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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Carta do Dia: O MUNDO

    Mundo Numa leitura de tarot, a carta do Mundo (ou do Universo), mais do qualquer outra, mostra-nos a finalização bem sucedida de alguma situação na qual tenhamos empenhado esforços. Nós nos sentimos recompensado por termos completado aquela missão e nos disponibilizamos, de maneira renovada e pura, a começarmos algo novo ou, tudo novamente. Nós nos reconhecemos nos resultados daquilo que fomos semeando pelo caminho, colhendo os frutos do nosso trabalho e dedicação, nos sentindo calmos, seguros e felizes, fortalecidos e prontos para um novo desafio.

     O Mundo, Arcano XXI, é considerado por muitos como o último Arcano Maior na sequência do tarot, já que o Louco, Arcano Zero, funciona como um curinga, um viajante, não tendo uma posição fixa, podendo e sendo, o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, a primeira e a última carta. O Mundo é o fim que anuncia o começo, pois não há um ponto final, no perímetro da roda das existências. Começamos, aprendemos, realizamos e finalizamos somente para repetir, qual moto perpétuo, o mesmo ciclo. O Mundo é o resultado de uma das voltas dessa grande roda.

     Quando decidimos que é chegada a hora de construirmos aquela tão sonhada casa de praia, sabemos que teremos de encontrar o terreno, comprá-lo, contratarmos os serviços de um arquiteto e passarmos longas horas com ele explicando-lhe nossas necessidades e o que pretendemos em termos de funcionalidade e estética; plantas-baixas, elevações e maquetes serão feitas e refeitas até conseguirmos uma miniatura do modelo que imaginávamos; após, vem a contratação dos serviços do pessoal de obra, como engenheiro, mestre-de-obra, operários; a compra do material que vai das telhas até a fundação, com seus encanamentos, fios subterrâneos, etc. Construída a casa, começa o processo de acabamento da mesma, com a escolha de metais para os banheiros, os pisos, as luminárias, a parte de marcenaria, os móveis, os adornos de decoração, o equipamento de cozinha. Depois de muito tempo, de muito trabalho, de muitas idas e vindas, de muito desgaste, de muita paciência e disposição para aproveitar a experiência adquirida, finalmente lá está, nosso sonho materializado, pronto para ser habitado. Fomos bem sucedidos.

      Ao completarmos um curso universitário e dele obtermos o conhecimento necessário e a habilitação legal para exercermos uma profissão, estamos completando um ciclo que iniciou-se no jardim de infância, com a primeira professora nos ensinando as primeiras letras e números, e a nossa evolução através dos demais anos escolares, sempre adquirindo maior cultura, maior compreensão, desenvolvendo a lógica e o raciocínio, aprendendo as necessárias noções de civismo e de companheirismo. Provas, exames, vestibulares de acesso são obstáculos que temos que vencer durante esse caminhar, para avaliarmos e provarmos a nós mesmos que estamos aptos a prosseguir e alcançar novos patamares. Ao recebermos o diploma de conclusão estamos também encerrando todo esse processo, que levou anos para ser realizado,  e nos lançando, felizes e auspiciosos,  para a nova aventura que é a de atuarmos na profissão escolhida.

     O casal que decide ter um filho também passará por uma série de etapas que vão desde a alegre notícia da gravidez, aos exames pré-natais, à modificação do corpo da mulher, a criação de um novo espaço dentro do lar para acomodar o futuro bebê, o adquirir de roupinhas, fraldas, brinquedos, cadeirinhas, carrinhos, banheirinhas, a possível contratação de uma babá, a escolha do tipo de parto, o envolvimento e entusiasmo da família, a ida ao hospital, até o fim dos nove meses de espera com o nascimento desse novo ser. A partir desse momento a vida dessas pessoas também se abre para um novo horizonte, onde sonhos, esperanças, fantasias, alegrias se harmonizam com as novas responsabilidades, os novos ritmos, as novas despesas, a nova organização de tarefas, etc. Agora não é mais “eu e você”, mas “nós”.

     A dona de casa, que ao final do dia senta-se à mesa do jantar, que ela preparou, com a família reunida à sua volta, sabe que também está terminando “ o dia”, isto é, encerrando um ciclo de tarefas para, após algum descanso, recomeçá-las. Um novo alvorecer trará essa mãe novamente interessada no bem estar da sua família, preocupada em preparar o café da manhã, levar os filhos à escola, fazer as compras para a casa, voltar para limpar, lavar, passar, cozinhar, buscar os filhos, verificar se estão fazendo suas lições de casa, controlar uso e acesso à TV e internet, levar um para a aula de natação, a outra para o ballet, voltar esperar pela chegada do marido, ouvir-lhe falar do dia pronta para dar-lhe uma palavra de estímulo e conforto, terminar o preparo do jantar, conversar com todos interessando-se pelos seus comentários e expectativas, verificar horário de ir para a cama e, finalmente, retirar-se, realizada por ter cumprido, uma vez mais a sua participação nessa grande engrenagem cósmica que é o viver.

     O Mundo, carta número 21, pode ser reduzida a 20 e 1 que é o Renascimento, a ressurreição, o Julgamento, o Aeon (Arcano 20), com sua promessa de libertação e de chamado vocacional sendo realizado com a destreza, o entusiasmo e as habilidades do Mago (Arcano 1). Podemos também reduzir (21= 2+1=3) aos valores propostos pela carta de Imperatriz, de satisfação com a vida, criatividade, produtividade. É também a junção das polaridades, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, da Sacerdotisa (Arcano 2) e do Mago (Arcano 1), a concretização do que é imaginado, idealizado. Também encontramos aqui a vitória máxima da liberação espiritual, anunciada pelo Arcano 7, o Carro (3 x 7 = 21). É a chegada a um destino proposto. É alcançar o sucesso pretendido.

     Na Árvore da Vida cabalística, esse é o 32º Caminho, aquele que liga Yesod ( o alicerce) a Malkuth (a terra), ou seja, é por onde os elementos, os componentes, aquilo que foi pensado no Plano Universal tornam-se concretos, reais. Em Malkuth estão reunidos os 4 elementos: fogo, água, ar e terra, além de um 5º, que é o Espírito. A virtude de Malkuth é o discernimento. É saber manter-se em equilíbrio. É administrar as iniciativas, a criatividade, as paixões, as emoções, os sentimentos, a lógica, a razão, o físico, o labor, o material e o espírito.

     Dependendo da questão do Consulente e das demais cartas, além da sua posição, numa leitura de tarot, o Mundo pode simbolizar sucesso nos negócios, início de um novo empreendimento, melhoria na saúde, um futuro promissor na carreira. Simboliza, também, satisfação, um sentimento de orgulho justificado, uma vitória alcançada. Alegria e uma sensação de harmoniosa plenitude também acompanham esta carta. O sucesso anunciado por este Arcano muitas vezes ainda precisa ser trabalhado, abandonando-se o comodismo, sobrepujando a apatia e o pessimismo. É um grande indicativo de que o Consulente superou suas limitações, abrindo-se para a vida e permitindo-se às oportunidades que ela generosamente lhe oferece. Há uma sensação de novidade, de novas e excitantes idéias surgindo. O Consulente passa a ter consciência da sua bagagem de vida, das suas experiências e de como bem adequá-las e utilizá-las no futuro. Como é uma carta de abertura, é “ter o mundo a seus pés”. É carta que anuncia possibilidade de viagens, contatos, negócios ou intercâmbios de âmbito internacional. É sentir-se íntegro, completo, potente, independente, afortunado, no domínio de seus talentos, emoções, sentimentos e habilidades. É vivenciar um estado de êxtase.

     É claro que ao concretizarmos algo não estamos encerrando em definitivo as nossas atividades, os nossos compromissos, as nossas obrigações. Estamos dando um passo, rumo a um futuro que não tem a menor garantia de ser fácil. Quem constrói uma casa sabe que ela precisará constantemente de manutenção. A pintura deverá ser renovada, o jardim cuidado, as telhas quebradas trocadas. Problemas de hidráulica e elétrico são esperados. Há impostos a serem pagos, seguros a serem feitos e mais uma infinidade de compromissos. O mesmo ocorre com quem sai da faculdade. A busca de emprego, a continuidade nos estudos em busca de especializações ou títulos que lhe garanta melhores salários, vencer a concorrência e encontrar o seu nicho no mercado de trabalho, o dia a dia da profissão, desde montar consultório ou escritório, até o atendimento aos clientes, tudo são novas experiências a serem administradas e outras antigas a serem empregadas. Um filho representa todo um comprometimento que ultrapassa o plano amoroso, familiar, e requer cuidados médicos, investimento na educação, manutenção de todas as necessidades. O investimento que a família faz proporcionando-lhe o melhor ambiente para desenvolver-se além das lições aprendidas dos pais sobre amor, compaixão, moral e fé exigem anos de paciência e dedicação. A nossa dona de casa, ao terminar de lavar a louça do jantar está ciente de que, poucas horas de sono depois, terá a do café da manhã sobre a pia. A sala que acabou de ser varrida e limpa, em minutos, começa apresentar uma fina camada de poeira novamente se assentando. A roupa que foi cuidadosamente lavada e passada em algumas horas estará novamente suja.

     Viver o Mundo é, pois, um estado de satisfação tão grande que engloba também as consequências decorrentes dessa conquista. Elas fazem parte do “pacote” de satisfação, de prazer. Aliás, qual seria a nossa sensação de vitória, de utilidade, de atuação se, a um estalar de dedos tivéssemos a casa que tanto sonhamos à nossa disposição, ou se deitássemos ignorantes e acordássemos sábios? Ou ainda se não vivêssemos  a alegre ansiedade de termos um filho e vê-lo transformar-se num ser humano íntegro e independente? Ou mesmo se fôssemos impedidos de reformularmos o cardápio para agradarmos a uns e a outros, rearranjássemos os quadros e a mobília buscando fornecer maior conforto à nossa família, ou se não pudéssemos nos emocionar, ao ver aquela “eterna criança” recebendo seu título de doutor e, entre aplausos e lágrimas, lembrarmos dele, curioso, sentado no banco traseiro do carro, sendo dirigido por nós até a escolinha?

     Pois é, o Mundo é a somatória de todos os passos que demos, das ações que executamos e daquelas que deixamos de fazer, em busca da nossa felicidade, da nossa união definitiva entre a mente desperta e o nosso subconsciente, do perdão que concedemos, inclusive a nós próprios e do amor e compaixão que distribuímos. São os nossos medos e instintos domados pela nossa força de vontade e a sabedoria adquirida nos mergulhos que demos em busca de nós mesmos, da nossa alma original, do que somos e de como podemos fazer melhor uso disso tudo, em nosso benefício e também dos outros. Viver esse Arcano é estar consciente que, apesar dele ser a última carta do tarot, ele não é o fim em si mesmo. Ele é um degrau do qual nos utilizamos para nos elevarmos um pouco mais e recomeçarmos outra vez esperançosos, inocentes, impetuosos, infantis, honestos conosco mesmo, a nossa nova jornada. A interminável jornada do Louco.

     Nesta sexta-feira, dia regido por Vênus, símbolo da beleza, da harmonia, da gratificação, com a Lua entrando em Peixes, favorecendo que exerçamos o perdão, as mágoas, vençamos obstáculos e acabemos com desentendimentos, parece-me bastante propício para que aproveitemos as sugestões saturninas da Carta do Dia, o Mundo, e reflitamos que tudo tem uma causa e um efeito. Que a cada momento estamos vivendo os créditos e os débitos que temos junto ao banco da Vida. Portanto, aproveitando que Saturno representa esse equilíbrio, esse balanço, e aproveitando as demais energias traduzidas por Vênus e pela Lua, procuremos nos harmonizar ao máximo e encontrar o que celebrar em cada conquista, por menor que possa nos parecer. Não há melhor remédio que viver em paz consigo próprio, sabendo-se cumpridor da missão a que se propos.

     A todos, um ótimo, saudável, consciente, pleno, feliz e irrestrito início de final de semana. Outra, ainda melhor, certamente está a nos aguardar.

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Carta do Dia: A LUA

“Escrevo sobre o que me assombra.” – Lya Luft
“Gosto de ouvir o mar me dizer coisas que eu sonhei, sem saber.” -  Herbert Vianna
“A obra de arte, fundamentalmente, consiste numa impressão objetiva duma impressão subjetiva.” – Fernando Pessoa
“Antes de um início brilhante é preciso que haja caos. Antes que uma pessoa brilhante inicie algo importante é preciso que pareça tola para os demais.” – I Ching
“O pensamento é apenas um lampejo entre duas longas noites, mas esse lampejo é tudo!”. – Henri Poincaré
“Tenho fases, como a lua. Fases de andar escondida fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha”. – Cecília Meirelles

   Lua   Reunidos noutra noite, conversávamos sobre os processos de criação. Ou melhor, grupo de amigos curiosos que somos, queríamos saber, de um famoso escritor ali presente e de um outro amigo, talentosíssimo artista plástico, qual era, em termos bem simples e práticos, os seus respectivos processos de criação. Na verdade estávamos curiosos em saber de onde vinham aquelas idéias que, depois de escritas ou pintadas, passavam a ser colecionadas, mencionadas, discutidas e acabavam servindo de inspiração para muitas outras pessoas. Qual é a origem daquele manancial que, a nós, parece inesgotável e que nos fascina por dar vida a formas e imagens mentais que nunca nos ocorreram de forma racional, mas que, em alguns casos e em determinados momentos, parecem ser velhas conhecidas, existindo há muito dentro de nós.

     Confesso que acabo sempre bastante frustrado quando esse tipo de questionamento surge pois as respostas costumam ser muito mais evasivas e voláteis que a própria idéia de inspiração que possuo. Sempre anseio por ouvir uma fórmula mágica, alguém que revele “o pulo do gato”, algo que possa ser aprendido e copiado. Algo que fuja às explicações que se equilibram entre o misticismo e a poesia, que respondem sem responder de fato. Que, sendo tão criativos em seus argumentos, fazem de suas respostas algo também… inspirado.”

     “Muito simples”, disse o pintor. “Tranco-me sozinho no atelier e, sem pensar especificamente em nada, começo a brincar com as tintas e os pincéis, sem compromisso, sem a obrigação de estar criando uma obra-prima. Aprendi a abrir-me à fantasia, pura e simplesmente. Sem pudores”.

     “Quando começo a escrever, não tenho exatamente consciência de onde pretendo chegar. Não tenho um enredo, uma estória, uma trama elaborada. Escrevo quase inconscientemente, sem assumir nenhuma responsabilidade com o assunto ou os personagens”. E, continuando, nosso amigo escritor explicou que muitas vezes a idéia brotava de um simples fragmento de sonho que tivera, ou mesmo da lembrança de algo que ele já nem mais sabia com certeza se tinha vivenciado ou ouvido em algum lugar. “No começo, sou um mero espectador, atento porém silencioso, buscando encontrar algum sentido naquelas palavras que vou digitando na tentativa de delinear flashes de pensamentos. Depois, se sinto que o caminho está correto, os próprios personagens e as situações vão contando suas estórias. Sou um mero escrivinhador, um organizador dessas vidas imaginadas. Fico no controle, mas não os censuro em momento algum. Minha mente racional é a gramática, a estória é um sonho consciente”.

     “Eu, às vezes, estou cochilando na frente da TV e, quando desperto assustado, uma impressão de cor, uma forma parece tomar conta da minha mente, como se eu tivesse sonhado, numa fração de segundo, enquanto tento assistir ao futebol. Não faço nada para apreender aquela imagem. Ao contrário, deixo-me dominar inteiramente por ela. Permito que ela me envolva, me instigue, me assuste e me faça querer decifrá-la.  No dia seguinte, ou algum tempo depois, ela volta mais forte, mais poderosa, mais definida e eu sei, então, que ali está a resposta ao enigma da minha visão. Tenho em minha mente um quadro pronto,” comunicou-nos com a maior simplicidade, nosso caro pintor, “basta apenas reproduzi-lo na tela”.

     Penso nessa nossa conversa todas as vezes que tiro a carta da Lua, numa leitura ou para meditação. Nela está contido todo o mistério , os sonhos, as imagens que nos assombram e os mitos que pelos quais nos guiamos. A Lua é o elo de ligação entre a inspiração e o processo visionário da Estrela e o novo, criativo e brilhante dia prometido pelo Sol. Se somarmos o número dessa carta (18 = 1+8= 9, o Eremita), temos o mergulho do auto-conhecimento, a necessidade de iluminar as trevas interiores, a revelação das verdades. É o mundo da mágica, da ilusão (1 = o Mago) onde precisamos nos utilizar da lógica e da busca da verdade (8 = Justiça) para fazermos a transição desse mundo das sombras (a Lua) para o da luz (o Sol).

     O poder da Lua revela partes de nós que normalmente são mantidas escondidas, pelo menos da nossa auto-imagem consciente. A letra hebraica adotada por diversas ordens místicas para esse Arcano e Tzaddi, que significa “anzol”. O próprio desenho da letra lembra um peixe sendo fisgado no mar. Agora, como o mar representa as energias amorfas do inconsciente, o peixe acaba simbolizando essa energia tomando forma. O anzol é a mente entrando nos grandes mistérios guardados pela Sacerdotisa e expondo idéias, conceitos, a beleza dos padrões estéticos. Sendo uma carta mística, ela nos transporta para dentro de uma realidade sagrada que fica muito além dos sentidos e percepções ordinárias.

     O signo de Peixes, associado com os sonhos e as experiências psíquicas está associado à Lua, que, astrologicamente rege o signo de Cancer, cujo símbolo é um caranguejo. Na maioria das cartas que representam o Arcano XVIII temos a figura de uma lagosta (animal de sangue frio, cuja carapaça rígida é o seu próprio esqueleto e é um dos animais que menos evoluíram através dos milênios) e que nos remete à idéia de investigarmos o fundo do mar do nosso inconsciente permitindo que, com a força de atração exercida pela lua, emerjam segredos, ansiedades e temores bem guardados. Assim como as garras de uma lagosta podem agarrar e prender firmemente algo, também uma imagem, um sonho, uma ilusão, uma fantasia pode emergir das profundezas e tomar conta de nós com bastante força. Além de ser a carta de sonhos que podem nos aprisionar, a Lua é também a carta dos mitos. Os mitos, como os sonhos, são verdadeiros quando nos tocam de uma maneira que não pode ser explicada de forma racional.

     Sócrates, mencionado por Platão, dizia que enquanto acreditamos estarmos vivendo na superfície do mundo, na verdade nós vivemos abaixo dela, incapazes de vivenciar o seu esplendor devido à forma que vivemos o nosso dia a dia. Ficamos, assim, impedidos de experimentar, dentro e fora de nós mesmos, a teia de beleza e significados que une cada partícula que compõe o Universo e que nos conecta a ele. O próprio Platão dizia que vivemos numa caverna acreditando que as sombras que vemos projetadas nas suas paredes seja a realidade, quando o mundo real está fora daquele esconderijo.

     A Lua pode simbolizar, portanto, numa leitura de tarot, uma período em que a imaginação do consulente está muito ativa, proporcionando-lhe fantasias, pesadelos, devaneios. Esperanças e medos podem estar exagerados, indo e vindo incessantemente, pois é comum que, sob a influência lunar, as emoções fiquem exaltadas. O consulente pode estar mais preocupado com seus sentimentos e emoções do que com assuntos mais práticos como, por exemplo, trabalho. Essa é uma fase em que a pessoa sente-se inclinada a canalizar essa força imaginativa numa atividade criativa, mas essa energia é caótica, difícil de ser direcionada, distante da disciplina artística ou dos rigores da técnica. A Lua pode estar simbolizando, também, uma necessidade de vivermos algumas fantasias, de nos abrirmos para novos sentimentos e sensações e até ao medo, ainda que devamos compreender que essa carta não representa, necessariamente, experiências assustadoras. Numa tiragem esse Arcano pode ser indicativo de que o consulente está controlando demais suas emoções  e que necessita deixá-los manifestarem-se mais livremente. Se a carta do Eremita estiver próxima à da Lua, pode estar enfatizando a necessidade da pessoa ficar sozinha e explorar melhor as suas visões, deixando correr livre a imaginação. É também um carta indicativa de gestação, de gravidez.

     Se a carta da Lua sair numa posição de obstáculo, ou noutra em que deva ser interpretada como invertida, ela pode estar alertando o Consulente que está na hora de retornar ao mundo real e dedicar-se a atividades mais “solares”, percebendo o mundo por uma ótica e experiência mais real. Assim como a lua passa por fases distintas, de crescente a cheia e, outra vez, a nova, nós também vivemos a Lua em intensidades diferentes durante a vida. Também deve-se considerar a possibilidade, ao retirar-se esse Arcano, numa jogada, que o Consulente está conscientemente bloqueando o seu inconsciente, impedindo de deixarem vir à tona as visões e emoções que estão se formando, talvez por medo de enfrentá-las. A Lua também representa, e muito apropriadamente, pessoas que exercem trabalhos ou atividades noturnas, bem como aqueles que não abrem mão de uma “balada”, ou que assistem televisão até altas horas até dormirem, numa tentativa de bloquearem sentimentos, pensamentos ou imagens do inconsciente. É evidente que sempre temos que levar em conta a questão formulada pelo Consulente, bem como o lugar que a carta ocupa na disposição escolhida e das demais cartas que a seguem.

     A Lua Minguante que começa hoje representa o processo de finalização de um ciclo e, portanto, é um ótimo momento para revermos assuntos que ficaram pendentes. Estamos mais propícios a relevarmos erros cometidos por nós ou contra nós, pois nossa agressividade também fica em baixa. Capricórnio é onde a lua está entrando e não devemos esquecer que esse animal emergiu das águas do inconsciente para atingir uma alta racionalidade. Portanto é um bom momento para darmos ouvidos à nossa voz interior, à nossa intuição e prestarmos muita atenção aos nossos sonhos e às imagens mentais e sentimentos que tivermos. Ficar receptivo e, calma e tranquilamente, buscar um significado que possa ajudar na própria evolução. A escuridão lunar é apenas o prenúncio do Sol que está se preparando para, inevitavelmente, renascer.

     Uma ótima e inspirada terça-feira para todos!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

domingo, 4 de abril de 2010

Carta do Dia: A TORRE

     Torre Um amigo da nossa família  construiu uma excelente carreira como bailarino do Corpo de Baile do Theatro Municipal. Nas férias vínhamos assistir aos espetáculos que nos fascinavam, não só pela beleza das coreografias, da música, dos figurinos e cenários, mas também pela presença daquele nosso “quase vizinho” fazendo, com habilidade e arte, os principais papéis masculinos. Vindo de uma família de poucas posses, havia encarado o desafio de mudar-se para a capital, trabalhar como garçom para poder pagar as aulas de dança, submeter-se aos testes de seleção para, finalmente, brilhar no palco daquele verdadeiro santuário das artes.

     Por intermédio da dança viajou por todos os continentes, apresentando-se nos mais importantes palcos e recebendo as melhores críticas pelo seu fantástico desempenho. Aos 25 anos o mundo parecia curvar-se aos seus pés e um novo Nijinski parecia ter surgido do interior do Brasil para conquistar o planeta. As portas da fama e do sucesso abriam-se, de par em par, para esse jovem. O dinheiro fluía, assim como o redemoinho de compromissos sociais, sessões de fotos, ensaios, convites para jantares em palácios, embaixadas, apresentações como convidado especial de outras companhias de dança.

     Numa das últimas vezes que juntos estivemos era óbvia a transformação que aquele rapaz simples, humilde, tranquilo, trabalhador e inteligente do interior havia sofrido. Uma mudança que se percebia não apenas numa nova e sofisticada maneira de expressar-se, mas numa arrogância notável na qual ele era o único motivo cabível para justificar qualquer conversa. Convencido de seus dotes artísticos, desfiava os mais elogiosos comentários sobre si mesmo feitos por importantes personalidades. Sobre nossos amigos comuns, que continuavam a morar no interior, nenhuma pergunta, nenhum interesse. Procurávamos, de qualquer maneira, justificar essa metamorfose como um processo que logo se estabilizaria, pois afinal, era compreensível que ele estivesse numa outra sintonia que não a nossa. Afinal, tantas coisas excepcionais haviam lhe acontecido em tão pouco tempo.

     Fomos, rapidamente, perdendo o contato mas acompanhávamos a sua vida através do colorido das fotos nos jornais e das notícias na TV. E foi numa dessas ocasiões, assistindo a um telejornal, que ficamos sabendo de um terrível acidente sofrido por ele. Voltando para casa, após uma noite de estréia, provavelmente celebrada intensamente, foi atropelado. O infeliz evento custou-lhe uma das pernas, amputada na hora e o sério comprometimento da outra. A tristeza abateu-se de forma profunda e intensa sobre todos nós e não haviam palavras que pudesse servir de consolo para os seus pais, naquele momento.

     Muitos meses depois, ele retorna, em definitivo, à casa da família. Fui visitá-lo, procurando, no caminho, formular algumas frases que pudessem servir-lhe, se não de consolo, pelo menos de solidariedade e estímulo. Encontrei, numa cadeira de rodas, um ser humano arrasado, totalmente destituído daquela empáfia, daquela vaidade, da segurança e carisma que lhe eram peculiares nos últimos anos. À minha frente estava uma pessoa despojada de absolutamente tudo, sem nenhum traço de auto-estima e, pior, sem esperanças. Num desnecessário mea culpa, justificava sua desatenção para com os velhos amigos, seu desprezo pelas origens humildes, a tentativa de ocultar do resto do mundo tudo o que não fosse glamoroso em sua vida. Pedia que lhe perdoássemos a falta de telefonemas, a não retribuição dos cartões de boas-festas, o tempo que nunca pode dispensar quando nos encontrávamos pois estava sempre tão ocupado, com agendas sempre lotadas de compromissos, prisioneiro da sua carreira e de tudo o que ela representava para ele. Era um escravo da opinião da crítica especializada e dos coreógrafos cuja arte e poder haviam lhe permitido a vida de fausto tão sonhada. Meu amigo estava, como dizemos em tarot, vivendo uma Torre.

     Quando o Arcano XVI, a Torre (ou a Casa de Deus) aparece numa leitura, levando-se em conta a questão proposta pelo consulente e a sua posição entre as demais cartas da jogada, ela pode simbolizar eventos preocupantes, revolucionários, explosivos, especialmente se eles ocorrem de súbito. Não é uma evolução, algo que demanda um certo tempo e transitoriedade. É algo catastrófico, surpreendente, para o qual quase nunca estamos totalmente preparados. Algumas vezes significa o colapso de uma situação existente ou o fracasso de um plano, especialmente quando isso acontece devido a uma pressão interior. É um sinal de que, apesar de avisos de perigo, a pessoa continua teimosamente trilhando um determinado caminho que, inevitavelmente, irá apresentar algum tipo de desastre no final. É também sintoma de isolamento, orgulho e de ensurdecer-se aos pontos de vistas das outras pessoas. Num relacionamento pode significar um aumento de pressão causado pelo acúmulo de problemas e insatisfações, prestes a explodir, a não ser que se pare de tentar ignorá-los.

     Assim como a carta da Morte, a Torre pode ter um efeito libertador. Ainda que desagradáveis de serem vividos, os efeitos da torre podem soltar a pessoa das situações opressivas que vem vivendo e libertá-la para novas oportunidades. A Torre age como um veículo de revelação e não exatamente de iluminação. É um acontecimento que permite que as coisas sejam vistas com novos olhos, com uma nova compreensão. A Torre nos obriga a ver os fatos de uma maneira mais completa. Isso não significa que não possamos obter uma revelação espiritual através da demolição das estruturas que construímos para nos abrigar. Importante é reconhecer que ela representa o fim completo de uma situação e não querer se apegar aos seus restos mortais ou, pior, revivê-la. A Torre é um verdadeiro terremoto, de grau máximo, que acontece sem que a pessoa espere por ele.

     Nosso amigo bailarino viu-se forçado, por um evento fortuito, a despencar do alto da sua torre, abandonando a vaidade, a ilusão, o orgulho, a prepotência, o egocentrismo e aterrar, enfrentando a realidade e a necessidade de reconstruir-se, até mesmo fisicamente, tendo que recomeçar do zero absoluto. Todo o seu investimento havia sido feito na realização de seu sonho em transformar-se no grande artista, cercado de glórias, de admiradores, de recompensas materiais que foi. Agora era preciso encontrar uma nova razão para continuar vivendo (16 = 10 e 6= a Roda da Fortuna e os Amantes, a mudança em busca de novas alternativas) e esse processo começou perguntando-se o que foi necessário ser destruído em sua vida para que ele pudesse recomeçá-la. Do que seria necessário libertar-se para poder livremente e seguir novos caminhos (16 = 1+6= 7, o Carro, controle + força de vontade)? Bom, no caso dele foi o de oferecer-se, como voluntário, a trabalhar com as crianças de uma comunidade muito carente em sua cidade. Ensinou-lhe a criarem e construírem cenários e a desenharem figurinos e princípios básicos de iluminação para palco. Assim elas complementavam as aulas de ballet que recebiam de uma jovem, talentosa e dinâmica voluntária e possibilitavam construir espetáculos ainda mais bonitos. Meu amigo encontrou na professora não apenas uma parceira, uma colaboradora eficaz, mas um verdadeiro amor. Construíram juntos uma família onde antes só haviam escombros.

     A carta da Torre está profundamente ligada ao Arcano XX, o Julgamento, que é um chamado para um renascimento em todos os sentidos, especialmente o espiritual. É uma nova oportunidade de reestruturação após uma grande perda, um abalo violento. Sincronicamente, pois coincidência não existe, hoje é domingo de Páscoa, quando os cristãos comemoram a ressurreição de Cristo, o seu nascimento para um novo plano de vida. Creio ser esse o grande exemplo do que podemos fazer ao transmutar as situações que nos colocam com os pés no chão: vivê-las intensamente mas com esperança e fé. Se algo em nossa vida está se mostrando como uma má escolha feita, uma decisão precipitada e da qual nos arrependemos, um vício adquirido e do qual precisamos nos libertar, esse é o momento. Há que se destruir todas as estruturas dessa falsa máscara que construímos para nós mesmos e para que os outros nos aceitem e removermos o ego das alturas onde ele se posicionou e arfa com o ar rarefeito que o cerca. É tempo de assumirmos nossas dificuldades pessoais, desconstruirmos, peça a peça, o elaborado e labiríntico quebra-cabeças que armamos e nos concedermos a graça do perdão.

     Que a Luz da Espiritualidade possa brilhar sobre cada um de nós neste momento de Renascimento para uma vida melhor, agora e em todos os nossos dias nesta existência. Feliz Páscoa!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

TaroT Namur

    Conjunto TaroT Namur Mais de mil novos decks de tarots são produzidos anualmente, entre os artesanais, com baixíssima tiragem, normalmente feitos por encomenda;  aquele que são impressos e distribuídos por pequenas gráficas ou editoras e que, também, atingem um número restrito de consumidores, e os demais, produzidos e distribuídos mundialmente em larga escala, aos quais temos acesso de compra nas grandes livrarias, lojas especializadas e, até mesmo, pela internet.

       Basta-se uma rápida consulta na internet para vermos a enorme variedade de títulos à disposição, cujas imagens variam da mais simples garatuja, passando pelos anime japoneses, até obras originais de grandes artistas do porte de um Salvador Dalì. Há para todos os bolsos e gostos. A divisão mais notável entre eles está entre os que seguem o padrão Marseille, com a Justiça como a 8ª carta entre os Arcanos Maiores, e os que seguem Crowley, quando a Força troca de lugar com a Justiça, que passa a ser considerada na 11ª posição.

     Imperatriz Recentemente tive a oportunidade, através de uma grande amiga e mestra, a taróloga Rosa Silva, de ter em mãos os 22 Arcanos Maiores que compõem o TaroT Namur. Há muito eu esperava por uma oportunidade de ver esse que foi o primeiro deck de tarot impresso no Brasil cujas cartas tivessem sido originalmente criadas para ele e sob a orientação de um grande especialista no assunto. O Prof. Namur formou uma verdadeira geração de tarólogos, traduzindo a sua visão da tarologia no uso e aplicação cotidiana. Esse mestre sempre procurou apresentar o tarot como algo vivo, atemporal, imediato, cujas figuras falam através dos seus símbolos a todas as pessoas. Sem descuidar de suas origens ou de outros aspectos mais esotéricos, o Prof. Namur foi um dos pioneiros a trazerem essas arcanas cartas para o momento atual, ensinando os seus alunos a relacioná-las com atividades, pessoas, figuras sociais, condições sócio-político e econômicas contemporâneas.

     Estrela A taróloga Rosa Silva ganhou o dela, há anos, de um grupo de alunos, como presente de final de curso. Cuida das cartas com extremo carinho e conserva-as ainda em sua embalagem original de veludo negro com a inscrição “Tarot Namur” em dourado. O conjunto é composto de 22 cartas que seguem o padrão Marseille (Justiça-VIII / Força -XI). Marta Leyrós, na época uma das discípulas do Prof. Namur foi quem criou as magníficas 22 lâminas, utilizando-se de bico-de-pena, lápis de cor e canetas hidrográficas, num trabalho que consumiu 5 anos.

     O conjunto da obra é extremamente harmonioso, não havendo cartas mais ou menos elaboradas que as outras. Não se nota uma predileção, um favoritismo maior por qualquer dos arcanos, tendo todos recebido a mesma atenção e tratados com o mesmo cuidado e acuidade simbólica. As cores utilizadas pela artista são bastante intensas e há um notável uso de gradações de azul perpassando todas as lâminas. As figuras são bastante realistas, com a roupagem extremamente detalhada onde notáveis efeitos de superposição e de pequenos sinais gráficos podem ser notados especialmente nas cartas da Imperatriz e do Louco.

      Papa O Papa (Arcano V) destaca-se por ter um conjunto étnico de personagens bastante incomum: a figura do hierofante é de raça negra, enquanto que, baseando-me no açafrão das vestimentas e na substituição da tradicional tonsura por uma trança (uma clara e a outra escura), as duas figuras a seus pés parecem ser de origem oriental. As colunas Boaz e Joachin são bastante elaboradas, porém fugindo da tradicional ordem grega. A cruz tríplice e o pentagrama, além do piso com desenho de tabuleiro, fornecem uma ampla gama de possibilidades a serem desenvolvidas durante uma leitura ou, mesmo, na meditação com a carta.

   Enamorados   Vício e Virtude, bifurcações a serem escolhidas, opções a serem feitas, dualidades a serem observadas e assumidas estão perfeitamente representadas na lâmina dos Enamorados, onde o jovem parece englobado por uma iluminação própria, que tem aspectos terrenos e celestiais, ao mesmo tempo. Encontra-se num ponto do caminho onde ele se divide, tendo que optar entre a exuberante e luxuriosa jovialidade da mulher à esquerda, e a contenção clássica e formal da mulher loura à sua direita. Não um Cupido, mas o seu arco e seta, pairam sobre a cabeça do rapaz que é observado pela graciosa figura dos “putti”, que brindam a sua escolha (?) com flores.

    Louco Figura das mais conhecidas e avaliadas num conjunto de cartas, o Louco, em sua elaboradíssima roupa que nos remete aos personagens italianos da “commedia d’arte”, é o tradicional bufão equipado com seu bastão e sacola, tendo como companheiro uma figura animal que não é o cão que normalmente vemos nos tarots derivados das imagens Waite-Smith, mas um animal ancestral, com orelha e olhos planos, à maneira egípcia e um focinho transformado no bico de uma ave. Intencional ou não, essa figura é um sutil acréscimo dos autores à idéia de instinto, de voz interior, de intuição. É ancestral, remota e onírica em sua forma. À beira de um precipício, abandonando a aridez de uma vasta planície, prepara-se o Louco a dar o seu primeiro passo rumo à sua grande aventura, onde campos verdejantes e rios de águas cristalinas o esperam. Provavelmente voará, utilizando-se de sua touca de dois cornos como antenas a lhe servirem de guias na grande viagem que à sua frente se descortina.

     Enriquecido com símbolos astrológicos, letras hebraicas, pentagramas e demais símbolos mágicos, o Tarot Namur é de grande valia para quem dele se utiliza, pois favorece o desbloqueio dos canais intuitivos, permitindo que as imagens se comuniquem diretamente com o inconsciente, favorecendo a união do conhecimento técnico do tarólogo com a sua sensibilidade e percepção interior. Para o consulente, é também de fácil compreensão, apesar da grande quantidade de informações contidas em cada lâmina.

     Roda da Fortuna Como tarólogo e colecionador de decks de tarot, foi-me uma agradabilíssima surpresa poder constatar, com o tarot em mãos, a excelente qualidade do material. Bem sabemos o quanto a maioria das cartas fabricadas com essa finalidade, no país, ainda estão longe em termos de durabilidade, acabamento, facilidade de manuseio e nitidez de impressão, quando comparadas com suas similares estrangeiras. O TaroT Namur é uma honrosa exceção. Rosa Silva, que usa com certa frequência esse conjunto de cartas há anos, não tem o que reclamar e, nem mesmo as lâminas, apresentam sinais de desgaste pelo manuseio.

     Por isso, e muito mais que só mesmo com esses 22 Arcanos Maiores nas mão para experimentar, é que eu faço uma pausa entre as postagens deste Blog para comentar esse excelente trabalho que é um marco na história do tarot no Brasil e enaltece o trabalho dos nossos profissionais tarólogos e artistas plásticos que se provam capazes de produzir algo de nível internacional.

Diabo      Ao renomado Prof, Namur e à talentosíssima artista Marta Leyrós, os meus cumprimentos e a esperança de ver esse jogo de cartas novamente accessível ao grande público e aos profissionais que dele se utilizarão para cumprir o grande objetivo desse oráculo: a ajuda ao semelhante.

Ilustrações: Todas as lâminas mostradas nesta postagem fazem parte do TAROT NAMUR, ilustrado por Marta Leyrós.