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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Rei de Espadas (Snapchat: @TAROTEANDO)


Chefe, patrão, juiz, militar, tirano, justiceiro são algumas das muitas possibilidades interpretativas do Arcano Menor REI DE ESPADAS.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

Se você também gosta de Tarot, de cartomancia, sinta-se convidado a conhecer minhas páginas nas diversas mídias:
Esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tarot do dia: Justiça, uma questão de equilíbrio


A Justiça é uma equilibrista, caminhando na tênue linha divisória entre o certo e o errado, o bem e o mal, a verdade e a mentira, pesando os prós e os contras a cada passo, mantendo os olhos bem abertos no alcance do objetivo em mente.

A Justiça é racional. Não se deixa influenciar pelo medo, por falsos pudores, pelos interesses pessoais, pela opinião pública ou particular, por vaidades, orgulho, preconceito, estados de ânimo, ira, ciúme, inveja, rancor. É isenta de emoção, de falsos moralismos, de meras suposições, de privilégios concedidos, mas apesar disso, não é desumana. A Justiça busca o equilíbrio.

E quando me refiro a essa 8ª carta entre os Arcanos Maiores do tarot, não estou me referindo apenas à Justiça como uma instituição (tribunais, advogados, promotores, juízes) mas à vivência pessoal, à Justiça como um dos elementos constituintes da personalidade humana. Ser justo é ser desprovido de pré-conceitos, mas não de experiências. Julgamos quando conseguimos comparar. A escolha entre o certo e o errado, o bem e o mal, a verdade e a mentira pressupõe quem reconheçamos todas essas possibilidades e possamos delas nos valer comparativamente em busca do resultado mais equilibrado para uma determinada situação.


A Justiça, no tarot, pertence ao elemento Ar, ou seja, ao domínio do raciocínio, da lógica, do pensamento cartesiano. Ela sugere que, para vivermos em harmonia, olhemos sempre para os dois lados da questão. Que em nosso caminhar no alcance dos nossos objetivos, não nos deixemos distrair, iludir, nos convencer de algo que não seja realista. Ela pede foco, coragem e lucidez. Talvez a palavra lucidez seja uma das que melhor descrevam a Justiça do ponto de vista do tarot: é preciso ver e expor as coisas, os fatos, as pessoas, as ideias às claras, sem subterfúgios, disfarces, fantasias. Os olhos do corpo e da mente devem funcionar em uníssono, bem abertos para verificar, medir, pesar, comparar e vendados para não nos deixarmos influenciar, seja pela aparência, procedência, gosto, estilo, poder, genealogia, etc.

No nosso dia a dia é um exercício constante: quando comparamos preços e qualidade no supermercado, quando evitamos o gasto supérfluo para não comprometer os recursos já comprometidos, quando não fazemos vazios e falsos elogios só para ficarmos “bem na fita” e, também, quando reconhecemos e aplaudimos o valor das conquistas alheias. Justiça é permitir-se o merecido descanso depois do trabalho realizado, é alimentar-se saudável e equilibradamente, é alternar a atividade física, os esportes, a ginástica, com a ioga, a meditação, por exemplo. Ser justo consigo mesmo é andar na corda bamba, atento para não ser tentado a despencar para um dos lados, para não ser nem 8 e nem 800. É encontrar o tão desejado “caminho do meio”, sem que isso signifique “ficar em cima do muro”. É optar por refletir antes de agir e agir prudentemente. 

Os resultados dessa séria atividade mental certamente irão proporcionar, no mínimo, a tão sonhada paz de espírito que todos buscamos.

domingo, 26 de outubro de 2014

A Justiça: sendo juiz, defensor, acusador e carrasco ao mesmo tempo.

 

Arcano VIII, a Justiça: sendo juíz, defensor, acusador e carrasco ao mesmo tempo.

sábado, 5 de junho de 2010

Carta do Dia: 10 DE OUROS

Minor-Discs-10Vaudeville      Levantou-se de um salto. Enquanto ia para o chuveiro, repassou, mentalmente, a agenda do dia. Como sempre, haveria gravação pela manhã, depois uma reunião com um empresário que desejava organizar uma turnê dela pelas mais importantes cidades japonesas, ministrando aulas de culinária típica brasileira. O editor estava esperando o envio do seu 2º livro para revisão e não parava de ligar, pois queria aproveitar para lança-lo na comemoração de 3 anos de seu programa de TV. Havia combinado com a tia e as primas que mandaria o motorista para apanha-las no comecinho da noite, para um jantar especialíssimo que iria fazer, só para a família. A irmã estava dormindo no quarto de hóspedes, recém chegada do interior e ainda entorpecida com as dimensões e a velocidade de tudo que havia visto no trajeto do aeroporto até o seu novo apartamento.

     Tornou a enumerar, enquanto se aprontava, quantas pessoas jantariam. De fora, só a jornalista, ex-patroa e mentora de tudo o que ela havia conseguido na vida. Estava excitadíssima, muito mais do que jamais estivera.  O compromisso marcado na cidade, para o meio da tarde era o mais importante de toda a sua vida.  Nada se igualava à expectativa e à ansiedade que sentia naquele momento. Antes de sair, passou pelo quarto anexo ao seu e olhou o trabalho feito pelo decorador. Estava realmente uma beleza. Parecia um sonho, coisa de revista de decoração, de conto de fadas…

     Nos últimos meses viveu intensamente todo o processo de concretização de seu maior sonho. Foram inúmeras entrevistas com psicólogos, assistentes sociais, juiz, advogado. Dezenas de documentos foram preenchidos e arquivados. Exames médicos solicitados foram feitos. Referências pessoais coletadas e fornecidas. Audiências. Encontros. Reuniões. Mas finalmente o grande dia chegara e nessa tarde, ela iria, finalmente, finalizar o processo de adoção da mais encantadora criança que a escolheu no orfanato. Sim, pois foi aquela menininha, pequenina, franzina, quase raquítica, com olhos enormes a tudo e a todos observando, que apontou-a e sorriu assim que ela entrou no berçário. Foi amor à primeira vista. Ela sabia que a filha que tanto desejava ali estava, esperando por ela. Única sobrevivente entre todos de uma mesma família que pereceu no deslizamento e queda de sua precária moradia na encosta de um morro, na estação da chuva, a criança não tinha ninguém, nem nome, nada. Mas agora, tinha a ela e ambas tinham uma à outra.

     Quando chegou ao estúdio para a gravação, esperavam por ela buquês e mais buquês de flores de todas as cores e espécies. Presentinhos para a “recém chegada” foram entregues às dúzias e uma das secretárias chegou a imprimir e encadernar os milhares de e-mails recebidos das telespectadoras. Ela fez o programa absolutamente emocionada. Agradeceu publicamente a todos e continuou seguindo para os outros compromissos que a aguardavam. À tarde, numa brevíssima cerimônia na Vara da Família, com a presença emocionadíssima de sua irmã mais velha e das testemunhas de praxe, o Juiz conferiu-lhe o Termo de Adoção da pequena Anna Luísa, nome de sua falecida mãe, que também falecera quando ela era criança.

     Já era tarde da noite quando a tia, as primas e a amiga jornalista, e agora comadre pois ira ser a madrinha da sua filha, se retiraram. A irmã, acostumada com a vida no sítio, havia ido deitar mais cedo. Ela apagou as luzes da sala e dos corredores e entrou, na penumbra do quarto, para uma vez mais olhar sua filha. Debruçou-se sobre o bercinho e ajeitou melhor os lindos lençóis bordados com rendas e fitas. Mais uma vez a emoção tomava conta dela e deixou que as lágrimas corressem livremente pelo seu rosto. Era feliz. Era feliz por ter realizado todos os seus sonhos. Era feliz por sempre ter feito o que sabia e amava fazer. Era feliz por saber-se uma excelente profissional. E agora, mais do que nunca, essa felicidade se completava ao ver, dormindo, aquela criancinha a quem ela iria amar com toda a intensidade, retribuindo o amor que havia recebido de todos, sem distinção, em todos os momentos da sua vida. Iria estender, àquela criaturinha, todas as oportunidades que tivera na vida para crescer, conhecer-se como ser humano, sentir-se útil, saber que havia colaborado para que os seus semelhantes vivessem melhor. Claro que Anna Luísa teria a sua própria vida, suas prioridades, suas necessidades, sua personalidade, mas ela estaria sempre ao seu lado para ensina-la, caso precisasse, a ouvir a voz do seu coração e seguir os seus sonhos.

     Deitou-se, apagou o abajur e agradeceu por aquele dia e por todos os outros da sua vida. Adormeceu agradecendo pela filha que o Universo a ajudara a encontrar. Começou a sonhar com a mãe, que lhe sorria e lhe entregava Anna Luísa, que carregava nos braços. Ela abraçava a mãe e a menina, num abraço longo, suave, carinhoso… e… acordara imediatamente ao ouvir o choro da sua filhinha reclamando atenção. Sentiu-se mãe, feliz em poder estar ali, presente às necessidades da sua cria. Levantou-se e num segundo estava ao lado do bercinho.

     A vida não poderia ser melhor!

     Quando um 10 de Ouros surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua localização entre as demais cartas do tabuleiro e da questão proposta pelo Consultante, pode significar que a riqueza de possuir família, amigos e os entes queridos próximos a si, fazem o Consultante sentir-se feliz e pleno. Uma celebração de volta ao lar. Sentir-se rei no castelo que construiu com suas próprias mãos. Uma possível herança pode estar a caminho. Amar e proteger a família. Ter construído em bases sólidas. Conscientizar-se de que a sua vida é cheia de riquezas e tesouros vários. Aceitar e retribuir a bondade e o amor. No fato do Consultante mostrar-se para os outros como ele realmente é, ele acrescenta riquezas e sucesso à sua pessoa. Uma boa vida, com saúde e segurança. Solidez nos negócios. A materialização das esperanças e desejos do Consultante.

     Numa posição menos favorecida, de obstáculo, o 10 de Ouros pode significar que o potencial merecido de coisas boas ainda não se revelou para o Consultante. Um outro significado dessa carta é que a fortuna, o conforto, o bem estar, a saúde, a riqueza material e a segurança estão lá, à disposição, mas o Consultante não se apercebe desse fato ou não lhes aprecia ou reconhece o valor. Muita atenção ou expectativa foram direcionadas aos aspectos exteriores das coisas, dos fatos ou das situações, sem uma dimensão interior, uma consciência da Fonte que nos abastece, aquilo que dá sentido e significado à palavra “Abundância”.

     Neste sábado, dia da semana sob a regência do sábio, disciplinador e consolidador Saturno, com a Lua Minguante em Peixes e o representante astrológico da nossa Carta do Dia, Mercúrio transitando em Virgem, devemos evitar sermos muito críticos ou excessivamente exigentes e cooperar mais, ajudar mais, nos envolvermos mais, enfim, com as nossas relações, desde que isso não interfira de forma alguma nas escolhas individuais de ninguém. Use seus dons pessoais para contribuir com que toda pessoa que cruzar seu caminho possa seguir o dela, de forma individual, com alegria e realização. Assim procedendo, uma verdadeira benção, em forma de boas intenções compartilhadas, irá se estabelecer e desenvolver-se entre todos nós.

     Tenham todos um excelente e renovador final de semana!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F.J. Campos

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: REI DE ESPADAS

  Swords14 (2)    Recentemente, no edifício onde moro, um senhor com mais de 80 anos, sozinho, foi convidado a mudar-se pelo não pagamento de aluguéis, taxas, condomínios atrasados. Esse ser humano, que ainda hoje trabalha dignamente numa profissão que não lhe é rentável e que não lhe permite pagar um plano de saúde, sofreu, há alguns meses, um enfarto e as suas poucas economias e empréstimos feitos de financeiras e conhecidos, serviram apenas para pagar cirurgia e tratamento, deixando-o não só numa condição de saúde ainda bastante precária, mas também completamente descapitalizado para cumprir com seus compromissos financeiros. As normas da lei se fizeram sentir, através de notificações legais de despejo e de ações relativas às normas estabelecidas pelo condomínio e, por fim, o referido senhor foi colocado, literalmente, na rua. Sim, pois sem parentes, sem amigos, sem dinheiro, sem saúde para voltar ao trabalho e, inclusive sem o seu próprio material de trabalho, que foi usado por ele para quitação de algumas dívidas, para onde ir e o que fazer?

     A estória é triste e não vou pretender ignorar que ela não se repita todos os dias em algum ponto de todas as cidades do mundo. Muitas delas lemos nos jornais, assistimos em breves flashes de TV. Algumas, porém, acontecem na porta ao lado à nossa.

     Nesta manhã, quando o Rei de Espadas surgiu como a Carta do Dia, imediatamente me ocorreu o fato de que muitas das situações que nos utilizamos como salvaguardas da moral, da justiça, da ordem, da organização social e política do mundo em que vivemos, situações essas que nos garantem direitos e nos obrigam a cumprirmos com nossos deveres e darmos satisfações de nossos atos, que coíbem situações de abuso, que nos permitem a sensação de termos uma certa segurança ou, de pelo menos, termos a quem recorrer, são por vezes tão inumanas, em seu sentido mais espiritual.

     Cérebro e coração nem sempre andam juntos, no mesmo compasso e eu concordo que muitas vezes isso não pode mesmo acontecer. Usei há alguns dias uma frase do médico e guerrilheiro “Che” Guevara que dizia da necessidade de nos fortalecer, mantermos uma postura racional, um distanciamento ético e moral, uma firmeza de caráter, uma bandeira idealista,  porém sem nunca perdermos uma certa brandura, a compaixão, o respeito, a compreensão para com os nossos semelhantes ou situações. Ou seja, nunca perdermos a nossa condição de seres humanos.

     O Rei de Espadas é o arquétipo perfeito da pessoa que se orienta exclusivamente pelas sua inteligência (quase sempre brilhante), sua intensa capacidade de raciocínio e de lógica, sua maneira de guiar-se, a si mesmo e aos outros, de de parâmetros, regras, normas pré-estabelecidas. Portanto ele é visto, e muitas vezes sentido, como uma pessoa fria, calculista, distanciada, autoritária, perversa, sádica, esnobe. Alguns dos papéis que a ele atribuimos em sociedade são os de juiz, advogado, promotor, político, estrategista, militar, legislador, conselheiro, executivo, auditor, cientista, cirurgião, securitário, analista de sistemas, agente de serviços de Inteligência governamentais, contador, engenheiro, calculista, policial, segurança. Enfim, todos esses profissionais que usam da razão, do planejamento detalhado, da imparcialidade , da capacidade de julgar completamente isento de influências, de analisar, discriminar e escolher de formar clara, tática e controlada as ações, as decisões, os métodos a serem empregados, a normas a serem criadas e vivenciadas. São fiéis seguidores, cada um em seu campo de atuação, da metodologia científica, onde o objeto primeiro da investigação é a causa e o seu efeito.

     Evidentemente que todos são iguais perante a lei e que as mesmas são feitas para serem usadas e aplicadas por todo uma mesma sociedade, sem exceções. Não estou discutindo isso e nem pretenderia. O que me chocou, no exemplo acima, foi a própria maneira clara, objetiva, imparcial, rígida, impessoal, indiferente, que muitas vezes toda essa lógica justifica-se e se vale para fazer-se cumprir. Como um ser humano comum, e como tarólogo, sendo portanto um eterno aprendiz de tudo o que diz respeito ao equilíbrio de forças, de ações, de atitudes, de comportamentos, de energias, sinto a falta de um elemento, a emoção, nessa estória toda. Mas como o assunto deste blog pretende ser o tarot, e os exemplos, as citações, as referências, devem sempre ser ilustrações práticas daquilo que as cartas representam, deixe-me voltar à nossa carta que, por ser a última do seu naipe (as cartas vão de Ás, até o Rei), ela é a representação máxima do elemento Ar (Espadas = Ar = Mental), e por isso mesmo refere-se à lógica, à agilidade mental, à precisão, à responsabilidade.

     Quando, numa jogada de tarot, dependendo do lugar que ocupa, das cartas que o cercam, da maneira como será interpretado (gente, situação, consulente) e da pergunta formulada, o Rei de Espadas pode estar sugerindo que através de uma atitude bastante diplomática, usemos a nossa capacidade de expressão para defender nossos valores, nossas verdades, deixando muito clara a nossa posição a respeito de qualquer coisa ou assunto que se faça mister. Pode, também, ser um aviso para que reavaliemos as situações, identificando o que é ilógico ou inconsistente, não funcional ou ineficiente. Que a nossa mente está desconectada do coração e que devemos procurar sempre manter a harmonia, equilibrando a disciplina com a compaixão, usando para tanto a nossa experiência de vida, o nosso conhecimento técnico e a nossa determinação para tomarmos as decisões certas. Há também a possibilidade de ser um aviso de que devemos nos libertar de restrições e condicionamentos que nos mantém presos a rotinas e pontos de vista já há muito caducos e sem sentido. E, num sentido mais épico, o Rei de Espadas pode ser um sinal para que lutemos por nossas idéias, nossos ideais, objetivos e projetos, pois agora é o tempo certo.

     Ainda que a sua figura seja bastante paternalista, e de um bom marido, romanticamente o Rei de Espadas não promete muito, pois ele não se prende e nem se deixa prender a relacionamentos interpessoais, apesar de ser sexualmente bastante ativo. Ele é um paladino da justiça, da decência, de princípios rigidamente estabelecidos (ainda que possam não coincidirem com os das demais pessoas…) e seu interesse pelas pessoas está muito mais concentrado no coletivo, nas causas humanitárias. Não é um cético, mas também não é uma pessoa muito espiritualizada, sempre necessitando de comprovações concretas, de verdades insofismáveis, de resultados práticos e bastante esclarecedores para poder acreditar e, até mesmo, defender uma filosofia qualquer.

     Muitas vezes autoritário, dominador, tirânico, rude, briguento, questionador, impaciente com as falhas alheias, arrogante, sádico ou cruel, deixa-se cativar por qualquer manual de instruções, adorando ler e decifrar todas as informações neles contidas. É aquele tipo que não usa o produto antes de se tornar um expert (teoricamente falando) no mesmo. Quer agradá-lo? Elogie-o. Valorize seus conhecimentos, sua capacidade mental, seu raciocínio brilhante, seu desempenho no xadrez, seu discurso convincente, sua palestra impecável, suas aulas fascinantes e enriquecedoras, sua astúcia e seu manancial de teorias. Outra maneira de satisfazê-lo é obedecendo-o, pois a sua palavra é lei, o que ele decide não deve ser contestado e sua experiência é sempre inquestionável. A inteligência costuma ser o mais rapidamente identificável elemento da sua personalidade e o seu reino (afinal de contas, ele é um Rei, quase um Imperador!) é a mente, as teorias, a ciência. Com a fria e afiada lâmina de sua espada de aço ele constrói o seu mundo e nele desenvolve os seus padrões e adapta o seu código moral. Pena que, muitas vezes, ele acaba se esquecendo que a lógica também é como uma espada e que aqueles que exclusivamente dela vivem acabam a ela sucumbindo…

     Aproveitem para, neste ensolarado sábado, integrarem seu coração à sua mente, criando sua própria realidade através de uma mente desvencilhada de ”pré-conceitos”, assumindo plena responsabilidade pelas formas de pensamento que criarem e pelo poder mental que exercem. Expressem o que vêem e o que sentem, compartilhando suas visões, esperanças e sonhos. Saiam para dançar e deixem que também através do seu corpo se  manifestem as verdades que lhes são fundamentais.

     Um excelente sábado para todos!

Ilustração: TAROT DE DALI