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sábado, 3 de abril de 2010

Carta do Dia: O DIABO

     Diabo Grande parte das tradições religiosas e das práticas espirituais se propõe a distrair nosso pensamento dos aspectos mais mundanos da existência e dirigi-los a um patamar mais elevado em termos de consciência social e de espiritualidade. Espera-se que tenhamos fé e que nos conduzamos seguindo uma série de normas pré-estabelecidas que determinam que devemos nos ajudar mutuamente e não ferir, sob qualquer forma, ninguém. O Diabo, Arcano xv do tarot, representa aquele que não segue essas regras.

     Margo Channing é uma das maiores estrelas da Broadway e, apesar de seu inigualável sucesso, ela começa a apresentar sinais de envelhecimento, o que por certo limitará o número e a importância dos papéis que poderá vir a representar. Uma de suas melhores amigas, esposa do autor da peça que ela está protagonizando, apresenta-lhe uma jovem e bela moça, chamada Eve que diz ser a maior fã da atriz e que assiste a todas as apresentações de qualquer peça em que ela atue. Margo sente-se envaidecida com tanta dedicação e adoração, simpatiza-se de imediato com Eve e lhe oferece um emprego como assistente pessoal.

Margo, a grande estrela, é vítima da vaidade e do orgulho. Com a auto-estima naquele momento abalada pelo natural ciclo de envelhecimento e a possível perda do reconhecimento, prestígio e poder que desfruta (orgulho), deixa-se seduzir pelas adulações de uma fã (vaidade).

     Eve começa, então, o seu trabalho em suplantar Margo, planejando tornar-se sua substituta e forçando até a melhor amiga da estrela a sabotar o seu carro obrigando-a a perder a hora de entrar no palco. Eve, maquiavelicamente, convida todos os críticos teatrais da cidade para o espetáculo daquela noite, quando ela, como substituta de Margo, se apresentará. A noite acaba sendo um grande triunfo e ela ainda aproveita seu momento de sucesso para tentar seduzir o namorado de Margo, que a recusa.

     Eve, a “malvada”, a diabólica _ reparem a associação, proposital, do nome (Eva, a causadora da Grande Queda) _ utiliza-se de todo um repertório de recursos amorais ou éticos para obter o que deseja: a fama (novamente a vaidade) e o consequente poder que ela atrai. Maquiavelicamente porque, em sua obsessão, os fins justificam qualquer forma de ação ou elemento a ser empregado. Consequências não são levadas em consideração desde que as recompensas egoístas sejam obtidas.

     Ameaçando revelar a participação da esposa de um famoso escritor no esquema de sabotagem do carro da estrela, ela assegura para si o papel que havia sido originalmente escrito para Margo em uma nova produção. Para conseguir seu intento de galgar rapidamente a carreira e tornar-se a grande estrela que deseja, ela seduz, inclusive, um dos mais importantes críticos teatrais e grande amigo de Margo.

     Chantagem, suborno, corrupção, malícia, sedução, traição, infidelidade, desonestidade, troca de favores ilícitos, luxúria, amoralidade, luta pelo poder, são as armas que Eve usa para conseguir o seu intento, não se importando com quem possa prejudicar.

     Pouco antes da estréia de sua nova peça, Eve conta ao seu amante, o respeitado crítico teatral, que o seu próximo passo será casar-se com o teatrólogo, cuja esposa ajudou-a no plano de sabotar o carro de Margo. O crítico toma então consciência que ele foi apenas usado por ela e ameaça-a de destruir sua reputação e carreira, contando tudo o que sabe sobre as mentiras e golpes do seu passado, a não ser que ela permaneça sendo sua amante, esquecendo essa estória de casamento.

     A ambição desmedida, que bem podemos entender como ganância, e a obsessão em obter o que deseja, torna Eva escrava de seu próprio plano, vedando-lhe qualquer consciência moral ou ética, afastando-a da realidade, limitando-a a um único objetivo, estando incapacitada para avaliar o quanto dela mesma está sendo perdido nesse processo. Para viver o seu plano materialista, acaba escravizada ao medo de ter seus segredos e seus esquemas expostos, manipulada pelo ciúme e pelos desejos dos outros.

    Eve transforma-se, finalmente, na maior estrela da Broadway e ganha um importante prêmio por sua atuação na nova peça. Ao voltar para casa ela encontra uma jovem e deslumbrada fã que havia, usando de alguns artifícios, entrar em seu apartamento. Essa jovem, chamada Phoebe além de declarar sua mais profunda adoração pela estrela, ajuda-a a despir-se para dormir e oferece-se para servir-lhe como assistente. O crítico e amante chega ao apartamento trazendo o prêmio que Eve havia esquecido. Phoebe apresenta-se e, sem perder tempo, sutilmente insinua-se para o amante de sua nova patroa. Depois que ele vai para o quarto de Eve, Phoebe experimenta a roupa de gala da estrela e segurando o ambicionado prêmio, vê-se refletida no espelho, agradecendo aos aplausos de um público imaginário.

     A compensação por atingir de maneira invejosa, deplorável e criminosa, dentro de um esquema de normas sociais vigentes, o sucesso pretendido, vem na forma de retribuição: ela será vítima da dos mesmos estratagemas, da mesma falta de pudor, limite e caráter que se utilizou para realizar-se. A sua Torre de marfim está prestes a cair, com a chegada de um novo elemento (Phoebe) que, ao começar ensaiar seus primeiros passos na trilha já percorrida por Eve, irá, provavelmente construir o seu próprio pódio às custas dos destroços da estrutura erigida por Eve em solo condenado pela megalomania, desonestidade e ilusão.

     Quando o Arcano XV aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre do lugar que ocupa na jogada e nas demais cartas que o acompanham, além, é claro, da questão proposta pelo consulente, pode significar, uma situação opressiva ou um mau relacionamento. O Diabo pode significar que o consulente está experimentando algo excitante, ainda que potencialmente perigoso, ou, no mínimo, proibido. Na maioria das vezes, a saída dessa carta não significa nada de tão drástico, mas pode referir-se a algum tipo de tentação. Se pensarmos em termos de sensualidade, a aparição do Diabo representa a possibilidade da pessoa estar numa fase em que necessita de intensa gratificação física. Ou então que se está confundindo desejo sexual com amor. O Diabo pode também simbolizar um precipitado, infantil e inconsequente “jogar-se de cabeça” em situações que podem parecer altamente atraentes e sedutoras, mas que no fundo escondem grandes perigos. Simboliza, também, estarmos escravizados pelos nossos medos, ou das nossas convicções, sem abertura para um raciocínio lógico e claro. Representa, também, o aprisionamento dos vícios, de hábitos que não são absolutamente saudáveis. É também indicativo de não querer enxergar a realidade deixando-se levar pela ilusão. A ambição desmedida e o apego ao dinheiro e a tudo o que se refere com bens materiais e ao poder temporal, é um sintoma da ação negativa do Diabo. Estar vivendo uma mentira ou deixar-se escravizar ou manipular por outro também são situações simbolizadas pelo Arcano XV.

      Mas essa carta, como todas as demais, também possui um lado que equilibra os seus aspectos mais comuns. No caso do Diabo, quando aparece bem aspectado numa leitura de tarot, pode estar sugerindo ao consulente que é chegado o momento dele encarar de frente o seu lado “sombra”, os aspectos sombrios da sua personalidade. A libertação só acontece através do auto-conhecimento. É o momento de romper-se com as algemas da escravidão, inclusive aquela auto-imposta. Tempo de dar as costas à ilusão e permitir a enfrentar a realidade e sua verdade. O consulente está amadurecido o suficiente para não se deixar abater ou ter a sua auto-estima diminuída com frases do tipo: “Prefiro chorar num Rolls-Royce a ser feliz num Fusquinha”, ou “Ela é tal e qual a mãe!”, ou ainda “As mulheres são todas iguais”, além daquela famosa: “Nem adianta tentar. Eu sei que você não vai conseguir”. É tempo de aceitar as próprias limitações e não ser submisso às opiniões alheias. Significa, também, fertilidade e criatividade. Pode estar prenunciando a chegada de um tempo de grande conforto material, com dinheiro fluindo de forma fácil e rápida.

     O Diabo é o rei das ilusões. Todos os desejos são por ele concedidos, mas nenhum satisfaz completamente. Nossas ligações com o nosso lado sombra também são, de uma certa forma, ilusórios, pois sendo capazes de gerir o nosso livre arbítrio (15 = 1 + 5 = 6, os Amantes), podemos nos perdoar e mover em direção à luz da razão, do raciocínio lógico aplicado aos nossos interesses e à nossa evolução espiritual (15 = 10 + 5 = a Roda da Fortuna + o Hierofante = a possibilidade de mudarmos as situações para nos religarmos ao nosso Eu Superior). O Diabo representa limites e um preço muito alto a ser pago.

     Saturno, o planeta regente deste Sábado, ajuda a manter a nossa impetuosidade natural sob controle, impõe a necessária disciplina para que possamos reconstruir nossas bases de maneira sólida e com mais sabedoria. A Lua Cheia em Sagitário nos estimula a reconquistarmos a liberdade que pode ter sido comprometida na criação de situações negativas, e a nos afastarmos de pessoas a quem estivemos presos em relacionamentos pouco compensadores. A energia positiva do Diabo, aproveitada nos seus aspectos de criatividade, energia, rapidez, auto-confiança e carisma podem nos garantir o início de novos e férteis projetos. Invista nessa energia!

     A todos, um ótimo sábado, pleno de possibilidades criativas!

    Observação:

      O exemplo (em azul) acima nada mais é do que o resumo de “A Malvada”, famoso filme dos anos 50 chamou-se, até que apropriadamente, aqui no Brasil. Com um elenco estelar liderado por Bette Davis, foi e ainda é sucesso pelo seu enredo e pelos diálogos brilhantemente escritos. O que poucos sabem é que não é pura ficção. Aproximadamente 10 anos antes do roteiro ser filmado o autor ouviu essa estória de uma famosa atriz austríaca Elizabeth Bergner, chamada de “ a Garbo dos palcos”, que viveu, na pele, os tormentos da protagonista.

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carta do Dia: 8 de Espadas

    

Elemento Ar   (quente, úmido)
Temperamento Colérico
Cabala Hod (mente concreta) em Yetzirah (formação)
I Ching Shih Bo   image
Numerologia 8:  abundância e poder
Planeta Júpiter (expansão) em Gêmeos (dualidade)
Título Esotérico Senhor da Força Diminuída
Lua Cheia,  em Escorpião
Dia da Semana quarta-feira,  regente Mercúrio
Zodíaco Peixes,  regente Netuno
Ano 2010 (=3),  regente Vênus

    8-of-swords Sou fã dos filmes do David Cronemberg. Quando, há alguns anos,  assisti ao seu psicodrama “Spider”, saí da sessão com a impressão de dejá vu. Sabia que tinha visto, de alguma forma, aquelas imagens, ou aquela estória, em algum outro lugar. Claro que sim! Elas estão todas condensadas na carta do 8 de Espadas.

     No filme, um homem recém saído de uma instituição mental onde viveu desde a infância, pára, por conta própria de tomar a sua medicação e volta, assim, a reviver as lembranças de um terrível passado. A frase que define o enredo é a seguinte: “A pior coisa que pode haver além de perder a sua mente (enlouquecer) é voltar a encontrá-la.”

     Nosso cérebro é onde processamos a realidade que vivemos, as sensações que temos, as emoções que experimentamos. Nossa mente trabalha continuamente colhendo, analisando, classificando informações de todos os tipos, vindas de todos os lugares, absorvidas pelos nossos sentidos. É um verdadeiro super-computador e, como tal, também pode “travar”. Assim como alguns programas são “pesados” demais para determinadas máquinas, algumas estruturas mentais que criamos são muito difíceis de serem assimiladas ou vividas e acabam por se transformarem num “vírus”, num “cavalo de tróia” que se instala e dificulta a execução de todos os outros processos mentais.

     Como qualquer outro vírus instalado num computador, esse também modifica a estrutura do nosso processador mental, alterando-lhe a capacidade de reconhecer a realidade, de exercer plenamente suas funções. Acabamos, vítimas de seus efeitos, tecendo, pensamento a pensamento, um véu que nos encobre, nublando nosso raciocínio lógico e a nossa capacidade de nos perceber e perceber, também o nosso ambiente, colorindo nossa existência com outros tons, muitas vezes mais sombrios.

     Ficamos prisioneiros de uma idéia. Temos delírios de uma falsa realidade. Ficamos obcecados com uma única maneira de encarar os fatos; perdemos o controle nossos pensamentos, que acabam servindo unicamente aos nefandos propósitos desse “virus”: nos atormentar, nos aprisionar em seus invisíveis e possantes fios. Ficamos, literalmente, imobilizados, com os “pés e mãos atados”, como dizemos popularmente. Além disso, um verdadeiro muro ergue-se rapidamente, impedindo que enxerguemos nada além que suas frias e soturnas paredes. Estamos ilhados, isolados, perdidos, presos dentro da pior das prisões que existe: nós mesmos.

     Quando um 8 de Espadas aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua localização no jogo e das outras cartas à sua volta, ele pode estar sugerindo que reavaliemos nossas verdades, nossos conceitos e pré-conceitos; pode estar a nos indicar que nos tornamos dependentes da opinião alheia, inábeis de tomarmos nossas próprias decisões, preferindo ser conduzidos a nos conduzir. Pode, eventualmente, indicar um estado de doença que demanda repouso, quietude, isolamento. Em muitos casos, pode ser interpretado como arrogante teimosia, quando não queremos alterar nossa maneira de pensar ou agir, mesmo que ela não sejam racionalmente corretas. Pessoas que se deixam dominar pelo ciúme, ou se deixam fazer prisioneiras dos ciúmes de alguém, também são representadas pelo 8 de Espadas. A censura que infligimos ou sofremos, estão simbolizadas por essa carta.

     Enfim, o 8 de Espadas, numa leitura, é um sinal vermelho de que alguma coisa dentro de nós está querendo “travar”. É hora, então, de passar um “anti-virus”, ou seja, refletir com calma, analisando cada aspecto isolado da situação e, depois, todo o conjunto de fatos. Ser claro e verdadeiro consigo mesmo. Não se deixar tapear, iludir, por si próprio. Tirar a venda dos olhos e encarar a realidade à luz da razão. Como no arcano VIII, a Justiça, usar de frieza e lógicas absolutas para avaliar os fatos, sem cair na armadilha de ser tendencioso, esconder provas ou não querer ouvir testemunhas (opiniões de especialistas ou pessoas de confiança). Enfrentar os fatos pode ser muito doloroso, mas sempre será menos do que viver com medo, angustiado, escondendo-se do mundo ou de nós mesmos. A mente deveria ser utilizada sempre para a solução de problemas e não a construção de dificuldades maiores.

     No dia de hoje, esta carta aparece para nos lembrar que todos podemos ter manifestar abundância e e poder (número 8), desde que trabalhemos os nossos medos e os impedimentos inconscientes, ou não, que nos travam a realização e o acesso ao êxito material. Essa idéia de superação através de uma vigorosa ação contra o que nos separa da lógica, da justiça e da harmonia é reforçada pelo hexagrama Shih Bo, do I Ching, que representa uma boca com algo obstruindo-a. Mercúrio, favorece a mente consciente, sendo portanto um grande auxiliar em termos de negócios, pois colabora que mantenhamos a clareza mental. A Lua Cheia, que é uma fase excessiva, entrando hoje em Escorpião, nos alerta para o fato de que talvez estejamos muito dependentes dos outros, ou das suas opiniões. É hora de aproveitar para corrigir isso, sem temer ser rejeitado por ter as suas próprias!

     Tenham todos uma excelente quarta-feira, com muita liberdade, alegria, buscando sempre a harmonia interior.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 8 DE ESPADAS

    db_NS-8 de espadas Às vezes nossa vida parece ser uma extensão local de Guantánamo. Tudo complicado demais, enorme demais, pesado demais. Arrasador demais. Vivemos um desespero semelhante àquele dos pesadelos, quando queremos correr do perigo e parece que nossos pés estão grudados ao chão. Nessas ocasiões estamos vivendo aquilo que no tarot chamamos de um 8 de Espadas.

     Há determinadas ocasiões em que precisamos tomar importantes decisões que irão ter um impacto muito grande em nosso futuro. Pode ser ter-se que decidir por qual carreira seguir, por qual profissão optar. Seja autorizar a cirurgia de um parente nosso que pode não resistir à mesma. Às vezes vem na forma de uma gravidez que surge no momento errado, quando estamos com outros planos de vida, quando estamos construindo uma carreira que pode exigir mudanças, viagens, etc. Pode ser, também, que venha como o assinar ou não uma escritura de venda de um imóvel que pode representar nossa única segurança patrimonial no futuro. Enfim, são situações que podem surgir do nada ou então serem construídas lentamente, por nós mesmos, através do tempo e que, num determinado momento, eclodem exigindo uma solução. E rápida!

     A imagem que primeiro me ocorre sempre que o 8 de Espadas surge numa leitura de tarot é a de uma teia de aranha: fina, delicada, quase invisível, mas muito bem fixada, bem trançada, muito aderente, na qual a vítima se prende por si própria e, quanto mais se debate na busca de uma possível fuga, mais enrodilhada, mais presa fica. Assim somos nós, vítimas das nossas próprias construções mentais, prisioneiros de uma verdadeira tessitura de detalhes, de opções, de experiências bem ou mal aprendidas, de tantas opiniões alheias, de medos implausíveis, de sentimentos mal resolvidos que qualquer chance de libertação parece-nos tão impossível ou desesperadora quanto o próprio mal que nos aflige.

     Quando temos que optar, a idéia de fazermos a escolha errada nos apavora a tal ponto que, muitas vezes, perdemos o foco principal e ficamos derivando entre detalhes de menor importância, engessados em preconceitos, em pensamentos negativos, em auto-piedade, dando ouvidos a qualquer coisa que nos digam a tal ponto que isso pode acabar mal e todas aquelas fantasias mórbidas que tivemos acabam se realizando. Parece que nos recusamos a pensar. Nosso cérebro parece não corresponder à nossa necessidade de sermos lógicos, claros, criativos e encontrarmos em nós mesmos as melhores saídas para os problemas que se apresentam. Sim, em nós mesmos, já que cada um de nós constrói o seu próprio labirinto é de se esperar que então saibamos onde se encontra a saída do mesmo.

     As espadas, que poderiam representar, neste caso, opções de libertação, de ruptura, de corte de situações, de armas de fuga, estão, ao invés, nos cercando, nos isolando, nos impedindo de prosseguir e de nos desvencilharmos das nossas barreiras e amarras. Essas espadas representam pensamentos não conclusivos, idéias esparsas, fantasias pessimistas, medos, angústias e ansiedades que envolvem num manto de obscuridade cada escolha que precisamos fazer. Confusão acaba gerando mais confusão à medida que acabamos tendo idéias estapafúrdias a fim de nos livrarmos dos problema, nublando ainda mais as nossas perspectivas.  Isso acaba fazendo que, muitas vezes, nos fechemos em nós mesmos e nos retiremos. E, essa retirada pode ser fisicamente mesmo, pois quantas histórias conhecemos de pessoas que acabaram fugindo, desaparecendo, mudando-se de cidade, de país e até de identidade, apenas para não ter que enfrentar situações que demandavam decisões transformadoras?

     Nesses momentos, em que nos sentidos com os pés e as mão atadas, vendados e cercados de perigos iminentes, o melhor a fazer é dar um tempo. Parece impossível, não é mesmo? Difícil parar, relaxar, deixar a mente clarear, respirar fundo, dar uma trégua no campo de batalha da sua mente e descansar. É difícil, sim. Complicado. Mas fundamental. Tudo o que precisamos neste momento já encontra dentro de nós. Não adianta esperar, com os ouvidos externos atentos,  escutar o som da corneta e do tropel da cavalaria que, no último momento vem nos salvar. Esse grupo de resgate vem de dentro de nós. Do mesmo local onde os pensamentos confusos, as idéias assustadoras e nebulosas tomaram formas assustadoras. É do nosso interior, agindo através da nossa intuição, do nosso bom senso, da lógica e da razão tão cortante quanto as espadas retratadas na carta, que virá nossa salvação, nossa redenção.

     É nesse momento que percebemos que os ventos da mudança já começaram soprar, desviando as negras nuvens e deixando a luminosidade do sol brilhar novamente. Tudo fica claro, nítido, evidente, permitindo que foquemos a nossa atenção e  analisemos de forma honesta e imparcial as nossas reais opções. É chegada a hora de parar de pensar em termos de limitações para pensarmos em termos de possibilidades. Lembre-se que a aranha tem 8 patas e caminha lépida sobre a mesma teia que aprisiona suas vítimas, porque ela mesma a construiu e, portanto, sabe onde pisar, qual caminho fazer.

     As importantes decisões que você tenha que tomar, no dia de hoje, viva-as de maneira tranquila, aberta a soluções que possam parecer, à primeira vista, descartáveis, mas que podem ser exatamente aquilo que você precisa aprender a respeito de como solucionar seu problema. Distraia-se. Mude o foco. Passeie. Cante. Vá ao cinema. Distraia sua mente para que ela possa descansar da sobrecarga que você está lhe impondo. E depois, mais leve, com mais jogo de cintura, volte a elaborar um plano concreto de ação, lembrando-se que paciência e persistência derrotam qualquer obstáculo, sobrepujam qualquer situação.

     Tenha um excelente dia!