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domingo, 21 de setembro de 2014

Quando o medo insiste em nos dominar

 
 
Leia no site www.50emais.com.br meu comentário sobre o 9 de Espadas.
 

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Carta do Dia: 2 DE PAUS

Título Senhor do Domínio
Elemento Fogo
Arcanjo Ratzkiel
Nome Divino  Yahveh
Mundo Cabalístico Atziluth (mundo da emanação)
Sephirah Chokmah (Sabedoria)
Correspondência Astrológica Marte em Áries
Pedra Turquesa

  Wands02 (2)    Nosso amigo, dono de uma grande cadeia de churrascarias espalhadas em diversas capitais e em algumas grandes cidades brasileiras, recebeu um convite quase que irrecusável: o de expandir seu bem sucedido negócio além fronteiras, com um investimento de capital estrangeiro, na forma de sócios, e a abertura de filiais em diversos estados norte-americanos.

     “É a culminação de uma vida inteiramente devotada ao trabalho e aos mais altos critérios de qualidade de serviços”, lê-se, impresso, numa dessas revistas dedicadas à área financeira e dos negócios. Com certeza o jornalista estava correto em sua afirmação. Esse nosso amigo trabalhou a vida toda na construção desse império gastronômico, tendo começado, ainda muito jovem, a aprender as artes do ofício com seu pai, que tinha uma pequena churrascaria de beira de estrada no Sul do país.

     Agora, reconhecido nacionalmente como um grande empresário do setor, com uma numerosa família, recebe esse selo de aprovação internacional. De deixar qualquer um extremamente orgulhos, envaidecido mesmo, e causando inveja a muita gente, não é mesmo? Entretanto, não foi exatamente o que aconteceu com esse nosso amigo.

     Sua expressão sempre radiante, entusiasta, de alguém que retira sua própria energia dos labores do trabalho, tornou-se sombreada, como se um véu de preocupações insistisse em cobrir-lhe o eterno sorriso. Aos mais íntimos, em sua honesta simplicidade, confessava: “Será que eu devo? Será que não vai ser um passo largo demais para as minhas pernas? E, sócios?… puxa, nunca os tive! Logo agora, que tudo está pronto, evoluindo a contento… Pra que é que eu vou querer arranjar uma dor de cabeça?”

     Indiscutivelmente ele vivia um momento de 2 de Paus. Um momento de dúvidas que requer uma grande análise e reavaliação do caminho percorrido para ter-se uma idéia de como será o processo evolutivo. Existe, embutida nesta carta, um paradigma pelo fato que, por um cuidadoso planejamento e organização, foi alcançado um ponto onde confronta-se a sensação de plenitude fornecida pelo sucesso da ação (Paus = Fogo) e a sensação oposta,  de vazio, a desmotivação depois de atingida a meta. O 2 de Paus espelha as nossas vidas, pois vivendo-as ativamente conquistamos tudo o que desejamos mas… será que isso nos faz felizes? Acabam, por vezes, surgindo sentimentos ambíguos sobre o conteúdo das nossas vidas e que precisam serem resolvidos.

     Trabalhar e investir, por muitos anos, na tentativa de atingir um patamar muito alto, aquilo que muitas vezes chamamos de o “ápice da carreira” pode nos roubar a motivação quando o alcançamos. “Continuar daqui para onde mais?”. E é aqui, nesse ponto, que verificamos se fizemos realmente o “dever de casa”, isto é, se nossa evolução material, se a paixão que lhe dedicamos  foi idêntica à investida no âmbito espiritual. Estamos preparados, equilibrados, harmonizados para a colheita dos frutos? Estamos prontos para continuarmos em nosso caminhar? Consideramo-nos satisfeitos com o que temos e recompensados pelo nosso investimento?

     Esse fato é bastante comum quando os filhos crescem e saem de casa para construírem suas próprias vidas. Os anos de investimento para que eles crescessem preparados para o mundo, aptos a enfrentarem seus desafios e habilidosos o suficiente para evitarem maiores percalços; prontos para contribuírem com os seus semelhantes e com a preservação do planeta. Imbuídos de sólidos princípios éticos e morais, e no entanto, sem lhes roubar a individualidade, toda a formação que lhes foi dada será suficiente para que eles caminhem com suas próprias pernas? E, qual será agora a evolução do nosso papel, como pais?

     O 2 de Paus representa alguém que não confia tanto na sua intuição quanto ele pensa que o faz. Costuma ser uma pessoa que está acostumada a estar no comando, controlando a tudo e a todos e nunca se arriscaria a deixar alguma coisa à mercê da sorte. É alguém que não deposita a fé na sua intuição da forma  que ele gostaria de acreditar que tem. Para que a nossa intuição nos preste um serviço é necessário que a acatemos, ao invés de tentar governá-la.

     Essa carta, como todos as cartas de número 2, encontra-se na esfera (sephirath) de Chochmah no reino de Atziluth (o Mundo do Puro Espírito), e enquadra-se dentro da idéia de balanço, de equilíbrio. O significado de Chochmah é “sabedoria” e se refere a relacionamentos. Os 2, em seu melhor aspecto, refletem a sabedoria de estabelecer-se uma relação equilibrada entre as nossas naturezas espirituais e terrenas. Já nos acostumamos e tomamos como clichê a imagem do poderoso executivo, industrial ou banqueiro, cuja vida é um imenso vazio, o tão propalado “vazio existencial”. Da mesma forma, aquelas pessoas que pensam que, se forem espiritualmente corretos ou devotados o Universo irá prover-lhes de tudo, também estão em desiquilíbrio. Certamente o Universo irá prover, mas de que? O que o Universo pode lhes oferecer pode não ser o que eles querem. Vê-se nas ruas das cidades exemplos inúmeros de sonhos partidos e corpos sofridos, não obstante as elevadas intenções espirituais. Saber equilibrar é uma arte que promete grandes recompensas.

     Numa leitura de tarot, dependendo das cartas que a acompanham, da sua posição na jogada e da questão proposta pelo Consultante, o 2 de Paus pode simbolizar sucesso no plano mundano. Riquezas amealhadas com grande esforço. Projetos que se desenvolveram devido a uma vontade férrea. A sensação de orgulho pela posse. Uma personalidade dominadora (podendo ser, inclusive, o próprio }Consultante) que gosta de apreciar e de ter apreciado aquilo que conquistou. Ter alcançado seus objetivos através de coragem e perseverança. Pode também simbolizar parcerias e sociedades, além de comprometimentos; ter autoridade, poder de comando, chefia, controle e domínio; pontos de vistas diferente, debates.

     Mal posicionada essa carta nos remete à sinalizar a alguém que está insatisfeito, com medo de se arriscar ou de prosseguir. Pode significar também uma má parceria ou sociedade. Discussões e incapacidade de alargar a visão ou de reconhecer e acatar a opinião alheia também devem ser consideradas. Creio que o pior aspecto é aquele que nos remete à idéia de perder a fé em sua capacidade. O tédio que advém às conquistas. Há também um aspecto negativo que encontramos naquelas pessoas que continuam a agir de maneira bastante orgulhosa mesmo quando, por simples perda de autoconfiança, não conseguem terminar o que começaram. Problemas causados pela perda de confiança que os outros depositam em nós, em nossa capacidade, em nosso trabalho, também podem ser anunciados por esta carta, quando lida como “obstáculo”. Desistência, tristeza e depressão completam o quadro.

     Aproveite, nesta sexta-feira, dia regido pela gratificante Vênus, com a expansividade da Lua Nova em Touro, para meditar sobre o quão satisfeito com o que conseguiu até agora e como pretende evoluir. Considere se está utilizando plenamente a sua capacidade de liderança e a razão associada à sua intuição na condução de seus negócios, independente do tamanho dele, lembrando-se sempre que todos os nossos esforços e aquilo que adquirimos através deles só tem função se nos libertarem. Esse domínio, essa capacidade de liderança, é uma soberania, um estado de plenitude, de harmonia com o Divino (substitua pelo nome que melhor corresponda à sua descrição do que chamamos Deus) conquistada e administrada sem exércitos e nem munição.

     Sempre acreditando na sua intuição, tenham todos uma excelente sexta-feira!

Ilustração: TAROT DE DALI

quinta-feira, 4 de março de 2010

Carta do Dia: 9 DE ESPADAS

   Nine-of-Swords   Janeiro passado, um casal de primos meus mandaram seus filhos para um acampamento de férias promovido pela escola que frequentam. Passaram semanas checando as condições do local, em termos de segurança, higiene e conforto; conversaram com diversos outros pais cujos filhos lá estiveram anteriormente; falaram com professores e conselheiros da própria escola e, finalmente, despacharam a garotada para duas semanas no tal acampamento.

     Foram, na verdade, duas semanas de noites insones, com os dois acordados, preocupadíssimos, sentindo as piores intuições sobre o que poderia vir a acontecer às crianças “naquele fim de mundo!”, como não paravam de repetir. Trocaram acusações, se auto-flagelaram ao máximo, sentindo-se culpados por tudo o quanto os jovem pudessem vir a sofre, pelas profundas marcas que aquelas duas semanas causariam em suas vidas como adultos.

     As crianças voltaram felizes, alegres, cheias de aventuras para contar. Meus primos estavam em frangalhos. Arrasados, dormindo algumas horas à base de poderosos calmantes, cansados de discutirem e se acusarem reciprocamente.

     O marido de uma grande amiga desde os tempos de faculdade é piloto de avião comercial. Passa a maior parte do tempo fazendo as linhas internacionais de uma companhia aérea brasileira. Desde o 11 de Setembro, quando houve aquele “ataque aéreo”, como ela costuma descrever os ataques terroristas às torres gêmeas em Nova Iorque, ela não encontrou mais paz. Não consegue dormir, não relaxa em lugar algum, largou o curso de línguas que fazia devido à ansiedade que não a deixa ficar parada num único lugar por mais de 15 minutos e quintuplicou a conta de telefone, checando o marido onde quer que ele esteja.

     O marido sente-se infeliz por ser o causador de tamanho estresse na mulher que ama. Entretanto, seria uma atitude inconsequente, neste momento da sua carreira e dos compromissos de vida de ambos, que ele largasse a aviação comercial. A mulher chora, ora e vigia os telejornais aguardando por notícias de catástrofes. Dia e noite.

     Todas essas pessoas viveram, ou vivem, à sua maneira, seus mais terríveis pesadelos convivendo com a idéia de perda, de sofrimento, abandono, culpa, sofrimento e dor o tempo todo.

     O 9 de Espadas é uma carta que simboliza, entre outras coisas, a angustiante e opressora sensação de que algo terrível está por acontecer e essa idéia fixa acaba sendo alimentada pela própria mente que a cria. Perde-se a noção da realidade, da plausibilidade, da dimensão exata do problema ou da situação. Tudo cresce a tal ponto que ocupa praticamente toda a mente, garantindo que se instale a confusão, as contradições, o desentendimento, a falta de direcionamento e a recusa em ver os fatos como realmente são. A pessoa, com medo de enfrentar seus terrores face a face, procurando clareá-los à luz da razão e da lógica, torna-se vítima de sua própria mente predadora.

     Essa carta tem uma conexão muito grande com a idéia de ciclos que se repetem, voltando sempre à idéia original. Basta que peguemos o seu número, 9 (nove) e o multipliquemos por qualquer outro número (experimente!), reduzindo-o em seguida à unidade. Voltaremos, sempre, a obter o 9 original!

     7 x 9 = 63 (6=3=9) = 9

     81 x 9 = 729 (7+2+9=18  1+8=9) = 9

     258 x 9 = 2322 (2+3+2+2=9) = 9

     Interessante, não é mesmo? Esse ciclo energético em conjunto com as chaves simbólicas do naipe de Espadas, jogam uma luz sobre como vivenciamos a natureza repetitiva e cíclica dos nossos mais profundos pensamentos. E por falar em “jogar uma luz” esse também é o número da carta do Eremita, o Arcano que simboliza uma busca interior, um estado de isolamento em busca do auto-conhecimento, de procurar em si mesmo as respostas, da necessidade de saber a verdade a todo o custo. O 9 de Espadas é uma verdadeira distorção da simbologia desse Arcano Maior, na sua ânsia de esconder-se da luz clara da razão e permitir que apenas um torvelinho de imagens, conjecturas, suposições e análises distorcidas sobreponham-se à realidade.

     Portanto, quando essa carta surge numa tiragem de tarot, dependendo sempre da sua posição e das demais cartas que a acompanham, além da questão que gerou a consulta, pode, também significar isolar-se com os seus problemas; desiludir-se; não ser flexível na maneira de pensar e agir; preocupações exageradas; sentir-se vulnerável; arrepender-se de algo feito ou dito no passado; discussões com a mãe ou a sogra; insônia; possibilidade de aborto; sofrimento; sofrimento. O aparecimento dessa carta quase sempre é um aviso para estarmos atentos ao fato que as preocupações demasiadas com as pessoas amadas e os sofrimentos da alma são comuns quando o Ego-Mente se investe de tanto controle e dominação que não leva em conta o fator humano. É a carta que nos recorda que é necessário acordarmos desse pesadelo e tratá-lo como tratamos os pernilongos que possam incomodar o nosso sono:

  • Localize-os e encare-os,
  • Elimine-os de seu sistema e de seu ambiente,
  • Previna-se de outro surto substituindo esses pensamentos ou crenças por outros muito mais límpidos e elevados.

     Aproveitem a claridade do dia de hoje para se deixarem iluminar pelo sol e fazer uma verdadeira limpeza mental. Todo mundo, inclusive você, tem o direito à felicidade. Construí-la é um trabalho individual. Comece-o agora.

Bom dia!