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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Carta do Dia: 7 DE ESPADAS

                                                        ÉDIPO
     (A Jocasta.) “Senhora, acreditas que o homem a quem mandamos há pouco chamar, seja o mesmo a quem este mensageiro se refere?”
                                                     JOCASTA
     “De quem te falou ele? Ora... não penses nisso; o que ele diz não tem importância alguma.”
                                                       ÉDIPO
     “É impossível que com tais indícios eu não descubra, afinal, a verdade acerca de meu nascimento.”
                                                     JOCASTA
     “Pelas divindades imortais! Se tens amor a tua vida, abandona essa preocupação. (À parte.) Já é bastante o que eu sei para me torturar.”
                                                      ÉDIPO
     “Tranqüiliza-te! Mesmo que eu tivesse sido escravo desde três gerações, tu não serás humilhada por isso!”
                                                   JOCASTA
     “Não importa! Escuta-me! Eu te suplico! Não insistas nessa indagação!”
                                                      ÉDIPO
     “Em caso algum desistirei de elucidar esse mistério.”
                                                   JOCASTA
     “No entanto, é para teu bem que assim te aconselho.”

                                                       ÉDIPO
     “Acredito... mas esses conselhos teus há muito me importunam!”
                                                   JOCASTA
     “Infeliz! Tomara que tu jamais venhas a saber quem és!”

Édipo e Jocasta, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

    Swords07 (5) Um dos pontos altos da peça “Édipo Rei” é o momento em que Édipo manda buscar o Pastor a quem ele fora entregue, recém-nascido, para ser abandonado no campo, para morrer e assim não cumprir a profecia do Oráculo de Delfos que havia avisado a Laio e Jocasta, seus pais, que um dia o filho mataria o Rei e desposaria a Rainha, sua mãe.

     Édipo percebe que será o depoimento daquele pastor que elucidará os fatos e, principalmente, fará com que ele finalmente compreenda a sua origem. Jocasta, sua esposa e mãe biológica (fato que Édipo ainda não sabe), já consciente da tragédia que estão vivendo, tendo juntado as informações e percebido a terrível verdade que se escondera por tantos anos e que agora, tal qual uma espada, pende sobre suas cabeças, faz o possível para convencer o esposo (e filho) a desistir de seu intento de descobrir a verdade. Sabe que o pastor a quem ela entregara o seu filho para que fosse abandonado à própria sorte, irá fornecer a Édipo subsídios suficientes para que ele solucione a sua crise de identidade. Além disso, ela teme a reação de seu filho e consorte ao saber que ele assassinara o próprio pai e vive como marido e mulher com sua mãe. Ela, agindo mais maternalmente do que como esposa, quer evitar a ele tal sofrimento. Quer evitar que ele saiba que foi mandado à morte, ainda bebê, por ela e por seu pai, Laio. Quer impedir que a verdade venha à tona, porque bem sabe as consequências dessa descoberta. Édipo recusa-se a ouvi-la e, inclusive, acusa-a de dar-lhe conselhos equivocados e, com isso, subtraindo dele a possibilidade de conhecer a sua própria verdade.

     Quando um 7 de Espadas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, além da questão formulada pelo Consultante, pode simbolizar que, ainda que o Consultante esteja se esforçando, ele não está chegando a nenhum resultado, além de existir uma sensação de que não importa o que ele faça ou deixe de fazer, ele não obtém resultados. Pode ser que o Consultante queira fazer uma mudança em sua vida, mudando-a para melhor, ou mesmo, saber qual é o seu lugar, a sua posição na situação que possa estar vivenciando. Sentir-se inseguro, pessimista ou inquieto em relação aos seus propósitos de vida. Sentir-se deprimido pela sua falta de habilidades, de utilidade. Sente-se dispensável. Sentir-se vivendo uma situação misteriosa. Sentir-se traído. Ser roubado, seja material ou intelectualmente. Também uma mudança física, de residência, de cidade, de estado pode ser considerada.

     Num aspecto positivo, o 7 de Espadas, sempre dependendo da sua posição na jogada, pode significar que o Consultante está se permitindo pensar mais claramente, mais realisticamente, a respeito da situação que está vivendo. Começar novos planos, sentindo que existe um novo propósito em sua vida. Procurar conselho e optar por modificar a vida para melhor. Sentir-se bem consigo mesmo. O mistério que pairava sobre determinada situação começa a se dissipar. O Consultante sente-se, novamente, inteiro, com uma mente aguçada e ágil. As pessoas passam a considera-lo como indispensável.

     Nesta quarta-feira, sob a regência de Mercúrio e com a Lua Nova em Leão, poderíamos usar o conselho expresso pelo 7 de Espadas de encerrarmos velhas lutas, antigos argumentos, discussões ultrapassadas, desavenças mesquinhas. É uma ótima ocasião para afugentarmos os fantasmas do passado, de uma vez para sempre. Tempo de dizer adeus a ambições e objetivos que já não representam mais nada em nossas vidas e prestar mais atenção aos nossos sonhos, nossas intuições, nossa voz interior.

     Que o dia de hoje traga o abandono de velhos hábitos que são nocivos ao nosso estágio de desenvolvimento atual e nos libere para alçarmos vôos mais altos. Tenham todos um ótimo dia!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Carta do Dia: 5 DE ESPADAS

                                          CREONTE
     “Cidadãos! Acabo de saber que Édipo formulou contra mim gravíssimas acusações, que eu não posso admitir! Aqui estou para me defender!
Se, no meio da desgraça que nos aflige, ele supõe que eu o tenha
atacado, por palavras ou atos, não quero permanecer sob o vexame de semelhante suspeita, pois para mim isso não seria ofensa de somenos valor, mas sim uma profunda injúria, qual a de ser por vós, e por meus amigos, considerado um traidor!”
                                           CORIFEU
     “Talvez essa acusação injuriosa lhe tenha sido ditada pela cólera momentânea, e não pela reflexão.”

Creonte e Corifeu em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

    Swords05 (5) O 5 de Espadas é considerada por muitos uma das cartas mais cruéis do tarot, senão a mais difícil de ser interpretada. Ela indica derrota, incapacidade, perda, abatimento, ser vencido. Quando ela surge numa leitura, sempre dependendo, logicamente, do assunto proposto pelo Consultante e pelas demais cartas e suas disposições, pode indicar que o Consultante acredita que será derrotado em algum de seus projetos ou expectativas. É sintoma de pensamentos negativos, de ser dominado, de covardia. Simboliza a perda de um concurso, prova, teste, competição, jogo, Pode, também, indicar atitudes problemáticas e bastante auto-destrutivas. É o retrato da perda da fé, da esperança, de sentir-se desprotegido. Espiritualmente o Consultante acredita que o diabo (ou o nome que preferir dar para as forças maléfica, para o que é negativo, aditivo, desorientador) encontrou uma brecha em suas defesas psíquicas e se aproveitou disso para “instalar-se”. É também sinal de conflitos, batalhas, guerras sangrentas. Pode, em alguns casos, indicar uma piora no estado de saúde do Consultante devido ao seu estado mental (somatização). É, enfim, perder a batalha (mentalmente) antes de começar a lutar.

     O 5 de Espadas, em algumas leituras, sempre dependendo de uma série de fatores como o tema da própria, a sua localização no esquema escolhido e as outras cartas que lhe são próximas, pode indicar fraqueza, sentir-se de ponta-cabeça, inábil para defender-se. Necessidade de alterar-se planos. Estar em desvantagem e energeticamente deficiente. Entrar em combate com adversários muito melhor preparados. Não estar fisicamente bem. Procurar auxílio de alguém e a pessoa recusá-lo de maneira bruta. Pode ser prenúncio de problemas que ocorrerão com alguém amigo do Consulente. Fazer um apê-lo e não ser atendido. Sentir que as pessoas o acham inadequado para uma determinada função ou para lidar com uma situação.

     Ainda que as desgraças que algumas vezes se abatem sobre nós possam nos fazer querer dibrá-las, enganando o destino, tornando-nos frios e calculistas com a experiência, o ideal seria aceitá-las e compreendê-las como eventos e consequências naturais dentro do grande esquema da vida. É preciso então render-se. Como diz o ditado: “Se não há solução, solucionado está.”, ou seja, se não temos reais condições de vencer esse obstáculo, ou o custo para o fazermos será elevado demais, o melhor e nos rendermos, olharmos para o futuro e nos lembrarmos que “isso também passará”. Devemos evitar acusarmos os outros ou querermos nos vingar pela nossa derrota, pois é evidente que essa atitude só agrava ainda mais qualquer situação. Se não é possível vencer, o melhor que se tem a fazer é afastar-se.

     Em “Édipo Rei”, seu autor, Sófocles, coloca isso muito claramente em diversos pontos do texto. A irritação de Creonte, cunhado (e tio, sem que ele saiba) de Édipo contra as acusações do Rei são respostas às acusações sofridas por ele, anteriormente. Édipo, em seu desespero de conseguir solucionar o problema que consome a vida em seu reino, e não obtendo respostas objetivas, começa a disparar incriminações contra Tirésias, o sábio vidente e contra Creonte, insinuando que eles armam um complô para roubar-lhe a coroa.

     O Corifeu, que nas tragédias gregas era a figura (o ator) que representava o chefe do coro, acrescenta um comentário, com o intuito de aplacar a ira de Creonte, de que Édipo teria dito o que disse numa explosão de cólera, num momento de desiquilíbrio, sem pretender realmente dizer a insensatez que dizia. Essas palavras não são apenas de consolo ou de pacificação, mas são, como subtexto, uma crítica à conduta do Rei que, agindo de forma compulsiva, motivado por um Ego exaltado, acaba por auto-desmoralizar-se. É um comentário de que não se deve ceder ao ódio, à raiva, ou ao demais estados emocionais negativos, pois esses ataques e energias ruins acabam se voltando contra que as elaborou e proferiu. Em situações como o 5 de Espadas, devemos fazer o esforço de continuarmos a cultivar nossos corações e espíritos para que eles espelhem a beleza do divino que nos abita, ao invés do caos que nos rodeia.

     Nesta segunda-feira, com a Lua Nova em Cancer, e sob os auspícios das energias dessa carta cujo equivalente astrológico é Vênus em Aquários, poderemos nos dedicar à solução de problemas que há muito estão esperando para um esclarecimento. Mas tudo isso feito de maneira muito bem equilibrada e firme, sem querer encontrar um culpado para as situações, pois nossa função não é exatamente a de Juiz.

     No antigo Império Romano, na data de hoje, e nos próximos 2 dias, era celebrado um culto especial a Dea Dia, uma deusa muito semelhante a Ceres, até mesmo porque estava ligada à idéia de renascimento, crescimento, abundância, a agricultura, a primavera. Nessas ocasiões eram sacrificados, em homenagem à Dea Dia, um boi, uma leitoa e um carneiro, que antes eram levados em procissão ao redor dos campos cultivados.

     Acredito que possamos transladar essa figura, e seu culto, das páginas da mitologia para a nossa experiência diária, encarando o trabalho (o campo) de onde tiramos o nosso sustento, a nossa sobrevivência) com um olhar benevolente, e merecedor de determinadas ações (sacrifícios) para que possam produzir o melhor e o mais abundantemente: dedicação, respeito, agradecimento.

     Tenham todos um excelente início de semana!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

sábado, 17 de abril de 2010

Carta do Dia: 3 DE PAUS

Título Senhor da Força Estabelecida
Elemento Fogo
Arcanjo Tzafkiel
Nome Divino  Yahveh Elohim
Mundo Cabalístico Atziluth (mundo da emanação)
Sephirah Binah (Compreensão)
Correspondência Astrológica Sol em Áries
Planeta  Saturno
Pedra Safira

    Wands03 (2) Lembram-se do assunto abordado na postagem de ontem? Sobre o 2 de Paus? Pois é, vou voltar a ele pois, apesar de não ser novela, teve continuação.

     Nosso amigo empresário do ramo de alimentação, com sua extremamente bem sucedida rede de churrascarias espalhadas pelo Brasil recebeu um convite para abrir algumas filiais em importantes cidade norte-americanas, através de uma associação com investidores estrangeiros, e isso o deixara pensativo e bastante preocupado. Era necessário, após uma vida toda de trabalho e de já estar colhendo (e bem!) os frutos da semente plantada há décadas atrás numa despretensiosa churrascaria de beira de estrada, avaliar se deveria ou não dar continuidade na expansão de seu império.

     Essa dubiedade própria das cartas dos Arcanos Menores de número 2 o fizeram reavaliar a sua trajetória e repensar em termos da continuidade da empresa nas próximas décadas. Só haviam duas opções: ou deixava tudo como estava, correndo o risco de vir a arrepender-se no futuro, ou tomar a decisão de alterar a fórmula até então empregada e tentar uma oportunidade de crescimento através da conquista de novos mercados.

     Bem, como uma pessoa corajosa que é, que acredita, antes de mais nada no seu potencial, e munido das necessárias informações legais e de logística, decidiu por apostar em si, na sua equipe e na sua intuição e formou a necessária sociedade que lhe permitiu investir em outro país. Foram meses de reuniões, adaptações de ambas as partes, de escolhas de locais, de capacitação de pessoal, de trâmites legais, tudo enfim que representa a abertura de um negócio bi-nacional.

     Começa, agora, para esse nosso amigo, uma nova fase muito bem representada pelo 3 de Paus, uma carta que pode ser interpretada como um tempo de espera pelo investimento feito. Isso acontece, diariamente, em todas as partes do planeta, em maior escala, seja através de alguém que planta um caroço de uma fruta mas saber que terá de aguardar um determinado tempo para que a planta se desenvolva, a árvore frutifique e o seu esforço possa ser colhido, ou seja como aquele profissional, com um excelente currículo, com méritos escolares, com uma série de sucessos em seus trabalhos prévios, que submete seu curriculum à uma nova empresa. Ele também terá “lançado seus navios ao mar” e está esperando pelo retorno desejado.

     A jovem estilista que lança sua primeira coleção de prêt-a-porter, tendo convidado a imprensa especializada, os chamados “formadores de opinião”, e os compradores das grandes lojas, também aguarda ansiosamente que pedidos de grandes magazines venham lhe garantir a continuidade e estruturação de seu negócio. Ela investiu anos de estudo, pesquisa, trabalho e dinheiro na esperança de que seu sonho venha a se concretizar. O que podia fazer, foi feito. Agora é tempo de, paciente e esperançosamente, aguardar.

     O 3 de Paus quando aparece numa leitura, levando-se sempre em consideração a sua situação dentro do esquema do jogo e das cartas que o rodeiam, além da questão proposta pelo Consultante, pode simbolizar poder, negócios bem realizados, união de forças, esforços com bons resultados, possibilidades que surgem de um novo emprego ou mesmo de mudança de atividade. Chegada de ajuda necessária. Pode também significar o bom uso da intuição, da capacidade espiritual ou mediúnica e clarividência.

     Quando mal situado na jogada, essa carta pode estar indicando o fato do Consultante estar sendo relapso, desatento, displicente, inobservante, dando as costas para a situação, sucesso transitório, negócios mal estruturados, idealismo ilusório, alienação, solidão. Pode ser um alerta para se ter cuidado com ofertas de ajuda que só venham beneficiar quem as oferece. Ser traiçoeiro. Motivos escusos, arrogância, egocentrismo, orgulho, presunção. Dúvidas e hesitação.

     Saturno, regente dos sábados, é sempre muito temido e muitas vezes visto apenas sob o seu aspecto limitador, condenador, impositor de dificuldades. Porém ele é muito mais do que isso e é um grande consolidador, estabelecedor de direcionamentos e de estruturas bastante definidas e sólidas. Portanto, uma carta como o 3 de Paus, que tem sua correlação planetária com esse astro, num dia da semana regido pelo próprio, é uma exaltação de suas forças, o que promete ser um bom dia para aproveitarmos para estruturar e definir as bases e os rumos que pretendemos para os nossos novos projetos, ou mesmo aqueles que já estão em andamento. O Sol em Áries, também astrologicamente ligados a essa carta, pode ser uma energia bastante otimista na superação de revezes, na formação da própria individualidade, mas,  entretanto (cuidado!) pode não conseguir concluir as tarefas a que se propõe. A Lua (Nova) em Gêmeos aguça a nossa intuição e nos auxilia a fazermos diversas coisas ao mesmo tempo, ou seja, enquanto aguardamos os resultados dos nosso trabalho, podemos ir estruturando novas estratégias ou criarmos novas idéias de oportunidades.

     Aproveitem bem o final de semana e lembrem-se que os únicos limites que existem são aqueles que nós mesmos nos permitimos enxergar.

Imagem: TAROT DE DALI