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quarta-feira, 3 de março de 2010

Carta do Dia: 8 de Espadas

    

Elemento Ar   (quente, úmido)
Temperamento Colérico
Cabala Hod (mente concreta) em Yetzirah (formação)
I Ching Shih Bo   image
Numerologia 8:  abundância e poder
Planeta Júpiter (expansão) em Gêmeos (dualidade)
Título Esotérico Senhor da Força Diminuída
Lua Cheia,  em Escorpião
Dia da Semana quarta-feira,  regente Mercúrio
Zodíaco Peixes,  regente Netuno
Ano 2010 (=3),  regente Vênus

    8-of-swords Sou fã dos filmes do David Cronemberg. Quando, há alguns anos,  assisti ao seu psicodrama “Spider”, saí da sessão com a impressão de dejá vu. Sabia que tinha visto, de alguma forma, aquelas imagens, ou aquela estória, em algum outro lugar. Claro que sim! Elas estão todas condensadas na carta do 8 de Espadas.

     No filme, um homem recém saído de uma instituição mental onde viveu desde a infância, pára, por conta própria de tomar a sua medicação e volta, assim, a reviver as lembranças de um terrível passado. A frase que define o enredo é a seguinte: “A pior coisa que pode haver além de perder a sua mente (enlouquecer) é voltar a encontrá-la.”

     Nosso cérebro é onde processamos a realidade que vivemos, as sensações que temos, as emoções que experimentamos. Nossa mente trabalha continuamente colhendo, analisando, classificando informações de todos os tipos, vindas de todos os lugares, absorvidas pelos nossos sentidos. É um verdadeiro super-computador e, como tal, também pode “travar”. Assim como alguns programas são “pesados” demais para determinadas máquinas, algumas estruturas mentais que criamos são muito difíceis de serem assimiladas ou vividas e acabam por se transformarem num “vírus”, num “cavalo de tróia” que se instala e dificulta a execução de todos os outros processos mentais.

     Como qualquer outro vírus instalado num computador, esse também modifica a estrutura do nosso processador mental, alterando-lhe a capacidade de reconhecer a realidade, de exercer plenamente suas funções. Acabamos, vítimas de seus efeitos, tecendo, pensamento a pensamento, um véu que nos encobre, nublando nosso raciocínio lógico e a nossa capacidade de nos perceber e perceber, também o nosso ambiente, colorindo nossa existência com outros tons, muitas vezes mais sombrios.

     Ficamos prisioneiros de uma idéia. Temos delírios de uma falsa realidade. Ficamos obcecados com uma única maneira de encarar os fatos; perdemos o controle nossos pensamentos, que acabam servindo unicamente aos nefandos propósitos desse “virus”: nos atormentar, nos aprisionar em seus invisíveis e possantes fios. Ficamos, literalmente, imobilizados, com os “pés e mãos atados”, como dizemos popularmente. Além disso, um verdadeiro muro ergue-se rapidamente, impedindo que enxerguemos nada além que suas frias e soturnas paredes. Estamos ilhados, isolados, perdidos, presos dentro da pior das prisões que existe: nós mesmos.

     Quando um 8 de Espadas aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua localização no jogo e das outras cartas à sua volta, ele pode estar sugerindo que reavaliemos nossas verdades, nossos conceitos e pré-conceitos; pode estar a nos indicar que nos tornamos dependentes da opinião alheia, inábeis de tomarmos nossas próprias decisões, preferindo ser conduzidos a nos conduzir. Pode, eventualmente, indicar um estado de doença que demanda repouso, quietude, isolamento. Em muitos casos, pode ser interpretado como arrogante teimosia, quando não queremos alterar nossa maneira de pensar ou agir, mesmo que ela não sejam racionalmente corretas. Pessoas que se deixam dominar pelo ciúme, ou se deixam fazer prisioneiras dos ciúmes de alguém, também são representadas pelo 8 de Espadas. A censura que infligimos ou sofremos, estão simbolizadas por essa carta.

     Enfim, o 8 de Espadas, numa leitura, é um sinal vermelho de que alguma coisa dentro de nós está querendo “travar”. É hora, então, de passar um “anti-virus”, ou seja, refletir com calma, analisando cada aspecto isolado da situação e, depois, todo o conjunto de fatos. Ser claro e verdadeiro consigo mesmo. Não se deixar tapear, iludir, por si próprio. Tirar a venda dos olhos e encarar a realidade à luz da razão. Como no arcano VIII, a Justiça, usar de frieza e lógicas absolutas para avaliar os fatos, sem cair na armadilha de ser tendencioso, esconder provas ou não querer ouvir testemunhas (opiniões de especialistas ou pessoas de confiança). Enfrentar os fatos pode ser muito doloroso, mas sempre será menos do que viver com medo, angustiado, escondendo-se do mundo ou de nós mesmos. A mente deveria ser utilizada sempre para a solução de problemas e não a construção de dificuldades maiores.

     No dia de hoje, esta carta aparece para nos lembrar que todos podemos ter manifestar abundância e e poder (número 8), desde que trabalhemos os nossos medos e os impedimentos inconscientes, ou não, que nos travam a realização e o acesso ao êxito material. Essa idéia de superação através de uma vigorosa ação contra o que nos separa da lógica, da justiça e da harmonia é reforçada pelo hexagrama Shih Bo, do I Ching, que representa uma boca com algo obstruindo-a. Mercúrio, favorece a mente consciente, sendo portanto um grande auxiliar em termos de negócios, pois colabora que mantenhamos a clareza mental. A Lua Cheia, que é uma fase excessiva, entrando hoje em Escorpião, nos alerta para o fato de que talvez estejamos muito dependentes dos outros, ou das suas opiniões. É hora de aproveitar para corrigir isso, sem temer ser rejeitado por ter as suas próprias!

     Tenham todos uma excelente quarta-feira, com muita liberdade, alegria, buscando sempre a harmonia interior.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 6 DE PAUS

     6 de paus A moça que faz a limpeza aqui em casa, além de iluminar o ambiente com o seu eterno sorriso de satisfação e do sábio uso de panos, escovas e outras poções perfumadamente clareadoras, chegou em estado de êxtase porque, depois de muito economizar, de trabalhar quase que todos os 7 dias da semana durante todo o ano, finalmente conseguiu pagar pela sua fantasia para o desfile das escolas na Sapucaí. Como ela mudou-se muito recentemente para comunidade na qual desfilará, não fez jus à gratuidade da indumentária, mas isso não a impediu de investir todos os seus esforços para realizar o seu objetivo e conseguir seu prêmio. Se a escola vai ou não ganhar, isso é outra estória, mas se depender de  dedicação, força de vontade, direcionamento de metas, e entusiasmo contagiante, faço-os saber, através deste Blog, que numa de suas alas desfilará uma campeã do carnaval!

     Lembrei-me dela, prolixa, esfuziante, descrevendo em detalhes a roupa que usará no próximo sábado ao tirar, na manha de hoje, o 6 de Paus como a Carta do Dia. É exatamente essa sensação de justo merecimento, de missão cumprida “no capricho”, de fé, coragem, determinação e o resultado positivo de todo um investimento de tempo, esforço, energias que o 6 de Paus simboliza.

     É a sensação daquele momento da quitação da última prestação da Caixa, dando-lhe o direito e a posse do imóvel que lhe custou 30 anos de investimentos mensais. É subir no palco para receber o diploma que lhe abrirá as portas de um mundo novo, com maiores expectativas, mas que lhe roubou horas de sono, de falta de diversão com os amigos, da compra de livros caríssimos. É o receber da correspondência dizendo que o seu projeto para organizar e comprar o material necessário para  aquelas aulas de hatha yoga na comunidade carente próxima à sua casa foi aprovado e que o seu sonho de levar um pouco do seu saber para quem tanto necessita começa a ser realizado. É pesquisar por semanas e meses até encontrar, num anúncio de jornal, alguém que aceite o seu carro na troca por aquele outro modelo que você tanto deseja ter. É o breve instante de iluminação, no meio do dia, que parece congelar por frações de segundo todo o tempo, mas o suficiente para você sentir-se inteiro, conhecedor de si próprio e do que quer para si mesmo. São aqueles momentos em que, ao terminarmos nossas orações, ou após qualquer outra forma de meditação profunda, temos certeza de que estivemos profundamente ligados com um nível superior de consciência, com aquilo ou aquele a quem chamamos de Divino.

     Essa carta, quando aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua localização, das demais cartas que a acompanham e da questão levantada, pode significar ótima saúde, sensação de grande bem estar, boas novas a caminho, resultados positivos e encorajadores depois de um longo tratamento ou uma cirurgia, a compra ou a troca de um veículo, de uma nova sociedade bem sucedida e harmoniosa, de uma união feliz e abençoada, de fama, de resultados positivos e lucrativos de investimentos, de crescimento dentro da estrutura de trabalho, de assumir o cargo de liderança ou chefia dentro de uma empresa. Enfim, ela é garantia de sucesso. Entretanto, e cabe aqui um alerta, isso não é e nem deve ser encarado como garantia de contínuo sucesso, de que agora se pode relaxar de vez, deitando-se sobre os louros da vitória e esquecer que a vida continua. Assim como o sucesso é inspirador e aquelas pessoas que atingem os altos patamares do reconhecimento público assumem caráter de heróis a serem imitados, concomitantemente, num momento de triunfo podem estar surgindo novos desafios a serem enfrentados, tais como inveja ou competitividade, a infidelidade ou as traições, e até mesmo as mórbidas fantasias da perda desse status, o medo de voltar a fracassar. Há um velho dito popular que garante que para se provar domador, há que se amansar um leão por dia. Todos os dias…

     Talvez o grande desafio de qualquer pessoa que é bem sucedida seja o de manter-se nessa situação. Olhe à sua volta e veja quantos “heróis” exemplares tivemos que, no auge de suas conquistas, sofreram quedas homéricas. Quantos artistas que, depois de lutarem muito para conseguir seu lugar ao sol, brilham intensa, mas fugazmente, e desaparecem no total esquecimento? Jogadores de futebol que passam, da noite para o dia, da condição de grandes heróis nacionais, salvadores da pátria, para o ridículo sadicamente exploratório das colunas de fofocas e manchetes dos jornaizinhos de terceira classe…

     De qualquer maneira, é tempo de celebrar mais esta conquista obtida através de muito otimismo, de uma intuitiva autoconfiança, de ações firmes e planejadas e realizadas passo a passo, com paciência e perseverança, de muita fé em si mesmo e na sua união com as ações do Universo. As estórias infantis estão repletas de exemplos que bem exemplificam e resumem a energia prometida pelo 6 de Paus: que o otimismo produz o sucesso que a pessoa espera e que basta acreditarmos verdadeiramente em nós mesmos para encontrarmos a energia que necessitamos para realizar o que desejamos.

     shakti Esta carta está relacionada Júpiter (otimismo, boa sorte) em Leão (teimosia, impulsividade e uma queda para o dramático), e também pode ser associada, no panteão das divindades hindus, a Shakti, vencedora, no comando das situações e sabendo como lidar com todas elas, harmonizada com os elementos e suas energias, autoconfiante, centrada em sua glória e dela irradiando segurança e bem estar.

     Portanto, espero que vocês, no dia de hoje, vibrem tanto quanto a Marinez (acho que havia esquecido de mencionar seu nome) e a sua tão sonhada fantasia. Encontrem razões para acreditarem nos seus sonhos e tomem as necessárias ações para concretizá-los, sem nunca atropelarem, pelo caminho, a ninguém. Em casos assim é sempre melhor cooperar do que competir. E procurem lembrar-se que não há maior força libertadora, melhor remédio para o sofrimento, melhor solução para os problemas do que a alegria e o êxtase que ela provoca.

     Tenham todos um alegre e vitoriosos dia!