sábado, 8 de maio de 2010

Carta do Dia: 10 DE COPAS

  Cups10    Chegaram ao aeroporto com a devida antecedência. Ele, o ex-namorado surfista e a sua melhor amiga fizeram questão de acompanha-la para o embarque. Como sempre, filas se formavam em frente aos balcões das companhias aéreas e a confusão de gente com passaporte e passagem nas mãos, carrinhos abarrotados de malas, parentes e amigos cercando o viajante de atenções e pedidos deixava o saguão internacional com um jeito meio de festa.

     A amiga, chorosa, fazia-lhe mil recomendações abraçando-a e combinando ir encontra-la até o final do ano em Paris.

     “Promete que você vai me escrever todos os dias, promete? Quero saber tudo o que você anda fazendo, tim-tim por tim-tim. Vê lá se vai me deixar na mão e não me contar tudooo! Me escreve, tá? Todos os dias vou ficar aguardando o seu e-mail. Ah! Quero fotos! Muitas fotos! Muiiiiiitas! Quero ver como você está. Olha, você tem o meu Skype, não tem? Então, vamos conversar com câmera ligada. Nada de se esconder de mim, tá sabendo! Ah, amiga, te adoro. Queria tanto poder estar com você… ainda mais agora!…”

     Ela sorria e concordava com tudo. Claro que ela iria escrever contando sobre o seu estágio de um ano. Claro, sem dúvidas. Ela mesma não via a hora de chegar até a escola onde deveria se apresentar para começar as aulas. Realmente, essa era uma grande oportunidade de a vida, e seus patrões, estavam lhe oferendo. E logo agora, num momento tão importante da sua vida. Ha oferta, que havia sido feita antes mesmo dela casar-se, havia finalmente amadurecido e era a hora de aproveita-la. Quem pareceu meio chateado foi o ex-marido, questionando se seria mesmo esse o momento exato para ausentar-se do país, ainda mais nas condições que ela estava. “Por favor, mantenha-me a par de tudo o que estiver acontecendo, de como você está se sentindo, como está evoluindo. Quero estar presente quando chegar a hora.” Mas nada a demovera, nem mesmo as preocupações lavadas de lágrimas de sua mãe. Ela sabia, ou melhor, sentia que este era o seu momento e queria aproveita-lo exatamente como se apresentava: como um imenso presente há muito aguardado.

     “Vai acontecer uma feira náutica e esportiva em Mônaco dentro daqui a 4 meses e, se tudo sair como eu estou planejando, dou uma parada de uma semana em Paris para nos vermos”, disse o ex-namorado. “Vai ser muito bom rever você. Vou sentir saudades…”

     Ela sabia que sim. Desde que haviam se reencontrado naquela ensolarada manhã, há menos de um mês, não deixaram de se ver um só dia. Cada um tinha suas histórias particulares, seu passado, suas expectativas pessoais, mas ambos concordavam que eram grandes companheiros, excelentes amigos, daqueles que, mesmo quando estavam em silêncio, seus corações continuavam a ouvir a voz, um do outro. Sentiam que o fogo da velha paixão voltara a se ascender, agora em labaredas mais controladas, mas não menos poderosas. Não queriam se precipitar em nada e nem havia razão para que o fizessem. Que tudo acontecesse naturalmente, como fora o seu encontro naquela tarde na praia.

     A chamada para o vôo se fez ouvir e ela abraçou a amiga, que já estava chorando com a despedida. “Você está levando seus remédios? Olha lá, não vai me deixar de tomar as vitaminas que o médico mandou, hein? Pelo amor de Deus! Olha a responsabilidade! Cuidado! Não exagere em nada e nem engorde demais com todos aqueles croissants e queijos maravilhosos! Tome bem conta de vocês!”  Em seguida foi a vez dele abraça-la e, antes de beija-la, cochichou em seu ouvido: “Cuide-se. Não! Cuidem-se!” Ela caminhou na fila e, até entrar para a sala de embarque, olhava e acenava para os dois, sentindo-se dividida entre a euforia da partida e as saudades antecipadas que já sentia deles.

     Logo estava sentada numa das poltronas do avião que a levaria para uma nova etapa da sua vida. Era um recomeço, em todos os sentidos. Sabia que um ciclo da sua vida estava se completando e que um novo, cheio de outras oportunidades e desafios começava. Sentia-se feliz, realizada, preparada, querida, radiante.

     “Senhora, por gentileza”, ouviu a voz da aeromoça. “Estamos com uma poltrona vaga na primeira classe e gostaríamos de convida-la para transferir-se para lá. Será mais confortável para a senhora, nesse estado. Por favor, me acompanhe.”

     Ela, sentiu-se uma verdadeira super-star, com aquele tratamento vip. Riu sozinha. Acomodou-se na confortabilíssima poltrona e aceitou a taça de champanhe que o comissário lhe ofereceu. Sentiu o avião taxiando na pista e as turbinas começando a acelerar. A voz do comandante soou pelos autofalantes informado as instruções de praxe, falando do tempo de vôo e desejando a todos uma ótima viagem.

     Ela olhou pela janela a noite escura a as pequenas luzes do aeroporto e da pista. Os sinais soaram e a aeronave começou a deslizar, acelerando em seu procedimento de subida. Fechou os olhos e acariciou o ventre que se avolumava dia a dia, com o milagre de uma nova vida que se formava e crescia abrigado pelo seu corpo e pensou, absolutamente feliz:

     “Aqui vamos nós, meu bebezinho querido. Você verá que Paris é só uma escala que faremos nessa viagem fantástica que se chama Vida. A mamãe está feliz em ter você como companhia. Boa viagem, para nós!”

     Quando um 10 de Copas surge numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua posição no esquema de jogo escolhido e das demais cartas que o acompanham, pode simbolizar que o Consulente sente-se conectado, ou reconectado com o seu verdadeiro eu. Paz e harmonia. Aquela sensação de ter chegado em casa e de estar cercado das pessoas a quem ama. Honra, respeito, honestidade e virtude. Relacionamentos duradouros. Uma vida familiar bastante intensa e construída em bases sólidas. Sucesso naquilo que realmente importa. As recompensas de uma relação afetiva. A reunião com os membros de uma família bastante unida. Amor correspondido. Uma amizade que se transforma em amor. A consciência de saber que se tem tudo de que se precisa para ser feliz, inclusive do amor das pessoas que nos cercam. Felicidade, tranquilidade, união.

     Quando o 10 de Copas sai numa posição menos vantajosa, e dependendo da questão formulada pelo Consultante e das outras cartas da jogada, pode significar brigas e disputas familiares. Amigos que desaparecem abruptamente do nosso convívio. Opiniões completamente opostas. Ruptura na união familiar. Fechar os olhos para as boas coisas que possui. Desarmonia, combate e caos. Dar ou levar o fora. Amor não correspondido. Mesquinhez. Sentir-se desconectado do passado.

     Neste sábado, dia regido pelo disciplinador Saturno, com a Lua em Peixes e tendo como Carta do Dia o 10 de Copas que, astrologicamente equivale a Marte em Peixes, é um bom momento para agradecermos ao Universo pelas nossas intuições que nos trazem benefícios inesperados e pela maneira com que cuidamos das relações com as pessoas a quem dedicamos amor. É sempre bom darmos uma revisada como estamos conduzindo nossas relações familiares e o quanto estamos contribuindo para a harmonia entre todos os seus membros.

     Tenham todos um um final de semana cheio de satisfação e não se esqueçam de serem muito agradecidos por isso!

Imagem: TAROT OF THE RENAISSANCE, por Giorgio Trevisan

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