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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Carta do Dia: 7 DE ESPADAS

                                                        ÉDIPO
     (A Jocasta.) “Senhora, acreditas que o homem a quem mandamos há pouco chamar, seja o mesmo a quem este mensageiro se refere?”
                                                     JOCASTA
     “De quem te falou ele? Ora... não penses nisso; o que ele diz não tem importância alguma.”
                                                       ÉDIPO
     “É impossível que com tais indícios eu não descubra, afinal, a verdade acerca de meu nascimento.”
                                                     JOCASTA
     “Pelas divindades imortais! Se tens amor a tua vida, abandona essa preocupação. (À parte.) Já é bastante o que eu sei para me torturar.”
                                                      ÉDIPO
     “Tranqüiliza-te! Mesmo que eu tivesse sido escravo desde três gerações, tu não serás humilhada por isso!”
                                                   JOCASTA
     “Não importa! Escuta-me! Eu te suplico! Não insistas nessa indagação!”
                                                      ÉDIPO
     “Em caso algum desistirei de elucidar esse mistério.”
                                                   JOCASTA
     “No entanto, é para teu bem que assim te aconselho.”

                                                       ÉDIPO
     “Acredito... mas esses conselhos teus há muito me importunam!”
                                                   JOCASTA
     “Infeliz! Tomara que tu jamais venhas a saber quem és!”

Édipo e Jocasta, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

    Swords07 (5) Um dos pontos altos da peça “Édipo Rei” é o momento em que Édipo manda buscar o Pastor a quem ele fora entregue, recém-nascido, para ser abandonado no campo, para morrer e assim não cumprir a profecia do Oráculo de Delfos que havia avisado a Laio e Jocasta, seus pais, que um dia o filho mataria o Rei e desposaria a Rainha, sua mãe.

     Édipo percebe que será o depoimento daquele pastor que elucidará os fatos e, principalmente, fará com que ele finalmente compreenda a sua origem. Jocasta, sua esposa e mãe biológica (fato que Édipo ainda não sabe), já consciente da tragédia que estão vivendo, tendo juntado as informações e percebido a terrível verdade que se escondera por tantos anos e que agora, tal qual uma espada, pende sobre suas cabeças, faz o possível para convencer o esposo (e filho) a desistir de seu intento de descobrir a verdade. Sabe que o pastor a quem ela entregara o seu filho para que fosse abandonado à própria sorte, irá fornecer a Édipo subsídios suficientes para que ele solucione a sua crise de identidade. Além disso, ela teme a reação de seu filho e consorte ao saber que ele assassinara o próprio pai e vive como marido e mulher com sua mãe. Ela, agindo mais maternalmente do que como esposa, quer evitar a ele tal sofrimento. Quer evitar que ele saiba que foi mandado à morte, ainda bebê, por ela e por seu pai, Laio. Quer impedir que a verdade venha à tona, porque bem sabe as consequências dessa descoberta. Édipo recusa-se a ouvi-la e, inclusive, acusa-a de dar-lhe conselhos equivocados e, com isso, subtraindo dele a possibilidade de conhecer a sua própria verdade.

     Quando um 7 de Espadas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição na jogada e das demais cartas que o acompanham, além da questão formulada pelo Consultante, pode simbolizar que, ainda que o Consultante esteja se esforçando, ele não está chegando a nenhum resultado, além de existir uma sensação de que não importa o que ele faça ou deixe de fazer, ele não obtém resultados. Pode ser que o Consultante queira fazer uma mudança em sua vida, mudando-a para melhor, ou mesmo, saber qual é o seu lugar, a sua posição na situação que possa estar vivenciando. Sentir-se inseguro, pessimista ou inquieto em relação aos seus propósitos de vida. Sentir-se deprimido pela sua falta de habilidades, de utilidade. Sente-se dispensável. Sentir-se vivendo uma situação misteriosa. Sentir-se traído. Ser roubado, seja material ou intelectualmente. Também uma mudança física, de residência, de cidade, de estado pode ser considerada.

     Num aspecto positivo, o 7 de Espadas, sempre dependendo da sua posição na jogada, pode significar que o Consultante está se permitindo pensar mais claramente, mais realisticamente, a respeito da situação que está vivendo. Começar novos planos, sentindo que existe um novo propósito em sua vida. Procurar conselho e optar por modificar a vida para melhor. Sentir-se bem consigo mesmo. O mistério que pairava sobre determinada situação começa a se dissipar. O Consultante sente-se, novamente, inteiro, com uma mente aguçada e ágil. As pessoas passam a considera-lo como indispensável.

     Nesta quarta-feira, sob a regência de Mercúrio e com a Lua Nova em Leão, poderíamos usar o conselho expresso pelo 7 de Espadas de encerrarmos velhas lutas, antigos argumentos, discussões ultrapassadas, desavenças mesquinhas. É uma ótima ocasião para afugentarmos os fantasmas do passado, de uma vez para sempre. Tempo de dizer adeus a ambições e objetivos que já não representam mais nada em nossas vidas e prestar mais atenção aos nossos sonhos, nossas intuições, nossa voz interior.

     Que o dia de hoje traga o abandono de velhos hábitos que são nocivos ao nosso estágio de desenvolvimento atual e nos libere para alçarmos vôos mais altos. Tenham todos um ótimo dia!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

terça-feira, 18 de maio de 2010

Carta do Dia: 6 DE ESPADAS

                                      JOCASTA
     “…Mas dize por que vieste, e que notícias nos queres anunciar.”
                                   MENSAGEIRO
     “Coisas favoráveis para tua casa, e teu marido, senhora.”
                                     JOCASTA
     “De que se trata? De onde vens tu?”
                                   MENSAGEIRO
     “De Corinto. A notícia que te trago ser-te-á muito agradável; sem dúvida que o será; mas pode também causar-te alguma contrariedade.
                                    JOCASTA
     “Mas que notícia será essa, que produz, assim, um duplo efeito?”
                                  MENSAGEIRO
     “Os cidadãos do Istmo resolveram aclamar rei a Édipo, segundo
dizem todos.”
                                    JOCASTA
     “Quê? O venerando Políbio já não exerce o poder?”
                                  MENSAGEIRO
     “Não... A morte levou-o à sepultura.”
                                    JOCASTA
      “Que dizes tu? Morreu Políbio?”
                                  MENSAGEIRO
     “Que eu pereça já, se não for a pura verdade!”

                 …………………………………………………….

                                       ÉDIPO
     “Ora eis aí, minha mulher! Para que, pois, dar tanta atenção ao solar de Delfos, e aos gritos das aves no ar? Conforme o oráculo, eu devia matar meu pai; ei-lo já morto, e sepultado, estando eu aqui, sem ter sequer tocado numa espada... A não ser que ele tenha morrido de desgosto, por minha ausência... caso único em que eu seria o causador de sua morte! Morrendo, levou Políbio consigo o prestígio dos oráculos; sim! os oráculos já não têm valor algum!”
                                   JOCASTA
     “E não era isso o que eu dizia, desde muito tempo?”
                                      ÉDIPO
     “Sim; é a verdade; mas o medo me apavorava.”
                                  JOCASTA
     “Doravante não lhes daremos mais atenção.”

Mensageiro, Jocasta e Édipo, em “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.

     Swords06 (5) Sófocles, há aproximadamente 2.500 anos, ao criar essa obra-prima da literatura mundial, esse magnífico exemplo de peça teatral, utilizou-se de todos os recursos para dar veracidade ao drama que queria retratar.

     Se olharmos “Édipo Rei” como uma peça sobre parricídio e incesto, estaremos fazendo uma leitura bastante superficial de todos os conflitos da alma humana apreendidos pelo sábio escritor em seu texto. Édipo é um homem com todos as virtudes e pecados, com todos os vícios e angústias, com todos os medos e egolatria que iremos encontrar na humanidade, de forma geral, em qualquer tempo. A maneira com que ele procura esquivar-se da verdade, ainda que, técnicamente a busque, é impressionante.

     A chegada do Mensageiro, vindo de Corinto com a notícia que seu pais (que era adotivo) havia falecido é o bastante para que ele acredite que o Oráculo de Delfos estivesse enganado a seu respeito. Imediatamente, ao ouvir a notícia ele desacredita as mensagens das pitonisas do célebre templo de Apolo, recebidas anos antes, que diziam que ele mataria seu pai e casar-se-ia com a própria mãe. Na época, fugiu, para evitar que a profecia se cumprisse e que ele viesse a assassinar o Rei Políbio, de Corinto, e casar-se com a Rainha Mérope, que acreditava ser sua verdadeira mãe. Nessa fuga, tomando rumo de Tebas, cruza com o Rei Laio, que era seu pai verdadeiro, e, numa discussão tola, mata-o, vindo, depois, desposar sua mãe biológica, a Rainha Jocasta, com quem teve 3 filhos.

     A notícia que o Mensageiro traz é o suficiente para que ele busque, desesperadamente, livrar-se de uma carga de culpa, de um medo que lhe é imenso de tornar-se assassino do homem que ama como pai e desposar a própria mãe. Esse conflito já é o bastante para que sua mente esteja obscurecida por confusos pensamentos. A notícia é uma esperança, uma porta de saída para uma situação. Uma possibilidade de mudança, de alteração dos fatos. O que ele ainda não sabe é que essa súbita reviravolta na história trará consigo ainda maiores angústias. Essa travessia que Édipo procura fazer, utilizando a notícia da morte por causas naturais de Políbio, não será tão tranquila quanto ele espera. Na margem oposta dessa pretensa passagem para dias melhores,  aguardam-lhe novidades que irão aumentar ainda mais a sua confusão mental e obscurecerão ainda mais a sua alma.

                                               MENSAGEIRO
     “Podes revelar-me esse oráculo, ou é vedado a outros conhecê-lo?”
                                                     ÉDIPO
     “Pois vais saber: Apolo disse um dia que eu me casaria com minha própria mãe, e derramaria o sangue de meu pai. Eis aí por que resolvi, muitos anos, viver longe de Corinto...”

                                             MENSAGEIRO
     “E foi por causa desses receios que te exilaste de lá?”
                                                   ÉDIPO
     “Também porque não queria ser o assassino de meu pai, ó velho!”
                                            MENSAGEIRO
     “Oh! Por que não te livrei eu de tais cuidados, eu, que sempre te quis bem?”

                                 …………………………………………..

                                           MENSAGEIRO
     “Sabes, por acaso, que esse receio absolutamente não se justifica?”
                                                ÉDIPO
     “Como não? Pois se eles foram meus progenitores...”
                                          MENSAGEIRO
     “Políbio nenhum parentesco de sangue tinha contigo!”
                                              ÉDIPO
     “Que dizes?!... Políbio não era meu pai?”

     Após um momento em que, acreditando que o Oráculo estivesse errado e que ele nada devesse temer, Édipo é confrontado com mais uma das peças do grande quebra-cabeças que ele precisa montar para saber exatamente quem é. Ao tomar conhecimento que o Rei cretense não era seu pai, ele perde a única fonte de identidade que conhecia até então. Quem é ele? De onde ele vem? A que está predestinado?  Convenhamos que essas são questões básicas que lidamos no curso de nossas vidas, e não são apenas recursos teatrais para nos manter interessados na história. Quem nunca se questionou qual a sua real função neste plano de vida? Se é, ou não, um joguete de um destino que pode ser, em alguns casos bastante cruel. O quanto de livre-arbítrio realmente possuímos e o que essa nossa capacidade de fazer determinadas escolhas pode, ou não, alterar um destino que pode ser (ou não) imutável. O quanto nos conduzimos e o quanto somos conduzidos por forças muito mais poderosas e arcaicas?

     Quando um 6 de Espadas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição na jogada e das demais cartas que a acompanham, além da questão proposta pelo Consultante, pode significar que se ele irá ou não adiante com a situação que está vivendo naquele momento irá depender inteiramente da sua clareza mental e disposição para enfrentar desafios e encarar a verdade dos fatos. Pensamentos confusos, truncados, são como bagagens inúteis, pesos mortos,  que transportamos a cada porto da nossa vida. De nada nos servem. Quando abrimos nossos olhos e nossa mente, estabelecemos contato com a realidade, colocamos os pés no chão, conseguimos separar os eventos, os fatos, as pequenas peças que constituem o todo e analisa-las individualmente, conhecendo-as bem, não nos esquivando da dor ou do prazer que elas possam nos proporcionar. Assim sendo, tendo uma visão clara do conjunto e dos horizontes e caminhos disponíveis, estamos novamente prontos para assumirmos o leme desse barco que poderá nos conduzir, ainda que por águas turvas e agitadas, mas em segurança para uma margem mais ensolarada.

     O aparecimento do 6 de Espadas é um lembrete para que sejamos fiéis a nós mesmos e corretos em nossa conduta. Para que usemos a nossa flexibilidade mental, ainda que dentro de uma situação bastante difícil ou conflitante, para que possamos encontrar o que nos motiva, o que nos faz seguir adiante. É importante, também, que nos lembremos que a maneira com a qual comunicamos nossos desejos, nossas intenções, nossas dúvidas, angústias, medos, ou emoções é fundamental para que possamos compartilhar e, assim, diminuir nossa carga. O 6 de Espadas simboliza um “dar as costas” para o passado, em busca de um futuro melhor. Mas o passado não é uma mancha que possa ser lavada das mãos. Enquanto o Consulente não o enfrentar corajosamente e procurar aceitá-lo e, se for o caso, resolve-lo, ele acompanhará, como peso extra na bagagem que carregará para qualquer seja o futuro que pretenda que lhe aconteça.

     Édipo está num barco à deriva. Supostamente abandonou seus velhos temores, descartando a mensagem oracular recebida muitos anos antes, mas também não sabe o que lhe aguarda à frente. A notícia de que Políbio não era seu progenitor, destrói sua teoria de que a pitonisa do Templo de Apolo, em Delfos, enganara-se ao prever que ele o mataria. Políbio morrera de causas naturais e não pela sua espada… mas não era seu pai. A possibilidade do Oráculo estar certo ainda perdura.

     O dia de hoje, no antigo calendário romano, era consagrado a Apolo, que representava o Sol e era o inventor da música, das artes e da adivinhação. Seu templo, em Delfos, era local de peregrinação e até hoje estuda-se, geologicamente, as possíveis influências de gases emanados do interior da terra na indução ao transe das pitonisas residentes. A palavra “oráculo” significa “comunicação divina” ou “aquele que fala em lugar de deus”. Talvez fosse interessante, nesta data, meditarmos e procurarmos ouvir a nossa voz interior, a fala da nossa intuição, e nos permitirmos estabelecer uma comunicação com o Divino que nos habita. Usemos, como exemplo, a figura do sábio, e cego, Tirésias, o vidente de “Édipo Rei”, que, na sua cegueira física, conseguia enxergar muito mais do que aqueles que tinham seus olhos voltados apenas para o exterior. Olhar para dentro de nós mesmo é necessário. Os gregos tinham um nome para pessoas como Tirésias: enthousiasmós (entusiasmo), ou seja, aquele que tem Deus dentro de si. Busquemos esse entusiasmo dentro de nossas almas.

     Tenham todos uma excelente e transformadora terça-feira!

Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Carta do Dia: ÁS DE ESPADAS

    

     “… Hoje, de novo aqui estamos, Édipo; a ti, cujas virtudes admiramos, nós vimos suplicar que, valendo-te dos conselhos humanos, ou do patrocínio dos deuses, dês remédios aos nossos males; certamente os que possuem mais longa experiência é que podem dar os conselhos mais eficazes!

     Eia, Édipo! Tu, que és o mais sábio dos homens, reanima esta infeliz cidade, e confirma tua glória!…”

O Sacerdote, em “Oedipus Rex” _Sófocles, séc.V a.C.

 Swords01 (5)     O Ás de Espadas é um presente do Elemento Ar, a mente como intelecto e força criativa. O Cristianismo chama a isso de Logos, a Palavra de Deus, o Verbo que cria o universo.

     O intelecto, sozinho, é inútil e até perigoso. Enquanto alguma Água não se misturar a ele, em forma de vapor, o Ar permanece árido, vazio. Se os seres humanos agirem unicamente guiados pela lógica, sem estarem conectados aos seus sentimentos, intuição ou de uma consciência das verdades sagradas, ele se tornam destrutivos, utilizando as suas espadas como armas.  O tarot não menospreza o valor do intelecto, mas reconhece que a mente necessita de equilíbrio. Necessita de uma base interior que a vincule ao espírito. A inteligência humana não consegue agir sozinha, precisando receber uma centelha divina e, só então ela poderá processar a verdade para ser compreendida em termos humanos. Podemos, então, organizar o que antes era caótico e dar-lhe alguma forma ou ordem.

     O tarot utiliza-se da figura da Espada como uma representação simbólica das armas que a mente elabora e possui. Esse simbolismo remonta à Justitia, a deusa romana que representava uma das 4 Virtudes Cardeais e cujo equipamento era uma balança e uma espada. A espada não era apenas um artefato de uso do carrasco, mas um instrumento para formar-se um julgamento. A balança pesa, enquanto que a espada examina e identifica. A lâmina da espada pode ser usada para traçar uma linha delimitadora entre aquilo que é certo, do que é errado, entre o que é devido, do que não pertence.

     A fecundidade da mente é medida pela maneira refinada e satisfatória com que resolvemos nossas necessidades práticas. O Ás de Espadas simboliza a oportunidade de obter-se um melhor entendimento daqueles nossos desejos e medos que não são expressos. É também uma metáfora, pois uma espada necessita ser forjada e polida, de um processo de purificação interior onde acontece um processo semelhante de se polir o coração para que ele se transforme num espelho onde a realidade divina possa refletir-se. O polimento intenso da lâmina da espada até que ela brilhe é um símbolo da purificação progressiva da nossa consciência, para que possamos brilhar com a luz do Divino, livres das nódoas das paixões desprezíveis e do egoísmo.

     O surgimento do Ás de Espadas numa leitura de tarot pode simbolizar que é chegado o momento do Consultante elevar-se, ascender, obter a necessária força de seu próprio conhecimento. Momento de explorar o que desconhece. Inteligência. Uma fase em que a pessoa está apta a pensar com clareza, analisando os diferentes aspectos da situação. Talvez seja o momento de buscar um equilíbrio, favorecendo a razão, se o Consulente reage muito emocionalmente.

     Negativamente essa carta sugere uma falta de harmonia entre emoção e razão. Pode alertar ao Consulente o fato dele considerar ser possuidor de um raciocínio frio, porém lógico, mas que na verdade é apenas uma mente que distorce a realidade na sua ânsia de dominar os outros ou controlar uma situação. Há necessidade de um reequilibrar de forças e é sempre bom lembrar que podemos contar com os outros Elementos: o Fogo transforma idéias em ação; a Água traz consigo a necessária sensibilidade e emoção e a Terra fixa tudo na realidade exterior.

     “Édipo Rei” a tragédia criada pela genialidade de Sófocles (Séc. V a.C.), primeira novela policial que se tem notícia e base de incontáveis estudos e teses, inclusive esteio de algumas das mais importantes teorias de Sigmund Freud, narra a seguinte história, aqui completamente resumida ao seu essencial:

     Laio, casado com Jocasta, é avisado pelo oráculo de Delfos que seu filho, recém nascido, irá matá-lo. Para impedir que isso aconteça, entrega a criança a um pastor para que a mate, mas este, apiedando-se da criancinha, deixa-o entregue à própria sorte, amarrando-o pelos pés junto a uma rocha, fora dos muros da cidade.

     Um outro pastor, ouvindo o choro do bebê, desamarra-o  (Oedipus significa “pés inchados”) e o leva para Corinto onde o entrega ao Rei Polibus e à Rainha Mérope, que não tinham filhos e que o adotam com alegria. Quando jovem, pronto para explorar o mundo, Édipo vai, como era de costume nessas ocasiões, consultar o oráculo, em Delfos, que lhe diz, para seu horror, que ele matará o pai e desposará a mãe. Desesperado, e para evitar essa tragédia, ele não retorna a Corinto, mas segue numa estrada que o leva em direção a Tebas.

     Pela mesma estrada, em direção a Delfos, Laio vai em busca de uma resposta em como exterminar a Esfinge, monstro alado que, na entrada de Tebas, propõe a mesma questão aos viajantes, e não obtendo resposta, mata-os. Quando a caravana real cruza com Édipo surge um desentendimento e o jovem mata Laio (seu verdadeiro pai), cumprindo assim parte da profecia.

     Ao chegar aos muros de Tebas, confronta-se com a esfinge, respondendo acertadamente o enigma e fazendo com que o animal morra. É recebido na cidade como herói e lhe é oferecido o reino e, consequentemente, Jocasta (sua mão biológica), viúva do falecido rei. Édipo casa-se e com ela tem 3 filhos, cumprindo-se assim totalmente a profecia.

     A peça começa quando Creonte, irmão de Jocasta, volta de uma consulta feita ao oráculo e diz que Tebas só irá se livrar dos seus males quando o assassino de Laio for expulso dela. Édipo convoca, então o sábio e vidente Tirésias, que lamenta não poder ajudar pois, apesar da sua cegueira permitir-lhe saber dos fatos, a verdade só causará dor. Édipo o acusa, e ao cunhado Creonte, de um complô e exige que ambos falem, sob pena de serem mortos. Jocasta conta-lhe os detalhes da morte do ex-marido e diz que há um sobrevivente que poderá identificar o assassino. Mandam buscar esse homem que, ao ver Édipo, fica temeroso em dizer que ele, o Rei, é o assassino. Trazem, também à sua presença o pastor que o recebeu, recém-nascido, das mãos da própria Jocasta para que fosse morto. Conta o que sabe da história e a chegada de um mensageiro de Corinto dizendo que Polibus, o Rei que Édipo acredita ser seu verdadeiro pai, morreu e que ele pode voltar ao reino, sem temores.

     A situação vai-se agravando com os depoimentos de Creonte, de Tirésias, do pastor que o levou a Corinto e às suplicas insistentes de Jocasta que, já percebendo a extensão do drama, tenta demover Édipo dessa busca aterradora pela verdade. O quebra-cabeça acaba se montando e Jocasta mata-se enquanto Édipo cega-se e exige que o expulsem, com seus filhos, da cidade, o que é feito.

     Tirésias, o adivinho cego, define a falta de clareza mental daquele homem que conseguiu decifrar o enigma da monstruosa esfinge mas não conseguia resolver o seu próprio:

     “Você se recusa a ver o mal que há dentro de você!”

     Nesta quinta-feira, com o próspero, abundante, confiante e expansivo Júpiter como regente, temos a possibilidade de aproveitarmos como experiências construtivas até mesmo as situações chamadas “ruins” que vivemos, pois esse planeta é um verdadeiro “mago”. Hoje a fase de Lua Nova inicia em Touro, e colabora para que possamos nos organizar melhor, planejando com segurança e bastante realismo as nossas ações. Não devemos nos precipitar, pois tudo tem o seu tempo e segue um curso natural de ação. Basta que ouçamos a voz e o ritmo do nosso coração.

     Tenham todos um ótimo dia!

Ilustração: BOSCH TAROT, por A. Anatassov

terça-feira, 2 de março de 2010

Carta do Dia: 7 DE ESPADAS

     s07SWORDS-OSHO Amanhã, dia 3 de março, estréia no Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, o musical “A Gaiola das Loucas”, baseado na peça homônima do francês Jean Poiret. Não é a primeira vez que essa peça é apresentada no Brasil, tendo feito muito sucesso há mais de 30 anos. Porém, é a primeira montagem do espetáculo em sua versão musical, nos mesmos moldes da Broadway.

     Miguel Falabella (Georges) e Diogo Vilela (Zazá/Albin) dão  vida ao casal de homossexuais, donos da mais famosa boate gay de St. Tropez, na Riviera Francesa. Ambos vivem juntos há 20 anos numa casa que faz fundos com o prédio do cabaré e Zazá é a estrela principal dos espetaculares shows de transformistas que lá são apresentados.

     Um belo dia, Jean-Michel, filho de uma única relação hetero que Georges teve com uma bailarina, e que não quis assumir a criança, que acabou sendo criada pelo casal  gay,  anuncia à sua pequena família que vai se casar com a filha do presidente do partido político mais conservador da França. Entre as promessas de campanha desse bastião dos valores da Família, Tradição e Moralidade está a de acabar em definitivo com os homossexuais que frequentam as famosas praias francesas. 

     O momento para esse partido está péssimo, pois um dos mais importantes políticos do partido teve um enfarto enquanto mantinha relações sexuais com uma prostituta. A imprensa persegue incansavelmente o presidente do partido para obter explicações. Ele, por sua vez, vê no casamento da filha, com um rapaz que ele acredita pertencer a uma das mais tradicionais e respeitáveis famílias do sul da França, uma forma de abafar o escândalo instalado com a falta de moral e princípios do falecido companheiro, e assim restabelecer a ordem, o respeito e a integridade dentro do partido e desviar a atenção da imprensa.

     Enquanto isso, o caos parece se instalar dentro da casa de Georges e Albin/Zazá, pois o rapaz explica que nunca teve a coragem de dizer aos seus futuros sogros a respeito da real condição de seus “pais”. Apenas a sua noiva, mais jovem e compreensiva, sabe que ambos são gays, donos de um estabelecimento gay e que Zazá/Albin é um transformista famosíssimo. Como os futuros sogros estão vindo de Paris para conhecerem os pais e formalizarem o noivado e agendarem as bodas, é preciso fazer com que eles acreditem que a estória que ele contou de pertencer a uma família solidamente estruturada no convencionalismo, seja crível. Para tanto, Albin precisa desaparecer, levando consigo seu alter ego, Zazá, e, já tendo entrado em contato com sua mãe verdadeira, a quem nunca viu, ficou combinado dela viver seu verdadeiro papel por uma única noite, durante o jantar de apresentação entre as duas famílias.

     Albin/Zazá, que criou o rapaz com o carinho de uma verdadeira mãe, sente-se ofendidíssimo(a). O rapaz decide também que toda a decoração da casa precisa ser urgentemente trocada, para que o efeito de monástica austeridade impressionem os futuros sogros e reforcem a idéia de rigorosa moralidade e profunda religiosidade dos seus pais. E, principalmente, que a porta de passagem que dá acesso aos bastidores da boate esteja permanentemente trancada e que nenhuma menção se faça a respeito.

    Bom, não vou continuar a contar o restante dessa hilária comédia que certamente irá ter, outra vez, uma longa carreira de sucesso, agora em nova roupagem. Há que se assistir para saber-se como essa trama, tão bem construída e tão pirotecnicamente transportada para o palco, se resolve. Só posso afirmar que a solução é tão surpreendente quanto se pode esperar de um inteligentíssimo jogo de ilusões, de enganos e de mentiras.

     A situação que a peça descreve é uma situação tipicamente 7 de Espadas, pois é o uso do raciocínio, a criação de formas mentais, a utilização de recursos mais ou menos amorais para se obter os fins desejados. O florentino Nicolau Machiavelli (1469 – 1527) teve a sua defesa filosófica da relação Estado/Indivíduo definida com a famosa expressão “o fim justifica os meios”, onde o fim último é o Estado, a que tudo deve ser subordinado, tanto os indivíduos como todos os valores, até os morais e religiosos. Contrariando Machiavelli, em condições normais os meios empregados para a obtenção de determinado resultado deveriam ser sempre justos, verdadeiros, claros, transparentes, objetivos, realistas. O 7 de Espadas, porém, nos fala daquelas ocasiões na vida onde nos vemos confrontados com a possibilidade de nos valermos de recursos e agirmos de maneira tal, para fazer valer nossos interesses, que, dadas outras ou melhores circunstâncias,  não o faríamos.

     Isso não significa que essas atitudes sejam sempre negativas, ou amorais, mesmo desprezíveis. Às vezes é necessário que manipulemos algum conhecimento, façamos uso de algum talento que supúnhamos não ter, e sem prejudicar a ninguém, nem inclusive a nós mesmos, atingirmos os objetivos pretendidos. Fazemos frequentemente quando preenchemos currículos onde exaltamos qualidades não tão evidentes. Ou quando floreamos o nosso amor pelos animais para sermos simpáticos à linda atendente do pet-shop. Até mesmo quando imploramos por um ingresso para aquele show, nos declarando fã de carteirinha da cantora, só para ficarmos ao lado da pessoa em que estamos interessados e que é, realmente, fã da tal cantora. Quer mais uma? Quando preenchemos fichas de planos de saúde e declaramos nunca termos tido uma dor de cabeça na vida. 

     Mas, as pessoas mais impressionáveis costumam ver nessa carta, quando surge numa leitura de tarot, uma imagem altamente negativa, de traição, de ser ladino, falso, de agir nas sombras, de roubar ou ser roubado, de fugir na calada da noite carregando o que conseguir. Também uma idéia de planos fracassados, de ostracismo, de fuga às responsabilidades e de não querer enfrentar as verdades estão implícitas nessa carta. Portanto, o mais importante a fazer quando ela aparece numa jogada, é estabelecer-se de que lado está o consulente, e isso pode ser definido com a análise das cartas que lhe acompanham. É ele vítima ou vilão? É um aviso para que fique mais atento e preste atenção redobrada às pessoas de suas relações ou situações que estão sendo vivenciadas e que podem, em ambos os casos, virem a lhe causar decepção? Ou será que é um alerta para que não se deixe levar por uma falsa idéia de esperteza, de querer levar vantagem em tudo, e acabar se deixando envolver num redemoinho de mentiras, ansiedade e culpa?

     O político frances da peça, percebe que os membros de seu partido não são possuidores de todas as virtudes que apregoam, e tenta burlar a opinião pública, em primeiro lugar evitando confrontar-se com os repórteres e, depois, utilizando-se do casamento da filha para “vender” uma imagem idealizada de pureza (supõe-se a filha ser virgem) e união (entre “iguais”, pessoas de mesma estatura de valores).

     O filho, em nome do amor que sente pela moça, e pelo interesse de evoluir na carreira (afinal, uma “mãozinha” do sogro político influente sempre ajuda…), cria uma rede de mentiras, inventando uma família “ideal” aos olhos dos sogros, mas que ele nunca teve. Até a própria “mãe” que o criou (Albin/Zazá) ele repudia em favor da mãe biológica, de quem nunca recebeu a menor dose de amor, desde que ela o ajude nesse momento.  Na verdade, ele é o mais manipulador, corrupto e amoral entre todos os personagens da peça. Faz e usa de tudo e de todos para atingir seu objetivo sempre, é claro, usando o amor como desculpa.

     A boate, chamada de “Gaiola das Loucas”, seus artistas, seus shows e seu público, são a própria representação da ilusão, da fantasia, da mágica, dos subterfúgios, das trocas de identidades, onde os sexos se dissolvem, não se sabendo quem é quem ou o que. Toda essa fantasia noturna disfarça ou ameniza a realidade, empenhados que estão, todos, em recriá-la diferente, mesmo sabendo que estão enganando a si mesmos.

     A jovem noiva concorda em colaborar com o verdadeiro teatro montado pelo rapaz, por interesse próprio, ou seja, na realização de seu casamento com uma pessoa que se seus pais conhecessem de verdade, nunca aceitariam como genro. Com o casamento ela se livra do jugo opressivo e castrador da família.

     18_MHG_cult_gaoila02 Georges concorda, por amor ao filho, em participar do jogo, fingindo ser quem não é, negando fazer o que faz, mesmo que isso venha a magoar profundamente o companheiro de tantos anos.

      Talvez o único que se mantém íntegro, do começo ao fim, seja mesmo aquele que nada quer para si próprio, além de poder amar, ser amado e ser a grande estrela dos shows dos quais participa. Albin/Zazá, que já é uma perfeita fusão do real com a ilusão é, quem sofre as consequências de toda essa trama, espelho que é de toda essa situação. E também como não poderia deixar de ser, no último momento cabe a ele encontrar uma saída. Ainda que seja mais uma mentira, mais um golpe, mais uma tentativa de desviar os olhares da verdade.   

     Se quiserem ver, de uma maneira bastante humorística, numa trama inteligentemente desenvolvida, o 7 de Espadas em plena ação, onde nada é o que parece ser, não deixem de assistir a esse grandioso espetáculo.

     A todos, um excelente dia e ao competente elenco da “Gaiola das Loucas”, muita M….!  

Foto de Miguel Falabella e Diogo Vilela: Jornal O Globo (divulgação)
Ilustração: Tarot de Osho

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: PAJEM DE PAUS

    Wands11 (4) Hoje é o Dia Internacional dos Namorados, quando a Igreja comemora S. Valentim, um mártir cristão que abençoava as uniões dos soldados romanos, que eram proibidos de se casarem para que pudessem se dedicar inteiramente ao serviço militar. Celebramos essa data em outra ocasião, mas creio que posso me valer de um viés histórico que eram as Lupercais romanas, para justificar minha associação. Festas realizadas em meados de fevereiro em celebração a Juno, onde os homens retiravam de um jarro um papel com o nome da parceira a quem deveriam permanecerem fiéis a elas por um ano, é bem provável que esse Dia dos Namorados seja um subproduto moderno dessa festa pagã.

     Além disso, estamos em pleno domingo de Carnaval, quando “ninguém é de ninguém”, onde a ordem é se divertir, dançar muito, expressar toda a alegria que brota do fundo da alma, namorar bastante (sempre tomando as devidas precauções) e consciente de que, como era costume dizer-se: amor de carnaval não sobrevive a quarta-feira. O Pajem de Paus é um bom representante dessa expressão. Grande, fogoso e criativo amante, não espere dele exclusividade ou continuidade. Ele pertence ao elemento Fogo e, como sabemos, fogo às vezes é labareda, incêndio devastador, e noutras, apenas uma débil chama, preste extinguir-se.

     Essa carta nos remete às paixões da juventude, quando o mundo é um grande e maravilhoso desafio a ser enfrentado com a cara e a coragem e facilmente vencido com as nossas próprias armas. É a impetuosidade absolutamente indomável do espírito desapegado, livre. Não é exatamente “fogo de palha”, mas uma verdadeira erupção vulcânica, cujas forças propulsoras e lava criativa vem do mais fundo do nosso ser e, em sua passagem cria e constrói.

     O Pajem de Paus ama a vida e ser parte da grande aventura que é o viver. Tem coragem de ser ele mesmo e possui imensos recursos interiores ainda a serem descobertos. Não sabe ainda planejar eficientemente até mesmo porque, em sua hiperatividade, move-se impetuosamente para frente, em busca de aventuras, de novas descobertas, corajoso e curioso, atrevido e confiante, sempre intrigado pela novidade, pelas possibilidades que estão mais adiante. Tem o olhar inocente e deslumbrado, além da energia e do atrevimento de uma criança e, por isso mesmo é muitas vezes aceito, numa leitura de tarot, como uma pessoa bastante jovem, tanto física ou emocionalmente.

     Nestes dias, quantas alas de Pajens de Paus estaremos vendo passar pelas ruas, fantasiados ou não, vivendo essa energia primária, essa força explosiva, resultante da combinação de Terra com Fogo, onde os sentidos são o suporte da vontade? Onde a energia da paixão é colocada em prática através dos expressivos movimentos corporais, da criatividade das fantasias, dos temas das escolas de samba e dos demais grupos associativos, das letras dos sambas-enredos cantados e no otimismo que parece permear todos os rostos e atitudes. O Pajem de Paus é um exibido, um desinibido, uma pessoa teatralmente brilhante que vive intensamente o seu momento de “estrela”.

     Portanto se hoje, ou nos próximos dias de Carnaval, um despreocupado e sedutor Peter Pan surgir em sua vida, agarre-o pela cintura e aprenda com ele o que é liberar a sua criança interior, com o devido ardor, impulsividade,  ingenuidade e candura, porém sabendo que para tudo existem consequências que podem e devem ser avaliadas. Não se comprometa com planos de longo prazo, com o planejar do enxoval ou dar entrada na casa própria. É Carnaval, são apenas alguns dias de uma curta e delirante jornada, uma montanha-russa de risos, prazeres, alegrias, e liberações. Mas saiba o tempo de parar, pois esse arquétipo também tem um lado “sombra” bem pouco engraçado: é egoísta, mimado, genioso, impaciente, indiferente a tudo e a todos, nada confiável. Enfim é alguém que certamente você não iria querer ser ou ter ao seu lado nos outros 360 dias do ano.

     Além disso, quantos outros Pajens de Paus, com seus crachás e equipamentos de repórteres estaremos vendo em todas as telas de TV, noticiando, pesquisando, investigando, buscando novidades, estando no epicentro dos acontecimentos, transmitindo o entusiasmo da festa através de seus discursos apropriadamente bem elaborados. São centenas de jornalistas do mundo inteiro que vêm cumprir a mesma função que os antigos pajens tinham nas cortes: a de leva-e-trás, a de mensageiros. As celebridades do momento, e as muito pseudo-candidatas a celebridades do momento, os amam pois sabem que é por intermédio de seus veículos de comunicação, de suas vozes, suas canetas, seus computadores, suas máquinas fotográficas, que o mundo fica sabendo de suas existências. Dia e noite, ininterruptamente, esses emissários estarão de prontidão para distribuirem aquilo de viram, ouviram, souberam, sentiram e, até mesmo, inventaram na falta de algo que lhes parecesse surpreendente.

     Se essa carta sair numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua posição e das cartas que a cercam, além da questão previamente elaborada, ela pode significar que o consulente está pronto para começar algo novo, podendo ser algo pelo qual você se interesse há algum tempo, pesquisando, lendo, estudando. É um aviso de é chegada a hora de colocar as suas idéias em prática. O consulente está preparado e pode, portanto, seguir em frente, dando o primeiro passo. É claro que devemos estar sempre alertas para não mergulharmos de cabeça naquilo que desconhecemos. Se o consulente ainda não construiu uma sólida base para esse seu novo investimento, poderá ficar surpreso com os resultados e os prejuízos. De maneira bastante comum, essa carta é aceita como anunciadora de mensagens inesperadas, normalmente boas.

     Aproveite o domingo para brincar despreocupadamente, deixando extravasar essa alegria natural interior que pede para ser vivida. Divirta-se!

Imagem: MITHIC TAROT