo de que descuramos, nos escapa.”
ÉDIPO fica pensativo por um momento
ÉDIPO
“Foi na cidade, no campo, ou em terra estranha que se cometeu o homicídio de Laio?”
“Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.
Tebas perece assolada por uma praga que mata os animais, não permite que as mulheres engravidem, e deixa o solo estéril. A cidade definha. Enquanto aguarda o retorno de Creonte, trazendo uma mensagem da pitonisa do Templo de Apolo, Édipo recebe, nas escadarias de seu palácio, a população que, através do sumo-sacerdote, implora-lhe uma solução para o mal que os aflige. A chegada de Creonte, com a resposta do oráculo dizendo que a causa dos infortúnios é o fato de Tebas abrigar entre seus muros a presença do assassino de Laio, ex-Rei, traz um fator de agravamento da angústia vivida por Édipo. Quem é esse assassino que se esconde entre eles? Como encontra-lo e, eliminando-o, erradicar a maldição que sacrifica o seu reino?
O 2 de Espadas é uma carta que nos mostra que estamos lidando com o isolamento. O intelecto, sozinho, pode nos conduzir a uma forma obsessiva de pensar. Nós analisamos e analisamos, uma, duas, três, muitas vezes, e não chegamos a lugar algum. Nada concluímos. Isso implica pensar que deveríamos descartar nosso lado racional? Não. Isso significa que devemos equilibrar e integrar esse nosso lado lógico, intelectual com outras funções da consciência. Assim como precisamos de emoções para vitalizar os nossos pensamentos, nós precisamos da razão para controlar o nosso mergulho nessas mesmas emoções.
O significado primário do 2 de Espadas é de que há algo que não desejamos ver, não desejamos nos conscientizar. E por que isso? Porque não queremos agir. Não queremos tomar uma atitude. Se não vemos o motivo do problema, nos consideramos isentos de nos responsabilizarmos por ele. Ao saber do descontentamento e das dificuldades que seus súditos estão sofrendo, Édipo envia Creonte, seu cunhado, ao oráculo de Delfos em busca de respostas. Ele, que havia destruído com sua arguta inteligência a Esfinge, o terrível monstro que assolava com a sua presença a cidade-estado de Tebas, sente-se inapto para solucionar a crise pela qual o seu povo está passando, com a peste que agora os dizima e recorre às profecias dos deuses.
Essa carta nos fala de uma decisão, de uma escolha que necessitamos tomar e que, possivelmente, não estamos aptos a fazer. Isso frequentemente acaba nos paralisando, deixando-nos sem ação, imobilizados num rosário de dúvidas. É quando a mente nos falha, nos impedindo de fazer uma opção, escolher um caminho ou de imaginar uma solução que seja viável para uma determinada situação. Édipo, enquanto busca uma solução para o problema, começa a perceber que há algo mais profundo, algo mais tenebroso ligado a ele. O esclarecimento das razões que motivaram a ira dos deuses, castigando Tebas, seu reino, com a peste, vai revelar-se um convite para que ele retire as “vendas da ignorância” de seus próprios olhos e tome uma atitude ativa, participativa na ação. Ao invés de valer-se de emissários para obter respostas, ele mesmo conduzirá o processo, sendo o inquisidor implacável, o acusador irascível, o juiz, o carrasco e… o próprio culpado.
Quando o 2 de Espadas surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição no esquema escolhido e das cartas que o acompanham, além da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar que ele não deve se entrincheirar em incertezas e nem fingir-se de cego ou de desentendido. Deve procurar expandir sua visão, seus horizontes. É chegado o momento de questionar-se o quanto participa ativamente da sua própria vida. Será que o Consultante vê as coisas como elas realmente o são? O quanto ele está experimentando uma dicotomia, vítima de seu pensamento dualista? Representa uma ruptura na harmonia. O Consultante pode estar se sentindo em meio a dois fogos cruzados, no meio de uma batalha, pressionado por lados opostos.
Já mais positivamente essa carta pode representar um período de tranquilidade, de serenidade para enfrentar as situações mais difíceis. Essa trégua em meio à batalha, esse tempo de paz e de harmonia pode possibilitar novas oportunidades de prosperar ou, então, do Consultante poder vivenciar um período muito propício ao crescimento pessoal. A paz é mais poderosa que a batalha, pelo menos nesse momento da sua vida, e o que é importante é que ele tome as atitudes corretas para que esse desenvolvimento continue. Talvez o Consulente não tenha todas as peças do quebra-cabeças mas, por enquanto, é preferível que ele deixe as coisas como estão.
Nesta sexta-feira, dia regido por Vênus e com a Lua Nova em Gêmeos, é aconselhável que evitemos racionalizar os nossos sentimentos e com isso contenhamos uma certa agressividade. Há que buscar-se o equilíbrio, harmonizando os elementos em nós, ou seja, balancear a razão com a emoção, a intuição com a praticidade, a lógica com a espiritualidade. A meditação, a prática esportiva, o convívio revigorante com a família e os amigos, tudo pode contribuir para que estejamos alertas e aterrados, e ao mesmo tempo vivenciando nossos sentimentos e nos reconectando com o Divino que nos habita.
Tenham todos um dia bastante gratificante em termos de soluções práticas e de paz interior!
Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov
domingo, 17 de janeiro de 2010
Carta do Dia: O HIEROFANTE
“Nada posso lhe dar que não exista em você. Não posso lhe abrir um mundo além daquele que existe na sua própria alma. Nada posso lhe dar senão a oportunidade, o impulso, a chave. Eu ajudarei você a tornar visível seu próprio mundo, e isso é tudo”. Hermann Hesse
A semana passada foi ocupada com a organização de um calendário de cursos, palestras e seminários, para o primeiro semestre, num espaço holístico onde presto assistência. Meu trabalho baseia-se em conversar com os profissionais de diversas áreas, para saber do conteúdo programático que irá ser a base de suas aulas, além de outros detalhes como duração, horário, fornecimento de material de apoio e complementar, custos, valores, etc Enfim, foi uma semana muito rica, para mim, pois conheci novos profissionais, ouvi deles um pouco de suas histórias, seus trajetos, suas buscas e, como não poderia deixar de ser, suas dificuldades. O ser humano ali à minha frente e o mestre (professor, facilitador, orientador _ usem a expressão que preferirem) parecia, por vezes, revelar uma distância enorme entre a pessoa e o orientador, numa total dicotomia entre a sua vivência, a sua própria experiência, suas reações e expectativas e aquilo que demonstrava saber e estava ali para transmitir.
Quando o Hierofante surgiu como Carta do Dia nesta bela manhã de domingo (aliás, essa mesma carta havia saído há uma semana, no sábado dia 9) eu a tomei como uma mensagem bastante direcionada do Universo para mim no sentido em que eu também estive, durante toda a semana que findou, projetando minhas próprias ansiedades, expectativas, lacunas, dúvidas e dificuldades naquelas pessoas com quem tive o experiência de conhecer, conviver e trabalhar junto.
Conservo, ainda, algo de muito infantil quanto à figura de professores, conselheiros, gurus, mestres espirituais, representantes de religiões ou seitas. Algo como uma reverência por um conhecimento que eu imagino que possuam e do qual nunca me conseguirei absorver integramente a sua verdade. É um sentimento de respeito, de curiosidade, de um certo fascínio e, algumas vezes, até de temor. De uma maneira extremamente primária, parece-me às vezes acreditar que eles sejam serem distantes deste mundo, com um contato direto com uma divindade exterior que os utiliza como embaixadores de suas cortes celestiais. Evidentemente, estou racionalmente consciente de que não é absolutamente nada disso.
A busca de um caminho espiritual é algo comum a todas as pessoas e presente em todas as épocas da nossa vida, inclusive transcendendo a todas as formas de religião através das quais efetuamos a nossa busca. Essa procura por um sentido de existirmos, uma resposta que satisfaça os nossos questionamentos pode ocorrer em intensidades e épocas diversas e, não podemos descartar o fato de que muitas vezes nos lançamos nessa busca quando nos sentimos mais fragilizados emocional ou economicamente. Nesse caminho o encontro com pessoas que surgem como gurus, mestres, orientadores, sacerdotes, pastores, pais de santo, presidentes e conselheiros de ordens e seitas, acaba sendo inevitável e o que me parece mais difícil e mantermos a consciência de que eles nada ensinam, pois tudo o que precisamos saber sempre esteve presente dentro de nós. Não há uma verdade que possa ser transmitida por eles que já não viva no mais profundo de nossos seres. Nós somos nossa própria fonte e suprimento de conhecimento e a função do bom instrutor, mestre, professor, guru, é a de estimular-nos a atingir essa essência, esse ponto que poderíamos chamar de espaço sagrado, dentro de nós. Nesse sentido, sim, eles são embaixadores da divindade que existe em cada um de nós e a nossa mente desperta. Como iremos realizar esse encontro, através de quais caminhos, usando de que instrumentos e rituais, vai depender do nosso estágio evolutivo e das pessoas que escolhermos, através dos diversos ciclos de nossa existência, para nos auxiliar nesse reconhecimento.
Acredito que só nos aproximamos da nossa paz interior, do nosso “centro”, quando recuperamos algo que nos foi, através dos séculos, tirado: a certeza de que somos seres divinos e que a nossa verdadeira essência é divina. O homem sempre encontrou formas de manipular o semelhante fazendo-o acreditar que Deus (ou a idéia que cada um faz da divindade) habita fora de nós, seja no céu, seja nos templos e que portanto devemos realizar essa peregrinação em busca do nosso Criador através das instituições, normas, regras e recursos que se institucionalizaram durante a evolução da nossa espécie e que, em determinadas épocas, serviram como únicos códigos éticos, morais e legais disponíveis.
Quando o Hierofante aparece numa tiragem de tarot, entre as muitas possibilidades, e sempre dependendo das cartas que lhe são próximas, da questão formulada e da sua posição no esquema de disposição escolhido, ele pode representar ensinamento, explicação, conselho, organizações estabelecidas, grupos e associações, sistema de crenças, religiões, devoção, tradição, revelação, intermediação. Pode também estar a lhe dizer que você está se recusando a desapegar-se do passado e seguir em frente, ou lutando contra restrições que pessoas ou instituições que estão impondo e até mesmo que poderá haver um encontro com um mentor espiritual.
Se a Carta do Dia lida no primeiro dia da semana estiver a indicar a energia que regerá os próximos 7 dias, podemos pensar que este arcano nos avisa que intensificaremos o nosso devotamento ao crescimento espiritual, tendo fé no divino, no espírito e no processo usado para nossa busca interior. Que nessa nossa devoção iremos nos aperceber que a revelação (hier phaine, em hebraico) do que é sagrado, é o elo entre a nossa experiência exterior e nossa iluminação interior.
O Hierofante sabe que ensinar é, antes de mais nada, aprender.
Tenha uma ótima semana!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Carta do Dia: O HIEROFANTE
O Natal é um excelente exemplo de tradição, de rituais familiares e coletivos que conservamos e repetimos, acrescentando ou modificando algo (Afinal somos modernos! Os tempos são outros!) mas, à nossa maneira, eternizando e reverenciando a sua importância em nossas vidas.
Mesmo aqueles que criticam o "desaparecimento do verdadeiro espírito natalino", exorcisando o consumismo que abarrota lojas e calçadas, devem reconhecer que há um determinado momento, seja ele no instante em que se clica "enviar" naquele e-mail de saudações natalinas (tradição!), quando nos reunimos com os colegas de trabalho num restaurante para o anual "amigo secreto"(tradição!), quando enfeitamos a casa (tradição) seja com uma magnífica árvore com aveludados laços, espelhadas bolas e outros balangandãs ou com uma coroa natalina de R$1,99, antes da troca dos presentes (tradição!), durante ou após a farta ceia (tradição!), há pelo menos um instante de profunda interioridade em cada um de nós. Nesse instante parece-nos estarmos conectados com algo maior, uma força que nos une e nos dá significado. Uma ponte (Ponte = Pontífice = Hierofante = Sacerdote) que nos liga a um plano superior, espiritual.
Quando o Hierofante (também chamado de Papa) saiu na tiragem da Carta Diária na manhã de hoje, ri sozinho pensando o quanto essas energias estão ativas.
Esse respeitável senhor retratado na carta é o símbolo daquela nossa voz interior que sabe perfeitamente diferenciar o certo do errado, o divino do terreno, o espiritual do material, e que está sempre ali, dentro de nós, para estabelecer uma ligação entre a nossa consciência terrena e o conhecimento intuitivo que temos do código de ética de Deus. É a nossa consciência que se apercebe de que em toda a experiência vivida há uma lição de crescimento pessoal a ser aprendida. É o nosso conselheiro moral interior.
Essa nossa consciência, essa nossa voz interior nos auxilia, e muito, a formularmos e expressarmos uma filosofia pessoal e, com isso, ela nos revela a necessidade de encontramos um sentido espiritual em nossas vidas e, até mesmo, uma maior compreensão dessa nossa espiritualidade.
O Hierofante é também aquele analista que tanto nos ajudou a superar problemas tão difíceis, aquele professor que se empenhou para que nos tornássemos mais curiosos e questionadores, não aceitando tudo aleatóriamente; o guru que encontramos ao acaso (?) e que nos descortinou a possibilidade de harmonizarmos as partes animal e divina das quais somos feitos. É o advogado que nos orienta dentro do sistema de ordem e normas legais em que vivemos; o sacerdote que realiza o nosso casamento, com direito a véu, grinalda, corte de bolo e foto com as taças de champagne entrelaçadas. Sem esquecer dos assistentes sociais, sempre a postos para introduzir adequadamente o indivíduo na sociedade coscientizando-o de seus deveres e obrigações.
Por essa figura representar ortodoxia, ritos, tradições, o seu lado "sombra" muitas vezes nos deixa paralizados num emaranhado de leis, de normas e de comportamento apropriados a serem seguidos, a vestimentas corretas para essa ou aquela ocasião, a como e o que devemos celebrar, a como nos relacionarmos com nossos pais, nossos filhos, os mais velhos, nossos esposos, parceiros, amigos. Pode significar o conformismo, um modo de agir conforme a sociedade (leia-se: nossos pais, parentes, amigos próximos, empregadores, colegas de trabalho) esperam que o façamos. Portanto, cuide-se com os extremos.
Vivencie essa energia no dia de hoje, escrevendo as etiquetas para os presentes, como sua mãe fazia, colocando um novo enfeite feito pelas crianças sobre o aparador, ouvindo e cantando junto (é claro!) aquele CD com músicas natalinas "de hoje e sempre". Faça umas rabanadas, junte todos à volta da mesa e conte-lhes dos seus Natais. Seja, principalmente hoje, o Hierofante para alguém, ajudando-o a descobrir a Estrela Guia que brilha dentro dele e de cada um de nós.
Bom dia!

