quinta-feira, 14 de julho de 2011

CASA




CASA

Tenho andado, nos últimos tempos, com uma enorme saudade de casa. Deixem-me explicar melhor: saudades da casa dos meus pais, onde nasci e vivi até meus 27 anos, muito menos tempo do que estou longe dela.

Casa é um símbolo importante na representação das nossas raízes, na nossa inclusão como membros de um "clube privado", que é nossa família. Casa remete a cheiros e sabores que, muito às vezes, parecemos identificar em outros lugares, em outras terras, mas que não são exatamente os mesmos. Casa é a voz da mãe chamando para almoçarmos. É o pai nos ajudando a montar nossa coleção de selos num álbum. São os irmãos discutindo só para fazerem as pazes minutos depois. É o aroma e a textura única dos lençóis na cama, prometendo sonhos de quando formos adultos. Casa é a proteção que recebemos, o abrigo das intempéries que o mundo lá fora parece estar sempre propenso; é a sensação de pertencimento que nos faz, por toda a vida, dela nos recordarmos com carinho extremado.

Aquela casa da qual me lembro, saudoso, já não existe mais e dos seus antigos ocupantes, fisicamente só eu restei para recordar. Mas a memória é algo fantástico, e, quando me dou conta, percebo que há muito eu dela me afastei, mas ela, minha casa... nossa casa, nunca me abandonou e hoje mora dentro de mim.

Alex Tarólogo
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

RAPOSA




RAPOSA

Interessante observar o que tem de gente que segue religiosamente aquele preceito da chamada "Lei de Gérson". Para os leitores que são tão jovens que nunca assistiram ao comercial que o ex-jogador Gérson fazia, ao final do mesmo ele dizia que "afinal, gostava de levar vantagem em tudo".

Essa carta do baralho Lenormand expressa, basicamente, esse conceito. Claro que existem nuances bem mais interessantes que podemos entrever, como aproveitar bem as oportunidades, planejar para não desperdiçar, estar atento e informados a tudo que nos cerca, etc, etc. Mas o que sempre me incomoda muito é encontrar gente que se considera esperto porque faz questão em, sem nenhum resquício de ética ou respeito pelos semelhantes, passá-los para traz, enganá-los, tirar proveito da ingenuidade, confiança ou educação alheias. O que me motivou escrever sobre esses "raposões" do asfalto, foi ver, hoje bem cedinho, na padaria da esquina, uma senhora pedindo uma "provinha" de todos os salgadinhos à venda. Do pão de queijo ao mini-bolinho de bacalhau, passando por todos os sabores dos croissants e brioches, ela a todos provou, sempre mantendo um ar de compradora em potencial, porém com um apetite voraz. Ao final, na maior cara-de-pau, e com um sorriso desavergonhado, comunicou à paciente vendedora que "já estava satisfeita" e acabou pagando por um simples cafezinho.

Vantagem, sempre bom lembrar, é algo efêmero, pois é coisa do momento, advinda de um pequeno golpe de sorte, de uma recompensa honestamente merecida ou, infelizmente, de um descuido alheio. Acredito que seria melhor refletirmos que vantagens são como prêmios e, como tal, devemos nos esforçar para merece-las com, pelo menos, alguma dignidade.

Alex Tarólogo
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terça-feira, 12 de julho de 2011

CHICOTE



CHICOTE

Engordei novamente e meu cardiologista avisou que anda bastante decepcionado pelo fato de eu não estar seguindo, à risca, suas recomendações. Pudera: detesto pensar em abdicar da minha dieta repleta de concessões gustativas e evitar, na maior demonstração de ignorância, a prática de exercícios físicos. Hello, hipertensão!

Confesso que de tudo o que ele pediu que eu adotasse como estilo de vida, freqüentar academia é o que mais me aflige. Não que eu desconheça a necessidade de tonificar a musculatura, dos benefícios das atividades aeróbicas, da elasticidade e leveza proporcionadas pelo alongamento. Reconheço e recomendo... mas considero uma verdadeira ante-câmera dos Infernos! Quando passo em frente a esses modernos e atraentes templos venusianos, onde os novos espartanos degladiam entre si, e com as mais absurdas máquinas, em busca de barrigas tanquinhos, bíceps de herói mitológico de filme italiano, glúteos de dançarina de funk, confesso que mal me atrevo a olhar pelas vidraças. Atravesso a rua, torcendo para nunca vir a sofrer um enfarto, não ter uma distrofia muscular, nada que me faça arrepender de ter fugido, como o diabo da Cruz, de alguns minutos de exercício diário.

Chicote nunca representou boa coisa, não é mesmo? E essa carta do baralho Lenormand, entre outros pouco louváveis significados (já ouviram falar de alguém que gostasse de ser "chicoteado", a não ser alguns adeptos, digamos, de certas variantes sexuais?) pode significar muito esforço físico, seja no trabalho, no lazer e... na academia. Tô fora! E, agora, com licença, pois vou sair e comprar um quindim.

Alex Tarólogo

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

LIVRO



LIVRO

Conversava ontem com amigos sobre os sites de pesquisa que hoje temos à disposição na internet. Na verdade, estávamos comentando como os googles da vida mudaram a maneira da grande maioria em como buscar informações, atualizar-se e, até mesmo, estudar.

Nã havia casa onde faltasse uma enciclopédia, um dicionário, um atlas do mundo, um globo. Buscávamos significados de palavras em volumes de aparência séria, vetusta, pesadões. Os muitos tomos em encadernação vermelha da Barsa enfeitavam a estante, ocupando o lugar de honra, competindo com o potpourri de assuntos do Tesouro da Juventude. Já o globo terrestre ficava assentado em um canto da escrivaninha, multi-colorido de países que hoje nem mais existem. E, evidentemente, não faltava o cartão da biblioteca, cheio de carimbos, onde passávamos horas copiando textos para os nossos "trabalhos" escolares. O computador doméstico acabou com isso tudo.

A carta do Livro, no baralho Lenormand, parece alheia aos e-books, iTablets e telefones celulares chamados de "inteligentes", mas isso só na arquetípica imagem estampada. Informação sobre tudo e todos, textos os mais diversos, manuais de instrução, mapas e álbuns de fotos, e até mesmo conhecimentos ditos esotéricos (afinal, para que serve um oráculo?) são perfeitamente representados por ela. E o melhor: estão distantes apenas de um clicar de mouse. O saber, mais do que nunca, pode ser seu.

Alex Tarólogo

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

JARDIM




JARDIM

Estamos em julho, aquele mês de escolas vazias e os corredores dos Shopping Centers cheios de adolescentes. Praças de alimentação lotadas, muita junk good, cinemas com programação especial, comédias, animações, muito 3D, encontros, conversas intermináveis, celulares que parecem nunca desligarem. Enfim, uma grande festa onde os grupos se encontram, paqueram, trocam informações e... marcam novo encontro para o dia seguinte!

O Jardim, carta do baralho Lenormand, muito mais conhecido como "baralho cigano", remete a essa idéia de situação ou local onde as confraternizações costumam acontecer. Querem um outro exemplo? Réveillon na praia de Copacabana! Óbvio, não é mesmo? Essa carta tem tudo a ver com as atividades desse tempo em que os filhos estão livres das obrigações escolares. Pode ser o aceitar aquele convite de um final de semana prolongado na fazenda dos amigos, aproveitando tudo o que a natureza tem a oferecer; talvez a ida para aquele acampamento que o colégio organizou e que a turma toda vai; quem sabe a divertida semana se esbaldando nos brinquedos e atividades dentro dos parques da Disney, naquela excursão que os avós deram de presente. Ou talvez, o simples prazer de jogar bola com os amigos do bairro, de manhã à noite, sem ter lição de casa para fazer.

O que importa mesmo é que o Jardim simboliza, também, estarmos alegres, felizes, harmonizados, nos sentindo bem onde estivermos, cercados das pessoas que gostamos, dispostos a apreciarmos o que de melhor, mais belo e interessante a vida nos tem a oferecer. É compreender, nem que seja com tempo marcado, o que significa a idéia de Éden. Divirtam-se!

Alex Tarólogo

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