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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Baralho Lenormand (Baralho Cigano): o Trevo (Snapchat: ALEXCARLOS60)


A carta de número 2 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano), o TREVO (ou as ERVAS, como preferirem), quando aparece numa tiragem é prenúncio de que algo bom, algo positivo, algo que irá nos alegrar irá acontecer em nossa vida.
É aquele momento em que encontramos na rua, muito por acaso, aquela amiga que não víamos há anos e que ultimamente estávamos sempre nos lembrando dela. É encontrar naquele sebo de livros onde você entrou só para acompanhar seu amigo, um deck de cartas oraculares que há muito você vinha querendo ter e não encontrava em lugar nenhum para vender. É ter que se mudar e não encontrar nada dentro das suas possibilidades econômicas e, ao comentar o assunto com um parente, ele dizer que está indo fazer uma pós graduação no exterior e está exatamente procurando alguém que fique cuidando do seu apartamento e se responsabilize apenas pelas contas básicas de manutenção. É estar atrasadíssima para um encontro do outro lado da cidade e chegar correndo no ponto de ônibus no exato momento em que também chega exatamente aquele que você precisa pegar.
O TREVO é essa promessa de que as coisas vão dar certo, que pequenos "milagres" acontecem todos os dias em meio às situações mais corriqueiras. 

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Baralho Lenormand (Baralho Cigano): Bouquet / Flores (Snapchat: ALEXCARLOS60)


Alegria, felicidade, boa sorte, presentes, gratidão, tranquilidade, positividade, charme, arte, surpresa agradável, satisfação, harmonia, alergia, tratamentos naturais, medicina alternativa, perdão, aparência, segurança financeira, embelezar, decorar, gentileza, delicadeza, arranjo de flores, cartões de aniversário, dia dos namorados, natal, enfeites, material de desenho, pintura e maquiagem, são algumas possibilidades quando o BOUQUET FLORES, carta 9 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) surge numa leitura cartomântica.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento  da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

o Sol (Snapchat: @TAROTEANDO)


O Arcano Maior XIX, o SOL, nos traz a ideia de iluminação, claridade, luz, energia, força, atividade, sucesso, êxito, fama, alegria, felicidade, realização, segurança, autoconfiança, riqueza, abundancia, prosperidade, disposição, entre muitas outras possíveis definições.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração, no momento da gravação ou da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

9 de Copas (comentário realizado no Periscope: @ALEXTAROLOGO)


Se há uma carta entre todos os Arcanos Menores do Tarot que defina a realização dos nossos sonhos, é o 9 DE COPAS.
Sonhos realizados, metas atingidas, oportunidades aproveitadas, convivência familiar e em sociedade bastante equilibrada e feliz, estar satisfeito consigo próprio e com tudo o mais que lhe pertence e que lhe cerca, fartura e abundância, muitos motivos para comemorar, compartilhar o sentimento de amor e alegria com os demais, são algumas das expressões que poderíamos usar para compreender a atuação do 9 DE COPAS em nossas vidas quando ele surge numa leitura de Tarot.

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9 de Copas (Snapchat: @TAROTEANDO)


O 9 DE COPAS, no Tarot, é conhecido como "a carta dos desejos" pois simboliza a realização dos mesmos. Carta que fala de felicidade, satisfação, convivência harmônica, abundância, também pode ser, quando invertida ou mal localizada, representar o insucesso, a tristeza, carência emocional, estar "afogado em mágoas".

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Baralho Lenormand (Baralho Cigano): o Sol (comentário AO VIVO realizado no Periscope: @ALEXTAROLOGO)


Felicidade, alegria, disposição, energia, autoridade, honrarias, fama, sucesso, talento, qualidades, virtudes, amizade, verdade são algumas das muitas palavras que podem nos ajudar a compreender melhor a carta nº31 do Baralho Lenormand (também conhecido como baralho ou Tarô Cigano), o SOL.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Baralho Lenormand (Tarô Cigano): o Sol (Snapchat: @ALEXTAROLOGO)


Sucesso, realizações, boa sorte e alegria são alguns dos termos que podemos nos utilizar para nos referir à carta do SOL, no Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano).

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domingo, 4 de janeiro de 2015

SOL,carta 31 do baralho Lenormand, para inspirar os novos dias do Ano Novo

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-da-semana-o-sol-a-iluminar-o-novo-ano/ 

O SOL, a carta de número 31 do oráculo Lenormand, para saudar o Novo Ano.
Leia em www.50emais.com.br

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domingo, 21 de dezembro de 2014

9 de Copas: A Liturgia do Amor

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-desta-semana-de-natal-a-liturgia-do-amor/ 

Confira no www.50emais:  A Liturgia do Amor / uma interpretação do 9 de Copas do tarot

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-desta-semana-de-natal-a-liturgia-do-amor/

domingo, 7 de dezembro de 2014

3 de Copas: O tarot e o constante exercício da Felicidade


O Tarot e o constante exercício da Felicidade


Acesse o www.50emais.com.br e leia a postagem deste domingo sobre o 3 de Copas.

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-da-semana-o-constante-exercicio-da-felicidade/



domingo, 1 de junho de 2014

9 DE OUROS: Permita-se ser feliz!


http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-da-semana-permita-se/
 Confira no site da jornalista Maya Santana, WWW.50EMAIS.COM.BR, a minha postagem semanal sobre tarot.

http://www.50emais.com.br/artigos/tarot-da-semana-permita-se/

E acesse mais postagens sobre tarot e outros oráculos em POLAROIDES DA ALMA (http://blogspot.polaroidesdaalma.com.br)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta do Dia: 7 DE OUROS

      Minor-Discs-07Old Time As semanas passaram rápidas e a tia estava quase recuperada. Os médicos haviam dito que, apesar da idade, a fratura na perna havia se consolidado e que, em muito breve ela poderia caminhar sem o auxílio de muletas e, inclusive, voltar ao trabalho.

     Ela sabia que logo, logo haveria de procurar emprego, visto que não havia razão para a família manter 2 cozinheiras e, desde o primeiro momento, ela estava consciente de que aquele era o lugar conquistado pela tia, ao longo de muitos anos de dedicação e trabalho, e que ela tivera a honra de substituir. A família demonstrava gostar muito das suas aptidões culinárias, da sua criatividade e capacidade de combinar diversos pratos, de origens diversas, e fazer, a cada dia, um cardápio que encantava a todos. A filha da patroa, inclusive, queixava-se, em tom de brincadeira, que por causa dela havia engordado não se sabe quantos quilos. As amigas da dona da casa, a cada almoço, lanche ou jantar que ela oferecia, faziam questão de irem até a cozinha cumprimenta-la, dirigindo-lhe os maiores elogios e, muitas vezes, pedindo a receita dos pratos por ela preparados.

     Talvez a mais assídua dessas convidadas fosse a famosa jornalista, que escrevia sobre gastronomia em diversos veículos de comunicação e, inclusive, atualmente prestava uma assessoria a um programa matinal da TV onde a execução de receitas, as mais diversas, era o ponto alto. Essa jornalista, que havia conhecido seus talentos especialíssimos através de um simples e bem caseiro bolo de fubá com pedacinhos de goiabada cascão e finas lâminas de queijo coalho, era quem mais atenção lhe dedicava, questionando-a sobre os produtos usados nas receitas, as quantidades, os tempos de cocção ou de forno. Desde quando recebera o bolo, levado como presente, interessara-se por ela e enviava-lhe, regularmente, diversos recortes traduzidos de revistas estrangeiras, e matérias de publicações nacionais, para que ela lesse, se informasse, e colaborasse para que a sua criatividade fosse sempre estimulada e seus horizontes alargados.

     Ela sentia-se envaidecida com toda a atenção que seus dotes culinários despertavam em todas aquelas pessoas tão acostumadas com os melhores restaurantes, com saborosas comidas provadas nos mais distantes cantos do mundo, que possuíam em suas casas cozinheiros formados em escolas de reconhecida importância. Ela não tinha do que se queixar. Tinha uma convivência extremamente amorosa com a tia e as primas, trabalhava no que mais amava, ganhava muito mais do que sonhara receber, era bajulada pelos patrões, seus amigos e convidados, e pelos outros serviçais que atendiam a família. Bem, o único que se queixava, em tom de brincadeira, mas certamente dizendo o que sentia, era o motorista. Ele sempre reclamava do fato dela estar totalmente imersa em seus afazeres na cozinha, e, mesmo quando ela a levava e trazia das compras nos supermercados, nas delicatessens, nos hortifruti, ela estava ora estudando um livro de receitas, ora lendo uma matéria de uma revista sobre doçaria, comidas típicas ou bolos decorados que a jornalista especializada lhe enviava.

     Ele ficava intrigado com o fato de, diferente das outras moças, ela não querer sair aos finais de semana, de sentir-se bem na companhia da tia, de não estar mais interessada em conhecer os lugares interessantes da cidade ou mesmo ir passear pelos shoppings centers. Ela sorria, explicava que estava feliz, sim, e muito, mas que esse era o momento dela aprender mais, dela compreender, de uma forma explicada nos livros, da química do preparo dos alimentos, coisa que ela sabia apenas instintivamente. Ele sorria, meio entristecido, mas admirava a sua vontade em aprender, em especializar-se. Compreendia a sua ambição em evoluir. Reconhecia nela algo muito especial, uma paixão que nunca havia visto ninguém demonstrar, com tal intensidade, pelo trabalho. Ele gostava muito dela. Ela percebia. Qual é a mulher que não sente quando é amada?  Mas, naquele momento, todo o seu ser estava voltado para a sua evolução profissional. Sabia que ali estava a garantia de realização de todos os seus demais sonhos.

     Portanto, não foi surpresa alguma quando, na volta da tia ao trabalho, e depois da família ter-lhe agradecido de todas as maneiras possíveis, inclusive com o pagamento de um régio salário extra, pelas semanas de verdadeiro paraíso dos sentidos que viveram através dos seus dotes na cozinha, a jornalista convidou-a para trabalhar para ela. Era, sem dúvida, o maior elogio que poderia receber, e aceitou-o prontamente. Sabia, no fundo do seu coração, que mais uma etapa de sua vida começava naquele novo emprego. Ela estava feliz.

     Quando um 7 de Ouros aparece numa jogada de tarot, dependendo sempre da sua localização e das demais cartas que o acompanham, bem como da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar que o Consultante está fazendo uma revisão dos resultados e determinando novos objetivos a serem alcançados. Os frutos do trabalho só farão felizes aqueles que identificarem neles a verdadeira expressão de seus interiores. A pessoa consegue avaliar o seu progresso através da avaliação das suas experiências. É um momento em que, olhando para o passado, a pessoa percebe, com satisfação, o caminho percorrido e os êxitos obtidos. Existem assuntos práticos, objetivos, que o Consultante só conseguirá resolver na medida em que toma consciência de seu próprio destino, ou seja, do seu propósito na vida. Até mesmo os fracassos são importantes para o Consultante, isto se eles indicarem o que não é importante para a sua realização pessoal. O que tiver sido construído já tem uma certa autonomia e pode evoluir por si próprio. O trabalho árduo e a determinação começam a apresentar resultados sensíveis que vêm as frustrações dos erros passados. Melhora sensível no estado de saúde.

     Numa posição menos privilegiada, o 7 de Ouros mostra uma grande insatisfação. O Consultante sente-se preso a um trabalho, a um relacionamento, a um compromisso que não o satisfaz, não lhe proporciona nenhum prazer. Pode significar uma piora no estado de saúde. Fraqueza. Estagnação. Perder coisas de valor. As coisas não saem da maneira que o Consultante planejara e algo morre pelo caminho. Período de inquietação. Desânimo. Bancarrota. Falência. Investimentos mal sucedidos.

     Sob os auspícios do astuto, hábil e eloquente Mercúrio, regente das quartas-feiras, e com a Lua Cheia transitando em Aquário, estaremos vivendo uma energia bastante estimulante que, com criatividade, nos ajudará a ultrapassarmos os nossos problemas. Estejamos atentos a observar e interpretar os sinais que se farão notar em nosso cotidiano. Eles serão de grande ajuda para que possamos encontrar a nossa própria medida, nossa própria importância, o que fará com que cresçamos na medida que nossas atividades, nosso trabalho, também evolui.

     Tenham todos um muito produtivo dia!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

Imagem: OLD TIME TAROT

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Carta do Dia: 8 DE COPAS

Cups08      Quando abriu a porta do apartamento e seus olhos se acostumaram à penumbra da sala às escuras naquele fim de tarde, sentiu-se paralisar e o sangue gelar-se nas veias. Em pé, cercado de malas e com um copo de bebida na mão, ele esperava por ela.

     “Você?!?.. Aqui?… Quando… Como?”, balbuciara, incrédula. “Quando você voltou? Chegou agora?… Nem me avisou! Que surpresa!.. Ah, amor, que bom que você voltou!”, disse caminhando para ele, louca para abraça-lo, beija-lo, pedir-lhe perdão por ter sido tão tola. Jurar que nunca, nunca mais idéias bobas como as que tivera passariam novamente pela sua cabeça. Queria pedir perdão, dizer que se arrependera profundamente da atitude infantil e injusta. Queria beija-lo muito, queria ouvi-lo dizer, mais uma vez, mais um milhão de vezes que a amava, que estava tudo esquecido, que n…

     Enquanto caminhava para ele, braços estendidos para sentir novamente seu corpo, ele não se movera. Os olhos, baixos e taciturnos, evitavam os seus. Ao senti-la mais próxima, deu um passo atrás e levou o copo de bebida aos lábios. Ela parou, próxima, as mãos quase tocando seu corpo. Um frio gelado correu sua espinha e uma explosão de luz em seu cérebro pareceu cega-la momentaneamente. Sabia que algo estava errado. Sentia que algo estava muito errado. Ele, sem levantar o olhar para encara-la caminhou até a parede e, com um gesto nervoso, ascendeu o interruptor. As luzes da sala acenderam-se. Ela sentiu que em sua alma, seus sonhos, seus desejos, suas esperanças mergulhavam num mar de trevas.

     Ele, com um certo nervosismo a trair-lhe a calma estudada, o profissionalismo em conduzir argumentações, pediu-lhe que se sentasse. Ela, trêmula, sentindo-se nauseada, qual marionete obedeceu ao seu comando, deixando-se cair na poltrona. Então, com uma falsa e ensaiada tranquilidade, ele começou a falar. Desculpou-se por ter deixado a situação entre eles chegar a tal ponto. Contou-lhe que sim, ela tinha razão, ele viajara com sua ex-noiva e também colega de trabalho. Não era a primeira vez. Sempre que ela não pudera ou quisera ir com ele, a “ex” o acompanhara. Outras vezes, em que ele dissera que o escritório não pagaria a viagem da acompanhante e que seria melhor eles não gastarem esse dinheiro no momento, era mentira. Era apenas uma maneira que ele encontrara para poder estar com a ex-noiva. Sim, ele a amava. Achara, por uns tempos, que tudo estava acabado. Foi quando se conheceram e ele havia realmente se encantado por ela, achado-a linda, inteligente, interessante, sexy. Acreditara, sinceramente, que ela iria apagar definitivamente do seu coração o amor que ainda parecia nutrir pela ex-noiva, mas que com o passar dos meses, provou estar errado. Nem ela nunca deixara de ama-lo, nem ele a ela. Seu casamento foi um engano, pelo qual ele assumia total culpabilidade. O erro tinha sido dele. Ela tinha sido uma esposa perfeita nesse ano e pouco em que estiveram juntos, mas que ele não podia continuar mais.

     A sala parecia girar à sua volta e agarrou-se aos braços estofados da poltrona para não cair. A sensação de náusea parecia aumentar. Sentia frio. Sabia que a sua pressão estava caindo, mas parecia hipnotizada ouvindo-o falar. Seus pensamentos eram como ondas de um mar revolto onde ela parecia envolta, surfando num “tubo”, no meio da onda gigante, cercada pelas águas, sem conseguir ver o céu ou a praia. A voz dele ecoava ao longe e parecia falar de coisas que ela sempre soubera. Havia, naquele momento, uma sensação de déjà vu. O que aquele homem, seu marido, dizia soava como uma velha história cujo enredo ela conhecia. Ela, meio anestesiada pelo que ouvia, meio embriagada pelo vácuo que parecia formar-se à sua frente, olhava-o como quem parece reconhecer, num estranho, traços de semelhança com algum conhecido distante, alguém que não se sabe se é ou não real.

     “Quando você me ligou dizendo da sua desconfiança, eu me senti o pior dos homens. Sabia que você estava certa e que, de alguma forma, você havia descoberto a vida paralela que eu estava vivendo. Era chegada a hora de acabar com aquela situação. Não podia mais, para não magoa-la, por não querer frustrar os seus sonhos de amor, continuar ferindo a mim e à mulher que eu amo e a quem, e hoje eu vejo isso muito claramente, sempre amei. Não pense que não me é difícil e doloroso dizer-lhe isso ou que eu não tenha consciência de quanto eu estou lhe magoando dizendo-lhe a verdade, mas, creia-me, será muito melhor para nós dois.” _ Com as mãos ligeiramente trêmulas, serviu-se de uma nova dose de bebida. Enquanto colocava o gelo no copo, continuou _ “Gostei muito de você. Gosto muito de você, acredite. Tenho imenso carinho. Continuo a acha-la uma mulher incrível. Sua inteligência me encanta, sua conversa é sempre extremamente agradável e você é uma grande companheira de surf”, disse com um esboço de sorriso nos lábios.

     “Mas isso não é razão para que eu finja um amor que eu não sinto por você, apesar de você ter todas as qualidades, todos os predicados, ser tudo aquilo que a maioria dos homens buscam na tal da “esposa perfeita”. Mas eu amo outra mulher. Hoje, mais do que nunca, eu sei que sempre a amei e que esse sentimento é real, verdadeiro e eterno. Procurei esquece-la, quando terminamos, por influência da família dela que gostaria de vê-la namorando um homem mais bem sucedido, mais rico, em melhor posição que eu. Meu orgulho falou mais alto. Meu ego, minha auto-estima sentiu-se profundamente ferida e, como eu não podia enfrenta-los, ofende-los, feri-los, acabei magoando a mim e a ela, terminando e tentando reconstruir minha vida. Aí então, numa festa de aniversário à qual eu não queria ir e acabei me deixando levar por um amigo preocupado com o meu estado depressivo, acabei conhecendo você. O resto da história você conhece.”

     Sim, ela conhecia. Conhecia bem a paixão que surgira entre eles. Conhecia bem o jogo de conquista e sedução em que ambos se envolveram. Tinha lembrança de cada palavra trocada, de cada jura de amor dita, de cada carinho. Mas tudo, agora, parecia uma lembrança, como daquelas que se tem ao acabar de assistir a um filme: ainda estamos sob efeito das emoções, somos capazes de repetir as frases ditas ou de reviver as cenas protagonizadas pelos atores mas, fora do escuro da sala de projeção, tudo volta a parecer apenas… cinema. Luz e sombra pretendendo ser real. Aquele homem à sua frente, contando aquela história, narrando aqueles fatos, tentando justificar ou procurando dar sentido, parecia estar repetindo algo que verdadeiramente não lhe pertencia ou dizia respeito. Teve a vaga sensação de sentir-se aliviada, a mesma que sentia, quando criança, ao acender a luz de seu quarto e perceber que tudo estava bem, não haviam fantasmas.

     “Estou levando minhas coisas. Saio agora. Quero que você fique morando aqui enquanto sentir vontade. Vou pedir para nosso amigo advogado cuidar dos papéis.” _ Tomou mais um gole de bebida _ “Espero que sua mágoa por mim passe bem rápido. Sei que é horrível dizer isso, mas gostaria de continuar sendo seu amigo, ou que pelo menos pudéssemos nos encontrar sem constrangimentos, quando fosse inevitável. Ainda que você não acredite, quero-a muito bem, tenho um carinho enorme por você. Não agi corretamente, reconheço, assim como reconheço o quanto essa minha atitude possa ter lhe magoado e o quanto você possa estar me odiando neste momento, mas veja, isso também vai passar. Você é jovem, bonita, atraente, inteligente, uma super profissional… irá saber reconstruir sua vida com alguém que lhe dedique o amor que você merece receber. Conte comigo sempre. Lembre-se que sou seu amigo. Posso não ser o marido certo para você, mas sou seu amigo de verdade. Não titubeie um segundo se precisar de mim. Estarei sempre ao seu lado para ajuda-la no que for preciso.”

     Ela sorriu pela primeira vez, pensando no que ele dizia. Parecia-lhe texto de novela de TV, daqueles cheios de “chavões”, quando se nota que o dramaturgo estava sem nenhuma inspiração. Já ouvira aquilo, dito por vozes outras, em cenários diversos, dentro de teatros, nas salas de cinema, nas páginas dos livros, nas histórias contadas por amigas e amigos chorosos. Tudo parecia tão impessoal, tão supérfluo, que bastaria, se houvesse, que ela desligasse o interruptor para que acabasse. É, essa era uma boa idéia. Chegara a hora de mudar de canal, virar a página, usar o controle remoto, devolver o livro à estante. Pela primeira vez o via com outros olhos. Parecia que uma névoa começara a desfazer-se e que ele podia ser visto como o homem comum que era, com os mesmos defeitos e qualidades dos demais. O brilhante e famoso advogado que defendia, conciliava ou vencia grandes causas internacionais era incapaz de lidar claramente com suas próprias emoções. Era capaz de trair-se e trair os outros. Era capaz, como qualquer outra pessoa, de errar. Olhou mais uma vez para ele. O Super Homem tinha voltado a ser Clark Kent.

     “Bem, estou saindo agora. As chaves estão sobre a mesa. Quando os papéis do divórcio estiverem prontos, nosso amigo liga para você. Vou ficar num hotel até arranjar outro apartamento. Devo passar no final de semana pela casa dos seus pais para conversar com eles. Lembre-se: o que precisar, não deixe de me telefonar.” _ Tomou o último gole do copo quase vazio _ “Acredite, gosto muito de você e estarei sempre ao seu lado, se você permitir, e torcendo para que você seja muito feliz.”

     Ela ficou olhando para ele enquanto pegava suas malas e atravessava a sala em direção à porta. Por um segundo teve vontade de erguer-se da poltrona e correr até ele e dizer que o amava, que ainda o amava, que não a deixasse, que não fosse embora, que ela compreendia a confusão dos seus sentimentos, que tudo iria passar, que ela iria ajuda-lo. Que eles iriam ser novamente felizes. Mais foi só por um segundo. Viu-o sair e o som da porta fechando-se pareceu desperta-la daquele torpor. Olhou o apartamento. Deixou que os olhos passeassem pelas paredes, móveis, objetos. Parou quando fixou o olhar no porta-retratos com a fotografia de ambos. Levantou-se e caminhou até ele. Segurou-o e olhou bem a foto, como que estudando as fisionomias e cada detalhe da mesma. Sorriu tristemente, os olhos cheios de lágrimas. Deitou o porta-retratos, com a foto para baixo, sobre o móvel. Sentindo-se profundamente cansada e ainda um pouco tonta e nauseada, caminhou lentamente até a sacada. A brisa da noite estava fria. A cidade recortava-se contra a noite em milhões de pequenos pontos luminosos. Olhou em direção ao mar. Não havia lua. Encostou-se contra a parede e chorou, sozinha na escuridão.

     Quando o 8 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre das demais cartas que também saíram na jogada, da sua posição no esquema do jogo e da pergunta formulada pelo Consultante, pode significar que o Consultante está saindo de uma fase para começar uma nova etapa. Que é o momento de fazer mudanças, alterações, modificações em nossas atividades se estivermos nos sentidos exauridos, desmotivados e desenergizados por elas. Pode também ser sinal de instabilidade, de sucesso temporário, de sentimentos que se acabam, de solidão. Sentir-se emocionalmente esgotado, com o coração partido. Desistir dos planos. Ser muito tímido para agir. Sentir que está dando mais do que recebe em troca. Não ter esperanças. Problemas que se encontram encobertos por enganos, mentiras, ilusões, medos, descaso, desatenção, incoerência, mas que precisam serem revelados. Falta de desejo. Abandonar um relacionamento significativo. Um momento na vida do Consultante quando ele precisa tomar uma decisão e escolher um novo caminho.

     Dependendo sempre da posição da carta e de como a leitura esteja sendo conduzida. o 8 de Copas também pode significar que a sensação de perda terminou e  que a alegria e felicidade estão retornando à vida do Consultante. Necessidade de estar diretamente envolvido, sem deixar a mente divagar, numa determinada situação. Reconectar-se com suas mais profundas emoções. Estar no lugar certo, na hora certa. Querer explorar novas possibilidades. Sucesso obtido através de esforços específicos. Recusar-se a mover, a seguir em frente. Tomar decisões errôneas. Ficar preso ao passado.

     Nesta quinta-feira, sob a regência de Júpiter, sempre expansivo, otimista, esperançoso, e com a Lua entrando em sua fase Minguante, facilitando o término de assuntos inacabados, ajudando-nos a dar solução para problemas do passado que teimam em se arrastar até o presente, podemos nos valer dessas energias para concluirmos ciclos já esgotados e nos prepararmos, com muita fé e disposição para vivermos novas realidades.

     Tenham todos um excelente dia, vivido conscientemente, longe das ilusões.

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, de Giorgio Trevisan

terça-feira, 4 de maio de 2010

Carta do Dia: 6 DE COPAS

Cups06      Levantou-se cansada. A noite tinha sido de pesadelos. Sonhara com a mãe, ainda bastante jovem, chorando e estendendo a mão para uma porta que se fechava. Queria ajudá-la mas as imagens desmanchavam-se e ela se via agora segurando seu bouquet de noiva em meio à festa de aniversário de sua melhor amiga. Uma mão de mulher tenta arrancá-lo das suas enquanto, no fundo da sala, um homem faz sinal para que não o entregue. Acordou encharcada de suor.

     Decidiu vencer toda a depressão que a dominava e saiu para caminhar na praia. Viu a manhã de sol atrair mães com seus filhinhos e babás. Pessoas levavam seus cachorros para andarem no calçadão. Caminhou até o alto das pedras e avistou alguns surfistas esperando por melhores ondas no mar azul que se estendia à sua frente. Lembrou-se quando ele e ela saiam de manhã, com suas pranchas, prontos para cavalgarem as ondas, vendo o oceano escorrer sob seus pés e a praia aproximar-se. O vento, os respingos de água salgada, a sensação indizível de liberdade, o saber que seu parceiro, seu amor, estava ao lado, sentindo o mesmo, fazia com que senti-se plena de felicidade. Sorriu da lembrança.

     Como estava próxima, resolveu fazer uma visita surpresa aos sogros que a receberam com alegria e um farto café da manhã. Esta era a primeira vez que estava sozinha com eles e então, pais-coruja que eram, aproveitaram para lhe mostrar álbuns de fotos dele. Seu coração sentia-se fraquejar a cada imagem dele criança, brincando, jogando com os amiguinhos, abraçado com o cachorro vira-latas, no primeiro dia de aula, tocando na banda do colégio, soprando velinhas em seus primeiros aniversários, dormindo agarrado a um brinquedo… Seus olhos encheram-se, mais uma vez, de lágrimas. Agora a saudade lhe doía. Abraçou os sogros e disse que tinha muito a fazer e saiu. No caminho de casa o celular tocou. Era a mãe convidando-a para almoçarem juntas.

     Quase não comeu, tão abatida estava depois de ter-se desabafado com a mãe. As lágrimas ainda escorriam por suas faces quando a mãe resolveu dizer-lhe:

     _”Antes de engravidar de você seu pai e eu nos separamos. Eu pensava, quando o conheci, que conseguiria entender e superar o assédio das suas alunas da faculdade, mas falhei nas minhas intenções. Mesmo sem ter nenhum motivo real, nenhuma situação que me confirmasse que ele não me era fiel, eu morria de ciúmes daquelas moças, jovens, bonitas, charmosas, inteligentes, que viam nele um mestre, um guru, e que pareciam tudo fazer para seduzi-lo. Comecei a ficar irritada, a ser controladora, a ter sempre uma palavra agressiva em relação ao seu trabalho na faculdade, a ficar “chateada” pelos cantos da casa, sem assunto para conversarmos, sem vontade de cuidar ou gostar de mim. Isso tudo chegou a um extremo que, uma noite, depois de eu ter falado pela milésima vez das minhas suspeitas, ele, sem nada dizer, arrumou uma mala com algumas roupas e saiu. Pensei que fosse morrer. Mas eu também era orgulhosa o suficiente para não pedir que voltasse. Na verdade, minha querida, eu era a mais tola das mulheres. Eu amava aquele homem como poucas pessoas amaram alguém, mas eu mesma não me amava. Eu não via como, ele, tão inteligente, tão culto, tão preparado, tão charmoso, tão sedutor pudesse sentir-se feliz ao meu lado.” Ela parou de falar por uns instantes enquanto o garçom lhes servia a comida.

     _” Ele me procurou quando soube que eu estava grávida de você” _continuou_ “ e nunca mais nos separamos, porque eu nunca mais cometi os mesmos erros que haviam feito com que nossa relação ficasse frágil. Não cometa o mesmo erro que eu, minha querida. Perdoe-se. Se você errou criando essas fantasias sobre o seu marido, não há porque continuar com o erro. Diga a ele que você errou, espere que ele compreenda e a desculpe, mas, sobretudo, esse perdão é preciso que você conceda e você mesma. Pense nisso. Não há razão para não ser feliz. Sei que você o ama, mas permita que ele saiba disso também através de atitudes positivas, construtivas, que reforcem nele o amor que sente por você. Não imponha o seu amor, a sua pessoa, os seus sentimentos questionando os do outro. Ele poderia ter escolhido qualquer pessoa e no entanto preferiu a você. Foi uma escolha consciente, segura, séria, bem intencionada. Isso tem um valor inestimável. Não vire as costas para o que pode ser a sua verdadeira felicidade”.

     Despediram-se com muitos beijos, ela novamente sentindo-se a menininha que a mãe cuidava, orientava, vestia, penteava, ensinava e protegia. Sabia que tinha sido educada com muito amor e isso lhe dava segurança e conforto. Voltou para casa sentindo-se renovada. Era chegado o momento de rever a situação, pensar sobre as possibilidades que lhe restavam e, se possível, procurar corrigir os erros e transmutar essa experiência ruim em algo que pudesse ser regenerador e benéfico para ambos.

     Por um momento parou, admirando o azul do céu e do mar, unindo-se numa tênue linha. O sol brilhava em seu percurso pelo céu.

     Quando o 6 de Copas surge numa leitura de tarot, dependendo da questão proposta pelo Consultante e pela sua localização e relação entre as demais cartas da jogada, pode significar a alegria que os simples prazeres nos causam. Da certeza que existe uma ligação cármica com pessoas que nunca havíamos encontrado antes. Situações e experiências vividas no passado estão influenciando seus julgamentos e decisões e, então, é preciso avaliar se isso é ou não vantajoso. A possibilidade de reencontrar amigos ou amores antigos. Uma sensação de plenitude que o trabalho realizado no passado possa trazer. Recordar-se, com alegria, de um tempo passado. Lembranças memoráveis. Harmonia e equilíbrio. Olhar para o futuro. Associações e trabalhos em grupo que são muito prazerosos. As esperanças de sucesso tornam-se realidade. Sentir-se protegido e seguro.

     Numa posição negativa, o 6 de Copas pode indicar vaidade e orgulho. Nostalgia. Saudades de como as coisas eram antigamente. Não conectar-se com o presente. Não querer amadurecer. Estar egoisticamente dependente de pessoas ou situações que ficaram no passado. Querer desesperadamente aplicar métodos ou regras antigas a situações atuais. Não se importar com a felicidade alheia. Impor resistências à felicidade. Momentos felizes podem estar findando.

   Nesta terça-feira, sob a proteção de Marte, e com Mercúrio retrógrado, há uma sugestão de que podemos encontrar forças e recursos para esclarecermos situações que tenham ficado pendentes, mal-interpretadas ou resolvidas. A Lua Cheia, passando por Aquário, reforça as energias que nos fazem mais receptivos, fraternos, amigos, sociáveis. É um bom momento de procurar entrar em contato com amigos distantes ou que não vemos há muito. Mas também nos faz refletir o quanto continuamos apegados às lembranças do passado impedindo de viver plenamente o presente.

     Tenham todos um excelente dia e que as memórias de outros tempos venham complementar a felicidade do momento!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

sábado, 1 de maio de 2010

Carta do Dia: 3 DE COPAS

   Cups03   Casaram-se 8 meses depois de terem se conhecido. Foi tempo suficiente para estarem juntos, aprenderem um sobre as “manias” do outro, serem apresentados às respectivas famílias e amigos, viajarem e surfarem juntos. Ela contava às amigas mais próximas o quanto estava feliz, em paz consigo mesma, realizada como mulher num momento em que sua carreira como estilista parecia estar no seu ponto máximo de produtividade. Ele, que sempre fora um pouco mais circunspecto, também falava de como ela era “diferente de todas as outras” e que ele sentia que “era pra toda a vida”. Os amigos de ambos brindavam a cada declaração de amor.

     Tudo foi como deveria ser: convites elegantes em envelopes manuscritos em prata, igreja simpática cercada pela natureza e festa nos dourados salões do mais tradicional e mundialmente conhecido hotel da cidade. Comida e bebida de primeira. Música para todos os gostos. Os pais dos noivos, felizes e orgulhosos por poderem propiciar aos filhos e seus convidados uma festa tão perfeita. Os convidados, entre amigos, parentes, conhecidos estavam encantados com a recepção e não cansavam de dançar, comer e beber e abraçarem os noivos cumprimentando-os e desejando-lhes felicidades eternas.

     Ela, linda. Vestido mandado fazer no mais famoso estilista de noivas da cidade, resplandecia numa nuvem de branco em meio ao salão. Sentia-se feliz, realizada, satisfeita, completa. Para não dizer que absolutamente nada a incomodara durante todo o processo de organização do casamento, foi aceitar o fato de que ele quisesse convidar a ex-noiva como madrinha. Achava que isso não era “legal”, até mesmo “chato”, e, por que não dizer, de certa forma deselegante da parte dele. Ele justificava que não era nada disso, que eram muito bons amigos, que tudo tinha sido muito bem resolvido quando terminaram a relação, que não houvera e nem haviam mágoas, que ela (a ex-noiva) estava feliz por ele ter encontrado “a cara metade”, e que, além de tudo, ela ocupava uma posição superior à dele no escritório de advocacia em que trabalhavam. Apesar das explicações dele, e dela deixar-se convencer, ainda assim a presença daquela “outra” entre os padrinhos e depois, belíssima, na festa, conseguiu roubar-lhe um pouco da sua atenção e alegria.

     A festa foi inesquecível em todos os seus detalhes e todos divertiram-se muito. Sua melhor amiga, e agora também madrinha de casamento, não cansava de contar a todos que foi num aniversário dela em que os noivos se conheceram. O advogado amigo dele, por sua vez, completava essa história dizendo que foi por sua insistência que ele aceitara ir à uma festa de aniversário onde não conhecia nem a aniversariante e, coincidentemente, ter saído de lá “praticamente casado”! Todos riam, concordavam e só ficaram quietos por uns instantes quando foi feito o brinde entre o casal. Ambos trocaram suas juras de amor eterno embaladas em belíssimas e muito bem escolhidas palavras. Lágrimas pontificaram nos olhos das mulheres presentes. Depois ela, seguindo a tradição, jogou seu bouquet, para ser apanhado por uma das solteiras e, imaginem só, foi cair exatamente nas mãos da ex-noiva do seu marido. As convidadas acharam “muita coincidência”… O noivo achou muito engraçado. Ela… bem, para sermos honestos, ela não viu graça alguma e, sinceramente, achou um mau presságio. Mas manteve o sorriso, abraçou e beijou a ex-noiva e só mesmo a melhor amiga, que muito bem a conhecia, comentou depois que ficara “com a pulga atrás da orelha”.

     Já amanhecia quando o famoso fotógrafo especializado em casamentos convidou-os à varanda do salão de festas para as últimas fotos. Estavam cansados mas felizes. Ele aproveitou para beijá-la mais uma vez e segredou-lhe que a vida dele começava naquele momento. Ela, qual princesa encantada de contos de fadas, parecia envolta num sonho que tinha como vantagem não ter um despertador para acordá-la. Beijaram-se uma vez mais e olharam juntos o novo dia que nascia em raios de sol que pareciam abençoar em luz e calor aquela união. Sabiam que haveriam muitos novos amanheceres e pores do sol à sua frente e estavam dispostos a vive-los juntos.

     Quando um 3 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre de sua posição dentro do esquema escolhido para o jogo e das demais cartas que o acompanham, além, naturalmente, da questão proposta pelo Consultante, ele pode significar um momento em que o Consulente está expressando plenamente as suas emoções, comunicando bem os seus sentimentos. Sentir-se maravilhosamente bem e único. Curar-se de algo emocional. Ter amigos, família e as pessoas amadas à sua volta, nas ações do cotidiano ou em grandes celebrações. Comprometer-se com outra pessoa. Sentir-se saudável e feliz. A solução de um problema que acaba se resolvendo da melhor forma possível. Vivenciar experiências, ou reagir a elas, de forma muito intensa e alegre, ainda que possam vir a surgirem algumas lágrimas no futuro. Amizade. Companheirismo. Pessoas com quem podemos contar. Grupos de apoio. Uma ajuda que o Consultante recebe e que o conduz a um caminho de auto-descoberta e transformação. O nascimento de uma criança. Celebração.

     Em seu aspecto “sombra”, o 3 de Copas pode significar uma grande dificuldade de expressar os sentimentos. Ou que o Consulente, sendo dado a explosões emocionais, esteja tentando se controlar o máximo possível. Se o assunto da leitura for amizade, pode significar dificuldades e até mesmo o rompimento da mesma. Frequentemente essa carta simboliza exageros em termos de alimentação, bebida, fumo, drogas, sexo, sensualidade, etc. Amigos que tornam-se invejosos ou ciumentos devido às suas posses. Não sentir-se satisfeito com o que possui. Sentir que a felicidade parece esvair-se. Ser egoísta ou mesquinho. Não sentir prazer em celebrar algo em companhia dos outros.

     Neste feriado de 1º de Maio, um sábado regido pelo controlador Saturno que nos mostra o caminho a seguir fazendo-nos atentos às responsabilidades e desafios que devemos assumir e enfrentar neste plano de existência, podemos nos perguntar o quanto temos cometido de excessos, com a desculpa de estarmos aproveitando a vida. Também é um bom momento, com o 3 de Copas como Carta do Dia, de refletirmos se estamos nos impedindo, nos boicotando, de aceitar todos os benefícios que o Universo nos proporciona e sermos por isso agradecidos. Ou então, o que podemos e devemos comemorar? O que podemos, hoje, agradecermos e celebrarmos? Talvez o início de uma mudança no nosso trabalho. Ou o nascimento de um filho. Ou a aprovação num concurso. Ou uma nova história de amor. De qualquer forma haverá sempre algo que podemos nos alegrar por termos conseguido, ainda que saibamos que aquele é apenas um ponto no meio do desenvolvimento de todo um projeto. Um filho que nasce é uma grande alegria, mas teremos toda uma vida para dele cuidarmos e com que nos preocuparmos e alegrarmos. Um novo cliente, conseguido com muito sacrifício, é motivo de sobra para ser celebrado, mas teremos pela frente todo o trabalho a ser desenvolvido. Um concurso em que passamos é, indiscutivelmente, um mérito que merece festividades, mas é apenas o começo de uma nova fase que irá ter continuidade.

Aproveitem para agradecer, celebrando, por tudo que têm, inclusive pelos sonhos e esperanças e tenham todos um festivo sábado!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

domingo, 25 de abril de 2010

Carta do Dia: REI DE COPAS

Título
Senhor das Ondas e das Águas
Elemento
Fogo na Água
Tetragramaton
Yod
Arcanjo
Ratzkiel
Nome Divino 
Yahveh
Mundo Cabalístico
Briah (mundo da Criação )
Sephirah
Chokmah (Sabedoria)
Virtude
Devoção
Vício
nenhum
Obrigações em cada Sephirah
nenhuma
Divindade na Árvore
Pai, Sabedoria Priápica
Atividade Social
Governo
Arquétipo Social
Pai, Esposo
Correspondência Astrológica
Lua em Aquário, Saturno em Peixes, Júpiter em Peixes
Planeta 
Zodíaco
Signos
Câncer, Escorpião, Peixes
Pedra
Turquesa
    “Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria…”
Amor Amor, letra de Suely Costa

     Cups14Copas é o naipe do Elemento Água. A taça (ou copo, copa) que simboliza esse naipe é a representação do Santo Graal. O Elemento Água é amorfo, maleável, mutável, portanto pode perfeitamente bem representar nossos sentimentos, que não são nem rígidos nem sólidos, mas em constante mutação.  No curto período de uma hora nós passamos por diversos estados emocionais, com nosso humor variando tão rápida quanto inesperadamente, que muitas vezes nem nos apercebemos dessas mudanças. Enquanto que a Água simboliza nossas emoções, o naipe de Copas enfatiza seus aspectos mais otimistas: amor, sonhos, desejos, esperanças, fantasias, sensibilidade, felicidade, deixando que tristeza e conflitos sejam melhores percebidos no naipe de Espadas.
     Tanto Copas como o Elemento Água pertencem ao pólo negativo (refiro-me aqui somente à polaridade), o aspecto feminino, o ying, até mesmo porque, por uma tradição cultural, a civilização ocidental considera que tudo o que se refere ao amor e à felicidade como preocupações eminentemente femininas. Quando falamos dessas características estamos nos referindo aos indivíduos, de ambos os sexos, que são profundamente românticos, sonhadores e cheios de fantasias, como os artistas que produzem suas obras a partir dos seus devaneios. Também aqueles que conseguem colocar-se no papel do outro, imaginar-se vivendo as situações que o outro vive, e aí temos os grandes ouvintes, os confessores, os terapeutas
     A taça (Copas) e a Água não são a mesma coisa, sendo que a taça contém a água, proporcionando-lhe uma idéia de forma e de compreensão a um sentimento que é disforme. Uma taça, uma xícara, um copo cumprem a sua função apenas por receberem e conterem a água. Podemos então estender essa observação dizendo que o naipe de Copas é receptivo, pacífico, calmo. Entretanto nós sabemos que se uma taça cheia de água mover-se de maneira abrupta, a água esparrama-se para fora do recipiente. A água pode esconder, em sua plácida superfície, profundidades e segredos inimagináveis, que nos fascinam, assustam e atraem. Por outro lado, pode levantar-se, do nada, em devastadores tsunamis, devastando tudo em sua fúria. Notadamente sensível às forças dos ciclos lunares, ela representa tudo o que não se pode controlar racionalmente, tudo o que não podemos dominar simplesmente porque queremos, usando da nossa vontade, e tudo aquilo que não conseguimos conter, limitar.
     Esse naipe não é privilegiado, ou seja, não retrata a felicidade em seu estado mais puro, sem problemas. Temos que lutar para compreender e aceitar a dor e o sofrimento como aceitamos a alegria e a felicidade. Muita gente acha essa uma idéia bastante pessimista e praticamente impossível de ser levada à prática. Porém precisamos entender que a felicidade é ainda mais preciosa quando nós também conhecemos o que é sofrer. Em seus aspectos mais negativos, temos no naipe de Copas as ilusões, as superstições, os rancores, os ressentimentos, a instabilidade, a fraqueza, a preguiça e a falsidade, entre outros mais.
     O Rei de Copas, como todos os demais Reis das cartas de Corte do tarot, representa a expressão máxima das características do seu naipe. Podemos reconhece-lo na figura do terapeuta, no conselheiro matrimonial, no sacerdote, no parapsicólogo, no shaman,no místico, nos artistas de todas as formas de expressão artística, nos cientistas e nas diversas situações onde a sua capacidade em ser prestativo, paternal, amoroso, sábio, carismático, intuitivo, religioso, protetor, emocionalmente amadurecido, bom negociador, apoiador e promotor  das artes, possam ser de fundamental importância.
     Quando o Rei de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua localização entre as demais cartas e da “casa” que ocupa na disposição escolhida, além, é claro, da questão de interesse do Consultante, pode significar estar-se tratando de alguém com uma personalidade que governa os mais profundos e secretos sentimentos e situações e cujo trabalho é, normalmente, feito solitariamente. Seus mais sutis sentidos são bastante afinados e muito desenvolvidos e ele está sempre muito atento a tudo o que se passa em seu subconsciente. Uma das funções desse “personalidade real” é ajudar aos outros desapegarem-se de algo.  Normalmente representa alguém que é um bom pai, um bom provedor, mestre, conselheiro, orientador, confiável, generoso, respeitado, diplomático, protetor e bastante caseiro. Representa o bom samaritano. É, sobretudo, uma pessoa gentil, sensível, intuitiva, imaginativo, criativo, inteligente, romântica, emotiva, compassivo, amável, e temperamental. Seu grau de mediunidade pode ser bastante elevado. O surgimento dessa carta simboliza que o Consultante, ou alguém que essa figura represente, é bastante perceptivo e que confia em seus sentimentos, não temendo demonstrá-los. Sua compreensão e sua intuição são notáveis e o tornam uma pessoa reconhecidamente sábia.
     Em seu aspecto mais negativo, o Rei de Copas revela-se uma pessoa falsa, instável, influenciável, que desconhece limites, corrupta, sentimentalmente “melosa”, piegas, invejosa, egoísta, que esconde seus sentimentos, excêntrica, irritadiça, raivosa, brigona, iludida, enganosa, emocionalmente dependente. Pode ser alguém intimidador, bastante dominador. Também pode significar alguém que sofra de alcoolismo.
   Neste domingo, dia regido pelo Sol, que a tudo ilumina, esclarece, nutre e fortalece com sua energia, aproveite para viver os seus sonhos. Divague, imagine, medite, contemple, deixe-se levar pela imaginação. Não tenha medo de ousar sonhar. E acredite na sua intuição. Ouça-a todas as vezes em que ela se manifestar ou quando surgir a oportunidade. E manifeste os seus melhores sentimentos. Expresse o seu amor.
     Tenham todos um excelente e amoroso domingo!
Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan