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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Carta do Dia: 8 DE PAUS

Título

Senhor da Rapidez

Elemento

Fogo

Arcanjo

Raphael e Mich’ael

Nome Divino 

Elohim Tzabaoth

Mundo Cabalístico

Atziluth (mundo da emanação)

Sephirah

Hod (Glória)

Correspondência Astrológica

Mercúrio em Sagitário

Planeta 

Mercúrio

Pedra

Opala

  Wands08 (2)    Se pararmos para avaliar a progressão do trabalho de implantação de uma nova rede (em sociedade) de churrascarias vivida pelo nosso amigo empresário, e representada pelas cartas anteriores do naipe de Paus, veremos que ele, através de muito esforço e fé, está chegando muito próximo dos seus objetivos.

     Neste momento, as coisas parecem começarem a andar por conta própria, numa velocidade e com uma energia notáveis. Não que não seja mais necessária a intervenção da experiência, do conhecimento, da logística, da diplomacia que esse bem sucedido homem de negócios impõe a tudo o que faz, mas é como se algo estivesse se concretizando, crescendo e evoluindo de forma mais acentuada, com vida própria. Algo que foi pensado, analisado, planejado, estabelecido e finalmente começa a oferecer resultados bastante concretos e seguros. A rede de churrascarias em solo norte-americano não é mais apenas um sonho ou um desafio, mas já é uma realidade e começa a ocupar o seu lugar no mercado, implantando sua marca e criando novas possibilidades.

     Em meio a esse sucesso, o nosso amigo e seus sócios já começam a considerar a possibilidade de abrirem novas filiais e, até mesmo, estabelecerem uma forma de franquia que siga rigorosamente os padrões estabelecidos e de eficiência comprovada, que o nosso amigo implantou em seu comércio ao longo dos anos. Esse é um momento que poderíamos identificar com o 8 de Paus do tarot: um tempo quando as idéias e as energias, bem canalizadas, geram uma movimentação de idéias onde podemos arriscar dizer que “o céu é o limite”.

     Quando o 8 de Paus surge numa leitura de tarot, dependendo das cartas que o acompanham, da sua posição na jogada e da questão abordada, pode significar que é chegado o momento exato de agir, de tomar uma atitude. Também significa pressa,  mudança acelerada e muita atividade e pode vir na forma de uma viagem de última hora (especialmente de avião), ou numa grande troca de mensagens, e-mails e telefonemas, bem como num volume imenso de informações que nos são disponibilizadas. É prenúncio de que estamos, à todo vapor, nos dirigindo aos nossos objetivos. É também sinal de confiança, de ousadia, de coragem. Além disso, pode significar que iremos ter algumas surpresas pela frente pois “há algo no ar”.

     Negativamente, quando mal dignificada, essa carta pode estar simbolizando o fato de nos sentirmos oprimidos, com dificuldade de nos comunicarmos e comunicarmos os nossos sentimentos. Pode ser um surto de violência, de insolência e mesmo de remorso por atitudes cometidas. Precipitação e não finalização também devem ser consideradas quando a posição dessa carta é de obstáculo. No ambiente doméstico pode significar discussões, desentendimentos, ciúmes, tomada de decisões impensadas.

     Nesta quinta-feira, dia regido por Júpiter, o mais expansivo dos planetas, podemos combinar a velocidade proposta pelo 8 de Paus, em sua associação de Mercúrio e Sagitário, como um momento muito propício para visualizarmos novas metas, considerarmos novas possibilidades, pensarmos em aumentarmos a abrangência dos nossos negócios, das nossas atividades, por exemplo. É um momento de grande energia para que investiguemos e experimentemos novas alternativas, mais criativas, que nos proporcionem melhores resultados em todas as áreas da nossa vida. É tempo de crescer, de progredir, de abandonar a preguiça, arregaçar as mangas e buscar algo novo que nos realize, ou que pelo menos traga uma promessa de realização.

Tenham todos um excitante e inventivo dia!

Imagem: TAROT DE DALI

sábado, 27 de fevereiro de 2010

TaroT Namur

    Conjunto TaroT Namur Mais de mil novos decks de tarots são produzidos anualmente, entre os artesanais, com baixíssima tiragem, normalmente feitos por encomenda;  aquele que são impressos e distribuídos por pequenas gráficas ou editoras e que, também, atingem um número restrito de consumidores, e os demais, produzidos e distribuídos mundialmente em larga escala, aos quais temos acesso de compra nas grandes livrarias, lojas especializadas e, até mesmo, pela internet.

       Basta-se uma rápida consulta na internet para vermos a enorme variedade de títulos à disposição, cujas imagens variam da mais simples garatuja, passando pelos anime japoneses, até obras originais de grandes artistas do porte de um Salvador Dalì. Há para todos os bolsos e gostos. A divisão mais notável entre eles está entre os que seguem o padrão Marseille, com a Justiça como a 8ª carta entre os Arcanos Maiores, e os que seguem Crowley, quando a Força troca de lugar com a Justiça, que passa a ser considerada na 11ª posição.

     Imperatriz Recentemente tive a oportunidade, através de uma grande amiga e mestra, a taróloga Rosa Silva, de ter em mãos os 22 Arcanos Maiores que compõem o TaroT Namur. Há muito eu esperava por uma oportunidade de ver esse que foi o primeiro deck de tarot impresso no Brasil cujas cartas tivessem sido originalmente criadas para ele e sob a orientação de um grande especialista no assunto. O Prof. Namur formou uma verdadeira geração de tarólogos, traduzindo a sua visão da tarologia no uso e aplicação cotidiana. Esse mestre sempre procurou apresentar o tarot como algo vivo, atemporal, imediato, cujas figuras falam através dos seus símbolos a todas as pessoas. Sem descuidar de suas origens ou de outros aspectos mais esotéricos, o Prof. Namur foi um dos pioneiros a trazerem essas arcanas cartas para o momento atual, ensinando os seus alunos a relacioná-las com atividades, pessoas, figuras sociais, condições sócio-político e econômicas contemporâneas.

     Estrela A taróloga Rosa Silva ganhou o dela, há anos, de um grupo de alunos, como presente de final de curso. Cuida das cartas com extremo carinho e conserva-as ainda em sua embalagem original de veludo negro com a inscrição “Tarot Namur” em dourado. O conjunto é composto de 22 cartas que seguem o padrão Marseille (Justiça-VIII / Força -XI). Marta Leyrós, na época uma das discípulas do Prof. Namur foi quem criou as magníficas 22 lâminas, utilizando-se de bico-de-pena, lápis de cor e canetas hidrográficas, num trabalho que consumiu 5 anos.

     O conjunto da obra é extremamente harmonioso, não havendo cartas mais ou menos elaboradas que as outras. Não se nota uma predileção, um favoritismo maior por qualquer dos arcanos, tendo todos recebido a mesma atenção e tratados com o mesmo cuidado e acuidade simbólica. As cores utilizadas pela artista são bastante intensas e há um notável uso de gradações de azul perpassando todas as lâminas. As figuras são bastante realistas, com a roupagem extremamente detalhada onde notáveis efeitos de superposição e de pequenos sinais gráficos podem ser notados especialmente nas cartas da Imperatriz e do Louco.

      Papa O Papa (Arcano V) destaca-se por ter um conjunto étnico de personagens bastante incomum: a figura do hierofante é de raça negra, enquanto que, baseando-me no açafrão das vestimentas e na substituição da tradicional tonsura por uma trança (uma clara e a outra escura), as duas figuras a seus pés parecem ser de origem oriental. As colunas Boaz e Joachin são bastante elaboradas, porém fugindo da tradicional ordem grega. A cruz tríplice e o pentagrama, além do piso com desenho de tabuleiro, fornecem uma ampla gama de possibilidades a serem desenvolvidas durante uma leitura ou, mesmo, na meditação com a carta.

   Enamorados   Vício e Virtude, bifurcações a serem escolhidas, opções a serem feitas, dualidades a serem observadas e assumidas estão perfeitamente representadas na lâmina dos Enamorados, onde o jovem parece englobado por uma iluminação própria, que tem aspectos terrenos e celestiais, ao mesmo tempo. Encontra-se num ponto do caminho onde ele se divide, tendo que optar entre a exuberante e luxuriosa jovialidade da mulher à esquerda, e a contenção clássica e formal da mulher loura à sua direita. Não um Cupido, mas o seu arco e seta, pairam sobre a cabeça do rapaz que é observado pela graciosa figura dos “putti”, que brindam a sua escolha (?) com flores.

    Louco Figura das mais conhecidas e avaliadas num conjunto de cartas, o Louco, em sua elaboradíssima roupa que nos remete aos personagens italianos da “commedia d’arte”, é o tradicional bufão equipado com seu bastão e sacola, tendo como companheiro uma figura animal que não é o cão que normalmente vemos nos tarots derivados das imagens Waite-Smith, mas um animal ancestral, com orelha e olhos planos, à maneira egípcia e um focinho transformado no bico de uma ave. Intencional ou não, essa figura é um sutil acréscimo dos autores à idéia de instinto, de voz interior, de intuição. É ancestral, remota e onírica em sua forma. À beira de um precipício, abandonando a aridez de uma vasta planície, prepara-se o Louco a dar o seu primeiro passo rumo à sua grande aventura, onde campos verdejantes e rios de águas cristalinas o esperam. Provavelmente voará, utilizando-se de sua touca de dois cornos como antenas a lhe servirem de guias na grande viagem que à sua frente se descortina.

     Enriquecido com símbolos astrológicos, letras hebraicas, pentagramas e demais símbolos mágicos, o Tarot Namur é de grande valia para quem dele se utiliza, pois favorece o desbloqueio dos canais intuitivos, permitindo que as imagens se comuniquem diretamente com o inconsciente, favorecendo a união do conhecimento técnico do tarólogo com a sua sensibilidade e percepção interior. Para o consulente, é também de fácil compreensão, apesar da grande quantidade de informações contidas em cada lâmina.

     Roda da Fortuna Como tarólogo e colecionador de decks de tarot, foi-me uma agradabilíssima surpresa poder constatar, com o tarot em mãos, a excelente qualidade do material. Bem sabemos o quanto a maioria das cartas fabricadas com essa finalidade, no país, ainda estão longe em termos de durabilidade, acabamento, facilidade de manuseio e nitidez de impressão, quando comparadas com suas similares estrangeiras. O TaroT Namur é uma honrosa exceção. Rosa Silva, que usa com certa frequência esse conjunto de cartas há anos, não tem o que reclamar e, nem mesmo as lâminas, apresentam sinais de desgaste pelo manuseio.

     Por isso, e muito mais que só mesmo com esses 22 Arcanos Maiores nas mão para experimentar, é que eu faço uma pausa entre as postagens deste Blog para comentar esse excelente trabalho que é um marco na história do tarot no Brasil e enaltece o trabalho dos nossos profissionais tarólogos e artistas plásticos que se provam capazes de produzir algo de nível internacional.

Diabo      Ao renomado Prof, Namur e à talentosíssima artista Marta Leyrós, os meus cumprimentos e a esperança de ver esse jogo de cartas novamente accessível ao grande público e aos profissionais que dele se utilizarão para cumprir o grande objetivo desse oráculo: a ajuda ao semelhante.

Ilustrações: Todas as lâminas mostradas nesta postagem fazem parte do TAROT NAMUR, ilustrado por Marta Leyrós.