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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Com saúde não se brinca!

     O tarot é um excelente instrumento para refletirmos a respeito daquilo que nos acontece no dia a dia. Seja uma simples e corriqueira discussão que possamos ter tido com um colega de trabalho, ou a emoção que sentimos ao assistir a um jogo, o comportamento frio e impessoal que nos percebemos tendo diante de determinadas situações de escolha, o apostar numa combinação numérica pelo simples fato de termos sonhado com aqueles números e eles estarem nos “perseguindo”, e tudo o mais.

     Uma leitura de tarot que aborda o tema Saúde deve ser encarada como a busca de uma explicação, num nível mais espiritual, que o Consultante necessita para justificar fatos, vencer o medo e a depressão, recobrar sua coragem, e assumir a sua fé. Nunca, em nenhum sentido ou por nenhuma razão, ela substituirá o parecer de um médico, ou de outro profissional habilitado e credenciado da área da saúde. Entendam, por favor, o texto abaixo como um comentário oracular, baseado exclusivamente na interpretação das cartas durante uma leitura para uma Consultante.

     Vamos à leitura:

     Consulente: mulher, 40 anos, às vésperas de uma cirurgia para a retirada de um tumor na mama.

     Pergunta: “Quais as chances da operação ser bem sucedida e de eu não vir a sofrer graves consequências futuras?”

 

 

     Jogada com 6 cartas, representando os seguintes desdobramentos da pergunta feita pela Consultante:

  1. Situação Presente (o estado atual da Consultante, de uma maneira holística)
  2. Futuro Próximo (do momento da leitura feita para a Consultante até aprox. 6 meses)
  3. Influências Ocultas (o que atua, mas a Consultante não tem consciência, ou desconhece)
  4. O que é preciso saber (o que a Consultante deve estar alerta a respeito da sua saúde)
  5. O conselho do tarot (o que as 6 cartas aleatoriamente escolhidas pela Consultante lhe aconselham a fazer)
  6. Perspectivas futuras (o que poderá acontecer a partir de aprox. 6 meses da data da leitura feita para a Consultante)

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image Posição 1: SITUAÇÃO PRESENTE 

 • O JULGAMENTO

     Essa carta é um alerta, um aviso para que estejamos atentos a algo importante e transformador e, em termos de saúde, simboliza, quase sempre, o prenúncio de um tratamento bem sucedido.

     A consciência e responsabilidade da Consultante em realizar exames periódicos foi imprescindível para que o tumor fosse diagnosticado em sua fase inicial, o que é um excelente prognóstico de bons resultados, desde que ela cumpra, responsavelmente, todas as etapas do tratamento.

 

image Posição 2: FUTURO PRÓXIMO

• SETE DE OUROS

      A Consultante estará vivendo um período de constantes avaliações e no aguardo de resultados.

     Como todo tratamento, há que se ter a necessária paciência para que ele surta os efeitos pretendidos e apresente os resultados desejados.

     A doença leva um tempo para se instalar e ser corretamente diagnosticada. Portanto, é natural que há que se aguardar o tempo necessário

 

image Posição 3: INFLUÊNCIAS OCULTAS 

• DOIS DE ESPADAS

      Ainda que a mente tente fantasiar e dificultar o raciocínio lógico, temerosa que está das circunstâncias presentes, é de vital importância encarar os fatos realisticamente, sem buscar subterfúgios.

     A Consultante já demonstrou ser uma pessoa consciente da necessidade de realizar exames apropriados, de forma sistemática. No caso presente, este foi o seu grande trunfo para enfrentar, e, possivelmente, vencer a batalha presente.

 

image Posição 4: O QUE É PRECISO SABER 

 • CAVALEIRO DE ESPADAS

     Este é um momento de tomada de decisões. A Consultante não deve esquivar-se do processo de seu tratamento, ainda que ele possa vir a ser drástico ou doloroso.

     Sem desconectar-se das suas emoções, deve evitar o sentimentalismo que acaba por provocar indecisões.

     Ter conhecimento do problema, confiança nos profissionais escolhidos e respeitar o tratamento, sem auto-piedade, são condições de cura e restabelecimento.

 

image Posição 5: PERSPECTIVAS FUTURAS 

 • ÁS DE OUROS 

     Essa carta é um aceno de uma grande energia material.

     Pode simbolizar, no caso presente, a cura da doença e o completo restabelecimento da Consultante.

     Pode indicar, também, o surgimento de novos tratamentos, técnicas, intervenções e remédios que atuarão de maneira positiva, através da indicação e acompanhamento médico, favorecendo a saúde da Consultante.

 

image Posição 6: CONSELHO DO TAROT    

• ÁS DE PAUS

     Ter Fé.

     Esse é, basicamente, na situação da leitura, a recomendação do Tarot.

     Acreditar na competência de todos os profissionais da área médica envolvidos em seu tratamento, bem como na eficácia das técnicas, intervenções, medicamentos, e na certeza de que a doença pode ser interpretada, por nós, como um momento de reflexão e de crescimento ou renascimento espiritual, deveria ser a atitude mental, emocional e espiritual da Consultante.

     Podemos, encerrar essa leitura fazendo uma redução teosófica das cartas aleatoriamente escolhidas pela Consultante, levando-se em consideração que na soma o Cavaleiro tem valor de 12. Chegamos então ao seguinte resultado (20+7+2+12+1+1) 7, ou seja, o Carro, Arcano Maior de número VII. Essa carta, que simboliza, antes de mais nada, movimento, é bastante positiva e um bom presságio de que não só a cirurgia será bem sucedida, como todo o tratamento será conduzido bem, em suas sucessivas etapas. A Consulente deve manter a confiança no restabelecimento da sua saúde e encarar o futuro de maneira bastante promissora e amorosa.

     Ainda que uma leitura oracular sobre Saúde, realizada com o auxílio das cartas do tarot, jamais pretenda vir a substituir ou interferir numa consulta com um médico, ela pode colaborar com a manutenção da qualidade de vida, na medida em que possa aumentar a percepção e a análise da sua condição física, mental, emocional e espiritual pelo próprio Consultante.

 

     ATENÇÃO!

     • Procure um médico sempre que aparecerem sintomas suspeitos.

     • Faça exames regulares. Informe-se com seu médico sobre a necessidade, o tipo e a frequência de realização dos mesmos.

     • Não tenha medo dos resultados. A ciência avança, a cada dia, de maneira acelerada. O seu médico saberá diagnosticar e aconselhar nas melhores e mais indicadas ações, atitudes a serem tomadas.

     • Quando o assunto refere-se à saúde, nada ou ninguém substitui a opinião do profissional de medicina devidamente habilitado e credenciado.

     • O tarot é um oráculo. Como a maioria deles, a sua intenção é a de alertar para potenciais, mas nunca substituir ou equiparar-se aos profissionais habilitados em suas áreas de atuação.

Links para Serviços:

Portal do INCA - Instituto Nacional do Cancer: www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home

Hospital do Cancer do Rio de Janeiro: www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=147

Onde se tratar de Cancer pelo SUS: http://bvsms.saude.gov.br/html/pt/dicas/ 133cancer_sus.html

Cancer de Mama: www.abcdasaude.com.br/artigo.php?611

     Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações, comentários, links e leitura oracular disponíveis em ELEMENTOS DO TAROT possuem apenas caráter de entretenimento.

Imagens: TAROT OF THE OLD PATH, por Sylvia Gainsford e Howard Rodway
Em Julho:

CURSO DE TAROT: ARCANOS MENOREScom Alex Tarólogo

Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
(R. Barão de Ipanema, 94  Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

 

sexta-feira, 26 de março de 2010

Carta do Dia: O CARRO

Carro      Encontrava-se, um dia, Apolo, sentado em seu resplandecente trono, cercado dos Dias, dos Anos, das Estações, das Musas, em seu palácio, quando à sua frente surgiu Faetonte, seu filho com a mortal  Climene, uma ninfa. Faetonte lá se dirigira para solicitar ao seu divino pai que o ajudasse a provar ao mundo que ele era seu filho, já que as pessoas na Terra zombavam dele, dizendo que não só sua mãe, mas também seu pai eram meros mortais.

     Apolo, comovido com o sofrimento do filho e com seu pedido de ajuda, jurou-lhe que, fosse qual fosse a forma que ele gostaria de realizar o seu pedido, ele o ajudaria, dando-lhe sua palavra de deus. Faetonte, então, pede-lhe que o deixe, apenas por um dia, dirigir a sua carruagem alada do sol. A expressão de Apolo torna-se séria, angustiada e temerosa, pois bem sabe que seu filho não está capacitado para percorrer a imensidão dos céus, enfrentando a subida íngreme da Aurora, a entontecedora altura do carro quando atingia o meio do dia e, depois, a acelerada e quase incontrolável descida rumo ao Poente. Ele mesmo, o próprio deus, sentia-se abalado pelo medo pela altura e o veloz percurso do seu dourado carro. Uma vez mais, suplica bom-senso a Faetonte, dizendo-lhe que considere, também, o fato de que ainda não tem a força e a destreza necessária para, com firmeza, administrar e conduzir todas as manobras.

     Mas Faetonte estava irredutível em seu pedido e, como Apolo lhe dera sua sagrada palavra, foi conduzido pelo pai às estrebarias, onde se deslumbrou com a beleza do ouro e da prata e com o fulgor das pedras preciosas que adornavam o veículo. Como o alvorecer já se fazia notar no leste, e as Horas já haviam atrelado os cavalos, Apolo cobriu o rosto do filho com um mágico unguento e deu-lhe os derradeiros conselhos finais, suplicando-lhe que usasse apenas as rédeas para conduzir, evitando as esporas, que feriam e descontrolavam os animais. Pediu-lhe também que se mantivesse afastado dos Polos Norte e Sul, e que não queimasse a Terra, voando muito próximo a ela e nem a resfriasse, mantendo-se em grandes altitudes. Enfim, que mantivesse controle e sobriedade, percorrendo o trajeto de maneira equilibrada, segura, constante.

     Faetonte então saltou dentro do iluminado veículo e os cavalos, num salto, começaram a sua jornada diária. Como o carro estava mais leve que de costume, os animais começaram a vaguear rapidamente pelo céu, aproveitando a inexperiência de seu cocheiro. O carro afastava-se cada vez mais da terra e da rota traçada. A altura era imensa e Faetonte, enregelava-se de pavor, entorpecido com a velocidade, o frio e o ar rarefeito, para, no momento seguinte, em disparada, os cavalos se aproximarem a espantosa velocidade da Terra queimando plantas e animais, secando rios e fontes.

     Aterrorizado, Faetonte, soltou as rédeas que guiavam os animais o que fez com que os cavalos, sentindo-se livres, entrassem por regiões desconhecidas dos céus, para no instante seguinte estarem novamente sobrevoando, a grande velocidade, o fogo que queimava a terra. A fumaça e as fagulhas finalmente envolveram o brilhante veículo e começaram a queimar os cabelos do jovem, inexperiente e pretensioso cocheiro, fazendo com que que ele, desesperado, caiu do carro e foi lançado das alturas no oceano lá embaixo. Apolo, seu pai, que a tudo presenciara, entristecido, baixou sua luminosa cabeça e cobriu-a com seus lamentos. Lá embaixo, sem a presença do sol, apenas o avermelhado incêndio iluminava a escuridão.

     A lenda de Faetonte exemplifica a busca de um lugar no mundo que lhe seja próprio, onde possa ser reconhecido por si mesmo e possa exercer a sua verdadeira vocação. O que lhe falta, como falta a muitos de nós, é a paciência para aguardar o tempo certo de realizar-se, de colher os frutos e demais recompensas, sem cair no erro de a tudo atropelar por ainda desconhecer as suas reais capacidades e verdadeiras limitações.

     Apolo, que também era o deus da previsão e da profecia, bem sabia, de antemão, o final trágico que sucederia por concordar e satisfazer o pedido do precipitado filho. Mas talvez com remorso ou culpa por pensar ter sido negligente com o filho, recompensa-o concordando com seu infantil pedido. Isso acontece muitas vezes quando filhos insistem, e conseguem, “dar uma voltinha” com o carro, por exemplo, sem estarem plenamente habilitados, portando seus documento legais. Não é nem uma, nem duas vezes, que ouvi pais dizerem “Ah, coitadinho! Estuda a semana toda, quase nem se diverte. Ainda a pouco me pediu para lavar e encerar o carro… Ele dirige tão bem! Fui eu mesmo quem ensinou. O menino dirige melhor do que eu! Deixa ele dar uma voltinha, dar uma paquerada por aí, se exibir um pouquinho. A garotada precisa desse voto de confiança nosso. Eu, no tempo dele, fazia igual com o meu falecido pai. Logo, logo ele está com a carteira de habilitação nas mãos e daí então, ninguém vai segurar mais este rapaz! Deixa o garoto se divertir um pouquinho…” Normalmente esse é um caminho que conduz a momentos de muita tensão, sofrimento, arrependimento e dor. A fatalidade espera e se alimenta de oportunidades como esta. Se o pai se sentia culpado de alguma omissão em relação ao filho, agora ele viverá o dissabor de concordar e favorecer uma atitude inconsequente do mesmo.

     Os gregos tinham a palavra hybris, que significa orgulho, insolência, desejo de assemelhar-se aos deuses, para definir esse processo de aprendizado que todos temos que enfrentar na vida, que é o de assumirmos nossas capacidades, sabermos de antemão o quão distante podemos prosseguir, termos consciência das nossas aptidões e, também, daquilo para o que não temos ou estamos habilitados. Ter humildade em reconhecer suas próprias limitações não deve ser encarado como algo negativo ou um impedimento. Ao contrário, essa é uma força libertadora que nos impulsiona a nos desenvolvermos sempre e mais. Não significa ficar acomodado às suas limitações, desenvolvendo uma imagem de auto-piedade e também não deve induzir ao comodismo, de aceitar-se como é, num determinado estágio, sem esforçar-se em progredir, por pura preguiça.

     O que muitas vezes ocorre é que pretendemos viver a vida dos outros, que, frequentemente, sempre nos parece mais glamorosa, fácil e bem sucedida que a nossa. Isso é hybris. A expressão “a grama do vizinho é sempre mais verde” a isso se refere. Temos horror a nos vermos condenados a vidinhas comuns, onde nada nos parece excitante e interessante, digno da imagem que fazemos de nós ou que nos achamos merecedores. O Carro simboliza uma iniciação que devemos enfrentar, a de amadurecermos, tornando-nos adultos, encontrando o nosso lugar dentro de uma estrutura social bastante ampla. Essa nosso rito de passagem nos revela muito de nós mesmos, especialmente sobre nossos potenciais e limitações. É necessário que esse nosso desenvolvimento supere a sensação de insignificância que costumamos sentir sobre nossa pessoa e fortaleça nossa coragem e humildade para que possamos nos aperceber que a presunção, a ambição desmedida, a falta de preparo e de aptidão e, até mesmo, uma vocação definida, pode nos conduzir por caminhos bastante perigosos. Inúmeros são os exemplos de pessoas que perderam suas economias, endividaram-se única e exclusivamente para manterem a imagem de uma personalidade, uma situação ou um padrão de vida que não estavam aptos a sustentar, apenas para se sentirem importantes para si próprios e incluídos por determinados segmentos sociais ou grupos, numa imatura e suicida tentativa de assemelharem-se a eles.

     Quando bem aspectada, numa leitura de tarot, e sempre dependendo da sua relação com as cartas que se lhe avizinham, bem como da questão proposta pelo consulente, o Carro pode indicar uma boa chance, uma oportunidade que surge; movimento, destinação; viver grandes aventuras e correr riscos; um novo ciclo, uma evolução, um ponto de virada; tomar as rédeas da própria vida; destino, carma, sorte; auto-realização; auto-confiança, auto-disciplina; desenvolvimento e fortalecimentos de habilidades tendo por finalidade uma meta; força de vontade; conquista; determinação; coragem; enfrentar provas e desafios; controlar o que pensa e o que sente; manter-se no caminho certo;  viagens mentais e físicas.

   07-Major-Chariot   Ligando Geburah (a Força) a Binah (a Grande Provedora) na Árvore da Vida Cabalística, o Carro percorre o 18º caminho na busca de uma experiência introdutória (iniciação) ao Supremo Eu Espiritual. Em Alquimia, essa experiência é descrita como o processo chamado “exaltação”, onde o Alquimista se transforma na Pedra Fundamental. É o caminho pelo qual a abundância amplificada é distribuída sobre todas as criaturas. Na visão do profeta Ezequiel, é descrito uma espécie de veículo constituído por figuras com quatro faces, representando os quatro elementos, que suportavam um trono. Esse é o conceito aceito pelo pensamento judaico primitivo do Merkabah, ou seja, o Carro que transporta o Trono. O Carro se desloca entre a Luz, centrada em Tiphareth, e a Suprema Escuridão, que se situa no lado oculto de Kether.

     O Carro representa o nosso desejo, a nossa ambição e vontade direcionada de vencermos, o que se acontecerá desde que essa conquista seja realizada através de planejamento elaborado, dedicação extremada e perseverança. O Carro é o nosso veículo para evoluirmos, para nos locomovermos para patamares mais elevados.

     Nesta sexta-feira, dia da semana regido por Vênus, a Lua Crescente continua em Leão, possibilitando que nos vejamos com muita clareza e honestidade. É tempo propício para, não só reconhecermos e nos utilizarmos dos nossos potenciais e habilidades latentes, mas também humildemente reconhecermos nossos limites. Cancer, o representante astrológico do Carro, simboliza o elemento Água, sendo portanto pura emoção. É preferível ficar sozinho, ou pelo menos menos exposto, se não puder estar na companhia de amigos, para não correr riscos de sentir-se magoado ou irritado com as demais pessoas.

     Se houver tempo e possibilidade, procure meditar na frase do militar francês, herói da 1ª Grande Guerra, Marechal Ferdinand Foch: “A vitória é um produto da vontade”, e aproveite o dia!

     Um ótimo fim de semana para todos!

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carta do Dia: 9 DE ESPADAS

    Swords09 (5)   Ontem o mundo da moda, dos fashionistas, dos criadores de beleza, sofreu uma importante baixa em suas fileiras. O estilista escocês, Alexander McQueen foi encontrado morto em seu apartamento londrino. Suicídio.

     Li a notícia na internet e fiquei naturalmente surpreso, especialmente pelo fato de ter sido auto-infligida.  Pouco depois, buscando por algo novo para ler, encontro numa livraria um livro de autor francês com o seguinte título: “A Loja do Suicídio”, uma novela sobre o óbvio que o título promete: uma loja que vende todo o material necessário para que os suicidas possam realizar seus intentos, de cordas, balas de revólver, bombons envenenados, navalhas afiadas, etc. Esbocei um sorriso amarelo pela coincidência e tive pesadelos, dos quais nada me recordo a não ser que foram uns 3 diferentes, durante a noite. Aliás, já os tinha tido na noite anterior.

     Nesta manhã, não foi nenhuma surpresa retirar o 9 de Espadas, aleatoriamente, do maço de cartas. Tudo a ver, pensei eu enquanto decidia qual seria a abordagem que eu daria, desta vez, aos significados dessa carta. Ligando o computador para escrever este texto, leio que a mãe do McQueen havia falecido há poucos dias e que está fazendo 3 anos que sua descobridora, mentora, divulgadora, razão de seu reconhecimento público (lembram-se da carta de ontem? O 6 de Paus?) e musa inspiradora, suicidou-se após ter sido diagnosticada com uma grave doença. Já tenho motivos de sobra para saber sobre que luzes (ou talvez, a falta das mesmas…) descrever o 9 de Espadas nesta postagem.

     Uma das combinações do IChing, a sexta, tem como título a palavra “Conflito”, no sentido que primeiro os desenvolvemos, trabalhando nos seus requintados e cruéis detalhes dentro de nós, fazendo-nos, exatamente por isso, muito vulneráveis às influências que nos cercam. O não verbalizar, o não expressar dessas angústias as tornam ainda maiores, mais significativas e opressivamente poderosas. Uma verdadeira panela de pressão, pronta a explodir da mais desastrosa maneira possível.

     Não é nem uma, nem duas vezes na vida que ficamos sobrecarregados, por motivos os mais diversos, além dos nossos limites, sob constante e crescente estresse. Nessas ocasiões a nossa imaginação assume o seu pior aspecto e, totalmente descontrolada, inebriada de medo, culpa, remorso, sofrimento e dor, dispara descontrolada povoando nossas noites insones com imagens fantasmagóricas, com visões potencialmente adulteradas dos nossos problemas. Exagerados ao extremos e desnecessariamente, eles acabam se transformando no que poderia nos acontecer de pior, pois os adornamos, masoquistamente, com as nossas angústias, aflições, desapontamento, sensações de inutilidade, de fraqueza, de auto-piedade.

     E os pesadelos, então? São como se os demônios da mente estivessem entretidos em tecer uma riquíssima teia de tormentos que obscurecessem o nosso sonhar. Então acordamos, às 3 da manhã, encharcados de suor, com o coração disparado, a impressão de que um grito está preso na garganta. Pânico. A mente, que enquanto dormíamos, vagava pelo plano astral, vivenciando a energia de Marte, com todos os fantasmas, demônios e demais armas desse implacável guerreiro que se aproveita das horas noturnas, quando ninguém está por perto e nada pode ser feito, para usar como instrumentos de tortura os mais dolorosos e cruéis pensamentos. Sim, eles são intensos, mas imateriais como a brisa e não sobrevivem à luz do dia.

     O grande problema que o 9 de Espadas alerta é o isolamento em que nos enclausuramos quando as circunstâncias à nossa volta parecem desesperadoras. É o arquétipo de Eremita (Carta IX dos Arcanos Maiores) numa corrida de trem-fantasma dentro de si mesmo, revolvendo a mais forte e antiga emoção da humanidade, que é o medo e, em especial, a pior forma dele, o medo do desconhecido. É “a noite sombria da alma” quando nos sentimos vítimas, vivendo um período onde tudo e todos parecem conspirarem contra nós, sem esperança alguma, agonizando sobre algo sozinhos com fantasias mórbidas sobre alguém que nos é importante, temerosos por  um malfadado futuro, despedaçados e completamente abatidos por situações que estão além do nosso controle. Acho que nem preciso dizer que é chegada a hora de deixar o orgulho ou a vergonha de lado e estender a mão num pedido de ajuda que, certamente, está lá ao seu alcance.

     Alexander McQueen era um bem sucedido estilista, reconhecidamente criativo, inovador, porém com o embasamento técnico necessário de alfaiataria que exige a sua profissão. Jovem, 40 anos, rico, vivia sob o constante estresse do mercado da moda, que exige 2, 3 ou 4 coleções ao ano, mais uma infinidade de produtos e sub-produtos que são os verdadeiros mantenedores dessas griffes de moda: óculos, malas e bolsas, perfumes, sapatos, acessórios. Grandes companhias, corporações, bancos, fundos de investimentos são os verdadeiros donos dessas marcas onde os seus criadores são apenas uma “fachada” dos negócios, vendendo através de seu marketing pessoal, obtido através de uma vida muitas vezes extravagante, das luzes dos holofotes, dos flashes dos paparazzi, para uma parcela da sociedade ávida em encontrar a sua própria identidade através das roupas que veste, dos perfumes que usa, das imagens que as essas figuras famosas projetam. Essa verdadeira indústria coloca esses desenhistas, costureiros, estilistas, artistas, sob constante pressão, exigindo deles mais e melhores resultados econômicos para as suas empresas. É um mecenato de forma bastante escravagista.

     Talvez McQueen tenha se cansado disso tudo. Talvez estivesse vivendo um bloqueio em sua criatividade. Talvez tenha sucumbido à dor da perda da mãe. Talvez sentisse culpa por continuar vivo enquanto que aquela que o transformou na estrela em que se tornou, tenha decidido por fim à sua própria vida. Talvez.

     O que sabemos por certo é que não há problema que não possa ou deva ser visto, analisado em suas partes, desmantelado sob a luz clara e brilhante da razão. Não há imaginação doentia, depressão, instabilidade da mente ou da alma, perda de fé ou mágoa que não venha a ser redentora, transformadora, como se fora um purgatório pelo qual devessemos fazer nossa passagem em busca da merecida iluminação. Pedir socorro, nessas horas, a um profissional qualificado, dividir com os verdadeiros amigos e a família os problemas que nos angustiam não é um sinal de fraqueza. Ao contrário: é uma forma altamente inteligente de demonstrar um auto-conhecimento já tão evoluído que reconhece as “sombras” da nossa personalidade, os filtros que obscurecem a nossa verdadeira alma e que anseia em elevar-se ainda mais. Verbalizar nossos medos, nossas angústias, nossos sentimentos de culpa, nossos questionamentos, nossas perdas só os fazem perder a intensidade. De tanto repeti-los, de tanto recontarmos a mesma história, ela tende a enfraquecer-se nos seus excessos e perder a estatura e a potência que antes parecia ter.

     Minha mãe nunca admitiu que a palavra cancer fosse pronunciada dentro de casa, sob hipótese alguma. No fundo ela acreditava que a sua simples menção atrairia a própria doença. Meu pai e ela morreram de cancer, e nós nunca dissemos a palavra, em que tanto pensávamos.

     Aproveitem o dia para, sob a luz do sol, abrirem os porões, os armários, os baús da mente e deixarem escapar as traças que nos fragilizam a estabilidade mental, permitindo que com a luz, a alegria invada os seus corações. Ah, e não esqueçam de oferecer ajuda, aquele “ouvido amigo” a quem dela necessitar. Com isso, certamente o dia de vocês será excelente!

Imagem: TAROT DE DURER

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carta do Dia: A LUA

 18-paulinatarot     Quantas vezes já ouvimos alguém dizer que fulano ou sicrana vive no mundo da lua? Ou nós mesmos, quando nos pegamos com aquele olhar de devaneio, pretendendo estarmos lendo, mas completamente alienados, olhando para páginas de livros ou revistas enquanto filmes e mais filmes são exibidos no cinema da nossa imaginação… E as vezes, então, no meio daquela festa, no calor da pista de dança, no escuro da boite, acreditamos ter encontrado o grande amor das nossas vidas e que nos fala tudo aquilo que queremos, há muito, ouvir. Tudo isso para, na manhã seguinte, desaparecer junto com as últimas sombras da noite, deixando-nos numa profunda depressão, desiludidos e desencantados com tudo e com todos.

     Então podemos falar que estamos vivendo ou falando da Lua, esse misterioso arcano, talvez o mais rico em simbolismo dentro de todo o tarot.

     Sabe aquela antiga expressão que diz que à noite todos os gatos são pardos? Pois é. À noite realidade e ilusão se misturam e assumem a mesma aparência. Nada é muito claro. Vemos tudo através do reflexo do sol, mas é apenas um reflexo, não é luz direta. Portanto, as coisas ficam meio que indefinidas, os contornos se esmaecem e tudo acaba parecendo mágico,  fascinante, assustador, inebriante, fantástico. Caminhar ao luar é uma experiência inebriante, encantadora, romântica, ainda que muitas vezes tropecemos nas pedras que não conseguimos ver pelo caminho. Viver no mundo da Lua é viver de ilusão, deixando aflorar tudo o que habita o mais profundo do inconsciente, temendo encarar os fatos e apegando-se ao passado, aos sonhos, às lembranças evitando sempre encarar a clara e cortante realidade.

     A Lua não é só dos namorados, dos amantes, mas dos artistas, dos criadores. A Lua alimenta a imaginação e possibilita a produção dos livros, dos filmes, das estórias, dos objetos de arte, das peças, das músicas que tanto nos seduzem com suas formas e mensagens. Até mesmo porque acabam mexendo com algo escondido no mais profundo oceano das nossas emoções. A Lua é água, mutável, ora ondas violentas, ora maré mansa. A Lua é Peixes: mística, intuitiva, compassiva. Fonte inesgotável de criatividade, muitas vezes em estado bruto, latente, descontrolado, necessita de um Mago que a organize, que lhe de forma e direcionamento.

     Vivenciar este arcano é ir em busca de si mesmo, do autoconhecimento, da resposta ao “quem sou eu?”. É recolher-se para ouvir a sua voz interior, aprender a enxergar, através das sombras da ilusão, da maya, quem realmente somos. Em seu melhor aspecto, é deixar de projetar nos outros aquilo que não queremos ver ou reconhecer como nosso. Aquilo que não aceitamos ser e que, num ato de espelhismo (permitam que assim eu me refira) vejamos no outro o que emanamos, da mesma forma que a Lua apenas reflete a luz que o sol emite.

     Conhecer-se e usar da nossa capacidade infinita de criarmos, através das fantásticas e libertas elucubrações da mente, para construir algo que nos fortaleça e que tenha uma consequência positiva no mundo real, é a melhor maneira de viver a Lua. Problema é quando ficamos presos ao “sentir”, imobilizados, sem ação, sem capacidade de “agir”, de trazer à luz as crias da nossa fértil imaginação e reavaliá-las com objetividade.

     Numa leitura de tarot, dependendo sempre da localização da carta e das outras que dela se avizinham, pode significar, ciúme, angústia, egoísmo, dependência afetiva e vícios, fanatismo cego, segredos, medos, sevalgeria, insanidade, desilusões, confusão mental, fofocas, calúnia. Em seus aspectos positivos ela simboliza, energia intuitiva, sabedoria, fecundidade, gravidez, maternidade, sedução, perdão, amor incondicional.

     Creio que o melhor recado dado por essa carta é a de que devemos prestar muita atenção e ouvir a todos os recados que o nosso subconsciente nos envia. Os nossos sonhos podem conter as respostas que tanto precisamos. Quando a Lua aparece numa leitura, é hora de desacelerarmos para um merecido descanso, um tempo de recuperação e de perdoar a si próprio e aos outros. Tempo de ouvir e confiar nos próprios instintos, evitando deixar-se enganar por si ou pelos outros, lembrando sempre que a Lua situa-se, dentro do tarot, entre a Estrela e o Sol. Portanto há esperança e a luz da verdade, da consciência iluminada está surgindo no horizonte.

     Tenha um ótimo e criativo dia!

Imagem: PAULINA TAROT