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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Emprego: “O que é que eu faço agora?”

     Fazer opções é uma constante em nossas vidas.

     Decidimos a roupa que vamos vestir, a comida que ingerimos, o caminho para chegarmos a determinado local, a quem telefonar, o filme que iremos assistir, a quem convidaremos para sair, o curso que desejamos fazer, o hotel em que iremos nos hospedar, etc, etc, todos os dias, em quase todos os momentos.

     Uma Consultante apresentou o seguinte problema que a angustia já há alguns meses:

     Ela trabalha numa determinada filial de uma grande rede de lojas e, desde o ano passado a empresa decidiu que deverá diminuir o número de funcionários e implantou um esquema de demissões voluntárias, onde os benefícios oferecidos a quem optar por ele, são mais vantajosos do que o valor a ser pago em caso do funcionário vir a ser demitido pela empresa.

     A Consulente teme que possa estar numa das listas de demissões e que, em não optando pela “demissão voluntária” e, vindo a ser demitida a qualquer tempo, ela acabe recebendo bem menos do que o acordo oferece. Entretanto, tem medo em precipitar-se, optando pela própria demissão, e que não encontre lugar no mercado de trabalho. Além disso, ela não tem nenhuma certeza de que vá ser demitida agora ou no futuro. Tudo se lhe apresenta como uma incógnita.

     A sua pergunta, na tiragem do tarot, foi a seguinte:

    “Quais seriam as vantagens e desvantagem se eu aceitar o acordo e demitir-me, e quais seriam as vantagens e desvantagens se eu optar em continuar na empresa e aguardar ser, ou não, demitida no futuro?”

     Vamos, então, à essa leitura:

 

 

     Esquema de Jogada:

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27 Posição 1:  A RAIZ DO PROBLEMA

O que provoca uma grande tensão na Consultante é sentir-se intimidada e pressionada pela notícia de redução de pessoal na empresa em que trabalha. Nesta posição, o 6 de Paus simboliza dúvidas, medo, incapacidade de tomar decisões, sentir-se traída, passada para traz, ser vítima de um esquema que a prejudique. Representa, também, uma tendência em não querer comprometer-se, em procurar adiar iniciativas e planejamentos que se fazem necessários.

 

 

 

 

32 Posição 2:  O PASSADO RECENTE

O Pajem de Paus simboliza, entre outras coisas, notícias sobre trabalho, emprego ou negócios. É exatamente isso o que aconteceu com a Consultante, nos últimos meses, ao saber do início de um processo demissionário na empresa em que trabalha há anos e, consequentemente, da necessidade em ter que fazer uma escolha importante a respeito da sua carreira. Essa carta pode estar simbolizando, também, a imagem que a Consultante faz de si própria dentro dessa situação: a de uma pessoa sem a experiência e segurança necessárias para tomar uma decisão importante.

 

 

 

 

75 Posição 3:  O MOMENTO PRESENTE

O medo de arriscar numa escolha que pode não vir a se revelar, futuramente, a mais satisfatória, deixa a Consultante angustiada e até pessimista. O surgimento do Cavaleiro de Ouros nesta posição revela o desejo dela em ser racional, firme, bastante responsável, baseando sua escolha em aspectos bastante sólidos. Sua estabilidade e segurança material futuras deverão ser decididas com os “pés firmes no chão”. Sabe que deve enfrentar racionalmente a situação e agir de maneira prática e cautelosa, confiando em suas capacidades.

 

 

 

36 Posição 4:  A PRIMEIRA OPÇÃO

ACEITAR O ACORDO E PEDIR A DEMISSÃO

Essa parece ser uma decisão que a Consultante tomaria movida apenas pelo sentimento de medo, de perda, de angústia e tristeza. Uma escolha simbolizada pelo Ás de Copas é puramente baseada em sentimentos. O emocional pode estar atuando de maneira desequilibrada. Dentro das circunstâncias em que o processo demissionário parece estar sendo realizado, há que se evitar grandes ímpetos de desespero e procurar reequilibrar esses vagalhões de emoções e de sentimentos confusos com uma análise bastante clara e real do problema. Há que se ponderar as ações de forma mais harmoniosa. Ainda que a Consulente venha a decidir-se pelo acordo oferecido e demitir-se, deveria, primeiramente, buscar controlar suas emoções, não se deixando levar unicamente por elas.

 

 

48 Posição 5:  A SEGUNDA OPÇÃO

AGUARDAR O DESENVOLVIMENTO DA SITUAÇÃO E SER, OU NÃO, DESPEDIDA

A Rainha de Copas sugere que se confie nos sentimentos, desde que profundos e suficientemente amadurecidos, e que se dê atenção à intuição, à uma percepção extra-sensorial que todos temos e que algumas vezes insistimos em não dar crédito. Se observarmos a lâmina, veremos que a Rainha de Copas está dentro de um espaço solidamente construído porém com grandes aberturas (que pode representar a sua necessidade de se proteger, porém sem cercear a sua liberdade de escolhas), tranquilamente sentada ( o que pode significar uma ausência ou necessidade de ação imediata) e aguarda intuitiva e emocionalmente estável (notem a rosa vermelha na mão esquerda, que corresponde ao hemisfério direito do cérebro e simboliza o aspecto intuitivo da personalidade) a chegada do barco (novas notícias, oportunidades). Há grandes possibilidades de que esta devesse ser a decisão mais acertada, considerando-se as demais cartas que a acompanham nesta tiragem.

 

 

 

14 Posição 6:  O IMPACTO PROVOCADO PELA 1ª OPÇÃO

A Temperança pode estar a sugerir que a Consultante, em optando, nesta ocasião, em concordar com os termos do acordo e solicitar sua demissão, estivesse agindo de maneira impetuosa. Talvez não seja o mais indicado, na presente situação, que ela tome uma iniciativa drástica, transformadora, quando essa ação parece ser motivada por uma desarmonia dos seus sentimentos a respeito da perda, do futuro, da angústia em ter que optar, da falta de clareza nas possibilidades do mercado de trabalho e, até mesmo, na possibilidade, ou não, de vir a ser demitida. Isso poderia ser uma solução escapista, ou seja, para solucionar a angústia de tomar uma decisão, acaba-se tomando qualquer decisão. As consequência sugeridas pela Temperança podem sugerir, dentro do contexto da leitura, que a Consultante poderá estar fazendo essa escolha de maneira desequilibrada, sem avaliar todos os aspectos reais, sejam da empresa ou da sua importância como funcionária e visando, exclusivamente, uma vantagem financeira que também não irá representar nada de muito significativo caso ela demore para empregar-se novamente. Concluindo: é possível que, em optando, neste momento, pelo acordo, esteja agindo movida apenas pela emoção (sentimentos negativos), ou pelo imediatismo e pressa ( A Temperança é uma carta que simboliza a paciência e o tempo necessários para que as transformações aconteçam) e não equacionando a realidade dos fatos racionalmente (pesando melhor os prós e os contras).

 

 

 

29 Posição 7:  O IMPACTO PROVOCADO PELA 2ª OPÇÃO

Entre as prováveis consequencias da Consultante não aceitar o acordo e ficar aguardando o desenrolar da situação, será o de receber notícias mais auspiciosas sobre as condições da empresa ou novas propostas de trabalho. Como é uma carta de ação, de muito movimento, pode simbolizar, também mudança de emprego, mudança de cargo, mudança de local de trabalho ou, até mesmo, demissão. O 8 de Paus é uma carta que sugere estar-se sempre atento a “sinais”, à notícias, à mudanças, grandes ou pequenas, que ocorrem à nossa volta. É uma carta que sugere a tomada de atitudes no momento certo, nem antes e nem depois. É provável que, dentro da presente situação, seja indicativo da necessidade da Consultante ir-se preparando para mudanças futuras, procurando novas oportunidades, entregando seu curriculum em outras empresas, agindo de maneira precisa e segura, porém sem precipitações.

 

 

64 Posição 8:  O CONSELHO

O Ás de Ouros, como conselho dentro da situação proposta, simboliza que a Consultante deve estar muito atenta à todas as oportunidades que surgirem em relação ao trabalho, avaliando-as criteriosamente. É possível que a empresa não faça todos cortes previstos de pessoal, ou então, que venha a oferecer ainda bem melhores condições aos que optarem pelo acordo. Se avaliarmos a ilustração da carta podemos notar a impetuosidade (o touro correndo em direção ao observador) com que a segurança parece estar-se aproximando e a fertilidade material (o coelho) que novas oportunidades podem estar trazendo. Aguardar os acontecimentos é a sugestão implícita na leitura, porém sem abandonar-se ao comodismo e à fatalidade. Há que se estar perceptivo e aberto, constantemente, à novas oportunidade de crescimento harmonioso. Semear constantemente, para obter diversas colheitas, não na intenção de ganância ou ambição desmedida, mas de precaução, segurança, estabilidade.

 

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Imagens: ARCUS ARCANUM TAROT, por Hansrudi Wascher

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 2 DE ESPADAS

     2_of_Swords Noutro dia estávamos conversando, enquanto almoçávamos, sobre sabores e texturas dos alimentos e suas combinações. Falávamos de como a culinária oriental é especialista nesses arranjos, sempre se utilizando de pimentas e espécies picantes em conjunção com sabores adocicados, de suave textura. Querem um exemplo: Os populares “rolinhos primavera”, entrada que não pode faltar em qualquer restaurante sino-coreano. Ou o quente-frio dos fumegantes petit-gateaux amenizados pelos gellatos. Invenção francesa.  Ou mesmo o nosso tradicional “Romeu e Julieta”, quando uma generosa fatia de goiabada (de preferência, cascão) se faz acompanhar pela brancura salgada de um delicioso Queijo-de-Minas. Acabamos rindo muito sobre algumas manias, meio escondidas, de combinações esdrúxulas como a de uma amiga que a-do-ra misturar maionese com farofa, porque, segundo ela, as texturas (lisa e escorregadia da maionese com a aspereza granulosa da farofa) se complementam. Dizer o que?

     Lembrei-me desse divertido encontro ao sentar-me para escrever sobre o 2 de Espadas, a nossa Carta do Dia. Acho que foi o conceito embutido de Yang e Ying, masculino (salgado, quente) e feminino (doce, frio) que se bem analisado, fica evidente que a essência de um pré-existe no outro, ainda que sejam opostos complementares. O 2 de Espadas pode, também, ser interpretado como uma batalha mental ou uma luta. Também pode ser visto como os dois hemisférios do nosso cérebro, o direito e o esquerdo, unindo-se para funcionarem como um todo. Nas receitas que meus amigos e eu comentávamos, também não se pode separar o quente do frio, o salgado do doce, o picante do suave, a textura mole e lisa da sua complementar áspera e crocante. Você não obtém o mesmo resultado, a mesma satisfação. Assim também não é possível ter-se Yang sem Ying e vice e versa.

     Quando um 2 de Espadas aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das cartas que o acompanham, além da questão a ser esclarecida, ele pode estar simbolizando a existência de uma guerra mental sendo travada pelo consulente. Qual dos dois lados dele não está em harmonia. O número 2 é, geralmente, sobre dualidade, equilíbrio de forças, cooperação, acordos, diplomacia, política. Este 2, em particular, do naipe de Espadas que representa o elemento Ar, fala de capacidade mental, capacidade de solucionar problemas, de equilíbrio mental. Então, em que nós, ao tirarmos esse arcano, precisamos trabalhar para restaurar a nossa paz de espírito? Sim, porque às vezes temos que estar preparados mental e emocionalmente para tomarmos decisões rápidas que venham a solucionar problemas iminentes.

     Creio que todos conhecem uma das mais famosas estórias bíblicas, atribuída ao Rei Salomão, considerado o mais sábio dos homens de seu tempo.

     Como governante que era e, portanto, juiz e mediador, um dia chegaram-lhe ao palácio duas mulheres trazendo o corpo inerte de uma criancinha. Ambas contaram a mesma história e fizeram as mesmas acusações entre si. As duas reclamavam o corpo do bebê para si, pois se declaravam mãe do mesmo. O que havia acontecido, segundo elas, era que ambas haviam dado à luz de seus respectivos filhos em datas muito próximas e uma delas, por acidente, havia asfixiado o filho por acidente, causando-lhe a morte e, escondeu o fato trocando-o pelo filho da outra. Elas brigaram e trouxeram a questão ao Rei para saber com qual das duas a criança sobrevivente deveria ficar.

      Apresentado com uma situação tipicamente 2 de Espadas, Salomão pede que lhe tragam uma espada. Espantadas, elas perguntam por que? O que ele iria fazer? Ele, sabiamente explica que como a situação parece não ter solução, ele irá cortar a criança, que ambas diziam ser seu filho, ao meio e entregar uma metade a cada uma delas. Assim ambas ficariam satisfeitas e a Justiça seria feita.

    Judgement_of_Solomon Um grito se fez ouvir no amplo salão de audiências do palácio real, quando uma das mulheres, caindo aos pés do Rei, implorou-lhe que não fizesse tal coisa. Nesse momento, Salomão soube que aquela era a verdadeira mãe da criança sobrevivente, pois unicamente uma mãe abdicaria da sua própria felicidade em criar seu fruto pela vida do mesmo. A sua estratégia mental para obter o resultado pretendido havia surtido o efeito que ele, e todos, esperavam.

     Portanto, quando estivermos numa situação 2 de Espadas, de um conflito interior, devemos nos lembrar desse julgamento bíblico, dando-nos tempo para pensar, refletir, fazer a melhor escolha que será sempre aquela que não irá destruir nada e nem a felicidade de alguém, inclusive a nossa própria!

     Na próxima festa de Natal, quando servirem o salgadíssimo tender, laqueado com melados e especiarias e recoberto com cerejas ao marasquino e fios-de-ovos, ou mesmo naquela reunião dominical quando somos confrontados com um lombo assado e servido com grossas fatias de abacaxi, ou ainda, pela manhã, na padaria da esquina, ao pedir meu queijo quente com banana, vou lembrar quantas vezes vivo, mesmo sem me aperceber, uma situação do gênero 2 de Espadas, combinando elementos, associando idéias, somando partes distintas e combinando-as harmoniosamente.

     E como hoje é quinta-feira, cujo regente é o expansivo Júpiter, a Lua continua em sua fase Crescente, espalhando sua luz e aumentando sua força, e com esse assunto de comidas a me aguçarem o apetite, acho que vou (só por hoje, prometo!) abandonar o regime e dar um pulo até a vendedora de tapioca e pedir uma, bem recheada. De queijo-coalho com doce-de leite, oras pois!