terça-feira, 1 de dezembro de 2015
A Sacerdotisa (Snapchat: TAROTEANDO)
quinta-feira, 13 de março de 2014
Abelhas Rainhas
Convido a todos os amigos e seguidores para lerem a CARTA DA SEMANA, postada todos os domingos no www.50emais.com.br
Tarot da semana: Uma saudação à mulher
Alexandre Moreira, Tarólogo
Sim, eu sei: foi ainda ontem que se celebrou o Dia Internacional da Mulher. Mas ainda que atrasado (Em relação ao que? Ou as mulheres só devem ser celebradas num único dia?), é interessante pensarmos em como o tarot sempre prestigiou o Feminino.
A SACERDOTISA (Arcano II), a IMPERATRIZ (Arcano III) e a FORÇA (Arcano XI) são exemplos claros da importância desse arquétipo para a humanidade. A Mãe Espiritual, aquela que tem um conhecimento que nos surpreende, que nos compreende, trata das nossas feridas da alma, nos aconselha e nos dá o sentido de pertencimento, a encontramos representada na figura da SACERDOTISA, a que cultua o lar, a que mantém aceso o fogo sagrado que aquece a família.
A IMPERATRIZ tem uma imagem sempre muito exuberante, pois a generosidade da Mãe Física, da mãe que nos cuida em seu ventre, nos entrega à vida e nos nutre é a característica mais marcante dessa mulher. E a FORÇA, equilibrando-se entre o físico e o espiritual, no controle que o espírito, o bom senso, a civilidade devem exercer sobre os instintos, sobre os impulsos irracionais, um exemplo da capacidade feminina em harmonizar opostos complementares.
(E estas são apenas algumas, visto ter o Tarot outras cartas onde a presença da mulher é parte constituinte do símbolo e da virtude representada.)
Abelhas-rainhas, eficientes e criativas organizadoras dos seus domínios, símbolos atemporais de força, amor e fonte de vida, personificações do Feminino Sagrado, nós as saudamos agradecidos, reverenciando a Menina, a Mulher e a Sábia que convivem em harmonia em cada uma de vocês.
FONTE: www.50emais.com.br
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A LUA
Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais;
somos também, o que lembramos
e aquilo de que nos esquecemos;
somos as palavras que trocamos,
os enganos que cometemos,
os impulsos a que cedemos...“sem querer”.
Sigmund Freud
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
A IMPERATRIZ
..."És feita de todo ouro,
de toda prata és feita,feita de todo o trigo
e de toda a terra feita,
és feita de toda a água
das marítimas ondas,
feita para meus braços,
feita para meus beijos,
feita para minha alma”.”
Pablo Neruda
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
A SACERDOTISA
A história do universo é um infinito livro sagrado
que todos os homens escrevem
e lêem
e tentam compreende-lo
e no qual também estão
inscritos
Jorge Luis Borges
Imagem: “Golden Tarot”, Kat Black
sábado, 5 de junho de 2010
Carta do Dia: 10 DE OUROS
Levantou-se de um salto. Enquanto ia para o chuveiro, repassou, mentalmente, a agenda do dia. Como sempre, haveria gravação pela manhã, depois uma reunião com um empresário que desejava organizar uma turnê dela pelas mais importantes cidades japonesas, ministrando aulas de culinária típica brasileira. O editor estava esperando o envio do seu 2º livro para revisão e não parava de ligar, pois queria aproveitar para lança-lo na comemoração de 3 anos de seu programa de TV. Havia combinado com a tia e as primas que mandaria o motorista para apanha-las no comecinho da noite, para um jantar especialíssimo que iria fazer, só para a família. A irmã estava dormindo no quarto de hóspedes, recém chegada do interior e ainda entorpecida com as dimensões e a velocidade de tudo que havia visto no trajeto do aeroporto até o seu novo apartamento.
Tornou a enumerar, enquanto se aprontava, quantas pessoas jantariam. De fora, só a jornalista, ex-patroa e mentora de tudo o que ela havia conseguido na vida. Estava excitadíssima, muito mais do que jamais estivera. O compromisso marcado na cidade, para o meio da tarde era o mais importante de toda a sua vida. Nada se igualava à expectativa e à ansiedade que sentia naquele momento. Antes de sair, passou pelo quarto anexo ao seu e olhou o trabalho feito pelo decorador. Estava realmente uma beleza. Parecia um sonho, coisa de revista de decoração, de conto de fadas…
Nos últimos meses viveu intensamente todo o processo de concretização de seu maior sonho. Foram inúmeras entrevistas com psicólogos, assistentes sociais, juiz, advogado. Dezenas de documentos foram preenchidos e arquivados. Exames médicos solicitados foram feitos. Referências pessoais coletadas e fornecidas. Audiências. Encontros. Reuniões. Mas finalmente o grande dia chegara e nessa tarde, ela iria, finalmente, finalizar o processo de adoção da mais encantadora criança que a escolheu no orfanato. Sim, pois foi aquela menininha, pequenina, franzina, quase raquítica, com olhos enormes a tudo e a todos observando, que apontou-a e sorriu assim que ela entrou no berçário. Foi amor à primeira vista. Ela sabia que a filha que tanto desejava ali estava, esperando por ela. Única sobrevivente entre todos de uma mesma família que pereceu no deslizamento e queda de sua precária moradia na encosta de um morro, na estação da chuva, a criança não tinha ninguém, nem nome, nada. Mas agora, tinha a ela e ambas tinham uma à outra.
Quando chegou ao estúdio para a gravação, esperavam por ela buquês e mais buquês de flores de todas as cores e espécies. Presentinhos para a “recém chegada” foram entregues às dúzias e uma das secretárias chegou a imprimir e encadernar os milhares de e-mails recebidos das telespectadoras. Ela fez o programa absolutamente emocionada. Agradeceu publicamente a todos e continuou seguindo para os outros compromissos que a aguardavam. À tarde, numa brevíssima cerimônia na Vara da Família, com a presença emocionadíssima de sua irmã mais velha e das testemunhas de praxe, o Juiz conferiu-lhe o Termo de Adoção da pequena Anna Luísa, nome de sua falecida mãe, que também falecera quando ela era criança.
Já era tarde da noite quando a tia, as primas e a amiga jornalista, e agora comadre pois ira ser a madrinha da sua filha, se retiraram. A irmã, acostumada com a vida no sítio, havia ido deitar mais cedo. Ela apagou as luzes da sala e dos corredores e entrou, na penumbra do quarto, para uma vez mais olhar sua filha. Debruçou-se sobre o bercinho e ajeitou melhor os lindos lençóis bordados com rendas e fitas. Mais uma vez a emoção tomava conta dela e deixou que as lágrimas corressem livremente pelo seu rosto. Era feliz. Era feliz por ter realizado todos os seus sonhos. Era feliz por sempre ter feito o que sabia e amava fazer. Era feliz por saber-se uma excelente profissional. E agora, mais do que nunca, essa felicidade se completava ao ver, dormindo, aquela criancinha a quem ela iria amar com toda a intensidade, retribuindo o amor que havia recebido de todos, sem distinção, em todos os momentos da sua vida. Iria estender, àquela criaturinha, todas as oportunidades que tivera na vida para crescer, conhecer-se como ser humano, sentir-se útil, saber que havia colaborado para que os seus semelhantes vivessem melhor. Claro que Anna Luísa teria a sua própria vida, suas prioridades, suas necessidades, sua personalidade, mas ela estaria sempre ao seu lado para ensina-la, caso precisasse, a ouvir a voz do seu coração e seguir os seus sonhos.
Deitou-se, apagou o abajur e agradeceu por aquele dia e por todos os outros da sua vida. Adormeceu agradecendo pela filha que o Universo a ajudara a encontrar. Começou a sonhar com a mãe, que lhe sorria e lhe entregava Anna Luísa, que carregava nos braços. Ela abraçava a mãe e a menina, num abraço longo, suave, carinhoso… e… acordara imediatamente ao ouvir o choro da sua filhinha reclamando atenção. Sentiu-se mãe, feliz em poder estar ali, presente às necessidades da sua cria. Levantou-se e num segundo estava ao lado do bercinho.
A vida não poderia ser melhor!
Quando um 10 de Ouros surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua localização entre as demais cartas do tabuleiro e da questão proposta pelo Consultante, pode significar que a riqueza de possuir família, amigos e os entes queridos próximos a si, fazem o Consultante sentir-se feliz e pleno. Uma celebração de volta ao lar. Sentir-se rei no castelo que construiu com suas próprias mãos. Uma possível herança pode estar a caminho. Amar e proteger a família. Ter construído em bases sólidas. Conscientizar-se de que a sua vida é cheia de riquezas e tesouros vários. Aceitar e retribuir a bondade e o amor. No fato do Consultante mostrar-se para os outros como ele realmente é, ele acrescenta riquezas e sucesso à sua pessoa. Uma boa vida, com saúde e segurança. Solidez nos negócios. A materialização das esperanças e desejos do Consultante.
Numa posição menos favorecida, de obstáculo, o 10 de Ouros pode significar que o potencial merecido de coisas boas ainda não se revelou para o Consultante. Um outro significado dessa carta é que a fortuna, o conforto, o bem estar, a saúde, a riqueza material e a segurança estão lá, à disposição, mas o Consultante não se apercebe desse fato ou não lhes aprecia ou reconhece o valor. Muita atenção ou expectativa foram direcionadas aos aspectos exteriores das coisas, dos fatos ou das situações, sem uma dimensão interior, uma consciência da Fonte que nos abastece, aquilo que dá sentido e significado à palavra “Abundância”.
Neste sábado, dia da semana sob a regência do sábio, disciplinador e consolidador Saturno, com a Lua Minguante em Peixes e o representante astrológico da nossa Carta do Dia, Mercúrio transitando em Virgem, devemos evitar sermos muito críticos ou excessivamente exigentes e cooperar mais, ajudar mais, nos envolvermos mais, enfim, com as nossas relações, desde que isso não interfira de forma alguma nas escolhas individuais de ninguém. Use seus dons pessoais para contribuir com que toda pessoa que cruzar seu caminho possa seguir o dela, de forma individual, com alegria e realização. Assim procedendo, uma verdadeira benção, em forma de boas intenções compartilhadas, irá se estabelecer e desenvolver-se entre todos nós.
Tenham todos um excelente e renovador final de semana!
Em Julho:
CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
(R. Barão de Ipanema, 94 Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939 e contato@jardimdossentidos.com.br
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F.J. Campos
sábado, 22 de maio de 2010
Carta do Dia: 10 DE ESPADAS
ÉDIPO
“… Mas ninguém mais me arrancou os olhos; fui eu mesmo!”
“Desgraçado de mim! Para que ver, se já não poderia ver mais nada que fosse agradável a meus olhos?”
CORIFEU
“Realmente! É como dizes!”
ÉDIPO
“Que mais posso eu contemplar, ou amar na vida? Que palavra
poderei ouvir com prazer? Oh! Levai-me para longe daqui, levai-me depressa para bem longe. Eu sou um réprobo, um maldito, a criatura mais odiada pelos deuses, entre os mortais!”
……………………………
“…..por que mostraste um dia um pai irmão de seus filhos, filhos irmãos de seu pai, e uma esposa que era também mãe de seu marido?! Quanta torpeza pôde ocorrer entre criaturas humanas! Vamos! Não fica bem relembrar o que é hediondo fazer-se; apressai-vos - pelos deuses! –em esconder-me longe daqui, seja onde for! Matai-me, atirai-me ao mar, ou num abismo onde ninguém mais me veja! Aproximai-vos: não vos envergonheis de tocar num miserável; crede, e não temais; minha desgraça é tamanha, que ninguém mais, a não ser eu, pode sequer imaginá-la!”
………………………………………………….
CORIFEU
“Habitantes de Tebas, minha Pátria! Vede este Édipo, que decifrou os famosos enigmas! Deste homem, tão poderoso, quem não sentirá inveja? No entanto, em que torrente de desgraças se precipitou! Assim, não consideremos feliz nenhum ser humano, enquanto ele não tiver atingido, sem sofrer os golpes da fatalidade, o termo de sua vida.”
Édipo e Corifeu, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.
Se me perguntarem qual é o lado positivo do 10 de Espadas, creio que diria ser o fato que pior do que está não pode ficar. Chegamos ao fundo do poço. Descemos ao mais profundo da miséria humana. Chegamos ao limite das nossas forças. Mais não poderemos suportar. Então, o que nos resta fazer? Eu diria que a solução viável é firmar bem os pés no chão e utilizar a realidade como mola propulsora para nos reerguermos.
Algumas pessoas têm grande dificuldade de ultrapassarem a barreira do 9 de Espadas. Só quando reconhecemos que chegamos ao limite e aceitamos o fato, sem ficarmos inventando desculpas do gênero “eu sou assim mesmo”, “eu nunca vou conseguir”, “não posso acreditar que tenha acabado”, eu não vou deixar isso acabar assim não”, “não é tão ruim como parece”, só mesmo quando aceitarmos o fato de que não há mais nada, naquela situação, pelo que lutar, é que vamos conseguir nos libertar da âncora que nos arrasta ao fundo do oceano e tomar impulso para emergirmos novamente.
As cartas numeradas com o valor 10 encontram-se na base da Árvore da Vida cabalística, numa Sephirah (esfera) denominada Malkuth, ou o Reino. Malkuth é o plano terreno, o planeta Terra, nosso mundo, nossa realidade. O 10 de Espadas, como as demais cartas desse valor, representa o fim de um ciclo, mas não o nosso fim. Como a seiva de uma árvore, nós continuaremos a circular, pois os caminhos da Árvore da Vida tanto são ascendentes como descendentes. A cada ciclo nós nos renovamos, acumulando experiências que nos servirão na vivência de outros, e outros, e outros ciclos mais.
A trágica história do rei Édipo chega ao seu final. Ele, cego, pede para Creonte, seu tio e cunhado, para ser banido de Tebas. Implora para ir para o monte Citerão, local onde, ainda bebê, havia sido abandonado, pois crê que deve ser lá o local onde deverá aguardar a morte, aquela que não aconteceu quando seus pais o quiseram:
“Quanto a mim, não queiras que a cidade de meu pai me tenha como habitante, enquanto eu vivo for; ao contrário, deixa-me ir para as montanhas, para o Citéron, minha triste pátria, que meus genitores escolheram para meu túmulo, para que eu morra por lá, como eles queriam que eu morresse. Aliás, eu bem compreendo, que não será por doença, ou coisa semelhante, que terminarei meus dias; nunca foi alguém salvo da morte, senão para que tenha qualquer fim atroz.”
Pede que Creonte enterre Jocasta e lastima a sorte dos filhos, que sofrerão o desprezo de todos, especialmente as filhas, Antígona e Ismênia:
“… E quando atingirdes a idade florida do casamento, quem será... sim! - quem será bastante corajoso para receber todos os insultos, que serão um eterno flagelo para vós, e para vossa prole? Que mais falta para vossa infelicidade? Vosso pai? Mas ele matou seu pai, casou-se com sua mãe, e desse consórcio é que vós nascestes. Eis as injúrias com que vos perseguirão...
Quem vos quererá por esposa? Ninguém! Ninguém, minhas filhas!
Tereis de viver na solidão e na esterilidade…”
Pede, finalmente, que Creonte permita que ele se faça acompanhar, no exílio, pelos filhos, para que lhe sirvam de guia e de consolo, obtendo do tio e cunhado a seguinte observação:
CREONTE
“Não queiras satisfazer todas as tuas vontades, Édipo! Bem sabes que tuas vitórias anteriores não te asseguraram a felicidade na vida!”
Com essa frase, Sófocles, há 2.500 anos, demonstrou seu conhecimento sobre a chamada Roda do Destino, onde as posições se alternam à medida que a roda gira e onde o único lugar de estabilidade e paz (nirvana) é o centro da mesma. As vitórias anteriores (derrotar a Esfinge) não garantiram a Édipo a permanência do seu status, a continuidade da sua glória, o equilíbrio do seu raciocínio, a harmonia das suas emoções.
O surgimento de um 10 de Espadas numa leitura de tarot, sempre levando-se em consideração a sua posição na jogada, bem como as das demais cartas, e a questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar um momento de azar e de sofrimento. Um aviso de que a situação está para explodir sob seus pés. Medos, paranóia e pessimismo. Pesar, dor. O Consultante pode estar empregando muita energia com pensamentos destrutivos, ou mesmo, criando sua própria derrota. Reagir de maneira exagerada, extremamente dramática e muito teatral a uma situação. Um relacionamento que termina subitamente. Problemas a serem enfrentados em todas as áreas. As coisas caminham para o pior. Uma sequência de doenças inesperadas. O fim dos sonhos e das esperanças.
Apesar de seu aspecto extremamente negativo, essa carta também pode, em determinadas situações, simbolizar o fim dos tempos difíceis, com a situação melhorando um pouco. Um sucesso temporário. Um favor recebido. O Consultante começa, vagarosamente, a sentir-se mais confiante e recomeça a sua caminhada para recuperar a força interior perdida, utilizando-se para tanto, o que aprendeu com os episódios passados. O Consultante pode ter uma pequena iluminação, uma breve revelação sobre o problema, que o ajudará a recomeçar. Pode significar uma significativa recuperação de problemas causados por terceiros. O pior já aconteceu, e para continuar o Consultante deve aceitar a sua dor, tendo o tempo como aliado em sua cura. Tal como um pássaro que sai da casca do ovo, o Consultante ainda tem que aprender (ou reaprender) a voar.
Neste sábado, com Saturno como regente do dia e a Lua em Libra, é aconselhável que não nos envolvamos em confrontações de nenhuma espécie. Manter uma disposição mental bastante alerta e receptiva, cuidando para não cultivar pensamentos, definições ou decisões negativas, irreais ou precipitadas, conservar uma atitude equilibrada, harmoniosa, pacífica e bastante diplomática, só pode trazer benefícios, hoje e em qualquer outro dia das nossas vidas. Abra-se para o fluxo da vida e sinta a sua seiva percorrer o seu corpo!
Um ótimo e muito esperançoso final de semana para todos!
Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Carta do Dia: 7 DE ESPADAS
ÉDIPO
(A Jocasta.) “Senhora, acreditas que o homem a quem mandamos há pouco chamar, seja o mesmo a quem este mensageiro se refere?”
JOCASTA
“De quem te falou ele? Ora... não penses nisso; o que ele diz não tem importância alguma.”
ÉDIPO
“É impossível que com tais indícios eu não descubra, afinal, a verdade acerca de meu nascimento.”
JOCASTA
“Pelas divindades imortais! Se tens amor a tua vida, abandona essa preocupação. (À parte.) Já é bastante o que eu sei para me torturar.”
ÉDIPO
“Tranqüiliza-te! Mesmo que eu tivesse sido escravo desde três gerações, tu não serás humilhada por isso!”
JOCASTA
“Não importa! Escuta-me! Eu te suplico! Não insistas nessa indagação!”
ÉDIPO
“Em caso algum desistirei de elucidar esse mistério.”
JOCASTA
“No entanto, é para teu bem que assim te aconselho.”
ÉDIPO
“Acredito... mas esses conselhos teus há muito me importunam!”
JOCASTA
“Infeliz! Tomara que tu jamais venhas a saber quem és!”
Édipo e Jocasta, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.
Um dos pontos altos da peça “Édipo Rei” é o momento em que Édipo manda buscar o Pastor a quem ele fora entregue, recém-nascido, para ser abandonado no campo, para morrer e assim não cumprir a profecia do Oráculo de Delfos que havia avisado a Laio e Jocasta, seus pais, que um dia o filho mataria o Rei e desposaria a Rainha, sua mãe.
Édipo percebe que será o depoimento daquele pastor que elucidará os fatos e, principalmente, fará com que ele finalmente compreenda a sua origem. Jocasta, sua esposa e mãe biológica (fato que Édipo ainda não sabe), já consciente da tragédia que estão vivendo, tendo juntado as informações e percebido a terrível verdade que se escondera por tantos anos e que agora, tal qual uma espada, pende sobre suas cabeças, faz o possível para convencer o esposo (e filho) a desistir de seu intento de descobrir a verdade. Sabe que o pastor a quem ela entregara o seu filho para que fosse abandonado à própria sorte, irá fornecer a Édipo subsídios suficientes para que ele solucione a sua crise de identidade. Além disso, ela teme a reação de seu filho e consorte ao saber que ele assassinara o próprio pai e vive como marido e mulher com sua mãe. Ela, agindo mais maternalmente do que como esposa, quer evitar a ele tal sofrimento. Quer evitar que ele saiba que foi mandado à morte, ainda bebê, por ela e por seu pai, Laio. Quer impedir que a verdade venha à tona, porque bem sabe as consequências dessa descoberta. Édipo recusa-se a ouvi-la e, inclusive, acusa-a de dar-lhe conselhos equivocados e, com isso, subtraindo dele a possibilidade de conhecer a sua própria verdade.
Quando um 7 de Espadas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, além da questão formulada pelo Consultante, pode simbolizar que, ainda que o Consultante esteja se esforçando, ele não está chegando a nenhum resultado, além de existir uma sensação de que não importa o que ele faça ou deixe de fazer, ele não obtém resultados. Pode ser que o Consultante queira fazer uma mudança em sua vida, mudando-a para melhor, ou mesmo, saber qual é o seu lugar, a sua posição na situação que possa estar vivenciando. Sentir-se inseguro, pessimista ou inquieto em relação aos seus propósitos de vida. Sentir-se deprimido pela sua falta de habilidades, de utilidade. Sente-se dispensável. Sentir-se vivendo uma situação misteriosa. Sentir-se traído. Ser roubado, seja material ou intelectualmente. Também uma mudança física, de residência, de cidade, de estado pode ser considerada.
Num aspecto positivo, o 7 de Espadas, sempre dependendo da sua posição na jogada, pode significar que o Consultante está se permitindo pensar mais claramente, mais realisticamente, a respeito da situação que está vivendo. Começar novos planos, sentindo que existe um novo propósito em sua vida. Procurar conselho e optar por modificar a vida para melhor. Sentir-se bem consigo mesmo. O mistério que pairava sobre determinada situação começa a se dissipar. O Consultante sente-se, novamente, inteiro, com uma mente aguçada e ágil. As pessoas passam a considera-lo como indispensável.
Nesta quarta-feira, sob a regência de Mercúrio e com a Lua Nova em Leão, poderíamos usar o conselho expresso pelo 7 de Espadas de encerrarmos velhas lutas, antigos argumentos, discussões ultrapassadas, desavenças mesquinhas. É uma ótima ocasião para afugentarmos os fantasmas do passado, de uma vez para sempre. Tempo de dizer adeus a ambições e objetivos que já não representam mais nada em nossas vidas e prestar mais atenção aos nossos sonhos, nossas intuições, nossa voz interior.
Que o dia de hoje traga o abandono de velhos hábitos que são nocivos ao nosso estágio de desenvolvimento atual e nos libere para alçarmos vôos mais altos. Tenham todos um ótimo dia!
Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov
terça-feira, 18 de maio de 2010
Carta do Dia: 6 DE ESPADAS
JOCASTA
“…Mas dize por que vieste, e que notícias nos queres anunciar.”
MENSAGEIRO
“Coisas favoráveis para tua casa, e teu marido, senhora.”
JOCASTA
“De que se trata? De onde vens tu?”
MENSAGEIRO
“De Corinto. A notícia que te trago ser-te-á muito agradável; sem dúvida que o será; mas pode também causar-te alguma contrariedade.
JOCASTA
“Mas que notícia será essa, que produz, assim, um duplo efeito?”
MENSAGEIRO
“Os cidadãos do Istmo resolveram aclamar rei a Édipo, segundo
dizem todos.”
JOCASTA
“Quê? O venerando Políbio já não exerce o poder?”
MENSAGEIRO
“Não... A morte levou-o à sepultura.”
JOCASTA
“Que dizes tu? Morreu Políbio?”
MENSAGEIRO
“Que eu pereça já, se não for a pura verdade!”
…………………………………………………….
ÉDIPO
“Ora eis aí, minha mulher! Para que, pois, dar tanta atenção ao solar de Delfos, e aos gritos das aves no ar? Conforme o oráculo, eu devia matar meu pai; ei-lo já morto, e sepultado, estando eu aqui, sem ter sequer tocado numa espada... A não ser que ele tenha morrido de desgosto, por minha ausência... caso único em que eu seria o causador de sua morte! Morrendo, levou Políbio consigo o prestígio dos oráculos; sim! os oráculos já não têm valor algum!”
JOCASTA
“E não era isso o que eu dizia, desde muito tempo?”
ÉDIPO
“Sim; é a verdade; mas o medo me apavorava.”
JOCASTA
“Doravante não lhes daremos mais atenção.”
Mensageiro, Jocasta e Édipo, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.
Sófocles, há aproximadamente 2.500 anos, ao criar essa obra-prima da literatura mundial, esse magnífico exemplo de peça teatral, utilizou-se de todos os recursos para dar veracidade ao drama que queria retratar.
Se olharmos “Édipo Rei” como uma peça sobre parricídio e incesto, estaremos fazendo uma leitura bastante superficial de todos os conflitos da alma humana apreendidos pelo sábio escritor em seu texto. Édipo é um homem com todos as virtudes e pecados, com todos os vícios e angústias, com todos os medos e egolatria que iremos encontrar na humanidade, de forma geral, em qualquer tempo. A maneira com que ele procura esquivar-se da verdade, ainda que, técnicamente a busque, é impressionante.
A chegada do Mensageiro, vindo de Corinto com a notícia que seu pais (que era adotivo) havia falecido é o bastante para que ele acredite que o Oráculo de Delfos estivesse enganado a seu respeito. Imediatamente, ao ouvir a notícia ele desacredita as mensagens das pitonisas do célebre templo de Apolo, recebidas anos antes, que diziam que ele mataria seu pai e casar-se-ia com a própria mãe. Na época, fugiu, para evitar que a profecia se cumprisse e que ele viesse a assassinar o Rei Políbio, de Corinto, e casar-se com a Rainha Mérope, que acreditava ser sua verdadeira mãe. Nessa fuga, tomando rumo de Tebas, cruza com o Rei Laio, que era seu pai verdadeiro, e, numa discussão tola, mata-o, vindo, depois, desposar sua mãe biológica, a Rainha Jocasta, com quem teve 3 filhos.
A notícia que o Mensageiro traz é o suficiente para que ele busque, desesperadamente, livrar-se de uma carga de culpa, de um medo que lhe é imenso de tornar-se assassino do homem que ama como pai e desposar a própria mãe. Esse conflito já é o bastante para que sua mente esteja obscurecida por confusos pensamentos. A notícia é uma esperança, uma porta de saída para uma situação. Uma possibilidade de mudança, de alteração dos fatos. O que ele ainda não sabe é que essa súbita reviravolta na história trará consigo ainda maiores angústias. Essa travessia que Édipo procura fazer, utilizando a notícia da morte por causas naturais de Políbio, não será tão tranquila quanto ele espera. Na margem oposta dessa pretensa passagem para dias melhores, aguardam-lhe novidades que irão aumentar ainda mais a sua confusão mental e obscurecerão ainda mais a sua alma.
MENSAGEIRO
“Podes revelar-me esse oráculo, ou é vedado a outros conhecê-lo?”
ÉDIPO
“Pois vais saber: Apolo disse um dia que eu me casaria com minha própria mãe, e derramaria o sangue de meu pai. Eis aí por que resolvi, muitos anos, viver longe de Corinto...”
MENSAGEIRO
“E foi por causa desses receios que te exilaste de lá?”
ÉDIPO
“Também porque não queria ser o assassino de meu pai, ó velho!”
MENSAGEIRO
“Oh! Por que não te livrei eu de tais cuidados, eu, que sempre te quis bem?”
…………………………………………..
MENSAGEIRO
“Sabes, por acaso, que esse receio absolutamente não se justifica?”
ÉDIPO
“Como não? Pois se eles foram meus progenitores...”
MENSAGEIRO
“Políbio nenhum parentesco de sangue tinha contigo!”
ÉDIPO
“Que dizes?!... Políbio não era meu pai?”
Após um momento em que, acreditando que o Oráculo estivesse errado e que ele nada devesse temer, Édipo é confrontado com mais uma das peças do grande quebra-cabeças que ele precisa montar para saber exatamente quem é. Ao tomar conhecimento que o Rei cretense não era seu pai, ele perde a única fonte de identidade que conhecia até então. Quem é ele? De onde ele vem? A que está predestinado? Convenhamos que essas são questões básicas que lidamos no curso de nossas vidas, e não são apenas recursos teatrais para nos manter interessados na história. Quem nunca se questionou qual a sua real função neste plano de vida? Se é, ou não, um joguete de um destino que pode ser, em alguns casos bastante cruel. O quanto de livre-arbítrio realmente possuímos e o que essa nossa capacidade de fazer determinadas escolhas pode, ou não, alterar um destino que pode ser (ou não) imutável. O quanto nos conduzimos e o quanto somos conduzidos por forças muito mais poderosas e arcaicas?
Quando um 6 de Espadas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição na jogada e das demais cartas que a acompanham, além da questão proposta pelo Consultante, pode significar que se ele irá ou não adiante com a situação que está vivendo naquele momento irá depender inteiramente da sua clareza mental e disposição para enfrentar desafios e encarar a verdade dos fatos. Pensamentos confusos, truncados, são como bagagens inúteis, pesos mortos, que transportamos a cada porto da nossa vida. De nada nos servem. Quando abrimos nossos olhos e nossa mente, estabelecemos contato com a realidade, colocamos os pés no chão, conseguimos separar os eventos, os fatos, as pequenas peças que constituem o todo e analisa-las individualmente, conhecendo-as bem, não nos esquivando da dor ou do prazer que elas possam nos proporcionar. Assim sendo, tendo uma visão clara do conjunto e dos horizontes e caminhos disponíveis, estamos novamente prontos para assumirmos o leme desse barco que poderá nos conduzir, ainda que por águas turvas e agitadas, mas em segurança para uma margem mais ensolarada.
O aparecimento do 6 de Espadas é um lembrete para que sejamos fiéis a nós mesmos e corretos em nossa conduta. Para que usemos a nossa flexibilidade mental, ainda que dentro de uma situação bastante difícil ou conflitante, para que possamos encontrar o que nos motiva, o que nos faz seguir adiante. É importante, também, que nos lembremos que a maneira com a qual comunicamos nossos desejos, nossas intenções, nossas dúvidas, angústias, medos, ou emoções é fundamental para que possamos compartilhar e, assim, diminuir nossa carga. O 6 de Espadas simboliza um “dar as costas” para o passado, em busca de um futuro melhor. Mas o passado não é uma mancha que possa ser lavada das mãos. Enquanto o Consulente não o enfrentar corajosamente e procurar aceitá-lo e, se for o caso, resolve-lo, ele acompanhará, como peso extra na bagagem que carregará para qualquer seja o futuro que pretenda que lhe aconteça.
Édipo está num barco à deriva. Supostamente abandonou seus velhos temores, descartando a mensagem oracular recebida muitos anos antes, mas também não sabe o que lhe aguarda à frente. A notícia de que Políbio não era seu progenitor, destrói sua teoria de que a pitonisa do Templo de Apolo, em Delfos, enganara-se ao prever que ele o mataria. Políbio morrera de causas naturais e não pela sua espada… mas não era seu pai. A possibilidade do Oráculo estar certo ainda perdura.
O dia de hoje, no antigo calendário romano, era consagrado a Apolo, que representava o Sol e era o inventor da música, das artes e da adivinhação. Seu templo, em Delfos, era local de peregrinação e até hoje estuda-se, geologicamente, as possíveis influências de gases emanados do interior da terra na indução ao transe das pitonisas residentes. A palavra “oráculo” significa “comunicação divina” ou “aquele que fala em lugar de deus”. Talvez fosse interessante, nesta data, meditarmos e procurarmos ouvir a nossa voz interior, a fala da nossa intuição, e nos permitirmos estabelecer uma comunicação com o Divino que nos habita. Usemos, como exemplo, a figura do sábio, e cego, Tirésias, o vidente de “Édipo Rei”, que, na sua cegueira física, conseguia enxergar muito mais do que aqueles que tinham seus olhos voltados apenas para o exterior. Olhar para dentro de nós mesmo é necessário. Os gregos tinham um nome para pessoas como Tirésias: enthousiasmós (entusiasmo), ou seja, aquele que tem Deus dentro de si. Busquemos esse entusiasmo dentro de nossas almas.
Tenham todos uma excelente e transformadora terça-feira!
Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Carta do Dia: 7 DE COPAS
Ela saiu do almoço com sua mãe e caminhou o pouco que a distanciava da orla da praia. O sol brilhava forte e o céu da tarde estava de um azul cristalino. Decidiu sentar-se num quiosque e tomar uma água de coco enquanto tentava dar um sentido ao turbilhão de pensamentos e emoções que tomavam conta dela.
Pensou no que a mãe lhe dissera a respeito do problema vivido com o pai, antes dela nascer. Seriam seus ciúmes irreais? Estaria ela, também, vendo “fantasmas” onde nada havia? E se, na verdade, o marido e a ex-noiva estivessem mantendo um “caso” e usando a desculpa do trabalho e das constantes viagens como disfarce? E se ela voltasse ao apartamento dos pais deles e, chorando, contasse o que estava acontecendo e pedisse que eles intercedessem por ela? E se eles se recusassem e ela finalmente descobrisse que eles preferiam a ex-noiva a ela? E se ela procurasse o antigo namorado, o surfista que havia retornado depois de anos no Havaí e que estava abrindo uma fábrica de pranchas? Como será que ele estava? Será que ainda pensava nela com o mesmo carinho e desejo de antes? A amiga havia sugerido que sim, quando falou sobre ele… E se ela aceitasse o convite da empresa que trabalhara para fazer aquele estágio em Paris? Quem não sonha ir estudar por um ou dois anos na Cidade Luz? E se na Europa ela viesse a conhecer um outro alguém que a amasse como ela sempre pretendera? Mas, e depois, quando o curso acabasse e ela tivesse, por uma questão de compromisso com a empresa, de voltar ao Brasil? Como ficaria a situação dela com esse novo homem? E se ela simplesmente voltasse a trabalhar, interrompendo a licença, preenchendo novamente seus dias com as reuniões de grupo e com fornecedores, voltasse a estudar planilhas de vendas, dedicasse seu tempo à criação de novas estampas e ficasse “antenada” com tudo o que se estava fazendo em moda? E se ela ligasse para ele, agora mesmo, e pedisse desculpas, se humilha-se, reconhecesse que estava completamente errada, morta de ciúme e inveja da outra? E se ele desligasse o telefone sem lhe dizer nada? E se ele atendesse da forma amorosa de sempre e dissesse que ela fosse encontra-lo imediatamente onde quer que estivesse? E se ele confessasse que sim, que estava apaixonado mesmo pela ex-noiva e que iria entrar com o pedido de divórcio assim que voltasse? E o que seria da vida dela sem ele? E o que…
_”Mais uma água de coco, madame?”
Saiu daquele turbilhão de fantasiosas idéias com a voz do vendedor de coco. Agradeceu, pagou e saiu caminhando pelo calçadão. Estava confusa. Ela, que sempre se considerou uma mulher altamente criativa, pronta sempre para enfrentar todos os desafios da forma mais racional possível, analisando-os por partes, estudando seus detalhes e suas implicações, não se deixando iludir pelas aparências e procurando encontrar sempre a melhor saída para os problemas… quando foi que ela se tornara essa mulher indecisa de agora? Em que recanto dela mesma estivera escondida essa criatura insegura, amarga, dependente, presa à idéias confusas, mal estabelecidas, vivendo de pedaços de pesadelos? Ela mesma não mais se reconhecia.
Resolveu que deveria ir para casa e, novamente, ligar para ele. Conversariam novamente e ela mais calma, mais controlada, lhe contaria das suas desconfianças, dos motivos que a levaram a desesperar-se, do medo profundo de perder o seu amor, da enorme saudade que sentia dele e se desculparia pelo vexame do telefonema anterior. Ele, que sempre fora compreensivo, educado, carinhosíssimo com ela, iria ouvi-la e com certeza diria algumas palavras sábias e amorosas que poriam fim a todo esse episódio. E então ele iria dizer, pela zilhonésima vez que a amava, que não poderia nunca pensar em viver sem ela, que ela era única, que era a mulher que ele sempre sonhara, que…
_“Ooooooo, tia! Qual é? Quer que eu atropele você? Não sabe que não pode ficar andando na pista das bikes! Pow!… Cuidado, aí, viu?”
Nem havia percebido que quase fora atropelada por um ciclista. Refez-se do susto e desculpou-se com um sorriso sem graça. O sol estava começando a descer no horizonte e a maré desmanchava as marcas deixadas na areia. Olhou para o céu, que começava a mudar de cor, tingindo-se dos laranjas e dourados do poente. Resolveu que era hora de voltar. Havia um longo telefonema internacional a ser dado.
Quando um 7 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que lhe são próximas, além da questão que importa ao Consultante, pode simbolizar estar vivendo de sonhos e ilusões, de desejos tolos. Erros de julgamento. Iludir-se. As coisas podem parecerem boas por fora, mas na verdade não têm nenhuma consistência. Dar importância a assuntos, desejos, situações que não têm nenhuma importância. Querer símbolos de sucesso e não qualidade, como por exemplo, comprar roupas e acessórios de “marcas famosas” na banquinha do camelô… Ou achar que a “marca famosa”, mesmo sendo verdadeira, vai acrescentar algo de importante à vida. Aparentar que tem tudo, quando na verdade nada tem. Querer causar inveja ou ciúme nos outros. Materialismo. Algo estragado, corrupto, podre sob uma aparência atraente. Egoísmo.
Dependendo sempre do contexto da leitura e das demais cartas, o 7 de Copas também pode estar significando o fato do Consultante abandonar os desejos e vontades tolas e enfrentar a realidade. Fazer escolhas apropriadamente solidas baseadas em fatos concretos. Regenerar a sua força de vontade para que ela lhe auxilie a atingir melhores propósitos. Erguer-se sobre as próprias pernas e assumir a responsabilidade de descobrir a verdade. Desanuviar a mente sonhadora. Ver as coisas como elas realmente são. Saber o que importa e não interessa. Encontrar a verdade dentro de si mesmo.
Nesta quarta-feira, tendo como regente Mercúrio, representado por aquela figura com os pés alados que, célere, voa longas distâncias entregando notícias, não é de se surpreender que seja o Dia Nacional das Comunicações. Com uma Carta do Dia como o 7 de Copas podemos interpreta-la de tal forma que se expressarmos nossos sonhos, nossas fantasias, nossos medos e nossas angústias, comentando-os com nossos melhores amigos ou profissionais adequados, estaremos contribuindo para evitar que eles se transformem em verdadeiras neuroses. Que procurar a verdade, através do diálogo franco, amistoso, sensato e racional é um dos melhores caminhos que podemos escolher para acabarmos com dúvidas e incertezas. Que interagir com os outros significa ouvir e ser ouvido, comentar, discutir e partilhar sentimentos e emoções. O 7 de Copas é astrologicamente equivalente a Vênus em Escorpião, que, a grosso modo, simboliza um desejo de intensificar o drama, fazer com que as coisas pareçam piores, ou melhores, do que realmente o são. Portanto o uso do conhecimento (a verdade), a capacidade de raciocínio lógico, a percepção apurada e a astúcia de Mercúrio, o mensageiro, podem perfeitamente nos ajudar a esclarecer as situações através do diálogo honesto, refreando vôos de pura fantasia.
Que as notícias desta quarta-feira tragam alegria, paz e harmonia para todos!