sexta-feira, 4 de julho de 2014
A RODA DA FORTUNA: as voltas que a Vida dá
terça-feira, 3 de junho de 2014
JULGAMENTO: Despertar para a Vida
Leia em POLAROIDES DA ALMA (http://polaroidesdaalma.blogspot.com)
JULGAMENTO/ ARCANO XX: despertar para a Vida
http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br/2014/06/julgamento-o-despertar-para-vida.html
quinta-feira, 29 de maio de 2014
ÁS DE PAUS: GERMINAL
segunda-feira, 3 de março de 2014
ÁS DE COPAS: amor em potência máxima!
O ÁS DE COPAS, como todos os ases do Tarot, fala de princípios, de começos, de iniciativas armazenadas prontas para serem postas em ação. É a semente que, se plantada e cuidada, resultará em algo maior, completo. Como esse ÁS é do naipe de COPAS, então estamos tratando da representação das nossas emoções, sentimentos, estados de ânimo e, dentro isso tudo, naturalmente o amor.
Entre as cartas dos Arcanos Menores do tarot, o ÁS DE COPAS nos fala do Amor, no seu sentido mais universalista. O Amor (sim, com maiúscula) que não conhece empecilhos, que inclui a misericórdia e a compaixão. O Amor que nos faz canais de retribuição de todo o Amor que recebemos do Universo (e aí cada um de vocês substitui "Universo" pela palavra que melhor se adapte ao seu conceito do Divino).
Essa
carta, para muitos, representa o Santo Graal, que, conta a lenda, teria
sido o cálice usado por Jesus, na Última Ceia e, depois, por José de
Arimatéia, para aparar o seu sangue ao ser crucificado. Esse emblemático
objeto, teria desaparecido e a sua busca, contada sobretudo através de
elementos da cultura sócio-filosófica da Idade Média, representaria
nossa missão na vida: algo que se deve aceitar, realizar com o uso dos
nossos recursos pessoais e nosso sacrifício. Para os cristãos, simboliza
a presença do Espírito Santo em nosso meio, pois nosso mundo não se
sustenta tão somente das leis que os homens criam, dos conceitos morais
que desenvolvem. Há algo superior a tudo isso e dá dá significado à
existência em si, que é o seu aspecto espiritual.Em termos muito práticos, essa carta nos fala de servir ao outro, de amar o próximo, de pureza de emoções, de um tempo de alegria e otimismo. É também, em termos oraculares, a possibilidade de um novo romance, de maternidade, de noivado e casamento, de fazer as pazes; de companheirismo no trabalho, de harmonia familiar e com o grupo social. Diz das oportunidades nascentes com grandes possibilidade de excelentes resultados, de fartura e abundância.
Mas é, especialmente o poder curativo, regenerador e transformador do Amor que o ÁS DE COPAS simboliza.
Essa carta nos faz refletir se estamos vivenciando plenamente o Amor em todos os aspectos da nossa vida. Nos faz pensar se estamos doando generosamente nosso carinho, atenção, compreensão, empatia, a todos que nos cercam e aos que nos procuram. Se comunicamos nossas emoções com clareza, com limpidez e segurança. Enfim, se permitimos que toda essa energia divina que recebemos permeie todas as áreas da nossa vida.
O que fazer quando o ÁS DE COPAS aparece na posição de Conselho numa tiragem de tarot? Bom, comece por reforçar a confiança em seus próprios sentimentos mais profundos e na sua intuição. Solidarize-se com alguém, um grupo ou uma causa. Contribua. Entusiasme-se!
E, se você se pegar cantarolando algo do tipo "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi...", não se censure: agradeça à Vida e ao Universo, que certamente estarão em total sintonia com você.
FONTE: http://polaroidesdaalma.blogspot.com.br
domingo, 6 de fevereiro de 2011
O CARRO
Bom mesmo é ir a luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
pois o triunfo pertence a quem se atreve...
A vida é muita para ser insignificante.
Charles Chaplin
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Carta do Dia: 9 DE ESPADAS
O CORO
“… Ilustre e querido Édipo, tu que no leito nupcial de teu pai foste recebido como filho, e como esposo dize: como por tanto tempo esse abrigo paterno te pôde suportar em silêncio?
Só o tempo, que tudo vê, logrou, enfim, ao cabo de tantos anos,
condenar esse himeneu abominável, que fez de ti pai, com aquela de quem eras filho! Filho de Laio, prouvera aos deuses que nunca te houvéramos visto! Condoído, eu choro tua desgraça, com lamentações da mais sincera dor! No entanto, para dizer-te a verdade, foi graças a ti que um dia pudemos respirar tranqüilos e dormir em paz!”
(Entra um EMISSÁRIO, que vem do interior do palácio)
…………………………….
EMISSÁRIO
“Uma coisa fácil de dizer, como de ouvir: Jocasta, a nossa rainha, já não vive!”
CORIFEU
“Oh! Que infeliz! Qual foi a causa de sua morte?”
EMISSÁRIO
“Ela resolveu matar-se... E o mais doloroso vos foi poupado: vós não vistes o quadro horrendo de sua morte. Dir-vos-ei, no entanto, como sofreu a infeliz. Alucinada, depois de transpor o vestíbulo, atirou-se em seu leito nupcial, arrancando os cabelos em desespero. Em seguida, fechou violentamente as portas, e pôs-se a chamar em altos brados por Laio, recordando a imagem do filho que ela teve há tantos anos, o filho sob cujos golpes deveria o pai morrer, para que ela tivesse novos filhos, se é que estes merecem tal nome! Presa da maior angústia, ela se lastimava em seu leito, onde, conforme dizia tivera uma dupla e criminosa geração. Como teria morrido, não sei dizer, pois Édipo, aos gritos, precipitou-se com tal fúria, que não pude ver a morte da rainha.
Todos os nossos olhares voltaram-se para o rei, que, desatinado, corria ao acaso, ora pedindo um punhal, ora reclamando notícias da rainha, não sua esposa, mas sua mãe, a que deu à luz a ele, e a seus filhos. No seu furor invocou um deus, - não sei dizer qual, pois isto foi longe de mim! Então, proferindo imprecações horríveis, como se alguém lhe indicasse um caminho, atirou-se no quarto. Vimos então, ali, a rainha, suspensa ainda pela corda que a estrangulava... Diante dessa visão horrenda, o desgraçado solta novos e lancinantes brados, desprende o laço que a sustinha, e a mísera mulher caiu por terra. A nosso olhar se apresenta, logo em seguida, um quadro ainda mais atroz: Édipo toma seu manto, retira dele os colchetes de ouro com que o prendia, e com a ponta recurva arranca das órbitas os olhos, gritando: "Não quero mais ser testemunha de minhas desgraças, nem de meus crimes! Na treva, agora, não mais verei aqueles a quem nunca deveria ter visto, nem reconhecerei aqueles que não quero mais reconhecer!" Soltando novos gritos, continua a revolver e macerar suas pálpebras sangrentas, de cuja cavidade o sangue rolava até o queixo e não em gotas, apenas, mas num jorro abundante. Assim confundiram, marido e mulher, numa só desgraça, as suas desgraças! Outrora gozaram uma herança de felicidade; mas agora nada mais resta senão a maldição, a morte, a vergonha, não lhes faltando um só dos males que podem ferir os mortais.”
Corifeu e Emissário, “Oedipus Rex” _ Sófocles, Séc. V a.C.
Muitos consideram o 9 de Espadas uma das cartas mais cruéis do Tarot e, certamente, do naipe de Espadas. Costuma representar uma grande angústia ou aflição que sentimos por outra pessoa. É, por exemplo, a sensação de impotência que nos abate quando temos um ente querido sofrendo uma doença. Ou a terrível experiência dos pais que tentam resgatar um filho do submundo das drogas. A causa das nossas dores, do nosso pesadelo, no caso do 9 de Espadas, é provocado por algo ou alguém que não nós mesmos.
Yesod, a 9ª esfera (Sephirah) da Árvore da Vida, é chamada de Fundamento, o lugar onde está a nossa parte inconsciente, dos pesadelos e dos medos, da depressão e dos grandes mistérios que parecem surgir dos recantos mais escuros de nós mesmos. É o local onde guardamos tudo aquilo que, no âmbito racional, nos é difícil de lidar. É de Yesod que os nossos pesadelos surgem, onde, pela influência lunar as nossas percepções são distorcidas e nubladas. A Lua é o planeta (sim, a Lua é um satélite, mas em termos de astrologia básica, a consideramos um planeta) associado a Yesod e, portanto, isso significa que todas as entidades, todas as divindades associadas a ela pertencem a essa Sephirah (esfera): Luna, Hécate, Diana, Hathor, Isis, Lilith, Astarte. As fases da lua (Nova, Crescente, Cheia, Minguante) também refletem aspectos do feminino: a Donzela, a Mãe, a Anciã. Como a Lua reflete a luz emitida pelo Sol, ela tem sombras que a cada dia são mais e mais reveladas. Basta-nos olharmos para uma Lua em seu Quarto-Crescente e veremos que, noite após noite ela revela um pouco mais de si. Ainda que ela fisicamente não se transforme, durante suas fases, e apresente o tempo todo a mesma face, o mesmo lado, os seus ciclos são meramente ilusórios. E Yesod é a esfera (Sephirah) das Ilusões.
Jocasta e a Esfinge são as únicas figuras femininas de relevância em “Oedipus Rex”, e ambas escondem segredos lunares. Segredos que habitam uma zona de sombras dentro das almas humanas e que, dado o tempo devido do ciclo, eles necessitam vir à tona e, certamente, virão. A Esfinge resume as fases da vida de todo o ser humano, nascimento, vida e morte, em sua questão: “Qual é o animal que de dia tem 4 pernas, à tarde tem 2 e à noite, 3?”. Édipo, o representante solar, racionalmente esclarece, soluciona o enigma dizendo ser o homem, que ao nascer caminha com os 4 membros. Adulto, usa as 2 pernas para se locomover e, velho, necessita da ajuda de uma bengala. Mistério revelado significa o fim do monstro, do pesadelo: a Esfinge suicida-se atirando-se do alto do promontório onde habitava.
Jocasta, por sua vez, tomando consciência de que o homem que desposara é seu filho e assassino do pai, seu falecido marido, o rei, tenta, inutilmente, evitar que Édipo confronte-se com a realidade. Procura, de alguma forma, iludi-lo, numa maternal, porém vã tentativa de protege-lo. Roga-lhe para que desista, sugestão que é refutada. Ela sabe, por instinto e objetivamente (Yesod + Malkuth) a verdade dos fatos. Tendo Édipo compreendido toda a real situação, toda a verdadeira tragédia que constitui sua vida, tendo, uma vez mais, solucionado o mistério, o que resta a Jocasta a não ser destruir-se, aniquilar-se, perdida em seu próprio desespero e culpa? Sua morte é a representação de mais uma fase lunar, de um ciclo de total escuridão, simbolizado na cegueira de Édipo que se vale das presilhas que prendiam a roupa da rainha morta para arrancar seus próprios olhos.
Entre o último diálogo de Jocasta com o filho/esposo, e a sua entrada no palácio real, ela vive em profunda intensidade aquilo que o 9 de Espadas simboliza: preocupação, decepção, arrependimento, desespero, sofrimento, traição, medo. Qual será o destino de seus 3 filhos com Édipo? E o que será de Édipo? Por razões semelhantes a essas, quando um 9 de Espadas aparece numa tiragem de tarot, sempre dependendo da sua localização na jogada e entre as demais cartas, bem como a questão proposta pelo Consultante, o 9 de Espadas pode simbolizar um tempo onde tudo parece voltar-se contra a pessoa. As pessoas agem com tal crueldade que ferem profundamente. O Consultante pode estar-se sentindo desprezado e alquebrado pelas circunstâncias que estão muito além do seu controle. Tristeza provocada por pesadelos e visões. A sensação de alguém irá cravar um punhal em suas costas. Pode, em alguns raríssimos casos, simbolizar um presságio de morte de um ente querido. As pessoas que cercam o Consultante agem com malícia e intrigas referindo-se ao Consultante. Pessoas estranhas e misteriosas parecem se aproximar. Os seus medos têm fundamento. Ações praticadas no passado finalmente apresentam suas terríveis consequências. Recusar-se a encarar o que fez. O Consultante, dependendo de muitas outras circunstâncias, pode sentir que a vida se esvai de si, ou então alimentar tolas idéias suicidas. Achar muito doloroso pensar na situação que está vivendo. Inabilidade de concentrar-se no assunto que deve ser resolvido. Uma grande confusão mental.
Às vezes, quando questionado sobre os aspectos positivos desta carta, eu devo confessar que os desconheço em número suficiente para fazer contraponto aos seus sintomas negativos, mas, e sempre há um mas, uma possibilidade extra no tarot, e na vida, nós sabemos que “eles, como tudo, passarão”. Assim como os planetas passam pelos diversos signos do zodíaco, queiramos ou não, como as fases da Lua se alternam independente da nossa vontade, que os ciclos da vida acontecem com ou sem a nossa participação, nós podemos ter certeza de que esse momento também terá o seu fim. O Universo certamente não nos deixará presos em nosso desespero. Podemos contar como certo alternâncias e mudanças. O que está escondido em Yesod pode ser trazido à consciência a fim de ser trabalhado e solucionado.
Nesta sexta-feira, com a Lua Crescente a nos estimular a resolvermos pendências, a trabalharmos assuntos que estão “engavetados” esperando por uma solução, é um ótimo momento para refletirmos sobre a palavra “responsabilidade”. Devemos aceitar as nossas responsabilidades e não nos deixarmos abater por obstáculos, empecilhos, impedimentos ou dificuldades temporárias. É hora de firmar bem os pés no chão, mas deixar que a cabeça esteja elevada, em busca das estrelas.
Tenham todos um dia com novas possibilidades e horizontes se descortinando à sua frente!
Imagem: BOSCH TAROT, por A. Atanassov
domingo, 18 de abril de 2010
Carta do Dia: 4 DE PAUS
| Título | Senhor do Trabalho Perfeito |
| Elemento | Fogo |
| Arcanjo | Tzadiel |
| Nome Divino | El |
| Mundo Cabalístico | Atziluth (mundo da emanação) |
| Sephirah | Chesed (Misericórdia) |
| Correspondência Astrológica | Vênus em Áries |
| Planeta | Júpiter |
| Pedra | Ametista |
Bom, chegamos àquele momento da história do nosso amigo empresário, que estamos acompanhando desde ante-ontem, com a carta do 2 de Paus, em que as coisas parecem estarem perfeitas, tudo em seu lugar, começando a darem os primeiros e significativos resultados.
Suas novas churrascarias, abertas em diversas cidades norte-americanas em sociedade com um grupo de investidores local, ficaram prontas, o pessoal treinado, a mercadoria estocada, a publicidade realizada nos mais importantes veículos de comunicação, as datas de inauguração agendadas e os convites enviados. Tudo rigorosamente feito conforme um elaboradíssimo programa que lhe custou, à sua equipe brasileira e ao pessoal estrangeiro, muitas semanas de conversas, discussões, trocas de informações, e desenvolvimento logístico. Agora é só esperar para que as portas dessas primeiras filiais estrangeiras, de sua extremamente bem sucedida rede de restaurantes nacionais, se abram e conquistem o público além-fronteiras.
Nosso amigo, com toda a razão, tem motivos suficientes para estar feliz e celebrar essa união de forças, além da sua intuição que sempre lhe valeu e a qual todos se referem com expressões como “tino para os negócios”, “faro para uma boa jogada comercial”, “talento para descobrir novas e prósperas saídas”. A nossa Carta do Dia, o 4 de Paus, é talvez uma das mais auspiciosas cartas de todo o tarot. Ela fala desse tempo, um tempo em que estamos felizes, satisfeitos, confiantes, otimistas e tranquilamente esperançosos, celebrando expansivamente a colheita daquilo que plantamos.
No 4 de Paus nós percebemos a real significância da sephirah (esfera) Chesed, na Árvore da Vida: a de ser a manifestação do amor, da bondade e da misericórdia Divinas. Vemos, também, o abundante transbordar de Júpiter, o maior e o mais expansivo de todos os planetas. É uma inebriante sensação de estar-se protegido, de confiança absoluta de que Deus (e, por favor, substituam a palavra por aquela que melhor lhes simbolize ou traduza a expressão daquilo que chamamos Divino) irá nos prover em tudo aquilo que necessitamos, incluindo a própria proteção. Quando confiamos profundamente nessa Divindade e no fato de que ela habita em nós _ nossa força de vida e nossa espiritualidade, nossa intuição, nossa voz interior _ então estamos prontos pra nos abrirmos para a vida, para o mundo, para as demais pessoas, compartilhando com elas a infinidade de benefícios dos quais somos receptores.
Com o 4 de Paus nós temos mais uma oportunidade de reconhecer que a coisa mais importante que podemos fazer com a energia simbolizada pelo naipe de Paus (elemento Fogo) é traze-la para o mundo real. É utilizá-la em nossas vidas, neste plano de existência. Quando estamos estamos inspirados, quando estamos recebendo a luz da inspiração, quando nos sentimos extremamente criativos, sabemos que temos que extravasar, que devemos expressar essa verdadeira força e compartilhá-la com os demais. Ainda que naturalmente experimentemos, durante nosso ciclo de vida, perdas, dores, fracassos e sofrimentos, se mantivermos nossa confiança em nós mesmos e na proteção que recebemos generosamente do Universo, poderemos não só superar essas difíceis etapas, esses obstáculos, e nos encaminharmos para um local, dentro de nós mesmo e das nossas vidas materiais onde haja uma farta colheita, um amoroso entrosamento entre as pessoas e motivos suficientes para serem celebrados.
Ultrapassado o período de dúvidas, de ansiedade, tendo confiado plenamente em si mesmo, na sua capacidade e nas da sua equipe, por ele formada, além de acreditar no seu “faro” para reconhecer boas possibilidades comerciais e parcerias, o amigo empresário vive agora umas merecidas férias, um período de descanso, de recuperação de forças, de festejar etapas vencidas, sucessos conquistados e o processo em andamento, preparando-se assim, física, emocional e psicologicamente para o próximo nível de combate. Sim, novas etapas ainda deverão serem vencidas para que a real consolidação de seu empreendimento se efetue. As lojas da cadeia norte-americana de suas churrascarias ainda deverão abrir e arregimentarem o público pretendido. É preciso que o padrão de qualidade seja mantido e, portanto, constantemente supervisionado. É necessário que os interesses dos sócios e suas expectativas sejam supridas. É preciso que toda uma máquina administrativa, agora com ramificações internacionais, continue a funcionar a contento e gerando os lucros pretendidos e, com isso, o retorno correto do investimento feito. Há, portanto, após esse alegre intervalo, um longo caminho a ser percorrido (lembrem-se que o naipe tem 10 cartas numeradas e que ainda estamos na 4ª…).
Quando o 4 de Paus surge numa leitura de tarot, sempre dependendo da sua posição na jogada e nas demais cartas que o cercam, além da questão motivadora da própria leitura, pode significar, harmonia, paz e tranquilidade. Uma impecável conclusão de eventos passados. A reunião da família, ou do grupo societário, em torno do amor e da abundância. Vitória sobre obstáculos passados. Prosperidade e saúde, além a sensação do surgimento de um novo romance. Tudo dá certo e provoca uma sensação de excitamento e de paz em seu coração. Beleza. Totalidade. Completude.
Mal posicionada, essa carta pode estar avisando que o tempo ainda não é chegado, que o Consultante ainda não está vivendo o tempo de começar a colher os frutos de seu investimento. Obstáculos que surgem e que atrasam os resultados. Problemas e erros que, finalmente, surgem à tona. Não sentir-se à vontade, ou inconfortável, dentro de uma determinada situação. Piora no estado de saúde. Estar desconectado com a sua energia espiritual. Período de estagnação. O trabalho estar movendo para uma direção perigosamente improdutiva.
Neste domingo, aproveite a criadora energia do Sol, regente deste dia da semana, para, em conjunto com a mensagem do 4 de Paus, descansar o físico e a mente, reabastecer-se das necessárias energias para dar continuidade a todos os seus sonhos, projetos, trabalhos, missões. Encontre sempre, e isso é muito importante, maneiras de celebrar as suas conquistas e sucessos, e inclusive, a dos outros. Sinta nisso uma forma de reconhecer os benefícios recebidos da Vida e de abrir-se para que mais abundantemente ele fluam em sua taça.
Tenham todos um ótimo domingo e celebrem, celebrem muito aquilo que desejarem ver mais e mais em suas vidas.
Imagem: TAROT DE DALI
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Carta do Dia: ÁS DE PAUS
| Título | Origem dos Poderes do Fogo |
| Elemento | Fogo |
| Arcanjo | Metatron |
| Nome Divino | Ehieh (Eu Sou) |
| Mundo Cabalístico | Atziluth (mundo arquetípico) |
| Sephirah | Kether (coroa, Divino Esplendor) |
| Correspondência Astrológica | Aries, Leão e Sagitário |
| Pedra | Diamante |
Há uma frase do Johann Wolfgang von Goethe que, para mim, melhor expressa e resume todas as características do Ás de Paus:
“O que quer que você queira ou sonha, ouse. A audácia contém genialidade, poder e mágica!”
A essência do naipe de Paus é percebida, nesta carta, com um afluxo de energias naturais provocadas pelo início de um novo projeto, um novo negócio, uma nova idéia, uma nova, enfim, atividade criativa. O Ás de Paus é a raiz dos poderes do fogo, o que faz dele o impulso inicial e a inspiração motivadora. Essa energia, de altíssima combustão, é utilizada para superar a inércia, a estagnação. Não é necessário que nos preocupemos com detalhes ou com os resultados. Estamos envolvidos em começar. Ousemos, então!
Quando numa leitura de tarot nos deparamos com esse Ás, temos grandes chances de que o assunto tratado será, de alguma maneira, coroado de êxito, pois essa carta é sintoma de uma energia equivalente a de uma usina atômica. É muita força. É uma imagem que vai se surge, do nada, em nossas mentes e que sabemos por instinto, que é algo que deve ser manifestado, de merece investimento, que deve materializar-se. É aquele instante em que, em meio a uma festa, nos servindo de um canapé qualquer, temos um flash, um raio que clareia nossa mente e nos afasta momentaneamente do local: “Eu poderia montar um buffet só de comidinhas naturais, com grãos, verdes, frutas, massas integrais, sementes, tudo muito bonito, tudo muito sofisticado, mas devo manter algumas características simples como nos materiais escolhidos, e poderia falar com a minha ex-babá que agora é uma excelente quituteira, meu filho pode nos dar uma ajuda com o carro, e os papéis? será que fica muito caro e complicado abrir a firma? deixa prá lá, disso o Fulano se incumbe, essas mulheres todas, que vivem de regime, vão enlouquecer! é tudo o que elas querem: comer e não engordar, e os sucos, então, que maravilha! muita fruta vinda do pomar lá da fazenda, eu sabia! eu sabia! que um dia aquele pomar que eu tanto quis fazer ia ser de enorme utilidade, mas e o pessoal de serviço? e os uniformes? onde a gente poderia fazer tudo? na cozinha lá de casa… não sei… é grande mas não sei se dá para guardar todo o material, preciso comprar um novo freezer e uma geladeira, ou os dois em uma peça só? amanhã mesmo vou subir a serra para falar com aquele fantástico fornecedor de endívias e shitake, vai ser uma maravilha! já estou até vendo!…”. Não, eu não esqueci de pontuar e usar os parágrafos corretamente. Mas quando pensamos, quando criamos, quando o Ás de Paus aparece, esqueça a tecla “Enter” do seu computador mental!
Dificilmente, numa jogada, essa carta simbolizará algo negativo, mas quando aparece numa posição de “obstáculo” poderá estar lembrando ao Consultante que ele está canalizando, ou usou mau, essa energia criativa. Acontece quando nos atiramos de corpo e alma sem termos, e nem procurarmos adquirir, algum conhecimento mais aprofundado sobre o assunto. Quando não reconhecemos a necessidade de, passado o primeiro impacto da idéia e a explosão de entusiasmo que advém, temos que nos organizar ou reestruturar para que as coisas possa acontecer como imaginamos. Ou então quando nos recusamos a ver que há um tesouro à nossa frente, nublando nossa visão, recusando-nos, por algum motivo, a não reconhecê-lo. ainda assim ele está lá.
Tradicionalmente o Ás de Paus simboliza, numa leitura de tarot, evidentemente dependendo do assunto proposto pelo Consultante, muita fertilidade e a possibilidade de nascimento de uma criança; início de um novo empreendimento, um novo negócio, um novo investimento; imaginação à mil, espírito motivado com novas idéias, criatividade e produção intelectual em alta; grande capacidade mediúnica, intuitiva, espiritual; energia sexual intensa; muita vitalidade física, recuperação da saúde.
Aproveite a expansibilidade natural de Júpiter, regente das quintas-feiras, com seu otimismo, sua promessa de boa-sorte e sua capacidade de aumentar nossa fé para dedicar-se a elaborar aquele projeto que vive clicando em sua mente. Dê vazão à sua criatividade, libere a sua imaginação e deixe-se conduzir pelas forças telúricas que nos cercam. Há um poema Rumi que diz: “Eu Sou o bastão e você é a bola”. Deixe que essa “tacada” que a Vida, o Divino (e substitua aqui pela expressão que melhor defina o seu conceito de divindade), o Universo dá, o leve a voar alto, explorar outras distâncias, novos horizontes, múltiplas oportunidades.
Tenham todos uma ousada e proveitosa quinta-feira!
Imagem: TAROT DE DALI
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Carta do Dia: O JULGAMENTO
Quando, pelas manhãs, ouço na TV uma determinada apresentadora dizendo “Acorda, menina! Acorda, menino!” não consigo deixar de pensar no Arcano XX do tarot, o Julgamento. Esse “acordar para a vida”, “despertar do sono da noite” tem tudo a ver com a “chamada” para a vida, a trombeta que o Anjo faz soar anunciando um novo amanhecer.
A alegria de viver, como uma parte integrante do simbolismo do Arcano XIX, o Sol, ancora-se firmemente na psique em forma de um encorajamento e despertar de novos sentimentos. Independente da situação na qual nos encontremos, sentimos uma profunda gratidão para com a vida e uma sensação de plenitude muito grande. Porque conseguimos entender a linguagem e fazer com que nosso inconsciente (a Lua) e o nosso consciente (o Sol) se harmonizarem, nos transformamos em algo parecido com aquele brinquedo infantil chamado “João Bobo”: um boneco inflável que, não importa quantas vezes o derrubemos, ele sempre volta à sua posição vertical original. O mesmo ocorre conosco, pois quanto mais conscientes estivermos das nossas dificuldades, dos nossos instintos, dos nossos obstáculos, das nossas escolhas inapropriadas, das nossas próprias verdades, da nossa “sombra”, mas facilmente lidamos com elas à luz da razão, do raciocínio lógico, mais rapidamente nos recompomos, restaurando, não só nosso equilíbrio emocional, mas reerguendo nossa estrutura material.
O sentimento de completude libera um grande potencial interno de energia fazendo com que, embora saibamos que como humanos devemos continuar a trabalhar sempre em nós mesmos, percebemos como lidar mais efetivamente com nossos complexos e problemas. Isso permite que os nos nossos talentos latentes venham à tona, cada vez menos dominados pelos complexos em nosso inconsciente. Percebemos isso, no nosso cotidiano através de mudanças positivas que podem ocorrer nas mais diversas áreas das nossas vidas, desde uma promoção no trabalho até uma mudança radical de pontos de vista político, por exemplo. Mas não é só exteriormente que essa vivência do Julgamento acontece. Dentro de nós há um processo transformador acontecendo há muito e o que vemos como mudanças exteriores já vem sendo fermentado o tempo todo, abaixo da superfície, sem que tenhamos plena consciência disso. O Julgamento representa uma ressurreição no sentido em que podemos interpretar essa fase como uma vitória sobre o sono (um ensaio da morte) que nos impede de associarmos as recordações do passado (nossa memória) com a nossa consciência do mundo (lógica e razão).
Estive relendo, no site da Associação dos Alcoólicos Anônimos (A.A.) os chamados 12 Passos, um auto-de-fé, um manual de ajuda espiritual no controle dessa doença crônica que é o alcoolismo e a reencontrar-se como pessoa, dona de sua própria vontade. Creio que, independente da doutrina que qualquer pessoa siga e pratique, esses “passos” vêm comprovar a necessidade de recorrermos à ajuda espiritual, ou seja, à união da vontade humana com a vontade do nosso Divino interior, em diversas situações da nossa vida quando precisamos de uma chance de recomeçar, de renascer. É o consciente agindo em comum acordo com o inconsciente.
Permiti-me fazer comentários estritamente pessoais (em cor negra) correlacionando esse caminhar com a viagem do Louco, Arcano O (nós mesmos, em nosso estado mais puro, mais instintivo, mais inocente), através das cartas do tarot. Evidentemente inúmeras outras conotações com outros Arcanos podem e devem ser feitas pois um dos grande fascínios do tarot é que nele nada “é” (definitivo), mas tudo “pode ser”, dependendo das circunstâncias, das questões abordadas, das demais cartas e do tipo de jogada, além da experiência pessoal de vida de quem realiza a leitura.
- PRIMEIRO PASSO:
Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas. (a abdicação do controle, tornar-se dependente, prisão: Diabo, Arcano XV) - SEGUNDO PASSO:
Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade. (libertação através do colapso de velhas estruturas favorecendo a aceitação de uma nova realidade: a Torre, Arcano XVI) - TERCEIRO PASSO:
Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. (renunciar ao controle e alterar as prioridades: o Pendurado, Arcano XII) - QUARTO PASSO:
Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. (necessidade de saber a verdade a qualquer custo: o Eremita, Arcano IX) - QUINTO PASSO:
Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas. (reconciliar-se com a admissão de erros, esclarecer e aceitar a verdade: o Sol, Arcano XIX) - SEXTO PASSO:
Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter. (chegar ao ponto nevrálgico da questão e permitir o fim de um velho ciclo: a Morte, Arcano XIII) - SÉTIMO PASSO:
Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições. (transmutação, cura e purificação: a Temperança, Arcano XIV) - OITAVO PASSO:
Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados. (restabelecimento da harmonia e aceitação das responsabilidades: a Justiça, Arcano VIII) - NONO PASSO:
Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem. (tomar o controle da situação agindo com equilíbrio, honestidade e perseverança: o Carro, Arcano VII) - DÉCIMO PASSO:
Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente. (autoconhecimento, coragem, força: a Força, Arcano XI)) - DÉCIMO PRIMEIRO PASSO:
Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade. (inspiração, autoconfiança, fé: a Estrela, Arcano XVII) - DÉCIMO SEGUNDO PASSO:
Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades. (abandono de velhos valores e adoção de novos princípios: Julgamento, Arcano XX)
A lista acima foi copiada (cor azul) do site dos Alcóolicos Anônimos
Podemos observar na grande maioria de representações dessa carta do tarot que ela é “coletiva”, é uma carta que se refere a uma transformação de consciência que é, muitas vezes, interdependente de uma conscientização de um grupo e um passo em direção da percepção de que fazemos parte de um todo maior, que é a nossa natureza divina. Portanto, a carta do Julgamento diz que essa iluminação interior, esse ressurgir das cinzas não é apenas algo pessoal mas afeta a todos os demais. Em outras palavras, a minha recuperação, minha regeneração, meu renascer também depende muito do seu, de você que está me lendo neste momento. Estamos todos juntos nisso.
Podemos também ver nessa carta um chamado para sairmos de um estágio limitado, castrador de vida para a descoberta de um patamar mais alto. É, portanto, um toque de despertar para uma conquista espiritual. Exemplificando: considere como é difícil, para muitos, levantar-se pela manhã. Sim, claro que há milhões que levantam de suas camas de um salto, completamente despertos e já prontos para o dia. Mas estou me referindo àqueles que necessitam de algum tempo para irem de um estado de limitação de consciência (sono) a um outro, mais amplo (acordar). Todos os dias essas pessoas tem essa oportunidade, e todos os dias elas decidem por acordarem e viverem mais um dia. Numerologicamente o Julgamento, carta de número 20, pode ser reduzida a 2 (20 = 2+0 = 2), que significa escolha, dualidade, polaridade, opção. A ressurreição proposta por essa lâmina é inteiramente dependente do ressuscitado ouvir e, sobretudo, reagir (tomar uma decisão, optar), ao chamado da trombeta do Anjo, escutar a voz do Divino que habita em seu interior. Essa libertação que obtemos da prisão do nosso ego só pode ser obtida através do amor, da esperança e da fé que depositamos ao apelo desse chamado.
O Julgamento, numa leitura de tarot, dependendo sempre da questão proposta pelo Consulente e das demais cartas que a acompanham, além da sua posição na jogada, pode simbolizar a chegada de um tempo de colheita daquilo que foi plantado; de viver as consequências de ações, da falta de agir e das ações tomadas de maneira errada. Pode significar, em alguns casos, um despertar para a mediunidade, uma intuição bastante exaltada ou, mais comumente, uma vocação. Também telefonemas, mensagens, chamados, convites podem ser interpretados na leitura desse Arcano. Libertação de situações diversas, renascimento, reestruturação e perdão fazem parte do processo de esclarecimento e novas oportunidades simbolizados por essa carta. Como é uma carta que fala em atividades feitas em grupo, reencontros, reuniões, grupos de ajuda e família também devem ser levados em consideração.
O aspecto negativo do Julgamento pode ser visto na posição de “obstáculo” numa jogada de tarot, referindo-se à recusa ou dificuldade de regenerar-se, recuperar-se, libertar-se. Sentimentos de culpa, estados mórbidos, incapacidade de perdoar, inclusive a si próprio, amargura, solidão, recusa ou dificuldade ao convívio social, fazem parte do lado “sombra” desse Arcano, que também pode representar estar doente, sofrer de surdez, ter dificuldade de comunicação, perda de memória, Alzheimer, estar ou sentir-se preso. Carma é um assunto relacionado com o Julgamento e que pode ser considerado numa leitura.
Plutão é o planeta da transformação, regeneração, eliminação, transmutação assim como do renascimento. O lema desse planeta é “Fora com o velho e faça lugar para o novo”. Plutão recria e destrói. É o planeta da mente inconsciente, da nossa relação com os mistérios, com o divino, com o religioso, com os dogmas, com a fé. É o divã do analista. O seu glifo, ou representação gráfica, é o crescente da alma pairando acima da cruz da matéria, encimada pelo espírito. Simboliza a descida do espírito através da alma até alcançar a matéria, e também a mente inconsciente passando pelo fogo da transformação.
Júpiter é o regente desta quinta-feira, como estamos em Áries, estamos sob uma grande energia no sentido de crescimento, até de maneira obstinada. Apesar das emoções ficarem bem imprevisíveis, a Lua em Aquário favorece as atividades em grupo e também a enfrentar obstáculos e encarar mudanças. quando a Lua, em seu Quarto-Minguante, está na casa de Aquário. e a afinidade astrológica da Carta do Dia é o Julgamento. Plutão nos fala do ciclo concepção, nascimento, morte e renascimento e talvez seja a hora de nos apercebermos que somos, também, seres espirituais tendo um “sonho (Maia) que é essa nossa experiência material. De maneira muito equivocada, tememos ter que morrer fisicamente, abandonar nossos corpos, essas “caixas” onde o espírito habita, para podermos vivenciar nossos aspectos mais sutis. Temos apenas que nos permitir ouvir, sentir vibrar dentro de nós a voz que nos chama para essa elevação e nos erguermos movidos por ela, para que integremos espírito e corpo, de maneira tal que sejamos novamente unos e possamos ressuscitar, espiritualmente, para uma vida mais plena.
Tenham todos uma excelente e promissora quinta-feira!
Imagem: TAROT NAMUR, por Prof. Namur Gopalla e Marta Leyrós (Academia de Cultura Arcanum)
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Carta do Dia: A MORTE
Há uns 15 anos, convidado por um amigo teólogo, assisti à cerimônia de compromisso de votos vitalícios de um candidato a monge, num mosteiro beneditino no Sul. Foi, como ritual, algo de uma belíssima coreografia abundante em simbologias. O candidato, no clímax da celebração, despe-se de toda a roupa (abandono da vida laica) e é vestido pelos demais membros daquela comunidade religiosa com o hábito da ordem escolhida (nascimento para uma nova vida, mais espiritual).
Um casal que conheço, donos de um dos melhores e mais rendosos salões de cabelereiro, sempre “brincaram” que um dia largavam tudo e iriam passar o resto da vida conhecendo o mundo. Todas as economias foram aplicadas, por muitos anos, no pagamento de um veleiro e nas aulas de pilotagem desse tipo de embarcação. Assim passavam as férias, ano após ano, até que um dia o barco estava pronto à espera de seus ocupantes. O que fazer? Trocar a segurança de um negócio construído através de décadas por um “capricho”? Foi bem isso o que fizeram . Venderam o estabelecimento para seus próprios funcionários mais antigos, adiantaram a herança dos filhos e embarcaram na realização do sonho de toda uma vida (o encerrar de um ciclo, sem deixar nada para ser posteriormente resolvido). Viajam de porto em porto, de país em país, fazendo documentários e escrevendo livros a respeito. Encontraram-se (renovação a partir dos frutos colhidos).
Participando de uma ONG, presenciei de certa feita, numa das maiores prisões do país, como parte do processo de preparo daqueles presos para uma nova chance de adaptação à vida em sociedade quando libertos, uma cerimônia de batismo realizada por um pastor evangélico. Aproximadamente 20 detentos entravam, um a um, numa pequena piscina plástica montada no pátio de um dos pavilhões, e era batizado “nas águas”. Confirmava naquele momento, ao final do cumprimento de suas penas, o arrependimento e o abandono de toda uma vida pregressa e aceitava “renascer” para uma vida espiritualmente mais plena e recebiam um”diploma” que lhes outorgava o título de evangelizadores, garantindo-lhes assim uma possível futura nova profissão.
O único filho de um casal muito amigo formou-se em Direito com mérito e completou sua pós-graduação e doutoramento com as maiores notas. Evidentemente seu “passe” foi disputado por diversos e importantes escritórios de advocacia e “arrematado” pelo departamento jurídico de um dos mais importantes estabelecimentos bancários do país. Os pais exultantes. O filho, nem tanto. Com o passar das semanas e dos meses o rapaz, sempre bastante saudável, adoeceu diversas vezes, desmanchou um namoro de anos e, finalmente, desligou-se do tão importante e rendoso cargo (cortar, definitivamente, os vínculos com uma situação insatisfatória). Os pais tiveram muita dificuldade para entender quando o moço lhes disse que sempre quis ser instrutor de equitação numa escola que atendia crianças com autismo. O rapaz, hoje casado e com filhos, vive modestamente em termos de recursos, mas é a expressão da pessoa realizada (recuperação da auto-estima através da aceitação de seus propósitos mais elevados).
Uma ex-colega de escola, na falta de trabalho, passou a trazer, informalmente, artigos femininos do Paraguai para vender, primeiro para as amigas, depois expandiu para conhecidos, e até mesmo algumas lojas que admiravam o seu bom gosto na seleção daquele material. Tudo corria bem até o fatídico e previsível dia em que foi detida e autuada por não proceder de maneira legal e regularizada. Perdeu absolutamente tudo (corte radical): dinheiro, crédito, respeito e credibilidade. Ainda muito abalada, recebeu o telefonema de uma grande loja de departamentos para uma entrevista. Conheciam o seu trabalho e perceberam nela o potencial e as qualidades necessárias para ser “compradora” de uma determinada seção da loja. Empregada há anos e feliz, ela hoje ocupa de grande prestígio nesse mercado e, sobretudo, é alguém que permitiu-se viver uma segunda oportunidade (renascer das próprias cinzas).
Esses são pequenos (mas enormes para quem os vivencia) exemplos do que a Morte, o injustamente temido Arcano XIII do tarot simboliza. Muito além da morte física, essa Morte é um processo de transformação radical que, na maioria das vezes, não deixa pedra sobre pedra e, exatamente por isso nos força a começar do zero, do potencial absoluto, construindo em cima de algo mais sólido (13 = 1 + 3 = 4, que é o número da estabilidade simbolizada pelo Imperador).
Os presos convertidos a uma fé, além de poderem ser associados mais estreitamente à figura do Pendurado (ver a postagem de ontem), renascendo para uma vida mais espiritualizada, aquele processo de conversão conduzido pelo pastor é um mergulho em si mesmos, no reconhecimento de seus erros e culpas (o confessionário nas Igrejas e o divã no consultório dos analistas) e um rito de passagem que lhes dá uma segurança psicológica para novamente enfrentarem o mundo fora das grades, aceitarem os desafios e as dificuldades que certamente irão se apresentar, mas estarem dispostos a viverem vidas melhores, mais úteis (levando “a palavra” para outros necessitados de conhecê-la), menos arriscadas, mais produtivas e poderem vir a contribuir positivamente com a sociedade. (13 = 10 + 3 = a Roda da Fortuna e a Imperatriz = um novo ciclo de vida mais produtivo e amoroso).
Renunciar a um estado de pseudo-segurança (pois nada é absolutamente previsível, garantido ou imutável), ainda que não esteja compensando emocional ou espiritualmente, é sempre muito difícil. Muitas são as variáveis a serem avaliadas e consequências a serem consideradas. Na maioria das vezes, essas decisões envolvem outras pessoas e não podemos prometer ou garantir nada. Mas qual é o sentido de uma vida quando visto apenas no seu sentido material? E o prazer, as alegrias, a satisfação de acordar a cada manhã sabendo-se vivo e feliz por ter mais uma jornada de um trabalho recompensador em todos os sentidos? Sim, porque quem faz o que gosta o faz com amor e, portanto, está muito próximo a colher resultados práticos (a tão buscada recompensa econômica).
Pessoas que se submetem responsáveis e tranquilos aos efeitos transformadores do Ceifador, “brotam” mais fortes em ambientes livres das ervas daninhas que lhes afastava a energia do sol e a brisa que limpa e renova os pensamentos. É sempre um trabalho evolutivo. Mesmo quando associamos esse Arcano à morte física, ele representa o fim de um ciclo para que outro possa se iniciar. Precisamos morrer para renascermos. E para aqueles que não aceitam a idéia da imortalidade e experiência cíclica da alma, é preciso que nossos corpos mortos se decomponham para que outras formas de vida deles surjam. Em ambos os casos a Morte é uma mutação radical que acontece conosco em algum momento.
Dependendo da questão proposta pelo consulente e da posição que a carta ocupa, entre as demais, numa leitura de tarot, a Morte pode simbolizar alívio com o fim de uma situação; liberdade; coragem; eliminar, limpar ou desapegar-se daquilo que já não nos causa o mesmo prazer; mudança no padrão de vida; fim de um relacionamento; surgimento de novas oportunidades; morte do ego; renascimento, renovação, regeneração e mudança; metamorfose e transmutação; rompimento definitivo; colheita; despedida; problemas em viagem; chegar à raiz do problema; aceitação dos ciclos e da necessidade de mudar.
Quando surge como um obstáculo na leitura, a Morte pode ser indicativo de estarmos paralisados incapazes de aceitar as mudanças e as transformações necessárias ou inevitáveis; morte, luto, depressão, perda, medos, fobias, pânico. A vida da pessoa já pode ter mudado, mas ela não quer reconhecer o fato. Novas oportunidades podem estar aguardando o consulente desde que a Morte (de velhos hábitos ou padrões de comportamento, além de apego à situações moribundas) seja aceita. Sofrer por ter de desistir ou abandonar a algo.
Algumas são as situações onde é muito provável o aparecimento do Arcano XIII numa leitura e que podem estar se referindo à morte no sentido físico: quando um parente desencarnou recentemente; quando o consulente trabalha com pacientes terminais; quando a pessoa tem um medo irracional de morrer. Nesse caso a carta indica o medo, não a morte física. Pode ser indicativo, também, da importância e do impacto que uma morte (de qualquer pessoa) causaria na vida do consulente naquele momento.
A carta da Morte, sucedendo à do Pendurado (postagem de ontem) vem complementar, no sentido prático, aquela tomada de consciência, aquele reconhecimento da necessidade de rever conceitos e reanalisar estruturas e métodos. Ela, a Morte, vem para preparar o terreno, limpar o velho e criar as condições ideais para o novo. É quando reconhecemos e aceitamos que não há mais condições de se evoluir em um determinado caminho. Que a árvore que plantamos está perdendo a sua potência e não produzindo mais frutos, necessitando que não temamos podá-la radicalmente.
Esse Arcano nos leva a meditar o quanto podemos servir como instrumentos de transformação em nosso meio ambiente, junto à nossa família, nossos amigos, em nossas relações de trabalho e com a sociedade como um todo. É uma carta que simboliza nascimentos através de mudanças, de renovação. Fala-nos de Vida, em seu sentido mais amplo.
Tenham todos um ótimo e renovador dia!




