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terça-feira, 12 de junho de 2018

Carta do Dia do Tarot: os Enamorados


Deck utilizado neste video: "Golden Wirth Tarot" (Lo Scarabeo)

terça-feira, 11 de março de 2014

Caminhos: Destino x Livre Arbítrio



Parte das pessoas que conheço exercem pelo menos 2 atividades distintas. Muitas vezes, é por uma questão econômica, de sobrevivência. Em alguns casos, por exclusiva realização pessoal e profissional.
Uma das moças que, por 8 horas diárias, serve café na padaria, contou que, também à noite, trabalha na lanchonete da cunhada por mais 4 horas. Tenho amigos que trabalham com balconistas, professores, comerciários e que reservam as noites e os finais de semana para apresentações com seus grupos musicais. Eu mesmo já passei por isso em diversas ocasiões: dava aulas durante o dia e fazia faculdade à noite; em seguida fui trabalhar como estagiário num escritório de arquitetura e, nos finais de semana, trabalhava para uma ONG.


Os CAMINHOS é uma carta do oráculo chamado Lenormand (que algumas pessoas chamam de "baralho cigano") e que nos remete imediatamente à ideia de livre arbítrio. Sempre temos escolha, inclusive, quando decidimos não escolher. O Gênesis narra talvez a mais dramática de todas as escolhas: criados dentro dos limites do chamado Jardim do Éden (ou Paraíso), Adão e Eva abandonaram uma vida feita unicamente de benefícios (eternidade, ausência de dor, sofrimento, etc) em favor de algo que hoje chamamos de "liberdade de pensamento". Sim, de pensamento pois ao serem proibidos de provarem do "fruto da Árvore do Conhecimento" estavam sendo proibidos de adquirirem conhecimento, ou seja, o substrato que nos permite entender, compreender, que nos dá elementos para elaborarmos raciocínios mais complexos, elaborar planos, estratégias, ações, estabelecer metas, calcular resultados, etc. Em nome dessa liberdade de formarem suas próprias opiniões, tirarem suas conclusões, decidirem o que é mais conveniente (ou importante, ou interessante, etc), optaram por romperem com os limites impostos (o do Conhecimento e o do Jardim) e vivenciarem as consequências.

Sim, porque "consequência" é a palavra e a ideia inteiramente associada ao livre arbítrio. Toda forma de liberdade carrega consigo uma enorme dose de responsabilidade. Cada decisão que fazemos no dia a dia traz consigo um comprometimento nosso. Se decido enfrentar uma longa fila no banco antes de ir postar uma carta no Correio, estou me responsabilizando pela possibilidade de me atrasar e acabar não conseguindo enviar a tal carta e todas as consequências decorrentes desse não-envio.

Na vida fazemos opções o tempo todo, mas nem sempre e não necessariamente elas implicam em se


abandonar algo em favor de outra coisa. Os CAMINHOS, também, não são indicativos de coisas ou  situações opostas ou antagônicas. Muitas vezes seguem lado a lado, como numa larga rodovia, permitindo escolher em qual das pistas queremos seguir. Para bem os trilharmos necessitamos vê-los claramente e ter algum jogo de cintura e diplomacia. Mudamos de pista à nossa vontade, mas estamos sempre indo numa mesma direção. Quando optar se fizer absolutamente necessário, estaremos mais capazes, mais preparados e conscientes do que realmente queremos ou necessitamos.

Qualquer que seja a escolha (um parceiro, uma profissão, um sócio, uma viagem, um carro, ter ou não filhos, ir a este ou aquele restaurante, etc) sempre haverá algo deixado de lado, algo que acabou não sendo escolhido. Viver se lamentando por aquilo que deixamos de fazer, de adquirir, de escolher, de privilegiar é tolice pois não podemos voltar atrás e modificar o que foi feito. Mas, lembre-se: sempre podemos corrigir e melhorar aquilo que escolhemos.

FONTE: http://polaroidesdaalma.blogspot.com

quinta-feira, 25 de março de 2010

Carta do Dia: OS AMANTES

Então Pedro disse a Jesus:

_”Nunca abandonarei o senhor, mesmo que todos o abandonem"!”

Mas Jesus lhe disse:

_”Eu afirmo a você que isso é verdade; nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, você dirá três vezes que não me conhece”.

Mas Pedro repetia com insistência:

_”Eu nunca vou dizer que não o conheço, mesmo que eu tenha que morrer com o senhor!”

Marcos, 14: 29, 30 e 31

     Também, de acordo com Marcos (14: 66 a 72), quando uma das empregadas do Grande Sacerdote, horas mais tarde, reconheceu Pedro como um dos seguidores de Jesus, ele negou veementemente, por três vezes:

_”Juro que não conheço esse homem de quem vocês estão falando! Que Deus me castigue se não estou dizendo a verdade!”

Naquele instante o galo cantou pela segunda vez, e Pedro lembrou que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante duas vezes, você dirá que não me conhece.”

Então Pedro caiu em si e começou a chorar.

     Enamorados Na carta dos Amantes, entre tantos significados simbólicos que representa, o de escolha, de opção, de livre-arbítrio é um dos mais importantes e instigantes. E para fazermos boas escolhas é necessário que tenhamos experiência, estejamos maduros o suficiente para podermos avaliar, com clareza, os reflexos que toda e qualquer opção que tomamos tem em nosso futuro e nas vidas das pessoas que nos cercam.

     É uma carta que demanda um grau de responsabilidade que muitas vezes ainda não adquirimos, através da vida, através dos mecanismos necessários que nos habilitem a fazermos as escolhas corretas. Ainda não conhecemos de cor o caminho para sabermos, com certeza, qual das direções optar, ao chegarmos numa bifurcação. O que fazer em situações como essas? Podemos tomar o caminho da direita e acabarmos nos perdendo, mas conhecendo uma nova região, com uma espetacular paisagem. Ou podemos optar pelo da esquerda e chegarmos ao nosso destino pretendido. Não há garantias.

     O mesmo ocorre quando assumimos compromissos. Apaixonar-se por alguém ou por um ideal traz uma série de consequências que nos fazem, muitas vezes inseguros de assumi-las, por não nos considerarmos aptos de cumprirmos com elas e, sobretudo, as assumirmos e nos responsabilizarmos por elas e pelos rumos que possam tomar. É muito importante que percebamos que nessas escolhas nunca estamos completamente sós, envolvendo outras vidas, atrelando o destino de outras pessoas ao nosso.

     Tenho um conhecido que foi cartorário durante muitos anos, construindo uma carreira notarial ilibada e um patrimônio bastante considerável. Mas vivia frustrado. Nada lhe agradava e queixava-se que, mesmo com todo o conforto e garantia de uma vida financeiramente segura, ele detestava os serviço que fazia e daria tudo para viver o seu sonho de juventude que era o de ser artista plástico.  Solteiro, filho único e vivendo com sua mãe viúva e idosa, num rompante de coragem, devolveu o cargo para o governo, reviu o aluguel dos imóveis que possuía, atualizando-os, abriu uma poupança para a sua mãe, reservou um pouco de dinheiro para si próprio e pois o pé na estrada. Mudou-se para a Europa, onde foi estudar e procurar realizar seu sonho.

     Em pouquíssimos anos, a inflação havia consumido com grande parte dos valores poupados, os imóveis estavam novamente com seus aluguéis defasados e precisando de grandes reformas estruturais e, para culminar, o Plano Collor, deixou a ele e à velha mãe com R$50,00 no banco. Ele, cuja tão sonhada carreira como artista plástico não deslanchou, viu-se obrigado a trabalhar em empregos muito mal pagos e sem nenhuma perspectiva, por ser imigrante. Não conseguiu, sequer juntar o dinheiro para voltar ao país. Sua mãe, vivendo em condições muito precárias, aceitou uma oferta enganosa de uma construtora que lhe oferecia dois ou três apartamentos em um novo empreendimento a ser construído em troca dos seus  imóveis, inclusive o que ela morava. Escritura assinada e a construtora estava nas páginas de todos os jornais por ter falido. Nem casa, nem cobertura, nem onde morar. Sim, restava-lhe o direito de apelar na Justiça, mas isso tem custos e ela não tinha como pagá-los. Foi morar na casa de uma ex-empregada, que a acolheu e dela cuidou até a sua morte.

     O filho continua morando no exterior, mudando ocasionalmente de cidade ou de país, sempre em trabalhos temporários. Hoje, mais velho e apresentando os desgastes naturais da idade, vive um estado de depressão crônica, lamentando-se pela opção feita no passado, pela forma impetuosa e cega de paixão que conduziu suas escolhas, e pela falta de um olhar mais claro, mais atento, menos tendencioso sobre as possíveis consequências de suas decisões. O remorso o consome e o sentimento de culpa que nutre, especialmente, pela forma que sua mãe viveu seus últimos anos, o atormenta e o mantém preso a uma vida auto-destrutiva não se permitindo, ainda que seu arrependimento seja sincero, o necessário perdão.

     Há momentos na vida de todos nós que tomamos decisões das quais nos arrependemos. Sempre há riscos a serem considerados e aceitos. O importante é essa aceitação. Estarmos preparados, o melhor possível, para recebermos as alegrias, os benefícios, ou as tristezas e as perdas que nossas escolhas possam resultar. No exemplo do evangelho de S. Marcos, transcrito no início desta postagem, vemos Pedro, conscientizando-se do erro cometido, ao tentar esquivar-se do fato de conhecer a Jesus. Reconhece, chora, lastima-se, mas segue adiante, procurando extrair uma lição positiva daquele engano e fazer algo que, mesmo que não possa apagá-lo definitivamente, proporcione uma forma de compensação equivalente. Pedro tornou-se um dos maiores evangelizadores de seu tempo, levando a palavra do Mestre por grandes regiões, deixando-se capturar e pedindo que não fosse martirizado como o seu Senhor, por não sentir-se digno. Foi crucificado de ponta-cabeça. Pedro buscou perdoar-se.

     Meu amigo viveu e continua a viver (ou seria preferível dizer, suportar) uma situação biblicamente semelhante a de Judas Iscariotes, outro apóstolo, que também arrependido de ter traído a Jesus, atraindo-o, identificando-o e entregando-o a seus algozes, é incapaz de aceitar sua errônea decisão e procurar transmutá-la em uma experiência a ser compreendida, aceita e, evidentemente, ser evitada futuramente. Decide, ao contrário, entrega-se à negatividade das consequências de seu ato e recusa-se a viver. Não reagir, não assumir as responsabilidades de seus atos e procurar de alguma forma saná-los ou então buscar novas opções, é também não viver.

     É necessário que enfrentemos com coragem e determinação essas nossas dificuldades, esses nossos erros, o mal uso do nosso livre-arbítrio, assumindo esses aspectos como parte integrante de nós mesmos. Só assim, sabendo com o que estamos lidando, podemos buscar a nossa harmonização, não permitindo viver sob o jugo de nossas más decisões, mas equilibrando-as com aspectos, atitudes e comportamentos mais positivos da nossa personalidade. Os alquimistas chamavam esse procedimento de solve et coagula, ou seja: analise-se bem, reúna e dissolva tudo o que for menor, negativo, inferior que houver em você, ainda que lhe pareça extremamente doloroso o procedimento; em seguida, tendo as suas forças sido renovadas por essa operação, recomponha-se novamente.

     Quando os Amantes aparecem numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua colocação na disposição escolhida e demais cartas que a cercam, além da situação proposta pelo consulente, pode, também, significar vontade ou tendência a comprometer-se; dualidade; contraditório; buscar a complementação de algo; união divina; equilíbrio; discernir; combinar; fazer escolhas; conflitos emocionais; amor e relacionamentos; harmonia, beleza e perfeição; escolher um parceiro, um sócio; ser responsável ou assumir a responsabilidade por algo ou alguém; estar vivendo uma vida dupla; energia sexual ativada; casamento entre opostos; individualidade; gêmeos; ajuda para transpor obstáculos; ter um “caso” fora do relacionamento; todas as formas de amor e de amar; atração mútua; ser fiel a seus princípios; saber o que é bom e o que não funciona para si mesmo, entre muitas outras possibilidades.

     Mal aspectado numa leitura, este Arcano pode representar indecisão; más escolhas; tentação; ser dispersivo; só se interessar pelos aspectos físicos da relação; infidelidade; adultério; ciúme; controle; ligações perigosas; brigas; triângulo amoroso; divórcio, separação; forte oposição.

    06-Major-Lovers Une Tiphareth a Binah, na Árvore da Vida cabalística, o que representa a ligação entre a consciência pura, de onde todas as formas surgem, ao ponto central da Árvore, onde essas formas se manifestam. A principal lição desse 17º caminho é de que uma supraconsciência, uma consciência mais proximamente ligada ao Divino Superior influi, imparcialmente sobre o consciente e o subconsciente, equilibrando-os. É quando as duas metades da psique, o animus e a anima se unem, não escondendo nada um do outro, que se realiza o verdadeiro Casamento Real. É a idéia do Equilíbrio Harmonioso entre pares opostos, que são, na verdade, complementos entre si, não importando quão diferenciados possam aparentar no momento. O correlação astrológica dos Namorados é Gêmeos. Só chegamos à essa união de opostos através de conflitos, que são essenciais a qualquer crescimento espiritual. É lidando com nosso lado “sombra”, com aquilo que normalmente repudiamos ou tentamos não ver em nós mesmos, que acabamos nos vendo como um todo.

     Nesta quinta-feira, sob os auspícios expansivos de Júpiter, regente do dia da semana, e com a Lua em seu quarto-crescente entrando na casa de Leão, nos promete uma chance de vermos brilhar a nossa personalidade, facilitando com que nos assumamos claramente como somos, iluminando os nossos aspectos mais sombrios para que possamos melhor visualizá-los, conhecê-los, assumi-los e equilibrá-los. É um dia muito favorável às atividades sociais e, muito provavelmente, os lugares públicos tais como praias, shoppings, praças, clubes, bares e restaurantes, deverão estar cheios de gente. É um período excelente para se pensar em uniões, sejam elas comerciais como as sentimentais. Casamento é uma grande possibilidade e inícios de namoros certamente irão ocorrer.

     Aproveite o dia para meditar sobre quem você é e sobre o que valoriza em você e nos outros. Aproveite para observar e apreciar os contrastes e as diferenças  e perceber que tudo existe de forma complementar. Yang e Yin. Não há melhor ou pior. Existem, sim, escolhas mais ou menos apropriadas.

     Um excelente dia para todos!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 2 DE ESPADAS

     2_of_Swords Noutro dia estávamos conversando, enquanto almoçávamos, sobre sabores e texturas dos alimentos e suas combinações. Falávamos de como a culinária oriental é especialista nesses arranjos, sempre se utilizando de pimentas e espécies picantes em conjunção com sabores adocicados, de suave textura. Querem um exemplo: Os populares “rolinhos primavera”, entrada que não pode faltar em qualquer restaurante sino-coreano. Ou o quente-frio dos fumegantes petit-gateaux amenizados pelos gellatos. Invenção francesa.  Ou mesmo o nosso tradicional “Romeu e Julieta”, quando uma generosa fatia de goiabada (de preferência, cascão) se faz acompanhar pela brancura salgada de um delicioso Queijo-de-Minas. Acabamos rindo muito sobre algumas manias, meio escondidas, de combinações esdrúxulas como a de uma amiga que a-do-ra misturar maionese com farofa, porque, segundo ela, as texturas (lisa e escorregadia da maionese com a aspereza granulosa da farofa) se complementam. Dizer o que?

     Lembrei-me desse divertido encontro ao sentar-me para escrever sobre o 2 de Espadas, a nossa Carta do Dia. Acho que foi o conceito embutido de Yang e Ying, masculino (salgado, quente) e feminino (doce, frio) que se bem analisado, fica evidente que a essência de um pré-existe no outro, ainda que sejam opostos complementares. O 2 de Espadas pode, também, ser interpretado como uma batalha mental ou uma luta. Também pode ser visto como os dois hemisférios do nosso cérebro, o direito e o esquerdo, unindo-se para funcionarem como um todo. Nas receitas que meus amigos e eu comentávamos, também não se pode separar o quente do frio, o salgado do doce, o picante do suave, a textura mole e lisa da sua complementar áspera e crocante. Você não obtém o mesmo resultado, a mesma satisfação. Assim também não é possível ter-se Yang sem Ying e vice e versa.

     Quando um 2 de Espadas aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e das cartas que o acompanham, além da questão a ser esclarecida, ele pode estar simbolizando a existência de uma guerra mental sendo travada pelo consulente. Qual dos dois lados dele não está em harmonia. O número 2 é, geralmente, sobre dualidade, equilíbrio de forças, cooperação, acordos, diplomacia, política. Este 2, em particular, do naipe de Espadas que representa o elemento Ar, fala de capacidade mental, capacidade de solucionar problemas, de equilíbrio mental. Então, em que nós, ao tirarmos esse arcano, precisamos trabalhar para restaurar a nossa paz de espírito? Sim, porque às vezes temos que estar preparados mental e emocionalmente para tomarmos decisões rápidas que venham a solucionar problemas iminentes.

     Creio que todos conhecem uma das mais famosas estórias bíblicas, atribuída ao Rei Salomão, considerado o mais sábio dos homens de seu tempo.

     Como governante que era e, portanto, juiz e mediador, um dia chegaram-lhe ao palácio duas mulheres trazendo o corpo inerte de uma criancinha. Ambas contaram a mesma história e fizeram as mesmas acusações entre si. As duas reclamavam o corpo do bebê para si, pois se declaravam mãe do mesmo. O que havia acontecido, segundo elas, era que ambas haviam dado à luz de seus respectivos filhos em datas muito próximas e uma delas, por acidente, havia asfixiado o filho por acidente, causando-lhe a morte e, escondeu o fato trocando-o pelo filho da outra. Elas brigaram e trouxeram a questão ao Rei para saber com qual das duas a criança sobrevivente deveria ficar.

      Apresentado com uma situação tipicamente 2 de Espadas, Salomão pede que lhe tragam uma espada. Espantadas, elas perguntam por que? O que ele iria fazer? Ele, sabiamente explica que como a situação parece não ter solução, ele irá cortar a criança, que ambas diziam ser seu filho, ao meio e entregar uma metade a cada uma delas. Assim ambas ficariam satisfeitas e a Justiça seria feita.

    Judgement_of_Solomon Um grito se fez ouvir no amplo salão de audiências do palácio real, quando uma das mulheres, caindo aos pés do Rei, implorou-lhe que não fizesse tal coisa. Nesse momento, Salomão soube que aquela era a verdadeira mãe da criança sobrevivente, pois unicamente uma mãe abdicaria da sua própria felicidade em criar seu fruto pela vida do mesmo. A sua estratégia mental para obter o resultado pretendido havia surtido o efeito que ele, e todos, esperavam.

     Portanto, quando estivermos numa situação 2 de Espadas, de um conflito interior, devemos nos lembrar desse julgamento bíblico, dando-nos tempo para pensar, refletir, fazer a melhor escolha que será sempre aquela que não irá destruir nada e nem a felicidade de alguém, inclusive a nossa própria!

     Na próxima festa de Natal, quando servirem o salgadíssimo tender, laqueado com melados e especiarias e recoberto com cerejas ao marasquino e fios-de-ovos, ou mesmo naquela reunião dominical quando somos confrontados com um lombo assado e servido com grossas fatias de abacaxi, ou ainda, pela manhã, na padaria da esquina, ao pedir meu queijo quente com banana, vou lembrar quantas vezes vivo, mesmo sem me aperceber, uma situação do gênero 2 de Espadas, combinando elementos, associando idéias, somando partes distintas e combinando-as harmoniosamente.

     E como hoje é quinta-feira, cujo regente é o expansivo Júpiter, a Lua continua em sua fase Crescente, espalhando sua luz e aumentando sua força, e com esse assunto de comidas a me aguçarem o apetite, acho que vou (só por hoje, prometo!) abandonar o regime e dar um pulo até a vendedora de tapioca e pedir uma, bem recheada. De queijo-coalho com doce-de leite, oras pois!

 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 8 DE ESPADAS

    db_NS-8 de espadas Às vezes nossa vida parece ser uma extensão local de Guantánamo. Tudo complicado demais, enorme demais, pesado demais. Arrasador demais. Vivemos um desespero semelhante àquele dos pesadelos, quando queremos correr do perigo e parece que nossos pés estão grudados ao chão. Nessas ocasiões estamos vivendo aquilo que no tarot chamamos de um 8 de Espadas.

     Há determinadas ocasiões em que precisamos tomar importantes decisões que irão ter um impacto muito grande em nosso futuro. Pode ser ter-se que decidir por qual carreira seguir, por qual profissão optar. Seja autorizar a cirurgia de um parente nosso que pode não resistir à mesma. Às vezes vem na forma de uma gravidez que surge no momento errado, quando estamos com outros planos de vida, quando estamos construindo uma carreira que pode exigir mudanças, viagens, etc. Pode ser, também, que venha como o assinar ou não uma escritura de venda de um imóvel que pode representar nossa única segurança patrimonial no futuro. Enfim, são situações que podem surgir do nada ou então serem construídas lentamente, por nós mesmos, através do tempo e que, num determinado momento, eclodem exigindo uma solução. E rápida!

     A imagem que primeiro me ocorre sempre que o 8 de Espadas surge numa leitura de tarot é a de uma teia de aranha: fina, delicada, quase invisível, mas muito bem fixada, bem trançada, muito aderente, na qual a vítima se prende por si própria e, quanto mais se debate na busca de uma possível fuga, mais enrodilhada, mais presa fica. Assim somos nós, vítimas das nossas próprias construções mentais, prisioneiros de uma verdadeira tessitura de detalhes, de opções, de experiências bem ou mal aprendidas, de tantas opiniões alheias, de medos implausíveis, de sentimentos mal resolvidos que qualquer chance de libertação parece-nos tão impossível ou desesperadora quanto o próprio mal que nos aflige.

     Quando temos que optar, a idéia de fazermos a escolha errada nos apavora a tal ponto que, muitas vezes, perdemos o foco principal e ficamos derivando entre detalhes de menor importância, engessados em preconceitos, em pensamentos negativos, em auto-piedade, dando ouvidos a qualquer coisa que nos digam a tal ponto que isso pode acabar mal e todas aquelas fantasias mórbidas que tivemos acabam se realizando. Parece que nos recusamos a pensar. Nosso cérebro parece não corresponder à nossa necessidade de sermos lógicos, claros, criativos e encontrarmos em nós mesmos as melhores saídas para os problemas que se apresentam. Sim, em nós mesmos, já que cada um de nós constrói o seu próprio labirinto é de se esperar que então saibamos onde se encontra a saída do mesmo.

     As espadas, que poderiam representar, neste caso, opções de libertação, de ruptura, de corte de situações, de armas de fuga, estão, ao invés, nos cercando, nos isolando, nos impedindo de prosseguir e de nos desvencilharmos das nossas barreiras e amarras. Essas espadas representam pensamentos não conclusivos, idéias esparsas, fantasias pessimistas, medos, angústias e ansiedades que envolvem num manto de obscuridade cada escolha que precisamos fazer. Confusão acaba gerando mais confusão à medida que acabamos tendo idéias estapafúrdias a fim de nos livrarmos dos problema, nublando ainda mais as nossas perspectivas.  Isso acaba fazendo que, muitas vezes, nos fechemos em nós mesmos e nos retiremos. E, essa retirada pode ser fisicamente mesmo, pois quantas histórias conhecemos de pessoas que acabaram fugindo, desaparecendo, mudando-se de cidade, de país e até de identidade, apenas para não ter que enfrentar situações que demandavam decisões transformadoras?

     Nesses momentos, em que nos sentidos com os pés e as mão atadas, vendados e cercados de perigos iminentes, o melhor a fazer é dar um tempo. Parece impossível, não é mesmo? Difícil parar, relaxar, deixar a mente clarear, respirar fundo, dar uma trégua no campo de batalha da sua mente e descansar. É difícil, sim. Complicado. Mas fundamental. Tudo o que precisamos neste momento já encontra dentro de nós. Não adianta esperar, com os ouvidos externos atentos,  escutar o som da corneta e do tropel da cavalaria que, no último momento vem nos salvar. Esse grupo de resgate vem de dentro de nós. Do mesmo local onde os pensamentos confusos, as idéias assustadoras e nebulosas tomaram formas assustadoras. É do nosso interior, agindo através da nossa intuição, do nosso bom senso, da lógica e da razão tão cortante quanto as espadas retratadas na carta, que virá nossa salvação, nossa redenção.

     É nesse momento que percebemos que os ventos da mudança já começaram soprar, desviando as negras nuvens e deixando a luminosidade do sol brilhar novamente. Tudo fica claro, nítido, evidente, permitindo que foquemos a nossa atenção e  analisemos de forma honesta e imparcial as nossas reais opções. É chegada a hora de parar de pensar em termos de limitações para pensarmos em termos de possibilidades. Lembre-se que a aranha tem 8 patas e caminha lépida sobre a mesma teia que aprisiona suas vítimas, porque ela mesma a construiu e, portanto, sabe onde pisar, qual caminho fazer.

     As importantes decisões que você tenha que tomar, no dia de hoje, viva-as de maneira tranquila, aberta a soluções que possam parecer, à primeira vista, descartáveis, mas que podem ser exatamente aquilo que você precisa aprender a respeito de como solucionar seu problema. Distraia-se. Mude o foco. Passeie. Cante. Vá ao cinema. Distraia sua mente para que ela possa descansar da sobrecarga que você está lhe impondo. E depois, mais leve, com mais jogo de cintura, volte a elaborar um plano concreto de ação, lembrando-se que paciência e persistência derrotam qualquer obstáculo, sobrepujam qualquer situação.

     Tenha um excelente dia!