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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Rei de Espadas (comentário estendido realizado ao vivo no Periscope: @ALEXTAROLOGO)


Podendo ser visto e interpretado como uma das "personas" do Imperador (Arcano IV), o Rei de Espadas refere-se aos aspectos mentais, racionais e lógicos traduzidos pelo elemento Ar, daquela carta. 
Articulador, objetivo, raciocínio científico, planejador, elaborador de leis, códigos e regras, mantenedor e aplicador das normas que organizam e regem a sociedade do seu tempo, o Rei de Espadas pode ocupar uma posição como jurista, policial, militar, guia, conferencista, médico, legislador, contabilista, programador de computadores, escritor de livros e manuais técnicos entre tantas outras profissões, eventos e situações.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

Se você também gosta de Tarot, de cartomancia, sinta-se convidado a conhecer minhas páginas nas diversas mídias:
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Rei de Espadas (Snapchat: @TAROTEANDO)


Chefe, patrão, juiz, militar, tirano, justiceiro são algumas das muitas possibilidades interpretativas do Arcano Menor REI DE ESPADAS.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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domingo, 9 de maio de 2010

Carta do Dia: REI DE ESPADAS

Título

Senhor dos Ventos e das Brisas

Elemento

Fogo (Chokmah) no Ar(Espadas)

Tetragramaton

Yod

Arcanjo

Ratzikiel

Nome Divino 

Yahveh

Mundo Cabalístico

Atziluth (mundo da Emanação)

Sephirah

Chokmah (Sabedoria)

Virtude

Devoção

Vício

nenhum

Obrigações em cada Sephirah

nenhuma

Divindade na Árvore

Pai, Sabedoria

Atividade Social

Administrador, Conservador

Arquétipo Social

Pai, Esposo

Correspondência Astrológica

Saturno em Touro, Júpiter em Gêmeos, Marte em Gêmeos

Planeta 

Zodíaco

Signo

Libra

Pedra

Turquesa

     Swords14 (5) Nos próximos 14 dias estaremos comentando as cartas do tarot pertencentes ao naipe de Espadas. Esse naipe refere-se ao Elemento Ar e Ar simboliza os pensamentos, constantemente em movimento. Nós não viveríamos se o Ar não estivesse intermitentemente movimentando os nossos pulmões, num processo que chamamos de respiração. Do mesmo modo, não conseguimos refrear o trabalho contínuo do nosso cérebro.

     Espadas é o naipe mais desafiador dos Arcanos Menores. Ele mostra como o “excesso” de pensamento, as grandes cismas, elucubrações ou conjecturas mentais, podem ser problemáticas, assim como, mesmo a lógica pode ser a sua própria ruína. Com o Elemento Ar nós vamos dissipando as névoas que encobrem a verdade, descobrindo que podemos enveredar pelo desconhecido, revelando-o à luz da razão. Mas não devemos nos esquecer que a espada é uma arma perigosa, de dois gumes, e quando usada para propósitos negativos o resultado pode ser a agressão, as brigas, as discussões acaloradas, os conflitos, a dor, as mágoas, o sofrimento e a crueldade.

        O Rei de Espadas é o grande líder. Ele é valente e reina através da força da autoridade. O castigo implícito na ameaçadora espada que carrega é raramente aplicado, pois ele simplesmente não necessita faze-lo, sendo muito diplomático e astuto. Ele é uma figura muito forte para ser ignorada ou subestimada e ele mesmo definiria o seu poder como “o direito divino dos reis”. Ele é muito esforçado, reconhecido como um grande trabalhador e lutará com todas as suas forças para construir o seu “reino”, de onde, naturalmente, espera ser admirado por todos. É o tipo de líder que as pessoas seguem facilmente.

     Esse Rei pode ser definido, em termos junguianos, como o Arquétipo do Guerreiro. As mais distintas características do tipo “guerreiro” são a sua agressividade, clareza de pensamento, estado de alerta, auto disciplina e habilidades adquiridas através do estudo e do treinamento, além da adaptabilidade e a consciência da morte. Também podemos incluir nessa lista a lealdade e a devoção a um ideal ou objetivo transpessoal, o que acaba fazendo com que ele se torne distanciado, inaccessível devido ao seu quase nulo envolvimento emocional. Mas ainda que ele possa parecer frio e severo demais, até mesmo inflexível, ele está apenas sendo justo à sua maneira e fiel às suas crenças e princípios. Ele é do tipo que destrói para abrir caminho para algo novo.

       Quando um Rei de Espadas aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre da atribuição que lhe demos previamente (representa o Consultante, ou uma pessoa das suas relações), das demais cartas que o acompanham e da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar alguém intelectualmente bem dotado e muito ativo, sendo bastante bem sucedido. Um líder nato. Alguém muito mais inspirador do que ameaçador. Uma pessoa que se dedica à sua comunidade, às leis, à ordem pré-estabelecida e ao cumprimento da autoridade. Faz escolhas rápidas e também é bastante veloz nos seus julgamentos. Pode até ouvir os conselhos que ou outros lhe dão, mas irá, quase sempre, agir ao seu próprio modo. Ele pode ser brilhante e destruidor com aqueles que ousam debater com ele. Arriscaria a própria vida por aqueles a quem ama, ou sente-se responsável, ou defende, mas pode também ser bastante dominador. É um profissional destacado em sua área, experiente, controlado, analítico,  esforçado e acostumado a fazer as coisas à sua maneira. Pode ser alguém antiquado e que se recusa a mudar, preferindo seguir padrões estabelecidos e testados anteriormente. Ele não é o tipo de pessoa que alguém gostaria de ter como inimigo…

     Se, dependendo de como a leitura de uma determinada tiragem de tarot se desenvolve, notarmos os seus aspectos negativos, poderemos encontrar no Rei de Espadas a figura do sádico ou do masoquista, ambos envolvidos com a crueldade. Pode representar aquela pessoa que é mal intencionada, que causa conflito e é egoísta, pouco se importando com o bem estar dos seus semelhantes. Sabe o tipo que “põe lenha na fogueira” só para ver o estrago que causa? Ele é o cara. Obstinado e arrogante, ele, negativamente, é o protótipo do inquisidor. Ele também pode ser aquela pessoa viciada no trabalho, que não se permite um minuto de descanso, sacrificando-se pelos outros. Quando projetamos esse arquétipo nas outras pessoas, acabamos nos acovardamos e vamos adiando as ações necessárias, nos sentindo vencidos e intimidados antes mesmo de começar.

     Neste domingo, sob a reveladora regência do Sol, procure usar a sua capacidade mental para melhor compreender as suas necessidades e a maneira de satisfaze-las. É a maneira consciente com a qual nós lidamos com nosso inconsciente que nos permite um melhor entendimento de nós mesmos e nos ajuda a ultrapassar as meio-verdades, superstições e descrenças. E, mesmo que sejamos frequentemente abençoados com uma lufada de novas idéias, é necessário que as coloquemos em prática, através de ações concretas, partilhando-as com os outros. De nada adianta vivermos sonhando acordados, divagando numa esfera meramente mental.

     Um Feliz Dias das Mães para todas!

Ilustração: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: REI DE ESPADAS

 

Arcano REI  DE  ESPADAS
Dia da Semana SÁBADO, regente SATURNO
Lua NOVA
Período PEIXES
Casa 12, regência NETUNO
Ano 3, influência VÊNUS
Era AQUARIO, influência URANO
 
Tarot__King_Of_Swords_by_blood4thine      Entramos hoje no Signo de Peixes, onde a sua natureza fluídica , hesitante, imaginativa, compassiva, maleável e mística será a influência a agir sobre todas as demais energias atuantes durante o seu período (19 de fevereiro a 19 de março). Portanto, alerta a avisos que chegam de forma direta, ou através de intuições, decidi aceitar um desafio que me foi proposto por uma grande amiga, mestra a quem devo a descoberta do verdadeiro significado do tarot. Rosa Silva, antropóloga de formação e dedicada sacerdotisa dos sistemas oraculares, onde o Tarot ocupa o lugar de predileto, apresentou-me ontem com um trabalho que vem desenvolvendo à anos para o aprofundamento da leitura dos Arcanos, utilizando-se de aspectos astrológicos e numerológicos. Essa “matriz”, verdadeira fórmula de imersão no estudo de cada carta, é um sistema por ela desenvolvido e que tive a honra de ser convidado a experimentar.
     Portanto, a partir de hoje, e sempre que possível, estarei me utilizando desse método para a Carta do Dia. Não mais estarei retirando aleatoriamente uma carta do maço, mas seguindo um plano baseado num conceito que envolve mais aspectos e redimensiona a visão do Arcano em questão. Hoje, por exemplo, é a vez do Rei de Espadas, arcano que já saiu na leitura do dia 6 deste mes (confira). Amanhã será a Rainha de Espadas, depois Cavaleiro de Espadas e assim por diante, passando todas as 14 cartas sequenciais de cada naipe, até voltarmos aos Arcanos Maiores, começando pelo Mago e seguindo até o Louco. Interessante, não? Bom, já que estamos na Casa de Netuno, uma casa de mistérios e segredos, quem sabe não é chegada a hora de começar a reconectar as postagens deste Blog com o Todo Cósmico, procurando trazer uma nova luz sobre elas, reparando erros involutariamente cometidos no passado e despertando a intuição para uma mais clara apresentação da maneira que eu compreendo e me utilizo dessas cartas.
    
     Passei as últimas duas semanas trabalhando num projeto novo, no qual tenho depositado muitas esperanças e dedicado grande parte do meu tempo. Acabei praticamente me isolando em casa, estudando, pesquisando, fazendo anotações sem fim, discutindo sozinho comigo mesmo e, às vezes, até em voz alta! Risível, não é mesmo? Pois é, eu também ri de mim ao me aperceber disso, e ao mesmo tempo, já fiquei alerta, achando estar paranóico, esquizofrênico, ou qualquer outra psicopatia da moda. Mas isso é para vocês verem o meu grau de interesse e envolvimento nesse projeto. São pilhas de livros a serem relidos, outros tantos a serem consumidos; é o manuseio nervoso de velhos cadernos, buscando informações que eu tenho certeza ter algum dia ali anotado e que, é claro, agora que eu preciso não as encontro.
   Concomitante a isso, aconteceu o tempo da angústia profunda vivida enquanto me decidia, finalmente, a dar mais essa “virada” na vida, modificar metas anteriormente planejadas, avaliar detalhadamente cada componente da oferta recebida, comparando-os ao que eu tinha como seguro, estável, acomodado, e nisso tudo, acaba-se fazendo mais um daqueles “fechado para balanço” da vida. Mais extenuante foram os encontros profissionais, onde todos os detalhes legais, burocráticos foram levantados, discutidos durante horas a fio. Concessões foram feitas de ambos os lados. Regras, normas, comando foram impostos. Outros detalhes ficaram pendentes, a serem reavaliados dentro de um prazo estabelecido. Advogados trouxeram sua orientação em inúmeras consultas, onde pré-contratos e promessas de compromisso eram redigidos, corrigidos, alterados, sob a imparcial visão da Justiça, ameaçadora com a sua espada em riste a nos lembrar da importância do compromisso que estávamos assumindo e das penalidades de toda a ordem que sofreríamos se os descumprirmos.
     Estabeleceu-se, finalmente, uma série de itens, que acabaram constituindo o corpo de um documento de aparência tão absurdamente séria, fria, distante, rígida, onde cada parágrafo soa como um novo código de leis inscritas, desta vez não em pedra, mas sobre papéis timbrados, selados, carimbados, com firmas reconhecidas, com o aval de todas as necessárias instituições que legislam, julgam e dão fé. Creio que ambos estejamos satisfeitos, assegurados dos nossos direitos e deveres após termos defendido, de maneira bastante diplomática e eloquente, as nossas posições. Cá entre nós, isso tudo é muito chato e só funciona mesmo é no cinema, onde a edição reduz a minutos o que na vida real é uma verdadeira eternidade.
     Agora, aqui estou eu digitando e percebendo claramente que eu mesmo vivi (e ainda estou vivendo) um Rei de Espadas. Isto é, uma situação claramente comparável ao arquétipo do Rei de Espadas, onde o raciocínio claro e lógico para fazer escolhas e tomar decisões, que são fundamentadas em aspectos codificados e embasados na ordem, nos códigos disciplinares, na jurisprudência, assessorado por especialistas e profissionais competentes (advogados), foram vividos intensamente. Houve muita politicagem de ambos os lados, muita diplomacia no trato e na explanação de interesses pessoais, evitando-se atitudes ditatoriais, mas procurando-se manter a necessária autoridade e controle da situação.
     Agora, utilizando a “matriz” tão generosamente fornecida pela Rosa Silva, posso ver mais claramente que o assunto (esoterismo, misticismo, oráculos) está entrando hoje em seu período mais oportuno que favorece o assunto em pauta _ tarot, astrologia, formas oraculares _(Peixes) , acabando uma fase restritiva (hoje é o último dia da Lua Nova), dentro de um ano que favorece a condução de negócios de maneira educada, elegante, com riqueza de sutilezas e bastante apaixonada (Venus) numa era (Aquario) que privilegia o idealismo, a evolução, a rebeldia, as mudanças. Saturno (afinal hoje é Sábado, seu dia) está aí para consolidar e estruturar todos esses planos, planejamentos e documentações legais, estabelecendo limites, regras e deveres, lembrando-nos, enfim, das nossas responsabilidades.
     Esse Rei de Espadas, poderoso e severo, sério e dedicado, disposto a usar a espada de seu intelecto na defesa de seus ideais e convicções, está num momento mais simpático, menos impositivo, mais sensível, disposto a ser mais misericordioso, dando atenção às suas intuições, ouvindo a sua voz interior e harmonizando-as com seu raciocínio naturalmente espartano. Não poderia deixar de ser assim, até mesmo para confirmar o que escreveu o poeta Vinícius de Moraes:

“………..

Hoje é que é o dia do presente

O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade

…………….

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos

Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas

Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo

E para não ficar com as vastas mãos abanando

Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança

Possivelmente, isto é, muito provavelmente

Porque era sábado.”

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: REI DE ESPADAS

  Swords14 (2)    Recentemente, no edifício onde moro, um senhor com mais de 80 anos, sozinho, foi convidado a mudar-se pelo não pagamento de aluguéis, taxas, condomínios atrasados. Esse ser humano, que ainda hoje trabalha dignamente numa profissão que não lhe é rentável e que não lhe permite pagar um plano de saúde, sofreu, há alguns meses, um enfarto e as suas poucas economias e empréstimos feitos de financeiras e conhecidos, serviram apenas para pagar cirurgia e tratamento, deixando-o não só numa condição de saúde ainda bastante precária, mas também completamente descapitalizado para cumprir com seus compromissos financeiros. As normas da lei se fizeram sentir, através de notificações legais de despejo e de ações relativas às normas estabelecidas pelo condomínio e, por fim, o referido senhor foi colocado, literalmente, na rua. Sim, pois sem parentes, sem amigos, sem dinheiro, sem saúde para voltar ao trabalho e, inclusive sem o seu próprio material de trabalho, que foi usado por ele para quitação de algumas dívidas, para onde ir e o que fazer?

     A estória é triste e não vou pretender ignorar que ela não se repita todos os dias em algum ponto de todas as cidades do mundo. Muitas delas lemos nos jornais, assistimos em breves flashes de TV. Algumas, porém, acontecem na porta ao lado à nossa.

     Nesta manhã, quando o Rei de Espadas surgiu como a Carta do Dia, imediatamente me ocorreu o fato de que muitas das situações que nos utilizamos como salvaguardas da moral, da justiça, da ordem, da organização social e política do mundo em que vivemos, situações essas que nos garantem direitos e nos obrigam a cumprirmos com nossos deveres e darmos satisfações de nossos atos, que coíbem situações de abuso, que nos permitem a sensação de termos uma certa segurança ou, de pelo menos, termos a quem recorrer, são por vezes tão inumanas, em seu sentido mais espiritual.

     Cérebro e coração nem sempre andam juntos, no mesmo compasso e eu concordo que muitas vezes isso não pode mesmo acontecer. Usei há alguns dias uma frase do médico e guerrilheiro “Che” Guevara que dizia da necessidade de nos fortalecer, mantermos uma postura racional, um distanciamento ético e moral, uma firmeza de caráter, uma bandeira idealista,  porém sem nunca perdermos uma certa brandura, a compaixão, o respeito, a compreensão para com os nossos semelhantes ou situações. Ou seja, nunca perdermos a nossa condição de seres humanos.

     O Rei de Espadas é o arquétipo perfeito da pessoa que se orienta exclusivamente pelas sua inteligência (quase sempre brilhante), sua intensa capacidade de raciocínio e de lógica, sua maneira de guiar-se, a si mesmo e aos outros, de de parâmetros, regras, normas pré-estabelecidas. Portanto ele é visto, e muitas vezes sentido, como uma pessoa fria, calculista, distanciada, autoritária, perversa, sádica, esnobe. Alguns dos papéis que a ele atribuimos em sociedade são os de juiz, advogado, promotor, político, estrategista, militar, legislador, conselheiro, executivo, auditor, cientista, cirurgião, securitário, analista de sistemas, agente de serviços de Inteligência governamentais, contador, engenheiro, calculista, policial, segurança. Enfim, todos esses profissionais que usam da razão, do planejamento detalhado, da imparcialidade , da capacidade de julgar completamente isento de influências, de analisar, discriminar e escolher de formar clara, tática e controlada as ações, as decisões, os métodos a serem empregados, a normas a serem criadas e vivenciadas. São fiéis seguidores, cada um em seu campo de atuação, da metodologia científica, onde o objeto primeiro da investigação é a causa e o seu efeito.

     Evidentemente que todos são iguais perante a lei e que as mesmas são feitas para serem usadas e aplicadas por todo uma mesma sociedade, sem exceções. Não estou discutindo isso e nem pretenderia. O que me chocou, no exemplo acima, foi a própria maneira clara, objetiva, imparcial, rígida, impessoal, indiferente, que muitas vezes toda essa lógica justifica-se e se vale para fazer-se cumprir. Como um ser humano comum, e como tarólogo, sendo portanto um eterno aprendiz de tudo o que diz respeito ao equilíbrio de forças, de ações, de atitudes, de comportamentos, de energias, sinto a falta de um elemento, a emoção, nessa estória toda. Mas como o assunto deste blog pretende ser o tarot, e os exemplos, as citações, as referências, devem sempre ser ilustrações práticas daquilo que as cartas representam, deixe-me voltar à nossa carta que, por ser a última do seu naipe (as cartas vão de Ás, até o Rei), ela é a representação máxima do elemento Ar (Espadas = Ar = Mental), e por isso mesmo refere-se à lógica, à agilidade mental, à precisão, à responsabilidade.

     Quando, numa jogada de tarot, dependendo do lugar que ocupa, das cartas que o cercam, da maneira como será interpretado (gente, situação, consulente) e da pergunta formulada, o Rei de Espadas pode estar sugerindo que através de uma atitude bastante diplomática, usemos a nossa capacidade de expressão para defender nossos valores, nossas verdades, deixando muito clara a nossa posição a respeito de qualquer coisa ou assunto que se faça mister. Pode, também, ser um aviso para que reavaliemos as situações, identificando o que é ilógico ou inconsistente, não funcional ou ineficiente. Que a nossa mente está desconectada do coração e que devemos procurar sempre manter a harmonia, equilibrando a disciplina com a compaixão, usando para tanto a nossa experiência de vida, o nosso conhecimento técnico e a nossa determinação para tomarmos as decisões certas. Há também a possibilidade de ser um aviso de que devemos nos libertar de restrições e condicionamentos que nos mantém presos a rotinas e pontos de vista já há muito caducos e sem sentido. E, num sentido mais épico, o Rei de Espadas pode ser um sinal para que lutemos por nossas idéias, nossos ideais, objetivos e projetos, pois agora é o tempo certo.

     Ainda que a sua figura seja bastante paternalista, e de um bom marido, romanticamente o Rei de Espadas não promete muito, pois ele não se prende e nem se deixa prender a relacionamentos interpessoais, apesar de ser sexualmente bastante ativo. Ele é um paladino da justiça, da decência, de princípios rigidamente estabelecidos (ainda que possam não coincidirem com os das demais pessoas…) e seu interesse pelas pessoas está muito mais concentrado no coletivo, nas causas humanitárias. Não é um cético, mas também não é uma pessoa muito espiritualizada, sempre necessitando de comprovações concretas, de verdades insofismáveis, de resultados práticos e bastante esclarecedores para poder acreditar e, até mesmo, defender uma filosofia qualquer.

     Muitas vezes autoritário, dominador, tirânico, rude, briguento, questionador, impaciente com as falhas alheias, arrogante, sádico ou cruel, deixa-se cativar por qualquer manual de instruções, adorando ler e decifrar todas as informações neles contidas. É aquele tipo que não usa o produto antes de se tornar um expert (teoricamente falando) no mesmo. Quer agradá-lo? Elogie-o. Valorize seus conhecimentos, sua capacidade mental, seu raciocínio brilhante, seu desempenho no xadrez, seu discurso convincente, sua palestra impecável, suas aulas fascinantes e enriquecedoras, sua astúcia e seu manancial de teorias. Outra maneira de satisfazê-lo é obedecendo-o, pois a sua palavra é lei, o que ele decide não deve ser contestado e sua experiência é sempre inquestionável. A inteligência costuma ser o mais rapidamente identificável elemento da sua personalidade e o seu reino (afinal de contas, ele é um Rei, quase um Imperador!) é a mente, as teorias, a ciência. Com a fria e afiada lâmina de sua espada de aço ele constrói o seu mundo e nele desenvolve os seus padrões e adapta o seu código moral. Pena que, muitas vezes, ele acaba se esquecendo que a lógica também é como uma espada e que aqueles que exclusivamente dela vivem acabam a ela sucumbindo…

     Aproveitem para, neste ensolarado sábado, integrarem seu coração à sua mente, criando sua própria realidade através de uma mente desvencilhada de ”pré-conceitos”, assumindo plena responsabilidade pelas formas de pensamento que criarem e pelo poder mental que exercem. Expressem o que vêem e o que sentem, compartilhando suas visões, esperanças e sonhos. Saiam para dançar e deixem que também através do seu corpo se  manifestem as verdades que lhes são fundamentais.

     Um excelente sábado para todos!

Ilustração: TAROT DE DALI