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domingo, 4 de julho de 2010

Formatura no final do ano… mas será que eu nasci para isso?

     Escolher uma profissão aos 16 ou 17 anos é uma tarefa bastante difícil para alguém que ainda está vivendo os últimos anos da adolescência. Aliás, escolher uma profissão costuma ser complicado em qualquer idade, haja vista o número de pessoas que conhecemos que mudaram de carreira, de trabalho, de objetivos, sempre em busca de algo que as realizasse e lhes desse condições dignas de sobrevivência.

     Decidir, entre tantas possibilidades de cursos, aquele que, teoricamente ser a base da sua vida econômica, seu lugar como um prestador de serviços na sociedade e, sobretudo, algo que vá lhe dar prazer em realizar ou executar nas várias décadas seguintes, pode ser motivo de muito estresse e, consequentemente, dúvidas, angústia e tristeza.

     O jovem (22 anos) desta leitura de tarot vive esse conflito às vésperas (no final deste ano) de sua formatura. A profissão escolhida, ao ver-se na iminência de fazer o vestibular, parecia ser tudo o que melhor condensava em termos de seus talentos e objetivos. Hoje, 4 anos depois, mas experiente em relação à vida, mais consciente das dificuldades do mercado de trabalho, bastante envolvido num relacionamento do qual se sente na obrigação de dar a esperada conclusão (casamento), sem emprego, sem nenhuma experiência prática, sabendo que, em pouquíssimos meses irá abandonar a condição de “filho-estudante-que-não-trabalha”, buscou nas cartas do tarot um mecanismo auxiliar para refletir melhor sobre a sua atual condição e entrever a potencialidade de algumas opções viáveis para a sua situação.

     O esquema de jogo escolhido foi a tradicional CRUZ CELTA, que utiliza 10 cartas cuja  nomenclatura e disposição variam entre autores, manuais, livros , profissionais e neófitos. Todas, entretanto, desde que abranjam de alguma forma os temas, propostas e situações que conduzam a uma leitura final satisfatória, estão corretas.

  1.      O que define a situação ou o problema. O que é o motivo do jogo e da leitura.
  2.      O que complementa a situação ou problema representado pela carta 1. Pode ser algo que auxilie ou um obstáculo.
  3.      A base, o fundamento da questão. O que possivelmente provocou (e ainda pode estar influindo) no desenvolvimento da situação ou do problema. Baseia-se, quase sempre, nas experiências passadas do Consultante.
  4.      Motivos recentes (passado próximo) que tenham desencadeado o conflito proposto pelas cartas 1 e 2.
  5.      Um possível desdobrar dos acontecimentos, levando a um resultado que pode, ou não, assemelhar-se ao resultado definitivo.
  6.      Influências que irão, em breve (futuro próximo) afetar o desenvolvimento da situação.
  7.      A influência do próprio Consultante na situação ou problema, através de atitudes ou ações.
  8.      Como o ambiente (pessoas, situações, localização, tempo, etc) pode estar interferindo, positivamente ou não, sobre o estado físico, mental, emocional e espiritual do Consultante e, mesmo, sobre a própria situação.
  9. O que o Consultante realmente espera da situação: qual é o resultado que ele, em seu subconsciente, deseja ou teme. A carta nesta posição não deve ser analisada dentro do que ele conscientemente expressa como desejo ou repulsa, mas ela sinaliza o que verdadeiramente o assusta ou realiza sua vontade.
  10. Essa carta, que deve ser lida e compreendida em contexto com as demais, não significa o “resultado” fixo e imutável, até mesmo cármico da situação, mas é um indicativo de para onde as coisas estão se encaminhando. Cabe ao Consultante utiliza-se dessa informação para alterar, se for o caso, os métodos que está empregando, visando buscar o resultado que melhor lhe convém.

 

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Carta 1: RAINHA DE PAUSimage

     A pedra fundamental da situação é a questão da vocacional, do acerto com a escolha da profissão a ser exercida.  A sucessão de obstáculos, os questionamentos advindos da insegurança de estar realizando a sua verdadeira vocação é que motivam o Consultante a procurar uma resposta em si mesmo, ajudado pela reflexão proposta pelo tarot.

     A Rainha de Paus, na Posição 1, é quem dá um “rosto”, uma personalidade ao questionamento do Consultante e, como tal, nesta jogada ela evidencia não só  qualidades criativas, apaixonadamente originais, até mesmo audaciosas, determinadas e seguras do Consultante, como também expressa uma dose de ceticismo que ele nutre em relação à sua real capacidade e assertividade na escolha profissional.

     Se parássemos a leitura dessa jogada nessa carta, ocupando essa posição, e dentro da situação descrita, poderíamos dizer que o conselho que ela dá é: busque exercer e assuma os riscos daquilo que realmente o apaixona.

     A Carta 2, aquela que “cruza”, ou se sobrepões à Carta 1, complementa o estado de ânimo que o Consultante vive no presente.

 

 Carta 2: 3 DE ESPADAS

image Essa carta, com sua simbologia associada à angústia, à tristeza  e à decepção pode estar representando, nesse esquema, o medo do Consultante em ter que enfrentar a sua verdade. De ter de encarar os fatos e, agora, ao final de seu curso universitário, analisar fria e corajosamente se a profissão escolhida há 4 anos, ao ingressar na Universidade, é realmente a que  melhor expressa sua vocação, utiliza seus talentos e lhe traz prazer e satisfação no trabalho.

     Fazer uma análise criteriosa de seus desejos, de seus verdadeiros objetivos, do que ele espera ou projeta para o seu futuro pode ser doloroso, mas é necessário e, a proximidade da conclusão do curso parece trazer essa questão à tona.

     Importante é analisar o que está na “base” da questão, quais as experiências prévias que fazem o Consultante agir e pensar dessa maneira.

 

     Carta 3: RAINHA DE OUROSimage

     Essa Rainha tem como características os fato de representar pessoas bastante práticas, decididas, carinhosas, mantenedoras, trabalhadoras, que buscam conforto e segurança e que se dedicam, maternalmente, aos seus e aos outros.

     Pelo fato do Consultante ser uma pessoa jovem, que ainda não trabalha e é sustentado pelos pais,  pode temer frustrar ou decepcionar a mãe.

     Por estar namorando, desde o primeiro ano da faculdade, pode sentir-se na obrigação de vir a se casar em breve, o que não é de seu interesse neste momento visto que gostaria de aproveitar a juventude e esses primeiros anos de carreira profissional, para se dedicar à prática da profissão, viajar, conhecer pessoas e lugares. Um casamento seria, neste momento da sua vida, bastante limitador, e,  talvez por isso mesmo, acabe projetando essa frustração sobre o curso e a carreira escolhida e, até mesmo, sobre a sua capacidade de produção.

     Uma experiência ou situação recente pode, também, ter contribuído, e ainda estar contribuindo, para  que essas dúvidas venham a sequestrar a sua harmonia interior.

 

     Carta 4: A LUA

image Há uma certa desproporcionalidade entre o número de Arcanos Maiores e Menores neste jogo e talvez isso represente que as questões sejam mais de ordem prática do que, propriamente, espirituais. Aliás, se observarmos as cartas no esquema de jogo, veremos que existe um maior número das que pertencem ao naipe de Ouros, ou seja, a vida material, o plano físico da existência, os frutos do trabalho, o corpo, a saúde, etc.

     O Arcano Maior XVIII, a Lua, na situação dessa leitura, nos remete à idéia do medo que o Consultante sente, há algum tempo e que, com a proximidade do fim do curso e do possível início da atividade profissional escolhida, venha a “descobrir” não ser a profissão escolhida e aprendida nos bancos universitários aquela que irá lhe realizar como pessoa, como profissional, como cidadão e, também, a nível espiritual.

     Há que se considerar um medo que costuma acontecer em situações chamadas “de pressão”, quando iremos ultrapassar uma determinada “fronteira” em nossas vidas e nos lançarmos em novas aventuras, vivenciando outras estruturas e experiências. Deixar a escola, o protecionismo familiar e enfrentar o mundo , assumindo seu papel social e lutando pelos seus direitos, pela sua melhor classificação, por melhores salários, por condições de trabalho mais razoáveis, e, até mesmo, por uma vaga no mercado de trabalho existente, pode causar um estresse e, com isso, uma certa recusa de abraçar as novas oportunidades e desafios que também estão embutidas nesse “rito de passagem”.

     Creio que o surgimento da Lua nessa posição possa ser de grande valia para o Consultante indagar-se se ele não está vivendo, de alguma forma, um “complexo de Peter Pan”, ou seja, a recusa de encarar a necessidade de assumir responsabilidades, de abandonar maneiras escapistas de lidar com as situações e posicionar-se como dono e senhor de sua vida. Crescer, enfim.

     Carta 5: 7 DE OUROSimage

     Esta posição significa, tradicionalmente, um possível resultado, o que não significa que será o resultado final, prenunciado na Carta 10. Entretanto ele é uma “possibilidade” que o Consultante pode, ou não considerar valiosa como resultado a ser obtido. Se, entretanto ele não se identificar com a sugestão proposta pela carta, ele saberá, de antemão, o que evitar.

     O 7 de Ouros simboliza, com muita frequência, a necessidade de ter-se paciência e aproveitar o tempo para melhor reavaliar uma situação e/ou, preparar-se para as consequências da mesma.

    Se o Consultante está angustiado por ainda não ter conseguido um emprego, ou mesmo um estágio na sua área de estudos e, por isso mesmo, estar se sentindo culpado de possivelmente feito uma escolha profissional errônea, deve procurar acalmar-se e, com a mente mais tranquila, trabalhando de forma lógica sem os obstáculos provocados pelo medo e pelo sentimento de culpa,  analisar friamente a situação.

     “Dar um tempo” pode ser um bom conselho quando estamos desnorteados, sem conseguirmos ver todas as possibilidades (ou até mesmo a real falta delas) de que dispomos. A sugestão de um 7 de Ouros seria a de aguardar com calma, com tranquilidade, que as coisas se resolverão no momento certo. Isso não significa uma atitude passiva, de abandono, de descaso, de indolência ou de preguiça, mas de contínua atenção, de estar aberto a possibilidades, de estar “antenado” com a evolução natural das coisas, de manter-se, em fim, preparado para quando a ocasião correta de agir chegar.

     É interessante observar o que a próxima carta mostra como possibilidades futuras (próximas) que irão influenciar nesse processo que o Consultante está vivenciando.

 

     Carta 6: 10 DE COPAS        

image Essa é uma carta cujo surgimento numa posição benéfica ou positiva quase sempre sugere sucesso e satisfação.

     Neste esquema de jogo e dentro dos parâmetros em que ele se desenvolve, creio que o 10 de Copas esteja prenunciando uma tomada de consciência satisfatória do Consulente com a consequente sensação de alívio e bem estar. Em investigando as causas reais que o levam a duvidar estar  no caminho certo em relação à sua vida profissional, permitindo-se o tempo necessário para analisar todos os fatos, todas as propostas, todas as possibilidades e opções, ele certamente irá se esclarecer mais a respeito e se concederá a chance de olhar a situação aob outra perspectiva. Essa carta volta a confirmar a dose de coragem e otimismo que o Consultante deve manter em relação às suas expectativas.

     A família pode ser uma grande aliada nesse processo e talvez fosse conveniente o Consultante manter, principalmente com eles, um diálogo franco a respeito de seus questionamentos.

 

     Carta 7: 10 DE PAUSimage

     Essa posição, no esquema, simboliza o “self” do Consulente. O seu verdadeiro “eu”. Como ele se vê e como ele acaba colaborando para que a situação se desenvolva como tal.

     Conversar a respeito da sua situação, manter um diálogo honesto com a família e mesmo com a namorada, repartir a “carga” das dúvidas e inseguranças que carrega é uma boa justificativa para que o 10 de Paus ocupe esse lugar no esquema do jogo.

     É necessário não deixar que o peso das nossas preocupações obscureçam o nosso campo de visão dificultando nosso caminhar. Recobrar a autoconfiança, não se deixar abater e manter uma atitude racional e amorosa em relação à situação se faz necessário.  O simples exercício de desabafar, de conversar séria, lógica, franca e tranquilamente a respeito com alguém a quem admira e respeita, é um bom começo de um melhor esclarecimento e de uma mudança de atitudes.

 

     Carta 8: O IMPERADOR

image Essa é o segundo Arcano Maior a surgir no jogo. Como a oitava posição refere-se ao ambiente ou mesmo a uma pessoa que possa contribuir no desenvolvimento e resolução da situação, é provável que esteja na casa paterna, na figura do próprio pai do Consultante, ou até mesmo na de um de seus professores, a pessoa ou o ambiente propício para ele buscar auxílio.

     Talvez o ambiente que o Consultante frequente ou as pessoas com que ele mais conviva alimentem nele sonhos utópicos bastante fora da realidade e que acabem por desconcentrá-lo daquilo que é real e viável. Pode acontecer que o Consultante esteja querendo evitar qualquer coisa que o force a abandonar a cômoda situação de ser sustentado pela família e não ter que se preocupar com nada de mais sério. Assumir responsabilidades e o controle da sua própria vida é um desafio ao qual ele não deveria furtar-se, e nem mesmo abandonar a conquista de seus objetivos e a realização de seus sonhos.  

 

     Carta 9: 6 DE OUROSimage

     Esta é a posição, no esquema denominado Cruz Celta, das Esperanças e Medos e revela ao Consultante o que ele inconscientemente teme ou deseja.

     Na situação presente o 6 de Ouros o Consultante está potencialmente desejando obter todo o apoio que puder conseguir para ajudá-lo a resolver suas dúvidas. Nesse apoio também deve-se considerar, além daquele dado pela família e os mais próximos, a oferta de um trabalho ou mesmo de uma boa oportunidade de estágio dentro da sua área de escolha profissional.

     Estar às vésperas da formatura e sem ainda ter conseguido um lugar no mercado onde possa demonstrar sua competência e disposição e, também, onde possa avaliar, de forma concreta, a sua integração e talento para a profissão escolhida, provoca dúvidas recorrentes e uma sensação de estar sendo excluído. Uma oportunidade de trabalho, neste momento, está entre os desejos do Consultante.

 

     Carta 10: 9 DE COPAS

image Chegamos, finalmente, à carta que revela a possível evolução ou conclusão da situação, e que deve ser considerada não isoladamente, mas levando-se em conta todas as demais.

     O 9 de Copas é uma promessa de reencontro com a alegria de viver, desde que a pessoa se permita viver essa alegria, não criando obstáculos para que ela flua. Nada adianta o aparecimento dessa carta se o Consultante não tomar as medidas indicadas durante a análise das demais cartas da jogada e buscar as alternativas e atitudes propostas.

     Se, neste caso, o Consultante decidir por tranquilizar-se (meditação é altamente recomendada para a busca de uma harmonia integral), olhar a situação corajosamente, de forma pacífica mas interessada, sem acreditar estar vivendo algo “cármico”, imutável, tomando a iniciativa de encontrar alternativas e soluções concretas  que visem seus objetivos, e mantiver um diálogo sincero e claro com seus pais e professores, além, é claro, da sua namorada, ele certamente estará dando um grande passo em direção à solução mais benéfica dessa situação.

     Creio que é importante que o Consultante compreenda, com essa tiragem, que há algo bastante importante que ele deve conscientizar-se. As crises surgem como provocações para que nos modifiquemos, revendo conceitos, reavaliando fatos e atitudes, eliminando excessos e tudo o mais que não tem mais eficácia mas que continuando ocupando espaço e provocando um acúmulo inútil que acabamos por carregar. Poder reverter uma situação, alterar o seu curso, mudar a forma de pensar, substituir valores antigos por outros mais eficazes, alterar o que foi planejado, encontrar novas alternativas, deixar-se surpreender por novas descobertas, permitir-se evoluir espiritualmente, tudo isso é o conselho que obtemos através da meditação com o Arcano Maior XII, O Pendurado. É conveniente que o Consultante preste atenção à sua intuição. Essa voz interior é sábia e contém toda a orientação da qual podemos fazer uso, basta permitir-se ouví-la e acreditar nela.

     Se, depois de muito bem analisado e discutido for necessário começar tudo novamente, preparando-se para uma outra carreira, por que não fazê-lo? Por que não investir mais alguns anos de estudo para que os benefícios, ao longo de toda uma vida, sejam os melhores? Por que sacrificar-se por uma escolha que pode ter sido feita de maneira inconsequente, mesmo inocentemente, sem a necessária experiência? Por que “adaptar-se” a algo insatisfatório, quando, com esforço e investimento, podemos obter prazer e bons lucros?  O Pendurado (carta obtida por redução teosófica) pode indicar uma situação incômoda que irá, mais cedo ou mais tarde, sofrer uma grande mudança (Arcano XIII) e que impede, no momento presente, que o Consulente viva de maneira fértil e apaixonada a sua vida.

Imagens: ARCUS ARCANUM TAROT, por Hansrudi Wascher

 

CURSO DE TAROT: ARCANOS MENORES

com Alex Tarólogo

Início: 06 de Julho

Duração: 16 aulas (4 meses) / Turmas às Terças e Sábados
Local: JARDIM DOS SENTIDOS – ESPAÇO HOLÍSTICO & LIVRARIA
(R. Barão de Ipanema, 94   Galeria Estoril   Loja 103, em Copacabana – Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2547-8939  e contato@jardimdossentidos.com.br

 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Carta do Dia: O MUNDO

    Mundo Numa leitura de tarot, a carta do Mundo (ou do Universo), mais do qualquer outra, mostra-nos a finalização bem sucedida de alguma situação na qual tenhamos empenhado esforços. Nós nos sentimos recompensado por termos completado aquela missão e nos disponibilizamos, de maneira renovada e pura, a começarmos algo novo ou, tudo novamente. Nós nos reconhecemos nos resultados daquilo que fomos semeando pelo caminho, colhendo os frutos do nosso trabalho e dedicação, nos sentindo calmos, seguros e felizes, fortalecidos e prontos para um novo desafio.

     O Mundo, Arcano XXI, é considerado por muitos como o último Arcano Maior na sequência do tarot, já que o Louco, Arcano Zero, funciona como um curinga, um viajante, não tendo uma posição fixa, podendo e sendo, o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, a primeira e a última carta. O Mundo é o fim que anuncia o começo, pois não há um ponto final, no perímetro da roda das existências. Começamos, aprendemos, realizamos e finalizamos somente para repetir, qual moto perpétuo, o mesmo ciclo. O Mundo é o resultado de uma das voltas dessa grande roda.

     Quando decidimos que é chegada a hora de construirmos aquela tão sonhada casa de praia, sabemos que teremos de encontrar o terreno, comprá-lo, contratarmos os serviços de um arquiteto e passarmos longas horas com ele explicando-lhe nossas necessidades e o que pretendemos em termos de funcionalidade e estética; plantas-baixas, elevações e maquetes serão feitas e refeitas até conseguirmos uma miniatura do modelo que imaginávamos; após, vem a contratação dos serviços do pessoal de obra, como engenheiro, mestre-de-obra, operários; a compra do material que vai das telhas até a fundação, com seus encanamentos, fios subterrâneos, etc. Construída a casa, começa o processo de acabamento da mesma, com a escolha de metais para os banheiros, os pisos, as luminárias, a parte de marcenaria, os móveis, os adornos de decoração, o equipamento de cozinha. Depois de muito tempo, de muito trabalho, de muitas idas e vindas, de muito desgaste, de muita paciência e disposição para aproveitar a experiência adquirida, finalmente lá está, nosso sonho materializado, pronto para ser habitado. Fomos bem sucedidos.

      Ao completarmos um curso universitário e dele obtermos o conhecimento necessário e a habilitação legal para exercermos uma profissão, estamos completando um ciclo que iniciou-se no jardim de infância, com a primeira professora nos ensinando as primeiras letras e números, e a nossa evolução através dos demais anos escolares, sempre adquirindo maior cultura, maior compreensão, desenvolvendo a lógica e o raciocínio, aprendendo as necessárias noções de civismo e de companheirismo. Provas, exames, vestibulares de acesso são obstáculos que temos que vencer durante esse caminhar, para avaliarmos e provarmos a nós mesmos que estamos aptos a prosseguir e alcançar novos patamares. Ao recebermos o diploma de conclusão estamos também encerrando todo esse processo, que levou anos para ser realizado,  e nos lançando, felizes e auspiciosos,  para a nova aventura que é a de atuarmos na profissão escolhida.

     O casal que decide ter um filho também passará por uma série de etapas que vão desde a alegre notícia da gravidez, aos exames pré-natais, à modificação do corpo da mulher, a criação de um novo espaço dentro do lar para acomodar o futuro bebê, o adquirir de roupinhas, fraldas, brinquedos, cadeirinhas, carrinhos, banheirinhas, a possível contratação de uma babá, a escolha do tipo de parto, o envolvimento e entusiasmo da família, a ida ao hospital, até o fim dos nove meses de espera com o nascimento desse novo ser. A partir desse momento a vida dessas pessoas também se abre para um novo horizonte, onde sonhos, esperanças, fantasias, alegrias se harmonizam com as novas responsabilidades, os novos ritmos, as novas despesas, a nova organização de tarefas, etc. Agora não é mais “eu e você”, mas “nós”.

     A dona de casa, que ao final do dia senta-se à mesa do jantar, que ela preparou, com a família reunida à sua volta, sabe que também está terminando “ o dia”, isto é, encerrando um ciclo de tarefas para, após algum descanso, recomeçá-las. Um novo alvorecer trará essa mãe novamente interessada no bem estar da sua família, preocupada em preparar o café da manhã, levar os filhos à escola, fazer as compras para a casa, voltar para limpar, lavar, passar, cozinhar, buscar os filhos, verificar se estão fazendo suas lições de casa, controlar uso e acesso à TV e internet, levar um para a aula de natação, a outra para o ballet, voltar esperar pela chegada do marido, ouvir-lhe falar do dia pronta para dar-lhe uma palavra de estímulo e conforto, terminar o preparo do jantar, conversar com todos interessando-se pelos seus comentários e expectativas, verificar horário de ir para a cama e, finalmente, retirar-se, realizada por ter cumprido, uma vez mais a sua participação nessa grande engrenagem cósmica que é o viver.

     O Mundo, carta número 21, pode ser reduzida a 20 e 1 que é o Renascimento, a ressurreição, o Julgamento, o Aeon (Arcano 20), com sua promessa de libertação e de chamado vocacional sendo realizado com a destreza, o entusiasmo e as habilidades do Mago (Arcano 1). Podemos também reduzir (21= 2+1=3) aos valores propostos pela carta de Imperatriz, de satisfação com a vida, criatividade, produtividade. É também a junção das polaridades, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, da Sacerdotisa (Arcano 2) e do Mago (Arcano 1), a concretização do que é imaginado, idealizado. Também encontramos aqui a vitória máxima da liberação espiritual, anunciada pelo Arcano 7, o Carro (3 x 7 = 21). É a chegada a um destino proposto. É alcançar o sucesso pretendido.

     Na Árvore da Vida cabalística, esse é o 32º Caminho, aquele que liga Yesod ( o alicerce) a Malkuth (a terra), ou seja, é por onde os elementos, os componentes, aquilo que foi pensado no Plano Universal tornam-se concretos, reais. Em Malkuth estão reunidos os 4 elementos: fogo, água, ar e terra, além de um 5º, que é o Espírito. A virtude de Malkuth é o discernimento. É saber manter-se em equilíbrio. É administrar as iniciativas, a criatividade, as paixões, as emoções, os sentimentos, a lógica, a razão, o físico, o labor, o material e o espírito.

     Dependendo da questão do Consulente e das demais cartas, além da sua posição, numa leitura de tarot, o Mundo pode simbolizar sucesso nos negócios, início de um novo empreendimento, melhoria na saúde, um futuro promissor na carreira. Simboliza, também, satisfação, um sentimento de orgulho justificado, uma vitória alcançada. Alegria e uma sensação de harmoniosa plenitude também acompanham esta carta. O sucesso anunciado por este Arcano muitas vezes ainda precisa ser trabalhado, abandonando-se o comodismo, sobrepujando a apatia e o pessimismo. É um grande indicativo de que o Consulente superou suas limitações, abrindo-se para a vida e permitindo-se às oportunidades que ela generosamente lhe oferece. Há uma sensação de novidade, de novas e excitantes idéias surgindo. O Consulente passa a ter consciência da sua bagagem de vida, das suas experiências e de como bem adequá-las e utilizá-las no futuro. Como é uma carta de abertura, é “ter o mundo a seus pés”. É carta que anuncia possibilidade de viagens, contatos, negócios ou intercâmbios de âmbito internacional. É sentir-se íntegro, completo, potente, independente, afortunado, no domínio de seus talentos, emoções, sentimentos e habilidades. É vivenciar um estado de êxtase.

     É claro que ao concretizarmos algo não estamos encerrando em definitivo as nossas atividades, os nossos compromissos, as nossas obrigações. Estamos dando um passo, rumo a um futuro que não tem a menor garantia de ser fácil. Quem constrói uma casa sabe que ela precisará constantemente de manutenção. A pintura deverá ser renovada, o jardim cuidado, as telhas quebradas trocadas. Problemas de hidráulica e elétrico são esperados. Há impostos a serem pagos, seguros a serem feitos e mais uma infinidade de compromissos. O mesmo ocorre com quem sai da faculdade. A busca de emprego, a continuidade nos estudos em busca de especializações ou títulos que lhe garanta melhores salários, vencer a concorrência e encontrar o seu nicho no mercado de trabalho, o dia a dia da profissão, desde montar consultório ou escritório, até o atendimento aos clientes, tudo são novas experiências a serem administradas e outras antigas a serem empregadas. Um filho representa todo um comprometimento que ultrapassa o plano amoroso, familiar, e requer cuidados médicos, investimento na educação, manutenção de todas as necessidades. O investimento que a família faz proporcionando-lhe o melhor ambiente para desenvolver-se além das lições aprendidas dos pais sobre amor, compaixão, moral e fé exigem anos de paciência e dedicação. A nossa dona de casa, ao terminar de lavar a louça do jantar está ciente de que, poucas horas de sono depois, terá a do café da manhã sobre a pia. A sala que acabou de ser varrida e limpa, em minutos, começa apresentar uma fina camada de poeira novamente se assentando. A roupa que foi cuidadosamente lavada e passada em algumas horas estará novamente suja.

     Viver o Mundo é, pois, um estado de satisfação tão grande que engloba também as consequências decorrentes dessa conquista. Elas fazem parte do “pacote” de satisfação, de prazer. Aliás, qual seria a nossa sensação de vitória, de utilidade, de atuação se, a um estalar de dedos tivéssemos a casa que tanto sonhamos à nossa disposição, ou se deitássemos ignorantes e acordássemos sábios? Ou ainda se não vivêssemos  a alegre ansiedade de termos um filho e vê-lo transformar-se num ser humano íntegro e independente? Ou mesmo se fôssemos impedidos de reformularmos o cardápio para agradarmos a uns e a outros, rearranjássemos os quadros e a mobília buscando fornecer maior conforto à nossa família, ou se não pudéssemos nos emocionar, ao ver aquela “eterna criança” recebendo seu título de doutor e, entre aplausos e lágrimas, lembrarmos dele, curioso, sentado no banco traseiro do carro, sendo dirigido por nós até a escolinha?

     Pois é, o Mundo é a somatória de todos os passos que demos, das ações que executamos e daquelas que deixamos de fazer, em busca da nossa felicidade, da nossa união definitiva entre a mente desperta e o nosso subconsciente, do perdão que concedemos, inclusive a nós próprios e do amor e compaixão que distribuímos. São os nossos medos e instintos domados pela nossa força de vontade e a sabedoria adquirida nos mergulhos que demos em busca de nós mesmos, da nossa alma original, do que somos e de como podemos fazer melhor uso disso tudo, em nosso benefício e também dos outros. Viver esse Arcano é estar consciente que, apesar dele ser a última carta do tarot, ele não é o fim em si mesmo. Ele é um degrau do qual nos utilizamos para nos elevarmos um pouco mais e recomeçarmos outra vez esperançosos, inocentes, impetuosos, infantis, honestos conosco mesmo, a nossa nova jornada. A interminável jornada do Louco.

     Nesta sexta-feira, dia regido por Vênus, símbolo da beleza, da harmonia, da gratificação, com a Lua entrando em Peixes, favorecendo que exerçamos o perdão, as mágoas, vençamos obstáculos e acabemos com desentendimentos, parece-me bastante propício para que aproveitemos as sugestões saturninas da Carta do Dia, o Mundo, e reflitamos que tudo tem uma causa e um efeito. Que a cada momento estamos vivendo os créditos e os débitos que temos junto ao banco da Vida. Portanto, aproveitando que Saturno representa esse equilíbrio, esse balanço, e aproveitando as demais energias traduzidas por Vênus e pela Lua, procuremos nos harmonizar ao máximo e encontrar o que celebrar em cada conquista, por menor que possa nos parecer. Não há melhor remédio que viver em paz consigo próprio, sabendo-se cumpridor da missão a que se propos.

     A todos, um ótimo, saudável, consciente, pleno, feliz e irrestrito início de final de semana. Outra, ainda melhor, certamente está a nos aguardar.

Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)