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segunda-feira, 21 de junho de 2010

DESIDERATA

    JAMES RICKLEF, tarólogo, autor de diversos livros sobre o assunto (“Tarot: get the whole story”, “Tarot tells the tale”, entre outros, ainda não traduzidos e publicados no Brasil) e criador do TAROT OF THE MASTERS, em seu blog faz um exercício de livre-associação de idéias entre um texto (no caso, o clássico poema em prosa do filósofo, poeta e advogado norte-americano Max  Ehrman (1872-1945),“Desiderata”) e as lâminas do tarot.

     “Desiderata” é um dos mais belos textos sobre a necessidade de, sob quaisquer circunstâncias, manter-se a Fé, a Coragem, o Otimismo e a Esperança. Seu autor, exorta que “estejamos em paz com Deus, qualquer que seja a forma que o concebamos”, e a “mantermos a nossa alma em paz”. Ele ainda acrescenta que “com toda os enganos, sacrifícios e desilusões, ainda assim é um lindo mundo”.

     Com a devida permissão de Mr. James Ricklef, reproduzo o poema e suas “anotações tarológicas”, às quais, a título de ilustração, acrescentei as cartas referentes do “Cosmic Tarot”.

 

DESIDERATA

 

“Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.

02_Major_Priestess a Alta Sacerdotisa ; Rei de Copas63_Minor_Cups_King


Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.

52_Minor_Cups_03 Três de Copas


Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.

36_Minor_Swords_Ace Ás de Espadas ; Rainha de Espadas48_Minor_Swords_Queen


Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.

40_Minor_Swords_05 Cinco de Espadas ; Cavaleiro de Paus75_Minor_Wands_Knight


Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você:
isso o tornaria superficial e amargo.

14_Major_Temperance a Temperança ; a Diabo15_Major_Devil


Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.

67_Minor_Wands_04 Quatro de Paus ; Dois de Paus65_Minor_Wands_02


Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos.

29_Minor_Discs_08 Oito de Ouros ; a Roda da Fortuna10_Major_Fortune


Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.

35_Minor_Discs_King Rei de Ouros ; a Estrela17_Major_Star


Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.

12_Major_Hanged o Pendurado ; Sete de Paus70_Minor_Wands_07


Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição

00_Major_Fool o Louco ; Rei de Copas63_Minor_Cups_King

e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.

53_Minor_Cups_04 Quatro de Copas ; Ás de Copas50_Minor_Cups_Ace


Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.

09_Major_Hermit o Eremita


Cultive a força do espírito e você estará preparado
para enfrentar as surpresas da sorte adversa.

08_Major_Justice a Força ; a Torre16_Major_Tower

 
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.

44_Minor_Swords_09 Nove de Espadas


Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.

08_Major_Justice a Força ; Nove de Ouros30_Minor_Discs_09


Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui

00_Major_Fool o Louco

e, mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.

10_Major_Fortune a Roda da Fortuna ; o Mundo21_Major_World


Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.

12_Major_Hanged o Pendurado ; o Hierofante05_Major_Hierophant

 
No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida,
conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.

68_Minor_Wands_05 Cinco de Paus ; o Mundo21_Major_World


Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.

54_Minor_Cups_05 Cinco de Copas ; Cinco de Ouros 26_Minor_Discs_05


Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade".

76_Minor_Wands_Queen Rainha de Paus 

 

DESIDERATA - Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja; aspiração.

Esse poema em prosa foi escrito pelo filósofo, poeta e advogado norte-americano Max Ehrman (1872-1945) em 1926.


Durante muito tempo acreditou-se ter esse texto sido encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692. Foi citado no livro "Mensagens do Sanctum Celestial", do Frei Raymond Bernard.

(c) Max Ehrman 1926

http://www.poetseers.org/the_great_poets/misc/desid/

Ilustração: COSMIC TAROT, por Norbert Losche

 

Em Julho:

CURSO DE TAROT: ARCANOS MENOREScom Alex Tarólogo

Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
(R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

 

sábado, 10 de abril de 2010

Carta do Dia: O LOUCO

     Bem, chegamos ao começo de uma nova jornada.

    Louco Se o Arcano XXI, o Mundo, representava a culminação do processo de experiências vividas pelo Louco em sua trajetória em busca da iluminação interior, feita através de “conselhos” recebido, por vivências assimiladas, chegamos agora no momento em que ele, esse inocente, infantil e instintivo ser, lança-se, indômito, a novas aventuras. Instintivamente sabe que muitos ainda são os degraus a serem galgados, muitos os caminhos a serem escolhidos e trilhados e muitas as surpresas e os saberes que lhe aguardam a cada novo passo da sua estrada, mas essa é a sua proposta. O Louco é o eterno aprendiz. O andarilho que percorre as mais diversas sendas em busca de respostas que, muitas das vezes, nem ele mesmo racionalmente as formulou, para compreender-se como ser humano, como espírito e localizar-se no Universo.

   Pinocchio998   Pinóquio era um boneco de madeira construído pelo artesão e manipulador de títeres, Gepeto (o Mago, o pai espiritual) para lhe fazer companhia como se fora um filho, sem saber que a árvore da qual a madeira havia sido extraída era mágica. Entretanto o grande sonho dessa criatura de madeira (elemento natural, simbolizando o Fogo) era tornar-se humano (ter espírito, atingir a quintessência). A mística Fada Azul (a Estrela) aparece-lhe avisa-o que se ele se comportar (se dominar seus instintos primitivos e aprender as regras e virtudes das quais os seres humanos se utilizam para conviverem), ela lhe concederá uma alma. Para que esse aprendizado de humanidade fosse facilitado e que ele pudesse sempre percorrer os melhores caminhos (usar de seu livre-arbítrio), a Fada apresenta-lhe o Grilo Falante (sua intuição), alertando-o que a cada deslize, a cada erro cometido, a cada escolha mal feita, a cada mentira, seu nariz irá crescer (seu sentimento de culpa, a perda de harmonia interior; nariz corresponde a respiração e ar é vida, fundamental à sobrevivência dos seres).

     Ainda assim Pinóquio, recusando-se a ouvir a voz da sua consciência (o Grilo Falante) que insiste em preveni-lo de seus erros, esforçando-se para afastá-lo dos perigos, envolve-se em todos os tipos de encrencas, unindo-se a indivíduos suspeitos e sem nenhum caráter, pelos quais é explorado, usado, humilhado e rejeitado. Demonstra, através dos atos praticados, ser possuidor de grande egoísmo (o lado sombra: a Imperatriz), rudeza (o lado sombra: o Imperador) e agressividade (o lado sombra: a Força), indolência (o lado sombra: o Mago), insensibilidade (o lado sombra: a Sacerdotisa), teimosia (o lado sombra: a Temperança), estupidez (o lado sombra: o Hierofante), irresponsabilidade (o lado sombra: o Carro), malícia (o Diabo) e auto-piedade (o lado sombra: o Pendurado). A Fada, então, castiga-o (a Torre) transformando-o numa árvore (fazendo que ele caia do alto do seu orgulho e obstinação e coloque os pés no chão) que acaba sendo cortada e vendida por um lenhador (a Morte). As experiências vividas através das escolhas erradas, quando boas oportunidades lhe eram concedidas, ensinam-lhe a necessária lição evolutiva. Do estágio primário, altamente potencial, cheio do Fogo criativo vai aprendendo a canalizar essa potente energia adquirindo a necessária sabedoria e elevação espiritual (o Julgamento) que caracterizam a espécie humana. No final da estória, a Fada Azul transforma-o num menino real (o Mundo).

     A estória de Pinóquio é um dos muitos exemplos que temos da chamada “viagem do herói”, ou seja, a evolução daquele aspecto criança que existe em cada um de nós que sabe brincar, é cheio de vitalidade e vivacidade. É nosso lado infantil, espontâneo, primitivamente criativo, sensual e jovial. É também uma energia que se manifesta de forma irreverente, anarquista e muitas vezes amoral, que derruba padrões e desconhece limites. É o desejo que todas as crianças têm de experimentarem e fazerem de tudo, mesmo aquilo que lhes é vedado ou proibido, apoiando-se sempre na sua enorme imaginação criativa que lhes sugere mentiras a serem contadas para se livrarem das situações. A isso chamamos de travessura ou irresponsabilidade. Sem pretender em absoluto ferir a sensibilidade religiosa de ninguém, cito a passagem bíblica da infância de Jesus, quando ele fugiu de seus pais, deixando-os muito preocupados, para ser encontrado, bem mais tarde, ensinando e conversando com os professores e sacerdotes do templo. Coisas de criança, diríamos, não é mesmo?

     Esse Arcano não tem número, ou então lhe é atribuído o valor de O (zero). Zero não significa nulidade, mas a potencialidade. É a soma do positivo (+1) ao negativo (-1). É o embrião, a semente de todos os demais números. Representa os dotes interiores e os recursos potenciais. Pinóquio (Pinocchio, em italiano) significa pinhão, a semente da pinha. Como semente, é preciso que a casca se rompa, que ela morra para que a vida possa dela brotar. É uma ressurreição. É o Ovo Cósmico, que ao romper sua casca gera o Big Bang, a grande explosão resultante do choque de energias contrárias que provoca um movimento centrípeto (+) e outro centrífugo (-), que é a maneira pela qual a ciência, hoje, supõe ter originado todo o universo. Na Árvore da Vida, segundo a Cabala, ocupa o 11º Caminho, chamado de “Caminho da Inteligência Cintilante”, que liga Kether (a origem de tudo) a Chokmah (o primeiro movimento no sentido da manifestação). O nome divino a Kether é EHEIEH que significa “eu serei”. Chokmah, por sua vez, significa, em hebraico, “sabedoria”. “Serei sábio” deve ser o lema do Louco no seu processo de crescimento.

     S. Marcos, em seu evangelho (10, 14-16) cita Jesus dizendo: “Deixem que as crianças venham a mim e não as proíbam porque o Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”. Para alcançarmos a nossa completa harmonia e paz interior é necessário que a busquemos imbuídos de ingenuidade, alegria, de forma descomplicada, com curiosidade e disposição de aprender brincando, sem levar-se muito à sério. Não se pode deixar abater pelo temor do ridículo, ou do fracasso e de nem mesmo ser considerado um alienado. Permitir-se encantar com tudo o que a vida tem a oferecer. Ser ousado e ter uma personalidade autêntica e íntegra. No começo da jornada o Louco pode ser comparado a uma pessoa ingênua, mas que irá se transformar num sábio ingênuo ao final. Essa ingenuidade, essa pureza infantil deverá ser mantida em todo o percurso.

     Quando o Louco aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua localização na jogada, das demais cartas que o acompanham e do assunto proposto pelo Consulente, ele nos convida a nos proporcionarmos uma nova forma de olhar a vida, sem parar para calcular o lucro, sem ficarmos nos questionando se seremos bem sucedidos ou não, sem temer fracassar. Simboliza o momento de alterarmos ou ajustarmos nossas atitudes e comportamentos de tal forma que possamos alegremente novos desafios, permitirmos novas idéias tomarem conta da nossa mente, e não perdermos a espontaneidade. O Louco, numa tiragem, não significa que tudo irá correr sob controle, ou da forma que imaginamos. Naturalmente, podemos esperar por coisas boas, mas lembrando-nos sempre de que o que é “bom” para o Louco não é necessariamente o que consideramos “bom”. O Louco pode estar significando que estamos numa “roubada”, que vamos acabar tendo problemas da maneira que estamos conduzindo as situações, mas, através dessa malograda experiência poderemos alcançar um ponto de partida para um progresso futuro. De qualquer maneira, essa carta quase sempre significa que estamos nos movendo para frente, de maneira não planejada e inesperada. Otimismo, felicidade, criatividade, liberdade de expressão, entusiasmo, intuição e disponibilidade para aprender, são características deste Arcano, quando bem posicionado. Início de uma nova etapa, de um novo ciclo. É hora de agir por impulso, rapidamente, seguindo em frente sem olhar para trás.

     Quando numa posição mal aspectada, difícil, de obstáculo, o Louco pode indicar que não estamos confiando nos nossos instintos, na nossa intuição. Hiperatividade e pensamentos confusos podem estar fazendo parte do nosso dia a dia, enquanto desperdiçamos nossa energia criativa em hesitações e atrasos e demoras sem justificativa. Em seu aspecto negativo o Louco acha muito difícil terminar qualquer um dos muitos projetos começados. Caminhar sem olhar onde pisa pode nos levar a tropeçarmos em circunstâncias muito desagradáveis. Pode, também, estar simbolizando uma atitude de apatia em relação a vida, recusando-nos a encarar as novas oportunidades que afloram em nosso caminho. Preguiça, inconstância, passividade, promiscuidade, egoísmo, irresponsabilidade, confusão, vícios e neuroses podem estar sendo alertados pelo surgimento dessa carta, quando mal localizada, numa jogada de tarot.

     Aparentemente o Louco tem significados muito contraditórios, desde o fato de ser compreendido como a primeira (O) ou a última (22) carta da sequência dos Arcanos Maiores. Ele pode representar tanto um neófito, um principiante, um aprendiz, como, também, um sábio e iluminado mestre. Tudo dependerá de como for interpretado o seu relacionamento com as cartas que lhe são próximas, para onde ele está olhando, etc.

     Hoje é dia 10 que é considerado por algumas ordens como o mais perfeito dos números por conter a Unidade (1) que tudo criou, e o Zero (O), símbolo do Caos original, de onde tudo o que foi criado surgiu. Ele contém em sua representação gráfica o começo e o fim, o que existe e o que está para ser criado, a vida e o nada. Muito apropriado para recepcionar o Louco, nossa Carta do Dia, não é mesmo? Entretanto, por ser sábado, cujo regente é o controlador, organizador, limitador e responsável Saturno, creio que ambos estarão medindo forças ou então, sabiamente, o nosso Louco estará suavizando os aspectos difíceis do planeta exercitando o que melhor sabe fazer: a resistência pacífica. Deu certo com Ghandi, provavelmente dará com nosso Arcano amigo.

     Tenham todos um excelente final de semana.

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Carta do Dia: O MUNDO

    Mundo Numa leitura de tarot, a carta do Mundo (ou do Universo), mais do qualquer outra, mostra-nos a finalização bem sucedida de alguma situação na qual tenhamos empenhado esforços. Nós nos sentimos recompensado por termos completado aquela missão e nos disponibilizamos, de maneira renovada e pura, a começarmos algo novo ou, tudo novamente. Nós nos reconhecemos nos resultados daquilo que fomos semeando pelo caminho, colhendo os frutos do nosso trabalho e dedicação, nos sentindo calmos, seguros e felizes, fortalecidos e prontos para um novo desafio.

     O Mundo, Arcano XXI, é considerado por muitos como o último Arcano Maior na sequência do tarot, já que o Louco, Arcano Zero, funciona como um curinga, um viajante, não tendo uma posição fixa, podendo e sendo, o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, a primeira e a última carta. O Mundo é o fim que anuncia o começo, pois não há um ponto final, no perímetro da roda das existências. Começamos, aprendemos, realizamos e finalizamos somente para repetir, qual moto perpétuo, o mesmo ciclo. O Mundo é o resultado de uma das voltas dessa grande roda.

     Quando decidimos que é chegada a hora de construirmos aquela tão sonhada casa de praia, sabemos que teremos de encontrar o terreno, comprá-lo, contratarmos os serviços de um arquiteto e passarmos longas horas com ele explicando-lhe nossas necessidades e o que pretendemos em termos de funcionalidade e estética; plantas-baixas, elevações e maquetes serão feitas e refeitas até conseguirmos uma miniatura do modelo que imaginávamos; após, vem a contratação dos serviços do pessoal de obra, como engenheiro, mestre-de-obra, operários; a compra do material que vai das telhas até a fundação, com seus encanamentos, fios subterrâneos, etc. Construída a casa, começa o processo de acabamento da mesma, com a escolha de metais para os banheiros, os pisos, as luminárias, a parte de marcenaria, os móveis, os adornos de decoração, o equipamento de cozinha. Depois de muito tempo, de muito trabalho, de muitas idas e vindas, de muito desgaste, de muita paciência e disposição para aproveitar a experiência adquirida, finalmente lá está, nosso sonho materializado, pronto para ser habitado. Fomos bem sucedidos.

      Ao completarmos um curso universitário e dele obtermos o conhecimento necessário e a habilitação legal para exercermos uma profissão, estamos completando um ciclo que iniciou-se no jardim de infância, com a primeira professora nos ensinando as primeiras letras e números, e a nossa evolução através dos demais anos escolares, sempre adquirindo maior cultura, maior compreensão, desenvolvendo a lógica e o raciocínio, aprendendo as necessárias noções de civismo e de companheirismo. Provas, exames, vestibulares de acesso são obstáculos que temos que vencer durante esse caminhar, para avaliarmos e provarmos a nós mesmos que estamos aptos a prosseguir e alcançar novos patamares. Ao recebermos o diploma de conclusão estamos também encerrando todo esse processo, que levou anos para ser realizado,  e nos lançando, felizes e auspiciosos,  para a nova aventura que é a de atuarmos na profissão escolhida.

     O casal que decide ter um filho também passará por uma série de etapas que vão desde a alegre notícia da gravidez, aos exames pré-natais, à modificação do corpo da mulher, a criação de um novo espaço dentro do lar para acomodar o futuro bebê, o adquirir de roupinhas, fraldas, brinquedos, cadeirinhas, carrinhos, banheirinhas, a possível contratação de uma babá, a escolha do tipo de parto, o envolvimento e entusiasmo da família, a ida ao hospital, até o fim dos nove meses de espera com o nascimento desse novo ser. A partir desse momento a vida dessas pessoas também se abre para um novo horizonte, onde sonhos, esperanças, fantasias, alegrias se harmonizam com as novas responsabilidades, os novos ritmos, as novas despesas, a nova organização de tarefas, etc. Agora não é mais “eu e você”, mas “nós”.

     A dona de casa, que ao final do dia senta-se à mesa do jantar, que ela preparou, com a família reunida à sua volta, sabe que também está terminando “ o dia”, isto é, encerrando um ciclo de tarefas para, após algum descanso, recomeçá-las. Um novo alvorecer trará essa mãe novamente interessada no bem estar da sua família, preocupada em preparar o café da manhã, levar os filhos à escola, fazer as compras para a casa, voltar para limpar, lavar, passar, cozinhar, buscar os filhos, verificar se estão fazendo suas lições de casa, controlar uso e acesso à TV e internet, levar um para a aula de natação, a outra para o ballet, voltar esperar pela chegada do marido, ouvir-lhe falar do dia pronta para dar-lhe uma palavra de estímulo e conforto, terminar o preparo do jantar, conversar com todos interessando-se pelos seus comentários e expectativas, verificar horário de ir para a cama e, finalmente, retirar-se, realizada por ter cumprido, uma vez mais a sua participação nessa grande engrenagem cósmica que é o viver.

     O Mundo, carta número 21, pode ser reduzida a 20 e 1 que é o Renascimento, a ressurreição, o Julgamento, o Aeon (Arcano 20), com sua promessa de libertação e de chamado vocacional sendo realizado com a destreza, o entusiasmo e as habilidades do Mago (Arcano 1). Podemos também reduzir (21= 2+1=3) aos valores propostos pela carta de Imperatriz, de satisfação com a vida, criatividade, produtividade. É também a junção das polaridades, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, da Sacerdotisa (Arcano 2) e do Mago (Arcano 1), a concretização do que é imaginado, idealizado. Também encontramos aqui a vitória máxima da liberação espiritual, anunciada pelo Arcano 7, o Carro (3 x 7 = 21). É a chegada a um destino proposto. É alcançar o sucesso pretendido.

     Na Árvore da Vida cabalística, esse é o 32º Caminho, aquele que liga Yesod ( o alicerce) a Malkuth (a terra), ou seja, é por onde os elementos, os componentes, aquilo que foi pensado no Plano Universal tornam-se concretos, reais. Em Malkuth estão reunidos os 4 elementos: fogo, água, ar e terra, além de um 5º, que é o Espírito. A virtude de Malkuth é o discernimento. É saber manter-se em equilíbrio. É administrar as iniciativas, a criatividade, as paixões, as emoções, os sentimentos, a lógica, a razão, o físico, o labor, o material e o espírito.

     Dependendo da questão do Consulente e das demais cartas, além da sua posição, numa leitura de tarot, o Mundo pode simbolizar sucesso nos negócios, início de um novo empreendimento, melhoria na saúde, um futuro promissor na carreira. Simboliza, também, satisfação, um sentimento de orgulho justificado, uma vitória alcançada. Alegria e uma sensação de harmoniosa plenitude também acompanham esta carta. O sucesso anunciado por este Arcano muitas vezes ainda precisa ser trabalhado, abandonando-se o comodismo, sobrepujando a apatia e o pessimismo. É um grande indicativo de que o Consulente superou suas limitações, abrindo-se para a vida e permitindo-se às oportunidades que ela generosamente lhe oferece. Há uma sensação de novidade, de novas e excitantes idéias surgindo. O Consulente passa a ter consciência da sua bagagem de vida, das suas experiências e de como bem adequá-las e utilizá-las no futuro. Como é uma carta de abertura, é “ter o mundo a seus pés”. É carta que anuncia possibilidade de viagens, contatos, negócios ou intercâmbios de âmbito internacional. É sentir-se íntegro, completo, potente, independente, afortunado, no domínio de seus talentos, emoções, sentimentos e habilidades. É vivenciar um estado de êxtase.

     É claro que ao concretizarmos algo não estamos encerrando em definitivo as nossas atividades, os nossos compromissos, as nossas obrigações. Estamos dando um passo, rumo a um futuro que não tem a menor garantia de ser fácil. Quem constrói uma casa sabe que ela precisará constantemente de manutenção. A pintura deverá ser renovada, o jardim cuidado, as telhas quebradas trocadas. Problemas de hidráulica e elétrico são esperados. Há impostos a serem pagos, seguros a serem feitos e mais uma infinidade de compromissos. O mesmo ocorre com quem sai da faculdade. A busca de emprego, a continuidade nos estudos em busca de especializações ou títulos que lhe garanta melhores salários, vencer a concorrência e encontrar o seu nicho no mercado de trabalho, o dia a dia da profissão, desde montar consultório ou escritório, até o atendimento aos clientes, tudo são novas experiências a serem administradas e outras antigas a serem empregadas. Um filho representa todo um comprometimento que ultrapassa o plano amoroso, familiar, e requer cuidados médicos, investimento na educação, manutenção de todas as necessidades. O investimento que a família faz proporcionando-lhe o melhor ambiente para desenvolver-se além das lições aprendidas dos pais sobre amor, compaixão, moral e fé exigem anos de paciência e dedicação. A nossa dona de casa, ao terminar de lavar a louça do jantar está ciente de que, poucas horas de sono depois, terá a do café da manhã sobre a pia. A sala que acabou de ser varrida e limpa, em minutos, começa apresentar uma fina camada de poeira novamente se assentando. A roupa que foi cuidadosamente lavada e passada em algumas horas estará novamente suja.

     Viver o Mundo é, pois, um estado de satisfação tão grande que engloba também as consequências decorrentes dessa conquista. Elas fazem parte do “pacote” de satisfação, de prazer. Aliás, qual seria a nossa sensação de vitória, de utilidade, de atuação se, a um estalar de dedos tivéssemos a casa que tanto sonhamos à nossa disposição, ou se deitássemos ignorantes e acordássemos sábios? Ou ainda se não vivêssemos  a alegre ansiedade de termos um filho e vê-lo transformar-se num ser humano íntegro e independente? Ou mesmo se fôssemos impedidos de reformularmos o cardápio para agradarmos a uns e a outros, rearranjássemos os quadros e a mobília buscando fornecer maior conforto à nossa família, ou se não pudéssemos nos emocionar, ao ver aquela “eterna criança” recebendo seu título de doutor e, entre aplausos e lágrimas, lembrarmos dele, curioso, sentado no banco traseiro do carro, sendo dirigido por nós até a escolinha?

     Pois é, o Mundo é a somatória de todos os passos que demos, das ações que executamos e daquelas que deixamos de fazer, em busca da nossa felicidade, da nossa união definitiva entre a mente desperta e o nosso subconsciente, do perdão que concedemos, inclusive a nós próprios e do amor e compaixão que distribuímos. São os nossos medos e instintos domados pela nossa força de vontade e a sabedoria adquirida nos mergulhos que demos em busca de nós mesmos, da nossa alma original, do que somos e de como podemos fazer melhor uso disso tudo, em nosso benefício e também dos outros. Viver esse Arcano é estar consciente que, apesar dele ser a última carta do tarot, ele não é o fim em si mesmo. Ele é um degrau do qual nos utilizamos para nos elevarmos um pouco mais e recomeçarmos outra vez esperançosos, inocentes, impetuosos, infantis, honestos conosco mesmo, a nossa nova jornada. A interminável jornada do Louco.

     Nesta sexta-feira, dia regido por Vênus, símbolo da beleza, da harmonia, da gratificação, com a Lua entrando em Peixes, favorecendo que exerçamos o perdão, as mágoas, vençamos obstáculos e acabemos com desentendimentos, parece-me bastante propício para que aproveitemos as sugestões saturninas da Carta do Dia, o Mundo, e reflitamos que tudo tem uma causa e um efeito. Que a cada momento estamos vivendo os créditos e os débitos que temos junto ao banco da Vida. Portanto, aproveitando que Saturno representa esse equilíbrio, esse balanço, e aproveitando as demais energias traduzidas por Vênus e pela Lua, procuremos nos harmonizar ao máximo e encontrar o que celebrar em cada conquista, por menor que possa nos parecer. Não há melhor remédio que viver em paz consigo próprio, sabendo-se cumpridor da missão a que se propos.

     A todos, um ótimo, saudável, consciente, pleno, feliz e irrestrito início de final de semana. Outra, ainda melhor, certamente está a nos aguardar.

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Carta do Dia: A TEMPERANÇA

    Temperança A Temperança é aquela carta que quando surge numa leitura de tarot, quase sempre significa que o consulente está sabendo conduzir, e bem, o seu trabalho, os seus relacionamentos afetivos, a maneira com que intervém no ambiente em que vive, a sua vida, enfim. Ela é, junto com a Justiça (Arcano VIII), a Fortaleza (Arcano XI) e a Prudência (Arcano IX), uma das Virtudes Cardinais e pode ser interpretada como  o domínio da vontade sobre os instintos, o controle que devemos ter em nossa busca pelos prazeres e a forma equilibrada com que devemos usar e cuidar dos nossos bens (físicos, emocionais, morais, espirituais). Ela é, na prática, o uso da prudência na maneira com que desfrutamos a vida.

     Quando, por exemplo, vamos preparar uma refeição, buscamos um equilíbrio entre os pratos a serem servidos. Sabemos que uma dieta balanceada exige um tanto de fibras, outro de proteínas, gorduras, açúcares, vitaminas, etc. Sabemos, até instintivamente, que esses elementos são necessários para o bom funcionamento do nosso organismo e que a falta ou o excesso de qualquer um deles acarreta em problemas. Se exagerarmos nas frituras, além de acumularmos gorduras, termos problemas dermatológicos, entupiremos drasticamente  nossas veias. Se usarmos muito sal (sódio), criaremos edemas, teremos problemas de hipertensão arterial. Se não comermos raízes, grãos e vegetais, nosso sistema excretor sofrerá com a falta das fibras e de alguns óleos essenciais. Se nos acumularmos de açúcares, na forma, por exemplo, de deliciosos ovos de Páscoa, o diabetes é uma ameaça, além de termos de comprar roupas um número maior. Portanto, aquela dieta básica de arroz, feijão, carne (ou outra forma de proteína vegetal) e uma salada de folhas, apesar de parecer muito simples e corriqueira, é uma dieta “temperada”, ou seja, equilibrada entre os nutrientes que oferece e as necessidades básicas que temos deles.

     Podemos, perfeitamente, nos utilizarmos desse exemplo para outros aspectos da nossa vida diária. Vemos, no rito da missa católica, o momento em que o sacerdote mistura vinho (o sangue de Cristo = os mistérios do êxtase divino) e a água (o símbolo místico da vida espiritual e da renovação). É, no mínimo, uma lição a ser aprendida de que devemos combinar sempre a ígnea chama da sabedoria com a cristalina água da verdade. É o aprender a ter um coração equilibrado.

     Com a Temperança, as energias complementares da vida, tais como luz e escuridão, trabalho e descanso, razão e emoção, ativo e passivo, macho e fêmea, se unem. Isso é o elixir, a pedra filosofal produzida pelo alquimista. Carl Jung, em seus estudos, diz que a proposta real dos antigos alquimistas em seus experimentos e tentativas de transformar chumbo em ouro, nada mais é do que o processo de transformarmos nossas fraquezas (metais não nobres) com o uso da pedra filosofal (a sabedoria divina) em ouros (seres iluminados).

     O símbolo astrológico para o Arcano XIV, a Temperança, é Sagitário, o arqueiro, meio animal, meio homem. Aqui também vemos representada a união de opostos, das “baixas, instintivas” qualidades humanas, das mais “altas, espiritualmente elevadas”.  Polaridade é o que a flecha desse arqueiro pode significar, representando duas tendências dos seres humanos, uma criativa (amor) e a outra destrutiva (morte). Quando usada como arma, a flecha traz destruição, mas como imagem, ela simboliza o vôo do intelecto em busca da verdade. O elemento desse Arcano é o Fogo, numa referência alquímica da necessidade de libertar a alma imortal do corpo mortal através do fogo transformador e purificador. Essa transformação não descreve simplesmente uma idéias, mas uma experiência. A Temperança (Alquimia) nos sugere transformar nossas vidas através das mudanças de comportamento a fim de que possamos liberar a nossa luz interior. O cabalista do Séc. XVI, Isaac Luria, ensinava que essa liberação é uma responsabilidade moral de todo ser humano.

     Ao recebermos essa carta numa leitura de tarot, dependendo sempre das demais cartas que se lhe avizinham e da questão proposta pelo consulente, ela pode estar sugerindo cautela. Nos alerta para agirmos cautelosa, cuidadosamente, pensando antes de agir examinando a situação antes de nos comprometermos com ela ou fazermos decisões. A idéia de medida, ou seja, uma ação realizada com bastante precisão, embutida no significado desse Arcano, nos leva a refletir que devemos pensar nas consequências não nos deixarmos levar unicamente pela intuição. Pode estar nos lembrando de que devemos “medir as nossas palavras”, ou seja, sermos moderados com o que dizemos. Evitar extremos, principalmente não oscilar entre os 8 ou 800 da vida. Não deixar que possíveis contrariedades abatam o seu bom humor e entusiasmo, nem exagerar (se extremista) no seu otimismo, pois isso pode acabar redundando no oposto. Pode, também, ser forte indicativo de homo ou bissexualidade.

     Muita gente considera a Temperança como uma carta aborrecida, lenta, vagarosa, sem graça, sem nada excitante a respeito e acreditam que para atingir essa virtude é necessário sacrificar os “altos” a fim de evitar-se experimentar os “baixos”. Mas a Temperança é mais do que um simples ato de malabarismo. Ela não nos seda, ao contrário, nos desperta para que tomemos controle das nossas vidas, a agirmos através de escolhas conscientes e não seguindo surtos de otimismo ou desespero. As pessoas acham que a moderação é chata quando elas não querem assumir responsabilidade pelo que lhes acontece, mas preferem que a vida, ou que os outros, os empurrem em seu caminhar. 

     Mal posicionada, essa carta pode estar nos alertando que estamos sendo extremistas; nos recomenda sermos mais cuidadosos na forma com que nos interagimos com pessoas ou situações. Simboliza o viver-se perigosamente ou então o deixar-se estagnar, não se permitindo fluir. Pode significar que, apesar do nosso discurso edulcorado, da nossa maneira suave de nos expressarmos e procurarmos aconselhar os outros, estamos agindo de maneira anti-ética, com fútil ou falsamente, o que pode levar a complicações e intrigas de todos os tipos e, inclusive, sermos presos em nossa própria armadilha. De maneira mais drástica, pode estar dizendo que a pessoa está instável ou descontrolada.

     Se olharmos a carta, do Tarot Namur, que ilustra esta página, encontramos o tema de “combinação” nas duas jarras que o anjo sustenta. Essa imagem traduz a necessidade que temos de combinar, amalgamar, os diferentes elementos da nossa vida. Se nos sentimos divididos entre os dois lados opostos de uma mesma situação, a Temperança nos sugere considerarmos a possibilidade de os unirmos. Se pensarmos em nossa vida como em partes separadas, como, por exemplo, a maneira com que nos comportamos  no trabalho sendo diferente da nossa forma de agir em casa, ela sugere que combinemos esses diferentes aspectos.

     Estamos no final da Quaresma, tempo de reflexão e de busca de significado e reequilíbrio entre as nossas vidas neste plano físico e a nossa evolução espiritual. Vênus, o planeta regente desta Sexta-Feira da Paixão, tem como glifo (símbolo) o círculo (espírito) sobre a cruz (matéria) o que significa união, ligação, harmonização. Portanto, a energia amorosa desse planeta muito bem representa os aspectos constantes e serenos da Temperança. A Lua, em sua fase cheia, deixa Escorpião e entra em Sagitário ainda hoje, o que nos influencia proporcionando-nos um estado de espírito mais positivo e otimista. Sentiremos vontade de nos “agregarmos” a pessoas que possivelmente sejam bastante diferentes de nós, mas estaremos dispostos a somarmos essas diferenças e as combinarmos com as nossas, aprendendo com os erros e os acertos, o que também é típico do processo alquímico transformador proposto pela Temperança, nossa carta do dia.

     Hoje muitos estarão assistindo às re-encenações do martírio e morte de Jesus. Filmes com esse tema estarão sendo exibidos pelas emissoras de TV. A quem se interessar, há um momento, quando o centurião Longinus, o primeiro a declarar a morte de Cristo, é respingado pelo sangue e pela água que jorram do ferimento feito à lança em seu peito. Essa imagem entrou para a iconografia clássica da Igreja como a da Misericórdia Divina”, onde um pálido raio luminoso representa a Água, que faz as almas agirem corretamente, e o raio vermelho, o Sangue, que é a vida dessas mesmas almas.  Faustina Helena Kowalska, santa da Igreja, em suas visões, explicava essa união entre o sangue e a água derramados na cruz como um escudo protetor, dizendo: “Felizes aqueles que vivem ao seu abrigo pois a mão direita de Deus não os abandonará”. Mais uma vez, a ação combinatória da Temperança.

     Tenham todos um excelente e harmonioso feriado, encontrem a sua paz e não se deixem dominar pelas emoções, e aproveitem com segurança o final de semana!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)