Mais do que simples professores,
os mestres são aqueles que nos emancipam,
liberando-nos de uma técnica amadora,
de uma visão embaçada
e das nossas inseguranças pessoais
Paul Soderberg
Mais do que simples professores,
os mestres são aqueles que nos emancipam,
liberando-nos de uma técnica amadora,
de uma visão embaçada
e das nossas inseguranças pessoais
Paul Soderberg
JAMES RICKLEF, tarólogo, autor de diversos livros sobre o assunto (“Tarot: get the whole story”, “Tarot tells the tale”, entre outros, ainda não traduzidos e publicados no Brasil) e criador do TAROT OF THE MASTERS, em seu blog faz um exercício de livre-associação de idéias entre um texto (no caso, o clássico poema em prosa do filósofo, poeta e advogado norte-americano Max Ehrman (1872-1945),“Desiderata”) e as lâminas do tarot.
“Desiderata” é um dos mais belos textos sobre a necessidade de, sob quaisquer circunstâncias, manter-se a Fé, a Coragem, o Otimismo e a Esperança. Seu autor, exorta que “estejamos em paz com Deus, qualquer que seja a forma que o concebamos”, e a “mantermos a nossa alma em paz”. Ele ainda acrescenta que “com toda os enganos, sacrifícios e desilusões, ainda assim é um lindo mundo”.
Com a devida permissão de Mr. James Ricklef, reproduzo o poema e suas “anotações tarológicas”, às quais, a título de ilustração, acrescentei as cartas referentes do “Cosmic Tarot”.
“Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
a Alta Sacerdotisa ; Rei de Copas
Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.
Ás de Espadas ; Rainha de Espadas
Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
Cinco de Espadas ; Cavaleiro de Paus
Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você:
isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos.
Oito de Ouros ; a Roda da Fortuna
Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição
e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito e você estará preparado
para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui
e, mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida,
conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.
Cinco de Copas ; Cinco de Ouros
Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade".
DESIDERATA - Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja; aspiração.
Esse poema em prosa foi escrito pelo filósofo, poeta e advogado norte-americano Max Ehrman (1872-1945) em 1926.
Durante muito tempo acreditou-se ter esse texto sido encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692. Foi citado no livro "Mensagens do Sanctum Celestial", do Frei Raymond Bernard.
(c) Max Ehrman 1926
http://www.poetseers.org/the_great_poets/misc/desid/
| Título | Senhor do Trabalho Perfeito |
| Elemento | Fogo |
| Arcanjo | Tzadiel |
| Nome Divino | El |
| Mundo Cabalístico | Atziluth (mundo da emanação) |
| Sephirah | Chesed (Misericórdia) |
| Correspondência Astrológica | Vênus em Áries |
| Planeta | Júpiter |
| Pedra | Ametista |
Bom, chegamos àquele momento da história do nosso amigo empresário, que estamos acompanhando desde ante-ontem, com a carta do 2 de Paus, em que as coisas parecem estarem perfeitas, tudo em seu lugar, começando a darem os primeiros e significativos resultados.
Suas novas churrascarias, abertas em diversas cidades norte-americanas em sociedade com um grupo de investidores local, ficaram prontas, o pessoal treinado, a mercadoria estocada, a publicidade realizada nos mais importantes veículos de comunicação, as datas de inauguração agendadas e os convites enviados. Tudo rigorosamente feito conforme um elaboradíssimo programa que lhe custou, à sua equipe brasileira e ao pessoal estrangeiro, muitas semanas de conversas, discussões, trocas de informações, e desenvolvimento logístico. Agora é só esperar para que as portas dessas primeiras filiais estrangeiras, de sua extremamente bem sucedida rede de restaurantes nacionais, se abram e conquistem o público além-fronteiras.
Nosso amigo, com toda a razão, tem motivos suficientes para estar feliz e celebrar essa união de forças, além da sua intuição que sempre lhe valeu e a qual todos se referem com expressões como “tino para os negócios”, “faro para uma boa jogada comercial”, “talento para descobrir novas e prósperas saídas”. A nossa Carta do Dia, o 4 de Paus, é talvez uma das mais auspiciosas cartas de todo o tarot. Ela fala desse tempo, um tempo em que estamos felizes, satisfeitos, confiantes, otimistas e tranquilamente esperançosos, celebrando expansivamente a colheita daquilo que plantamos.
No 4 de Paus nós percebemos a real significância da sephirah (esfera) Chesed, na Árvore da Vida: a de ser a manifestação do amor, da bondade e da misericórdia Divinas. Vemos, também, o abundante transbordar de Júpiter, o maior e o mais expansivo de todos os planetas. É uma inebriante sensação de estar-se protegido, de confiança absoluta de que Deus (e, por favor, substituam a palavra por aquela que melhor lhes simbolize ou traduza a expressão daquilo que chamamos Divino) irá nos prover em tudo aquilo que necessitamos, incluindo a própria proteção. Quando confiamos profundamente nessa Divindade e no fato de que ela habita em nós _ nossa força de vida e nossa espiritualidade, nossa intuição, nossa voz interior _ então estamos prontos pra nos abrirmos para a vida, para o mundo, para as demais pessoas, compartilhando com elas a infinidade de benefícios dos quais somos receptores.
Com o 4 de Paus nós temos mais uma oportunidade de reconhecer que a coisa mais importante que podemos fazer com a energia simbolizada pelo naipe de Paus (elemento Fogo) é traze-la para o mundo real. É utilizá-la em nossas vidas, neste plano de existência. Quando estamos estamos inspirados, quando estamos recebendo a luz da inspiração, quando nos sentimos extremamente criativos, sabemos que temos que extravasar, que devemos expressar essa verdadeira força e compartilhá-la com os demais. Ainda que naturalmente experimentemos, durante nosso ciclo de vida, perdas, dores, fracassos e sofrimentos, se mantivermos nossa confiança em nós mesmos e na proteção que recebemos generosamente do Universo, poderemos não só superar essas difíceis etapas, esses obstáculos, e nos encaminharmos para um local, dentro de nós mesmo e das nossas vidas materiais onde haja uma farta colheita, um amoroso entrosamento entre as pessoas e motivos suficientes para serem celebrados.
Ultrapassado o período de dúvidas, de ansiedade, tendo confiado plenamente em si mesmo, na sua capacidade e nas da sua equipe, por ele formada, além de acreditar no seu “faro” para reconhecer boas possibilidades comerciais e parcerias, o amigo empresário vive agora umas merecidas férias, um período de descanso, de recuperação de forças, de festejar etapas vencidas, sucessos conquistados e o processo em andamento, preparando-se assim, física, emocional e psicologicamente para o próximo nível de combate. Sim, novas etapas ainda deverão serem vencidas para que a real consolidação de seu empreendimento se efetue. As lojas da cadeia norte-americana de suas churrascarias ainda deverão abrir e arregimentarem o público pretendido. É preciso que o padrão de qualidade seja mantido e, portanto, constantemente supervisionado. É necessário que os interesses dos sócios e suas expectativas sejam supridas. É preciso que toda uma máquina administrativa, agora com ramificações internacionais, continue a funcionar a contento e gerando os lucros pretendidos e, com isso, o retorno correto do investimento feito. Há, portanto, após esse alegre intervalo, um longo caminho a ser percorrido (lembrem-se que o naipe tem 10 cartas numeradas e que ainda estamos na 4ª…).
Quando o 4 de Paus surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que o cercam, além da questão motivadora da própria leitura, pode significar, harmonia, paz e tranquilidade. Uma impecável conclusão de eventos passados. A reunião da família, ou do grupo societário, em torno do amor e da abundância. Vitória sobre obstáculos passados. Prosperidade e saúde, além a sensação do surgimento de um novo romance. Tudo dá certo e provoca uma sensação de excitamento e de paz em seu coração. Beleza. Totalidade. Completude.
Mal posicionada, essa carta pode estar avisando que o tempo ainda não é chegado, que o Consultante ainda não está vivendo o tempo de começar a colher os frutos de seu investimento. Obstáculos que surgem e que atrasam os resultados. Problemas e erros que, finalmente, surgem à tona. Não sentir-se à vontade, ou inconfortável, dentro de uma determinada situação. Piora no estado de saúde. Estar desconectado com a sua energia espiritual. Período de estagnação. O trabalho estar movendo para uma direção perigosamente improdutiva.
Neste domingo, aproveite a criadora energia do Sol, regente deste dia da semana, para, em conjunto com a mensagem do 4 de Paus, descansar o físico e a mente, reabastecer-se das necessárias energias para dar continuidade a todos os seus sonhos, projetos, trabalhos, missões. Encontre sempre, e isso é muito importante, maneiras de celebrar as suas conquistas e sucessos, e inclusive, a dos outros. Sinta nisso uma forma de reconhecer os benefícios recebidos da Vida e de abrir-se para que mais abundantemente ele fluam em sua taça.
Tenham todos um ótimo domingo e celebrem, celebrem muito aquilo que desejarem ver mais e mais em suas vidas.
“Nada posso lhe dar que não exista em você. Não posso lhe abrir um mundo além daquele que existe na sua própria alma. Nada posso lhe dar senão a oportunidade, o impulso, a chave. Eu ajudarei você a tornar visível seu próprio mundo, e isso é tudo”. Hermann Hesse
A semana passada foi ocupada com a organização de um calendário de cursos, palestras e seminários, para o primeiro semestre, num espaço holístico onde presto assistência. Meu trabalho baseia-se em conversar com os profissionais de diversas áreas, para saber do conteúdo programático que irá ser a base de suas aulas, além de outros detalhes como duração, horário, fornecimento de material de apoio e complementar, custos, valores, etc Enfim, foi uma semana muito rica, para mim, pois conheci novos profissionais, ouvi deles um pouco de suas histórias, seus trajetos, suas buscas e, como não poderia deixar de ser, suas dificuldades. O ser humano ali à minha frente e o mestre (professor, facilitador, orientador _ usem a expressão que preferirem) parecia, por vezes, revelar uma distância enorme entre a pessoa e o orientador, numa total dicotomia entre a sua vivência, a sua própria experiência, suas reações e expectativas e aquilo que demonstrava saber e estava ali para transmitir.
Quando o Hierofante surgiu como Carta do Dia nesta bela manhã de domingo (aliás, essa mesma carta havia saído há uma semana, no sábado dia 9) eu a tomei como uma mensagem bastante direcionada do Universo para mim no sentido em que eu também estive, durante toda a semana que findou, projetando minhas próprias ansiedades, expectativas, lacunas, dúvidas e dificuldades naquelas pessoas com quem tive o experiência de conhecer, conviver e trabalhar junto.
Conservo, ainda, algo de muito infantil quanto à figura de professores, conselheiros, gurus, mestres espirituais, representantes de religiões ou seitas. Algo como uma reverência por um conhecimento que eu imagino que possuam e do qual nunca me conseguirei absorver integramente a sua verdade. É um sentimento de respeito, de curiosidade, de um certo fascínio e, algumas vezes, até de temor. De uma maneira extremamente primária, parece-me às vezes acreditar que eles sejam serem distantes deste mundo, com um contato direto com uma divindade exterior que os utiliza como embaixadores de suas cortes celestiais. Evidentemente, estou racionalmente consciente de que não é absolutamente nada disso.
A busca de um caminho espiritual é algo comum a todas as pessoas e presente em todas as épocas da nossa vida, inclusive transcendendo a todas as formas de religião através das quais efetuamos a nossa busca. Essa procura por um sentido de existirmos, uma resposta que satisfaça os nossos questionamentos pode ocorrer em intensidades e épocas diversas e, não podemos descartar o fato de que muitas vezes nos lançamos nessa busca quando nos sentimos mais fragilizados emocional ou economicamente. Nesse caminho o encontro com pessoas que surgem como gurus, mestres, orientadores, sacerdotes, pastores, pais de santo, presidentes e conselheiros de ordens e seitas, acaba sendo inevitável e o que me parece mais difícil e mantermos a consciência de que eles nada ensinam, pois tudo o que precisamos saber sempre esteve presente dentro de nós. Não há uma verdade que possa ser transmitida por eles que já não viva no mais profundo de nossos seres. Nós somos nossa própria fonte e suprimento de conhecimento e a função do bom instrutor, mestre, professor, guru, é a de estimular-nos a atingir essa essência, esse ponto que poderíamos chamar de espaço sagrado, dentro de nós. Nesse sentido, sim, eles são embaixadores da divindade que existe em cada um de nós e a nossa mente desperta. Como iremos realizar esse encontro, através de quais caminhos, usando de que instrumentos e rituais, vai depender do nosso estágio evolutivo e das pessoas que escolhermos, através dos diversos ciclos de nossa existência, para nos auxiliar nesse reconhecimento.
Acredito que só nos aproximamos da nossa paz interior, do nosso “centro”, quando recuperamos algo que nos foi, através dos séculos, tirado: a certeza de que somos seres divinos e que a nossa verdadeira essência é divina. O homem sempre encontrou formas de manipular o semelhante fazendo-o acreditar que Deus (ou a idéia que cada um faz da divindade) habita fora de nós, seja no céu, seja nos templos e que portanto devemos realizar essa peregrinação em busca do nosso Criador através das instituições, normas, regras e recursos que se institucionalizaram durante a evolução da nossa espécie e que, em determinadas épocas, serviram como únicos códigos éticos, morais e legais disponíveis.
Quando o Hierofante aparece numa tiragem de tarot, entre as muitas possibilidades, e sempre dependendo das cartas que lhe são próximas, da questão formulada e da sua posição no esquema de disposição escolhido, ele pode representar ensinamento, explicação, conselho, organizações estabelecidas, grupos e associações, sistema de crenças, religiões, devoção, tradição, revelação, intermediação. Pode também estar a lhe dizer que você está se recusando a desapegar-se do passado e seguir em frente, ou lutando contra restrições que pessoas ou instituições que estão impondo e até mesmo que poderá haver um encontro com um mentor espiritual.
Se a Carta do Dia lida no primeiro dia da semana estiver a indicar a energia que regerá os próximos 7 dias, podemos pensar que este arcano nos avisa que intensificaremos o nosso devotamento ao crescimento espiritual, tendo fé no divino, no espírito e no processo usado para nossa busca interior. Que nessa nossa devoção iremos nos aperceber que a revelação (hier phaine, em hebraico) do que é sagrado, é o elo entre a nossa experiência exterior e nossa iluminação interior.
O Hierofante sabe que ensinar é, antes de mais nada, aprender.
Tenha uma ótima semana!
É até bastante interessante, e porque não dizer, apropriado, o Diabo ter saído, nesta ensolarada manhã dominical, como a Carta do Dia. Sem querer ser ofensivo a ninguém e a nenhuma religião, culto ou seita, o Diabo é uma figura assaz interessante, intrigante e sedutora. Se assim não fosse, quem se deixaria levar para os seus domínios?
O cinema americano há pelo menos 2 décadas acordou para o fato de que a representação pictórica que fazia do Diabo estava errada: uma figura repugnante, irritante, antipática, feia ao extremo. OK, ele é tudo isso, mas a “embalagem” estava errada. Quem seria tão tolo de deixar-se encantar por algo tão desagradável, tão primitivo, tão sem charme ou encantos? Então, subitamente, e como todos podemos confirmar nas novas produções, o Diabo assumiu (pelo menos nas telas) a sua melhor forma: jovem, perspicaz, absolutamente sedutor, hipnoticamente belo, fascinantemente inteligente, divertido, agradável, sensual… E, dessa maneira, ele vai arrebanhando os seus seguidores, criando seus elos de dependência total, atraindo cada vez mais para um mergulho em nossa própria escuridão.
Se Deus, sob qualquer denominação ou expressão religiosa, é considerado a Luz, a Verdade absoluta, o esclarecimento total, a completa integração com o Universo (com a divindade), o Diabo é o seu contraponto: uma espiral que nos leva ao mais escondido, ao mais profundo, ao mais temeroso, mais profundo de nós mesmos. É tudo aquilo do que nos envergonhamos e que procuramos manter encoberto, escondido, temendo nos confrontarmos.
Esse arcano, quando sai numa leitura de tarot, é indicativo de diversos aspectos a serem melhor examinados por quem consulta as cartas: suas dependências, obsessões, seus segredos, sua submissão, seu abuso de poder, sua compulsividade, sua falta de prazer, de satisfação, de entusiasmo, de alegria.
O Diabo é a carta que representa toda forma de desiquilíbrio, especialmente aquele que escolhemos fazendo uso do nosso livre-arbítrio: é trabalhar exaustivamente, sem necessidade, apenas por não conseguir viver sem o trabalho; é passar o dia todo (ou quase) a maioria dos dias da semana, numa academia, em busca de um ideal meramente estético; é o comer ou beber compulsivamente, como se houvesse uma necessidade premente e interminável de satisfazer-se; é o fazer sexo maquinalmente sem desfrutar, sem obter ou proporcionar qualquer tipo de prazer; é o apegar-se a uma idéia, de forma cega, sem raciocina-la nem discuti-la e muito menos abrir-se para outras opções; é acostumar-se a um relacionamento, ou qualquer situação, desagradável, por preguiça, comodismo.
E, como em tudo, há sempre um outro lado, um outro ponto de vista que deve ser verificado, explorado, vivenciado e o mesmo acontece com esse arcano. Não podemos viver sem ambição, diversão, prazer, individualidade, inteligência, sedução, sexo, etc O que devemos evitar é nos escravizarmos aos extremos dessas necessidades tornando-nos egoístas, perversos, abusivos, tiranos, manipuladores, egocêntricos, displicentes, insatisfeitos.
A Igreja há muito listou o que ela considerava, então, os Vícios (pecados) Capitais, ou seja, as mais evidentes formas de afastamento de Deus, de repúdio ao divino que em nós habita: avareza, gula, inveja, preguiça, ira, luxúria e soberba. Parecem poucos, não é mesmo, mas ainda hoje abrangem tudo o que soterramos (ou tentamos) dentro de nós. Aceitarmos essas características instintivas, encarando-as sem medo, dispostos a reequilibra-las, é o caminho para a nossa libertação pessoal. Aliás, de o Diabo é considerado “o rei das mentiras” (ele é o que hoje chamaríamos de “fake”) então deveríamos dar mais atenção ao princípio cristão que estabelece: “A verdade vos libertará”
Pensem a respeito e tenham um ótimo e harmonioso domingo!