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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta do Dia: 7 DE OUROS

      Minor-Discs-07Old Time As semanas passaram rápidas e a tia estava quase recuperada. Os médicos haviam dito que, apesar da idade, a fratura na perna havia se consolidado e que, em muito breve ela poderia caminhar sem o auxílio de muletas e, inclusive, voltar ao trabalho.

     Ela sabia que logo, logo haveria de procurar emprego, visto que não havia razão para a família manter 2 cozinheiras e, desde o primeiro momento, ela estava consciente de que aquele era o lugar conquistado pela tia, ao longo de muitos anos de dedicação e trabalho, e que ela tivera a honra de substituir. A família demonstrava gostar muito das suas aptidões culinárias, da sua criatividade e capacidade de combinar diversos pratos, de origens diversas, e fazer, a cada dia, um cardápio que encantava a todos. A filha da patroa, inclusive, queixava-se, em tom de brincadeira, que por causa dela havia engordado não se sabe quantos quilos. As amigas da dona da casa, a cada almoço, lanche ou jantar que ela oferecia, faziam questão de irem até a cozinha cumprimenta-la, dirigindo-lhe os maiores elogios e, muitas vezes, pedindo a receita dos pratos por ela preparados.

     Talvez a mais assídua dessas convidadas fosse a famosa jornalista, que escrevia sobre gastronomia em diversos veículos de comunicação e, inclusive, atualmente prestava uma assessoria a um programa matinal da TV onde a execução de receitas, as mais diversas, era o ponto alto. Essa jornalista, que havia conhecido seus talentos especialíssimos através de um simples e bem caseiro bolo de fubá com pedacinhos de goiabada cascão e finas lâminas de queijo coalho, era quem mais atenção lhe dedicava, questionando-a sobre os produtos usados nas receitas, as quantidades, os tempos de cocção ou de forno. Desde quando recebera o bolo, levado como presente, interessara-se por ela e enviava-lhe, regularmente, diversos recortes traduzidos de revistas estrangeiras, e matérias de publicações nacionais, para que ela lesse, se informasse, e colaborasse para que a sua criatividade fosse sempre estimulada e seus horizontes alargados.

     Ela sentia-se envaidecida com toda a atenção que seus dotes culinários despertavam em todas aquelas pessoas tão acostumadas com os melhores restaurantes, com saborosas comidas provadas nos mais distantes cantos do mundo, que possuíam em suas casas cozinheiros formados em escolas de reconhecida importância. Ela não tinha do que se queixar. Tinha uma convivência extremamente amorosa com a tia e as primas, trabalhava no que mais amava, ganhava muito mais do que sonhara receber, era bajulada pelos patrões, seus amigos e convidados, e pelos outros serviçais que atendiam a família. Bem, o único que se queixava, em tom de brincadeira, mas certamente dizendo o que sentia, era o motorista. Ele sempre reclamava do fato dela estar totalmente imersa em seus afazeres na cozinha, e, mesmo quando ela a levava e trazia das compras nos supermercados, nas delicatessens, nos hortifruti, ela estava ora estudando um livro de receitas, ora lendo uma matéria de uma revista sobre doçaria, comidas típicas ou bolos decorados que a jornalista especializada lhe enviava.

     Ele ficava intrigado com o fato de, diferente das outras moças, ela não querer sair aos finais de semana, de sentir-se bem na companhia da tia, de não estar mais interessada em conhecer os lugares interessantes da cidade ou mesmo ir passear pelos shoppings centers. Ela sorria, explicava que estava feliz, sim, e muito, mas que esse era o momento dela aprender mais, dela compreender, de uma forma explicada nos livros, da química do preparo dos alimentos, coisa que ela sabia apenas instintivamente. Ele sorria, meio entristecido, mas admirava a sua vontade em aprender, em especializar-se. Compreendia a sua ambição em evoluir. Reconhecia nela algo muito especial, uma paixão que nunca havia visto ninguém demonstrar, com tal intensidade, pelo trabalho. Ele gostava muito dela. Ela percebia. Qual é a mulher que não sente quando é amada?  Mas, naquele momento, todo o seu ser estava voltado para a sua evolução profissional. Sabia que ali estava a garantia de realização de todos os seus demais sonhos.

     Portanto, não foi surpresa alguma quando, na volta da tia ao trabalho, e depois da família ter-lhe agradecido de todas as maneiras possíveis, inclusive com o pagamento de um régio salário extra, pelas semanas de verdadeiro paraíso dos sentidos que viveram através dos seus dotes na cozinha, a jornalista convidou-a para trabalhar para ela. Era, sem dúvida, o maior elogio que poderia receber, e aceitou-o prontamente. Sabia, no fundo do seu coração, que mais uma etapa de sua vida começava naquele novo emprego. Ela estava feliz.

     Quando um 7 de Ouros aparece numa jogada de tarot, dependendo sempre da sua localização e das demais cartas que o acompanham, bem como da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar que o Consultante está fazendo uma revisão dos resultados e determinando novos objetivos a serem alcançados. Os frutos do trabalho só farão felizes aqueles que identificarem neles a verdadeira expressão de seus interiores. A pessoa consegue avaliar o seu progresso através da avaliação das suas experiências. É um momento em que, olhando para o passado, a pessoa percebe, com satisfação, o caminho percorrido e os êxitos obtidos. Existem assuntos práticos, objetivos, que o Consultante só conseguirá resolver na medida em que toma consciência de seu próprio destino, ou seja, do seu propósito na vida. Até mesmo os fracassos são importantes para o Consultante, isto se eles indicarem o que não é importante para a sua realização pessoal. O que tiver sido construído já tem uma certa autonomia e pode evoluir por si próprio. O trabalho árduo e a determinação começam a apresentar resultados sensíveis que vêm as frustrações dos erros passados. Melhora sensível no estado de saúde.

     Numa posição menos privilegiada, o 7 de Ouros mostra uma grande insatisfação. O Consultante sente-se preso a um trabalho, a um relacionamento, a um compromisso que não o satisfaz, não lhe proporciona nenhum prazer. Pode significar uma piora no estado de saúde. Fraqueza. Estagnação. Perder coisas de valor. As coisas não saem da maneira que o Consultante planejara e algo morre pelo caminho. Período de inquietação. Desânimo. Bancarrota. Falência. Investimentos mal sucedidos.

     Sob os auspícios do astuto, hábil e eloquente Mercúrio, regente das quartas-feiras, e com a Lua Cheia transitando em Aquário, estaremos vivendo uma energia bastante estimulante que, com criatividade, nos ajudará a ultrapassarmos os nossos problemas. Estejamos atentos a observar e interpretar os sinais que se farão notar em nosso cotidiano. Eles serão de grande ajuda para que possamos encontrar a nossa própria medida, nossa própria importância, o que fará com que cresçamos na medida que nossas atividades, nosso trabalho, também evolui.

     Tenham todos um muito produtivo dia!

Em Julho:
 CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES
Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
 (R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Pré-Requisito: conhecimento básico dos 22 Arcanos Maiores
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

Imagem: OLD TIME TAROT

terça-feira, 25 de maio de 2010

Carta do Dia: CAVALEIRO DE OUROS

Título
Príncipe da Carruagem da Terra
Elemento
Ar (Tiphareth) da Terra(Ouros)
Tetragramaton
Vau
Arcanjo
Miguel, Rafael
Nome Divino 
Yahveh Eloah Va Daath
Mundo Cabalístico
Yetzirah (mundo da Formação)
Sephirah
Tiphareth (Beleza)
Virtude
Devoção à Grande Obra
Vício
Falso Orgulho
Obrigações em cada Sephirah
Integridade
Divindade na Árvore
Sol, Curador
Atividade Social
Ação, Movimento
Arquétipo Social
Aventureiro
Correspondência Astrológica
Vênus em Áries, Mercúrio em Touro, Lua em Touro
Planeta 
Sol
Signo
Touro
Pedra
Topázio
     Minor-Discs-KnightVaudeville Esta carta representa aquelas pessoas que conhecem por experiência a verdade da máxima: “Plantando e colhendo”. Ela  nos fala das nossas habilidade em organizarmos nossas vidas, de transformarmos intuição em soluções práticas e de efetivamente solucionarmos os nossos problemas. Há muito a ser colhido em nosso caminhar, e, compreendendo nossos propósitos nesta existência, bem como nossas necessidades, nós iremos nos compreender, também. Isso é o que garantirá a boa colheita.
     O Cavaleiro de Ouros é destemido, e não se acanha em explorar suas próprias contradições, pois sabe que é a partir desse entendimento da sua dualidade que ele ganhará experiência e vivenciará uma profunda sensação de tranquilidade. Ele nos ensina a não evitarmos os conflitos e, ao contrário, esse Cavaleiro até sugere que devemos buscá-los, pois eles reforçam a fé na nossa capacidade de resolvermos problemas, de nos livrarmos de medos, e de realizar nossos desejos.
     Se há um conselho que esse intrépido Cavaleiro de Ouros nos oferece é o de perdoarmos a nós mesmos e aos outros por não sermos perfeitos. Até mesmo o “lixo” que produzimos pode ser usado como esterco ou húmus para nutrir melhores pensamentos, idéias, situações. Não podemos mudar nossos irmãos, seres humanos como nós, mas podemos aceitá-los como são, com seus talentos, suas habilidades, suas fraquezas, seus defeitos. O que podemos, também fazer, se ouvirmos os conselhos embutidos nessa carta, é de valorizarmos os talentos dos outros de forma tal que eles se prestem a ajudar a todos, a toda a humanidade.
     Se quiser uma dica onde encontrar tipos muito semelhantes ao Cavaleiro de Ouros, basta que se olhe atentamente aos homens e mulheres de negócios, aos executivos, aos artesãos, designers, os professores de educação física, aos treinadores de atletas, aos personal trainers, aos amadores que se dedicam a uma atividade como um hobby. Podemos encontrar esse Cavaleiro também nos cassinos e salas de jogos, na figura, dos jogadores, dos apostadores, dos croupiers, dos coletores de apostas; aero-moças, garçons, secretárias, recepcionistas, motoristas de ônibus, coletores de lixo, trabalhadores sociais, seguranças, todas são profissões típicas de pessoas que se identificam com o Cavaleiro de Ouros.
     Numa leitura de tarot, o surgimento dessa carta, dependendo sempre da sua localização no jogo e das demais cartas que a acompanham, bem como da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar ambição, propósito, determinação, possessividade, responsabilidade, confiança, persistência, pragmatismo. Pode, também, representar uma fase em que o Consultante está muito atento à sua saúde e à melhora da qualidade de vida. É quase sempre indicativo de alguém bastante habilidoso, tipo “torneiro-mecânico-bombeiro-encanador-gasista-e faço fretes”! Normalmente é uma pessoa constante, estável, inabalável, bastante conservadora. É um grande trabalhador.
     Quando associamos o Cavaleiro de Ouros a uma situação, podemos dizer que ele pode sugerir o ir e vir de preocupações materiais; altos e baixos econômicos; ocasiões propícias; viagens de trabalho ou negócios; investimentos; trabalho manual, trabalho de campo, exercícios físicos.
     Negativamente, essa carta pode simbolizar desemprego, um tempo parado, período de estagnação, de preguiça e inatividade; alguém aproveitador que sofre de falta de iniciativa ou de adaptabilidade. Frequentemente refere-se à pessoas teimosas, intolerantes e ressentidas.
     Nesta terça-feira, com o vigoroso, impaciente e belicoso Marte como patrono do dia e atentos ao fato de que a Lua Crescente entra em Escorpião, podemos nos utilizar dessa confluência de energias para trabalharmos com mais afinco, usando nossas habilidades e conhecimentos para a solução de problemas práticos. Não devemos deixar de investir naquilo em que acreditamos e que nos traga uma promessa de proveitoso retorno. Antes de mais nada, essa carta, no dia de hoje, nos adverte a sermos realistas, práticos e sabermos esperar pacientemente, pois, não nos esqueçamos que, quem semeia certamente colherá.
     Um ótimo e bastante produtivo dia para todos!
Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F.J.Campos

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Carta do Dia: 7 DE ESPADAS

                                                        ÉDIPO
     (A Jocasta.) “Senhora, acreditas que o homem a quem mandamos há pouco chamar, seja o mesmo a quem este mensageiro se refere?”
                                                     JOCASTA
     “De quem te falou ele? Ora... não penses nisso; o que ele diz não tem importância alguma.”
                                                       ÉDIPO
     “É impossível que com tais indícios eu não descubra, afinal, a verdade acerca de meu nascimento.”
                                                     JOCASTA
     “Pelas divindades imortais! Se tens amor a tua vida, abandona essa preocupação. (À parte.) Já é bastante o que eu sei para me torturar.”
                                                      ÉDIPO
     “Tranqüiliza-te! Mesmo que eu tivesse sido escravo desde três gerações, tu não serás humilhada por isso!”
                                                   JOCASTA
     “Não importa! Escuta-me! Eu te suplico! Não insistas nessa indagação!”
                                                      ÉDIPO
     “Em caso algum desistirei de elucidar esse mistério.”
                                                   JOCASTA
     “No entanto, é para teu bem que assim te aconselho.”

                                                       ÉDIPO
     “Acredito... mas esses conselhos teus há muito me importunam!”
                                                   JOCASTA
     “Infeliz! Tomara que tu jamais venhas a saber quem és!”

Édipo e Jocasta, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

    Swords07 (5) Um dos pontos altos da peça “Édipo Rei” é o momento em que Édipo manda buscar o Pastor a quem ele fora entregue, recém-nascido, para ser abandonado no campo, para morrer e assim não cumprir a profecia do Oráculo de Delfos que havia avisado a Laio e Jocasta, seus pais, que um dia o filho mataria o Rei e desposaria a Rainha, sua mãe.

     Édipo percebe que será o depoimento daquele pastor que elucidará os fatos e, principalmente, fará com que ele finalmente compreenda a sua origem. Jocasta, sua esposa e mãe biológica (fato que Édipo ainda não sabe), já consciente da tragédia que estão vivendo, tendo juntado as informações e percebido a terrível verdade que se escondera por tantos anos e que agora, tal qual uma espada, pende sobre suas cabeças, faz o possível para convencer o esposo (e filho) a desistir de seu intento de descobrir a verdade. Sabe que o pastor a quem ela entregara o seu filho para que fosse abandonado à própria sorte, irá fornecer a Édipo subsídios suficientes para que ele solucione a sua crise de identidade. Além disso, ela teme a reação de seu filho e consorte ao saber que ele assassinara o próprio pai e vive como marido e mulher com sua mãe. Ela, agindo mais maternalmente do que como esposa, quer evitar a ele tal sofrimento. Quer evitar que ele saiba que foi mandado à morte, ainda bebê, por ela e por seu pai, Laio. Quer impedir que a verdade venha à tona, porque bem sabe as consequências dessa descoberta. Édipo recusa-se a ouvi-la e, inclusive, acusa-a de dar-lhe conselhos equivocados e, com isso, subtraindo dele a possibilidade de conhecer a sua própria verdade.

     Quando um 7 de Espadas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, além da questão formulada pelo Consultante, pode simbolizar que, ainda que o Consultante esteja se esforçando, ele não está chegando a nenhum resultado, além de existir uma sensação de que não importa o que ele faça ou deixe de fazer, ele não obtém resultados. Pode ser que o Consultante queira fazer uma mudança em sua vida, mudando-a para melhor, ou mesmo, saber qual é o seu lugar, a sua posição na situação que possa estar vivenciando. Sentir-se inseguro, pessimista ou inquieto em relação aos seus propósitos de vida. Sentir-se deprimido pela sua falta de habilidades, de utilidade. Sente-se dispensável. Sentir-se vivendo uma situação misteriosa. Sentir-se traído. Ser roubado, seja material ou intelectualmente. Também uma mudança física, de residência, de cidade, de estado pode ser considerada.

     Num aspecto positivo, o 7 de Espadas, sempre dependendo da sua posição na jogada, pode significar que o Consultante está se permitindo pensar mais claramente, mais realisticamente, a respeito da situação que está vivendo. Começar novos planos, sentindo que existe um novo propósito em sua vida. Procurar conselho e optar por modificar a vida para melhor. Sentir-se bem consigo mesmo. O mistério que pairava sobre determinada situação começa a se dissipar. O Consultante sente-se, novamente, inteiro, com uma mente aguçada e ágil. As pessoas passam a considera-lo como indispensável.

     Nesta quarta-feira, sob a regência de Mercúrio e com a Lua Nova em Leão, poderíamos usar o conselho expresso pelo 7 de Espadas de encerrarmos velhas lutas, antigos argumentos, discussões ultrapassadas, desavenças mesquinhas. É uma ótima ocasião para afugentarmos os fantasmas do passado, de uma vez para sempre. Tempo de dizer adeus a ambições e objetivos que já não representam mais nada em nossas vidas e prestar mais atenção aos nossos sonhos, nossas intuições, nossa voz interior.

     Que o dia de hoje traga o abandono de velhos hábitos que são nocivos ao nosso estágio de desenvolvimento atual e nos libere para alçarmos vôos mais altos. Tenham todos um ótimo dia!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Carta do Dia: PAJEM DE ESPADAS

Título

Príncipe dos Ventos Violentos

Elemento

Terra (Malkuth) no Ar(Espadas)

Tetragramaton

He (final)

Arcanjo

Sandalphon

Nome Divino 

Adonai Ha Aretz

Mundo Cabalístico

Assiah (mundo da Matéria)

Sephirah

Malkuth (Reino)

Virtude

Discriminação

Vício

Inércia

Obrigações em cada Sephirah

Integridade

Divindade na Árvore

Terra, Grão

Atividade Social

Catalisador das Mudanças

Arquétipo Social

Mensageiro, Enviado

Planeta 

Terra

Signo

Gêmeos, Libra, Aquário

Pedra

Cristal de Rocha

    Swords11 (5) O que é que os advogados, os soldados, os policiais, os detetives, os diplomatas, os espiões, os esportistas, pilotos de carros de corrida ou de aviões, os bombeiros, caçadores, mensageiros, designers, quiropatas, instrumentadores cirúrgicos, paramédicos, os engenheiros, os mecânicos, os eletricistas, os torneiro-mecânicos, os encanadores, os carpinteiros, só para citar alguns, têm em comum?

     Resposta: são atividades típicas das pessoas que o Pajem de Espadas representa. São carreiras ou profissões que dão preferência a novas idéias e tecnologias, identificando e sabendo utilizar dos recursos, mecânicos ou não, que lhes são disponibilizados. Tornam-se alertas e defensivos quando necessário e dispostos a reagirem rapidamente a uma nova situação ou problema. São tão curiosos quanto uma criança pequena em sua descoberta do mundo que a cerca. Gostam de exercitarem suas mentes submetendo-as a desafios que requeiram talento, humor, inteligência e destreza. Sabem, muito bem, protegerem suas posições.

     O Pajem de Espadas é um jovem que ainda não aprendeu a arte da esgrima. O alerta desta carta é contra os erros causados pela imprudência, pelo arrebatamento e pela irreflexão que nos faz chegar a conclusões temerárias, sabendo que idéias impulsivas podem, muitas vezes, a reagirmos de forma desajeitada e abrupta. Ainda que esse jovem Pajem represente novas idéias, opções e oportunidades, ele muitas das vezes as “poda” com a sua maneira impetuosa e obtusa de brandir a sua espada. Por esse motivo, ele, que logo estará sozinho no mundo, agindo por conta própria, poderá encontrar problemas no estabelecimento e manutenção de seus contatos e amizades

     Numa tiragem de tarot, dependendo da função representativa que o Consultante tiver dado a essa carta (representa a ele ou a alguém de seu meio?), da sua posição na jogada, das demais cartas que a acompanham e da questão proposta para a leitura, o Pajem de Espadas pode simbolizar, em sua forma mais positiva, alguém espirituoso, vigilante, hábil, esperto, alerta, assertivo, ativo e audacioso. Alguém que goste de ser desafiado mentalmente, que gosta de prestar atenção em si mesmo e nos outros, coletando dados e informações. É disciplinado, dotado de um conhecimento prático, às vezes incorrendo em lugares-comuns na sua maneira de pensar. É bastante inquisitivo, astuto e perspicaz.

     Negativamente, o Pajem de Espadas pode representar pessoas que vivam sempre na defensiva, paranóicas, cheias de suspeitas. Podem ser personalidades ilógicas, vingativas, cáusticas, tolas, mordazes, contundentes, rancorosas. Fala também de abuso físico ou psicológico.

     De uma maneira geral esta carta representa tudo o que é novo, tudo o que é experimental, todas as novas formas de se pensar, Ela nos alerta a nos precavermos tanto da credulidade como da ignorância, que pode nos levar a protestarmos sobre algo em que não estamos bem fundamentados, a uma falta de confiabilidade generalizada e a tomadas de decisões bastante dogmáticas em sua essência. Nos lembra a permanecermos mentalmente saudáveis, a buscarmos tarefas e desafios que sejam desafiadores. Permitir-se descobrir a própria leveza de ser e de viver, usando sempre de muito humor e charme, evitando afirmações pré-determinadas, preconceituosas e tudo o que possa causar discussões. Esta carta fala-nos também para trabalharmos, de forma atenta e criativa com as imagens que surgem nas nossas mentes e também na dos outros.

     Se há um conselho que o Pajem de Espadas pode nos dar é o de levarmos a vida de maneira mais leve e solta. A não delegarmos aos outros o nosso poder e capacidade de discernimento. Que o valor de uma nova idéia não deve ser julgado pelo que ela é, no momento, mas apenas pelo que ela poderá vir a ser. É ter consciência que o que o ser humano pode compreender é muito menor do que as coisas realmente são. E como um conselho final, essa carta nos lembra que faz uma enorme diferença se compreendemos, ou não, nossa contribuição individual e, também, a usarmos da melhor forma as nossas habilidades, de tal maneira que possamos fazer com que nossas vidas sejam mais fáceis, mais bem intencionadas, mais divertidas de serem vividas, tanto por nós mesmos como por todos os demais seres humanos.

     Nesta quarta-feira, com Mercúrio como regente do dia e com a Lua Minguante (hoje Lua Negra) em Touro, podemos nos beneficiar para reorganizarmos os nossos projetos e percebermos que está mais fácil realizarmos nossos planos para o futuro. Além disso, Lilith (a Lua Negra) é um chamado para que nos dediquemos a explorar melhor os lados mais ocultos da nossa personalidade, procurando nos conhecermos mais e melhor, o que, certamente, só trará vantagens.  Portanto… aproveite para se conhecer melhor e usar as asas de Mercúrio para voar para o seu destino!

Imagem: BOSCH TAROT, de A. Atanassov

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Carta do Dia: 7 DE COPAS

Cups07      Ela saiu do almoço com sua mãe e caminhou o pouco que a distanciava da orla da praia. O sol brilhava forte e o céu da tarde estava de um azul cristalino. Decidiu sentar-se num quiosque e tomar uma água de coco enquanto tentava dar um sentido ao turbilhão de pensamentos e emoções que tomavam conta dela.

     Pensou no que a mãe lhe dissera a respeito do problema vivido com o pai, antes dela nascer. Seriam seus ciúmes irreais? Estaria ela, também, vendo “fantasmas” onde nada havia? E se, na verdade, o marido e a ex-noiva estivessem mantendo um “caso” e usando a desculpa do trabalho e das constantes viagens como disfarce? E se ela voltasse ao apartamento dos pais deles e, chorando, contasse o que estava acontecendo e pedisse que eles intercedessem por ela? E se eles se recusassem e ela finalmente descobrisse que eles preferiam a ex-noiva a ela? E se ela procurasse o antigo namorado, o surfista que havia retornado depois de anos no Havaí e que estava abrindo uma fábrica de pranchas? Como será que ele estava? Será que ainda pensava nela com o mesmo carinho e desejo de antes? A amiga havia sugerido que sim, quando falou sobre ele… E se ela aceitasse o convite da empresa que trabalhara para fazer aquele estágio em Paris? Quem não sonha ir estudar por um ou dois anos na Cidade Luz? E se na Europa ela viesse a conhecer um outro alguém que a amasse como ela sempre pretendera? Mas, e depois, quando o curso acabasse e ela tivesse, por uma questão de compromisso com a empresa, de voltar ao Brasil? Como ficaria a situação dela com esse novo homem? E se ela simplesmente voltasse a trabalhar, interrompendo a licença, preenchendo novamente seus dias com as reuniões de grupo e com fornecedores, voltasse a estudar planilhas de vendas, dedicasse seu tempo à criação de novas estampas e ficasse “antenada” com tudo o que se estava fazendo em moda? E se ela ligasse para ele, agora mesmo, e pedisse desculpas, se humilha-se, reconhecesse que estava completamente errada, morta de ciúme e inveja da outra? E se ele desligasse o telefone sem lhe dizer nada? E se ele atendesse da forma amorosa de sempre e dissesse que ela fosse encontra-lo imediatamente onde quer que estivesse? E se ele confessasse que sim, que estava apaixonado mesmo pela ex-noiva e que iria entrar com o pedido de divórcio assim que voltasse? E o que seria da vida dela sem ele? E o que…

     _”Mais uma água de coco, madame?”

     Saiu daquele turbilhão de fantasiosas idéias com a voz do  vendedor de coco. Agradeceu, pagou e saiu caminhando pelo calçadão. Estava confusa. Ela, que sempre se considerou uma mulher altamente criativa, pronta sempre para enfrentar todos os desafios da forma mais racional possível, analisando-os por partes, estudando seus detalhes e suas implicações, não se deixando iludir pelas aparências e procurando encontrar sempre a melhor saída para os problemas… quando foi que ela se tornara essa mulher indecisa de agora? Em que recanto dela mesma estivera escondida essa criatura insegura, amarga, dependente, presa à idéias confusas, mal estabelecidas, vivendo de pedaços de pesadelos? Ela mesma não mais se reconhecia.

     Resolveu que deveria ir para casa e, novamente, ligar para ele. Conversariam novamente e ela mais calma, mais controlada, lhe contaria das suas desconfianças, dos motivos que a levaram a desesperar-se, do medo profundo de perder o seu amor, da enorme saudade que sentia dele e se desculparia pelo vexame do telefonema anterior. Ele, que sempre fora compreensivo, educado, carinhosíssimo com ela, iria ouvi-la e com certeza diria algumas palavras sábias e amorosas que poriam fim a todo esse episódio. E então ele iria dizer, pela zilhonésima vez que a amava, que não poderia nunca pensar em viver sem ela, que ela era única, que era a mulher que ele sempre sonhara, que…

     _“Ooooooo, tia! Qual é? Quer que eu atropele você? Não sabe que não pode ficar andando na pista das bikes! Pow!… Cuidado, aí, viu?”

     Nem havia percebido que quase fora atropelada por um ciclista. Refez-se do susto e desculpou-se com um sorriso sem graça. O sol estava começando a descer no horizonte e a maré desmanchava as marcas deixadas na areia. Olhou para o céu, que começava a mudar de cor, tingindo-se dos laranjas e dourados do poente. Resolveu que era hora de voltar. Havia um longo telefonema internacional a ser dado.

     Quando um 7 de Copas aparece numa leitura de tarot, dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que lhe são próximas, além da questão que importa ao Consultante, pode simbolizar estar vivendo de sonhos e ilusões, de desejos tolos. Erros de julgamento. Iludir-se. As coisas podem parecerem boas por fora, mas na verdade não têm nenhuma consistência. Dar importância a assuntos, desejos, situações que não têm nenhuma importância. Querer símbolos de sucesso e não qualidade, como por exemplo, comprar roupas e acessórios de “marcas famosas” na banquinha do camelô… Ou achar que a “marca famosa”, mesmo sendo verdadeira, vai acrescentar algo de importante à vida. Aparentar que tem tudo, quando na verdade nada tem. Querer causar inveja ou ciúme nos outros. Materialismo. Algo estragado, corrupto, podre sob uma aparência atraente. Egoísmo.

     Dependendo sempre do contexto da leitura e das demais cartas, o 7 de Copas também pode estar significando o fato do Consultante abandonar os desejos e vontades tolas e enfrentar a realidade. Fazer escolhas apropriadamente solidas baseadas em fatos concretos. Regenerar a sua força de vontade para que ela lhe auxilie a atingir melhores propósitos. Erguer-se sobre as próprias pernas e assumir a responsabilidade de descobrir a verdade. Desanuviar a mente sonhadora. Ver as coisas como elas realmente são. Saber o que importa e não interessa. Encontrar a verdade dentro de si mesmo.

     Nesta quarta-feira, tendo como regente Mercúrio, representado por aquela figura com os pés alados que, célere, voa longas distâncias entregando notícias, não é de se surpreender que seja o Dia Nacional das Comunicações. Com uma Carta do Dia como o 7 de Copas podemos interpreta-la de tal forma que se expressarmos  nossos sonhos, nossas fantasias, nossos medos e nossas angústias, comentando-os com nossos melhores amigos ou profissionais adequados, estaremos contribuindo para evitar que eles se transformem em verdadeiras neuroses. Que procurar a verdade, através do diálogo franco, amistoso, sensato e racional é um dos melhores caminhos que podemos escolher para acabarmos com dúvidas e incertezas. Que interagir com os outros significa ouvir e ser ouvido, comentar, discutir e partilhar sentimentos e emoções.  O 7 de Copas é astrologicamente equivalente a Vênus em Escorpião, que, a grosso modo, simboliza um desejo de intensificar o drama, fazer com que as coisas pareçam piores, ou melhores, do que realmente o são. Portanto o uso do conhecimento (a verdade), a capacidade de raciocínio lógico, a percepção apurada e a astúcia de Mercúrio, o mensageiro, podem perfeitamente nos ajudar a esclarecer as situações através do diálogo honesto, refreando vôos de pura fantasia.

     Que as notícias desta quarta-feira tragam alegria, paz e harmonia para todos!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Carta do Dia: O SOL

Sol      Enquanto estive hospitalizado recentemente, visitou-me uma amiga que há anos não via. A última notícia que tive era de que estava morando no Sul, casada e muito feliz. Creio que não há notícia melhor do que saber-se que seus amigos estão felizes, não é mesmo?

     Grande foi a minha surpresa ao vê-la chegar, assim, do nada, naquele quarto de hospital. Depois dos abraços, risos e cumprimentos, depois de tentarmos em 5 minutos, contarmos sobre os nossos últimos, digamos… 8 anos, perguntei-lhe do marido. Uma expressão muito enigmática turvou-lhe o sorriso sempre franco e fácil. Ela contou-me que haviam se separado recentemente e ela estava de mudança para cá. Claro que fiquei chateado sabendo disso e ela resolveu contar-me os motivos, tanto os do casamento como os da separação.

     Conheceram-se num desses cruzeiros marítimos e quando chegaram à Buenos Aires já estavam profundamente apaixonados. Ele era o tipo de homem que toda (ou quase todas…) mulher sonha: profissional liberal com uma carreira solidamente construída e bastante famoso em sua área. Herdeiro de uma das mais tradicionais famílias brasileiras, havia multiplicado algumas vezes a herança recebida e amealhado uma verdadeira fortuna através do seu desempenho profissional. Viaja o mundo a convite, fazendo conferências e sendo professor convidado nas mais importantes universidades de alguns continentes. Brilhante é a expressão que as pessoas não conseguem deixar de usar ao se referirem a ele. Inteligente, culto, charmoso, educadíssimo, com um trânsito social invejável, elegante nas atitudes e nos menores gestos de atenção, cativou completamente minha amiga entre um pôr de sol no convés e um drinque à beira da piscina.

     Casaram-se assim que retornaram da viagem e ele, como sempre, um verdadeiro gentleman, resolveu tudo o que era necessário para a transferência da nova esposa ao Sul do país. Cuidou da mudança, de alugar o seu apartamento, das necessárias alterações de contas bancárias, endereços de correspondência. Organizou o almoço para conhecer a família da noiva, tendo ele mesmo feito os telefonemas, escolhido o restaurante, sugerido os pratos para os convidados, enaltecido a sua escolha do vinho, sugerido as sobremesas e, surpresa!, ao final distribuiu os cartõezinhos com o novo endereço do casal. Tudo impecavelmente.

     Os móveis da minha amiga, levados pela transportadora, foram deixados num local de armazenagem, já que a nova casa estava inteiramente preparada para recebê-la. Apartamento tríplex, com vista para um belíssimo parque, reformado e decorado por um dos mais famosos profissionais da área, era o sonho de consumo de qualquer pessoa interessada num imóvel de luxo. Empregadas que haviam sido, por longos anos, da família dele estavam à disposição da nova esposa, assim como o chofer para dirigir um dos seus “presentinhos” de casamento: um estupendo e blindado carro de luxo. Minha amiga, que havia vivido outros relacionamentos, não acreditava na própria sorte. Além de amoroso, encantador, sedutor e grande amante, seu novo marido era um provedor de luxos e requintes que ela só acreditava possíveis nos filmes, nos romances ou na vida de pouquíssimas privilegiadas. Agora ela era uma delas.

     Com o passar dos meses algo começou a incomodá-la. Havia naquele profissional competentíssimo, naquele desportista perfeito, naquele reconhecido enólogo, no gourmet de gosto impecável, naquele referencial para assuntos e indicações culturais algo que lhe soava… excessivo. Era tão alto a aura de perfeccionismo que o cercava que minha amiga começou a sentir-se insegura. Não havia nada que ela fizesse que pudesse, em algum momento, em alguma situação, causar-lhe surpresa, ou interessá-lo, ou valer-lhe um grande e sincero elogio. Não que ele não fosse generoso ou de uma educação impecável. Não que ele, em qualquer momento a tivesse, deliberadamente, menosprezada, mas era exatamente assim que ela se sentia. Esse verdadeiro semi-deus era demais para conviver com uma simples mortal como ela. Ele necessitava, constantemente, exibir os seus talentos, a sua habilidade, o seu conhecimento, o seu poder, a sua simpatia e o seu refinadíssimo gosto e bom humor. Ela, apesar de saber-se amada por ele, sentia-se como platéia, relegada à escuridão do teatro da vida enquanto ele, e somente ele no palco, brilhava no papel principal.

     Sem brigas, sem discussões, sem ressentimentos, separaram-se. Ele, cavalheiro até o final, cuidou para que o retorno dela à sua vida anterior fosso o mais prático e impecável possível. Os amigos que com eles conviviam mais amiúde é claro que nada compreenderam. Acharam mesmo que ela havia perdido a sanidade. Como abandonar, sem mais nem menos, aquele verdadeiro prêmio de um único acertador na mega-sena do amor? O que é que ela via de errado nele que os outros não conseguiam ver? “Nada”, justificou-se. “Apenas cansei de ser a cauda de um cometa.”

     A carta do Sol, numa jogada de tarot, quando mal dignificada, numa posição de obstáculo, pode significar exibicionismo, egocentrismo, arrogância, querer ser o centro das atenções, exigir os refletores sempre voltados para si. Essa, sem dúvida, foi a questão enfrentada pela minha desenergizada amiga ao avaliar o seu relacionamento. Os próprios mitos nos ensinam que o excesso de brilho, de luz, de calor, de perfeição, queimam e sufocam. Apolo, o deus da Música, da Adivinhação, do Sol tinha uma grande dificuldade nos seus relacionamentos, pois suas amadas queimavam-se à sua aproximação. Não há auto-estima que resista à convivência com o excesso de força, poder e luz emitida por uma única fonte. Assim como a luz e o calor do Sol são necessários para que a semente germine e se desenvolva, o seu excesso resseca o solo e caustica as tenras folhas, negando-lhe a vida.

     Mas é evidente que esse Arcano tem um lado pra lá de positivo e que promete muito otimismo e clareza mental quando aparece numa jogada. Ele é a representação do entusiasmo , da alegria, da libertação, do dia, da riqueza, dos ganhos, da prosperidade, dos benefícios, das energias positivas, da evolução, da criação, da solidariedade, do sucesso, do talento e da glória. Ufa!… Ele é o fogo criativo da vida. Representa individualidade (não apenas o isolamento provocado pelo egocentrismo), prazer, vaidade, liderança, auto-confiança, desejo, sensualidade, energia sexual. Ao sair numa jogada de tarot, o Arcano XIX pode estar simbolizando a chegada de um tempo de muita energia, de atividade, excitação e fé em si mesmo e no futuro, para o Consulente. É uma maneira às claras, racional, de lidar com as situações, tomar decisões e agir. Não é necessariamente uma decisão tomada a partir de análises frias, provas e pesquisas, como a da Justiça, mas, muito mais simplesmente, essa decisão é feita a partir de um olhar racional sobre o que é básico, fundamental à questão. Essa forma simples e lógica de encarar os fatos e encontrar soluções é o que contrasta o Sol com o Arcano anterior, a Lua, onde as fantasias e as emoções propiciam que a ação se torne difícil e, muitas vezes, tormentosa.

     Minha amiga terminou a visita e nos despedimos, marcando muitos futuros encontros. À saída, voltou-se para mim dizendo: “Sabe, meu amigo, não me arrependo de absolutamente nada. Tudo foi quase perfeito, até o último momento. Eu só havia me esquecido que, por mais lindas e perfumadas que sejam as rosas, ainda assim elas escondem espinhos”.

     Mercúrio é o regente das quartas-feiras e isso é sinal de uma energia canalizada para a inteligência, para o intelecto, favorecendo todas as formas de comunicação, bem como colaborando para que usemos a razão e a lógica de forma muito proveitosa. O Sol nos fala na necessidade de comunicarmos os que sentimos e exprimirmos os nossos sonhos, ajudando-nos, assim a concretizá-los. Um intelecto bem informado e esclarecido, que raciocina à luz da verdade, é o que nos impulsiona a fazermos escolhas mais apropriadas e seguirmos o nosso caminho. Com a Lua Minguante em Aquário, essa é nossa oportunidade de terminarmos pendências, abandonarmos nossos aprisionamentos (especialmente os mentais) e darmos vasão à criatividade e ao nosso lado social.

     Tenham todos uma ótima e iluminada quarta-feira!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)