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quinta-feira, 25 de março de 2010

Carta do Dia: OS AMANTES

Então Pedro disse a Jesus:

_”Nunca abandonarei o senhor, mesmo que todos o abandonem"!”

Mas Jesus lhe disse:

_”Eu afirmo a você que isso é verdade; nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, você dirá três vezes que não me conhece”.

Mas Pedro repetia com insistência:

_”Eu nunca vou dizer que não o conheço, mesmo que eu tenha que morrer com o senhor!”

Marcos, 14: 29, 30 e 31

     Também, de acordo com Marcos (14: 66 a 72), quando uma das empregadas do Grande Sacerdote, horas mais tarde, reconheceu Pedro como um dos seguidores de Jesus, ele negou veementemente, por três vezes:

_”Juro que não conheço esse homem de quem vocês estão falando! Que Deus me castigue se não estou dizendo a verdade!”

Naquele instante o galo cantou pela segunda vez, e Pedro lembrou que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante duas vezes, você dirá que não me conhece.”

Então Pedro caiu em si e começou a chorar.

     Enamorados Na carta dos Amantes, entre tantos significados simbólicos que representa, o de escolha, de opção, de livre-arbítrio é um dos mais importantes e instigantes. E para fazermos boas escolhas é necessário que tenhamos experiência, estejamos maduros o suficiente para podermos avaliar, com clareza, os reflexos que toda e qualquer opção que tomamos tem em nosso futuro e nas vidas das pessoas que nos cercam.

     É uma carta que demanda um grau de responsabilidade que muitas vezes ainda não adquirimos, através da vida, através dos mecanismos necessários que nos habilitem a fazermos as escolhas corretas. Ainda não conhecemos de cor o caminho para sabermos, com certeza, qual das direções optar, ao chegarmos numa bifurcação. O que fazer em situações como essas? Podemos tomar o caminho da direita e acabarmos nos perdendo, mas conhecendo uma nova região, com uma espetacular paisagem. Ou podemos optar pelo da esquerda e chegarmos ao nosso destino pretendido. Não há garantias.

     O mesmo ocorre quando assumimos compromissos. Apaixonar-se por alguém ou por um ideal traz uma série de consequências que nos fazem, muitas vezes inseguros de assumi-las, por não nos considerarmos aptos de cumprirmos com elas e, sobretudo, as assumirmos e nos responsabilizarmos por elas e pelos rumos que possam tomar. É muito importante que percebamos que nessas escolhas nunca estamos completamente sós, envolvendo outras vidas, atrelando o destino de outras pessoas ao nosso.

     Tenho um conhecido que foi cartorário durante muitos anos, construindo uma carreira notarial ilibada e um patrimônio bastante considerável. Mas vivia frustrado. Nada lhe agradava e queixava-se que, mesmo com todo o conforto e garantia de uma vida financeiramente segura, ele detestava os serviço que fazia e daria tudo para viver o seu sonho de juventude que era o de ser artista plástico.  Solteiro, filho único e vivendo com sua mãe viúva e idosa, num rompante de coragem, devolveu o cargo para o governo, reviu o aluguel dos imóveis que possuía, atualizando-os, abriu uma poupança para a sua mãe, reservou um pouco de dinheiro para si próprio e pois o pé na estrada. Mudou-se para a Europa, onde foi estudar e procurar realizar seu sonho.

     Em pouquíssimos anos, a inflação havia consumido com grande parte dos valores poupados, os imóveis estavam novamente com seus aluguéis defasados e precisando de grandes reformas estruturais e, para culminar, o Plano Collor, deixou a ele e à velha mãe com R$50,00 no banco. Ele, cuja tão sonhada carreira como artista plástico não deslanchou, viu-se obrigado a trabalhar em empregos muito mal pagos e sem nenhuma perspectiva, por ser imigrante. Não conseguiu, sequer juntar o dinheiro para voltar ao país. Sua mãe, vivendo em condições muito precárias, aceitou uma oferta enganosa de uma construtora que lhe oferecia dois ou três apartamentos em um novo empreendimento a ser construído em troca dos seus  imóveis, inclusive o que ela morava. Escritura assinada e a construtora estava nas páginas de todos os jornais por ter falido. Nem casa, nem cobertura, nem onde morar. Sim, restava-lhe o direito de apelar na Justiça, mas isso tem custos e ela não tinha como pagá-los. Foi morar na casa de uma ex-empregada, que a acolheu e dela cuidou até a sua morte.

     O filho continua morando no exterior, mudando ocasionalmente de cidade ou de país, sempre em trabalhos temporários. Hoje, mais velho e apresentando os desgastes naturais da idade, vive um estado de depressão crônica, lamentando-se pela opção feita no passado, pela forma impetuosa e cega de paixão que conduziu suas escolhas, e pela falta de um olhar mais claro, mais atento, menos tendencioso sobre as possíveis consequências de suas decisões. O remorso o consome e o sentimento de culpa que nutre, especialmente, pela forma que sua mãe viveu seus últimos anos, o atormenta e o mantém preso a uma vida auto-destrutiva não se permitindo, ainda que seu arrependimento seja sincero, o necessário perdão.

     Há momentos na vida de todos nós que tomamos decisões das quais nos arrependemos. Sempre há riscos a serem considerados e aceitos. O importante é essa aceitação. Estarmos preparados, o melhor possível, para recebermos as alegrias, os benefícios, ou as tristezas e as perdas que nossas escolhas possam resultar. No exemplo do evangelho de S. Marcos, transcrito no início desta postagem, vemos Pedro, conscientizando-se do erro cometido, ao tentar esquivar-se do fato de conhecer a Jesus. Reconhece, chora, lastima-se, mas segue adiante, procurando extrair uma lição positiva daquele engano e fazer algo que, mesmo que não possa apagá-lo definitivamente, proporcione uma forma de compensação equivalente. Pedro tornou-se um dos maiores evangelizadores de seu tempo, levando a palavra do Mestre por grandes regiões, deixando-se capturar e pedindo que não fosse martirizado como o seu Senhor, por não sentir-se digno. Foi crucificado de ponta-cabeça. Pedro buscou perdoar-se.

     Meu amigo viveu e continua a viver (ou seria preferível dizer, suportar) uma situação biblicamente semelhante a de Judas Iscariotes, outro apóstolo, que também arrependido de ter traído a Jesus, atraindo-o, identificando-o e entregando-o a seus algozes, é incapaz de aceitar sua errônea decisão e procurar transmutá-la em uma experiência a ser compreendida, aceita e, evidentemente, ser evitada futuramente. Decide, ao contrário, entrega-se à negatividade das consequências de seu ato e recusa-se a viver. Não reagir, não assumir as responsabilidades de seus atos e procurar de alguma forma saná-los ou então buscar novas opções, é também não viver.

     É necessário que enfrentemos com coragem e determinação essas nossas dificuldades, esses nossos erros, o mal uso do nosso livre-arbítrio, assumindo esses aspectos como parte integrante de nós mesmos. Só assim, sabendo com o que estamos lidando, podemos buscar a nossa harmonização, não permitindo viver sob o jugo de nossas más decisões, mas equilibrando-as com aspectos, atitudes e comportamentos mais positivos da nossa personalidade. Os alquimistas chamavam esse procedimento de solve et coagula, ou seja: analise-se bem, reúna e dissolva tudo o que for menor, negativo, inferior que houver em você, ainda que lhe pareça extremamente doloroso o procedimento; em seguida, tendo as suas forças sido renovadas por essa operação, recomponha-se novamente.

     Quando os Amantes aparecem numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua colocação na disposição escolhida e demais cartas que a cercam, além da situação proposta pelo consulente, pode, também, significar vontade ou tendência a comprometer-se; dualidade; contraditório; buscar a complementação de algo; união divina; equilíbrio; discernir; combinar; fazer escolhas; conflitos emocionais; amor e relacionamentos; harmonia, beleza e perfeição; escolher um parceiro, um sócio; ser responsável ou assumir a responsabilidade por algo ou alguém; estar vivendo uma vida dupla; energia sexual ativada; casamento entre opostos; individualidade; gêmeos; ajuda para transpor obstáculos; ter um “caso” fora do relacionamento; todas as formas de amor e de amar; atração mútua; ser fiel a seus princípios; saber o que é bom e o que não funciona para si mesmo, entre muitas outras possibilidades.

     Mal aspectado numa leitura, este Arcano pode representar indecisão; más escolhas; tentação; ser dispersivo; só se interessar pelos aspectos físicos da relação; infidelidade; adultério; ciúme; controle; ligações perigosas; brigas; triângulo amoroso; divórcio, separação; forte oposição.

    06-Major-Lovers Une Tiphareth a Binah, na Árvore da Vida cabalística, o que representa a ligação entre a consciência pura, de onde todas as formas surgem, ao ponto central da Árvore, onde essas formas se manifestam. A principal lição desse 17º caminho é de que uma supraconsciência, uma consciência mais proximamente ligada ao Divino Superior influi, imparcialmente sobre o consciente e o subconsciente, equilibrando-os. É quando as duas metades da psique, o animus e a anima se unem, não escondendo nada um do outro, que se realiza o verdadeiro Casamento Real. É a idéia do Equilíbrio Harmonioso entre pares opostos, que são, na verdade, complementos entre si, não importando quão diferenciados possam aparentar no momento. O correlação astrológica dos Namorados é Gêmeos. Só chegamos à essa união de opostos através de conflitos, que são essenciais a qualquer crescimento espiritual. É lidando com nosso lado “sombra”, com aquilo que normalmente repudiamos ou tentamos não ver em nós mesmos, que acabamos nos vendo como um todo.

     Nesta quinta-feira, sob os auspícios expansivos de Júpiter, regente do dia da semana, e com a Lua em seu quarto-crescente entrando na casa de Leão, nos promete uma chance de vermos brilhar a nossa personalidade, facilitando com que nos assumamos claramente como somos, iluminando os nossos aspectos mais sombrios para que possamos melhor visualizá-los, conhecê-los, assumi-los e equilibrá-los. É um dia muito favorável às atividades sociais e, muito provavelmente, os lugares públicos tais como praias, shoppings, praças, clubes, bares e restaurantes, deverão estar cheios de gente. É um período excelente para se pensar em uniões, sejam elas comerciais como as sentimentais. Casamento é uma grande possibilidade e inícios de namoros certamente irão ocorrer.

     Aproveite o dia para meditar sobre quem você é e sobre o que valoriza em você e nos outros. Aproveite para observar e apreciar os contrastes e as diferenças  e perceber que tudo existe de forma complementar. Yang e Yin. Não há melhor ou pior. Existem, sim, escolhas mais ou menos apropriadas.

     Um excelente dia para todos!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Carta do Dia: DOIS DE OUROS

 
Quem nunca teve que fazer verdadeiros malabarismos com dinheiro para que, ao final, todas (ou quase...) as contas pudessem ser pagas, por favor levante a mão... e pode considerar-se um privilegiado.
A maioria das pessoas passa por situações onde o famoso jogo de cintura é a única forma de contornar ou solucionar problemas e dificuldades de origens e tamanhos os mais diversos.
O 2 de Ouros é uma carta que nos fala exatamente da necessidade de harmonizarmo-nos, sabendo usar de todos os recursos materiais, mentais, emocionais e espirituais de que dispomos, para nos adaptarmos às situações que a vida nos impõe. Podemos fazer isso de maneira graciosa, como num verdadeiro balé onde os elementos se combinam, trocam de posições e funções e criam resultados belos e satisfatórios. Ou podemos ficar pelas esquinas dos nossos afazeres, obrigações, das nossas dúvidas e aflições, jogando malabares ao ar e deixando-os cair por não sabermos a nobre arte de bem manipulá-los.
Esse arcano nos fala, sobretudo, dos aspectos materiais da existência (Ouros = Terra) e, consequantemente, dinheiro é um tema recorrente quando essa carta se apresenta numa tiragem, como aconteceu nesta manhã, como a Carta do Dia.
Passadas as compras natalinas, onde poucos, muito poucos, não extrapolam os gastos, a maioria de nós acaba ficando com prestações demais a serem pagas, com saldos bancários e de cartões de crédito literalmente " estourados" ou com empréstimos feitos a juros impensáveis e lidar com isso, acabado o entusiasmo consumista, é muito difícil e exige responsabilidade, equilíbrio e, por que não, bom humor. Há que se concentrar, raciocinar a respeito,  buscar alternativas viáveis e harmonizar-se.
O 2 de Ouros nos fala em pesar prós e contras, refletindo a respeito e tendo prudência antes de agir. É também a carta que nos fala de reconhecer e integrar o equilíbrio das polaridades, do yang e yin. De que devemos cuidar do nosso desenvolvimento interior e de nossas realizações exteriores simultaneamente, sem dicotomizarmos ambas. Que temos de aprender encontrar novas formas de unirmos posições, que até o presente pareciam ser opostas, para, juntas, formarem uma totalidade.
Este arcano também nos avisa sobre as consequências de nos sobrecarregarmos apenas para buscar a admiração alheia. Ou de que não devemos nos dispersar em múltiplos objetivos apenas por sermos inconstantes. E, muito importante, não procurarmos, nas nossas aquisições, perdermos a felicidade e abdicarmos da qualidade daquilo pelo que lutamos.
Claro que, num enfoque bastante objetivo, essa carta nos fala de modificações, de intercâmbio, de troca de cargo ou de emprego, de reestruturação de negócios, sociedade, vida econômica ou familiar, da habilidade que temos (ou devemos ter) na administração de recursos, em equilibrar o trabalho com o prazer, em desenvolver mais de um trabalho ao mesmo tempo e até, pasmem, em cartas, avisos, mensagens e demais formas de comunicação (afinal é mais ou menos uma coisa que vai e volta, como os malabares nas mãos do artista).
Como uma mensagem desse arcano para o trabalho e, em especial, para que trabalha em grupo, cito algo que li há muito tempo e, confesso, não me lembro mais quem o disse, mas fica aqui como registro:
          "Se eu pretender que a construção de um barco seja bem sucedida, ao invés de ditar aos operários e artesãos regras e normas, muito antes de fornecer-lhes o material necessário à execução do projeto, eu lhes insuflarei nos corações o irresitível desejo pelo mar."
Ou seja: inspirar ao invés de comandar.
E como instrumento para meditação, o 2 de Ouros nos induz à percepção de que as coisas que, à primeira vista, opostas é simplesmente ilusão pois tudo, ao final das contas, são diferentes formas de uma mesma coisa.
Portanto, ter flexibilidade, permitir-se as mudanças, agir com bom senso, equilibradamente e procurando evitar os extremos, mas caminhar pelo "caminho do meio"  é uma fórmula segura de evitarmos grandes percalços na nossa estrada.
Ah, lembre-se também que Mudança é o apoio da Estabilidade.
Pense nisso e tenha um ótimo sábado!